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Integrantes do Femen mostraram os seios a pastores durante protesto hoje em SP

Tropa de Choque da Polícia Militar entra em confronto com manifestantes na rua do Carmo, na Sé, durante protesto contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo (foto: Juca Varella/Folhapress)

Tropa de Choque da Polícia Militar entra em confronto com manifestantes na rua do Carmo, na Sé, durante protesto contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo (foto: Juca Varella/Folhapress)

título original: Manifestantes entram em confronto com a PM no 3º protesto contra a alta na tarifa de ônibus em SP

Publicado no Estadão Urgente

20h23 -Integrantes do movimento feminista Femen mostraram os seios a pastores ao passar pela Rua Conde de Sarzedas, conhecida por reunir diversas igrejas evangélicas. Os religiosos  pararam o culto para ver  a manifestação e foram surpreendidos pelas ativistas. A segunda parte dos manifestantes segue para a Avenida Paulista pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio. A Paulista foi palco de diversos conflitos e atos de vandalismo nos demais protestos.

20h08 – Depois de sentarem-se na Praça da Sé, uma das frentes da marcha decidiu retornar para a Avenida Paulista. O grupo está bastante reduzido em relação ao bloco inicial.  A Tropa de Choque  investiu novamente contra os manifestantes para dispersar os participantes. A situação é bastante tensa. Na Rua Senador Feijó, manisfestantes fazem barricadas ateando fogo em lixo. Uma agência do Bradesco foi depredada. O comércio local fechou as portas.

Agência do banco Bradesco na rua Tabatinguera, no centro da capital paulista, destruída durante protesto contra o aumento da tarifa de ônibus para R$3,20 (foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

Agência do banco Bradesco na rua Tabatinguera, no centro da capital paulista, destruída durante protesto contra o aumento da tarifa de ônibus para R$3,20 (foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

dica do Fabio Martelozzo Mendes

Justiça proíbe realização de cultos religiosos em vagões nos trens da Supervia

Caso a decisão seja descumprida, a empresa poderá sofrer multa diária de R$ 5 mil

No interior do trem, o sossego de passageiros é interrompido com pregações e até venda de ambulantes Foto:  Diego Valdevino / Agência O Dia

No interior do trem, o sossego de passageiros é interrompido com pregações e até venda de ambulantes
Foto: Diego Valdevino / Agência O Dia

Diego Valdevino, em O Dia

Rio – A Justiça do Rio proibiu a realização de cultos religiosos em vagões nos trens da SuperVia. A decisão, publicada nesta quarta-feira, é favorável à ação movida pelo promotor Rodrigo Terra, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor e do Contribuinte.

Segundo a decisão, a SuperVia terá de providenciar a colocação de avisos em suas bilheterias e trens, comunicando ao público a proibição de cultos religiosos em seus vagões. Além disso, a empresa deverá informar sobre a posibilidade do uso de força coercitiva, pela autoridade competente, e caso a ordem seja descumprida, a concessionária poderá sofrer multa diária de R$ 5 mil.

De acordo com o promotor Rodrigo Terra, as reclamações à SuperVia apontam que as manifestações religiosas incomodam grande parte dos usuários, por serem feitas em voz alta, por meio de entonação de cânticos, instrumentos musicais, gritarias e ofensas verbais àqueles que não comungam da mesma fé.

A copeira Alessandra Almeida, de 37 anos, que utiliza o transporte todos os dias para ir ao trabalho, comemorou a decisão. “Venho todos os dias, por volta das 5h30, da estação de Japeri com pastores gritando, cantando e pedindo contribuições para a igreja no meu ouvido. O povo fica revoltado porque quer dormir um pouco a mais no trem”, disse Alessandra, que também relata que é constante ver grupos de até 30 pessoas fazendo orações nos vagões.

O advogado especialista em Direito Religioso e assessor de igrejas evangélicas, Gilberto Garcia, disse que a decisão da Justiça fere artigos da Constituição Federal, como os que diz que o Estado é laico, ou seja, não tem religião, o que garante a todos o livre exercício da fé.

“Proibir este tipo de manifestação é cerceamento religioso, porque o trem é um ambiente de uso público. Também me incomoda quando um time de futebol ou uma escola se samba ganham algum campeonato e as pessoas voltam gritando nos trens, mas nem por isso posso impedi-los, assim como tenho o direito de pregar minha fé. O que não pode é ofender as outras pessoas”, disse Garcia.

Em nota,  a SuperVia informou que “já cumpre as determinações estabelecidas desde setembro de 2009, quando houve a determinação judicial da 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, proposta pelo Ministério Público. A ação já estabelecia que a concessionária deveria colocar avisos nas bilheterias e nos trens, em local visível, comunicando ao público a proibição de qualquer manifestação religiosa, informando, inclusive, sobre a possibilidade de cessação coercitiva, pela autoridade policial. Com relação à possibilidade de pena de multa diária de R$5 mil, a SuperVia informa que irá interpor o recurso”.

dica do Gilberto Garcia

O terror da ambivalência

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Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

Você esconderia judeus em sua casa durante a França ocupada pelos nazistas? Não, não precisa responder em voz alta.

Melhor assim, para não passarmos a vergonha de ouvirmos nossas mentiras quando na realidade a janta, o bom emprego e a normalidade do cotidiano sempre valeram mais do que qualquer vida humana. Passado o terror, todos viramos corajosos e éticos.

Anos atrás, enquanto eu esperava um trem na estação de Lille, na França, para voltar para Paris, onde morava na época -ainda bem que tinha minha família comigo porque Paris é uma cidade hostil-, li a resenha de um livro inesquecível na revista “Nouvel Observateur”.

Nunca li esse livro, nem lembro seu nome, mas a resenha era promissora. Entrevistas com filhos e filhas de pessoas que esconderam judeus em casa durante a Segunda Guerra davam depoimentos de como se sentiram quando crianças diante dos atos de coragem de seus pais e suas mães.

A verdade é que essas crianças detestavam o ato de bravura de seus pais. Sentiam (com razão?) que não eram amados pelos pais, que preferiam pôr em risco a vida deles a protegê-los, recusando-se a obedecer a ordem: quem salvar judeus morre com eles.

Podemos “desculpar” as crianças dizendo que eram crianças. Nem tanto. Adolescentes também sentiam o mesmo abandono por parte dos pais corajosos. Cônjuges idem.

Está justificada a covardia em nome do amor familiar? Nem tanto, mas deve-se escolher um estranho em detrimento de um filho assustado?

Tampouco dizer que os covardes também seriam vítimas vale, porque o que caracteriza a coragem é exatamente não se deixar fazer de vítima -coisa hoje na moda, isto é, se fazer de vítima.

Não foi muito diferente aqui no Brasil durante a ditadura, guardando-se, claro, as diferenças de dimensão do massacre.

No entanto, não me interessa hoje essa questão da falsa ética quando o risco já passou -a moral de bravatas. Mas sim a ambivalência insuportável que uma situação como essa desvela, na sua forma mais aguda.

Ou meu pai me ama ou ama o judeu escondido em minha casa, ou, ele me ama, mas não consegue dormir com a ideia de que não salvou alguém que considerava vítima de uma injustiça, e por isso me põe em risco. Eis a razão mais comum dada por esses pais, quando indagados, da razão de pôr em risco sua vida e família: “Não conseguia fazer diferente”. Mas a ambivalência da vida não se resume a casos agudos como esses.

Freud descreveu os sentimentos ambivalentes da criança para com o pai no complexo de Édipo: amo meu pai, mas quero também me livrar dele, e também sinto culpa por sentir vontade de me livrar dele.

Independente de crer ou não em Freud plenamente (sou bastante freudiano no modo de ver o mundo, e Freud foi o primeiro objeto de estudo sistemático em minha vida), a ambivalência aí descrita serve como matriz para o resto da vida.

Os pais amam os filhos (nem sempre), mas ao mesmo tempo ter filhos limita a vida num tanto de coisas (e hoje em dia muita mulher deixa para ser mãe aos 40 por conta deste medo, o que é péssimo porque a mulher biologicamente deve ser mãe antes dos 35). Apesar dos gastos intermináveis, no horizonte jaz o possível abandono na velhice por parte destes mesmos filhos “tão” amados.

Mas, ao mesmo tempo, não ter filhos pode ser uma chance enorme para você envelhecer como um adulto infantil que tem toda sua vida ao redor de suas pequenas misérias narcísicas.

Casamento é a melhor forma de deixar de querer transar com alguém devido ao esmagamento do desejo pela lista infinita de obrigações que assola homens e mulheres, dissolvendo a libido nos cálculos da previdência privada.

Mas, ao mesmo tempo, a liberdade deliciosa de transar com quem quiser (ficar solteiro), com o tempo, facilmente fará de você uma paquita velha ridícula sozinha que confunde pagar por sexo com um homem mais jovem com emancipação feminina. E, no caso do homem, o tiozão babão espreita a porta.

E, também, terá razão quem disser que mesmo casando você poderá vir a ser uma paquita velha ou um tiozão babão.

Quantas ambivalências espera você nessa semana?

Estudo mostra que maioria da população de rua não bebe nem usa drogas

Pesquisa derrubou mitos e trouxe à tona outra realidade sobre o perfil dessa população; somente 13% dos moradores de rua são analfabetos, 65% não bebem e 62% não usam drogas

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Igor Carvalho, no Brasil de Fato

O Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro realizou um estudo para traçar um perfil das pessoas em situação de rua, na região metropolitana da capital. A pesquisa derrubou mitos e trouxe à tona outra realidade sobre o perfil dessa população. Somente 13% dos moradores de rua são analfabetos, 65% não bebem e 62% não usam drogas.

“A intenção do projeto era realizar um mapeamento dessa população. É muito difícil realizar esse censo, nem o Censo do IBGE os afirma, pois parte da premissa do endereço,ou seja, são pessoas invisíveis”, afirmou a coordenadora do estudo, Juliana Moreira.

Para o vereador Renato Cinco (PSOL), a desmistificação dos hábitos da população de rua é “extremamente importante”. “Esse estudo fortalece uma crítica que fazemos ao governo e para a imprensa, que sempre transformou a população de rua como ‘cracudos’. Espero que possamos tratar dessa população sem os estigmas e os mitos que recaem sobre eles.”

“Há relatos durante as entrevistas de violação de Direitos Humanos por parte dos agentes da prefeitura. Os relatos apontam que esses agentes rasgam os documentos”, disse Cinco sobre o projeto “População de Rua”, da prefeitura do Rio, que começou em dezembro. “Tenho escutado muitas denúncias de violência contra moradores de rua nessas abordagens do projeto. É um processo de higienização no Rio de Janeiro.”

O Ministério Público do Rio entrou com uma ação civil pública, onde pede a perda de função pública e suspensão por cinco anos dos direitos políticos do prefeito Eduardo Paes e do secretário de governo, Rodrigo Bethlem, por conta da ação adotada contra moradores de rua. Segundo a promotoria, os agentes utilizam armas de fogo para levarem compulsoriamente as pessoas a um abrigo.

A ausência dos documentos evita que pessoas em situação de rua não tenham acesso a políticas sociais. A Defensoria escutou 1.247 pessoas em situação de rua, destes, 1.049 não possui acesso a benefícios assistenciais.

Com os resultados, a Defensoria irá estabelecer parcerias com o Tribunal de Justiça e o Ministério do Trabalho, para emitir novos documentos e emitir a Carteira de Trabalho da população de rua.

Animais de estimação têm papel comprovado cientificamente no bem-estar dos donos

Cães e gatos ajudam a recuperar pacientes com diversos problemas de saúde e agora já podem até entrar em hospitais

João Pedro, de 9 anos, com dificuldade de se relacionar, ganhou um gatinho há cerca de três meses e agora é ele que tenta conquistar o bichano (Foto:  Marcos Alves)

João Pedro, de 9 anos, com dificuldade de se relacionar, ganhou um gatinho há cerca de três meses e agora é ele que tenta conquistar o bichano (Foto: Marcos Alves)

Flávia Milhorance, em O Globo

João Pedro, de 9 anos, tinha dificuldade de se relacionar e de expressar os sentimentos, segundo a mãe dele, a procuradora do Estado de São Paulo Maria Inez Biasotto. Costumava ter pouca paciência com o irmão menor, amigos, pais e professores. Demonstrava irritação, hiperatividade e ansiedade que eram difíceis de controlar pela família. A chegada do gatinho Fred, há três meses, mudou bastante esta rotina.

— O João está tendo mais facilidade de demonstrar afeto. O animal abriu este canal de carinho, e ele se sentiu mais querido e amado. Agora ele procura conquistar o gato, ser carinhoso com ele, dar e receber afeto. A família toda acabou se envolvendo bastante, e o gato se afeiçoou demais a ele. Foi uma relação de duas mãos, eles se adoram — conta Maria Inez.

Não são poucos os estudos científicos que relacionam o animal de estimação com a melhora de crianças e adultos, seja de distúrbios do comportamento ou de doenças graves. E recentemente, um dos principais hospitais de São Paulo, o Albert Einstein, liberou a entrada de animais em suas dependências. Antes disso, claro, os donos devem apresentar carteira de vacinação, comprovação de banho, laudo veterinário e autorização do médico.

— Este pedido sempre existiu no Einstein por parte dos pacientes e seus familiares. Transformamos a solicitação numa rotina com procedimentos claramente definidos. É uma ação que ajuda na recuperação e faz que o paciente se sinta bem e acolhido — explicou a gerente de atendimento ao cliente do hospital, Rita Grotto.

A ideia de presentear João Pedro com um gato foi do veterinário Walter Biasotto, tio do menino e membro da Confederação Brasileira de Cinofilia, entidade que se manifestou a favor da medida do Einstein.

— Se o paciente não tiver um problema de imunodeficiência, é maravilhosa a permissão de visita do animal de estimação no hospital. Dar e receber carinho estimula a liberação de vários hormônios, como a endorfina, que aumenta a sensação de prazer e diminui a dor física, que podem ser benéficos para o paciente — comenta Biasotto, que ainda explica por que sugeriu um gato ao sobrinho. — Coloquei o animal na vida dele para que ele conseguisse se relacionar com algo vivo, que não fosse videogame. Além de fazer companhia enquanto os pais trabalham, o gato desperta nele necessidade de afeto.

Biasotto conta que saber escolher o animal é importante e diz que achou que um gato seria a melhor opção no momento:

— O princípio psicológico do João era mais compatível com um gato, por ser mais fechado, na dele. Ano que vem talvez eu dê um cachorro, seria um novo passo, porque este pede muito mais afeto, mais atenção, mais tempo.

Benefícios para pressão, alergia e até vida amorosa

Pesquisas mostram que animais de estimação trazem, de fato, benefícios para a saúde. Eles ajudam a baixar a pressão sanguínea e a ansiedade, assim como aumentam nossa imunidade e, inclusive, ajudam na vida amorosa. Um estudo publicado no “Journal of Allergy and Clinical Immunology” analisou amostras de sangue de bebês depois do nascimento e um ano depois. Quando havia um animal em casa, as crianças tinham 33% menos alergias, o que não significa que alérgicos não devam tomar cuidados especiais com pelo de animais. Outro, publicado em 2011 no “Journal of Pediatrics”, analisou 636 crianças de até 4 anos e mostrou que a taxa de eczemas era menor entre donos de animais.

Em situações de estresse, pessoas com pressão alta que adotaram um cachorro ou gato tiveram os níveis reduzidos, segundo estudo da Universidade do Texas. Publicada no “British Medical Journal”, uma pesquisa mostrou que um terço dos cachorros de diabéticos tinham mudanças de comportamento quando seus donos reduziam suas taxas de açúcar no sangue.

E nada de ficar sobrando, animais até melhoram a vida de casais. Um estudo da Universidade de Buffalo com 240 casais descobriu que aqueles com cão ou gato têm “um relacionamento mais próximo, estão mais satisfeitos no casamento e respondem melhor ao estresse”. (Colaborou Marcelle Ribeiro)