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Com pai internado, Lívian Aragão vai a culto evangélico

Lívian ao lado do namorado em culto (foto: Xande Nolasco)

Lívian ao lado do namorado em culto (foto: Xande Nolasco)

Publicado no Extra

Filha caçula de Renato Aragão, Lívian Aragão, 15 anos, tirou a noite de domingo para ir a um culto evangélico na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

A adolescente está frequentando o Soul Church, igreja protestante que tem a ex-mulher de Romário, Danielle Favato, como pastora.

Lívian foi orar ao lado do namorado, Nicolas Prattes. Bem disposta, ele pediu pela saúde do pai. A mãe de seu namorado, Giselle Prattes, também estava na igreja _ ela é cantora gospel. Marcus Menna, ex-líder do LS Jack que foi recentemente batizado na mesma religião, também foi ao culto.

Renato Aragão voltou a ser internado no hospital Barra D’Or na tarde de sábado, 22, com febre alta. A equipe médica constatou que ele está com infecção urinária e ficaria em observação até segunda, 24, sendo medicado com antibióticos.

No sábado anterior, ele sofreu um infarto e ficou internado até quarta, 19, quando voltou para casa.

Lívian Aragão e o namorado (foto: Picasa / Xande Nolasco)

Lívian Aragão e o namorado (foto: Picasa / Xande Nolasco)

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A banda da sogra de Lívian (foto: Picasa / Xande Nolasco)

A banda da sogra de Lívian (foto: Picasa / Xande Nolasco)

Marcus Mena, ex-LS Jack, que foi recentemente batizado na religião (foto: Picasa / Xande Nolasco)

Marcus Mena, ex-LS Jack, que foi recentemente batizado na religião (foto: Picasa / Xande Nolasco)

Vadia e cristã: Tamar, a Marcha e o uso político do corpo

vadias2Aletuza Gomes Leite, no Novos Diálogos

Outros discursos e querelas têm surgido no âmbito religioso devido a Marcha das Vadias. “É lógico que a roupa da mulher, ou a falta dela, não justifica o estupro, mas isso não significa que concordamos que uma mulher possa vestir-se de maneira indiscreta, expondo o seu corpo indevidamente”, escreveu a pastora batista Zenilda Reggiani Cintra em um texto publicado em O Jornal Batista (OJB) de 08 de julho de 2012, no qual ela pretende pôr em discussão a Marcha das Vadias.

A princípio, como mulher, felicitei-me e fui atraída pelo texto de uma mulher, pastora e discutindo a Marcha no OJB, considerando que este espaço fora constantemente restrito aos homens batistas e, portanto aos seus interesses, valores e experiências. No percorrer do texto, no entanto, defrontei-me com meu próprio incômodo tão recorrente ao ler ou ouvir comentários de lideranças religiosas acerca de diversos movimentos construídos pelas mulheres.

Uma frustração se insurge em mim diante da negação de uma discussão política do corpo da mulher e sua presença nos enfrentamentos sociais e históricos, bem como a falta de análise em torno dos significados do corpo, das suas construções, domesticações e da vigilância a ele imposta. Pondero estes elementos como necessários ao tratarmos da temática da corporeidade para um exercício do desafiar-se a uma aproximação das dores e experimentos de mulheres diversas, frente a uma proposta mais emancipadora e libertadora destas.

Há muito já se movimentam as discussões em torno do corpo como espaço de construções através da “educação”, vigilância e formatações que moldam corpos de homens e mulheres aos valores vigentes de uma “moral e bons costumes” e que decidem e orientam a descrição e a indiscrição, a dignidade e a indignidade, o devido e o indevido, o moral e o imoral, a decente e a vadia.

As decisões do que é moral, longe do inocente ou neutro, constroem-se sócio-historicamente permeadas nas relações assimétricas que movimentam os jogos e poderes dentro de uma sociedade. Neste sentido o construir dos corpos é também uma construção de símbolos, na medida em que esta tenta embebê-los de sentidos, tornando-os representação de uma cultura, no nosso caso, sexista, racista, classicista, homofóbica e que decide a partir deste universo de sentidos o que é tornar-se mulher ou homem.

Esta tentativa enfrenta a recepção do indivíduo, o que impede uma produção em série de corpos comuns a mulheres e homens. Isto ocorre a partir do encontro com uma subjetividade humana que se inscreve também como produção de significação e não como mera reprodução desta.

Os corpos, portanto, transitam dentro de uma permissão espacial construída nos limites do que é decidido como moral, a esta se submetendo disciplinadamente. A moral é o “bom” e, portanto capaz de prescrever o que é devido aos corpos de homens e de mulheres. Os que se preservam nos limites da decência são representações do bom. Os que se instalam e/ou são instalados em processos diferenciados de recepção e extrapolam tais limites recebem a sanção de indignos, pervertidos, vadios e imorais.

Corpos que significam o mau. Sendo assim, eles ainda são representações dos jogos e forças políticas que, por meio de manipulação destes, desejam, constroem e mantém as relações de uns sobre outros. Faz-se urgente um discurso que celebre a autonomia dos corpos e a transgressão da “moral e dos bons costumes” que classicamente objetifica o humano, legitimando sobre minorias domínio e opressão em formas de violências diversas.

Discutir a maneira indiscreta ou indevida de expor o corpo de uma mulher, ao tempo tempo que reforça a “moral e bons costumes”, reafirma as relações de poder na qual ela é inscrita, violenta a autonomia da mulher sobre seu corpo e autoriza violências sobre o mesmo, ainda que tal discurso, superficialmente, diga a isso se opor. Deste modo oponho-me a fazer coro com quaisquer discursos que digam promover libertação se estes se assentam sobre pilares que agenciam opressões e violências.

Desejo aqui evocar um novo símbolo de mulher cristã que ecoa das páginas da Bíblia para que rapidamente não rotulem meu discurso da ausência de princípios religiosos, mas que nem por isso deixa de ser um símbolo transgressor, indevido, que se exponha de maneira imprópria e indiscreta. Quero convidar uma de maus costumes e imoral. Vadia! Poderia ser outra com este perfil, encontro-as nas páginas bíblicas, mas é Tamar que conclamo (Gn 38), aquela que na luta pelos seus direitos se fez corpo autônomo e indecente. Vestiu-se, portou-se e atuou como vadia. O que estava em jogo para Tamar eram as condições de mínima liberdade e direito. Na vadiagem ondulante e labiríntica ela encontra a possibilidade da construção de seus caminhos de mulher, enfrentando a moral, o controle e a vigilância.

A transgressão e o inapropriado são as veredas rumo à libertação dos jogos de poder encenados por Judá e designados próprios e devidos na sociedade patriarcal. Tamar é um convite a marcharmos como Vadias na luta pela nossa dignidade e autonomia de corpos e sexualidade, tantas vezes objetificados e transformados em mercadorias; domesticados, explorados e consumidos nas sinuosidades das relações de mercado, relações androcêntricas, embranquecedoras e heteronormativas, mas relações obedientes, morais, descentes, próprias, discretas e cristãs.

Em contraposição a estas, conduzamo-nos, extrapolando os limites da moral no enfrentamento político, bem como Tamar, por uma digna condição de ser mulher no exercício da autonomia sobre sua vida, seu corpo e no combate a todo o tipo de violência. Das páginas da Bíblia inauguremos a vadia Tamar como símbolo de mulher cristã para afirmar inclusive que uma mulher cristã deve sim participar da Marcha, sem constrangimentos, também pelo nome e pela maneira política como usamos o nosso corpo em contraposição à instrumentalização deste na sociedade e suas diversas relações de domínio.

Pela memória de Tamar. Na inauguração de um novo símbolo de testemunho de mulher cristã vadia: Vadias pela justiça, pela equidade, pela igualdade, vadias pela liberdade, pela vida. Na Marcha das Vadias pelos valores cristãos.

Veja BH: Líder do grupo Diante do Trono, Ana Paula Valadão tornou-se a cantora mais famosa da música evangélica

A artista belo-horizontina costuma atrair multidões para os seus shows e lançar moda entre as religiosas

Ana Paula: “Nunca imaginei aparecer na TV em rede nacional. Só queria divulgar a mensagem do amor de Deus”

Ana Paula: “Nunca imaginei aparecer na TV em rede nacional. Só queria divulgar a mensagem do amor de Deus”

Sabrina Abreu, na Veja BH

Voz, nome e rosto mais conhecidos da música gospel no país, ela atrai multidões para seus shows, lança moda entre as evangélicas e, vez ou outra, desperta a fúria das feministas. Com mais de 10 milhões de discos vendidos, a cantora e pastora Ana Paula Machado Valadão Bessa, de 37 anos, ainda se surpreende com o sucesso alcançado à frente do grupo Diante do Trono, que acaba de completar quinze anos. “Nunca imaginei aparecer na TV em rede nacional. Só queria divulgar a mensagem do amor de Deus”, diz a belo-horizontina, que já se apresentou em todos os estados brasileiros e também no exterior, em países como Estados Unidos, Israel, Suíça e Japão. Nascida em uma família de cinco gerações de protestantes, entre presbiterianos e batistas, ela buscou na religião o consolo para o término de um noivado, aos 19 anos. Estava no chuveiro quando cantarolou pela primeira vez a melodia da canção Diante do Trono. Um ano depois, em 1998, a banda liderada por ela, também batizada de Diante do Trono, lançou de forma independente seu primeiro álbum. “Para garantirmos a gravação, vendemos na igreja vales-CD, no valor de 5 reais cada um”, lembra o pai da cantora, o pastor Márcio Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha.

Do Q.G. do grupo, no bairro São Luís, onde funciona o moderno estúdio projetado pelo arquiteto Renato Cipriano — que tem entre seus clientes a cantora Ivete Sangalo e a banda Jota Quest -, Ana Paula cuida atualmente da produção de mais três discos: Renovo, que foi gravado ao vivo no Expominas, em março, e será lançado no próximo mês; Tu Reinas, com faixas inéditas que serão gravadas no próximo dia 9, em Juazeiro do Norte, no Ceará; e um álbum em inglês, de título ainda não definido, que será veiculado na internet. “Minha equipe é muito capaz, mas tudo passa pela minha mão”, diz ela, confirmando sua fama de centralizadora. Nas palavras dos assessores, a cantora é uma máquina de trabalhar. Além de realizar shows e gravar com o Diante do Trono, Ana Paula se dedica como pastora a um culto mensal só para mulheres, escreve livros (já tem dois publicados) e atualiza pessoalmente suas redes sociais, que atraem milhares de fãs. Só no Twitter reúne mais de 590 000 seguidores. “Tudo o que ela faz, centenas de mulheres copiam”, afirma o cabeleireiro Silvio Nogueira, que cuida de seu visual há dez anos. Foi assim quando, em 2009, Ana Paula resolveu cortar os cabelos curtinhos. Vaidosa, usa nas apresentações figurinos assinados por grifes de luxo como Barbara Bela e Mares. Gosta de um estilo romântico, com organza, seda e renda. Os modelos, porém, não podem mostrar muito o corpo. “Para a mulher bíblica, a sensualidade é vivida toda dentro do casamento. Ela não usa roupas sexy”, explica. Muitas peças precisam ser adaptadas para que Ana Paula possa vesti-las. “Ponho anágua quando a saia é meio transparente e tapa-colo, um clipezinho abotoado no sutiã, para esconder o decote”, conta.

Os conselhos da cantora sobre feminilidade atraem milhares de fiéis à Igreja da Lagoinha. Toda última quarta-feira do mês, o templo, com capacidade para 6 000 pessoas, fica lotado. No culto Mulheres Diante do Trono, a presença de homens é proibida. Do púlpito, com sua Bíblia em mãos, a pastora mescla passagens da própria vida a trechos do Velho e do Novo Testamentos. “Como mulher, você pode trabalhar fora, realizar os seus sonhos, ter diálogos com seu marido, sugerir, decidir com ele, mas tem de respeitar toda figura masculina”, prega. Casada desde 2000 com o pastor Gustavo Bessa, de 39 anos, ela diz que, em casa, deixa de lado a postura controladora que não consegue evitar no trabalho. “Lá, eu tiro o chapéu da liderança.” As pregações dão arrepios em muitas feministas. No fim do ano passado, quando vídeos do culto se espalharam pela internet, o resultado foi uma avalanche de críticas indignadas e zombarias. Ana Paula não se intimidou. “Achei bom. A mensagem foi replicada e chegou a mais pessoas.”

O dever de submissão ao marido não é sua única opinião polêmica. Ela é contra o casamento gay e não esconde seu ponto de vista. “Se há um cristão falando por aí que é a favor da homossexualidade, ele não é um cristão de verdade”, afirma. Mas garante que os homossexuais são bem-vindos em sua igreja. “Tenho um grande amigo ex-gay.” Também não se constrange ao abrir o coração e falar das próprias dores a seus fãs. “Na gravação do CD Esperança, em 2004, ela contou no palco que não conseguia engravidar”, lembra o pai. Mais de 1 milhão de pessoas ouviram a cantora  — hoje mãe de Isaque, de 7 anos, e Benjamin, de 4 – falar sobre seus problemas de fertilidade.

A líder da banda Diante do Trono em apresentação em Manaus: ela já fez shows em todos os estados

A líder da banda Diante do Trono em apresentação em Manaus: ela já fez shows em todos os estados

Ela credita seu sucesso às letras inspiradas em versículos bíblicos e nas suas experiências de fé. “As pessoas se identificam com os versos que falam de cura interior”, diz ela, que começou a compor quando ainda era criança. “Da passagem do cometa Halley até a aids, tudo o que via na TV ou na escola virava tema”, conta, às risadas. Os comentários de um adulto, no entanto, a desanimaram. “Ele disse que eu não tinha jeito para a coisa e acreditei. Fiquei sem escrever dos 13 aos 18 anos.” Nesse período, resolveu apostar na carreira de intérprete. Cantava no King’s Kids, grupo evangélico de dança e música para adolescentes, e no El-Shamah, coral adulto da igreja, que se apresentava aos domingos. “Eu era nova para o grupo. Só me deixaram entrar porque eu realmente tinha talento”, explica, revelando certo incômodo com insinuações sobre ter tido privilégios por ser filha do líder da igreja. Em 1996, depois de abandonar a faculdade de direito da UFMG e mudar-se para Dallas, nos Estados Unidos, onde foi estudar música, finalmente se sentiu livre. “Lá ninguém se importava com meu sobrenome.” Disputando uma vaga com outros 100 alunos, foi selecionada para a banda da escola. Disciplinada, impressionava os professores pela dedicação à rotina pesada dos ensaios.

Graças à boa vendagem de seus discos e shows (ela já tem apresentações marcadas para os próximos doze meses), hoje fatura alto com sua música, mas não revela quanto ganha. Só informa que doa parte considerável de sua renda a projetos filantrópicos. Pastora da maior igreja batista do Brasil – a Lagoinha tem mais de 54 000 fiéis -, Ana Paula se preocupa em ser um bom exemplo, uma pessoa de comportamento recatado, irrepreensível. Quando está em turnê com a banda e chega a um hotel, espera uma assessora vistoriar seu apartamento antes de entrar. “É para prevenir armações, como um homem lá dentro para causar escândalo, a exemplo do que já aconteceu com pastores e políticos nos Estados Unidos”, justifica. As bebidas alcoólicas são retiradas do frigobar dos quartos de todos os integrantes do grupo. Embora procure ser generosa com os fãs – chega a ficar até duas horas depois dos cultos dando autógrafos e posando para fotos -, poucas pessoas podem se considerar realmente íntimas da pop star gospel. “Não tenho muitos amigos próximos”, reconhece. Se sobra um tempo livre, ela quer mesmo é ficar com a família em sua espaçosa casa no bairro São Luís. É difícil ver Ana Paula em lugares públicos da cidade. Quando isso acontece, geralmente ela está almoçando ou jantando em algum de seus restaurantes preferidos: o português Res­taurante do Porto, o japonês Udon e o italiano Dona Derna.

Tem pouquíssimos interesses fora da igreja. A fotografia é o único hobby da cantora, dona de uma Leica, sofisticada câmera alemã. “No dia a dia, uso o iPhone mesmo, para não perder o momento.” Como toda mãe coruja, está sempre fotografando seus dois filhos. Ser mãe, diz Ana Paula, é uma bênção ainda maior do que conquistar o país com sua música. E não há dúvida de que ela o conquistou. Contratada da gravadora Som Livre desde 2009, a filha do pastor Márcio é hoje o nome mais conhecido da família. E vai longe o tempo em que precisava vender vales-CD para realizar seus projetos.

Um marco histórico
O CD do Diante do Trono está entre os vinte mais vendidos no país

Com seus hinos de fé e louvor a Deus, Ana Paula Valadão conseguiu um marco inédito na música gospel: figurar na lista dos vinte discos mais vendidos no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), Preciso de Ti, o quarto álbum da banda Diante do Trono, gravado no Mineirão e lançado em 2001, vendeu mais de 2 milhões de cópias, o que lhe garantiu a vigésima posição no ranking. Apesar dos números grandiosos, a cantora não gosta de ser rotulada como estrela gospel. Prefere se definir como “líder do ministério de louvor”. Diz ela: “Presto um serviço, que é a música feita para adorar a Deus”.

2 000 000 de cópias do álbum lançado em 2001 foram comercializadas no Brasil

Jornalista Magali Cunha analisa discurso de Damares Alves: “Apresenta elementos críticos genéricos e imprecisos, inverdades e manipulação explícita de dados”

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título original: Assessora da Frente Parlamentar Evangélica ataca governo federal em palestra e fornece argumentos para reações das igrejas a políticas públicas

Magali do Nascimento Cunha, no Mídia, Religião e Política

Um vídeo postado no Youtube e amplamente disseminado nas redes sociais e em sites e blogs evangélicos mostra uma palestra de Damares Alves, realizada na Primeira Igreja Batista de Campo Grande (MS), na noite de 13 de abril, com o tema “O Cristão diante de Novos Desafios”. Damares Alves é apresentada como pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular, com intensa atuação política: é assessora do Senador Magno Malta, assessora jurídica da Frente Parlamentar Evangélica e da Frente Parlamentar da Família e Apoio a Vida e diretora de assuntos Parlamentares recém-criada Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE). Ela também atua como secretária nacional do Movimento Brasil Sem Aborto.

Damares Alves constrói o seu discurso com base em extratos de materiais veiculados em período recente – cartilhas, produzidas fundamentalmente pelos Ministérios da Saúde e da Educação; livros produzidos para crianças e adolescentes; e outros produtos impressos – para criticar o que classifica como a disseminação de uma apologia ao sexo e às drogas entre crianças e adolescentes, em especial nas escolas, coordenada pelo governo federal. É enfatizada uma crítica ao governo brasileiro nos últimos dez anos como responsável por tal situação que ameaça a família brasileira. A pastora cobra uma ação mais enérgica das igrejas evangélicas contra estas autoridades que estão lá, segundo o seu discurso, “porque nós deixamos”.

O clima em torno da palestra se dá também no contexto dos acontecimentos em torno da indicação do Deputado Federal do PSC Pastor Marcos Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, e toda a controvérsia de sua plataforma relacionada às questões que envolvem a sexualidade humana. Vale registrar que o culto em que Damares Alves participou foi realizado na Primeira Igreja Batista de Campo Grande (MS) onde, um dia antes (12 de abril) foi realizado um evento político: o Encontro Estadual de Lideranças Evangélicas.

Segundo a revista Carta Capital, entre os 350 pastores presentes no evento havia 25 parlamentares, como a vereadora Rose Modesto (PSDB), liderança da bancada evangélica local e autora da lei que obriga o poder público a apoiar eventos evangélicos, Herculano Borges (PSC), que aprovou projeto para proibir a instalação de máquinas de preservativos nas escolas, e Alceu Bueno (PSL), opositor do reconhecimento de uma associação de travestis como de utilidade pública.

O encontro foi aberto pelo presidente do Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política (Fenasp) que ali estava para formalizar a criação da Frente Parlamentar Evangélica da cidade, por isso a presença dos pastores da cidade na reunião com o objetivo de: “Alinhar os evangélicos para disseminar valores cristãos por meio de leis políticas públicas” (veja aqui).

São esses valores que Damares Alves declarou defender por meio do conteúdo apresentado. Ao se assistir integralmente a palestra de 1h13m, porém, percebe-se que a seleção de materiais da qual a advogada faz uso, são extratos adaptados artificial e forçosamente a sua pauta de abordagens. Os extratos são apresentados como se fossem a íntegra das cartilhas e livros e a explicação oferecida traz, além de elementos críticos genéricos e imprecisos, inverdades e manipulação explícita de dados para dar veracidade às abordagens.

Damares Alves tenta apagar tais generalismos, imprecisões e manipulações com justificativas como “tenho muita coisa para mostrar, tenho que passar rápido”; certamente, ao se apresentar num culto evangélico, dificilmente haveria contraposição, tal o caráter de verdade atribuído à sua palavra.

Uma pesquisa para a produção deste texto em cada exemplo/argumento apresentado de Damares Alves demonstra claramente o que está dito acima. A pesquisa se configurou na busca de informação sobre os materiais citados em cada slide apresentado na palestra, com acesso direto à fonte e/ou em referências sobre ela, e comparação das informações coletadas com os argumentos apresentados na palestra. A reprodução das falas segue com fidelidade a forma da referida palestrante. O resultado é exposto em texto que pode ser acessado aqui.

dica do Sidnei Carvalho de Souza

Depois de virar pastora evangélica, ex-BBB Bruna troca vida na cidade pela roça

Ex-BBB Bruna ‘prega’ em Igreja Foto: Reprodução

Ex-BBB Bruna ‘prega’ em Igreja Foto: Reprodução

Michael Sá, no Extra

Ela ficou conhecida nacionalmente ao participar do “BBB 7”. No reality, emendou um namoro com o vilão da edição, Alberto Cowboy, com quem permaneceu após o fim da atração. Ganhou fama e dinheiro ao fazer ensaios sensuais e trabalhar como modelo de uma famosa agência do país. Mas toda essa trajetória virou frustração e arrependimento, e só servem hoje como testemunho de vida nas pregações que Bruna Tavares realiza pelo país ao lado da amiga Rhanúsia Borges.

Recém-convertidas à religião evangélica e frequentadoras da Igreja Batista Kerigma, elas fundaram em 2008 um Ministério religioso que leva seus nomes. “Eu já frequentava igreja antes de entrar no programa, mas depois que saí foi que percebi que nada daquilo preenchia o vazio que eu tinha dentro de mim. Foi aí que eu resolvi aceitar o chamado de Deus”, conta Bruna, arrastando um carregado sotaque mineiro.

Bruna dirige carroça na fazenda onde mora, em MG Foto: Arquivo pessoal

Bruna dirige carroça na fazenda onde mora, em MG Foto: Arquivo pessoal

Sempre atenta ao chamado de Deus, Bruna trocou a vida de glamour na cidade grande pela simplicidade da roça. Desde agosto, ela e a contadora Rhanúsia, de 36 anos, moram em uma fazenda em Astolfo Dutra, no interior de Minas Gerais, onde aprendem a conviver com os afazeres do campo. “Estou apaixonada por esse lugar. Daqui eu não saio mais. Somos em cinco, eu, a Rhanúsia, a mãe dela, Cidinha, que agora é minha mãe também, e mais dois funcionários. Aprendi a ordenhar vaca, cuidar do gado, porcos, plantar milho”, diz, empolgada.

Ex-BBB Bruna e Rhanúsia "pregam" em igreja Foto: Reprodução

Ex-BBB Bruna e Rhanúsia “pregam” em igreja Foto: Reprodução

Bruna e Rhanúsia se conheceram em São Paulo, pouco depois da saída da catarinense do programa. Na época, Bruna enfrentava críticas sobre a sua forma física e tinha acabado de pôr fim ao namoro com Cowboy. Foi então que ela aceitou o convite da amiga para passar uns dias num SPA. Desde então, a ex-BBB foi adotada pela família de Rhanúsia. “Deus selou essa amizade e nos chamou para desempenhar o nosso ministério. Furamente, vamos fundar nossa igreja”, planeja a amiga.

Ex-BBB Bruna sem maquiagem Foto: Reprodução

Ex-BBB Bruna sem maquiagem Foto: Reprodução

Vivendo em função da religião, elas deixaram para trás tudo o que conseguiram e se mudaram em 2009 para Campos, no Estado do Rio de Janeiro. Lá, se formaram como bacharéis em Teologia, e passaram a pregar a palavra. “Gastei todo o dinheiro que eu ganhei após o ‘BBB’ e fiquei sem nada”, conta Bruna, que hoje vive das doações de fiéis e da venda de dois livros que lançou com a amiga inseparável. A fazenda onde moram foi comprada por Cidinha. ‘”Minha mãe biológica mora em Santa Catarina e respeita a minha decisão de servir ao Senhor”, explica Bruna.

Descalça, ex-BBB Bruna "prega" em igreja Foto: Reprodução

Descalça, ex-BBB Bruna “prega” em igreja Foto: Reprodução

Com as mãos calejadas do trabalho árduo na roça, Bruna diz que não vê necessidade de esconder os defeitos que Deus lhe deu, por isso usa menos maquiagem. As roupas foram outra grande mudança na vida da missionária. “Eu era muito mais bonita antes. Mas hoje eu sou linda por fora e por dentro. Deus conservou algo de diferente em mim”.

Ex-BBB Bruna "prega" em igreja Foto: Reprodução

Ex-BBB Bruna “prega” em igreja Foto: Reprodução

Solteira desde que terminou o namoro com Alberto Cowboy, ela aguarda a providência divina para se casar. “Sinto um carinho muito grande pelo Alberto, e sei que ele também sente por mim, mas acabamos perdendo o contato. A próxima vez que eu namorar, vai ser para casar”, afirma ela, hoje com 28 anos.

Enquanto isso não acontece, Bruna se dedica ao planos que Deus colocou em sua vida. Sempre olhando para frente. “Já passei da fase de me arrepender de ter participado do ‘BBB’. O arrependimento é você se converter, como eu fiz. Hoje, só me arrependo de não ter conhecido Deus bem antes na minha vida”.

Ex-BBB Bruna "prega" em igreja Foto: Reprodução

Ex-BBB Bruna “prega” em igreja Foto: Reprodução

Ex-BBB Bruna e Rhanúsia "pregam" em igreja Foto: Reprodução

Ex-BBB Bruna e Rhanúsia “pregam” em igreja Foto: Reprodução

Bruna durante o 'BBB7' Foto: Arquivo

Bruna durante o ‘BBB7′ Foto: Arquivo