Arquivo da tag: oxford

Vegetarianos têm 32% menos riscos de desenvolver doenças cardíacas

 Cardápio sem carne reduz riscos cardiovasculares Foto: Divulgação
Cardápio sem carne reduz riscos cardiovasculares

Adeptos de dieta sem carne apresentaram pressão arterial mais baixa e estavam dentro da faixa de peso considerada saudável

Publicado originalmente em O Globo

LONDRES – Um estudo com 44.500 pessoas na Inglaterra e na Escócia mostrou que vegetarianos têm 32% menos chances de morrer ou precisar de cuidados médicos em decorrência de doenças cardíacas. Diferenças nos níveis de colesterol, pressão arterial e peso corporal podem estar por trás dessa descoberta, publicada na “American Journal of Clinical Nutrition”.

Pesquisadores da Universidade de Oxford analisaram dados de 15.100 vegetarianos e 29.400 pessoas que comem carne e peixe. Ao longo de 11 anos de estudo, entre os não-vegetarianos, 169 pessoas morreram de doenças cardíacas e 1.066 precisaram de tratamento para o coração.

Os resultados mostraram que os vegetarianos tinham pressão arterial mais baixa, níveis menores de colesterol ruim e estavam mais dentro da faixa de peso considerada saudável.

— Se você tem planos de aderir à dieta vegetariana, assegure-se que seu menu tenha todas as vitaminas e minerais que seriam consumidas se houvesse carne no cardápio — alerta Tracy Parker, da Fundação Britânica do Coração.

Parar de fumar diminui ansiedade, diz estudo

Um estudo feito na Inglaterra com fumantes que estavam tentando abandonar o cigarro revelou que os que conseguiram deixar o tabagismo tiveram uma diminuição ‘significativa’ de seus níveis de ansiedade.

cigarro

Para cientistas, preocupação com ansiedade entre os que tentam parar são infundadas

publicado na BBC Brasil

A pesquisa, divulgada pela publicação científicaBritish Journal of Psychiatry, acompanhou quase 500 fumantes que frequentam clínicas do sistema público de saúde britânico para parar de fumar.

Os 68 dos que tiveram sucesso após seis meses relataram ter sentido uma redução dos seus níveis de ansiedade.

A diminuição foi mais intensa entre aqueles que fumavam por transtornos de humor e ansiedade do que entre os que fumavam por prazer.

Temor infundado

Os pesquisadores – vindos de várias universidades, incluindo Cambridge, Oxford e Kings College de Londres – afirmam que os resultados devem ser usados para tranquilizar os fumantes que tentam parar, já que mostram que as preocupações com o aumento dos níveis de ansiedade são infundadas.

No entanto, o estudo sugere que uma tentativa frustrada de abandonar o cigarro pode aumentar levemente os níveis de ansiedade entre aqueles que fumam devido a transtornos de humor.

Para aqueles que fumaram por prazer, uma recaída não alterou os níveis de ansiedade.

O estudo foi publicado dias depois de o governo britânico ter lançado uma nova campanha de publicidade antitabagismo.

Gargalhar com os amigos tem mesmo benefício químico dos exercícios

Dar risadas é parecido com exercício: o organismo libera endorfina quando está no limite da dor

Gretchen Reynolds, no UOL

A gargalhada é um tipo de exercício? Essa estranha pergunta é o ponto de partida de um estudo sobre o riso e a dor, que enfatiza quão inesperadamente entrelaçados podem ser nossos corpos e emoções. Para o estudo, publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, pesquisadores da Universidade de Oxford recrutaram um grande grupo de estudantes de graduação de ambos os sexos com o objetivo de fazê-los rir.

Muitos de nós acreditamos que o riso seja a reação a algo engraçado – como se fosse, na verdade, uma emoção. Entretanto, a risada é fundamentalmente uma reação física.

“O riso consiste em uma expiração repetida e forçada do ar dos pulmões”, afirmou Robin Dunbar, professor de psicologia evolucionária em Oxford e coordenador do estudo. “Os músculos do diafragma precisam trabalhar duro.”

Todos já ouviram a frase “rir até doer a barriga”, destaca o autor. A dor não é metafórica; o riso prolongado pode ser doloroso e exaustivo e se parece mais com um exercício difícil. Contudo, o riso suscita uma reação fisiológica similar à dos exercícios? Nesse caso, o que isso pode revelar a respeito da natureza do esforço físico?

Para descobrir, Dunbar e seus colegas pediram que voluntários assistissem sozinhos e em grupo a uma série de vídeos curtos divididos entre histórias engraçadas e documentários estritamente factuais. Mas antes disso, os voluntários eram submetidos a um teste de limiar de dor, para determinar quanto tempo seriam capazes de aguentar o aperto de um medidor de pressão, ou de segurar uma bolsa de água fria congelada.

A decisão de introduzir a dor em um estudo aparentemente tão amável e divertido se originou em um dos resultados mais famosos dos exercícios cansativos: a liberação de endorfinas, os opiláceos naturais. As endorfinas são conhecidas por “terem um papel fundamental na gestão da dor” e, assim como outros opiláceos, induzem à sensação de euforia calma e bem-estar – acredita-se que sejam um dos responsáveis pelo “barato do corredor”.

Liberando endorfina

É difícil estudar diretamente a produção de endorfina, já que boa parte da ação ocorre no cérebro em funcionamento, e seu monitoramento exige que seja realizada uma punção lombar. Esse não é o tipo de procedimento que as pessoas querem ser submetidas, especialmente durante um estudo sobre o riso.

Mas Dunbar e seus colegas adotaram estudos de limiar de dor de uma forma indireta, mas bem aceita, para determinar o ponto de início da produção de endorfina. Normalmente, quando o limiar de dor de uma pessoa aumenta, supõe-se que ela esteja recebendo um banho de analgésicos naturais.

Nos experimentos, os limiares da dor costumavam aumentar quando as pessoas assistiam a vídeos engraçados, mas não quando viam documentários. A única diferença entre as experiências era que, em uma, as pessoas riam – uma reação física que os cientistas podiam quantificar com monitores de áudio, ou seja, escutar as gargalhadas dadas. Quando os músculos abdominais se contraíam, os níveis de endorfina aumentavam em resposta e, como resultado, os limiares da dor e a sensação de prazer cresciam.

Em outras palavras, foram o ato físico do riso, a contração dos músculos e as reações bioquímicas resultantes que causaram, ao menos em parte, o prazer relacionado a assistir à comédia. Ou, como diz o estudo, “a sensação de leveza nesse contexto provavelmente deriva da forma como o riso dispara a liberação de endorfinas”.

Entretanto, à primeira vista é difícil entender porque a relação entre endorfinas e o riso seria interessante para pessoas que praticam exercícios físicos. Mas, conforme aponta Dunbar, o que acontece durante um tipo de cansaço provavelmente se estende ao outro. O riso é uma atividade contagiante. No estudo, os participantes riam mais rapidamente e com mais intensidade quando assistiam aos vídeos engraçados em grupo do que quando os assistiam sozinhos. Além disso, os limiares de dor subiam coletivamente após as sessões em grupo.

Prática social

Algo parecido pode acontecer quando as pessoas praticam exercícios físicos em grupo, afirmou Dunbar. Em um experimento de 2009, o pesquisador e seus colegas estudaram um grupo de elite de remadores de Oxford, perguntando se preferiam treinar em máquinas de remo individuais, ou em uma máquina que simulasse o remo sincronizado de toda a equipe. Naquele caso, os remadores viam a si mesmos como um grupo unido.

Depois de fazerem o exercício juntos, seus limiares de dor – e provavelmente seus níveis de endorfina – eram significativamente mais altos que no começo, mas também mais altos do que quando remavam sozinhos. “Não sabemos por que a sincronia possui esse efeito, mas ele parece ser muito forte”, afirmou Dunbar.

Portanto, se você geralmente corre ou anda de bicicleta sozinho, talvez seja uma boa ideia encontrar companhia. A produção de endorfina pode aumentar e, ao menos teoricamente, tornar aquela última ladeira um pouco menos assustadora. Entretanto, se você prefere praticar exercícios sozinho, talvez valha a pena se entreter com algumas boas piadas.

Mas não espere que a risada forçada tenha o mesmo efeito. “Risinhos discretos não envolvem a série repetida e desinibida de expirações”, necessárias para “causar o efeito de endorfina.” Aparentemente, tanto no riso quanto nos exercícios, não há ganho sem um pouquinho de dor.

Amigos, amigos, Facebook à parte

Texto escrito por Ismael dos Anjos na Superinteressante

No momento de adicionar uma pessoa ao seu perfil no Facebook, motivo é o que não falta. Pode ser paquera, laços familiares, assuntos profissionais ou uma mistura desses e de outros argumentos. Mas e quando chega a hora de desfazer a amizade? De acordo com um estudodivulgado neste mês de dezembro pela empresa americana de pesquisas Nielsen, a principal razão é bem simples: comentários ofensivos.

De acordo com 55% dos quase dois mil entrevistados, uma resposta fora de hora ou uma brincadeirinha de gosto duvidoso são o suficiente para apertar o botão de “unfriend” (termo que, aliás, foi escolhido pelo dicionário Oxford a ‘palavra nova do ano’ em 2009). Em segundo lugar ficou aquela sensação de ‘não te conheço tanto assim’, com a adesão de 41% dos respondentes, enquanto a medalha de bronze, com 39%, foi entregue aos amigos que fazem da rede social um balcão de venda de produtos.

Além de tomar cuidado com outros incômodos corriqueiros, como discussões políticas ou postagens em excesso, fica o alerta para quem não quer perder coleguinhas mas é adepto do#foreveralone como estilo de vida: com 23%, comentários depressivos ocupam o quarto lugar no ranking de motivos para alguém romper uma amizade virtual.

P.S.: Imagem meramente ilustrativa. A amizade entre os blogueiros não precisou ser encerrada para a realização deste post.

Jovens éticos deveriam abraçar carreira no setor financeiro, sugere acadêmico de Oxford

Sean Coughlan, no BBC Brasil

Um cientista político da renomada Universidade de Oxford saiu a público para defender que jovens idealistas entrem para carreiras no sistema financeiro.

Will Crouch, especialista em ética do Centro Uehiro para Ética Prática de Oxford, argumentou que os jovens teriam mais impacto na sociedade se, em vez entrar para ONGs, por exemplo, escolhessem uma carreira milionária e doassem parte de sua renda para causas sociais.

Seria “como Robin Hood, mas ganhando o dinheiro em vez roubar”, comparou.

Desde a crise econômica que começou com a quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, banqueiros e profissionais do mercado financeiro têm sido alvo de críticas, acusados de egoísmo, ganância e falta de consciência moral.

A Bolsa de Valores de Londres, símbolo do mercado, continua sendo alvo de manifestantes do movimento Occupy London, acampados do lado de fora da Catedral de St. Paul, nas proximidades do pregão.

Entretanto, Crouch alega que os jovens que descartam carreiras no setor financeiro por desconfiança da integridade ética da profissão podem estar tomando a decisão errada.

“O benefício direto que um só trabalhador no setor filantrópico pode gerar é limitado, enquanto as doações filantrópicas de um banqueiro podem prover uma ajuda indireta dez vezes maior que a maioria das pessoas”, afirmou o professor.

Analisando a renda típica de um investidor profissional e o custo de tratar a tuberculose nos países desenvolvidos, Crouch estimou que um “ricaço com consciência ética” pode salvar 10 mil vidas com metade do seu salário.

Crouch, que diz doar 20% de sua renda como acadêmico para caridade – percentual que ele pretende elevar para 50% no futuro –, é o fundador da organização 80 Hours, voltada para a maximização de doações sociais.

O nome da organização vem da estimativa do professor de que a vida profissional de uma pessoa dura em média 80 mil horas.

Para o especialista em ética, as opções de carreira profissional precisam ser avaliadas para além do estereótipo relacionado a seus valores morais.