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‘Papa irá conclamar governos a escutar as ruas’, diz Leonardo Boff

“Há uma primavera prometida para a Igreja, depois de um inverno rigoroso”

Guilherme Balza, no UOL

O teólogo e professor Leonardo Boff (foto: Júlio César Guimarães/UOL)

O teólogo e professor Leonardo Boff (foto: Júlio César Guimarães/UOL)

O teólogo, escritor e professor Leonardo Boff,74, deixou de lado o pessimismo com os rumos da Igreja Católica que marcaram suas análises durante os pontificados de João Paulo 2º e Bento 16. Desde a ascensão de Francisco, o teólogo, que foi membro da Ordem dos Frades Menores, os Franciscanos, passou a cultivar esperança com o futuro da Igreja.

Boff, que nos próximos dias lançará o livro “Francisco de Assis e Francisco de Roma”, acredita que o novo pontífice colocará a Igreja ao lado dos pobres, aproximando-se do dos preceitos da Teologia da Libertação, movimento que reformulou a atuação da Igreja na América Latina e do qual Boff é um dos maiores expoentes.

Em entrevista ao UOL, o teólogo afirmou que Francisco irá, durante a Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro, que começa na próxima segunda-feira (22), “conclamar os governos a escutar as ruas” e indicará “as linhas básicas que darão a tônica de seu pontificado”. Ele também revelou que o pontífice tem ligações estreitas com a tendência argentina da Teologia da Libertação.

UOL – Qual é o significado da Jornada Mundial da Juventude para a Igreja Católica?
Leonardo Boff -
A intenção originária, de João Paulo 2º e Bento 16, era dar visibilidade à Igreja Católica. Com o processo de secularização, o sagrado na Igreja ficou restrito às imagens. A outra dimensão é de dar mais visibilidade à Igreja e ao cristianismo. O papa Francisco vai ter uma visão mais aberta. Ele coloca o acento não na Igreja, mas nos povos do mundo. Ele enfatiza que Deus é de todos, não só dos católicos.

O papa admite que a Igreja e todos nós estamos confusos sobre o caminho da humanidade, mas temos que cuidar da terra, de um dos outros, caso contrário vamos ao encontro de uma grande catástrofe. Ele procura descobrir como o cristianismo pode ajudar a evitar essa catástrofe.

UOL – Como acha que ele lidará caso haja protestos durante a visita ao Rio?
Leonardo Boff -
Ele vai fazer uma conclamação para os governos escutarem as ruas, escutarem os jovens. As causas deles são verdadeiras, e os governos têm de escutá-los. Eles reclamam por mais participação, por uma democracia com o povo. Ele vai desafiar os jovens com seu entusiasmo, seu senso de sonho, utopia. Ele tem uma perspectiva bem diferente do Bento 16, que mantinha um diálogo difícil com a modernidade. Acho que dessa jornada vai ser um desafio para os jovens de inaugurar uma nova fase da Igreja.

UOL – O evento pode influir nos rumos da Igreja, impulsionar reformas?
Leonardo Boff -
Antes de iniciar reformas na Cúria Romana, Francisco reformou o próprio papado. Ele é um papa que deixa o palácio, mora onde todos os hóspedes moram, renuncia a títulos de poder, se sente mais Bispo de Roma do que papa e pede para não ser chamado de sua santidade. Com isso, ele quer dizer ‘nós somos irmãos ou irmãs’, ‘estou no meio de vocês’. É uma perspectiva diferente, mais ligada à vida cotidiana dos fieis, à capacidade de perdão e misericórdia. Na Jornada, ele dará as linhas básicas que vão ser a tônica do seu papado. Ele já deu sinais de que defende a abertura de diálogo com judeus e muçulmanos.

UOL – O senhor enxerga no papa Francisco ligação com os pressupostos da Teologia da Libertação?
Leonardo Boff –
As intuições básicas da Teologia da Libertação estão presentes no discurso dele. A primeira frase mais forte que ele disse no dia seguinte à eleição, foi de que ele gostaria de uma Igreja pobre para os pobres. E ele era adepto de uma das vertentes da Teologia da Libertação, que era própria da Argentina, que é a teologia do povo, teologia da cultura popular. A Teologia da Libertação tinha muitas tendências. Na Argentina predominou essa, que vem do justicialismo (movimento político de apoio ao Partido Justicialista, de Juan Domingos Perón).

Francisco sempre se entendeu como um peronista, um justicialista. Uma das polêmicas com a Cristina Kirchner (presidente da Argentina, do Partido Justicialista) foi por ele achar que o governo estava tratando o pobre com filantropia, e não com justiça social. Ele defendia trazer os pobres como participantes, que não há solução para os pobres sem a participação deles. Isso é a Teologia da Libertação. Francisco não usa a palavra Teologia da Libertação, e talvez até seja bom ele como papa não se filiar a teologia nenhuma.

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UOL – Gostaria que o senhor falasse mais sobre essa tendência argentina da Teologia da Libertação que influenciou o papa.
Leonardo Boff –
O formulador dessa teologia é Juan Carlos Scannone, um jesuíta que foi professor do Bergoglio. Ele frequentou as aulas do Scannone e sempre foi entusiasta dessa teologia. Ele foi sozinho para as casas, para as favelas. Não vou dizer que ele é da Teologia da Libertação porque isso não é importante. Mas ele é da libertação. E intuiu essa opção pelos pobres contra a pobreza. É isso que sempre pregamos. E o curioso é que saiu um livro na Itália.

É isso que sempre pregamos. E o curioso é que agora saiu um livro na Itália escrito conjuntamente entre o atual presidente da Congregação da Doutrina da Fé (grupo interno da Igreja que historicamente combatia a Teologia da Libertação), o arcebispo Gerhard Ludwig Müller, e um dos fundadores da Teologia da Libertação, o peruano Gustavo Gutiérrez. O livro se chama “Da parte dos pobres: Teologia da Libertação, Teologia da igreja”. Então há uma mudança muito grande.

UOL – Nesse movimento de mudanças, a Igreja incorporou elementos da Teologia da Libertação?
Leonardo Boff –
A Teologia da Libertação sempre esteve presente. Uma coisa é a oposição que tinha o Vaticano, que ouvia muito mais os críticos da Teologia. Outra coisa é a Igreja no Brasil e na América Latina, que vem da linha pastoral. O próprio MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) é criação da Igreja da Libertação, nascido de uma sacristia. O PT (Partido dos Trabalhadores) teve como fundadores as igrejas de base. Aqui a Teologia sempre esteve presente. Ocorre que, como era polêmica, tinha uma certa invisibilidade.

A Teologia está viva. Nasce dessa experiência do grito do oprimido no passado, que virou um clamor hoje em dia. A Europa vive situações da Idade Média. Na Espanha, mais de 30% dos jovens estão desempregados. Na Grécia são 67%. Há muita miséria, sofrimento. Há uma globalização da indiferença. Nossa cultura não sabe mais chorar os mortos, as vítimas. Isso incita uma esperança de uma atmosfera nova da Igreja. Ratzinger condenou mais de 500 teólogos do mundo inteiro. Isso não vai ter mais. Até desconfio que ele (Francisco) vai reabilitar muitos teólogos que foram condenados sem nenhum motivo.

UOL – Nesses primeiros meses de pontificado, houve alguma mudança concreta ou foram gestos mais simbólicos?
Leonardo Boff –
Houve mudanças muito profundas. Ele não ora mais no palácio pontífice, ele dispensou todos os aparatos do poder, a começar pelo papamóvel. No Rio, ele rejeitou suíte. Quis um quarto onde todos vão se hospedar. Dispensou a cruz de ouro e joias e manteve a cruz de prata. Ele faz a reforma do pontificado. Essa transformação está desmontando os argumentos que estavam minando a Igreja, que viam a Igreja como um castelo cercado de inimigos, em ruínas. Ele não entende a Igreja assim. A entende como um diálogo aberto, franco, com o mundo. Há uma primavera prometida para a Igreja, depois de um inverno rigoroso

UOL – A Jornada pode ajudar a reverter o quadro de diminuição de católicos no Brasil?
Leonardo Boff –
Francisco não tem uma perspectiva proselitista. Ele quer diálogo, que as igrejas se reconheçam mutuamente e juntas deem um testemunho da presença de Jesus. Ele acredita que essas igrejas estão a serviço da humanidade, e não delas mesmas. A figura dele, vindo da América Latina, vai reforçar essa democracia. Espero que ele faça um apelo aos políticos que escutem as ruas e que atendam as demandas. Ele disse que as demandas desses jovens são justas e devem ser ouvidas. São demandas ligadas à vida, em nome de uma democracia mais transparente e participativa.

UOL – O senhor acredita que o papa em algum momento irá tocar em temas polêmicos, como a união de pessoas do mesmo sexo, uso de preservativos e aborto?
Leonardo Boff -
Até agora ele não abordou. Acho que ele vai ter uma posição mais clássica, a favor da vida, contra o aborto, com críticas às uniões homoafetivas. Só que tem uma diferença: até agora era proibido discutir esses temas. Ele vai tirar a proibição e permitir a discussão. A partir disso, vai tomar medidas mais pastorais. Ele já fez duras críticas a um padre que não quis batizar uma mãe solteira, dizendo que não existe mãe solteira. Existe mãe.

OAB vai pedir a cassação de Marco Feliciano e Jair Bolsonaro

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Wadih Damous ingressa com o processo na semana que vem

Publicado no Correio do Brasil

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) concluiu a denúncia contra Marco Feliciano (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ) por campanha de ódio. A entidade quer que a Corregedoria da Câmara puna os dois por quebra de decoro parlamentar em virtude de divulgação de vídeos considerados difamatórios, o que poderia resultar na cassação de seus mandatos.

Liderando um grupo de mais de vinte entidades ligadas aos direitos humanos, a OAB enviará, na próxima semana, representação ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, contra Feliciano e Bolsonaro. A entidade quer que a Corregedoria da Câmara os processe por quebra de decoro parlamentar em virtude de divulgação de vídeos considerados difamatórios.

Em um dos vídeos, Bolsonaro teria editado a fala de um professor do Distrito Federal em audiências na Câmara para acusá-lo de pedofilia e utiliza imagens de deputados a favor da causa homossexual para dizer que eles são contrários à família.

Para o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Wadih Damous, essas campanhas de ódio representam o rebaixamento da política brasileira. “Pensar que tais absurdos partem de representantes do Estado, das Estruturas do Congresso Nacional, é algo inimaginável e não podemos ficar omissos. Direitos Humanos não se loteia e não se barganha”, disse. Indignado com os relatos feitos por parlamentares e defensores dos direitos humanos durante reunião na sede da entidade, Damous garantiu que “a Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB será protagonista no enfrentamento a esse tipo de atentado à dignidade humana”.

Na reunião com a CNDH da entidade dos advogados estiveram presentes, além dos deputados acusados na campanha difamatória, representantes da secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, do Conselho Federal de Psicologia, e ativistas dos movimentos indígena, de mulheres, da população negra, do povo de terreiro e LGBT.

Ordem dos Músicos do Brasil não pode mais fiscalizar atividades musicais em templos ou igrejas

Interferência em eventos religiosos contraria liberdade de culto e de expressão; Ordem não pode exigir que quem canta ou toca na igreja esteja inscrito na OMB

foto: Igreja Evangélica Cristã Presbiteriana

foto: Igreja Evangélica Cristã Presbiteriana

Publicado no site do Ministério Público Federal

Agora é definitivo: o Conselho Federal da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) e o Conselho Regional do Estado de São Paulo da OMB não podem mais impedir ou atrapalhar a realização de eventos musicais religiosos em templos, igrejas e ambientes de natureza religiosa por meio da exigência de que os membros dessas instituições estejam inscritos na Ordem. Por meio de sentença publicada no Diário Eletrônico da Justiça no último dia 3 de junho, com validade em todo o território nacional, a Justiça Federal em São Paulo decidiu que a fiscalização da OMB nesses ambientes viola os princípios constitucionais da liberdade religiosa e de culto e, sobretudo, da liberdade de expressão.

Em agosto de 2010, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do MPF/SP propôs uma ação civil pública com pedido de liminar para que Conselho Federal da OMB deixasse de praticar atos de fiscalização que pudessem impedir ou atrapalhar a realização de eventos musicais e religiosos em templos, igrejas e ambientes similares. A PRDC argumentou na ocasião que “não se pode exigir dos músicos e pessoas que se apresentam em cultos de templos, igrejas e outros ambientes congêneres a habilitação técnica e formação específica para suas atividades”.

Em maio do ano passado, a Justiça Federal concedeu a liminar requerida pelo MPF e, desde então, a fiscalização da OMB nesses locais já estava vetada. Agora, a proibição passa a ser definitiva porque ocorreu o julgamento do mérito da ação – e a decisão anterior, de caráter provisório, foi confirmada em sentença. Em caso de descumprimento da decisão, a OMB pode ser multada em R$ 10 mil para cada prática irregular.

RITUAL. “A música integra o culto (ritual religioso), e nessa condição não pode ser considerada uma atividade profissional sujeita à fiscalização da Ordem dos Músicos. Os músicos nela atuam como parte da celebração religiosa, a qual é vedada a interferência do Estado”, diz um trecho da sentença. “A respeito da liberdade de culto, José Afonso da Silva, em sua obra ‘Comentário Contextual à Constituição’, esclarece: ‘A religião não é apenas sentimento sagrado puro. Não se realiza na simples contemplação do ente sagrado (…); se exterioriza na prática dos ritos, no culto, com suas cerimônias, manifestações, reuniões, fidelidade aos hábitos, às tradições, na forma indicada pela religião escolhida’”.

Ainda de acordo com a sentença, “aqueles que participam de atividades musicais em igrejas ou templos não seriam considerados profissionais, visto que para participar de uma atividade religiosa seria prescindível deter conhecimento técnico específico para a execução dessa atividade ou formação acadêmica”. “Portanto, não seria cabível a fiscalização e autuação pela Ordem dos Músicos. No entanto, ainda que, em tese, um músico que participe do culto seja considerado profissional, é vedada a interferência da Ordem dos Músicos quando a atuação se der em instituição de natureza religiosa, havendo impedimento à exigência do credenciamento no conselho profissional como condição para a participação em cultos em igrejas ou templos”.

dica do Anderson Santos

Papa surpreenderá com reviravolta na Igreja, opina teólogo Leonardo Boff

Para representante da Teologia da Libertação, papa Francisco é pragmático, mais liberal, e não é culpado das acusações sobre ditadura argentina

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Publicado originalmente no Opera Mundi

O ex-sacerdote brasileiro Leonardo Boff, um dos mais destacados representantes da Teologia da Libertação, acredita que o papa Francisco surpreenderá muitos dando um reviravolta radical à Igreja.

“Agora é papa e pode fazer o que quiser. Muitos se surpreenderão com o que Francisco fará. Para isso, precisará de uma ruptura com as tradições, deixar para trás a cúria corrupta do Vaticano para abrir passagem para uma igreja universal”, disse Boff em entrevista que será publicada na edição da próxima semana da revista alemã Der Spiegel.

O teólogo se disse muito satisfeito com o nome de Francisco para o pontífice.
”Este nome é programático: Francisco de Assis representa uma igreja dos pobres e dos oprimidos, responsabilidade perante o meio ambiente e rejeição ao luxo e a ostentação”, acrescentou Boff, que pertence à Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos.

O estudioso disse também que, embora em muitos aspectos – como o referente aos anticoncepcionais, o celibato e o homossexualismo – Francisco tenha seguido uma linha conservadora como cardeal, isso se deveu apenas à pressão do Vaticano.

Para ele, há elementos que indicam que o novo pontífice é muito mais liberal.

”Há alguns meses, por exemplo, ele aprovou expressamente que um casal de homossexuais adotasse uma criança. Tem contato com sacerdotes que foram repudiados pela igreja oficial por terem se casado. E, o mais importante, é que não se deixou separar de sua convicção que temos que estar do lado dos pobres”, destacou.

Boff rejeita também as acusações que surgiram contra Francisco segundo as quais não deu suficiente apoio a dois jesuítas que foram presos durante a ditadura militar argentina.

”Conheço as acusações e acredito no que diz o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, que como opositor ao regime militar esteve preso e foi torturado. Houve bispos que foram cúmplices da ditadura, mas Bergoglio não estava entre eles”, opinou.

“Até agora, não há indícios claros de um comportamento censurável. Pelo contrário, ele escondeu e salvou muitos sacerdotes perseguidos. Conheci Orlando Yorio, um dos jesuítas que dizem terem sido traídos por Bergoglio e nunca fez a mim tais acusações”, completou.

dica do André Tadeu de Oliveira

Em Manaus, alunos evangélicos se recusam a ler obras como “Macunaíma” e “Casa Grande Senzala”, dizendo que os livros falam sobre “homossexualismo”

Polêmica na escola motivou ida de representantes de Fórum,OAB e MPE
Polêmica na escola motivou ida de representantes de Fórum,OAB e MPE

título original: Alunos evangélicos se recusam a fazer trabalho sobre a cultura afro-brasileira

Maria Derzi, no A Crítica

O protesto de um grupo de 13 alunos evangélicos do ensino médio da escola estadual Senador João Bosco Ramos de Lima – na avenida Noel Nutels, Cidade Nova, Zona Norte -, que se recusaram a fazer um trabalho sobre a cultura afro-brasileira – gerou polêmica entre os grupos representativos étnicos culturais do Amazonas.

Os estudantes se negaram a defender o projeto interdisciplinar sobre a ‘Preservação da Identidade Étnico-Cultural brasileira’ por entenderem que o trabalho faz apologia ao “satanismo e ao homossexualismo”, proposta que contraria as crenças deles.

Por conta própria e orientados pelos pastores e pais, eles fizeram um projeto sobre as missões evangélicas na África, o que não foi aceito pela escola. Por conta disso, os alunos acamparam na frente da escola, protestando contra o trabalho sobre cultura afro-brasileira, atitude que foi considerada um ato de intolerância étnica e religiosa. “Eles também se recusaram a ler obras como O Guarany, Macunaíma, Casa Grande Senzala, dizendo que os livros falavam sobre homossexualismo”, disse o professor Raimundo Cardoso.

Para os alunos, a questão deve ser encarada pelo lado religioso. “O que tem de errado no projeto são as outras religiões, principalmente o Candomblé e o Espiritismo, e o homossexualismo, que está nas obras literárias. Nós fizemos um projeto baseado na Bíblia”, alegou uma das alunas.

Intolerância gera debate na escola

A polêmica entre os alunos evangélicos e a escola provou a ida de representantes do Fórum Especial de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros do Amazonas, da Ordem dos Advogados do Brasil, secção do Amazonas, e do Ministério Público do Estado.

Para a representante do movimento de entidades de direitos humanos e do Fórum Especial de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros do Amazonas, Rosaly Pinheiro, a problemática ocorrida na escola reflete uma realidade de racismo e intolência à diversidade. “Nós temos dados de que 39% dos gestores e alunos das escolas são homofóbicos. Essa não pode ser encarada como uma oportunidade para se destacar um fato ruim, mas sim uma oportunidade de se discutir, de uma forma mais ampla essas questões com os alunos”,disse.

Para a representante do Ministério Público, Carmem Arruda,a situação também deve ser encarada como uma oportunidade de esclarecer a comunidade.“É uma chance de discutir a diversidade e uma oportunidade de contruirmos uma conscientização junto não apenas aos alunos, mas sim às famílias que serão fazem refletidas junto a comunidade”.

Representante do Fórum pela Diversidade da OAB/AM, Carla Santiago, ressaltou que o episódio não era para ser encarado como um ato que fere os direitos de negros, homossexuais, mas sim um momento de conscientizar os alunos sobre a etnodiversidade. A conversa entre os diversos segmentos envolvidos prometia uma nova rodada, mas até o fechamento desta edição estava mantida a posição da escola de cobrar o trabalho original passado aos alunos pelo professor de História.

foto: Odair Leal

dica do Max Walter