Evangélicos apoiam campanha contra a redução da Maioridade Penal

renasCaio Marçal, no Blog do Fale

Entre os dias 12 a 14 de Julho ocorreu o 8° Encontro Nacional da Rede Evangélica Nacional de Ação Social, em Fortaleza. Com o tema “Criança, Sociedade e Igreja“, o evento visou fortalecer a defesa firme e generosa dos direitos das crianças e adolescentes em nosso país.

A Rede FALE e o MJPOP estiveram presentes no evento e divulgaram a campanha “Fale contra a Redução da Maioridade Penal“. Caio Marçal, secretário da Rede FALE, assinalou em sua fala de apresentação da campanha no encontro de RENAS da importância do tema. “A graça solidária de Jesus, que se encarnou na periferia do mundo e tocou nos intocáveis desse mundo, não nos dá outra alternativa senão ser instrumento de Deus para ir em direção daqueles a quem a elite brasileira deseja expurgar“.

Marçal também afirmou que são esses “o alvo preferencial das violências reais e simbólicas e que são geralmente os jovens pobres e negros que sofre um genocídio que as elites brasileiras teimam em não considerar“. Marçal finaliza “a Igreja de Jesus deve cobrar dos poderosos que políticas públicas para essa fase especial da vida sejam implementadas em vez de tão somente encarcerar nossos jovens e adolescentes“.

A Campanha contou com a aprovação e adesão de líderes evangélicos que estavam no encontro. Para o Pastor batista Eliandro Viana, coordenador do Projeto Bola na Rede, afirmou: “Não posso concordar com uma medida que vai agravar a punição da massa jovem do país que não teve os seus direitos assegurados. Isso é no mínimo falta de equidade, principalmente para as minorias negras, pobres deste país, que são por sua vez os únicos que vão pra cadeia“.

Reinaldo Almeida, da Visão Mundial, argumenta que a redução da maioridade penal “não resolve o problema da violência e tira o foco do que realmente interessa: que é o massacre da juventude, especialmente da juventude negra, que está acontecendo no Brasil“.

A Campanha lança alguns dados importantes para a questão. Embora alguns meios de comunicação jogam sobre os adolescentes a responsabilidade pelo aumento da criminalidade, apenas 5% dos crimes praticados no Brasil são cometidos por adolescentes. Enquanto isso, é nessa faixa etária que se sofre com a violência, problema que tem piorado nos últimos anos.

Entre 1998 a 2008, o número de adolescentes e jovens assassinados no Brasil cresceu quase 20%. Se ele for negro e mora na periferia, sua chance de ser assassinado é quatro vezes maior. Outro dado importante mostra que quase 90% dos adolescentes em conflito com a lei não completou o ensino fundamental, um forte indício de que os atos infracionais desse grupo estão diretamente ligados à falta de escolarização adequada.

A Rede FALE e o MJPOP entendem que reduzir a maioridade penal isenta o Estado do seu compromisso com a juventude, por acreditar que faltam políticas públicas que atendam a juventude brasileira e pelo não cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente.

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A gente morre todos os dias. Mas se esquece e levanta

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Publicado por Graça Taguti

Se tem algo que desperta muita ira em nós é o descontrole sobre a hora da nossa morte. E sobre o momento da nossa concepção e nascimento. Sentimo-nos, paradoxalmente, cada vez mais empoderados, tendo como cúmplices as sucessivas invenções das novas tecnologias. O domínio sobre o universo, objetos coisas e pessoas. A era glass, a era touch e a era do controle (a última apontando a implacável vigilância da internet sobre nossa minuciosa intimidade) convivem na atualidade, aparentemente de mãos dadas. Fato é que simulando nosso império volitivo e ditatorial sobre joysticks materiais e virtuais sentimo-nos firmes comandantes de navios nas ondas da web e da vida.

A gente morre quando acorda. Morre de tédio, de preguiça, morre de mesmice, ou não, como apregoaria Caetano Veloso, com aquela voz de fruta sumarenta e lenta degustada em algum recanto nordestino. Tem pessoas que já morreram faz tempo. E nunca desconfiaram disso. Morrem de medo de encarar o medo, de colocar a coragem debaixo de um braço e o medo apoiado no outro braço e prosseguir caminhando, como ressaltaria Brecht.

Morre-se de pavor de mudar cacoetes, opiniões, certezas, repetindo automaticamente velhos e ranhetas comportamentos. Morre-se de medo de encarar as verdades da alma, no espelho da consciência, cujos reflexos nem sempre soam agradáveis ou digestivos. Medo de e enfrentar a relação puída, mas mantida apesar do visível desgaste, devido às oportunas muletas financeiras e quiçá psicológicas. A gente morre na repetição infindável de defeitos pra lá de conhecidos, nossos e dos outros, e anunciados instante após instante em nossa gestualidade e fala reveladora.

Chico Buarque já entoava em sua composição “Cotidiano”: “Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã”. Ou ainda, o seminal poeta clamava em “Construção” — de cuja música reproduzo um trecho:

“Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
“Morreu na contramão atrapalhando o sábado”.

Vivemos rodeados por mortes commoditizadas, sem rosto nem débeis desejos.
Como se salvar de tamanha e paralítica incompetência atitudinal? Tornar-se aficionado por séries televisivas centradas em zumbis ou vampiros, como “Resident Evil” e similares. Sabe-se que os zumbis namoram a eternidade. O protótipo da infinitude, ainda que se arrastem apodrecidos por terrenos estéreis.

A gente morre de frio e de mentiras. De amor escondido e expurgado pela covardia. De afeto enrijecido e estanque. Da flor não manifesta num discurso que se pretendia doce. Poetas, filósofos, estudiosos, escritores circularam o fascínio deste tema. Na religião, os espíritas, erguem a vitoriosa e redentora bandeira da reencarnação. O rabino Nilton Bonder especula sobre a salvação na obra “A Arte de se Salvar — Sobre Desespero e Morte”. Especialistas no assunto ocupam-se, como a dra. Elisabeth Kübler-Ross, fundadora da Tanatologia (estudo científico da Morte) de auxiliar doentes terminais em suas despedidas.

O cineasta Ingmar Bergman em “O Sétimo Selo”, elege a morte como personagem central da trama. Ariano Suassuna, dramaturgo e romancista apregoa: “Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver”.

Muita gente morre de silêncio. Não joga para fora as fecundas cirandas do coração. Morre de ódio, de inveja. E finge que estes sentimentos, tão descivilizados e deselegantes, pertencem somente aos outros. De soberba, arrogância e interjeições também se morre. E ainda quem deixa a paixão morrer no sexo e faz amor sem prazer. Como quem come uma sobremesa de nariz entupido.

Alguns poetas passeiam com naturalidade pela finitude. Pois parece que sempre há algo de romântico em dizer adeus à existência. Mário Quintana divaga: “Se vale a pena viver e se a morte faz parte da vida, então, morrer também vale a pena”.

Há gente que morre de orgulho, mas não dá o braço a torcer. Criaturas que jamais conheceram a grandeza do perdão, do abraço, da palavra sem mascaramentos.

Impossível deixar de citar também o breve excerto de Manoel Bandeira, no poema “A Morte Absoluta”: “Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra. A lembrança de uma sombra. Em nenhum coração, em nenhum pensamento. Em nenhuma epiderme. Morrer tão completamente. Que um dia ao lerem o teu nome num papel perguntem: Quem foi? Morrer mais completamente ainda. Sem deixar sequer esse nome”.

Nosso amantíssimo Drummond, traça versos em carne viva em “Os Ombros Suportam o Mundo”. Sem qualquer anestesia metafórica, declara na estrofe final deste seu poema: “Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação”.

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Mercado de produtos eróticos se adapta para conquistar público evangélico

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O casal Andrei Marsiglia e Thais Plaza, sócios da Doce Sensualidade, loja erótica que não usa o termo “sexshop”

Publicado na Folha de S. Paulo

“REALIZE SEUS SONHOS. PERGUNTE-ME COMO” — é o que se lê na camiseta vermelha de Mônica Alves, 45. Quem “pergunta como”, no caso, são mulheres evangélicas em busca das novidades que ela traz numa bolsa com 18 letrinhas bordadas no canto: “A Sós – Vocês Podem Tudo”.

Mônica já foi revendedora de produtos da Avon e da Natura. Hoje, a adepta da igreja Renascer sai da casa em São Bernardo do Campo (SP) carregada com 6 kg de itens bem diferentes, que vão de calcinhas comestíveis de chocolate (alguns maridos degustam com uísque) ao kit “50 Tons de Prazer”, com chicote, vela e venda.

Para as vendas, usa o codinome “Munik”. Como Mônica, quer emplacar carreira musical (canta em igrejas e centros espíritas, de Ivete Sangalo a repertório gospel).

Num salão de beleza no Sumaré (zona oeste), é Munik quem mostra à manicure Frances do Nascimento, 45, a “camisolinha da Nicole Bahls, a moça da ‘Fazenda'” (modelo semitransparente com estampa de oncinha).

Sua melhor freguesa aprova: “Não é porque a gente vai pra igreja todo dia que precisa ser santa”.

“As irmãs a-do-ram os produtos”, diz Frances sobre colegas do culto. Ela frequenta “todos os dias” a Igreja Mundial do Poder de Deus, do pastor Valdemiro Santiago, aquele que aparece na TV com chapéu de cauboi. Contribui com cerca de R$ 300 de dízimo por mês à igreja. Calcula dar até mais dinheiro para a revendedora.

“Ela gasta bem”, confirma Mônica.

Recém-separada do segundo marido, com um filho de um ano, Frances a-do-ra o “Boca Loca” – minivibrador em formato de batom (R$ 33).

Ela faz parte de uma legião de consumidores que vem chamando atenção do mercado. O censo do IBGE aponta que, entre 2000 e 2010, a porcentagem de evangélicos na população subiu de 15% para 22% (de 26 para 42 milhões de pessoas).

MERCADO QUENTE

Bom exemplo do apetite gospel está nos livros: a média de leitura dos fiéis é de 7,1 obras por ano, estima a entidade Sepal (Servindo aos Pastores e Líderes), enquanto a nacional não passa de 4,7.

Vendido na Feira Literária Cristã, em junho, “Celebração do Sexo“, do americano Douglas Rosenau, declara a que veio na dedicatória: “Obrigado, Senhor, pelo gozo íntimo e pela união calorosa do companheirismo sexual”.

Descrito como um guia para o “presente de Deus no casamento: o prazer sexual”, o livro traz ilustrações de posições sexuais e um capítulo inteiramente dedicado ao sexo feito “sem tirar a roupa”.

O autor, que se identifica como terapeuta sexual cristão, não economiza adjetivos em sua tese. Para Rosenau, a “diversão erótica” entre companheiros vestidos é “um prelúdio amoroso sutil, penetrante, espontâneo, eletrizante e sensual”.

Fiel da igreja Arca Sagrada, em Diadema (SP), a atendente de petshop Nilza Antunes, 29, é casada há seis anos, tem dois filhos, cabelo pintado de loiro platinado, aparelho dental com elásticos laranjas, piercing no nariz e uma curiosidade.

“Pode usar no corpo inteiro?”, ela questiona Mônica/Munik sobre o desodorante íntimo com essência de morango (R$ 20,70).

Sanar a dúvida é importante: desde que passou a usar produtos eróticos, diz que sua média de relações sexuais saltou de duas vezes por semana para todos os dias.

Vontade de explorar a própria sexualidade, diz a revendedora, toda mulher tem, seja qual for sua religião. Mônica testa todos os produtos no marido. Ele, 12 anos mais moço, ganha café da manhã (cappuccino e cuscuz com manteiga) na cama e “festinha à noite” todo dia. “Numa noite, eu já cheguei pulando em cima. E ele: ‘Amor, tô com dor de cabeça’.”

Mas nem todas são desinibidas como Mônica, Nilza e Frances.

Discrição, nesse meio, costuma ser a alma do negócio. “Católicos têm mais preconceito. Os religiosos que mais aparecem são mesmo os crentes”, conta Thaís Plaza, 33, sócia da loja erótica Doce Sensualidade, na Vila Mariana (zona sul).

Um em cada quatro clientes seus é evangélico — e não por acaso.

Em vez de se definir como sexshop, o espaço usa termos como “romantismo” e “sentimentos” em sua divulgação. Objetos fálicos ficam escondidos em gavetas para “não assustar” a freguesia.

As paredes são brancas ou rosas, com imagens florais. Nas prateleiras, substituindo algemas ou couro, acha-se esmaltes, bichos de pelúcia, cremes e velas coloridas.

“As evangélicas não entram em lugares com fotos de pessoas nuas e próteses penduradas. Querem ser atendidas por ‘amigas'”, diz Thaís.

Frequentadora da Congregação Cristã no Brasil, uma das clientes mais assíduas da loja repete sempre o mesmo ritual. “Ela se esconde atrás daquela árvore e me liga. Quando abro a porta, a mulher entra correndo, suspira e pede para fechar.”

Funciona: toda semana, a visitante secreta bate ponto no arbusto.

ELES vs. ELAS

Em um ponto, consultoras e clientela são unânimes: o mercado erótico gospel é restrito às mulheres.

“Eles são mais conservadores. Preciso fazer um trabalho cuidadoso com a cliente para o marido não ficar enciumado ou desconfiar da fidelidade dela”, conta a representante Tarciana Valente, 29.

Os campeões de vendas são produtos mais “leves”, ela continua. Entre eles, gel lubrificante (“importante porque muitas são reprimidas sexualmente e não têm lubrificação”) e óleos perfumados (“elas gostam porque melhora o sexo oral”).

Já as vendas de vibradores são mais raras. Diferente do público convencional, os religiosos preferem modelos não realistas, em formato de borboleta, polvo ou ursinhos.

“Próteses parecidas com membros reais chocam. Eles logo associam com promiscuidade”, diz Estela Fuentes, 26, estudante de psicologia que comercializa R$ 300 em produtos eróticos por semana.

“Meu maior desafio é mostrar que prazer não é pecado. Todo mundo precisa ter orgasmos na vida”, afirma.

SEM CENSURA

Os vídeos do pastor Cláudio Duarte, 45, da Igreja Batista, falando sobre sexo fazem sucesso na internet. É dele o livro “Sexualidade Sem Censura”, publicado pela Central Gospel, editora do amigo Silas Malafaia. Para Cláudio, “a rotina é um assassino do relacionamento sexual, um ‘brochante’ terrível”.

Contra isso, ele aconselha seus seguidores: para cativar seu público fiel (o cônjuge), trate de armar “um bom espetáculo”. “Vai inovando, como o Cirque du Soleil”.

Esse circo, contudo, pega fogo nas congregações evangélicas. Cláudio, certa vez, falou de sexo durante um culto na igreja. No fim da pregação, surgiu o questionamento.

“Uma senhora disse que eu não deveria tratar daqueles assuntos porque lá é local santo. Perguntei se tinha falado alguma mentira. Ela disse que falei verdades que não deveriam ser ditas.”

Mônica, a consultora da bolsa bordada, trabalha escondida do pastor de sua igreja (a Renascer). Ela também evita entrar em detalhes sobre o assunto com sua mãe, uma senhora de 76 anos.

“Ela acha que vibrador dá câncer no útero”, explica.

E o que diria se o líder da sua igreja descobrisse? “Pastor, desculpa, preciso ganhar meu dinheiro.”

Dica do Etewaldo Júnior

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Homem abandonado vira celebridad​e com dicas antidivórcio

Foto do casamento de Gerald - Reprodução/Facebook(Gerald Rogers)
Foto do casamento de Gerald – Reprodução/Facebook(Gerald Rogers)

Fernando Moreira, no Page not Found

O casamento de Gerald Rogers acabou. Na verdade, a mulher o deixou e pediu divórcio. Arrasado, Gerald foi desabafar no Facebook sobre as coisas que poderia ter feito diferente para salvar o casamento.

O depoimento na rede social se tornou viral e Gerald, americano de Minnesota, tornou-se celebridade na web. Até a tarde de domingo (25), 8.128 pessoas curtiram a postagem e 104.561 pessoas a compartilharam.

“Obviamente, não sou um especialista em relacionamentos. Mas há algo sobre o meu divórcio, que está sendo finalizado esta semana, que me dá uma perspectiva das coisas que eu desejaria ter feito diferente. Depois de perder a mulher que amava e um casamento de 16 anos, aqui estão conselhos que eu gostaria de ter tido:

1) Nunca pare de cortejar. Nunca pare de namorar. Nunca, nunca mesmo, tenha a sua mulher como conquistada. Ela escolheu você. Nunca se esqueça disso, e nunca se acomode no seu amor.

2) Proteja o seu coração. Da mesma forma que você se comprometeu a ser o protetor do coração dela, você deve manter o seu sob a mesma vigilância. Ame-se completamente, ame o mundo abertamente, mas há um lugar especial no seu coração onde ninguém deve entrar à exceção da sua esposa. Mantenha esse lugar sempre pronto para recebê-la e recuse caso alguém queira entrar nele”.

3) Apaixone-se e se apaixone de novo e de novo. Vocês não são as mesmas pessoas que eram quando se casaram. As mudanças virão e, assim, vocês terão que refazer os votos todos os dias. Ela não tem que ficar com você. E se você não cuida do coração dela, ela pode dá-lo para outra pessoa e você pode nunca mais reavê-lo.”

Nos comentários no Facebook, Gerald ganhou muitas fãs, que o chamam de “fofo” e “homem de verdade”.

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Freira budista se torna estrela da música

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Publicado no Virgula

Ani Choying Drolma, a freira budista mais famosa do Nepal, entrou para o convento aos 13 anos de idade para escapar das dificuldades enfrentadas pelas mulheres em seu país e se transformou em uma estrela da música.

Sua interpretação melódica e enternecedora de hinos budistas sensibilizou uma nação que vivia uma sangrenta guerra civil contra a insurgência maoísta. Ani Choying lançou seu primeiro álbum em 1998 e mais 11 ao longo da carreira.

Mesmo com o fim do conflito em 2006, Ani continuou a conquistar o público em seu país e também no exterior, e atualmente passa entre seis e oito meses viajando pelo mundo com suas apresentações.

“Quero lembrar aos outros com minhas canções que o desenvolvimento de nossa capacidade espiritual é a solução dos problemas do nosso mundo”, disse Ani à Agência Efe.

“Eu acredito na bondade dos seres humanos”, continuou a freira, que é a mais velha dos três filhos de um casal de refugiados e que por isso teve uma infância difícil.

“Meu pai me batia quase todos os dias”, explicou Ani, que pensa que pior que seu próprio sofrimento era ver como sua mãe sofria abusos sem que ela pudesse fazer nada.

Perante os maus tratos aos quais mulheres à sua volta eram submetidas, aos 10 anos ela perguntou se havia alguma forma de escapar desse modo de vida e sua mãe lhe respondeu que uma saída era se tornar freira.

“A mulher em nossa sociedade tem que sacrificar todos os seus desejos, é tratada como uma máquina e sua existência não tem o valor da do homem”, lamentou a cantora de 42 anos.

Seu périplo espiritual “transformou o modo como percebia o mundo” e ajudou-a “invocar o positivismo em seu interior”. Uma lição que a levou a se reconciliar com o pai, um escultor de arte budista, pouco antes de ele morrer.

“Meu pai me fez muito mal, mas descobri que era possível gostar dele. Descobri que o amava profundamente e com gratidão, porque graças àquelas experiências eu sou quem sou”, disse a freira.

Apesar de seu despertar espiritual, Ani Choying não pôde negar o descontentamento perante a discriminação de gênero na estrutura monacal do budismo, a sua religião.

“Os monges recebem uma educação, mas as freiras não, delas só esperava orações”, afirmou.

Em uma viagem para se apresentar nos Estados Unidos, perguntaram a ela quais eram seus planos e foi quando Ani descobriu que era capaz de mudar o modo como as freiras budistas eram tratadas.

Com o dinheiro que ganhava com seus concertos, abriu um colégio para freiras nos arredores de Katmandu, capital do país, que possui 70 alunas entre cinco e 26 anos.

Como passou a ganhar mais dinheiro com sua música, a freira, cantora e agora filantropa criou a Fundação Arogya, que proporciona tratamentos aos pobres portadores de doenças relacionadas aos rins, incluindo serviços de hemodiálise.

“Minha mãe sofreu com uma doença nos rins”, esclareceu.

A nepalesa também é autora de um livro publicado originalmente em francês, e traduzido para 14 idiomas, intitulado A canção da liberdade.

“É a história de uma menina pequena que decide não sofrer”, explicou a freira.

Quando os editores franceses se interessaram por sua vida, Ani Choying pensou, a princípio, que o momento de contar sua história ainda não havia chegado, mas depois mudou de ideia.

“O que queria dizer no livro é que, se eu pude perdoar, outros também podem”, concluiu.

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