Não uso minha fé com fins políticos, afirma Marina Silva

Marina Silva, política. Imagem produzida para ilustrar entrevista cedida à revista Época. São Paulo (cid.) - Brasil - 19/05/2011. Foto: Patricia Stavis/ Editora Globo.

Publicado na Folha de S.Paulo

A candidata Marina Silva afirmou à Folha, por meio de sua assessoria de imprensa, que nunca instrumentalizou sua fé com fins políticos.

“Não faço de palanques púlpitos nem de púlpitos, palanques. Minhas decisões políticas são elaboradas, discutidas e implementadas nos espaços da institucionalidade da política. [...] Nunca instrumentalizei minha crença religiosa para um fim político.”

Marina afirmou ainda que, para as pessoas de fé, “a vida é uma oração, um processo constante e intenso de relacionamento com Deus”.

Acrescentou: “Para os cristãos de qualquer corrente teológica, a Bíblia é a base de sua fé. O exercício da fé é um direito de ordem pessoal, assegurado pela Constituição do Brasil. Apenas aqueles que se pautam pela intolerância religiosa encaram esse direito como elemento que conspira contra o Estado laico e o Estado de Direito”.

Ela também argumenta que mesmo “o presidente tem direito de vivenciar espaços de sua vida num ambiente restrito à sua pessoalidade sem a obrigatoriedade de compartilhar essa experiência com a chamada opinião pública”.

Ela ressaltou que Eduardo Campos também era um homem de fé. “Esse elemento de sua persona era mais um dos tantos dos quais tínhamos grande identidade. Atribuir-lhe agora a autoria de uma declaração sobre nosso relacionamento, sem que ele tenha o direito de confirmá-la ou refutá-la, é um desrespeito à sua memória.”

Aliados de Marina afirmam ainda que foi Lula quem chamou pastores evangélicos para orar por ele no Planalto, durante a crise do mensalão.

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Evangélicos podem decidir segundo turno

Dados da pesquisa Ibope indicam que o grupo, com 22% do eleitorado, tem o dobro da preferência pela ex-senadora. Entre católicos, Dilma e Marina empatam

NA DISPUTA PELOS EVANGÉLICOS - Marina e Dilma se cumprimentam em debate da Rede Bandeirantes (foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)
NA DISPUTA PELOS EVANGÉLICOS – Marina e Dilma se cumprimentam em debate da Rede Bandeirantes (foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

título original: Voto evangélico seria decisivo para eleger Marina no 2º turno

Publicado na Veja on-line

Pesquisa Ibope divulgada na terça-feira confirmou um cenário temido pelo PT desde a consolidação da candidatura de Marina Silva (PSB) à Presidência: de acordo com o levantamento, a presidente Dilma Rousseff (PT) seria derrotada por Marina por 45% a 36% em um eventual segundo turno entre as candidatas. Nesse cenário, o voto decisivo para permitir a Marina subir a rampa do Planalto seria o dos eleitores evangélicos.

Ainda segundo a pesquisa, há empate técnico entre Marina e Dilma entre os católicos: 42% a 40%, respectivamente, na simulação de segundo turno. A diferença de dois pontos porcentuais está dentro da margem de erro. Ou seja, apesar de serem o maior contingente do eleitorado (63%), os católicos teriam impacto quase insignificante no resultado da eleição, pois dilmistas católicos anulariam marinistas da mesma fé.

O voto decisivo seria dos evangélicos. Com 22% do eleitorado, eles têm praticamente o dobro de preferência por Marina. Na média, 53% dos eleitores pentecostais, de missão e de outras denominações evangélicas declaram voto na candidata do PSB, ante apenas 27% que dizem preferir a atual presidente. Os 15% de eleitores que não são católicos nem evangélicos (ateus, agnósticos, outras religiões) também pendem mais para o lado de Marina. Mas, além de terem um peso menor, a distância que separa Dilma da sua principal adversária é menor entre eles: 27% a 45%. É um grupo heterogêneo e, entre eles, não há líderes com a influência de pastores e bispos entre os evangélicos.

Não é novidade a preferência do eleitorado evangélico por Marina. Na corrida eleitoral de 2010, Dilma enfrentou resistência entre o segmento evangélico em decorrência de controvérsias sobre sua posição em relação à legalização do aborto. Na ocasião, a maior parte dos eleitores que abandonaram Dilma no primeiro tuno migrou para Marina, dobrando seu eleitorado na reta final. A petista só conseguiu o apoio de grande parte dos líderes religiosos após fechar um acordo em que se comprometia a não trabalhar pessoalmente no avanço de temas como aborto e casamento gay, que ficariam a cargo do Congresso.

O eleitor evangélico sempre desconfiou da presidente. Em maio, uma nova onda tomou a internet quando o governo Dilma regulamentou a execução de abortos autorizados pela lei (casos de estupro, por exemplo) na rede de hospitais públicos do SUS. A reação foi tão grande que o governo voltou atrás. A intenção de voto em Dilma entre os evangélicos cai desde então. Era 39% em maio, é 27% agora. Entre os católicos, no mesmo período, a intenção de voto na presidente oscilou muito menos, de 42% para 39%.

Já a entrada de Marina na corrida eleitoral provocou uma revolução no eleitorado evangélico. No começo de agosto, Eduardo Campos, então candidato do PSB, tinha 8% de intenções de voto entre eleitores dessa fé – a mesma taxa do Pastor Everaldo (PSC). Marina já entrou com 37%, abrindo uma vantagem de 10 pontos sobre Dilma. O impacto foi tão grande que pulverizou as intenções de voto no até então mais notável candidato evangélico. O pastor caiu de 3% para 1% no eleitorado total, e de 8% para 3% entre evangélicos. Everaldo é líder religioso e tem o apoio de outros pastores, como Silas Malafaia.

Em nenhum outro segmento do eleitorado Marina tem uma vantagem tão grande sobre Dilma do que entre os evangélicos. Nem entre os jovens, nem no Sudeste, nem entre os mais escolarizados, nem entre os mais ricos. Isso não significa que a maioria dos eleitores de Marina seja evangélica – tem 56% de católicos. Mas Marina está abaixo da média nesse segmento, e fica sete pontos acima entre os evangélicos.

A candidata do PSB trocou a Igreja Católica pela Assembleia de Deus em 1997. Ela costuma evitar a mistura religião e política no seu discurso, mas às vezes derrapa. Questionada no Jornal Nacional sobre seu fraco desempenho eleitoral no Estado de origem, o Acre, Marina disse: “Ninguém é profeta em sua própria terra”, frase atribuída a Jesus na Bíblia.

(Com Estadão Conteúdo)

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Com entrada de Marina, Dilma fica mais longe do apoio evangélico

Candidatura da presidenciável do PSB passa a atrair lideranças do grupo que representa 20% do eleitorado. Presidente-candidata é quem mais tende a perder

A candidata à Presidência Marina Silva (PSB) faz no Recife seus primeiros atos de campanha (foto: Carlos Ezequiel Vannoni/AG. JCM/Fotoarena /Folhapress)
A candidata à Presidência Marina Silva (PSB) faz no Recife seus primeiros atos de campanha (foto: Carlos Ezequiel Vannoni/AG. JCM/Fotoarena /Folhapress)

Publicado na Veja on-line

A entrada de Marina Silva (PSB) como candidata à Presidência da República está redesenhando o cenário eleitoral entre os evangélicos, grupo que representa 20% do eleitorado. Devota da Assembleia de Deus, Marina passou a atrair o apoio de líderes evangélicos antes alinhados com o Pastor Everaldo (PSC), quarto colocado nas pesquisas. No novo contexto, quem mais tende a perder apoio das lideranças evangélicas é a presidente Dilma Rousseff.

Com templos em cerca de 500 municípios brasileiros, a Igreja Fonte da Vida é comandada pelo Apóstolo César Augusto, que integrou um grupo de apoio a Dilma em 2010. “O quadro mudou muito. As nossas expectativas não foram supridas. Houve um desgaste com relação ao governo do PT”, afirmou o apóstolo, que dava como praticamente certo o apoio ao Pastor Everaldo até a morte do ex-governador Eduardo Campos, então candidato à Presidência pelo PSB, em um acidente aéreo no dia 13. “Eu represento dois milhões de pessoas e, dos líderes que tenho contato, a tendência é que talvez 80% migrem para a Marina”, avaliou.

No coro contra Dilma, destaca-se Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Ex-aliado de Lula, ele se diz perseguido pelo governo petista desde que pediu a prisão dos condenados no processo do mensalão em um evento religioso, há dois anos, em Brasília. O pastor, que apoiou José Serra em 2010, também afirma ter outros motivos para fazer propaganda contra Dilma. “O PT pensa que nós somos otários e não estamos monitorando o que eles estão fazendo. Tudo que é lixo moral, o PT apoia”, criticou, ao dizer que boa parte da legenda é a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em guerra contra Dilma, Malafaia vai fazer campanha para Pastor Everaldo, mas diz que recebeu bem a entrada da ex-ministra do Meio Ambiente na disputa. “Se a Marina for para o segundo turno contra Dilma, eu vou de cabeça com Marina”, afirmou.

Em 2010, Dilma conseguiu o apoio de grande parte dos líderes religiosos após fechar um acordo em que se comprometia a não trabalhar pessoalmente no avanço de temas como aborto e casamento gay, que ficariam a cargo do Congresso. Neste ano, ainda não houve uma definição oficial no programa da candidata a respeito de temas desse tipo. Mas, nem mesmo a presença da presidente em eventos e templos religiosos tem dado retorno.

No início do mês, ela esteve em uma igreja em São Paulo da Assembleia de Deus, maior congregação evangélica do país, com mais de 12 milhões de fiéis. Entretanto, o presidente da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil, Bispo Manoel Ferreira, que recepcionou Dilma no encontro e participou de sua coordenação de campanha em 2010, está com Pastor Everaldo e será uma das atrações da propaganda eleitoral do candidato.

Uma semana antes, Dilma participara da inauguração do Templo de Salomão em São Paulo, ao lado do chefe da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, que foi um de seus aliados nas últimas eleições. A igreja informou que vai se abster de apoiar qualquer partido e seus respectivos candidatos. Entre os líderes ouvidos, o único que ainda não tem posição definida é Robson Rodovalho. O bispo comanda a Sara Nossa Terra, que tem mais de 1.000 igrejas espalhadas em todos os estados do país. Em 2010, ele apoiou Dilma Rousseff, mas agora diz estar desapontado com o partido da presidente.

“O PT perdeu muita credibilidade com os parceiros, não só os religiosos. Uma pessoa (Dilma) faz um acordo, e os outros (membros do partido) não assinam embaixo”, criticou. Sobre a presença de Marina na disputa, Rodovalho disse que será bom para os evangélicos se houver “um bom diálogo com ela”. Com forte atuação na região Norte, o apóstolo Renê Terra Nova, do Ministério Internacional da Restauração, vai manter a linha adotada nas últimas eleições, quando apoiou Marina Silva. Por sua vez, o chefe da Igreja do Evangelho Quadrangular, Mário de Oliveira, que apoiou Dilma em 2010, agora faz campanha com Pastor Everaldo e diz que vai “indicar o voto aos fiéis”.

(Com Estadão Conteúdo)

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Monte atrai evangélicos em busca de cura na região de Ribeirão Preto

O pastor João Paulo Pinheiro Filho, que frequenta o 'monte da cordinha' desde 94, na região de Ribeirão (foto: Silva Junior/Folhapress)
O pastor João Paulo Pinheiro Filho, que frequenta o ‘monte da cordinha’ desde 94, na região de Ribeirão (foto: Silva Junior/Folhapress)

Camila Turtelli, na Folha de S.Paulo

Bem longe da ostentação do Templo de Salomão –nova e luxuosa sede da Igreja Universal do Reino de Deus inaugurada em julho em São Paulo– o “monte da cordinha”, na região de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), atrai centenas de evangélicos diariamente que buscam “encontrar Deus” no local isolado.

O monte fica no quilômetro 324 da rodovia Candido Portinari e é visitado por religiosos, na maioria pentecostais, para orações, leituras e conversas sobre cristianismo.

Não há nenhum tipo de construção no local, apenas bancos de pedra, madeira e bambu na área que tem cerca de 12 clareiras espalhadas na mata e que são usadas como espaços para cultos.

O apelido dado ao local faz referência a uma corda amarrada em troncos de madeiras que forma um corrimão improvisado e ladeia o caminho que leva ao cume do monte.

A maioria dos fiéis se reúne no alto do monte durante a noite. Além da Bíblia, eles levam colchas e sacos de dormir para se sentarem na mata. Alguns chegam a passar várias noites e dias no local orando.

Eles vão em grupos de até cem pessoas, liderados por pastores, ou mesmo sozinhos.

Para chegar ao cume, é preciso subir com cuidado a trilha estreita e íngreme de cerca de 300 metros. É necessário também fôlego e preparo físico.

Apesar da dificuldade, doentes costumam subir em busca de cura espiritual.

“Quando fui, tinham medo que eu pudesse cair e despencar de lá, mas fui com um propósito e cheguei”, disse a enfermeira Francine de Arruda da Silva, 38.

Ela tinha 28 anos quando foi diagnosticada com síndrome do pânico e passou a tomar medicação controlada, que a deixava com tonturas.

“Não queria ficar viciada em remédio”, disse. “Então, resolvi ir ao monte pedir pela minha saúde e desci curada.”

Segundo Francine, ela deixou de tomar os remédios e suas crises cessaram.

Pastor em Jardinópolis, Givaldo Lima é um dos que costuma levar fiéis ao local. “É abençoado”, afirmou.

O professor de sociologia da teologia da PUC São Paulo Edin Sued Abu Manssur disse que a prática de buscar morros para rezar é comum entre os pentecostais e tem raízes bíblicas.

“Há vários locais desse tipo na região do ABC paulista, por exemplo.”

Apesar de receber uma grande quantidade de visitantes de forma livre, o “monte da cordinha” fica em uma área particular.

A Folha procurou o dono do local, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

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PT e PSDB terão menos líderes evangélicos em suas campanhas

Publicado na Folha de S. Paulo

Personagens com participação controversa na eleição de 2010, pastores evangélicos deverão desempenhar um papel mais discreto no primeiro turno da disputa deste ano.

Isso porque a presença de lideranças religiosas nas campanhas mais competitivas deverá ser menor agora.

Do lado petista, muitos dos que apoiaram a presidente Dilma Rousseff quatro anos atrás não estão mais com ela.

É o caso do bispo Manuel Ferreira, líder do ramo Madureira da Assembleia de Deus, e do senador Magno Malta (ES), embora seu partido, o PR, esteja coligado com o PT.

Hoje, os dois pedem voto para o Pastor Everaldo (PSC), outro membro do ramo Madureira, ele próprio também apoiador de Dilma em 2010.

Tido como um dos mentores da candidatura Everaldo (3% no Datafolha), Ferreira diz que as igrejas se afastaram de Dilma “por uma questão de princípios”. Faltou a ela a defesa de pilares firmados com o PT, como “a defesa da vida” (referindo-se ao aborto) e “o respeito à família tradicional” (em oposição à ampliação de direitos de homossexuais), afirma.

Líder da Sara Nossa Terra e também pró-Dilma em 2010, o bispo e ex-deputado Robson Rodovalho está indeciso.

Assim, entre as evangélicas com muitos seguidores, a Igreja Universal poderá ficar como a única apoiadora de Dilma neste ano. Na quinta (31), ao lado do bispo e empresário Edir Macedo, ela prestigiou a inauguração de um enorme templo da denominação em São Paulo.

Segundo o senador e candidato a governador do Rio, Marcelo Crivella (PRB), sobrinho de Macedo, tanto na Universal como no partido há “muitos comentários [contrários] voltados ao PT e à militância do PT, mas não à pessoa da presidente”. Para ele, Dilma manteve o compromisso de não tomar iniciativa em questões como união entre pessoas do mesmo sexo, aborto e liberação de drogas.

ESVAZIAMENTO

Do lado tucano, a situação é parecida. Nem todos os apoiadores de Serra em 2010 estarão com Aécio Neves neste ano. Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial, não deu sinais de que irá se envolver na eleição presidencial. Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, também fechou com Everaldo.

“Vamos marcar posição. Se os evangélicos são 25% [da população], Everaldo pode chegar a 8% ou 10% e ser um cara fundamental para decidir o segundo turno”, diz.

Outros dois influentes apoiadores do PSDB em 2010 ainda não definiram posição. Um deles é Renê Terra Nova, com forte atuação na região Norte. O outro é José Wellington Bezerra, da Assembleia de Deus Belém, o maior grupo dentro da denominação.

Bezerra é antigo apoiador dos tucanos paulistas. Neste ano, porém, um de seus filhos tenta a reeleição de deputado pelo PR, coligado ao PT.

Cientistas políticos concordam que os evangélicos poderão ficar menos visíveis no primeiro turno. Mas não necessariamente mais fracos.

“Com candidato próprio, a tendência é de fortalecimento político”, diz Vitor Marchetti, da Universidade Federal do ABC. “Num segundo turno acirrado, terão enorme poder de barganha.”

Para Ricardo Ismael, da PUC-Rio, o ambiente favorece Everaldo: “No mundo de hoje, em que muitos desconfiam dos políticos, ele tem um diferencial. Repare que ele adotou ‘pastor’ no nome e já está à frente de candidaturas ideológicas, como a do PSOL. Ninguém baterá nele, então poderá crescer”.

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