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Assédio sexual em vagão vira fetiche em Tóquio e dá prisão em NY

Tóquio tem metrô com vagão exclusivo para mulheres nos horários de pico (foto: Kenji Suzuki-Sankei/Reuters)

Tóquio tem metrô com vagão exclusivo para mulheres nos horários de pico (foto: Kenji Suzuki-Sankei/Reuters)

Alexandre Porto, Isabel Fleck, Leandro Colon e Lígia Mesquita, na Folha de S.Paulo

O assédio sexual a passageiros ocorre em São Paulo e repete-se nos vagões de outras metrópoles. Em Tóquio, o ato é comum e virou fetiche. Há motéis com suítes que imitam o ambiente do metrô.

Em Nova York, um decisão da Justiça estabeleceu prisão de até um ano para “encoxadores”. Já em Londres, há operações para detê-los. Em Buenos Aires, os assediadores trocavam “dicas” num blog para cometer o crime e, no Rio, o público masculino insiste em desrespeitar o vagão exclusivo para mulheres.

Saiba mais sobre cada metrópole abaixo.

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Tóquio

Fetiche do metrô

No metrô de Tóquio, assédio sexual é comum. Segundo as autoridades, dois terços das passageiras entre 20 e 30 anos já foram vítimas. O chikan —como é conhecido no Japão— ocorre mais frequentemente pela manhã, em linhas com grandes distâncias entre as paradas. Cartazes de advertência contra o abuso estão em todas as estações e há vagões exclusivos para mulheres nos horários de pico.

A cultura machista japonesa, no entanto, procura transformar abuso em fetiche. Em alguns motéis, há suítes temáticas com a aparência de um vagão de metrô, para a prática do chikan como fantasia sexual.

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Nova York

Prisão para abuso

Uma decisão tomada em fevereiro pela mais alta corte do Estado de Nova York estabeleceu que “encoxadores” em metrôs poderão ser acusados criminalmente e receber penas de até um ano de prisão.

A decisão se refere a um caso de 2009, em que um homem foi preso após esfregar seu órgão genital em um rapaz numa estação de metrô de Nova York. A medida foi considerada uma vitória por grupos que defendem punições mais rigorosas para esse tipo de abuso. O Departamento de Polícia de Nova York registrou, em 2012, cerca de mil denúncias de contatos forçados ou exposição pública.

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Londres

Guardião do trem

Criado há um ano, o “Guardian”, programa de prevenção e combate ao assédio sexual no transporte público em Londres, dá resultados práticos. Numa operação no mês passado, 16 homens foram detidos sob suspeita de praticar algum tipo de assédio. O projeto foi criado depois de uma pesquisa mostrar que 15% das mulheres sofreram algum tipo de abordagem sexual em meios de transporte. Mas 90% delas nunca haviam informado as autoridades. A polícia de Londres diz que o combate ao assédio sexual é importante por ter “efeito desproporcional na confiança das pessoas em viajar, sobretudo as mulheres”.

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Buenos Aires

Blog do assédio

O Programa das Vítimas contra as Violências do Ministério da Justiça registrou 1.139 denúncias em 2012. Desse total, 6% (68 casos) ocorreram em ônibus, metrô, trens e táxis. Entre janeiro e maio de 2013, 18 dos 418 casos se deram em meios de transporte.

Em Buenos Aires, onde o metrô costuma estar lotado, não há vagão exclusivo para as mulheres. A Agência Nacional de Notícias Jurídicas do país denunciou, em 2013, um blog no qual homens que assediavam mulheres em trens e ônibus da capital trocavam “dicas” para cometer o crime. A página foi retirada do ar.

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Rio de Janeiro

Vagão para elas

O vagão exclusivo para mulheres nos trens e no metrô do Rio de Janeiro completa neste mês oito anos de existência. De segunda a sexta, das 6h às 9h e entre 17h e 20h, sempre há o espaço destinado para elas. A medida, aprovada em lei, surgiu para evitar que homens se aproveitassem da superlotação para assediar as passageiras.

Hoje, alguns homens ainda ignoram a regra. Segundo a SuperVia, que administra os trens, a lei não dá autonomia para que agentes possam expulsá-los. Na manhã da última terça-feira, um dos infratores ejaculou num dos vagões femininos. Ele acabou preso por violação sexual.

Justiça do Estado de Nova York definiu pena de até um ano para "encoxadores" (foto: AFP)

Justiça do Estado de Nova York definiu pena de até um ano para “encoxadores” (foto: AFP)

Alckmin e Haddad decidem voltar tarifa de ônibus e metrô para R$ 3

Daniela Lima e Bruno Boghossian, na Folha de S.Paulo

Após negociação entre os governos municipal e estadual, a tarifa de ônibus e metrô de São Paulo voltará a custar R$ 3. O anúncio será feito pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e pelo prefeito Fernando Haddad (PT), na noite de hoje, no Palácio dos Bandeirantes.

Ontem, ocorreu o sexto protesto contra as tarifas na capital paulista. O ato começou de forma pacífica na praça da Sé, mas um grupo mais exaltado atravessou a grades que faziam o isolamento na frente da prefeitura e atiraram objetos contra os guadas-civis que faziam um cordão na frente do prédio. Ao menos dois guardas ficaram feridos.

Houve ainda pichações ao prédio da prefeitura e bandeiras hasteadas na frente do prédio foram arrancadas. Mais tarde, um grupo de pessoas ainda depredou e saqueou lojas da região central. Até a madrugada, ao menos, 63 pessoas tinham sido detidas.

VANDALISMO

Sobre os episódios de violência ocorridos ontem, durante o sexto protesto contra o aumento da passagem de ônibus, o prefeito disse que existem grupos no movimento que querem interditar o diálogo.

“Infelizmente o debate tem sido interditado por grupos que não confiam na democracia. São criminosos os que estão agindo nas ruas”, criticou.

“Gestos como o de ontem não contribuem para o funcionamento da cidade. Independente da manifestação, as pessoas têm o direito de chegar ao trabalho, de chegar em casa. Mas você não precisa, para ter manifestação, excluir os demais direitos das pessoas. O que aconteceu foi uma atrocidade contra a cidade.”

Sobre as críticas de que a Polícia Militar demorou a agir ontem, Haddad disse que telefonou ao secretário Fernando Grella (Segurança Pública) e ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e ouviu explicações de que existe uma preocupação da polícia em só agir em último caso.

“Obviamente, depois da quinta-feira, existe uma preocupação muito grande para que, de parte da população, não haja uma percepção de que a polícia esteja em contradição com ela. Existe uma preocupação grande da Polícia Militar neste momento de só agir em último caso, preservando a integridade física das pessoas.”

Na quinta-feira (13), a PM foi criticada por ter contido a manifestação com uso indiscriminado de balas de borracha, que atingiram inclusive jornalistas, e detenções de pessoas que portavam apenas frascos com vinagre –usado para amenizar os efeitos do gás lacrimogêneo.

Haddad disse ainda que a GCM (Guarda Civil Metropolitana) preservou o prédio da prefeitura e só acionou a PM “no tempo devido”.

Guru diz que indiana que sofreu estupro coletivo foi ‘culpada’

Fernando Moreira, no Page not Found

Um guru espiritual provocou revolta na Índia por um causa de um comentário bizarro: segundo Asaram Bapu, a estudante de 23 anos que sofreu estupro coletivo em um ônibus e depois morreu em um hospital foi tão culpada pelo crime quanto os seus agressores.

“Apenas cinco ou seis pessoas não são réus. A vítima é tão culpada quanto os seus estupradores. Ela deveria ter chamado os agressores de irmãos e ter implorado para que eles parassem. Isto teria salvado a sua dignidade e a sua vida. Uma mão pode aplaudir? Acho que não”, disse Bapu, de acordo com a imprensa indiana.

Mais: o guru afirmou que a estudante, identificada como Jyoti Singh Pandey, deveria ter sido mais gentil com os seus algozes se quisesse prevervar a sua vida!

Políticos e internautas reagiram com fúria após as declarações de Bapu.

“Comentários como esses deveriam ser condenados o quanto antes”, disse Sandeep Dikshit, parlamentar do partido governista.

“Querido Asaram Bapu, uma mão não pode aplaudir, mas um dedo pode facilmente mostrar o que penso de você”, escreveu no Twitter um internauta furioso.

A estudante violentada por mais de 20 minutos chegou a ser levada para um hospital em Cingapura, mas não resistiu. O caso provocou uma comoção na Índia.