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Mulher que teve o MSN e o Orkut invadidos por hackers será indenizada pela Microsoft

downloadO invasor chegou a enviar mensagens no celular da vítima dizendo que havia descoberto as senhas de acesso dos dois serviços

publicado no Estado de Minas

Uma mulher que teve um serviço de mensagens instantâneas e um perfil na rede social invadidos por hackers será indenizada em R$ 10 mil pela Microsoft Informática. O invasor chegou a enviar mensagens no celular da vítima dizendo que havia descoberto as senhas de acesso dos dois serviços. Os desembargadores da 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que confirmaram a sentença proferida pelo juiz Paulo Fernando Naves de Resende, da 7ª Vara Cível da comarca de Uberaba.

O caso aconteceu em outubro de 2009. A funcionária pública E.M.O contratou os serviços da Microsoft, e, tempos depois, recebeu uma mensagem no celular de uma pessoa que disse ter invadido o MSN e descoberto a senha de acesso. A mulher achou que se tratava de brincadeira, porém, percebeu que sua senha do serviço e do Orkut tinham sido descobertas. A pessoa chegou a se passar pela vítima e violou mensagens no site de relacionamento.

A consumidora entrou na Justiça contra a Microsoft pedindo indenização por danos morais. Ela alegou que ao se cadastrar no site, concordou e assumiu toda a responsabilidade de não infringir as normas estabelecidas. Argumentou que acreditava que a empresa iria proteger a sua senha, o que não foi cumprido.

A Microsoft alegou que não tinha acesso aos servidores da Microsoft Corporation, localizados nos EUA e que as duas empresas possuem personalidades jurídicas distintas, sendo a última a única responsável pela disponibilização dos serviços do e-mail hotmail.  O juiz Paulo Fernando condenou, em primeira instância, a empresa a indenizar a funcionária pública em R$ 10 mil. A Microsoft decidiu recorrer da decisão.

O desembargador Alexandre Santiago, relator do recurso, decidiu manter a decisão de primeira instância. Em sua decisão, afirmou que a empresa tem que garantir a segurança do usuário. “Os hackers costumam utilizar contas falsas em provedores para a realização de ataques ou armazenagem de dados e informações ilegais ou ofensivas. O provedor tem o dever contratual de garantir a segurança do usuário. O apelante [a Microsoft Informática] não logrou êxito em comprovar que, mesmo com os recursos disponíveis aos seus clientes, não poderia evitar a invasão”, disse.

Os desembargadores Wanderley Paiva e Mariza de Melo Porto, seguiram o voto do relator.

 

Ditados populares das redes sociais

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Publicado no youPIX

Ter perfil ativo nas redes sociais não é fácil. Todos os dias temos que conviver com vários tipos de pessoas programadas para matar a sua produtividade, o seu foco e a sua paciência, e fazer você rir muito, claro. E sempre um tiozão que aplica umas gírias idosas, piadinhas do tipo “é pavê ou pacumê?” e umas frases de efeito de gente gagá, né? Por mais que seja estúpido, é engraçado! Daí, que a gente resolver ser o tiozão e trouxemos os ditos populares para as redes sociais.

Frases profundas que refletem o comportamento do internauta que poderão guiar seus passos digitais(sic). Vem com a gente:

1) Em casa de blogueiro o espeto é viral.
2) Nem tudo o que reluz é moeda verde.
3) O pior seguidor é aquele que não quer retuitar.
4) Quem tem pressa usa script.
5) RT de promoção, 100 anos na prisão.
6) Antes forever alone, que mal seguido.
7) Não há marcas que o Google apague.
8) Em terra de badges, quem é mayor, é rei.
9) Nada como um poke atrás do outro.
10) Em Twitter privado não entra stalker.
11) As aparências enganam.
12) Quem com post fere, com comentário será ferido.
13) Twittar é poder.
15) Trollagem no perfil dos outros é refresco.
16) O bom follower a seguir torna.
17) Orkut de bêbado não tem dono.
18) O unfollowado é sempre o último a saber.
19) Quem publica o que quer, lê o que não quer.
20) Quem com tag em flyer fere com tag em flyer será ferido.
21) Post engraçado não se olha a fonte.
22) Tuítem bem, tuítem mal, mas tuítem de mim.
23) Tuita quem pode, retuita quem segue.
24) Diga-me o que lês no Google Reader e te direi quem és.
25) De atriz, blogueiro e dj o inferno tá cheio.
26) O mural do vizinho é sempre mais curtido que o nosso.
27) Roupa suja se lava por DM.
28) Comunidades paradas não movem tópicos.
29) De view em view o Youtube cria uma celebridade.
30) É melhor prevenir estudando do que remediar com o Yahoo! Respostas.
31) Antes uma badge roubada do que nenhuma.
32) Quem tem Google Maps vai a Roma. (E dá check-in).
33) Quem semeia quizes, colhe spams.
34) Em terra de apps quem tem iPhone é rei.
35) A união faz a Super Swarm Badge.
36) Anônimo do Formspring que ladra, não morde.
39) Azar no Angry Birds, sorte no poke.
40) Em briga de blogueiro não se mete o mouse.
42) A desculpa do troll é a zoeira.
43) Não adianta chorar sobre perfil hackeado.
44) O fake tem pernas curtas.
45) Dos encurtadores de URL, o menor.
47) Retuitou não leu, o pau comeu.
48) Mais vale um seguidor na mão do que dois unfollows.
49) Nunca diga “nesta rede social nunca entrarei”.
50) Onde há Trending, há Topics.

Um passeio pelas ‘ruínas’ do Orkut, uma cidade fantasma

Que fim levou aquela que já foi a maior rede social do país e por onde andam alguns dos seus membros mais ativos

Hoje esvaziado, site vive onda nostálgica que reverencia suas hilárias comunidades em outros fóruns na internet

Maurício Cid, que criou 1.024 comunidades e agora tem blog “Não Salvo”, é um dos “órfãos”

João Mascarenhas foi dono da maior comunidade que existiu, a “Eu odeio acordar cedo”, com 6,1 milhões de usuários: vendeu-a em 2009, por R$ 4 mil. (foto: O Globo / Camilla Maia)

João Mascarenhas foi dono da maior comunidade que existiu, a “Eu odeio acordar cedo”, com 6,1 milhões de usuários: vendeu-a em 2009, por R$ 4 mil. (foto: O Globo / Camilla Maia)

Roberto Kaz, em O Globo

Uma das última vezes que escrevi uma frase no Orkut foi em abril de 2010. Eu tinha 28 anos, morava em São Paulo e acabara de aparecer, por acaso, no programa de Ana Maria Braga. Uma parente, que me vira na TV, escrevera na minha página da comunidade social: “Ninguém aparece na Ana Maria Braga para responder ‘pegadinhas’ impunemente!” Retruquei com uma piada (“Flagrado pela própria família!”), e fechei a página. Era 19 de abril de 2010. Desde então, meu perfil no Orkut tornou-se um moribundo virtual.

Criado em janeiro de 2004 pelo engenheiro turco Orkut Büyükkökten, de quem herdou o nome, o Orkut foi, por seis anos, a maior rede social da internet no Brasil — de onde vinha metade dos 70 milhões de usuários que chegou a ter. Em 2008, o Google — empresa que opera o Orkut — transferiu o controle do site da Califórnia para Belo Horizonte. A iniciativa, que visava fortalecer o site ainda mais no país, teve efeito limitado: dali a dois anos, o Orkut seria ultrapassado pelo Facebook (a rede social de Marck Zuckerberg, que congrega mais de um bilhão de usuários mundo afora). Em fevereiro deste ano, de acordo com estimativa feita a partir de cem mil computadores pela ComScore, consultoria que mede a audiência da internet, o Orkut teve 17 milhões de visitantes no Brasil. O número foi quatro vezes menor do que o registrado para o Facebook no mesmo período.

— Entrei pela última vez há quatro meses, e foi melancólico — lembra, por telefone, o jornalista Alexandre Inagaki, ex-curador de mídias sociais da Campus Party (maior feira de internet no Brasil). — As comunidades mais interessantes estavam paradas, minha página estava cheia de spams escabrosos. O Orkut virou um museu de grandes novidades.

Desde que há internet, há troca de mensagens. Desde que há troca de mensagens, há comunidades sociais. A primeira, Classmates, foi criada em 1995, para congregar estudantes de escolas e universidades americanas. Nos anos seguintes surgiram MirC, MySpace, LinkedIn, MSN (esse extinto pela Microsoft no ano passado, por falta de uso). Todas tiveram relativo sucesso no país, mas nada que se comparasse à hegemonia conquistada pelo Orkut.

Nascido numa empresa americana, o Orkut visava, inicialmente, o mercado americano. Em janeiro de 2004 — primeiro mês de funcionamento —, dos dez países com mais usuários, o Brasil ocupava a oitava colocação. Em abril daquele ano, já subira para terceiro, atrás dos Estados Unidos e do Japão. Dois meses depois, no dia 23 de junho, conquistou a primazia — posto do qual jamais seria retirado. Havia ali um traço da sociedade brasileira, mas também um acaso: em paralelo, outras redes sociais cresciam em outros países (Hi5 no México, Friendster na Malásia, Facebook nos Estados Unidos).

O Orkut surgiu de forma excludente: entrava-se na rede mediante convite. Da primeira leva de brasileiros a se aventurar, constavam a jornalista Cora Rónai e o antropólogo Hermano Vianna. O meu convite chegou em março de 2005, por intermédio de uma amiga. Nós tínhamos 23 anos, estávamos no segundo ano de Jornalismo, conversávamos muito pelo computador. No Orkut, há resquícios de mensagens nossas sobre um dente siso que ela tirara, sobre o quarto casamento de Roberto Justus e sobre a festa de uma amiga de quem éramos próximos, e com quem nunca mais falamos.

Para advogado, rede é um documento histórico sobre o Brasil

Estão marcados, no meu histórico, o dia em que consegui meu primeiro emprego (“Caracas!!!! Qual vai ser o seu horário???”, perguntou uma amiga), o dia em que sofri um acidente, que me deixou um mês acamado (“Vc tá melhor???? Fiquei sabendo”, escreveu minha prima), o dia em que entrei para uma comunidade de fãs do deputado Paulo Maluf (“Vou te espancar!”, bradou uma paulistana).

Está lá a primeira mensagem que recebi de uma moça que viria a ser minha namorada (“Você é capcioso”) e a última que ela escreveu antes de terminarmos (“Você está sendo irônico?”). Entre março de 2005 e agosto de 2011, 2.344 mensagens foram escritas por amigos no meu perfil. Elas formam um retrato do que eu fui (ou aparentei ser) naquele período — mas não só. Quando o foco é ampliado para todos os perfis, de todos os usuários que restaram, há, ali, um retrato do que foi uma parcela do Brasil naquele período.

— O Orkut é o documento mais importante de dado primário da década passada, tão importante quanto os processos judiciais — diz o advogado especializado em direito digital Ronaldo Lemos. — No futuro, pesquisadores que forem ao Orkut vão entender numa escala microscópica o que estava acontecendo no país naquele momento. Está tudo lá: moda, política, sem falar na inclusão social.

Diretor do Centro de Tecnologia e da Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Lemos defende que o conteúdo do Orkut deveria ser preservado pela Biblioteca Nacional ou pelo próprio Google (embora não tenha tido uma conversa formal com nenhuma das duas instituições). A ideia é calcada no exemplo da Library of Congress, a biblioteca do congresso americano que, desde 2010, compilou 170 bilhões de mensagens escritas no microblog Twitter, acreditando no valor histórico que possam vir a ter.

Ele diz não conhecer uma única pessoa que acesse o Orkut regularmente. Suas visitas à comunidade costumam ser melancólicas:

— Fico deprimido, sempre que entro, com as propagandas pedindo para eu me converter ao Google+ (rede social criada pela empresa americana em 2011, como tentativa de responder ao avanço do Facebook). O Google quer que todo mundo saia do Orkut.

Hoje, o usuário que tenta acessar o Orkut se depara com uma mensagem do próprio Google oferecendo um “upgrade de seu perfil”. Quem aceita tem todas as fotos e informações abduzidas pelo Google+. Quem ignora permanece, qual o último marinheiro a deixar o navio, na página do Orkut.

Procurado ao longo de uma semana, o Google respondeu com uma declaração genérica sobre a possibilidade de o Orkut ser extinto (a exemplo do que vai ocorrer com o aplicativo Google Reader em julho): “Construímos muitas integrações entre o Orkut e o Google+, incluindo a possibilidade de unificação de perfis e também de compartilhamento de posts entre eles.” Declarou ainda que não há planos de juntar as duas comunidades. Continue lendo