Almeidinha escreve a Feliciano

O Cristo Vingador só existe na cabeça de Feliciano e Almeidinha
O Cristo Vingador só existe na cabeça de Feliciano e Almeidinha

Matheus Pichonelli, na CartaCapital

Caro Feliciano,

Vou te confessar uma coisa. Por puro receio, nunca frequentei um culto evangélico. Nada contra, tenho até alguns amigos evangélicos, mas só de ver pastores como o senhor já coloco o cadeado no bolso e me vacino. Fora isso, sempre me dei bem com todo mundo. Tive, durante um tempo, um funcionário da firma que era crente. O apelido dele era Crente. Ele explicava, todo santo dia, que nem todo crente era evangélico, e que nem todo evangélico fazia sessão de descarrego. Nunca dei a mínima: sou católico, apostólico e paulistano, brinco com todos, faço piada igual: chamo os crentes de crentes, os católicos de papa-hóstia, os ateus de vagabundos, os brancos de branquelas e os negros de macacos. A maldade está no ouvido de quem ouve. Para mim, que não sei distinguir na mesma rua um papa Francisco de um Edir Macedo, o importante é não perder a esportiva.

Por isso tiro o chapéu para o senhor.

Tirando o Rafinha Bastos e o Danilo Gentili, não é todo dia que vemos na tevê um sujeito de coragem dizer as verdades que doem mas precisam ser ditas.

Por exemplo: todo mundo sabe, só não tem coragem de dizer, que a África é um continente amaldiçoado. Minha cunhada, uma feminista lésbica incapaz de casar e procriar, como observa o mandamento, me esfregou, dia desses, o mapa africano e mostrou como tudo ali é linha reta, resultado do fatiamento acertado entre as potências colonialistas do século sei lá qual. Disse que, se eu quisesse entender os problemas da África, era melhor ler a história da Inglaterra, e não a Bíblia. Como se existisse Inglaterra no tempo de Noé – além de feminista e lésbica, minha cunhada é burra.

Deixa ela pra lá.

Em casa, comemoramos feito gol em Copa do Mundo a sua declaração sobre a ditadura gayzista – durante muito tempo achei que a autoria dessa frase era minha; não patenteei mas tomei posse por usucapião. Faça dela bom proveito.

Concordo com o senhor quando fala da podridão dos sentimentos dos homossexuais. Esses dias postei no Facebook duas mensagens. Uma delas, uma frase atribuída ao Arnaldo Jabor: “No Brasil, o homossexualismo (minha cunhada diz que “ismo” é errado, mas ela é intolerante até com a gramática) já foi proibido, tolerado e agora é aceito. Vou embora daqui antes que seja obrigatório”. Choro de rir só de reproduzir a frase. A outra é uma foto em defesa do senhor. Tinha a imagem de um bando se abraçando, mostrando a língua, as partes baixas e outros penduricalhos. A conclusão era: “para ter respeito é preciso, primeiro, se dar ao respeito”.

Esse é meu décimo primeiro mandamento.

Digo isso porque me preocupo com meus filhos. Daqui a pouco vai ser comum andar com eles na rua e encontrar marmanjo de barba beijando outro marmanjo sem uma única lampadazinha fosforescente para colocar pudor na bagunça. O senhor sabe como é: as crianças não têm filtro pra essas coisas. Não têm desejo próprio: se veem mulher beijando homem, logo saem beijando também. É automático. Se veem pássaro voando pelos fios de transmissão, logo sobem no poste, se atiram, se arrebentam. Se veem alguém cuspir no chão, cospem também. Se veem atropelamento, logo se enfiam debaixo dos caminhões. Logo, se virem homens beijando homens nas ruas, logo vão agarrar os amiguinhos. O senhor já pensou que fim será disso?

Por isso é preciso combater a ditadura da gayzice. Não é porque sou católico, apostólico e paulistano que não temos um objetivo em comum. Nossa Bíblia é a mesma. Mas, como sou observador atento da Palavra, devo dizer que ando em um dilema. Dias atrás, pinçaram no YouTube um vídeo em que o senhor diz exatamente o que eu disse aos meus filhos a vida toda. Que esse povo do meio artístico tem pacto com o Demo. E o maior exemplo disso foi o assassinato do John Lennon, aquele vagabundo que nunca pegou na enxada e vive dizendo que os Beatles eram mais populares do que Cristo. Pagou com a própria vida. Por isso eu digo para meus filhos: “não falem mal de Deus se não Deus te ferra”.

Fico feliz em saber que não sou o único a defender que a morte do sujeito, como a de tantos outros, foi um castigo divino. Imagina se Deus não intervém? Um sujeito que defendia um mundo sem conflito, o amor livre, que botava o dedo na cara dos chefes de Estado, que reunia multidões nas ruas pra dizer que a “guerra já era” e alertava que a vida era o que nos acontecia enquanto estávamos ocupados fazendo outros planos? Que mundo ele queria? Um mundo pacífico, cheio de cordeirinhos sem graça pulando felizes, pelados, cantando que a vida é bela, que tudo é lindo e que era melhor fazer amor do que fazer a guerra? Quem ia dar jeito nos comunistas do Vietnã? Quem ia combater a ditadura da gayzice? Como eu digo, Deus sabe o que faz. Santo Mark Chapman.

Quando a sua pregação foi parar no YouTube, eu mostrei para o meu filho caçula. Pra quê? Ele ficou aterrorizado. Agora anda com medo de ser alvejado na rua pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo. Toda vez que se benze, fecha os olhos e espera o balaço. Disse que se receber um tiro para cada pecado que cometeu alguém lá de cima vai precisar de uma garrucha calibre 12. Eu achei até bom. Toda vez agora que o moleque faz arte eu mando baixar a cabeça que o céu vai descarregar o tiroteio. O bichinho se benze e se treme todo – pra tomar banho, agora só de sunga e em dois minutos. Até água economizei. Se alguém coloca Beatles perto dele, ele se borra. “Não quero morrer que nem o John Lennon”, ele repete.

Até aí tudo bem.

O problema foi que a professora, provavelmente outra feminista lésbica, soube dos desassossegos do menino, o chamou pra conversar e perguntou se ele conhecia os Dez Mandamentos. De cor, ele respondeu. “Então avisa o trouxa do seu pai, o trouxa daquele pastor, e qualquer trouxa que te vier com essa história de John Lennon de novo que pecado é usar o Santo Nome em vão para falar bobagens.”

Pra quê? Quando soube, rasguei os corredores da escola, empurrei a segurança, avisei que pagava mensalidade todo mês e ia fazer o que quisesse ali dentro. Falei um monte para a velha. E troquei o menino de escola.

Nessa vida, é bom saber com quem se anda. Se a professora não dá educação pro menino, quem vai ensinar o menino? É o que te pergunto: pra que pagamos tantos impostos, tantas mensalidades escolares? Para sustentar a ditadura da gayzice?

Só por cima do meu cadáver. Do nosso.

Siga firme nesta comissã antes dominada por Satanás. E que Deus nos proteja e siga alvejando os Johns Lennons desta vida.

Um abraço,

Almeidinha

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Prédio fica no meio de estrada após casal não assinar acordo na China

Publicado originalmente no G1

Um pequeno prédio ficou no meio de uma estrada recém-construída em Wenling, na província de Zhejiang, na China, depois que um casal de idosos se recusou a assinar um acordo para permitir a demolição da residência. O casal afirmou que a compensação oferecida era insuficiente para cobrir os custos da construção de uma nova casa.

Casal de idosos se recusou a assinar um acordo para permitir a demolição da residência. (Foto: China Daily/Reuters)Casal de idosos se recusou a assinar um acordo para permitir a demolição da residência. (Foto: China Daily/Reuters)

Pequeno prédio ficou no meio de uma estrada recém-construída em Wenling. (Foto: China Daily/Reuters)Pequeno prédio ficou no meio de uma estrada recém-construída em Wenling. (Foto: China Daily/Reuters)

Idoso observa da janela estrada contornando sua casa. (Foto: China Daily/Reuters)Idoso observa da janela de casa a estrada contornando sua casa. (Foto: China Daily/Reuters)

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Os limites da pregação religiosa

Para o padre Anísio Baldessin, é melhor atrair pelo exemplo do que pelo discurso

Aline Viana, no iG

A situação é difícil: um colega de trabalho descobre uma doença grave ou perde um ente querido. A intenção é boa: o primeiro consolo que lhe vem à cabeça é de cunho religioso. Mas pode ser ofensivo “evangelizar” alguém neste contexto. E em outros contextos também.

Quem nunca ouviu que religião, política e futebol não se discutem? “Na verdade, esses assuntos não se condenam. Não tenho como julgar a escolha do outro, apenas me cabe respeitá-la”, redefine Janaína Depiné, coach em relacionamentos e especialista em etiqueta.

Para Janaína, os atritos ocorrem quando se desrespeita o direito do outro de pensar diferente ou se fica preso a uma interpretação literal de uma escritura. “Jesus pregava para leprosos e prostitutas. Por isso é estranho ver alguns pastores evangélicos condenando os homossexuais. Mesmo que o Antigo Testamento condene a prática do homossexualismo, a Bíblia também diz para respeitar todos”, pontua Janaína.

Junto ao respeito, há a questão da oportunidade. Por mais que se queira levar a palavra de Deus, Jeová, Ogum, Maomé, etc. a todos, existem hora e lugar certos para fazer isso.

“Usamos muito a expressão ‘a pessoa tal é uma pessoa de Deus’ porque não precisa pregar, as atitudes falam por si mesmas”, observa o padre Anísio Baldessin, autor do livro “Entre a Vida e a Morte: Medicina e Religião” (Editora Loyola). “É melhor atrair pelo exemplo do que pelo discurso, porque se o outro se sentir agredido jamais ficará interessado em conhecer mais sobre a sua religião”, concorda Janaina.

Intolerância ao pé da letra

Paulo Vinicius passou por uma saia justa incomum no velório do pai: em vez de confortá-lo, membro da igreja que ele deixara de frequentar ignorou-o
foto: Gustavo Magnusson/ Fotoarena

No velório do próprio pai, o auxiliar judiciário Paulo Vinicius Mendes Ananias, 29, se sentiu agredido pelo comportamento de um irmão de sua antiga igreja. Ele tinha sido Testemunha de Jeová e, segundo as leis da igreja, os fiéis não podem mais manter contato com quem se afasta.

“No velório do meu pai, estávamos eu, minha mãe e a minha namorada. Chegou um irmão da igreja e cumprimentou todo mundo, menos eu. Apertou a mão da minha mãe, dos outros e passou direto por mim. Só tinha eu de filho lá na hora. E ele é um ancião, uma figura de autoridade da igreja. Eu me senti humilhado e mais triste do que já estava”, relembra Paulo.

Ele pontua que nem todos os religiosos agiram assim na ocasião. “Havia outras pessoas da igreja que me cumprimentaram, conversaram e tentaram me confortar. Mas foi justamente com aquele que não me cumprimentou que eu tive um relacionamento mais próximo, porque foi ele quem me passou os ensinamentos da religião quando eu era criança”, conta. “Hoje eu não vou mais a nenhuma igreja porque não acredito mais em nada.”

O que não fazer

Sugerir um momento de oração em local de trabalho ou de estudo pode ter a melhor das intenções, mas sair pela culatra e criar um clima de isolamento para quem não quer participar. Se uma única pessoa se sente constrangida ou desconfortável, é melhor respeitar e deixar a prática para outro momento.

Dar presentes de cunho religioso sem conhecer bem o outro também é arriscado. Se a pessoa não comunga da mesma fé, pode se ofender.

Convites para cultos também devem ter contexto adequado. Esteja pronto para ouvir um “não”. “O próprio Jesus Cristo sempre propôs: ‘se você quiser me seguir’, ‘se você quiser entrar no Reino dos Céus’…”, diz o padre Anísio.

Mas se uma pregação fora de hora ou de lugar ofender, não responda. Uma discussão não vai mudar a opinião do outro, nem torná-lo mais tolerante. Se isso acontecer, será por meio de um processo mais longo, não de um bate-boca.

Que deselegante!

A ex-primeira-dama Rosane Collor , em entrevista à edição de maio da revista “Marie Claire”, disse que a atual mulher do ex-marido, Caroline Medeiros, foi punida por Deus por ter lhe roubado Fernando Collor. Segundo Rosane, essa é a razão de uma das filhas gêmeas do ex-presidente com Caroline ter nascido com problemas de saúde.

Além de deselegante, a declaração não encontra respaldo no próprio pensamento religioso. “Deus não conserta um erro com outro erro. No Antigo Testamento, pensava-se que doença era um castigo. Mas no Cristianismo é inconcebível que os pais cometam um erro e que os filhos paguem por ele”, diz o padre Anísio.

Segundo Anísio, as dificuldades da vida serão as mesmas para os fiéis de qualquer religião – e para quem não tem nenhuma. “Ter ou não ter uma religião não livra da doença, do desemprego. E religião não é para resolver o problema de ninguém, mas sim para pôr Deus em contato com as pessoas”, conclui.

dica do Fábio Davidson

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Cavalo pintor faz sucesso e vende quadro por R$ 5 mil

‘Justin’ recebeu comparações ao pintor americano Jackson Pollock. Animal ganhou sua primeira exposição este mês.

Desde que dona descobriu dom, Justin não parou mais de pintar (Foto: Reprodução/Site oficial)

publicado no Planeta Bizarro

Na cidade de Columbus, no estado de Indiana, nos EUA, o cavalo Justin tem chamado a atenção por suas habilidades artísticas. Ao invés de pular obstáculos ou trotar, o quadrúpede é pintor, e algumas de suas obras chegaram a ser vendidas por até R$ 5 mil, além de render comparações ao famoso artista americano Jackson Pollock.

A dona do equino, Adonna Combs, percebeu os dotes do animal quando viu desenhos no chão feitos por Justin com um chicote que era utilizado pela americana, de acordo com o “Huffington Post”. Adonna disse que o passo seguinte foi colocar pincel e tinta à disposição de Justin e, desde então, o animal não parou mais de pintar. A mulher mostrou que o cavalo consegue até assinar seus quadros, ao colocar sua ferradura em cima das telas.

Obras de Justin custam, no mínimo, R$ 300, mas já chegaram a ser vendidas por R$ 5 mil (Foto: Reprodução)

Os quadros pintados pelo cavalo ganharam sua primeira exposição este mês, e entusiastas dizem que podem ser descritos pelo estilo abstrato e expressionista. A dona do animal afirma que não faltam interessados em comprar as telas de Justin, que até ganhou um site com vídeos que mostram o animal pintando, além de uma seção dedicada à venda dos quadros, que podem ser adquiridos por pelo menos R$ 300.

Justin observa suas telas em sua primeira exposição, nos EUA (Foto: Reprodução/Site oficial)

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