Dilma x Marina lembra Collor x Lula

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título original: Regressão

Eduardo Giannetti, na Folha de S.Paulo

Depois de amanhã o Brasil vai às urnas. Seremos cerca de 142 milhões de eleitores escolhendo entre 25.549 candidatos (exclusive vices e suplentes) disputando 1.709 cargos públicos. É a sétima eleição geral sob a égide da Carta de 1988. Teria tudo para ser uma grande e bela festa democrática, não fosse a animosidade sórdida e sectária que tomou conta da campanha.

Dois problemas institucionais prejudicam o processo eleitoral. A simultaneidade das eleições para o Executivo e o Legislativo condena a escolha de nossos parlamentares ao absoluto descaso. As campanhas a deputado ficam ofuscadas pelas disputas majoritárias que sugam todas as atenções. Escolha displicente, amnésia instantânea. Não é à toa que a qualidade dos legislativos é o que é.

Some-se a isso a babel entrópica do horário gratuito. Fora a distribuição altamente desigual de tempo, a arquitetura do programa eleitoral é desnecessariamente grotesca.

Em vez de se conceder a cada partido um segmento bem demarcado, preferencialmente em dias distintos, para que possam se dirigir ao eleitorado e apresentar, um por vez, suas propostas, o que se fez foi colocá-los espremidos, lado a lado, apelando por migalhas da nossa atenção.

O resultado é um mosaico dantesco de mensagens disparatadas: uma mistura bizarra de leilão de promessas com flashes de uma rinha eletrônica de rompantes e acusações cruzadas. E tudo temperado, é claro, por doses cavalares de emoção sincera para ficarem todos bem ligados. Se alguém tramasse desmoralizar a nossa democracia, seria difícil imaginar fórmula mais eficaz.

Mas nada disso permitiria prever a regressão da campanha em curso. Premida pela súbita ascensão de Marina e pelas revelações do Petrolão, a candidata-biônica à reeleição inventada por Lula e teleguiada por João Santana apelou de forma vil. Serviu-se do seu largo tempo de propaganda –fruto de alianças espúrias– e da feroz máquina governista para deflagrar uma despudorada ofensiva.

O marketing selvagem de Dilma x Marina, calcado na exploração da credulidade, na mentira calculada e na excitação do medo, repete a fórmula empregada com sucesso por Collor x Lula. Se é verdade, como observa Marx, que certos fatos históricos tendem a ocorrer duas vezes, primeiro como tragédia e depois como farsa, a única dificuldade aqui é saber se neste caso a ordem não deveria ser invertida.

Economia, educação, meio ambiente: o governo Dilma entrega um país pior do que recebeu. É a primeira vez que isso acontece desde o fim da ditadura. A animosidade sectária e a rendição ao marketing infame são a continuação do atual governo por outros meios. Indícios do que seria um segundo mandato.

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Pais sentem chutes de bebês em suas próprias barrigas

Publicado no Catraca Livre

O vídeo que mostra pais sentindo os chutes de bebês em suas próprias barrigas voltou a fazer sucesso na internet. O filme na realidade é uma campanha da Huggies da Argentina para o Dia dos Pais do ano passado.

A ação permitiu que os pais sentissem fisicamente em suas barrigas o mesmo que as mães, quando o bebê chuta ainda dentro do útero. Isso só foi possível graças a um cinto que reproduz em tempo real as sensações causadas pelos movimentos do bebê, oferecendo uma experiência inesquecível aos emocionados participantes. A criação foi da agência Ogilvy & Mather.

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Cuidando de quem cuida

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Sandra, no Facebook

Recebi a triste notícia do falecimento de um grande amigo.

Eu, o Guina (como era chamado por todos) e os demais integrantes da Turma Telos nos conhecemos há praticamente vinte anos e passamos três anos intensos estudando no mesmo Seminário Teológico Palavra Da Vida Atibaia.

Juntos, todos nós pudemos aprender bastante um com o outro, vivenciando momentos únicos em nossas vidas, onde pudemos crescer muito através do conhecimento (percepção) de nossas limitações (fraquezas, defeitos…) e daquilo que temos de potencial (dons, talentos…).

Lá, naquele tempo, éramos quem éramos e isso bastava. Todos, cheios de sonhos e planos, ansiosos para tornar o Mundo melhor. Em 1998, cada um seguiu seu próprio caminho.

Vinte anos se passaram desde a primeira vez que nos vimos e muitos de nós se encontram casados, com filhos, envolvidos em muitas responsabilidades, com muitas contas à pagar e provavelmente com muitos fios de cabelos brancos. A vida passou um pouquinho e neste ínterim, cada um fez suas próprias escolhas,construindo assim sua própria história.

Muitos destes amigos, hoje são pastores, missionários, professores, profissionais diversos e quem sabe até estejam desempregados. Porém, a maior parte de nós se tornou “cuidador” de pessoas, dedicando nossas vidas em ajudar o “outro”.

Porém, ser “cuidador” requer muita doação de atenção, tempo e até recursos diversos. Requer a coragem e quem sabe a humildade de se olhar como um ser que também precisa de cuidado de outros “cuidadores” que estejam dispostos a ouvir sem prejulgamentos.

Ontem, perdi um grande amigo porque ele cometeu suicídio. O que o levou a fazer isso? Por que ele fez isso? O que afligia seu coração naquele momento? Provavelmente, respostas que nunca teremos porque quem as conhecia se foi.

Chorei e continuo chorando muito porque é difícil de acreditar que um amigo tão querido, aparentemente tão feliz, tenha entrado em tamanho desespero! Porém, choro por muitos amigos e amigas que sei que também sofrem com a depressão. Choro porque alguns encontram-se tão desesperados, mas ainda escutam dos outros que é bobeira, frescura ou exagero. Choro porque a depressão tem atingido nossas igrejas, nossas escolas, nossos lares e nossa Sociedade. Choro porque ela não é uma doença visível e facilmente detectável, mas age mais cruelmente que o câncer, espalhando-se e destruindo a vida através da desesperança.

Chegou a hora da Sociedade acordar!!! Chegou a hora de nós acordarmos!!! Precisamos aprender a cuidar de quem cuida de nós, lembrando-nos que são tão humanos quanto a gente: pastores, padres, psicólogos, psiquiatras, professores… e pais.

Já passou da hora de aprendermos a cuidar de quem cuida.

 

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A reclamação dos filhos agora é que seus pais não desgrudam do celular

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Publicado no Update or Die

Basta uma pesquisa de campo informal para notar: agora é a geração acima dos 45 anos que não larga do celular. 45, 50 ou 60 anos, não importa. Adultos completos. Não saem do celular. É o que ouço falar dos seus respectivos filhos.

Não quero dizer com isso, que os jovens abandonaram o mundo digital e jogaram fora seus iphones. Não, claro que não. Porém, eram eles – os jovens – acusados de uso exagerado das redes sociais e dos dispositivos móveis. Pois bem, vá num restaurante qualquer e observe os frequentadores com mais de 45 anos. É revelador. Não são – somente os jovens – que estão utilizando compulsivamente o celular.

Há nessa reflexão, dois pontos a considerar:

FATOR COMPORTAMENTAL – não podemos negar que nossa sociedade caminha para uma mesma direção, independentemente da idade que temos. Jovens, adultos ou idosos, estamos todos imersos – cada vez mais profundamente – numa sociedade em que a relação com o mundo se dá através da mediação da informática (faz tempo que você não vê essa palavra, hein?), em especial dos dispositivos móveis. Somos pressionados a atender todas os alertas e notificações que pipocam no celular, nos “wearable devices” etc. Em concomitância com outros fatores contemporâneos como o individualismo e o narcisismo exacerbado, acabamos por fim nos deparando com cenas um tanto incoerentes, como por exemplo, um casal jantando no restaurante, porém sem conversar entre si. Cada um atento ao seu próprio celular.

FATOR TECNOLÓGICO – parece-me que é fácil concluir neste aspecto que o surgimento de um novo meio de comunicação ou uma nova tecnologia da comunicação, obedece uma curva de adoção que invariavelmente atinge um pico em que é possível notar o uso exagerado da tecnologia e com o tempo, essa curva tende a descer até um ponto de equilíbrio. Esse comportamento se repete a cada geração, de acordo com a época em que ela foi adotada por aquele conjunto de pessoas. Em resumo: os jovens mergulharam na tecnologia e nas redes sociais mais cedo; alcançaram o pico da curva de adoção em que o uso excessivo causou um momento crítico e hoje é possível notar que os próprios jovens, discutem entre si os limites dessa relação. Chegaram até a inventar jogos que os proíbem de usar o celular quando estão juntos num bar ou na casa de um amigo. Aqueles que possuem mais de 45 anos, parecem passar agora por um processo muito semelhante.

Dentro dessa reflexão toda, é preciso considerar que o mundo caminha contra a possibilidade da “desconexão”. O crescente mercado dos “wearable devices” e da “internet das coisas” nos faz cada vez mais “conectados” e disponíveis para todas as variedades de “notificações” que as redes sociais e o “big data” podem oferecer. É preciso muita maturidade e senso crítico para viver nesse ambiente. Estamos prontos?
Crédito da imagem: Stephen McCulloch (Flickr).

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