Record cancela as minisséries “Moisés” e “Os Milagres de Jesus” e demite centenas de funcionários

Vista aérea do RecNov, complexo de estúdios de novelas da Record inaugurado em 2009
Vista aérea do RecNov, complexo de estúdios de novelas da Record inaugurado em 2009

título original: Record leva funcionários do estúdio diretamente para o RH, em dia de demissões em massa

Carla Neves, no UOL

Como publicado na coluna do Flávio Ricco desta segunda-feira (3), a Record programou para hoje cerca de 400 demissões no RecNov, base da sua teledramaturgia no Rio. Na tarde desta segunda, a reportagem do UOL esteve no complexo de estúdios da emissora, na zona oeste da cidade, para tentar ouvir os funcionários demitidos.

O UOL apurou que a emissora cancelou as minisséries “Moisés” e “Os Milagres de Jesus”, duas grandes produções, e desde a semana passada já demitiu mais de 200 pessoas.

O clima no RecNov, complexo de estúdios da Record construído em 2009, é de funeral. Alguns funcionários foram tirados de dentro do estúdio, no meio do trabalho, e levados para o RH. Muita gente passou mal e procurou o posto médico.

Os rumores, ou a “rádio peão”, dão conta de que a “inspiração” para as demissões teria sido uma visita de Alexandre Raposo, presidente da Record, feita a Televisa, no México. A emissora mexicana terceiriza algumas produções e contrata pessoas de acordo com cada projeto. Há ainda quem acredite que uma nova gerente para o RecNov foi contratada, e teria pedido esses cortes antes mesmo de assumir o posto.

Procurado pelo UOL, Celso Teixeira, diretor nacional de comunicação da Record, confirmou a demissão em massa. Mas não soube afirmar o número exato de funcionários que foi mandado embora.

“A Record infelizmente teve que fazer algumas demissões porque nesse momento temos apenas um horário de novelas na grade. Para adequar o número de funcionários ao volume de produção, tivemos que reduzir”, afirmou Celso, acrescentando que a emissora está buscando uma redução de 5% em sua força de trabalho.

Celso disse que o critério usado para a demissão foi “adequar a força de trabalho à produção de apenas um horário de novelas”. Por isso, foram dispensados os funcionários que não estão ligados à produção de “Dona Xepa”, à finalização de “José do Egito” e ao início das gravações de “Pecado Mortal”.

O diretor afirmou que a Record não pretende terceirizar a produção de sua teledramaturgia, ao contrário dos rumores sobre uma mudança parecida com a Televisa. “Nesse momento só estamos adequando ao momento atual de produção”, disse ele, garantindo que foram dispensados funcionários de todos os departamentos e níveis hierárquicos.

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A Globo, o Malafaia e um desabafo…

Imagem: Púlpito Cristão
Imagem: Púlpito Cristão

Fabricio Cunha, no Facebook

E nos vemos mais uma vez enamorados com a rede Globo.

Sinceramente, não conseguiria entender esse encanto, senão fosse o fato de avaliá-lo muito mais à luz da “persona”, no caso, o pastor Silas Malafaia, do que do segmento evangélico.

Estrategicamente, a TV sempre deu mais prejuízo do que lucro. Não anotamos um número significativo de vidas ou estruturas transformadas que citam um programa evangélico de TV como a sua gênese.

Muito pelo contrário, na TV, o segmento evangélico alcança seu pior estereótipo. E não é pelas personagens “crentes” caricatas nas novelas. Não. São os televangelistas que são nossa pior imagem pública. Eles, sim, e seus projetos pessoais de poder, caricaturas de uma triste realidade.

Duas semanas atrás o senhor Malafaia foi até a Globo e apertou a mão não sei de quem (me lembrei da hora em que o advogado Kevin Lomax, interpretado por Keanu Reeves aperta a mão do diabo, interpretado por Al Pacino em “Advogado do Diabo), “selou a paz” e firmou um “compromisso” entre nós, evangélicos e a emissora. Como pedido “fiel da balança”, solicitou um personagem evangélico que retratasse de fato quem somos.

Duas perguntas:

1. E quem somos? Um grupo formado por milhões de pessoas, que se agremiam nas mais diversas “denominações”, num país completamente diverso em sua identidade social, cultural e religiosa inclusive. Qual seria o retrato de um personagem “evangélico” de fato?

E, mais importante:

2. É a Globo, influenciada pelo sr. Silas Malafaia, que terá o poder de determinar o perfil do “bom evangélico”?

Por favor, sr. Malafaia (que nunca vai ler esse texto…). Quer falar, fale, mas fale em seu nome ou em nome de quem lhe deu procuração.

Também sou evangélico. Também sou pastor. Mas cansei de dizer que não sou como o senhor para pessoas que me conhecem sem ter o mínimo registro religioso que as dê algum discernimento para saberem que somos diferentes, que lemos bíblias diferentes, que vemos o mundo de forma diferente.

E se quiser vender-se para a rede Globo, venda-se, venda o que tem, mas não o que não possui.

Você é sim, infelizmente, uma voz evangélica com força pública, mas NÃO REPRESENTA OS EVANGÉLICOS, muito menos os detém.

Você NÃO FALA EM MEU NOME e nem em nome de outros milhões de irmãos evangélicos brasileiros, que tomam a sua cruz a cada dia e seguem o mestre Jesus de Nazaré.

No mais, senhoras e senhores, como bem diz meu amigo caipira Carlinhos Veiga:
“Nas contas que fiz, não sobrou nem um pouco. Ou eu sou ruim de conta, ou esse mundo tá louco.”

Vamos em frente.

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Pastores pedem heroína evangélica à Globo


Dolores (Paula Burlamaqui), em “Avenida Brasil”.

Roteiristas do canal resistem à aproximação com o segmento gospel, já cortejado na empresa pela música

Alberto Pereira Jr. e Anna Virginia Balloussier, na Folha de S.Paulo

Nos próximos dias, o coordenador dos projetos especiais da Globo, Amauri Soares, vai almoçar com o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Entre prato principal e sobremesa, o executivo e o religioso, que está à frente de 125 igrejas com cerca de 40 mil fieis no país, discutirão interesses comuns entre emissora e evangélicos.

Até o fim de janeiro, Soares também se reunirá com o bispo Robson Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra, que tem 35 templos no país e já atraiu para o seu rebanho familiares do apresentador Silvio Santos.

Os encontros com os líderes evangélicos seguem uma agenda que teve início em 12 de novembro passado, quando Soares recebeu 17 deles no Projac, os estúdios do canal no Rio.

Durante horas, os religiosos acompanharam gravações e negociaram apoio e cobertura para a Marcha para Jesus, o Dia do Evangélico e o Dia da Bíblia.

Por sua vez, os líderes prometem apoiar o Festival Promessas, que a Globo criou em 2011 para divulgar a música gospel. A emissora confirma os encontros mas não comenta detalhes das conversas.

“Nos últimos cinco anos, a Globo se aproximou desse público porque tem lhe conferido não somente peso de formação de opinião, mas também de mercado consumidor”, explica Karina Bellotti, doutora da Unicamp que estuda mídia e religião.

Para ela, “é importante destacar que a bancada evangélica cresceu no Congresso, assim como o poder aquisitivo de muitos evangélicos que ocupavam a classe C”.

“Se você for colocar qualquer coisa aí [na reportagem], põe que não há nenhum acordo para nos proteger”, ressalta o pastor Silas Malafaia. “Que cada pastor que pague a conta pela sua besteira.”

“A decisão [de abrir mais espaço para evangélicos] é deles”, completa Rodovalho.

MOCINHA EVANGÉLICA

Para os dois, chegou a hora de a Globo quebrar o último grande tabu: investir em personagens evangélicos na teledramaturgia. Quiçá numa mocinha do horário nobre.

No começo de 2012, a Folha questionou Octávio Florisbal, então diretor-geral da emissora, sobre o assunto. Ele desconversou.

De lá para cá, a Globo emplacou duas coadjuvantes evangélicas: Ivone (Kika Kalache), de “Cheias de Charme”, e Dolores (Paula Burlamaqui), de “Avenida Brasil”.

Izabel de Oliveira, coautora de “Cheias de Charme”, diz não ter recebido orientação para criar a personagem.

No Projac, segundo a assessoria da Globo, os religiosos “manifestaram o interesse em falar sobre o perfil atual do evangélico brasileiro para autores e roteiristas”.

“A emissora considera a contribuição relevante, assim como as que recebe de vários segmentos da sociedade, inclusive de outras religiões”, informou a Globo em nota.

A palestra proposta pelos líderes, porém, não ocorreu. “O Amauri me explicou que a teledramaturgia é muito independente”, diz Malafaia.

Quatro autores procurados pela Folha se recusaram a falar sobre o tema. Silvio de Abreu foi exceção. “Sinto muito, nunca tratei de personagem religioso em nenhuma novela nem pretendo”.

Evangélicos veem mais holofote em outras religiões. Os casamentos em folhetins são geralmente católicos. Novelas espíritas são constantes.

E, se há personagens evangélicos, “é crente, mas vagabundo. É pastor, mas safado”, dispara Malafaia.

APERTO DE MÃO

A cena de pastores no Projac seria inimaginável em 2008. Malafaia atacava: “Em 25 anos, vin-te e cin-co [pontua cada sílaba], lembro de apenas uma reportagem boa na Globo sobre evangélicos. E tem semana em que, todo dia, o ‘Jornal Nacional’ fala bem da Igreja Católica”.

Desde então, o pastor reduziu as farpas trocadas com a Globo. Afirma ter apertado a mão de João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, no fim de 2010, numa reunião “muito legal” no escritório dele, segundo o religioso.

“Ninguém deu mais pau na Globo do que eu. Se um veículo nos denigre, você acha o quê? Disse isso pro João. Ele até riu”, diz Malafaia.

“No passado, éramos corpos estranhos, não tínhamos nenhum diálogo”, afirma Rodovalho. Agora é diferente. “No Projac, Amauri falou bastante do slogan: ‘A gente se vê por aqui’.” Procurados, João Roberto Marinho e Amauri Soares não quiseram comentar os encontros.

dica do Israel Anderson

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Entrevista com Guilherme de Pádua foi rasa e sensacionalista

Guilherme de Pádua falou ao “Domingo Espetacular”

Tony Goes, no F5

Foi um daqueles momentos em que todo mundo se lembra exatamente do que estava fazendo quando soube da notícia, como no 11 de Setembro. Eu, por exemplo, estava em Buenos Aires, passeando pelo bairro da Recoleta. Parei em frente a uma banca e quase dei um pulo quando li a manchete dos jornais brasileiros: Daniella Perez havia sido assassinada.

De todos os crimes célebres que presenciei em toda minha vida, este foi de longe o que causou maior celeuma. Não só pela fama da vítima, estrela da TV e filha da autora de novelas Glória Perez, como também pelo método cruel (nada menos que 19 tesouradas) e pela ausência de dúvida quanto à identidade dos assassinos.

Guilherme de Pádua (que fazia par romântico com Daniella na novela “De Corpo e Alma”) e sua mulher Paula Thomaz foram presos logo após o crime. Descobertos os culpados, restou identificar a motivação: até hoje não se sabe se a morte de Daniella foi causada por ciúmes, ambição profissional ou até mesmo magia negra. Talvez um pouco de tudo isto.

Uma vez na cadeia, o casal passou a se acusar mutuamente. O maior culpado teria sido o outro. Mas a estratégia não funcionou muito bem para nenhum dos dois, que acabaram sendo condenados a longas penas. No entanto, graças ao leniente sistema penal brasileiro, foram ambos libertados em 1999, menos de sete anos depois do crime.

Paula Thomaz sumiu de circulação: casou-se novamente, trocou de nome e nunca mais deu entrevistas. Mas seu ex-marido volta e meia reaparece na mídia, talvez numa tentativa inconsciente de reconquistar a celebridade que quase atingiu como ator. Ontem lá estava ele no “Domingo Espetacular” (Record), numa entrevista de mais de 40 minutos a Marcelo Rezende.

Foi uma das peças mais sensacionalistas e menos objetivas que a imprensa brasileira produziu nos últimos tempos. Rezende, com sua locução digna dos antigos programas de rádio policialescos, procurava dramatizar ainda mais um caso que já é dramático o suficiente. Além do mais, parecia haver um esforço para mostrar Guilherme de Pádua como um bom moço, meio vítima das circunstâncias e já plenamente reintegrado à sociedade.

Mas nas entrelinhas a história era outra. Guilherme se mostrou covarde ao insinuar que uma marca no rosto de Daniella teria sido resultado “da vida íntima” da atriz. Também posou de coitadinho ao lembrar que já levou cuspidas na cara – algo bem menos doloroso que 19 tesouradas, é claro.

Papel ainda pior fez a Record. A reportagem não trouxe um dado novo sobre o caso. Os motivos torpes que levaram um casal jovem a cometer um crime bárbaro não ficaram mais claros depois dos longos 40 minutos. Deu até para suspeitar que a emissora estivesse fazendo propaganda subliminar da fé evangélica, já que Guilherme diz que foi Jesus quem o salvou.

Se era a intenção, em mim não colou: achei tudo um lixo.

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Assassino de Daniela Perez, Guilherme de Pádua conta que pensou em se matar


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Publicado originalmente no R7

Após mais de 20 anos do assassinato de Daniela Perez, o ator Guilherme de Pádua, condenado pela morte da atriz, contou com exclusividade ao repórter Marcelo Rezende os detalhes do crime que chocou o país.

Ele disse em entrevista exclusiva ao Domingo Espetacular que pensava em se matar após o crime, mas recebeu uma carta que o aconselhava a lutar até o fim.

— Eu tinha plano para me matar e ela [carta] falava não desiste.

Quando questionado pelo repórter Marcelo Rezende sobre a morte da atriz, Guilherme não negou:

— Eu participei da morte dela. Ninguém mais do que eu levou e participou.

A entrevista foi ao ar no quadro Grande Reportagem do Domingo Espetacular. O ator pediu perdão à mãe da atriz e revelou como está a sua vida após ser solto.

A atriz, que é filha da roteirista de novelas Glória Perez, foi assassinada em dezembro de 1992. Na época do crime, Guilherme fazia par romântico com Daniela em uma telenovela.

Ele juntamente com a sua esposa Paula Thomaz levaram a atriz até um terreno baldio na Barra da Tijuca. A perícia comprovou que Daniela Perez foi morta com 18 golpes de punhal. Os dois foram condenados a 18 anos de prisão pelo assassinato. Após completar seis, foi solto em regime de liberdade condicional.

Gloria Perez chama Guilherme de Pádua de “michê” e “vagabundo” pelo Twitter


Guilherme de Pádua disse que pediria perdão à Gloria Perez

Vinte anos após a morte da filha, a novelista Gloria Perez mantém a revolta com Guilherme de Pádua, condenado pelo assassinato de Daniela Perez em 1992. Ao assistir à entrevista exclusiva concedida por ele ao Domingo Espetacular, a autora foi ao Twitter revelar que tem “nojo” de Pádua e o considera “michê” e “vagabundo”. “O assassino abraçou Raul dizendo: força cara, eu estou aqui #nojo”, tuitou.

Esse tuíte se refere ao trecho da entrevista em que Pádua revela que abraçou o então viúvo de Daniela, o ator Raul Gazolla, momentos após ter matado a atriz. Ele agiu como se não tivesse participado do assassinato.

Gloria Perez resumiu o que considera ser a verdadeira motivação do crime. Ela postou que “esse ‘FDP’ [Guilherme de Pádua] pq estava sendo reduzido na novela vingou-se: emboscou Daniela, desacordou com um soco,deu 18 estocadas e foi abraçar nossa família.”Ela se revoltou com o suposto arrependimento de Pádua, demonstrado na entrevista à TV Record. “Pq ele nao conta q abriu mao do filho, q foi aditado pelo padrasto?”, questionou no Twitter.A novelista não mediu palavras ao se referir a Pádua, condenado a 18 anos de prisão pelo assassinato da filha, e também se referiu a ele como “michê” e “vagabundo”.

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