Arquivo da tag: Passagem

“Pontes vivas” protegem os animais e purificam o ar

Publicado no Catraca Livre

Para amenizar o impacto das grandes rodovias que atravessam florestas, parques e reservas, países como Holanda, Alemanha, Canadá e Austrália construíram as pontes vivas. As passagens verdes permitem a travessia de animais com segurança ao mesmo tempo que contribuem para reduzir a quantidade de CO2 proveniente dos automóveis.

Um dos exemplos mais bem sucedidos de “ecoduto” é o do Parque Nacional Banff, no Canadá. Ao todo são 41 passagens, pelas quais circulam mais de dez variedades de espécies diferentes de grandes mamíferos. O ideal é que o solo da passarela tenha as mesmas características do solo da floresta em questão e seja coberto por diversas espécies de plantas da flora nativa.

ponte_verde_autobahn ponte_verde_3 ponte_verde_2

Jair Bolsonaro agride Randolfe Rodrigues em visita da Comissão da Verdade ao DOI-Codi

Troca de agressões entre parlamentares começou quando Bolsonaro tentava forçar a entrada ao batalhão na Tijuca que funcionou como centro de tortura

01rjvisitadoicodirandolfebolsonaromarcuspintoter

Publicado na Carta Capital

A visita da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro ao 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, na zona norte da cidade, começou com tumulto. O motivo foi a chegada do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), que não faz parte da comissão e não estava na lista dos integrantes da visita ao local onde funcionou o Destacamento de Operações de Informações — Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), principal centro de tortura durante a ditadura.

A confusão começou quando Bolsonaro forçou a passagem, no portão do quartel, e chegou a dar um soco na barriga do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que tentava impedir a entrada do deputado federal. Representantes de movimentos como o Tortura Nunca Mais e o Levante Popular da Juventude exigiam, aos gritos, a saída de Bolsonaro, que conseguiu entrar.

A comitiva, no entanto, recusou-se a fazer a visita na presença de Bolsonaro. Além de Randolfe Rodrigues, acompanharam a visita da comissão o senador João Capiberibe (PSB-AP), que foi torturado nas dependências do batalhão durante a ditadura, e as deputadas federais Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Luiza Erundina (PSB-SP).

A visita faz parte da campanha para que o local seja tombado e transformado em um centro de memória. No fim de agosto, a visita da Comissão Estadual da Verdade ao local foi barrada pelo Exército.

Agora humilde, Sérgio Cabral vai trabalhar de van

Cabral convidou os vizinhos para um banho de piscina

Cabral convidou os vizinhos para um banho de piscina

Publicado impagavelmente na the i-Piauí Herald

CHATUBA DE MESQUITA – Após declarar que a passagem do Papa Francisco o havia deixado humilde, Sérgio Cabral mudou radicalmente seus hábitos. “Doei meu apartamento no Leblon para o Convento de Santo Antônio e aluguei um quitinete na Vila Mussum, em Mesquita. Vou trabalhar todo dia de van”, falou, enquanto mordia um risole de frango com catupiry e colocava um guardanapo de papel na cabeça.

Antes de sair para fazer uma fezinha no jogo do bicho, o governador anunciou que fará um churrasco na laje para confraternizar com os manifestantes que acamparem na frente de sua nova residência. “Já comprei doze garrafas de guaraná Dolly, farofa pronta e cinco quilos de acém”, exultou. Em seguida, batucou na mesa e cantou “Mas essa festa e só zoeira / E só zoeira e zoeira ah ha ah / Funk, pagode e cerveja / A noite inteira”, enquanto pintava o cabelo com blondor.

No final do dia, passou a se referir a José Mariano Beltrame como “leleke da segurança”.

Toda oração é linda

toda-oração-linda

Genetom Moraes Neto, no Facebook

Toda demonstração coletiva de fé é comovente. A passagem do Papa Francisco pelas ruas do Rio certamente terá cenas bonitas.

Independentemente de qualquer coisa, a opção do Papa pelo despojamento e por uma simplicidade franciscana já criou uma imagem simpática a ele – desde o primeiro dia.

Eu me lembro de duas cenas marcantes. Nunca me esqueci da aparição sorridente do recém-eleito Papa João Paulo I na sacada do Vaticano. Um onda de simpatia se espalhou em questão de horas pelo planeta ( hoje, seria em questão de segundos ). Trinta e três dias depois, ele estava morto.

E aquela imagem de João Paulo II se contorcendo em dores e tentando abençoar a multidão, numa janela da Praça de São Pedro ?

O citadíssimo Nélson Rodrigues escreveu uma vez: “Toda oração é linda. Duas mãos postas são sempre tocantes, ainda que rezem pelo vampiro de Dusseldorf”.

Disse tudo, em dezessete palavras.

Para ser sincero: minha fé é aérea. Quando estou em terra firme, sou devastado por dúvidas. Quando me aproximo do aeroporto, começo a me converter. Durante as turbulências, minha fé explode, fervorosa. Nestes momentos, comparado comigo, o Papa não passa de um reles ateu. De volta à terra firme, no entanto, meus embates teológicos comigo mesmo se reiniciam, ferozes. Um dia, se resolverão.

Sempre achei os ateus extremamente pretensiosos, porque se julgam donos de um conhecimento capaz de negar algo obviamente superior a todos nós : a força inexplicada que move a máquina do mundo. Que maquinação é esta que incendeia protóns, elétrons, átomos, energias ? Ninguém conseguiu até hoje produzir uma explicação indiscutível.

Os crentes também não me convencem, porque, na esperança de um dia serem salvos, passaram a acreditar cegamente em impossibilidades físicas e em dogmas cientificamente desmontáveis ( se não fosse assim, aliás, não seriam dogmas ) .

E o silêncio dos céus ? Numa bela passagem do livro O Nariz do Morto, o grande escritor ( católico ) Antônio Carlos Vilaça pediu às estátuas e aos crucifixos: “Falai !” :

“Ó paredes, dizei-me. “Eu quero a estrela da manhã !”. Dizei-me o endereço dela. Ó sala capitular, ó claustros, ó antifonários com iluminuras, ó sinos brônzeos, estatuazinhas , capitéis, afrescos, casulas, pesadas estalas, pedras, faces, madeiras e ouro, tapetes, cálices, relicários , retábulos e móveis, crucifixos e virgens, falai ! Um sussurro que nos chegue. Que monólogo é este, dia e noite entretido ? Sombras, sombras, sussurrai-me, segredai-me. Todo esse passado, esse peso, essa pátina, pureza, pecado”.

Por fim : por menor que seja, a fé é, sempre, uma vitória pessoal contra o silêncio. Quando demonstrada coletivamente, como acontecerá nos próximos dias no Brasil, jamais deixa de ser tocante.

A casa é sua, Francisco !

Lobão diz que rótulo universitário “chancela coisas que beiram à demência”

O cantor Lobão participa de mesa sobre música em programação paralela da Flip, em Paraty (foto: Mais Mirella Nascimento/UOL)

O cantor Lobão participa de mesa sobre música em programação paralela da Flip, em Paraty (foto: Mais Mirella Nascimento/UOL)

Mirella Nascimento, no UOL

Conhecido por declarações polêmicas, Lobão disparou críticas ao sertanejo universitário, a MPB, ao rap dos Racionais MC’s e aos intelectuais de esquerda. O cantor participou de uma mesa sobre música na Festa Literária Internacional de Paraty (RJ) na noite desta sexta-feira (5).

“O rótulo universitário chancela coisas que beiram à demência”, disse o músico, depois de relatar uma experiência em uma casa noturna dedicada ao sertanejo em São Paulo, passagem que está presente em seu livro “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”.

Mais adiante, foi a vez da MPB: “O ranço maior da MPB é ser totalmente desprovida de virilidade. É uma coisa molenga. Quanto mais molenga, mais MPB”.

Lobão criticou ainda o rap e elogiou o funk, ao dizer que o primeiro também é carregado de ranço e até racismo, sem o humor e a irreverência do segundo.

“O rap ainda foi apropriado pelos intelectuais de esquerda. Como esse último disco dos Racionais, ‘Marighella’, que fala em luta armada. Eles são patrocinados pelo governo, fazem propaganda do governo. Luta armada contra quem? O rap não tem humor. Quando você perde o humor, fica burro”, disparou.

Lei dos Direitos Autorais

Lobão criticou também a aprovação do PLS 129/12, que altera as regras para cobrança de direitos autorais, aprovada na quarta-feira (3) no Senado, classificando-a como “um golpe”. “Essa lei é um engodo, é um golpe. Posar do lado do Renan Calheiros e da Dilma vai ter volta. Aquilo não representa nossa classe. Temos milhares de músicos contra isso. Vão ser criados cargos comissionados, um Ministério da Cultura inflado”, disse.

O PLS  estabelece que o Ecad passe a ser fiscalizado por um órgão específico e preste satisfações precisas sobre a distribuição dos recursos. O projeto também determina a redução do teto da taxa administrativa cobrada pelo escritório e pelas associações de gestão coletiva de 25% para 15%, garantindo que os autores recebam 85% de tudo o que for arrecadado pelo uso das obras artísticas.

De acordo com ele, o senador Humberto Costa montou o projeto de lei sem consultar nenhum músico. “O governo está nos devendo milhões, e eles vão gerenciar o que é nosso. É colocar a raposa para cuidar do galinheiro. Nós temos muito mais gente que é contra essa lei”, disse ele em entrevista ao UOL.

No entanto, o PLS  foi resultado de CPI realizada em 2012 que investigou supostas irregularidades na arrecadação e distribuição de direitos por execução de músicas por parte do Ecad.

O músico falou ainda que vai incluir um capítulo sobre as manifestações e o momento político atual em uma nova edição de seu livro. “Quando eu lancei o livro, me disseram que a popularidade da Dilma estava boa, e eu respondi que era por pouco tempo”.

A mesa

Lobão dividiu a mesa com o jornalista André Barcinski, que está preparando um livro, ainda sem título, sobre a música pop brasileira no período entre 1974 e 1983, contando histórias de artistas como a banda Secos e Molhados e  o cantor Richie.

“A jovem guarda foi o primeiro movimento pop no Brasil. Mas, nessa época, se vendia muito pouco disco no país, é um período pré-milagre econômico. A explosão do pop, em termos de venda de discos, se dá com a explosão dos Secos e Molhados, do Raul [Seixas]“, disse o jornalista.

Barcinski e Lobão lembraram diferentes épocas da música brasileira, da jovem guarda até hoje, e contaram histórias dos bastidores de festivais, das gravadoras e das disputas entre músicos. Finalizaram a mesa lendo trechos de seus livros.