PSDB e PT buscam apoio evangélico em SP

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em culto em homenagem ao pastor Enéas Tognini, em SP (foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress)
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em culto em homenagem ao pastor Enéas Tognini, em SP (foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress)

Gustavo Uribe  e Marina Dias, na Folha de S.Paulo

No salão apertado de um hotel em Guarulhos (SP), o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, discursava entre gritos de “aleluia” e “glória” vindos da plateia. O petista fez questão de ressaltar a presença do pai, que é metodista, e apresentou-se como um homem que crê em Deus, sob o olhar desconfiado de alguns evangélicos.

Quatro dias depois, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), subia ao altar da Igreja Batista do Povo, na capital paulista, durante culto em comemoração aos 100 anos do pastor Enéas Tognini. Orou, fechou os olhos, levantou as mãos, mas errou diversas vezes a letra das canções de louvor.

“Feliz a cidade, feliz o Estado, feliz a nação cujo Deus é o Senhor”, decretou.

A menos de sete meses das eleições, os principais nomes que disputarão a sucessão ao governo estadual iniciaram uma romaria em busca do apoio de líderes evangélicos, que dialogam com quase um quarto dos paulistas.

Em troca, os pastores reivindicam a inclusão de cinco pontos nos programas de governo dos pré-candidatos, entre eles, o ensino religioso na grade regular de escolas públicas e a neutralidade diante de temas como a legalização do aborto e a descriminalização das drogas.

Até o momento, os pré-candidatos, que abriram espaço em suas agendas para visitas a templos e encontros com pastores, têm evitado se comprometer com os pedidos, mas fazem discursos em reverência aos evangélicos.

“Vocês sabem que o presidente Lula começou no país uma era de crescimento, de ascensão, de redução da pobreza. E todos nós sabemos o quanto tem o dedo de Deus no crescimento individual no nosso país”, disse Padilha há duas semanas, durante encontro com pastores.

No evento, pediu que orassem por ele, que trouxessem propostas para a elaboração do seu programa e se mostrou favorável à oferta de apoio espiritual durante tratamento para dependentes químicos.

“Com certeza nossas reivindicações vão entrar no plano de governo. São pedidos pertinentes e ele [Padilha] me disse isso pessoalmente”, afirmou Luciano Luna, coordenador do setorial de assuntos religiosos do PT.

Além de ter visitado o templo batista na semana passada, Alckmin se encontrou no início do mês com lideranças evangélicas, na sede do governo paulista. Uma agenda com pastoras também deve ser estruturada para a primeira-dama, Lu Alckmin.

“O governador já foi a todas as igrejas evangélicas que você pode imaginar. Ele vai ao interior e é convidado a participar de cultos, assim como a missas”, disse o presbítero Geraldo Malta, do PSDB.

O pré-candidato do PMDB, Paulo Skaf, é outro que mantém encontros com lideranças e participa de cultos. A meta dos peemedebistas é obter o apoio de um milhão de evangélicos em São Paulo.

“Pretendemos consolidar o apoio de mil lideranças [evangélicas]. Cada uma buscará mais cem pessoas, que buscarão mais dez, o que dá um milhão de eleitores”, disse o coordenador do núcleo evangélico do PMDB, pastor Renato Galdino.

dica do Ed Brito

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Igreja evangélica frequentada por roqueiros luta contra preconceito

Antes, durante e depois dos cultos, bandas de heavy metal evangélico tocam no palco/altar do templo
Antes, durante e depois dos cultos, bandas de heavy metal evangélico tocam no palco/altar do templo

Ricardo Senra, na Folha de S.Paulo

Para os evangélicos, eles cultuam Satanás. Pelos metaleiros, são criticados por seu jeitão bem comportado. Assim, entre a cruz e a espada, resiste desde 2006, no Alto do Ipiranga, região sul, a primeira igreja gospel frequentada por roqueiros de São Paulo.

“Sofremos com o preconceito dos dois lados”, diz o pastor Antonio Carlos Batista, 46, fundador da Crash Church (ou “igreja de impacto”, na tradução dos fundadores).

“Acolhemos quem não quer nem vestir terno nem cortar os cabelos para louvar o Senhor, nem ser violento ou negar Jesus Cristo só por causa do som que gosta de ouvir.”

Antes, durante e depois dos cultos, bandas de heavy metal evangélico tocam no palco/altar do templo
Antes, durante e depois dos cultos, bandas de heavy metal evangélico tocam no palco/altar do templo

No domingo em que a sãopaulo visitou o templo, 50 jovens cabeludos, tatuados, vestindo anéis, piercings, roupas rasgadas e longos coturnos se reuniam às gargalhadas na calçada.

Quem passa pela igreja —uma sala comercial toda pintada de preto— não entende de cara o que ocorre por ali.

Os metaleiros não bebem ou fumam, só conversam. “Nossa droga é Jesus”, diz uma fiel de cabelos verdes.

Pastor Batista reza acompanhado pelos fiéis da igreja
Pastor Batista reza acompanhado pelos fiéis da igreja

Às 17h, um solo estridente de guitarra dá o sinal: começou o culto. Do lado de dentro, paredes escuras grafitadas com desenhos gigantes de coroas de espinhos levam ao salão principal, onde está o palco/altar.

“Deus não te deixa só”, “Ele está dentro de nós”, “a vida é um ato de amor”, canta, aos berros, um coro de duas mulheres e um homem, de cabelões e roupas pretas. Quando a música termina, a plateia aplaude e grita “aleluia” e “glória a Deus”.

No intervalo entre as canções, a vocalista se lembra, emocionada, de um salmo sobre o sangue de Jesus –o guitarrista acompanha dedilhando o instrumento com força proporcional à intensidade dos versículos.

Pastor e presbíteros lideram 'roda de cura' durante culto
Pastor e presbíteros lideram ‘roda de cura’ durante culto

Se a etapa inicial do culto lembra um show de rock qualquer, é quando as luzes do palco se apagam que a louvação começa de verdade.

De mãos estendidas para o céu, o pastor aparece num púlpito de pedra e convida os presentes a se abraçarem (o solo de guitarra no fundo cresce quando ele diz “aleluia”).

Começa uma roda de cura espiritual “contra a ansiedade”. Depois, o líder religioso anuncia a programação da igreja para as próximas semanas e cumprimenta, um a um, quem visita o culto pela primeira vez.

“Uma salva de palmas para o repórter e o fotógrafo que nos acompanham”, diz, enquanto a reportagem se encolhia no fundo do salão.

Um jovem magro, de cabelo dourado, cheio de gel fixador, é convidado a dar um testemunho.

“Consegui um trampo num restaurante”, diz, ao lado do pastor Batista. “Sou responsável pela parte de bebidas e estou muito feliz.” Aplaudido, ele prossegue: “Mesmo antes, eu sempre fiz questão de pagar o dízimo.”

É essa a senha para a coleta do dinheiro. Em fila, os fiéis caminham em direção a uma urna com pequenos envelopes recheados. Não fossem pretos, eles também seriam como os usados em outros templos religiosos.

Todas as paredes da igreja são pretas, com desenhos gigantes que lembram coroas de espinhos
Todas as paredes da igreja são pretas, com desenhos gigantes que lembram coroas de espinhos

VOZ DE TROVÃO

No ritmo dos gritos de “amém” do pastor (com voz gutural, tipo show do Sepultura), o culto segue por mais duas horas.

“O povo de Israel sempre foi guerreiro. Nós estamos em constante luta contra Satanás”, diz o pastor, que também é vocalista da banda AntiDemon, com a qual já viajou por outras igrejas alternativas em 31 países.

Com uma bíblia cheia de adesivos de bandas, ele fala à reportagem sobre a conexão que percebe entre o heavy metal e a mensagem divina.

“Está escrito numa passagem que a voz de Deus é como um trovão. Outra indica que o barulho no céu é ensurdecedor. No rock é igual.”

Pastor Batista diz que fundou a Crash Church para abrigar roqueiros rejeitados em outras igrejas
Pastor Batista diz que fundou a Crash Church para abrigar roqueiros rejeitados em outras igrejas

Ele diz que sua principal luta é contra os estereótipos. “Já fui barrado em hospital quando fui visitar um fiel que estava doente. Não usava uma gravata, então não acharam que eu era pastor. Puro preconceito.”

Julgamentos à parte, o pregador diz que sua igreja é “bem careta”. “Ninguém aqui transa antes do casamento. E nós não acreditamos em um terceiro sexo. Gays são bem-vindos porque precisam de amor e ajuda.”

O pastor também é vocalista da banda de rock gospel AntiDemon, que já viajou por 31 países
O pastor também é vocalista da banda de rock gospel AntiDemon, que já viajou por 31 países

fotos: Gabriel Cabral/Folhapress

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Nanda Costa fala de novo papel: ex-prostituta que vira evangélica

“Não tenho problema em me despir”, diz Nanda Costa sobre nudez em série

Nanda Costa marca presença na coletiva de imprensa da série "O Caçador" (foto: Alex Palarea e Felipe Assumpção / AgNews)
Nanda Costa marca presença na coletiva de imprensa da série “O Caçador” (foto: Alex Palarea e Felipe Assumpção / AgNews)

Marcela Ribeiro, no UOL

Nanda Costa está de volta à tela da Globo na pele da ex-prostituta Marinalva, que vira evangélica e casa com um pastor na série “O Caçador”, que estreia dia 11 de abril às 23h30.

Apesar de exibir um visual simples, com roupas fechadas, cabelos presos e pouca maquiagem, ao longo da trama, Nanda aparecerá com pouquíssima roupa e em cenas ousadas em flashbacks da personagem da época que ainda era garota de programa.

“Sou uma atriz que se joga no trabalho, adoro desafios. A Marinalva está totalmente sem sex appeal, entrou para a igreja e está ali, toda coberta, mas já teve um passado de garota de programa. Em cena procuro sempre dar o meu melhor, me surpreender comigo mesma. Gosto de desafios”, contou ela durante apresentação da série à imprensa na última quarta-feira, 19, no Rio de Janeiro.

Para viver Marinalva, que só aparece a partir do sexto capítulo, a atriz frequentou cultos de igrejas evangélicas e pegou dicas com uma prima evangélica.

Sobre as cenas de nudez, ela garante que não vê problema em fazê-las. “Visto a roupa da personagem, não tenho problema em me despir, para mim, a arte não tem limites”, destaca ela, que ainda completa:

“A gente tem que saber onde está a sensualidade, a fragilidade, a beleza, a feiura. A minha vaidade maior é estar contando a história da forma mais verdadeira possível. Se ele estará sexy ou não, isso não tem problema”.

Em “O Caçador”, Marinalva tem um papel importante para ajudar André (Cauã Reymond) a provar que ele foi preso injustamente por um crime que não cometeu. Ela é filha de um policial envolvido no esquema que o botou na cadeia, que morreu, por isso, é a única pessoa que pode ajudá-lo a confirmar sua inocência.

No elenco, além de Nanda e Cauã, estão Alejandro Claveaux, que será Alexandre, policial irmão de André que vive um triângulo amoroso com Katia, papel de Cleo Pires. Jackson Antunes e Ailton Graça também estão na série, de Fernando Bonassi e Marçal Aquino com direção de José Alvarenga.

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Excomungado, fundador de igreja polêmica nos EUA morre aos 84

Reverendo Fred Phelps durante pregação na sede da igreja Westboro, no Kansas (Charlie Riedel - 19.mar.2006/Associated Press)
Reverendo Fred Phelps durante pregação na sede da igreja Westboro, no Kansas (Charlie Riedel – 19.mar.2006/Associated Press)

Publicado na Folha de S.Paulo

O pastor e fundador da Igreja Batista Westboro, Fred Phelps, morreu nesta quarta-feira aos 84 anos, no Kansas, anunciou a instituição nesta quinta. Ele e sua igreja ficaram famosos por fazer piquetes em funerais de militares e eventos políticos, entre outros, com placas como “Deus odeia gays”.

Em um dos últimos comunicados da igreja de Westboro sobre o estado de saúde de Phelps, a instituição também anunciou que seu fundador havia sido excomunhado em meados de 2013.

Phelps começou sua pregação com a Westboro em Topeka, Kansas, em 1955. Nos últimos anos, Phelps e seu culto ficaram famosos por condenar os avanços das leis civis de igualdade de direitos para homossexuais e considerar que a morte de soldados americanos no Iraque e no Afeganistão era um castigo de Deus ao país por tais ações.

Além de “God Hates Fags” (deus odeia gays), os cartazes dos adeptos da igreja frequentemente diziam “Obrigado Deus pelos soldados mortos” e eram mostrados em enterros de mortos em combate.

As ações do grupo motivaram o então presidente George W. Bush a assinar, em 2006, uma lei proibindo protestos em torno de funerais de militares mortos em combate.

Segundo o site da Westboro, mais de 53 mil piquetes foram realizados em uma série heterogênea de eventos, incluindo entradas de shows da cantora pop Lady Gaga.

Phelps deixa mulher, Margie, e 13 filhos, muitos dos quais renegaram as pregações do pai. Um deles, Nathan Phelps, é um proeminente defensor de direitos da comunidade LGBT.

dica do Fabio Martelozzo Mendes

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