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Câmara de SP aprova homenagem à Rota com 37 votos a favor

Claques a favor e contra a tropa de elite da PM paulista tomaram a Casa; projeto do vereador coronel Telhada (PSDB) teve 15 votos contrários. Saiba como votou cada parlamentar

Manifestantes durante a votação da homenagem à Rota na Câmara Municipal de SP

Manifestantes durante a votação da homenagem à Rota na Câmara Municipal de SP

Ricardo Rossetto, na CartaCapital

Depois de três tentativas, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta terça-feira 3, em uma sessão marcada por muito tumulto, a  “Salva de Prata” em homenagem às Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) pelos serviços prestados pela tropa de elite da polícia paulista durante a ditadura.

Os trabalhos tiveram início às 15 horas e, na galeria do plenário, cerca de 100 representantes de 18 movimentos sociais, entre eles os grupos Tortura Nunca Mais, Comitê Contra o Genocídio da Juventude Preta, Pobre e Periférica, União da Juventude Socialista, gritavam “assassino” e “racistas, fascistas, não passarão” aos vereadores Coronel Telhada (PSDB), autor da proposta de homenagem, Roberval Conte Lopes (PTB) e Alvaro Camilo (PSD), ex-comandantes da tropa.

Em carta assinada pelos movimentos sociais e lida em plenário pelo vereador Toninho Vespoli (PSOL), mais críticas: “Há uma necessidade de combater uma polícia que mata, que violenta e que afasta da nossa juventude a perspectiva de vida e de sonhos. Homenageadas deveriam ser as famílias das vítimas de toda essa violência, as mães que perderam seus filhos para um Estado que demonstra diariamente o seu compromisso em manter o racismo e a desigualdade”.

Antes da votação – que terminou com 37 votos favoráveis e 15 contrários ao projeto –, o vereador Orlando Silva (PCdoB) apelou para a consciência dos colegas “porque o voto poderia macular o mandato de cada um”. Em seguida, Juliana Cardoso (PT) afirmou que a bancada de 11 vereadores do partido votaria contra “não por ser desfavorável à corporação, mas por discordar do projeto ideológico de homenagear uma polícia que mata.”

Do outro lado da galeria estavam os apoiadores da Rota, um grupo de 50 pessoas que retrucavam com gritos de “o povo de bem está com a Rota”.

Em discurso, Conte Lopes disse que a Rota é a “melhor polícia do mundo” e que a tropa é a melhor garantia de segurança para a sociedade. Sua fala foi interrompida três vezes por vaias, apesar da ordem que o presidente José Américo (PT) tentava garantir no plenário. Ainda assim o vereador apontou que a corporação não se envolve em política e a população da periferia de São Paulo a adora.

“Não são admissíveis manifestações contrárias à Rota, que trabalha 24 horas por dia para garantir o sossego desses mesmos que agora protestam. Todo mundo quando está com dificuldades liga no 190″, respondeu, enquanto os manifestantes ainda gritavam “assassino” e “mentiroso”.

Depois dele, Telhada, o autor da proposta, assumiu o microfone e afirmou que o livro Rota 66, do jornalista Caco Barcellos [que faz uma radiografia das ações truculentas da tropa] é “uma grande mentira”, e criticou as “meias-verdades” ditas por seus colegas parlamentares. Para ele, o principal problema são as acusações sem conhecimento de causa. “Estou pedindo uma salva de prata por 43 anos de história do batalhão, e não por uma ou outra ação prestada”, afirmou.

O texto do Projeto de Decreto Legislativo 06/2013, aprovado nesta terça, destaca os “relevantes serviços prestados pelo Batalhão à sociedade brasileira, em especial ao povo do estado de São Paulo”. Ali, o coronel Telhada, que comandou a tropa entre 2009 e 2011, lembra o passado “heroico” da corporação, como a campanha do Vale do Rio Ribeira do Iguape, em 1970, que sufocou a Guerrilha Rural instituída por Carlos Lamarca, um dos principais combatentes da ditadura.

Após a aprovação da Salva de Prata, o coronel comemorou e disse que a homenagem mostra ao Brasil que a cidade de São Paulo valoriza a polícia e o crime não tem vez. “A hora que o cinto apertar, é a Rota que vai te defender”, disse Telhada.

De acordo com o regimento interno da Câmara de São Paulo, cada vereador tem direito a conceder até oito honrarias da Salva de Prata por legislatura (mandato de quatro anos). Em toda a história do legislativo paulistano, essa homenagem que envolveu as Rota foi a que demorou mais tempo para ser aprovada – seis meses. Em geral, os Projetos de Decreto Legislativo passam sem questionamentos. Desta vez, entretanto, a questão era “moral e mexia com direitos e liberdades dos cidadãos, principalmente os negros e pobres, principais vítimas da tropa”, conforme esclareceu o vereador Gilberto Natalini (PV).

Expulsos

Durante a sessão que durou mais de duas horas, ao menos quatro jovens de movimentos sociais foram expulsos da galeria por ordens do presidente José Américo. Houve princípio de confusão enquanto os PMs tentavam retirar os manifestantes, que hesitavam em sair do local. Um deles aparentando ser menor de idade e conhecido pelo apelido “HD” afirmou à reportagem que foi agredido pelos policiais enquanto era levado para o elevador atrás da galeria. A PM nega que houve abuso de força. Por questão de ordem, a sessão foi suspensa para que a votação nominal pudesse transcorrer normalmente.

Confira o resultado da votação:

– Vereadores que votaram a favor da homenagem à Rota:

Abou Ani (PV)
Adilson Amadeu (PTB)
Andrea Matarazzo (PSDB)
Atílio Francisco (PRB)
Aurélio Miguel (PR)
Aurélio Nomura (PMDB)
Calvo (PSDB)
Claudinho de Souza (PSDB)
Conte Lopes (PTB)
Coronel Camilo (PSD)
Coronel Telhada (PSDB)
David Soares (PSD)
Edir Sales (PSD)
Eduardo Tuma (PSDB)
Floriano Pesaro (PSDB)
George Hato (PMDB)
Gilson Barreto (PSDB)
Goulart (PSD)
Jean Madeira (PRB)
José Police Neto (PSD)
Laércio Benko (PHS)
Marco Aurélio Cunha (PSD)
Mário Covas Neto (PSDB)
Marquito (PTB)
Marta Costa (PSD)
Nelo Rodolfo (PMDB)
Noemi Nonato (PSB)
Ota (PSB)
Patrícia Bezerra (PSDB)
Paulo Frange (PTB)
Pastor Edemilson Chaves (PP)
Ricardo Nunes (PSDB)
Roberto Tripoli (PV)
Sanda Tadeu (DEM)
Souza Santos (PSD)
Toninho Paiva (PR)
Wadih Mutran (PP)

– Vereador que se absteve:

Ari Friedenbach (PPS)

– Vereadores que votaram contra a homenagem à Rota:

Alessandro Guedes (PT)
Alfredinho (PT)
Arselino Tatto (PT)
Jair Tatto (PT)
José Américo (PT)
Juliana Cardoso (PT)
Nabil Bonduki (PT)
Natalini (PV)
Orlando Silva (PCdoB)
Paulo Fiorilo (PT)
Reis (PT)
Ricardo Young (PPS)
Senival Moura (PT)
Toninho Véspoli (PSOL)
Vavá (PT)

dica do Fabio Martelozzo Mendes

Advogado ganha indenização por pegar trem lotado em SP

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O advogado Felippe Mendonça processou a CPTM por conta da superlotação nos trens; ação estabelece indenização de R$ 15 mil. Rivaldo Gomes/Folhapress

Publicado na Folha de S. Paulo

A Justiça paulista condenou a CPTM (Companha Paulista de Trens Metropolitanos) a indenizar por danos morais um advogado que pegou um trem lotado. A ação estabelece indenização de R$ 15 mil. A companhia pode recorrer.

O advogado Felippe Mendonça, 35, afirma que, no dia 2 de fevereiro do ano passado, embarcou por volta das 18h na estação Pinheiros da linha 9-esmeralda (Osasco-Grajaú), com destino à estação Granja Julieta.

O trem, diz, já estava cheio. “Eu não conseguia sentar, mas a lotação ainda estava normal. Na estação seguinte, o trem ficou lotado”, conta.

Segundo o advogado, tumultos se formavam nas portas dos vagões quando o trem parava nas estações, e os funcionários da CPTM não ajudavam a organizar o fluxo de passageiros. “Eles empurravam as pessoas, buscavam colocar mais gente [no trem].”

Uma estação antes de chegar a seu destino, ele desembarcou. “Desci na estação Morumbi. Tirei fotos e fiz vídeos. Voltei para casa a pé”, conta o advogado.

No dia seguinte, Mendonça entrou com a ação na Justiça. Nela, classificava o transporte como “sub-humano e degradante”.

Em julho de 2012, ele perdeu a causa em primeira instância e recorreu. Na terça-feira, os desembargadores da 16ª Câmara de Direito Privado decidiram, por unanimidade, que Mendonça tem direito à indenização.

“Não tenho carro e uso o transporte público. A minha intenção é que as pessoas lutem por seus direitos”, diz.

Em nota, a CPTM afirmou que vai analisar “as medidas judiciais cabíveis, no momento processual oportuno”.

A companhia informou que agentes operacionais dão orientações aos usuários e ajudam “no fechamento das portas nos horários de pico”.

Segundo a empresa, as obras de modernização e a aquisição de novos trens vão aumentar a oferta de lugares.

Henry Sobel: “Furto foi falha moral, não doença”

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Por Laura Greenhalg, no Estadão

Henry Sobel deixará o Brasil – circulou dias atrás. Diante da informação ainda restrita, o Estado procurou o rabino afastado da Congregação Israelita Paulista (CIP) em 2007, ao protagonizar um controvertido furto de gravatas numa loja de Palm Beach, nos Estados Unidos. Desde então Sobel deixou de ser a autoridade religiosa máxima da entidade, pediu aposentadoria no que foi atendido e levou o título de “rabino emérito” contornando uma crise que lhe trouxe profunda mágoa.
Por seis anos manteve a justificativa de que o furto fora motivado por desordem psicológica, depressão e efeito de remédios. Até no livro autobiográfico, Um Homem, um Rabino (Ediouro, 2008), com prefácio de Fernando Henrique Cardoso, sustentou a versão: “Para concluir minha recuperação, tenho que reconhecer a existência de um problema de saúde, que se manifestou em momentos de grave tensão”. Nesta entrevista exclusiva, Sobel se desmente. Pela primeira vez assume que o furto tem a ver com “uma falha moral minha”.

A revelação foi feita dias atrás, de modo manso porém surpreendente, ao longo de uma entrevista de duas horas e meia no apartamento do próprio rabino, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Antes do gravador ser acionado, Sobel avisou que iria falar de algo pela primeira vez. Algo muito difícil. Havia escrito um longo texto, que consultou em diferentes momentos. E, recorrendo sempre aos fundamentos éticos do judaísmo, admitiu que furtou por fraqueza de caráter, não por debilidade física. “Desde jovem, fui um intolerante comigo. E o autojulgamento sempre foi severo demais. Mas o rabino é humano, portanto, falível.”

Conta que amigos próximos ajudaram a montar a versão do desequilíbrio para protegê-lo. Que outros amigos silenciaram. E que uma oposição não o poupou das críticas. Agradece o acolhimento dos brasileiros, que chama de grande público não judeu. “Estranharam o fato. Mas não me julgaram.”

Quase aos 70 anos, casado com Amanda e pai de Alisha, filha única, prepara-se para viver em Miami. Iniciará um longo período sabático só interrompido para voltar ao Brasil na época da Copa. “Sou apaixonado por futebol. Meu time, o São Paulo, anda em baixa, mas vibro, vibro… e vibro”, revela com o dote de bom pregador, em que a repetição de palavras é recurso infalível e o sotaque americano, marca registrada. Fala da tristeza por não ter sido convidado a se encontrar com o papa Francisco (justo Sobel, que esteve com João Paulo II e Bento XVI, entre tantos líderes religiosos) e acha que sua representatividade vem sendo machucada. Por fim, ao rever sua corajosa atuação pública na morte de Vladimir Herzog, diz sentir o conforto do dever cumprido.

Por que está deixando o Brasil?

Deixe-me dizer que esta deverá ser uma entrevista difícil, com perguntas delicadas que pretendo responder. Fiz anotações que vou consultar, se me permitir. São 43 anos no Brasil. Minha história pessoal e a vida profissional estão muito interligadas. E ligadas ao Brasil. Mas resolvi deixar o País para diminuir o ritmo e preparar a aposentadoria. Passarei um período sabático em Miami. Lá vou me dedicar à leitura, escrever e refletir muito.

E por que Miami?

Primeiro, porque temos um apartamento lá. Segundo, porque a comunidade judaica daquela região é relativamente bem organizada. Em inglês se diz que Miami é gateway, ponto de partida para o mundo – Oriente Médio, Europa, América Latina… bom lugar para estar. Tentei ir para Washington, não consegui viabilizar o projeto. Então, é Miami. Mas voltarei ao Brasil no meio do ano que vem, para ver a Copa do Mundo daqui. Falando sério, vibro com futebol.

O senhor já não está aposentado?

Estou. Comuniquei meu pedido à CIP anos atrás, que foi aceito. Continuei por aqui porque tenho paixão pelo Brasil. Agradeço o País que me proporcionou trabalhar com a comunidade judaica e ter mantido contato com líderes religiosos de outros credos.

Como seria comparar o rabino Sobel dos anos 70, que chegou aqui jovem, num período difícil, e o rabino Sobel hoje, aposentado e querendo refletir?

Hoje sou um rabino machucado. Por motivos políticos. Vou dar um exemplo: minha congregação não me convocou para encontrar o papa Francisco na visita dele ao Brasil. Isso me magoou, afinal de contas, ele é um homem maravilhoso, líder de mais de 1 bilhão de seres humanos. No fundo, a minha representatividade tem sido machucada, algo que construí em 43 anos. Outro rabino foi escolhido para o encontro e eu me curvei perante o destino. Respondi à sua pergunta?

Sim, o senhor diz que hoje a sua representatividade não conta no Brasil.

O rabino argentino Skorka, amigo de Francisco, esteve por aqui, mas não o conheci. Ele mandou o livro que fez com o papa. Li e achei excelente. Alto nível de ambos os lados. Sei que é cedo para falar, mas a modéstia deste papa tem sido tocante. Gosto dos bons olhos dele, das improvisações… No entanto, a congregação achou melhor destacar para o encontro o rabino Michel Schlesinger, que me sucedeu na CIP. Gosto do Michel, pude ajudá-lo a fazer os estudos rabínicos em Israel e sei que tem grande futuro. Mas tenho meu ego para cuidar (risos)… Voltando ao ponto, pode escrever que não estou fugindo do Brasil.

E alguém diria isso?

Não sei, talvez. Aos 70 anos, não tenho motivos para fugir. Falo assim porque houve aquele incidente lastimável das gravatas, em consequência do qual saí da CIP.

Tem sido vítima de alguma forma de perseguição?

Não, isso não. Minha popularidade está intacta e o contato com o meu povão, idem. A criatividade é a mesma. O trabalho na comunidade é o mesmo. Os casamentos, as cerimônias de bar e bat mitzvah, os enterros infelizmente, tudo continua. Até a procura de dinheiro continua, porque aprendi a angariar recursos para a congregação junto a segmentos da economia. Tudo se mantém. O que não se mantém é a representatividade institucional. Isso me negam. Também sei que sou um privilegiado por ter trabalhado tanto tempo na mesma posição, o que é raro nas congregações.

Mas o senhor também deu uma dimensão particular a essa posição.

Acho que sim. Numa época difícil para o Brasil. Hoje a comunidade judaica se posiciona de maneira neutra perante os acontecimentos. Não existe uma definição própria, um rumo no que tange à sua posição perante fatores sociais e o caos da corrupção.

O esvaziamento de representatividade tem a ver com o caso das gravatas?

Por favor, coloque no papel o que trago no meu coração, porque vou falar de algo pela primeira vez. Antes não havia tido coragem nem vontade. Aquele foi um episódio desgastante, cheguei a pedir desculpas diante de câmeras das principais emissoras de TV do Brasil. Também tratei do assunto em livro autobiográfico. Falei em problema de saúde e no uso de um medicamento para dormir, o Rohypnol. O remédio teria me levado a cometer atos impensados. Ontem à noite, às vésperas desta entrevista e com o distanciamento que o tempo proporciona, decidi que não posso mais atribuir o que houve a fatores externos. Para ser e me sentir honesto, admito que cometi um erro.

Está dizendo que o furto não pode ser atribuído ao efeito de remédios, mas a uma falha sua?

Uma falha moral minha. E peço perdão. Veja o que escrevi ontem à noite: “É bom ser perdoado. Quando eu era menino, sempre que cometia um erro, podia contar com a compreensão, a ternura e o perdão dos meus pais. Lembro da sensação de ter um peso tirado do coração, uma gostosa certeza de ser aceito. (…) Quando cresci, foi a minha vez de conceder perdão aos meus pais pelos seus erros e fraquezas, fossem reais ou fruto da minha imaginação. Compreender nossos pais, e perdoá-los por serem menos perfeitos do que gostaríamos, é natural no processo de amadurecimento. Lembro das críticas se abrandando, os ressentimentos se dissolvendo, a consciência do afeto libertando a alma. É bom perdoar”. E é muito bom perdoar a si próprio.

Como conseguiu chegar a essa aceitação dos fatos?

Eu era muito intolerante comigo quando me tornei rabino. O autojulgamento sempre foi severo e o sentimento de culpa, duradouro. Finalmente consegui me conscientizar de que o rabino é humano, portanto, falível. O incidente das gravatas é do conhecimento público, não preciso entrar em detalhes aqui… Tento me perdoar, o que não é fácil, porque perdoar não é esquecer. Se fosse, não haveria mérito no perdão.

O senhor passou seis anos nesse sofrimento, endossando uma versão? Afinal, como surgiu a história do remédio?

A palavra “surpresa” aplica-se à pergunta. De início houve a surpresa. Depois uma falta de crença na realidade, de que aquilo pudesse ter acontecido. Amigos procuraram afirmar que houve doença, queriam me proteger. Outros nem tanto. Quero ler mais um trecho sobre o perdão: “É impossível sobreviver se as raças não se perdoarem depois de tanta intolerância e preconceito. É impossível sobreviver se as religiões não perdoarem depois de tanto ódio e perseguições. É impossível sobreviver se as nações não perdoarem depois de tantas guerras e derramamento de sangue. Em todos os momentos e em todas as situações, as pessoas precisam ser capazes de dizer ‘volte, eu te perdoo’. Dizer ‘eu te amo, vamos tentar novamente’. Porque nunca é tarde demais”. Perdoe o meu desabafo, mas há seis anos, todos os dias, lido com essa questão. Acho que posso amadurecer. E não deixar acontecer de novo.

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Pai causa polêmica ao ‘amamentar’

O gesto de Rodolfo para acalmar a filha Valentina dividiu opiniões nas redes sociais; leia o depoimento do jovem

pai

Melina Dias, na Pais&Filhos

Pai de Valentina, o videomaker Rodolfo Francisco Ribeiro Marga, do ABC paulista, expôs um episódio marcante de sua intimidade como pai para demonstrar seu apoio à Semana de Amamentação. A foto dele “amamentando” sua filha causa sensação nas redes sociais. Negativas e positivas. No seu depoimento, Rodolfo explica como tudo aconteceu:

“Em homenagem à semana mundial de amamentação, vou postar a foto polêmica novamente. Sim, essa foto já rodou alguns vários grupos de mães que são a favor da amamentação/ parto natural e, sim, eu já fui xingado por alguma delas com adjetivos do tipo “bizarro,  pedófilo, insano, nojento e etc”, mas  eu não ligo e nem liguei porque a foto tem uma história bem mais interessante por trás que eu vou contar abaixo.

Certo dia, quando Valentina ainda tinha poucos meses de vida (creio que entre 2 e 3 meses) a Jé Bonizzi precisou sair pra fazer um exame, coisa rápida , era algo em torno de 45 minutos e ela já estaria de volta, pois bem, ela amamentou a Valentina e ela foi dormir a soneca da tarde (aquela que dura por volta de 2h).

A  Jé saiu e eu fiquei lá, do lado do berço, vendo de 10 em 10 minutos se o bebê tava respirando. Se você é pai sabe do que eu tô falando, se não é, certeza que você vai ter esse tique também e tal. Passou 1h e plim, o bebê acordou, acordou tranquila e rindo. Liguei para Jé e ela estava presa no trânsito e para ajudar tinha começado a chover.

Bom, distrai o bebê enquanto pude até que veio …. o choro, eu sabia que era o choro de fome (Tina sempre teve choros característicos) e aquele choro foi aumentando até que chegou ao ponto que eu pensei: “E agora? O que eu faço?”. Liguei de novo pra Jé e adivinha? Caixa postal.

Bom, pensei comigo, às vezes não é fome, às vezes é carência. Num súbito acesso fiz o que me veio à cabeça, vou amamentar. ‘Amamentar? tá louco?’. Sim, eu estava, minha filha estava chorando e a mãe estava longe.

Bom ela pegou o peito, cerrou a gengiva (não, não doeu) e ficou lá, parada, sem sugar, sem nada, mas o choro parou , ela ficava me olhando..  devia estar pensando: ‘Minha mãe não tem barba , mas é o que tem pra hoje,  né?.  Isso durou 15 minutos e ela voltou a dormir!

Quando a Jé chegou, depois de 3h — toda desesperada porque a essas horas ela já devia ter sentido (mãe tem essas coisas) que o bebê já devia estar acordado — veio e me perguntou:
- Ela não acordou ainda?
- Acordou
- E não chorou?
- Chorou muito.
- E o que você fez?
Eu, com aquela cara de super-homem (ou super-pai) falei:
- Amamentei.

Lógico que tive que mostrar isso posteriormente para ela e ai ela tirou essa foto.

É assim, eu sou homem, não produzo leite, mas acredito que o amamentar vai muito além disso, é um contato direto que você tem com o seu filho/filha, é como se você mostrasse para ele o que é amor/carinho/atenção, mas numa língua que ambos entendam.

Então tá aí. Parabéns a quem amamenta, a quem tenta amamentar (se tiver dúvida, procure as meninas do Grupo Virtual de Amamentação) e a quem apoia a amamentação.”
#smam2013  #amamentação