Em cada primavera este parque na Áustria desaparece sob a água

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publicado no Mistura Urbana

Na Áustria existe um parque, localizado junto às águas cor de esmeralda do Grüner See (Lago Verde), que é atração turística durante o ano todo. Também pudera, para dar um rolê nesse parque você precisa antes de mais nada saber nadar, ter nadadeiras e uma máscara de mergulho.

Todos os anos, o parque que está no sopé das montanhas austríacas Hochschwab, se transforma em uma enorme piscina com todos os seus caminhos e bancos submersos sob as águas. “Não tenha medo”, diz o fotógrafo Marc Henauer, não é um cataclismo. O que acontece é um fenômeno natural incomum, que é causado pela neve derretida que aumenta o nível do lago na primavera.

O nível médio do lago é de apenas 1-2 metros de uma área de 2000 metros. Mas em maio sobe rapidamente e atinge a profundidade de 10-12 também cobrindo uma área de 4000 metros. O fenômeno incrível dura apenas de 3 a 4 semanas.

De acordo com o fotógrafo Marc Henauer, a sensação de estar em um parque subaquático é mágico e a visibilidade é incrível, algo que só os mares tropicais têm. “Sob a água, sentimos um mundo mágico. O sol cria raios de luz fantásticos através da água. Então você acha que é um sonho diz Henauer.

Além disso, acaba se tornando um cenário perfeito para uma sessão de fotos submarinas. As incríveis fotos de Henauer do Lago Verde, na Áustria ganharam o prêmio de terceiro lugar no Concurso Nacional de Viagens Geographic 2014.

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Viagra para o cérebro

É assim que usuários se referem às pílulas que prometem turbinar o raciocínio. Funciona? É arriscado?

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Júlia Korte, na Época

Imagine tomar uma pílula e ser capaz de estudar a noite inteira, sem sentir sono nem se distrair. Ou, com outra pílula, tornar-se mais criativo e destacar- se entre os colegas de trabalho. Pois é exatamente isso que uma nova geração de suplementos, disponível nos Estados Unidos, promete: um atalho para o sucesso ao turbinar a memória, afiar o raciocínio e aprimorar a capacidade de atenção. Entre quem usou e resolveu contar a experiência na internet, as pílulas ganharam o apelido de “Viagra cerebral”, uma referência ao medicamento que revolucionou o mercado ao tratar a impotência sexual masculina. Os ingredientes que prometem prodígios cerebrais são velhos conhecidos da indústria farmacêutica: vitaminas e estimulantes naturais como a cafeína. Agora, combinações dessas substâncias foram agrupadas em cápsulas, produzidas por pequenas empresas, interessadas no apetite de estudantes e jovens profissionais por soluções miraculosas. Faltam estudos sobre a eficácia dessas combinações. E, mais grave, sobre seus possíveis efeitos colaterais. Vale a pena assumir o risco e apostar nas pílulas da inteligência?

Nos EUA, esse tipo de suplemento virou uma febre. Em dezenas de vídeos na internet, usuários relatam sua experiência com alguns dos produtos. Discutem as vantagens de cada uma das combinações com o mesmo entusiasmo e dedicação com que halterofilistas falam de novos produtos para aumentar os músculos. “São fisiculturistas do cérebro”, diz o pesquisador Sean Duke, da Universidade Trinity, na Irlanda. “Eles querem aumentar as capacidades mentais como os halterofilistas desejam melhorar o corpo.”

A mais nova sensação desse universo anabolizado é um suplemento chamado OptiMind, lançado em junho. Ele foi criado pelos americanos Lucas Siegel, de 23 anos, e Timothy West, de 21, depois da morte de um amigo de faculdade deles. O amigo usara uma quantidade excessiva de medicamentos tarja preta para afastar o cansaço e aumentar a concentração. “Essa experiência trágica nos inspirou a criar um produto seguro, que ajudasse os estudantes a manter a concentração sem se preocupar com riscos para a saúde”, diz West. Ele trabalha como chefe de vendas da empresa AlternaScript, que produz o OptiMind. O produto mistura estimulantes, vitaminas  e moléculas de proteína. Promete aumentar a disposição física e aprimorar a memória e a concentração. West diz tomar dois comprimidos por dia. Jura que não há perigo para a saúde. Na internet, alguns usuários se queixam de leves dores de cabeça.

O OptiMind não é o único suplemento desse tipo no mercado. Nos EUA, há pelo menos 20 produtos à venda pela internet. O AlphaBrain, produzido pela empresa Onnit, é popular entre jogadores de pôquer, para aprimorar o foco e diminuir o estresse. Cada pílula contém 11 substâncias. Os fabricantes estão de olho num público que já buscava esses efeitos, mas tinha de recorrer ao uso ilegal de remédios controlados. Algumas das substâncias favoritas desse público eram drogas para o Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Pessoas com esse diagnóstico costumam ser desatentas, inquietas e impulsivas. Os remédios, prescritos por médicos, são usados para manter esses sintomas sob controle. Sem receita, eles são usados por pessoas saudáveis que querem melhorar sua capacidade de concentração – ainda que não haja nenhum consenso médico atestando que são eficazes nessa situação. As drogas costumam ser vendidas clandestinamente, pela internet, por pessoas que conseguiram uma receita ou o remédio com amigos. Há quem tente enganar o médico. “Precisamos ficar atentos com pessoas que simulam os sintomas para conseguir uma receita”, diz o psiquiatra paulistano Mario Louzã. É exatamente nesse nicho que os novos suplementos fazem sucesso. Os entusiastas não precisam recorrer a estratégias ilegais para ter acesso às drogas que procuram. Nos EUA, os novos coquetéis podem ser comprados livremente na internet, sem receita, porque foram considerados como “suplementos alimentares”– não remédios – pela agência que regula medicamentos, a FDA.

A venda sem receita não significa que as novas fórmulas sejam isentas de riscos. Faltam estudos para provar sua segurança. “É possível que, no futuro, pesquisas sugiram que esses suplementos podem causar algum grau de dependência, como já aconteceu com a nicotina e com a cafeína”, afirma o pesquisador Mitul Mehta, do King’s College, em Londres. Outra possibilidade é que as fórmulas prejudiquem áreas do cérebro ligadas a outras funções. Pode ser um risco muito grande, considerando que os efeitos desejados pelos consumidores também não foram comprovados cientificamente. “Há a possibilidade de que a melhora do rendimento seja apenas autossugestão”, afirma a psicóloga Denise Barros. Ela estudou substâncias que agem sobre o cérebro em seu doutorado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Os brasileiros entusiasmados com os novos suplementos devem conter a empolgação. Eles podem até ser importados de outros países, mas apenas para uso pessoal. Não podem ser distribuídos comercialmente no Brasil. Para isso, precisam ser aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Por ora, não há nenhum pedido de fabricantes ou importadores para regulamentar os produtos no país. O jeito é confiar na velha fórmula da inteligência: alimentação equilibrada (leia no quadro abaixo alimentos que podem ajudar), sono em dia e muita dedicação para estudar. Costuma dar trabalho, mas é infalível.

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Discussões políticas acabam com amizades nas redes sociais

Discussões políticas nas redes sociais elevam ânimos, mas são vistas de forma positiva (arte: Stefan Pastorek/UOL)
Discussões políticas nas redes sociais elevam ânimos, mas são vistas de forma positiva (arte: Stefan Pastorek/UOL)

James Cimino, no UOL

Em época de eleição, não é só no horário político e nos debates da TV que as divergências políticas ficam mais expostas. Na internet, as redes sociais acabam se tornando espaços antissociais, onde amigos se exaltam, se ofendem e, por fim se bloqueiam.

Que o diga a diretora de mídia mobile, Dede Sendyk, 46, que volta e meia recebe avisos de que será bloqueada.

“Uma vez foi por causa dos protestos do ano passado. uma colega de escola que eu não via havia anos me mandou uma mensagem explicando por que ia me bloquear. Aliás, isso é típico, sempre sou avisada, deve ser um padrão. Recentemente eu declarei meu voto. Fui avisada por um conhecido que odeia o PT que vai me adicionar de novo no futuro porque adora meus posts. Não deu tempo de explicar que ele podia apenas me seguir, nem que eu mudei meu voto uns dias depois. O povo adora meus posts fúteis, mas se incomoda com os engajados. Não é à toa que o Tiririca ganha sempre viu?”, afirmou.

Quem também sofre muito bullying nas redes sociais por suas opiniões é Rui Barbosa, um designer de 33 anos da cidade de Araraquara (SP). Segundo ele, os tópicos mais polêmicos das redes sociais hoje em dia, tanto quanto a campanha eleitoral, são a criminalização da homofobia, legalização da maconha e discussões sobre feminismo.

“Alguns amigos eu simplesmente escondi da minha timeline, mas um em especial eu tive que bloquear mesmo. Posição política de extrema direita realmente me incomodava. É aquele padrão: tudo culpa da Dilma, tudo culpa do PT… Do tipo que acha que bolsa-família é esmola, reclama de manifestação porque não consegue andar de carro… E ainda havia o ‘agravante’ de ele ser empresário. Na visão dele isso elevava ainda mais sua opinião. Agora, o mais engraçado foi ver gente me questionando por eu me chamar Rui Barbosa e ter opiniões de esquerda. Se eu me chamasse Roberto Carlos, eu teria de ser cantor…”, brinca.

Já o diretor de criação Eduardo Viola, 32, acha que os meses de agosto e setembro são um verdadeiro inferno. “O Facebook se transforma em um palanque! É de dar nos nervos!” No entanto, diz que por posições políticas nunca bloqueou ninguém, mas que já tomou um puxão de orelha válido.

“Uma vez fiz um post malcriado, ofensivo e generalizado sobre os crentes, e um colega de profissão, no mais alto da sua elegância e educação me escreveu umas mensagem privada para que eu refletisse sobre as palavras que havia dito. Se eu realmente pensava aquilo tudo etc. E acho que as redes sociais e seus debates políticos servem um pouco pra você trazer alguns assuntos a tona, colocar na mesa, inflamar e, às vezes, refletir ou repensar algumas coisas. É óbvio que sei que isso não é um padrão, mas enxergo que assim seria o melhor uso da ferramenta. É a mesa de bar on line! Infelizmente, sem cerveja!”

O peso da escrita

Um ponto levantado pelo produtor cultural Zeca Bral, 30, é o quanto as palavras escritas parecem mais agressivas do que seriam em uma conversa real. Ele, no entanto, procura não bloquear as pessoas. Apenas para de seguir.

“Acredito na possibilidade de ser mal interpretado nas redes, o que poderia ser evitado numa conversa tête-à-tête que dispõe de mais recursos dialógicos, além do infalível olho-no-olho. O tom de voz, a postura com que se estabelece a comunicação fora da rede muda toda a percepção. Por isso há que se ponderar algumas interpretações, praticar tolerância.”

Mesmo com tantas discussões, bloqueios, demonstrações de intolerância e preconceitos revelados, os entrevistados pela reportagem do UOL ainda acham que as redes sociais trouxeram um aspecto positivo para as relações.

Na opinião do roteirista Leonardo Luz, 34, as redes sociais incutiram nas pessoas uma vontade de emitir opiniões. “Isso obriga as pessoas a pensarem nessas opiniões, coisa que muita gente nao fazia. O problema é ter uma opinião baseada em manchetes ou em ‘o fulano me falou’, sem tentar se aprofundar mais.”

Luz conta que já recebeu diversas reclamações de suas postagens. “Dizem que sou radical demais, que eu sou muito ‘anti-PT’. Me chamam de tucano o tempo todo. Reaça, porque sou totalmente contra as drogas. Mas acho que se perdeu a amizade por causa de política, não devia ser amigo antes.”

O ator curitibano Diego Fortes, 32, também acha que de um modo geral a troca intensa de informações é benéfica.

“Pra quem tem cérebro, acho um instrumento bastante poderoso. Pra quem não tem… Bom, aí, só serve pra desfilar frustrações mesmo. Por isso que eu tiro uns e outros. Mas eu vejo um movimento interessante que é o de alguém comentar algo bem raso e preconceituoso, aí você rebate com argumentos, a pessoa fica naquela por algum tempo e depois termina dizendo que esse não é o lugar praquele tipo de discussão. Discussão que ela começou! (risos)”

Opinião semelhante tem a jornalista Carol Almeida, 36, que consideraria um elogio se a chamassem de partidária. “Nunca fui chamada de ‘partidária’, mas se fosse isso soaria pra mim como elogio. Mesmo porque um país sem partidos, até onde eu conheço da história, é um país em ditadura. Naturalmente, graças aos meus posts, acho que fica muito claro que posição eu tomo politicamente. Ainda sobre o partidarismo, gosto da ideia das pessoas se posicionarem claramente sobre que partido ou partidos elas se identificam.”

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7 maneiras de aumentar felicidade e sua satisfação com a vida

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Natasha Romanzoti, no Hypescience

Felicidade é a maior busca humana. Todos nós experimentamos picos emocionais ao longo de nossas vidas – com uma promoção no trabalho, no dia do nosso casamento, com o nascimento de um filho etc. Mas esses momentos produzem sentimentos temporários de euforia, e especialistas dizem que não são suficientes para alcançar a verdadeira felicidade.

A felicidade não é apenas um estado emocional. Décadas de pesquisa provam que é algo muito mais profundo. Na verdade, a ciência mostra que as pessoas felizes vivem vidas mais longas e saudáveis.

A boa notícia é que possível ser feliz tomando pequenas atitudes, independentemente do nosso meio ambiente ou genética.

Confira sete maneiras de aumentar felicidade e sua satisfação com a vida:

Seja positivo

Um estudo da Universidade de Harvard (EUA) descobriu que os otimistas não só são mais felizes, como são 50% menos propensos a ter doença cardíaca, um ataque cardíaco ou um acidente vascular cerebral.

A conclusão é que manter uma perspectiva positiva oferece proteção contra doenças cardiovasculares. Já os pessimistas têm níveis mais baixos de felicidade em comparação com os otimistas e têm três vezes mais chances de desenvolver problemas de saúde à medida que envelhecem.

Aprenda com as pessoas que já são felizes

A Dinamarca vira e mexe ganha o primeiro lugar em qualquer índice que mede o bem-estar e a felicidade dos países de todo o mundo. O que faz dessa a nação a mais feliz do mundo?

Claro, coisas como a expectativa de vida, produto interno bruto e baixa corrupção ajudam – e muito. Mas o nível geral de felicidade na Dinamarca tem mais a ver com a generosidade que é comum entre os cidadãos, a liberdade que eles têm para fazer escolhas de vida e um sistema de apoio social forte, de acordo com a Organização das Nações Unidas.

Trabalhe menos

Os dinamarqueses parecem ter um grande equilíbrio entre vida e trabalho, o que aumenta seu nível de felicidade. Simplificando: eles não trabalham em excesso. Na verdade, a semana de trabalho média na Dinamarca é de 33 horas – apenas 2% dos dinamarqueses trabalham mais de 40 horas por semana.

Quase 80% das mães na Dinamarca voltam ao trabalho depois de ter um filho, mas equilibram o seu tempo livre entre a família, amigos e programas na sua comunidade.

Concentre-se em experiências

Dinamarqueses também dão menos atenção a dispositivos eletrônicos e coisas, e mais atenção para a construção de memórias. Estudos mostram que pessoas que se concentram em experiências ao invés de se focar em “ter coisas” têm níveis mais elevados de satisfação, mesmo muito tempo depois que a experiência passou.

Comprar muitas vezes leva a dívidas, para não mencionar o tempo e o estresse associado com a manutenção de todos os dispositivos, carros, propriedades, roupas, etc.

Os pesquisadores dizem que quando as pessoas se concentram em experiências, elas sentem uma maior sensação de vitalidade ou “de estar vivo” tanto durante o momento quanto depois.

As experiências também unem mais as pessoas, o que pode contribuir para a sua felicidade.

Construa uma rede social

Ao simplesmente ser social, você poderia viver mais tempo. A pesquisa mostra que um sistema de apoio social forte pode aumentar nossa expectativa de vida.

Os telômeros são as pequenas tampas em nossos cromossomos do DNA que indicam a nossa idade celular. De acordo com especialistas, não ter amigos pode ser igual a telômeros mais curtos e, por sua vez, uma vida mais curta.

Outros estudos mostraram que a solidão leva a maiores taxas de depressão, problemas de saúde e estresse. Ou seja, vale a pena ter pelo menos um amigo próximo para aumentar seu nível de felicidade e saúde.

Se voluntarie

Pessoas que se voluntariam são mais felizes, concluíram dezenas de estudos. A ONU credita o voluntariado como uma das razões para a Dinamarca ser o país mais feliz do mundo – 43% dos dinamarqueses regularmente doam seu tempo para boas ações em sua comunidade.

A alegria de ajudar os outros começa cedo. Um estudo de 2012 descobriu que crianças preferem dar do que receber. Os pesquisadores deram a dois grupos de crianças lanches e, em seguida, pediram que um dos grupos oferecesse esses lanches a outras pessoas. As crianças que entregaram os seus lanches mostraram maior felicidade sobre a partilha de seus bens, o que sugere que o ato de sacrifício pessoal é emocionalmente gratificante.

O sacrifício não tem que ser grande – pesquisas já sugeriram que doar tão pouco quanto US$ 5 gera benefícios emocionais.
Realizar atos de bondade, se voluntariar e doar dinheiro aumentam a felicidade, melhorando o seu senso de comunidade, propósito e autoimagem.

Comece a rir

Estudos mostram que rir não apenas sinaliza felicidade, mas sim a produz. Quando rimos, nossos hormônios do estresse diminuem e nossas endorfinas aumentam. Endorfinas são as mesmas substâncias químicas que o cérebro associa com aquele “impulso” que as pessoas recebem do exercício físico.

Rir também faz bem para o coração. Um estudo descobriu que apenas 8% dos pacientes cardíacos que riram diariamente tiveram um segundo ataque cardíaco dentro de um ano, em comparação com 42% dos que não riram.

Estudos ainda mostram que nosso corpo não consegue diferenciar entre o riso falso e o real – as pessoas recebem benefícios de saúde de qualquer maneira. Sendo assim, você pode forçar-se a rir mais, pelo menos um pouco todos os dias, até que você tenha verdadeiros motivos para sorrir. [CNN]

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Saudade do PT na oposição

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título original: Silêncio ensurdecedor

Eliane Cantanhêde, na Folha de S.Paulo

Com esse papo de direita e esquerda, o PT conseguiu esconder uma triste realidade dos governos Lula e Dilma: os movimentos sociais sumiram. E como fazem falta!

A UNE virou puxa-saco do poder. A CUT nunca ficou tão fora dos microfones. O MST está esperando sentado a alternância no governo para voltar a infernizar.

A Petrobras é dilapidada e não se ouve um só grito de estudantes e de sindicatos. O silêncio é ensurdecedor. Se há pressão, é das redes sociais e do novato movimento dos Sem-Teto, que passa ao largo de partidos e polarizações e agita a cena social.

E, já que o próximo domingo é o dia latino-americano de defesa do aborto seguro: até os avanços pela descriminalização, para proteger milhares de mulheres pobres por ano, estão congelados.

Os movimentos feministas eram nervosos e provocativos em aliança com o PT. Bastou Lula botar o pé na rampa do Planalto para amortecê-los. E nem com a posse da primeira mulher na Presidência retomaram o rumo.

Dilma nomeou para a Secretaria da Mulher Eleonora Menicucci, de longas batalhas feministas, de corajosa defesa do direito da mulher sobre seu corpo. Eleonora assumiu e virou mais uma figurante no poder.

Saudade do PT na oposição, das forças vivas, da pressão legítima, da indignação produtiva. Saudade de jovens críticos, não cooptáveis.

Foi por esse vácuo de representação, e não só da partidária, que milhões foram às ruas em junho de 2013. Por direitos, contra a pasmaceira. Os vândalos acabaram com a brincadeira e lá ficamos nós sem UNE, sem CUT, sem MST e sem as manifestações de junho, dependendo só da imprensa para incomodar os poderosos de plantão, questionar dados e versões, pressionar por avanços, exigir de volta a nossa Petrobras.

É hora de lembrar que governo é governo, imprensa é imprensa, movimentos sociais são movimentos sociais. Na democracia, “cada macaco no seu galho”.

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