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Senadores pedem reembolso de até R$ 70 mil por tratamentos dentários

dentesErich Decat e Fábio Fabrini, em O Estado de S.Paulo

Bancado exclusivamente pelo contribuinte – ou seja, a custo zero para os senadores, ex-senadores e seus dependentes – o plano de saúde do Senado paga despesas que incluem implantação de próteses dentárias com ouro e até sessões de fonoaudiologia para melhorar a oratória e driblar a timidez. Alguns senadores chegam a gastar até R$ 70 mil por tratamento dentário.

Documentos obtidos pelo Estado mostram que, nos últimos cinco anos, a Casa autorizou tratamentos milionários, principalmente odontológicos. Tudo sem fazer perícia física dos pacientes nem definir limites de cobertura. Os gastos com os dentes dos senadores e outros tratamentos médicos, como sessões de psicoterapia e fonoaudiologia, atingiram média de R$ 6,2 milhões anuais entre 2008 e 2012 – 62% desses valores dizem respeito unicamente ao reembolso de notas fiscais e recibos. A reportagem obteve as despesas efetuadas em 2013, que ainda não foram consolidadas pelo Senado. A estimativa é que a média de gasto tenha se mantido inalterada.

O plano de saúde do Senado é vitalício. Ele banca despesas de senadores, ex-senadores e dependentes como filhos, enteados e cônjuges. Para usufruí-lo, o parlamentar não precisa fazer nenhuma contribuição – basta que tenha exercido o cargo por 180 dias ininterruptos. Após a morte do titular, o cônjuge continua usando a carteirinha. Como não há uma lista detalhada de procedimentos cobertos, os beneficiários se sentem à vontade para incluir em seus gastos todo tipo de serviço especializado.

O plano do Senado estabelece um limite anual de R$ 25,9 mil para gastos odontológicos. Os documentos obtidos pelo Estado apontam, no entanto, que a Casa tem pago valores que extrapolam de longe esses limites. O caminho para ignorar as normas é invadir a cota não utilizada de outros anos.

Uma das despesas mais comuns, nas notas apresentadas, é a de materiais sofisticados usados em próteses, dificilmente cobertos pelos planos de saúde do mercado – e que dão o melhor resultado estético.

Para o presidente nacional do DEM, José Agripino Maia (RN), a Casa creditou R$ 51 mil em 2009, referentes a 22 coroas de porcelana aluminizada, produto mais caro e que confere aparência melhor. “Essa é uma opção mais estética, porque troca uma infraestrutura metálica pela de porcelana aluminizada”, diz o cirurgião-dentista Rogério Adib Kairalla, do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo.

O senador potiguar afirma que o tratamento foi “estrutural” e custou mais que o reembolsado pelo Senado, o que o obrigou a pagar a diferença. “Foi mais que implante. Tive de recompor toda a base dos dentes, por causa da barbeiragem de um dentista. Ia jantar e caía”, diz Agripino.

Já o ex-senador Adelmir Santana (PSB-DF) pôs próteses de porcelana, com infraestrutura em zircônia, o que custou ao contribuinte R$ 22,5 mil. “Na parte de prótese, é a técnica mais requintada. Acaba custando mais”, afirma Kairalla.

Reabilitação. Senador licenciado, o ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB-RJ), apresentou em 2010 notas que somam R$ 42 mil. No ano anterior, o Senado ressarciu despesas de R$ 23 mil para tratamento dentário com um toque de requinte: a reabilitação da boca na parte direita superior foi feita com coroas de cerâmica e pinos em ouro odontológico. No mercado, segundo especialistas ouvidos pelo Estado, esse ouro custa mais que o metal na sua versão convencional, nas joalherias, e dificilmente é coberto pelos planos odontológicos.

Pedro Simon (PMDB-RS) conseguiu ressarcimento de implantes dentários que totalizam R$ 62,7 mil em 2012. “Fiz para aquele ano e com pedaço (da cota) do ano seguinte, em duas parcelas”, explica o senador gaúcho. “Digo mais: foi feito a esse preço porque chorei, chorei e foi um preço bem menor. O valor inicial era coisa de R$ 80 mil a R$ 85 mil.”

Em ação civil pública em tramitação na Justiça Federal, o Ministério Público, ao analisar os gastos efetuados até 2010, considerou que os “desembolsos envolvem valores exorbitantes, que fogem a qualquer padrão”.

Timidez. A generosidade do plano torna-se evidente no caso do senador Wilder Morais (DEM-GO), suplente que assumiu a vaga de Demóstenes Torres (sem partido-GO) quando este foi cassado. Parlamentar de primeira viagem e dono de uma fortuna de R$ 14,4 milhões – segundo declarou ao Tribunal Superior Eleitoral -, ele conseguiu em 2013 o retorno de R$ 1 mil referente a sessões de fonoaudiologia. O dinheiro pagou parte de tratamento de “desenvolvimento de habilidades de competência comunicativa” que Morais fez porque não tinha traquejo na tribuna. “Ele é tímido”, justificou sua assessoria.

A ex-senadora Ana Júlia Carepa (PT) aproveitou o plano, entre 2007 e 2011, e fez vários implantes. “Eu poderia pôr uma dentadura, mas acho que ficaria complicado, né?” Além dos implantes, a ex-senadora diz ter feito também clareamento nos dentes que não foram mexidos. “É até consequência. Como vai ter que refazer, serve para igualar”, justificou.

Papa Francisco já enfrenta resistência no Vaticano

Ala tradicionalista da Igreja condena abertamente mudanças promovidas pelo Pontífice

O Papa Francisco acena para a multidão durante cerimônia do Angelus na Praça de São Pedro: Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, o que está lhe rendendo ataques de conservadores STEFANO RELLANDINI / Reuters/STEFANO RELLANDINI

O Papa Francisco acena para a multidão durante cerimônia do Angelus na Praça de São Pedro: Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, o que está lhe rendendo ataques de conservadores STEFANO RELLANDINI / Reuters/STEFANO RELLANDINI

Publicado no O Globo

Não é raro o Papa Francisco deixar sua sala de trabalho na Residência de Santa Marta, na Cidade do Vaticano, tirar uma moeda do bolso e se servir de um café expresso na máquina instalada no corredor. Em mais de seis meses de pontificado, o sucessor de Bento XVI manteve seus austeros hábitos de cardeal franciscano, renunciou aos aposentos papais no Palácio Apostólico e a tradicionais símbolos do vestuário do cargo, como os sapatos vermelhos ou a cruz de ouro (ele usa uma de prata).

No discurso, o novo Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, na rejeição de uma ingerência espiritual na vida pessoal, e criticou a “obsessão” da Igreja por temas como o casamento homossexual, o aborto ou os contraceptivos. A Igreja “dos pobres e para os pobres” do Papa Francisco tem suscitado entusiasmo entre fiéis, mas também desaprovação e severas críticas por parte de setores católicos conservadores.

Para o italiano Marco Politi, um dos mais respeitados vaticanistas, está em curso “uma verdadeira revolução”, num processo gradual de “desmontagem de uma Igreja imperial” em que o Papa era o monarca absoluto e a Cúria romana, o centro de dominação. O analista aponta uma firme intenção de Francisco em impor o “princípio de colegialidade” pela implementação de um mecanismo de consulta com os bispos para decidir sobre as mudanças necessárias à Igreja.

— Por isso que já ocorre uma resistência das forças conservadoras, não somente na Cúria, mas na Igreja. Mas até este momento, no escalão superior, os cardeais e bispos conservadores não falam abertamente contra o Papa, deixam as críticas mais furiosas aos sites na internet. Vemos em diferentes partes do mundo sites muito agressivos contra o Papa, acusando-o de populista, demagógico, pauperista, de não querer exercer o primado absoluto de Pontífice romano — nota Politi.

‘Enganador em turnês demagógicas’

O blog “Messainlatino.it”, que prega a renovação da Igreja “na esteira da tradição”, denunciou uma “real e verdadeira crise de identidade” do Pontífice por causa de uma de suas notórias declarações no voo de retorno à Itália da viagem ao Rio de Janeiro, onde participou da Jornada Mundial da Juventude (JMJ): “Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”, disse Francisco. O site tradicionalista diagnosticou como “um sinal tangível de um extravio existencial que faz literalmente tremer os nervos e o corações dos fiéis”, e indagou de forma irônica: “Perdoe o atrevimento, vós não sois, talvez, o ‘Papa’? Não tendes, talvez, as chaves para abrir e fechar o Reino dos Céus?”.

Conservadores americanos reunidos no “Tradition in Action”, site baseado em Los Angeles que defende as “tradições católicas”, acusaram Francisco de ser um “enganador” que organiza “turnês demagógicas” em “estilo miserabilista”. Para o “Tradition in Action”, o Pontífice procura “dessacralizar os símbolos do papado a fim de aboli-los”. O site criticou seu gesto de retirar o solidéu para colocá-lo sobre a cabeça de uma menina: “Deste modo, quer parecer como um velho vovô que brinca com a sua netinha e, ao mesmo tempo, demonstrar que os símbolos do papado são inúteis”.

Bertone fora do caminho

Para o “Corrispondenza Romana”, setores da Igreja estão sendo controlados por “uma minoria de frades rebeldes de orientação progressista”. O site “Una Fides” censurou missas celebradas no Brasil em que sacerdotes distribuíram a eucaristia em copos de plástico: “O Senhor, um dia, pedirá contas pelos inumeráveis sacrilégios cometidos por milhões de crentes, milhares de sacerdotes, centenas de bispos, dezenas de cardeais e talvez até por alguns Papas.” Já a publicação americana “National Catholic Register” definiu a eleição de Jorge Mario Bergoglio como Papa como “mais um acréscimo à pilha das recentes novidades e mediocridades católicas”.

Para Marco Politi, haverá mais oposição entre bispos e cardeais no mundo do que dentro da Cúria, onde grande parte de seus integrantes estava decepcionada com a ineficácia administrativa de Bento XVI e com o autoritarismo do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano.

— Não podemos saber como tudo vai evoluir, mas é certo que à medida que o Papa avançar em suas reformas, o movimento de resistência por parte dos conservadores será cada vez mais forte — avalia.

Para o posto de Bertone, o segundo na hierarquia da Santa Sé, foi nomeado o arcebispo Pietro Parolin, “um homem de grande experiência, que não tem uma atitude ideológica, mas de atenção para a realidade contemporânea”, diz Politi. O vaticanista lista, ainda, algumas mudanças importantes já feitas ou sinalizadas pelo Papa: o saneamento do Banco do Vaticano, com tolerância zero para as contas opacas; a criação do grupo de trabalho constituído de oito cardeais para refletir e elaborar propostas de reformas na Cúria, a comunhão para os divorciados recasados ou a ascensão de mulheres a postos de decisão na hierarquia da Igreja.

— Uma de suas decisões que provocaram bastante ruído em Roma foi a demissão do prefeito da Congregação do Clero, o cardeal Mauro Piacenza (substituído por Beniamo Stella), responsável pelas centenas de milhares de padres no mundo — acrescenta Politi. — Era muito conservador, e contra qualquer mudança na lei do celibato. Esta troca é um sinal claro de que o Papa não quer um conservador num posto-chave como este.

‘A instituição irá se defender’

Para o sociólogo francês Olivier Bobineau, especialista em religiões no Instituto de Ciências Políticas de Paris (Sciences-Po) e autor de “O império dos Papas — uma sociologia do poder na Igreja”, haverá um limite para as reformas de Francisco. Na sua opinião, o Pontífice já deu sinais de abertura, simplificou o protocolo hierárquico e poderá alterar o “clima e o ambiente” na Igreja, mas terá enormes dificuldades se desejar promover transformações mais profundas.

— A primeira coisa que ele teria de fazer é mexer no edifício hierárquico. Mas nem João XXIII conseguiu fazê-lo. A instituição irá se defender. Há padres e bispos que amam este poder hierárquico, e vão tentar conservá-lo por todos os meios. Não se pode sair de uma estrutura católica que remonta ao século V. Há 1.500 anos é assim. Um só homem não pode mudar isto.

Bobineau acredita que o Papa centrará seu Pontificado nas mensagens de amor e pelos pobres e em mudanças de estilo:

— Em sua recente entrevista à revista dos jesuítas, ele disse que as reformas estruturais e organizacionais são secundárias. Ele sabe. Seria necessário explodir tudo. Ele está no topo de uma estrutura hierárquica que em algum momento vai lhe impor limites. Quanto mais ele empurrar no sentido de mudanças, mais sofrerá resistências dos conservadores — prevê.

Entre 1º e 3 de outubro, o Conselho de oito cardeais se reunirá com o Papa para preparar um documento de trabalho com propostas de reformas na Cúria. No dia 4, Francisco visitará, pela primeira vez como Papa, Assis, a cidade do santo que inspirou o nome de seu pontificado.

— A expectativa é de que fará um discurso bastante forte sobre a pobreza na Igreja — arrisca Politi.

MC Guimê, o funkeiro emergente

Estrela do funk ostentação trabalhou em quitanda e lava-rápido. Hoje, fatura 300 000 reais por mês, faz sucesso com as mulheres e sonha mudar-se para uma mansão

MC Guimê: colar de ouro avaliado em 30 000 reais (foto: Lucas Lima)

MC Guimê: colar de ouro avaliado em 30 000 reais (foto: Lucas Lima)

João Batista Jr., na Veja SP

Guilherme Aparecido Dantas era um garoto pouco interessado em estudar, gostava de escutar funk esonhava em adquirir seu primeiro tênis Nike quando decidiu começar a trabalhar. Aos 12 anos, ele conseguiu um emprego em uma quitanda perto da “quebrada” em que vivia, em Osasco. O bairro era Vila Izabel, de classe baixa, onde morava em uma casa de fundos. Nunca faltou comida em sua mesa, mas não sobrava dinheiro para comprar brinquedos ou qualquer supérfluo. “Como só estudou até a 4ª série e atuava como eletricista, meu pai não tinha condições de me dar um colar de casca de coco de 7 reais”, lembra. Um bico levou ao outro e, além de vender bananas e kiwis, o rapaz passou a fazer serviços como carregador de flores nas madrugadas de terças e sextas na Ceagesp. Também deu expediente como limpador de carros em um lava-rápido. Em um dia, faturava 80 reais, se dobrasse o turno. Torrava tudo com roupas e acessórios. “Eu ia sempre à Galeria Pagé para encontrar tênis da hora, não gastava mais de 200 reais e fazia o maior sucesso.”

De celular, a bordo de um Lamborghini: sucesso no YouTube e participação em programas da Rede Globo (foto: Thiago Fernandes)

De celular, a bordo de um Lamborghini: sucesso no YouTube e participação em programas da Rede Globo (foto: Thiago Fernandes)

Hoje, com 20 anos e nacionalmente conhecido como MC Guimê, ele está tirando a barriga da miséria. E não precisa colocar no seu corpo fechado por dezenas de tatuagens nenhuma roupa falsa ou contrabandeada. Ele virou o principal nome do chamado funk ostentação do país, estilo de música marcado por exaltar grifes, carrões e mulheres. A letra de seu maior hit, Plaque de 100 (o clipe mostra o cantor segurando maços de notas cenográficas de 100 reais), diz assim: “A noite chegou, nóis partiu pro baile funk / E, como de costume, toca a nave (carro) no rasante / De Sonata, de Azera, as mais gata sempre pira”. Como é comum nessa linha musical, a lista de objetos de desejo é proporcionalmente inversa à riqueza poética. Tanta projeção o aproximou de celebridades como o jogador Neymar, do Barcelona e da seleção brasileira, a quem chama de “mano” e ao qual prestou homenagem em uma música.

Ao lado do “mano” Neymar: shows em casas como Club A e Royal (foto: Reprodução/Instagram)

Ao lado do “mano” Neymar: shows em casas como Club A e Royal (foto: Reprodução/Instagram)

Nenhum outro novo nome do gênero aparece em tantos programas da Rede Globo, entre eles Altas Horas e Esquenta. “Quando assisti a meu filho ao lado da Xuxa, vi que ele não estava de brincadeira”, reconhece o pai, Paulo Eduardo. “Se dependesse de mim, ele nunca teria se tornado funkeiro.” Com a mãe, a relação é distante. Ela abandonou a família quando ele era bebê, reapareceu algumas vezes, mas não o encontrava havia mais de dez anos. Há seis meses, porém, marcou presença em um show do filho em Caraguatatuba, a cidade do Litoral Norte onde mora, e o surpreendeu na fila de fãs no camarim. Desde então, Guimê deposita uma ajuda de custo mensal para ela, mas deixa claro que prefere a madrasta, Silvana, nome que tatuou no antebraço direito.

Bonde da riqueza: os principais integrantes do funk ostentação (foto: Arte Veja São Paulo)

Bonde da riqueza: os principais integrantes do funk ostentação
(foto: Arte Veja São Paulo)

Na época em que o cantor começou a se interessar por música, os estilos de funk que estavam na moda eram o proibidão, que exalta facções criminosas, e o pornográfico. Preocupado com a educação do filho, seu pai o proibiu de ouvir esse repertório em casa. “Ele fazia jogo duro”, recorda o artista. As primeiras composições vieram no começo da adolescência e os apelos paternos não o impediram de escrever a controversa Especialista em Fugas: “Acelera forte, os malote no tanque e o fuzil na garupa / Pilota com uma mão e atira com a outra / Especialista em fugas”. Guimê afirma que tudo mudou de três anos para cá. “A galera não quer mais saber de coisa errada, está mais interessada em letra sobre marca de roupa e de coisas que precisa ter para ficar bem na ‘fita’.”

Ele sempre impressionou os amigos pelo dom de fazer rima e improvisar. Frequentava os bailes funk e pedia para se apresentar, mesmo que de graça, para mostrar que estava interessado em entrar no negócio. A fim de conseguir fechar convites para shows, criou um perfil no Orkut passando-se por agente de si próprio. Então, ligava para as casas de shows oferecendo seu “astro” — no caso, ele mesmo. Muitos “contratos” eram fechados sem nenhum cachê. Um deles lhe rendeu 50 reais. “Dava para pagar a condução para Guarulhos, onde foi a apresentação.” Sua primeira aquisição com a música foi um par de óculos de sol modelo Juliet, da Oakley, que na promoção custou cerca de 700 reais. “Queria usar nas apresentações para fazer uma presença da hora”, explica.

Sua sorte mudou quando conheceu em 2010 Hugo Maximo, que, na época, produzia shows da banda adolescente Restart. “Contratei-o para distribuir panfletos das apresentações que iriam acontecer na região de Osasco”, recorda Maximo. “Mas ele ficava no meu pé dizendo que queria cantar e me ligava fazendo rimas para provar que era bom.” Depois de tanta insistência, o empresário deu a ele a chance de se apresentar em uma casa de shows na Zona Leste. Gostou do resultado e firmou uma sociedade. “Percebi que o menino era bom e decidi colocá-lo para fazer a abertura de alguns shows.” Antes disso, no entanto, o aspirante teve de mudar de postura: “Falei que ele tinha de ser como os cantores sertanejos: não se atrasar, honrar os compromissos e entregar um produto legal”. Maximo é dono de 50% do produto Guimê — ou seja, divide com ele o faturamento mensal de 600 000 reais (o cachê por show fica entre 25 000 e 30 000 reais). O empresário agencia ainda expoentes do gênero como os MCs Lon e Rodolfinho (veja o texto ao lado).

Os shows do funkeiro de Osasco são breves (no máximo quarenta minutos), o que lhe permite fazer até cinco apresentações por noite. Ele já tocou em casas chiques como Royal e Club A, além de boates em outros estados. Por chegar com uma equipe de dez pessoas — só seguranças são três —, fica sem ter a oportunidade de usufruir a fama. Há muitas garotas bonitas que, segundo Guimê, jamais olhariam para sua cara franzina antes de ele se tornar rico e famoso. Elas fazem fila para tirar foto (e uma casquinha) do ídolo. “Dou uns beijos, mas daí já chega o meu produtor dizendo que temos de ir embora e voar para o lugar onde vai ser o próximo show”, reclama. Diante dos amigos, ele é bem franco: queixa-se de não ter tempo para levar as garotas até o hotel.

Atualmente, o astro da ostentação vive em um apartamento no 20º andar de um prédio na área mais valorizada do Tatuapé, na Zona Leste. Parece imóvel decorado por construtoras quando querem vender uma unidade na planta. Sofás, cozinha e armários novinhos e impessoais, sem a cara do dono. Um boneco ao estilo Bob Marley representa um dos únicos toques personalizados. A exemplo do ídolo jamaicano do reggae, Guimê diz ser adepto dos cigarros não convencionais. “Para mim, a erva é igual ao fumo normal, com a vantagem de não me fazer tossir”, afirma o MC. Ao mesmo tempo que fala naturalmente sobre o uso ilegal da droga, ele se considera uma pessoa pacata e ligada à família. Cita como sonho de consumo dar uma casa ao pai, que ainda resiste a sair da sua precária moradia, em Osasco. O outro desejo é comprar uma mansão em Alphaville, onde estacionará o Volvo XC60 avaliado em 160 000 reais, seu grande orgulho material. Recentemente, ele fez um show na casa de um morador do condomínio da Grande São Paulo e ficou encantado pelo lugar. “Tem espaço, natureza, silêncio. Pretendo ter uma residência lá, porque em apartamento não dá para fazer o que a gente quer.”

Gravação do clipe Plaque de 100: mais de 38 milhões de visualizações no YouTube (foto: Reprodução YouTube)

Gravação do clipe Plaque de 100: mais de 38 milhões de visualizações no YouTube (foto: Reprodução YouTube)

Vida dourada :

O perfi l do maior expoente do gênero ostentação

Nome: Guilherme Aparecido Dantas

Idade: 20 anos

Onde nasceu: “Na quebrada Vila Izabel, em Osasco”

Onde mora: em um apartamento de 1 milhão de reais, no Tatuapé

Tatuagens: perdeu a conta. Tem desde o nome da madrasta no antebraço direito até manchas de tiros de paint-ball na barriga

Meios de locomoção: Volvo XC60 e moto Honda CBR 600 RR

Sonho de consumo: mansão em Alphaville

Vaidade: não sai de casa sem o cordão de ouro com pingente em forma de diamante (30 000 reais)

Cachê: entre 25 000 e 30 000 reais

Faturamento mensal: cerca de 600 000 reais (fica com 50% desse total)

Estado civil: “Antes as minas não me olhavam, agora eu pego geral”

Perder peso em Dubai vale ouro

Publicado originalmente no A Tarde

Perder dois quilos em Dubai rende ouro

Perder dois quilos em Dubai rende ouro

A prefeitura de Dubai decidiu oferecer “seu peso em ouro” aos habitantes que perderem mais de dois quilos em um mês, dentro de uma campanha de luta contra a obesidade, informou a imprensa local.

“Quem mais perder peso, mais ouro ganhará”, assegura Husein Lootah, diretor-geral da municipalidade de Dubai.

A campanha coincide com o mês de jejum muçulmano do Ramadã.

Nesse mês, os fieis se abstem de de comer e beber durante o dia, mas costumam exagerar durante a noite, o que é desaconselhado pelos nutricionistas.

Os candidatos deverão participar em um sorteio. Os três primeiros ganharão cada um uma moeda de ouro no valor de 5.400 dólares. Os demais dividirão recompensas no valor total de 54.000 dólares.

Feliciano deve ser criticado por trajetória e não por ser evangélico, diz Marina Silva

foto: Edson Silva/Folhapress

foto: Edson Silva/Folhapress

Paulo Gama, na Folha de S.Paulo

Evangélica, a ex-senadora Marina Silva criticou nesta quinta-feira a eleição do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, mas afirmou que não se pode atacá-lo por sua religião.

“Eu acho que a gente não pode fazer uma discussão baseada na religião dos deputados ou de quem não tem religião. Você tem que analisar a posição política, o deputado tem de ser olhado pelas suas posições politicas”, afirmou durante ato de coleta de assinaturas para a fundação de seu novo partido, a Rede Sustentabilidade, em São Paulo.

Marina comparou a eleição de Feliciano à do produtor rural Blairo Maggi (PR-MT) para a presidência da comissão de Meio Ambiente do Senado, e disse que se deve olhar para o “conjunto do Congresso”.

“Para ampliar sua base, o governo acaba negociando as comissões para pessoas que não têm identidade histórica com o mérito delas”, afirmou.

Maggi, maior produtor mundial de soja, já recebeu o troféu “motoserra de ouro”, da ONG Greenpeace, que premia os maiores desmatadores na opinião dos ativistas ambientais.

“O debate em torno da religião do deputado ou do fato de o senador ser grande agricultor não é o caso. O caso é quais as trajetórias deles em relação a essas bandeiras e questões. O Blairo Maggi não tem uma atuação na defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. O mesmo com o Feliciano [em relação aos direitos humanos].”

Indicado pelo PSC para ocupar a presidência do colegiado, Feliciano é alvo de criticas de deputados e ativistas por opiniões consideradas por eles como homofóbicas e racistas.

O deputado, que é líder da igreja evangélica Catedral do Avivamento, também responde no STF (Supremo Tribunal Federal) ações por estelionato e discriminação.