Pai herói se veste de Homem–Aranha para alegrar filho com câncer

Rafael Ciscati, na Épocajayden_com_spidey

Toda criança já sonhou com, um dia, encontrar seu super-herói favorito. A infância não é das fases mais simples da vida e, às vezes, até as crianças precisam ser resgatadas. O pequeno Jayden Wilson é um rapazinho de 5 anos recém completados. Tem um tumor no cérebro e, segundo os médicos, deve viver por mais um ano.

O pai de Jayden, Mike Wilson, decidiu convidar um herói para resgatá-lo no seu quinto aniversário. Vestiu-se de Homem-Aranha, saltou do telhado e deixou o menino quase sem reação diante da surpresa: “Quando eu saltei, Jayden fez a carinha que eu imaginei que faria – surpreso e feliz ao mesmo tempo”, disse Mike ao Buzzfeefd.

O vídeo da surpresa, publicado no domingo (16), já foi visto mais de 900 mil vezes.

Mike é atleta: faz parkour e corre. Em termos acrobáticos, é quase um Homem-Aranha. Para ajudar o filho, criou uma página no Facebook e um fundo para custeio das despesas médicas. Jayden não salta ou corre por aí. Mas ninguém duvida que, a sua maneira, é também um pouquinho heroico.

Jayden vestido de spidey (foto: Reprodução/ Facebook)
Jayden vestido de spidey (foto: Reprodução/ Facebook)

 

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Pai larga emprego em multinacional para investir em filho funkeiro de 17

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MC Novinho, 17 anos, e o Marcelo, de 43, administrador que se demitiu para investir na carreira do filho funkeiro: ‘Funk é um mercado forte, não é só moda’, aposta o pai (Foto: Divulgação)

Publicado no G1

Aos 43 anos, o administrador Marcelo dos Santos Carvalho rodava o mundo a serviço da multinacional alemã Arburg, fabricante de máquinas industriais. Pós-graduado em logística empresarial, ele não achava uma logística equilibrada entre trabalhar e dar atenção ao filho caçula, de 17 anos. O garoto Marcelo, ou MC Novinho, sentia falta do pai e queria ajuda para virar funkeiro famoso. O pai armou reviravolta nos negócios e na vida pessoal: há três meses se demitiu e virou empresário do filho. Eles são de Jardim Imperador, zona leste de SP.

MC Novinho faz parte do especial do G1 “Pop de menor”, sobre músicos brasileiros rumo ao estrelato sem idade nem para dirigir. Com pequenas idades e grandes fã-clubes, eles têm cifras que superam veteranos nas redes sociais. Os famosinhos contam como é se dividir entre aulas de matemática e milhões de cliques somados no YouTube.

Até R$ 400 mil investidos

A dedicação à carreira do rebento é séria. “Até agora, na primeira fase, investimos entre R$ 300 e 400 mil”, estima. No início de outubro, saiu o clipe de “Princesinha de aba reta”, e menos de um mês depois veio o seguinte, “Rainha da ostentação”. Novinho já começa a dar retorno com até quatro shows semanais, diz o pai. Uma ajuda vem de MC Gui, ícone do novo mercado “funk-teen”, amigo e parceiro na faixa “Ela quer”.

Novinho é obstinado: “Já pedi ajuda a muita gente que virou as costas. O único que auxiliou foi meu pai. Antes, eu ficava triste, às vezes me isolava, ficava bravo”. O pai teve que ser convencido. “Ele queria cantar e reclamava por atenção, pois eu trabalhava muito. Mas não entendia nada de funk. Era estranho. Ele fez um perfil no Facebook para mim. Eu colocava ‘bom dia’, ninguém respondia. Ele falava ‘oi’, em dois minutos mais de cem respostas. Achei que tinha algo diferente ali”, conta Marcelo.

O pai foi estudar batidão e ostentação. “Funk é um mercado forte, não é só moda. A gente vê pelos clipes de rap americano, que está aí há muito tempo e corresponde ao nosso funk. Aquela coisa de ‘wiggle wiggle”, Marcelo compara. Ele cita o hit de Jason Derulo com a naturalidade com que antes falava sobre máquinas injetoras alemãs. O filho o arrastou para bailes funk para mostrar que não tinha nada “proibidão”: “Meu pai viu como funcionava, que não era o mundo do crime, como alguns pensam. E aí ele me disse: ‘Para realizar seu sonho, posso parar tudo’.”

‘Novinháticas’

Aos poucos, MC Novinho capta sua base de fãs, chamadas “Novinháticas”. São 30 mil seguidores no Facebook e 300 mil visualizações no YouTube. “Tentam me abraçar, beijar, tirar foto, mas nem todas conseguem. Desmaiam, fazem loucura”, garante o cantor. O pai confessa que “antes, tinha que chamar pra ver quem queria tirar foto depois do show; mas agora tem que organizar a fila e nem sempre tem tempo para todas”. Novinho nem pensa em namorar. “As fãs iam ficar loucas. Eu poderia perdê-las”, justifica.

Marcelo acumula funções de empresário e produtor de shows, mas não descuida das tarefas paternas. “Graças a Deus ele tem uma cabeça muito boa. No camarim a gente nunca pede bebida alcóolica para ninguém. Até gosto de uma cervejinha, mas quando trabalho com ele é só energético, água e guaraná. E confio muito nele.”

O administrador diz que trabalha de manhã até a madrugada com a carreira do funkeiro, mas está mais feliz do que na época da Arburg. “Estava cansado de viajar, agora tenho contato com a família, estou com meu filho por perto”. As duas irmãs e a ex-mulher e mãe de Novinho também ajudam nos shows.

‘Zoado’ na escola

Entre um funk ostentação e outro, MC Novinho está cursando o terceiro ano do Ensino Médio. “Com a sequência de shows nos últimos tempos, tive que parar um pouco na escola. Talvez consiga terminar, ou então faço de novo no ano que vem”. Antes, ele queria estudar engenharia mecânica. Agora, se tiver tempo para fazer faculdade, será de música. Universidade não está nos planos imediatos. “Decidimos apostar agora que é o momento certo. Depois a gente volta onde estava”, diz o pai. “No colégio, alguns ‘zoavam’, falavam que eu não ia conseguir, que eu não era MC. Outros falavam para continuar. Agora até o tratamento deles comigo já é diferente”, compara.

Quando perguntado qual é seu maior sonho como músico, Novinho não cita questões musicais, e vai direto à fama. “Sonho em ser famoso. Ser bem conhecido. Passar em algum lugar e ter gente querendo tirar foto. Já tenho isso um pouco, mas quero mais, sempre subir”, diz. O pai vai atrás. “É o que ele quer. Posso dar ao meu filho oportunidade que não tive. Eu fui atrás do que precisava e meus pais nem sabiam o que eu fazia. Agora tento ajudar.”

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MC Novinho busca sucesso no funk paulista com ajuda do pai e do amigo MC Gui (Foto: Divulgação)

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Filha de padre guarda segredo por 25 anos para proteger sacerdócio do pai

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Publicado na Folha de S. Paulo

Maria Helena de Aguiar N. é uma sobrevivente. Sobreviveu, em silêncio, ao peso de um poderoso estigma, o de ser filha de um padre, da Igreja Católica, que permaneceu na função. Passou 25 dos seus 31 anos soterrada pelo peso da culpa (alheia), até que o noticiário em torno da abertura da igreja para homossexuais e católicos casados fora dos cânones animou-a a prestar este depoimento.

O silêncio produziu feridas, mas não a impediu de formar-se em Relações Internacionais, pela Universidade de Brasília, e de, ironia do destino, tornar-se funcionária da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência -justamente ela a quem o destino negou o elementar direito de dizer “meu pai”. O segundo sobrenome é omitido a pedido dela, que não quer expor o pai.

Depoimento…

Lembro-me bem da luminosidade do dia e do local em que soube que era filha de um padre, um padre que não abandonara o sacerdócio.

Era uma manhã de sol, na varanda do nosso apartamento em Brasília. Minha mãe disse: “É um segredo. Nunca revele a ninguém. Seu pai é padre. Quando lhe perguntarem sobre isso diga que ele é professor universitário. De filosofia. No sul do país”.

Acho que tinha 4 ou 5 anos, no máximo. Nessa idade, acredito, não se questionam ordens. Se obedece. E assim foi feito por cerca de 25 anos.

Os contatos com meu pai eram muito rápidos e feitos por meio de ligações telefônicas a cobrar, três vezes ao ano. Páscoa, aniversário e Natal. Sussurradas.

Talvez como forma de aumentar a culpa pela transgressão à norma e pela minha existência não se optou por romper de uma vez por todas o frágil laço que nos unia.

Na infância, a manutenção do segredo era essencial para minha sobrevivência em um ambiente familiar e escolar absolutamente católico.

Estudar em colégios como Santa Doroteia, Sagrada Família, Marista e outros cuja coordenação pedagógica era administrada por ordens como a salesiana ou pela Opus Dei (uma prelazia), era, para mim, o grande desafio da discrição e do anonimato.
Para além da excelente formação educacional e cultural recebida nesses colégios, formei-me, também, na arte da despersonalização.

Quanto mais calada, mais introspectiva e menos informações pessoais aos colegas de classe, melhor. Em uma época em que filhos de pais divorciados ainda sofriam discriminação, via como verdadeira sentença de morte a possibilidade de ser descoberta como filha de padre.

Características físicas e de personalidade como timidez, discrição, voz baixa, aspecto frágil e doçura foram, na verdade, ativos desenvolvidos como proteção pela sobrevivência nesses ambientes.

Hoje me divirto quando recebo elogios ou críticas nesse sentido. A maioria dessas características permanece.

Brinco com alguns amigos mais íntimos que poderia mandar meu currículo para a inteligência russa em razão desse treinamento intensivo de mentira e de dupla espionagem desde a infância.

As catequeses e as missas dominicais, de igual maneira, eram ambientes inóspitos e muito pouco acolhedores aos quais acabei me adaptando com o passar dos anos e, paradoxalmente, gostando de frequentar.

Essa é hoje a parte da história que mais me assusta. Pensar que, ao mesmo tempo em que gostava de frequentar ambientes e ritos religiosos, acreditava também na ideia de que eu era a materialização do “pecado” pela quebra do celibato.

Isso significou me descobrir alguém que gostava de se sentir punida.

Certo dia acordei de manhã e me vi como a cachorrinha Kashtanka de um dos clássicos de Tchekhov, que largou uma vida confortável no circo e voltou para o “conforto” de seu dono agressor. Tive medo.

Esse meu gosto pelo sofrimento significava, na realidade, a reprodução de uma opção feita pelos meus pais de não abandonarem parte importante da sua identidade cultural –a religião católica– por conta da concepção de uma filha.

A escolha pela negação da identidade de pai e de mãe em função da reafirmação de uma identidade católica –mais forte e dominante.

E a óbvia culpa manifestada inconscientemente em diversas ocasiões.

Sempre existiu a opção de abandonar a profissão de padre ou a de criar a filha em um ambiente não religioso e livre da culpa católica. A liberdade e a plena consciência são sempre uma opção. Mas optou-se pelo sofrimento e pela culpa. De ambas as partes.

A minha não reação a fatos importantes, como quando soube pela minha mãe que meu pai lhe pediu aborto ou que ela própria tentou se matar em uma depressão pós-parto, são sinais de o quanto o silêncio e a negação de fatos reais sempre foram, para mim, confortáveis refúgios de sobrevivência.

A vitimização e a manutenção do silêncio teriam sido o caminho mais fácil caso não tivesse a sorte de ouvir de uma amiga psicóloga: “Esse segredo não é seu!”.

Aos poucos essa frase foi se solidificando e fui me afastando cada vez mais dos dogmas religiosos e do estigma de ser “filha de padre”.

Ainda hoje, porém, o inconsciente continua me dando algumas rasteiras e, por vezes, me vejo revivendo dores de vazios não preenchidos.

Ouvi recentemente de uma amiga de trabalho que ela e o marido estavam preparando um almoço de casamento para suas famílias. No mesmo instante, ouvi de novo a frase de um funcionário do seminário quando, pela última vez, em 2006, tentei contato com meu pai por meio de ligação anônima e obtive a seguinte resposta: “Ele está de férias com a família”.

Família é conceito difuso. Deveria ser o lugar de acolhimento e de hospitalidade de todo indivíduo.

O lugar no qual todos os membros se sentissem queridos, protegidos, abraçados –não de forma teatral e dissimulada, mas genuína.

Lugar de acolhimento do ser em sua essência –e não de julgamentos pela escolha de parceiros, pela opção sexual, pela renda, pelo tipo físico ou pela vida pregressa dos pais.

Para os filhos de padres, bastardos por decreto da Igreja Católica desde o nascimento, o conceito de família é algo a ser repensado e ressignificado. Caso contrário, é possível que traumas se instalem e se perpetuem por gerações.

Na França, na Alemanha e na Áustria existem associações de filhos de padres, os chamados “Enfants du Silence”. No Brasil não. Talvez pelo amplo moralismo e conservadorismo que ainda permanecem em nossa sociedade. Ou pelo medo.

A Igreja Católica e a sociedade brasileira precisam dar voz a esse segmento de sobreviventes.

Sobreviventes do aborto, do preconceito e, especialmente, de anos de silêncio acerca de sua identidade.

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Crivella tenta no TRE censurar reportagem da Veja

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Lauro Jardim, na Veja on-line

Marcelo Crivella entrou com uma ação na Justiça eleitoral para retirar do ar uma reportagem publicada no sábado por VEJA em que o site da revista revelou que seu filho foi favorecido pela atuação do pai como ministro da Pesca (Leia a reportagem aqui). O TRE negou hoje conceder uma liminar que censuraria a reportagem.

Não é a primeira vez nesta campanha que Crivella quer impedir a divulgação de dados não-favoráveis à sua campanha. No início do segundo turno, o senador tentou – e, depois, voltou atrás – proibir a divulgação de pesquisas eleitorais.

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Pai, eu não te amo como antigamente

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Ruth Manus, no Estadão

Pai,

Há muitos anos que não caibo mais no seu colo. Hoje meu peso já é demais para você me carregar nos seus ombros. E meus anos já não permitem certos mimos de antigamente.

Mas me flagro, às vezes, desejando que você ainda pudesse administrar minha vida, escolhendo os caminhos mais seguros para eu caminhar. Caminhada essa, livre de todo medo, por saber que você me observava a cada passo, tentando impedir meus tombos e tropeços.

Os anos passaram. E a vida não perdoa atrasos.

A cada dia, por mais que nenhum de nós tivesse pedido, menos controle você passou a ter sobre a minha vida. Não pôde escolher meus empregos como escolhia minhas escolas. Não pôde vetar aquela última dose de vodka como vetava o chocolate antes do almoço. Não pôde me ajudar com aquela baliza na vaga pequena como me ajudava com os pedais da bicicleta. Não pôde evitar a queda do meu celular na privada como evitou vasos quebrados por causa da bola dentro de casa.

E tudo aquilo que você fazia, e que um dia me pareceu infernal: horários estipulados para voltar para casa na noite de sábado, olhares tortos para amigos que não te pareciam boa coisa, reclamações por tempo demais no telefone, controle do dinheiro que eu tentava gastar, hoje faria todo sentido. Seria tão bom se hoje em dia você pudesse me garantir mais horas de sono, amigos mais confiáveis, uma conta de celular mais barata ou uma fatura de cartão de crédito um pouco menos imbecil…

Mas agora é comigo, pai.

E seria bom voltar ao tempo em que você me parecia imortal. Tempo em que era você quem se preocupava com a minha saúde e não eu com a sua. Tempo em que você tentava evitar meu resfriado ou ficava preocupado com meus 39 graus de febre. Mas hoje sou eu que cobro seus exames de sangue, seus exercícios físicos e tento te fazer ver que amendoim, álcool e carne vermelha não garantem uma velhice boa a ninguém.

Pois é, pai. No fundo, todo mundo já sabia que ia ser assim. Mas às vezes essa síndrome de Peter Pan nos invade e a vontade de ficar debaixo de suas asas é quase irresistível.

Mas a vida chama.

Então me levanto, lavo o rosto, vou trabalhar. Porque você me levou no colo, me carregou nos ombros, mas também me ensinou a caminhar com minhas próprias pernas. E se hoje estou na estrada, trilhando caminhos bonitos, você bem sabe que isso é obra sua.

E sabe, pai? Nesse domingo posso te dar um presente. Provavelmente não será grande coisa. Não é aquele super carro com o qual você ainda sonha, mas é fruto do meu trabalho. Fruto do que só existe por sua causa. Pela educação que você me deu, pelas notas das quais você reclamou na escola, pelas festas que você vetou em vésperas de prova.

E eu vou te olhar durante o almoço. Não com o encantamento que tinha aos 6 anos… Porque aos 6 anos era aquele amor cego das crianças. Já hoje, tenho esse olhar cirúrgico, avalio suas atitudes, aponto seus erros, reclamo dos seus defeitos. A verdade, pai, é que eu não te amo como antigamente. A verdade é que te amo ainda mais.

Te amo mais porque te vejo de verdade, com tudo de bom e de ruim, consciente de que você é um ser falho, como todos os outros, mas que, mesmo assim, consegue se manter como meu porto seguro, meu norte, aquele que me construiu, me guiou e ainda me guia, me acode nas quedas que não pode evitar, me ama com todos meus defeitos e é quem dá vida à ideia de “amor incondicional”.

É, pai, hoje você já não é tudo aquilo que foi para mim um dia.

Porque agora você é tudo aquilo que é para mim hoje. E hoje é amor dobrado, é amor firme e deliberado, desse filho, adulto e crítico, com um sentimento cada vez mais consolidado.

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