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Irmã Wanda: A trollagem de Glória Perez

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Com 45 pontos de audiência no último capítulo, “Salve Jorge” finalmente chegou ao fim. Como revela matéria publicada no UOL, uma das cenas foi cuidadosamente ocultada de todo o elenco. Trata-se do momento em que a vilã Wanda (Totia Meirelles) diz à Lívia (Claudia Raia) na prisão: “Eu aceitei Jesus”.

Como o repórter do UOL (e o Brasil todo) inferiu, Glória Perez parece ter matado duas ovelhas dois coelhos com apenas uma cacetada: momento “revenge” com os crentes equivocados que tentaram boicotar a novela desde o início e, claro, alusão pra lá de óbvia a Guilherme de Pádua por motivos que todos sabem.

No Twitter, “Irmã Wanda” foi um dos assuntos + comentados e logo surgiram várias montagens com a personagem. Confiram alguns tuítes e imagens.

  • “Rosas são vermelhas, violeta são azuis, Lívia ficou na pior e eu aceitei Jesus”
  • O Bonde da irmã Wanda é a nova sensação e pra começar chama a Lívia pra pregação vai fazendo oração
  • ATENÇÃO a irmã Wanda convoca todas as meninas para uma missão ungida na Turquia. Interessadas esperar ela sair da cadeia,oh glórias…
  • Pau que nasce torto, Jesus endireita, menina que requebra mãe, Bíblia na cabeça (Irmã Wanda Lispector)
  • De ontem pra cá, criaram tanto perfil da irmã Wanda que já dá pra abrir uma igreja!
  • Irmã Zuleide é pros fracos, os fortes vão ver a Irmã Wanda pregando a palavra.

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dica do Israel Anderson, Tom Fernandes e vários tuiteiros.

“Manual gospel” vai orientar sexshops sobre atendimento de público evangélico

 

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publicado no Administradores

Com o objetivo de atender o público evangélico sem ferir suas convicções religiosas, a Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico Sensual (Abeme) vai preparar um “manual gospel” para distribuidores e vendedores. A ideia, de acordo com a entidade, é “orientar o comércio de produtos íntimos dentro dos preceitos bíblicos, pensando em qualidade, saúde e na união do casal com respeito e amor”.

“É preciso haver uma capacitação apropriada dos profissionais do setor para atender este público (evangélico). São necessários conhecimentos sobre sexualidade humana, um estudo profundo sobre produtos íntimos, sensuais e eróticos (sob a ótica de qualidade, benefícios e usos) e, principalmente, sobre a palavra (bíblica)”, afirma Paula Aguiar, presidente da ABEME.

De acordo com a Abeme, a demanda é grande por parte dos fiéis evangélicos, que têm buscado nos produtos “o fortalecimento do amor conjugal, para a união do casal e consequentemente da família”.

A associação frisa ainda que atualmente os maiores consumidores de produtos de sexshops são as mulheres e que, em 90% dos casos, não tem nenhuma conotação pornográfica.

Arquivo F

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Por Bruno Medina, no Instante Posterior

No ano de 2025, a vida real e a vida virtual encontram-se tão intimamente relacionadas que quase não há mais distinção entre as sociedades de fato e as redes sociais. Num contexto em que a inclusão digital alcançou 90% dos habitantes do planeta, e em que existem mais de 7 bilhões de perfis ativos no Facebook, o site de relacionamentos concebido 15 anos antes enfrenta um irônico e até então impensável desafio: sobreviver ao excesso de usuários. Com o intuito de assegurar que a rede não sucumba a um caos de convites e publicações indesejáveis, seus administradores resolvem pôr em prática um rígido código de conduta, medida que coincide com a instituição de um tribunal para julgar infrações e abusos cometidos pelos frequentadores:

– Caso 3742, Facebook contra Fernando Soares. Com a palavra, a acusação.

– Senhor Fernando, consta nos autos uma queixa apresentada pela senhorita Amanda Vasconcellos, de que o senhor a teria cutucado por diversas vezes num período de 2 semanas. A informação procede?

– Sim, procede.

– E qual foi o motivo que despertou um comportamento, digamos, tão compulsivo?

– Bom, a Amanda é minha colega de faculdade e, na aula de Psicologia dos  Avatares II, fiquei achando que ela também se interessava por mim. Por isso cutuquei, para facilitar a aproximação e ajudar a quebrar o gelo…

– Mas 7 vezes consecutivas??

– Como é que eu podia saber que ela não estava gostando? Ela me cutucava de volta!

– Não passou pela cabeça do senhor que a senhorita Amanda poderia apenas estar tentando ser educada?

– Como assim educada? Ela me “tagueou” numa foto…

– Onde estavam tagueadas outras 9 pessoas da turma!

– Ok, tudo bem, digamos que eu tenha abusado das cutucadas, mas no dia em que eu a chamei no chat ela foi enigmática, e foi isso que me levou a pensar que estava rolando um joguinho…

– O que exatamente configura a atitude da senhorita Amanda como enigmática?

– Ela disse: “Fernando, nós precisamos conversar”. Daí eu perguntei sobre o que, e a Amanda não respondeu mais. Fui levado a pensar que ela queria me convidar pra sair mas estava com vergonha…

– Em depoimento a senhorita Amanda alegou que na referida conversa pretendia pedir ao acusado que parasse de cutucá-la insistentemente, mas o sinal do 8G caiu, visto que ela digitava no interior de um avião que adentrava a estratosfera.

– Poxa, e ela nem postou uma foto disso? Eu ia curtir e compartilhar, com certeza!

– Numa outra queixa, o senhor foi denunciado por publicar em janeiro deste ano no Instagram a foto de uma sobremesa, o que, como sabemos, é terminantemente proibido desde 2015.

– Protesto, meritíssimo, meu cliente não comentará suas ações em outras redes sociais!

– Retiro, senhor Juiz. Prosseguindo: na semana passada o senhor foi acusado por diversas pessoas de praticar excesso de postagens sobre um mesmo tema…

– Ah, agora isso também?! Pô, a Apple compra a Grécia e eu não posso nem comentar o assunto com meus amigos? Aliás, que amigos esses, hein…

– O novo código vigente determina que o autor de 3 posts sobre um mesmo tópico seja advertido, e punido com suspensão sumária da conta caso insista com as publicações.

– Meritíssimo, posso me defender? O primeiro post foi o furo da notícia, o segundo, um vídeo do holograma do Steve Jobs comentando a aquisição; o terceiro e o quarto posts foram fotos da bandeira com a maçã mordida sendo hasteada em Atenas. Era relevante!

– Senhor Juiz, a lista de acusações é interminável, mas vamos nos ater a um último ponto: convites para eventos.

– Pronto, lá vem…

– Nos últimos 2 meses o senhor Fernando enviou a sua lista de amigos nada menos do que 19 convites para eventos, muitos destes estapafúrdios, tais como “Reunião dos Saudosos do Twitter” e “Festa de Aniversário da Suzy”, que vem a ser um avatar feminino criado por ele mesmo.

– Só quero deixar registrado que recebi várias confirmações pra festa da Suzy, ok?

– Precisamente 5, todas provenientes de perfis de avatares também criados pelo senhor. Já para o evento do Twitter…

– Bem, acho que cheguei a um veredito. Senhor Fernando, gostaria de dizer alguma coisa antes da sentença ser proferida?

– Sim, gostaria de perguntar ao Senhor Juiz se estou autorizado a fazer um vídeo deste momento…

Pregar a Palavra. Que Palavra?

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Jung Mo Sung, no Novos Diálogos

Não há dúvida: a principal tarefa das igrejas cristãs é o anúncio da boa-nova de Jesus, a pregação da Palavra de Deus. Proclamar a palavra de fé e levar a pessoa a “confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos” e assim ser salvo (Rom 10.9).

Quando levei a sério essa proclamação, eu senti um entusiasmo que não sabia explicar bem. Aliás, a própria palavra “entusiasmo” (palavra de origem grega en + theos, em Deus, ser possuído por Deus) se refere à experiência de ser possuído por algo mais forte que nós mesmos, forças divinas, à experiência difícil de ser explicada. Mas, tempos depois, comecei a me perguntar: por que “confessar com a sua boca que Jesus é Senhor” é tão especial que nos daria a salvação eterna? Que poder mágico tem essas palavras? Seria porque nos revelaria uma verdade, e a aceitação dessa verdade no nosso intelecto e coração seria o caminho da salvação?

Essas perguntas são difíceis de serem respondidas e, mais do que isso, nos incomodam porque colocam sombras sobre a nossa certeza de que a salvação vem pela aceitação da Palavra e nossa missão é anunciar essa Palavra.

Com o tempo, após muitas leituras, estudos, debates e crises, descobri que há diferentes formas de compreender as noções de “Palavra” e “verdade”. De acordo com a tradição filosófica grega, que está no cerne da nossa cultura Ocidental, a verdade é a qualidade de uma afirmação que corresponde à realidade das coisas. Isto é, uma afirmação é verdadeira na medida em que descreve “perfeitamente” o objeto. É assim que a ciência lida com a verdade. Dentro dessa cultura, anunciar a Palavra de Deus, que é a Verdade, é entendido como afirmar algo que corresponde à realidade (seja ele no campo terreno ou sobrenatural); e aceitar essa proclamação de que “Jesus é o Senhor” é descobrir intelectualmente e aceitar no coração uma verdade que desconhecia. Conhecida essa verdade que nos salva, a missão que dela decorre é anunciar essa verdade para pessoas que ainda não a conhecem, até que todas as pessoas do mundo saibam dessa verdade e sejam salvos pela confissão pública dessa verdade. Todo o resto se torna secundário.

Eu vivia a minha fé dentro dessa perspectiva sem maiores problemas até que comecei a pensar seriamente em uma afirmação de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6). Como alguém pode ser verdade? Verdade é uma afirmação que descreve corretamente o objeto referido. Sendo assim, uma pessoa não pode ser verdade. A não ser que tenhamos outras noções do que é a verdade. A minha fé me levava a aceitar como verdade a afirmação de Jesus: “Eu sou a verdade”, afinal acreditava e ainda acredito que a Bíblia nos revela a Palavra de Deus. Porém, se Jesus é a verdade — e ele não é uma frase, conceito ou uma afirmação —, ele só pode estar usando a palavra verdade em outro sentido.

Aos poucos fui descobrindo que os gregos pensam a verdade a partir ou centrado no conceito do “ser”, daquilo que é; por isso uma afirmação é verdadeira quando descreve corretamente a realidade que é. Enquanto que a revelação de Deus recolhida na Bíblia ocorreu no mundo semita, que pensa a verdade em função do que deve ser, em função da vontade ou desígnio de Deus. Para a Bíblia, a verdade que interessa não está nos conceitos, sejam eles filosóficos ou científicos, mas na vida realmente vivida, nos atos de caminhada do reino de Deus. Por isso é que Jesus diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Ele é a pessoa que vive plenamente de acordo com os desígnios de Deus; por isso é a Verdade que é, e ao mesmo tempo o Caminho que nos conduz à Vida. Se quisermos viver a Vida, devemos seguir o Caminho de Jesus, pois ele é a Verdade.

Na medida em que a verdade, para a Bíblia, não é descrição do que existe, mas a realização dos desígnios de Deus, do dever-ser, a Palavra de Deus que anunciamos não é descrição de uma realidade sobrenatural ou do mundo divino, mas sim um chamado à transformação de nossas vidas, de criação de novas realidades humanas e sociais que mostrem a presença do reino de Deus entre nós. É por isso que no início do livro de Gênesis está escrito: “Deus disse…e assim se fez”. O proferir a palavra cria ou transforma a realidade para que a vida seja possível e agradável. A Palavra que sai da boca de Deus não descreve algo, transforma, cria, gera vida.

Encontramos essa mesma ideia no início do evangelho de João. O evangelista, que está escrevendo em grego, usa a palavra logos na frase que diz “No princípio era o logos…” (Jo 1.1). Há traduções da Bíblia que usam “Verbo” e outras “Palavra” para se referir a esse logos. O mais importante não é a escolha entre essas duas possibilidades de tradução, mas não cair na “armadilha” da cultura Ocidental e achar que essa Palavra descreve uma realidade divina. Não! Esse logos, que estava com Deus e era Deus, é ação e fez o mundo: “Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito” (Jo 1.3) A Palavra, a verdade, tem a ver com fazer, transformar, criar! Porém, nem todo tipo de fazer procede do Verbo ou é movido pelo Espírito de Deus. Por isso, o evangelho de João continua: “O que foi feito nele era a vida e a vida era a luz dos homens” (Jo 1.4).

A verdade que nos liberta (cf Jo 8.32) não é a palavra que descreve corretamente, mas a que nos liberta das situações de trevas e morte para a luz e vida! E há algo de estranho na afirmação de João que é fundamental: “a vida era a luz dos homens”. Para pensadores da linha da filosofia grega, o que ilumina a vida é a razão, o conceito verdadeiro. Por isso, a razão é chamada também de “luz” e a época conhecida como “iluminismo” foi a da revalorização da razão. Só que para a Bíblia, a relação é outra: não é a luz (conceito ou razão) que ilumina a vida; é a vida que é a luz para os seres humanos. O critério da verdade não é o conceito correto, é a vida vivida de acordo com o desígnio de Deus.

Essas reflexões mais teóricas nos ajudam a compreender melhor a missão das igrejas cristãs de anunciar a Palavra. Só que a Palavra que proclamamos não pode ser tecida por conceitos e nada mais, mas deve ser encarnada na vida concreta e nas ações pessoais e da comunidade que transformam pessoas e a sociedade e geram mais vida. Pois a Palavra se fez pessoa e viveu entre nós, e com sua vida nos revelou que Deus é Amor que ama a todos sem distinção (cf Rom 2.11) e quer que todas as pessoas tenham vida e vida em abundância (cf Jo 10.10). Com a sua vida, Jesus nos revelou uma imagem de Deus que contradizia o que era ensinado no Império Romano. Deus não é o onipotente insensível às dores e sofrimentos dos pobres e vulneráveis, que se revelaria na pessoa do imperador romano, o único que no Império Romano poderia ser chamado de Senhor (Kyrios).

O Império Romano tinha seu próprio evangelho, a boa-nova: o anúncio de que o Império tinha conquistado novos povos, levando-lhes a “paz romana”, a adoração aos deuses do império e a confissão de que só o imperador é o Senhor. Contra esse mundo que oprimia e explorava em nome da paz, os seguidores de Jesus, aqueles que creram que Deus tinha ressuscitado a Jesus e, com isso, revelado que Deus estava com ele na cruz e não com o imperador ou no Templo, confessava que o Senhor é Jesus e não o imperador. Essa confissão significa uma profunda mudança na visão do mundo e no modo de viver. Hoje seria dizer que Deus não está presente nos palácios dos bancos ou mansões de milionários, mas nos lugares onde as pessoas mais vulneráveis, as que são exploradas e oprimidas, são crucificadas no dia a dia.

A proclamação da Palavra que leva as pessoas a essa conversão radical são palavras que motivam e estão encarnadas nas práticas e ações que testemunham o amor de Deus a todas as pessoas, especialmente as que mais sofrem. Só palavras encarnadas na vida e ações são Palavras que transformam vida das pessoas.

Por tudo isso, eu penso que a missão das igrejas de proclamar a Palavra de Deus não pode ser realizada sem testemunho do amor de Deus através de modos de viver e ações individuais e comunitárias que denunciam a falsidade do senhorio da riqueza e poder neste mundo e revelam o Senhorio de Deus-Amor que se nos revelou na vida de Jesus, aquele é o Caminho, a Verdade e a Vida.

A denúncia como estilo de vida

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Ariovaldo Ramos

“As vestes de João eram feitas de pêlos de camelo; ele trazia um cinto de couro g e se alimentava de gafanhotos h e mel silvestre.” Mc 1.6

João vestia-se como o profeta Elias, cujo retorno ministerial representava, uma vez que João era cumprimento da profecia de que Elias viria antes, para converter o coração dos pais aos filhos (Lc1.17).

Para além de vestir-se para representar o ministério de Elias, a roupa do Batista era, em si, uma denúncia à usurpação da função sacerdotal.

João, por ser da descendência de Arão, deveria ter sido o sumo-sacerdote, se o tivesse sido só teria podido vestir as roupas apropriadas à sua posição, mas, como as suas roupas estavam, indevidamente, sendo usadas por outro, e ele não poderia vestir roupas comuns, as vestes sacerdotais foram substituídas por roupas feitas de pêlos de camelo.

Por ser o sumo-sacerdote
, João só poderia comer das comidas apropriadas aos sacerdotes, mas a sua refeição sacerdotal estava sendo usurpada por outro, mas, apesar disso, ele não podia comer das comidas comuns, daí, gafanhotos e mel silvestre.

O profeta veio do deserto, onde, provavelmente, vivera protegido pelas comunidades do deserto, até por ser quem era: a voz daquele que estava no deserto; e João, por aquele que estava no deserto, clamou contra toda a usurpação da glória e da casa de Deus.

João nos ensina o caminho do avivamento: começa com a denúncia que exige o arrependimento. João, antes de denunciar com a palavra, denunciava com o seu estilo de vida.

Eis o caminho: andemos nele.

fonte: Blog do Ariovaldo Ramos