Arquivo da tag: oscar niemeyer

Após tentar Congresso e Planalto, manifestantes invadem Itamaraty, em Brasília

Foco de incêndio é visto em frente a sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, durante mais uma noite de protesto na capital federal

Foco de incêndio é visto em frente a sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, durante mais uma noite de protesto na capital federal

Aiuri Rebello e Fernanda Calgaro, no UOL

Após tentar, sem sucesso, entrar no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto, ambos protegidos por um cordão de isolamento da Polícia Militar, um grupo de manifestantes de Brasília invadiu o Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, na noite desta quinta-feira (20). Alguns, inclusive, subiram na escultura “Meteoro”, que fica dentro do espelho d’água do palácio.

Depois de cerca de meia hora, a PM conseguiu conter os manifestantes, que jogaram pedras nas vidraças do prédio, projetado por Oscar Niemeyer. Até às 20h, um manifestante havia sido preso e havia duas pessoas feridas. Também havia focos de incêndio no palácio.

Bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta foram usadas pela PM para dispersar os manifestantes.

O Itamaraty fica ao lado do Congresso Nacional, a apenas alguns metros de distância.

O confronto entre a polícia e alguns manifestantes começou por volta das 19h, quando um grupo deles começou a jogar bombinhas e rojões em direção ao cordão de isolamento que a Polícia Militar faz ao redor do Congresso Nacional — até então, o protesto vinha sendo pacífico.

Os ativistas também provocaram os policiais jogando água do espelho d’água que fica em frente ao Congresso Nacional.

A Polícia Militar calculou o número de manifestantes em 30 mil.

Além do cordão externo de isolamento, a PM fez um novo cordão sobre a rampa de acesso ao Congresso. A PM também impede a chegada ao Palácio do Planalto, sede do poder Executivo, e à Praça dos Três Poderes.

O policiamento foi reforçado e pelo menos quatro cachorros da polícia estão na marquise do Congresso Nacional para impedir a entrada de manifestantes. Bombeiros também se postaram sobre a laje do prédio.

Políticos hostilizados

O aglomerado de manifestantes em frente ao Congresso Nacional hostiliza, em gritos de guerra e cartazes, alguns dos políticos brasileiros. Eles cantaram o Hino Nacional e bradaram palavras de ordem contra os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL), atual presidente do Senado.

O PT, partido da presidente Dilma Rousseff, também foi hostilizado: “Uh, cadê, o PT sumiu”, gritaram os ativistas — entre eles, a reportagem do UOL não localizou bandeiras de partidos.

Entre os manifestantes presentes ao ato, muitos protestam contra a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 37, que limita os poderes de investigação do Ministério Público.

É o caso dos estudantes, Lucas Sarkas, 22 anos, e Lucas Soares Neves, 20 anos. Neves disse esperar que as manifestações tenham como prioridade o combate à aprovação da PEC 37, motivo que o levou à manifestação hoje.

Hoje, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou que a votação da PEC 37 foi adiada e que o grupo de trabalho deve reunir-se na terça-feira (25) para definir o texto e uma nova data.

A auxiliar odontológica Máiade Assis Lepesquer, 25 anos, Veio protestar contra a corrupção e o mau uso do  dinheiro público. Ela espera que o movimento, daqui para a frente, saiba se unir em torno de reivindicações únicas e um ideal comum “educação, saúde e transporte”.

Entre os cartazes exibidos no ato, há dizeres contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, contra a PEC 37, contra a corrupção e contra a roubalheira, entre outros.

Alguns dos gritos de guerra entoados pelos manifestantes se dirigem aos policiais, como “ei, soldado, você tá do lado errado” e “ei você aí fardado, você já foi roubado”. Também há brados de “sem violência” e contra a imprensa, chamada de “mídia, fascista, sensacionalista”.

 

Carla Perez se irrita com piada em que confunde Niemeyer com Neymar: ‘Sem noção’

Publicado originalmente no Extra

Uma brincadeira de mau gosto deixou a ex-dançarina do É o Tchan Carla Perez indignada. Numa montagem, que circula na internet, a loira se confunde e lamenta a morte do jogador do Santos, Neymar: “O futebol brasileiro nunca mais será o mesmo sem você, descanse em paz Neymar”, diz o primeiro comentário postado no dia que o arquiteto Oscar Niemeyer morreu, na última quinta-feira. “Eu adorava ver ele jogando no Santos, tão jovem, menino de ouro”, diz o segundo comentário.

Procurada pela coluna, a apresentadora se recusou a comentar o assunto, mas desabafou no seu Instagram. “Meus amores, por favor não deem atenção a essa bobagem não! Isso é mais uma brincadeira de mau gosto no pior momento, pois o país ainda está se refazendo da grande perda do nosso querido Oscar Niemeyer. A pessoa que cria uma coisa assim é insensível, sem noção e sarcástica. Não é tudo que se pode fazer piada!!! Ainda tem pessoas inocentes, ludibriadas que acabam acreditando num absurdo desse. Deus abençoe a todos”, escreveu Carla.

l-u-d-i-b-r-i-a-d-a-s, carla?

o mundo já pode acabar. #bye

Curvas do tempo


Projeto de reurbanização da Rocinha, no RJ, com um arco e uma passarela de integração 

Marina Silva

Quero juntar minha voz às milhões de outras que entoam uma canção de despedida para Oscar Niemeyer. Com ele aprendemos a ser modernos sem deixarmos de ser antigos; agora, aprenderemos a ser eternos. Arquiteto de novos mundos possíveis e improváveis, um dos autores do fantástico século 20, Niemeyer acentuou as formas femininas do planeta Terra. Seu coração é o círculo, sua linguagem é a curva.

O homem atravessa o tempo e é por ele atravessado, vive seus conflitos e contradições. Entre as guerras, produz uma paz provisória e tensa. Assume posição, afirma seu comunismo simples, conservador, soviético. Transmite às gerações que o seguem uma mensagem mais que política, uma ética humanista de solidariedade entre pessoas e povos.

O arquiteto, porém, é artista sofisticado. Vai aos limites da matéria mais dura, cimento e aço, e desenha sinuosidades. Quer marcar a natureza, torná-la moldura de seus monumentos, dela isolar-se numa caixa racional, mas a arte e o tempo o conduzem ao seu destino de suavidade e harmonia. A arquitetura é grande, a vida é maior.

A vida de Niemeyer é exemplarmente grande. Vida de um homem idealista, amante de seu país, artista admirador da variada cultura dos povos, cidadão de todos os tempos. Vida compartilhada com todos, na intimidade de outras grandes vidas: Drummond, Prestes, Darcy, Juscelino, Tom…

Niemeyer nos faz pensar no Brasil e perguntar o que temos para o mundo. A renovação do sonho humano, um paraíso na Terra, a genialidade mestiça, a igualdade nas diferenças, um novo convívio com a natureza, novas conjugações do verbo amar? Já demos à luz uma arquitetura universal, que expressa esses ideais. O mundo é outro depois do Brasil e de Niemeyer.

Para o futuro, necessitamos de ideias simples e monumentais que nos façam superar a mesquinhez da corrupção, da política rasteira, da violência. Um ideal que não nos deixe esquecer nossa grandeza. O Brasil tem muita genialidade oculta, aguardando a chance de dar-se ao mundo. O que mostramos até hoje foi possível quando o país deixou-se levar por um espírito generoso, que produz as riquezas da civilização, mas sabe que a vida não se reduz ao acúmulo de coisas.

As coisas podem ser expressão desse espírito. Nossa arte canta o valor da natureza, da montanha, do mar, da floresta. Nossa cultura tem nas comunidades simples, de campos e cidades, sua fonte de inspiração e força. Se o século 20 pôs a obra humana na tela e a natureza como moldura, porque não dirigimos as curvas persistentes de Niemeyer para além da rigidez do aço e do cimento, na volta ao caminho natural do cuidado com a vida?

Que em nós, num novo mundo possível, Niemeyer seja ainda mais vivo.

fonte: Folha de S.Paulo

foto: EFE

Boa alimentação, amizades, exercícios e otimismo ajudam a viver mais de 100 anos

Músculos, ossos, coração e cérebro são afetados pelo envelhecimento, mas centenários mostram que é possível ter uma vida saudável por mais de um século.

Publicado originalmente no site do Fantástico

Segundo o último Censo, em 2010 havia 22 mil brasileiros com mais de cem anos. Quais os segredos pra uma vida longa? E como é o organismo de alguém que chega a uma idade tão avançada? Gente como o arquiteto Oscar Niemeyer, que morreu, esta semana, dez dias antes de completar 105 anos.

Oscar Niemeyer passou dos 100 anos praticamente sem doenças, lúcido e produzindo. “Nós temos até uma revista que o nome é ‘Nosso caminho’, disse o arquiteto.

Um caso raro, mas não único.

Dona Zuleika Sucupira acaba de fazer 100 anos. Ela é promotora de justiça aposentada em Sorocaba, interior de São Paulo. Apaixonada por música. Não tem doenças. Só toma remédio por prevenção. “Me dão de vez em quando. Eu engulo. Não sei o que é. Não pergunto, se eu perguntar eu fico com a doença”, diz ela.

Em São Paulo, Dona Pina já tem 101 anos. Diz que chegou ao centenário sem fórmulas mágicas. “Como arroz, feijão, bife, salada, comida comum”, diz Agrippina Ruffo.

Dona Abibia, de Bauru, também no interior de São Paulo, é mais velha: 102. E ainda faz trabalhos voluntários. “Para mim, é um prazer ir lá ajudar a costurar à mão”, declara Abibia Monteiro.

Como é o organismo dessa gente tão longeva? Orientados pela geriatra Maysa Cendoroglo, vamos fazer uma viagem pelo corpo de um centenário.

Primeiro ponto que chama a atenção: a quantidade de gordura acumulada. Sobra gordura, mas falta água. O organismo retém menos líquido. “Isso aumenta a chance de ele desidratar com mais facilidade”, explica a geriatra.

Músculos e ossos perdem massa. Com menos cálcio, o esqueleto fica frágil. E isso traz várias consequências. Na coluna, por exemplo. “Vai achatando. Então eu perco inclusive altura”, diz Maysa.

Ela conta que o tórax também é afetado e lá dentro, no pulmão: “O tórax, ele tende a se expandir menos e com isso há uma dificuldade do pulmão expandir. Os reflexos de tosse são diminuídos”.

Chegamos agora ao coração centenário. Ele é menor, e bem diferente do de um jovem. Tem várias placas. “São aquelas placas relacionadas ao colesterol. São placas que podem dificultar a chegada de sangue em diferentes partes do corpo, inclusive no músculo cardíaco”, explica a geriatra.

Nossa viagem prossegue. Agora, o cérebro. Com o passar das décadas, ele fica menor. A quantidade das substâncias que levam as informações de uma célula nervosa para outra vai diminuindo. “Isso aumenta a chance de o indivíduo ter depressão e aumenta a chance do indivíduo ter demência”, diz a geriatra.

Que fique bem claro: nada disso é doença, é desgaste natural. Mas é um desgaste e tanto. Por isso, quem chega aos 100 anos chama muito a atenção.

Um caso impressionante saiu em outubro no jornal americano New York Times: o de um senhor grego que diz ter 102 anos. Stamatis Moraitis vivia nos Estados Unidos e recebeu diagnóstico de câncer terminal de pulmão. Voltou pra terra natal, a ilha de Ikaria, sem se tratar, só para esperar a morte. Mas isso faz 36 anos. Ele ainda está vivo, e livre do tumor. O repórter americano ressalva que não foi possível verificar a história com outras fontes.

Nesse universo dos centenários existe muita lenda, muita história não confirmada, mas em alguns lugares é cientificamente comprovado. Ali, existe mesmo um acúmulo muito grande de pessoas com mais de 100 anos de idade.

Um desses lugares é justamente a ilha de Ikaria, onde vive o senhor Moraitis, no mar Mediterrâneo. Outros são a província de Nuoro, na ilha italiana da Sardenha; as ilhas de Okinawa, extremo sul do Japão; a península de Nicoya, na Costa Rica; e uma comunidade adventista na Califórnia, Estados Unidos. No Brasil, pelo menos duas cidades com grande porcentagem de idosos já foram objeto de estudo: Veranópolis, no Rio Grande do Sul, e Maués, no Amazonas.

São lugares muito distantes uns dos outros, muito diferentes entre si. Mas a boa notícia é que os cientistas sabem que as pessoas que passam dos 100 anos têm algumas características universais.

Tudo começa com a genética: uma parcela da vida longa já vem gravada no DNA.

“A parte genética contribui 30%. Os outros 70% são de fatores que nós podemos modificar”, diz a geriatra. Fatores como a alimentação. Em todos os lugares estudados, não se comem muitos alimentos industrializados: é tudo do campo direto pra mesa. E tem mais. “A interação social está presente em todos esses ambientes, destaca Maysa. Ou seja, ter amigos faz bem para a saúde. E se manter ativo, explica a geriatra, também: “A medida em que eles mantêm uma atividade física, eles conseguem preservar algumas dessas alterações que o envelhecimento normalmente promove”.

Outro ponto crucial: atitude positiva. “Nos idosos que nos acompanhamos que são longevos são idosos que tem um prazer muito grande em estar vivos”, diz Maysa.

Dona Zuleika, a pianista de 100 anos, dá duas dicas. Primeira: manter a cabeça ativa, montando um quebra-cabeça de cinco mil peças, por exemplo. “O médico disse que se eu deixar isso, ele me manda embora do consultório”, diz ela.

Segunda: sempre ter planos. Adivinhe quantos anos mais Dona Zuleika quer viver. “Uns cinco anos. Para poder ver essa criançadinha crescer, ver o que eles vão fazer, o que eles vão ser e no que eu posso ajudar”, diz.

Zuleika, Pina, Abibia, Oscar. Quatro premiados pela genética, que, cada um a seu modo, e de acordo com seus talentos, souberam viver por mais de 100 anos.