Faxina na vida

faxinaMariliz Pereira Jorge, na Folha de S.Paulo

Esvaziei as três gavetas do criado-mudo no chão. De vez em quando tenho esses rompantes, mesmo tarde da noite. E não consigo dormir sem arrumar tudo. Minha mãe diz que puxei esse lado freak da minha bisavó. Eu era pequena demais para lembrar, mas penso nela toda vez que resolvo faxinar.

Relógios parados no tempo, pares de óculos, um deles com a haste torta, dois passaportes vencidos, Tiger Balm, camisinhas, fita métrica, iPod, fones com as borrachinhas ressecadas, plaquinha pra bruxismo, melatonina, creme para pés ressecados, hidratante para as mãos, fotos de um ex-namorado de quando éramos felizes, agenda de telefone, uma lâmpada vermelha. Uma lâm-pa-da ver-me-lha. E uma infinidade de coisas que eu nem sabia que estavam ali, e de outras que não serviam para nada.

Não sei por que guardamos tanta coisa. Não sei por que fazemos isso com tudo. A gente insiste em manter em nossas vidas coisas que não têm mais o menor sentido e com isso não damos espaço para que as novas cheguem e ocupem o lugar. Não tem lugar. Nos cercamos do velho, do conhecido, do confortável. Ninguém mexe. Ninguém tasca.

Pra que mexer, pra que ter trabalho. Está tudo tão bom assim. Mesmo que não esteja. A gente se afunda em autopiedade, mágoa e rancor. Esfrega os olhos, toma um café e continua engolindo o de sempre, vivendo uma vida que parou no tempo e no tédio. Fazemos isso com roupas, com amores fracassados, com trabalhos chatos, salários de merda, amigos desleais, com uma agenda de telefone velha. Olhamos para a lâmpada vermelha na gaveta do criado-mudo e deixamos que fique lá.

Está ruim assim, mas esse ruim eu já conheço. Ninguém mexe. Ninguém tasca. Não quero me incomodar com meus velhos incômodos. São incômodos, mas são velhos conhecidos e são meus.

Sou infeliz, mas tenho um namorado que não me ama, que não se interessa por mim, que nunca atende o telefone quando preciso pedir que ele jogue na loteria. Fica ao lado do trabalho dele. Ele sempre esquece e eu tenho que pedir toda semana. Mas a gente gosta daquela cebola gigante do Outback, onde jantamos uma vez por semana. Não conversamos, mas prefiro assim, porque não tenho nada mesmo para falar com ele.

Cansei do meu trabalho, mas estou satisfeita só de reclamar. Aqui, pelo menos, não tenho que me esforçar para aprender alguma coisa nova, vai no automático. Já conheço todo mundo, todo mundo faz de conta que gosta de mim e eu faço de conta que não detesto todo mundo. E a máquina de café é boa.

Minha amiga só me procura quando está solteira. E ela vive namorando, mais do que vive solteira. Nunca me chama para nada quando namora, mas quando está solteira não sai da minha aba. Tenho pena, ela não tem amigos, eu devo ser a única – pelo menos quando ela está solteira.

Para tudo. Não precisa ser assim. Não quero que seja assim. Incômodo poderia pinicar pra não deixar a gente se acomodar. A gente deveria fazer faxina de namorado, faxina de trabalho, faxina de amizades. Ninguém precisa de uma lâmpada vermelha ocupando espaço na gaveta. Ela acabou lá numa noite que eu quis dar um clima de sacanagem no quarto. Foi há anos, numa outra época, com outra pessoa, quando eu mesma era diferente.

A gente muda. Ou é só abstinência de Rivotril mesmo. Tem roupas que nunca mais quero usar, namorados que tenho vergonha até de lembrar, amizades que eu trocaria por um saco de pipoca, trabalhos que parecem uma linha de produção japonesa de tão chatos. Uma lâmpada vermelha pode ser a luz que falte pra mostrar quando está tudo errado e que é hora de varrer toda a sujeira de debaixo do tapete para fora da porta e para longe da nossa vida.

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Dilma cria o Ministério do Louvor

Em contrapartida, Edir Macedo prometeu erguer o Templo da Reeleição
Em contrapartida, Edir Macedo prometeu erguer o Templo da Reeleição

Publicado impagavelmente no site da Piauí

TEMPLO DE SALOMÃO – Depois de alterar o verbete “Estado laico” na Wikipédia, Dilma Rousseff apresentou um pacote de melhorias para o povo brasileiro. “Vou criar o Ministério do Louvor, com 456 apóstolos do PMDB e 5,5 mil peregrinos comissionados do PRB, para atender todas as orações da população evangélica”, anunciou.

Lançado em forma de versículos, o PAF, Plano de Aceleração da Fé, prevê a criação de bases sólidas para que Dilma Rousseff possa caminhar sobre as águas transpostas do Rio São Francisco a partir de 2015. “Atendendo a pedidos do pessoal do Passe Livre, vamos dar condições para que o estudante evangélico possa frequentar Templo de Salomão sem pagar dízimo”, prometeu. Em seguida, a mandatária mostrou que é possível multiplicar a quantidade de chuvas em São Paulo caso Padilha seja eleito. “Aleluia”, gritou, abraçada com Marcelo Crivella.

No final da pregação, Dilma afirmou ter ouvido rumores divinos sobre a volta do Messias. “Lula retornará. Mas só em 2018″, profetizou.

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Brasileiro está comprando todos os discos de vinil do mundo

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publicado no Tenho mais Discos que amigos

O jornal nova-iorquino The New York Times publicou esse fim de semana o perfil de um brasileiro que merece ser conhecido:

Zero Freitas, que fez fortuna através da empresa de ônibus da família, tem investido todo o seu dinheiro na compra de discos de vinil – de todos os gêneros e nacionalidades.
O brasileiro estima que sua coleção seja o equivalente hoje a cerca de “vários milhões de álbuns”.

Freitas tem uma extensa operação de compra e catalogação, contratando pessoas de todo o mundo na missão de caçar coleções de discos à venda, além de uma dúzia de estagiários para manter o controle de todos os registros em sua posse. Seu objetivo é digitalizar a maior parte de sua coleção para que nenhuma música em vinil desapareça com o tempo.

O artigo completo sobre o colecionador de discos – e sua gigante contribuição para a preservação da música – pode ser lido aqui.

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Cientistas descobrem como os egípcios moveram pedras gigantes para formar as pirâmides

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publicado no Universo Racionalista

Como já havíamos comentado anteriormente, a hipótese (não científica) dos “Alienígenas no Passado” nunca passou de pseudociência, isto é, através de premissas falhas, manipulação de dados e evidências, os pseudocientistas fundamentavam suas hipóteses (veja aqui e aqui).

Comumente nos deparávamos com alegações absurdas, tais como:

“Naquela época, os seres humanos não tinham ‘tecnologia’ o suficiente para construir pirâmides, e nos hieróglifos, por exemplo, haviam representações de supostos deuses, mas na verdade eram alienígenas, logo a explicação mais lógica é a de que os aliens construiram as pirâmides.”

Mas afinal, como uma civilização antiga, sem a ajuda de tecnologia moderna, conseguiu mover pedras de 2,5 toneladas para compor suas famosas pirâmides?

A pergunta afligia egiptólogos e engenheiros mecânicos há séculos. Mas agora, uma equipe da University of Amsterdam acredita ter descoberto o segredo.

Tudo se resume ao atrito. Os antigos egípcios transportavam sua carga rochosa através das areias do deserto: dezenas de escravos colocavam as pedras em grandes “trenós”, e as transportavam até o local de construção. Na verdade, os trenós eram basicamente grandes superfícies planas com bordas viradas para cima.

Quando você tenta puxar um trenó desses com uma carga de 2,5 toneladas, ele tende a afundar na areia à frente dele, criando uma elevação que precisa ser removida regularmente antes que possa se ​​tornar um obstáculo ainda maior.

A areia molhada, no entanto, não faz isso. Em areia com a quantidade certa de umidade, formam-se pontes capilares – microgotas de água que fazem os grãos de areia se ligarem uns aos outros – o que dobra a rigidez relativa do material. Isso impede que a areia forme elevações na frente do trenó, e reduz pela metade a força necessária para arrastar o trenó. Pela metade.

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De acordo com o estudo:

Os físicos colocaram, em uma bandeja de areia, uma versão de laboratório do trenó egípcio. Eles determinaram tanto a força de tração necessária e a rigidez da areia como uma função da quantidade de água na areia. Para determinar a rigidez, eles usaram um reômetro, que mostra quanta força é necessária para deformar um certo volume de areia.

Os experimentos revelaram que a força de tração exigida diminui proporcionalmente com a rigidez da areia. Um trenó desliza muito mais facilmente sobre a areia firme e úmida do deserto, simplesmente porque a areia não se acumula na frente do trenó, como faz no caso da areia seca.

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Estas experiências servem para confirmar o que os egípcios claramente já sabiam, e o que nós provavelmente já deveríamos saber. Com isso, colocamos um ponto final nas hipóteses pseudocientíficas dos “Alienígenas do Passado”.

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Irmão de Eduardo Campos quer que Marina seja substituta em chapa do PSB

Antônio Campos afirma querer ‘colocar para cima’ vice para a disputa eleitoral

Antonio Campos, irmão de Eduardo Campos, quer que a vice na chapa, Marina Silva, assuma campanha - (foto: Divulgação)
Antonio Campos, irmão de Eduardo Campos, quer que a vice na chapa, Marina Silva, assuma campanha – (foto: Divulgação)

Maria Lima e Cristiane Jungblut, em O Globo

Ainda sob o impacto da tragédia que vitimou o candidato do PSB, seu irmão, Antônio Campos, em conversas com dirigentes do partido, defendeu nesta quarta-feira que a candidata a vice na chapa, Marina Silva (Rede Sustentabilidade), substitua Eduardo Campos na disputa pela Presidência da República como titular. Tonca, como é conhecido, acha que a luta de Eduardo Campos não pode morrer com ele. Mas correntes socialistas defendem que o substituto seja do PSB, já que Marina e seu grupo tem projetos próprios e só se abrigaram no partido até a criação da Rede , oficialmente.

— Eduardo morreu lutando. Temos que colocar Marina para cima — defendeu Antônio Campos.

O PSB tem 10 dias para registrar, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um novo candidato no lugar de Eduardo Campos, ouvidas todas as instâncias partidárias. Em entrevista concedida ontem ao Jornal Nacional, Eduardo fez um apelo que vai ser seguido a risca pelo seu partido. Eduardo encerrou a entrevista fazendo uma convocação ao povo brasileiro:” Não vamos desistir do Brasil”.

— O irmão de Eduardo quer que lancemos Marina . Mas há correntes no PSB que discordam e defendem que lancemos um candidato da própria legenda. Marina tem seu próprio grupo, que não é necessariamente o do PSB — informou um dos dirigentes socialistas.

O acidente teve o saldo total de sete mortos e seis feridos, estes últimos já liberados do hospital.

Abalado, o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF), disse que é impossível saber o que vai acontecer no âmbito da campanha e que o momento é de total perplexidade e luto.

— No momento oportuno, vamos tomar essa decisão (de quem será o candidato). Estamos muito abalados, e agora que vamos começar a conversar. É um impacto muito grande. O Eduardo era um candidato competitivo, que representava a esperança para milhões e milhões de brasileiros. É impossível prever o que vai acontecer — disse Rollemberg.

Na Tribuna do Senado, o senador chamou Eduardo Campos de “irmão” e segurou o choro por várias vezes. Emocionado também, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), lembrou a trajetória ao lado de Eduardo Campos em Pernambuco. Ao final, os dois senadores se abraçaram ainda na Tribuna.

Rollemberg contou que conversou na noite desta segunda-feira com Eduardo Campos, por telefone. Na conversa, Eduardo Campos estava emocionado e brincou que não era fácil “sentar na cadeira do Jornal Nacional”, numa referência à sua entrevista de ontem à noite. Segundo Rollemberg, ele ainda brincou com a disputa do governo do Distrito Federal afirmando: “se prepara, que você será o governador de Brasília”.

ECONOMIA

O economista-chefe da corretora Gradual Investimentos, André Perfeito, considera que ainda é cedo para saber os efeitos da morte do candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos, na disputa eleitoral. Mas, segundo ele, diante do curto tempo até o primeiro turno, o mais provável é que a vice de Campos, Marina Silva, entre na corrida em seu lugar. Segundo relatório divulgado por Perfeito nesta quarta-feira, embora Marina não seja do partido, não seria viável para o PSB lançar outro nome agora.

“É uma situação difícil uma vez que ela está a rigor num partido que não é o dela, será uma escolha traumática para o PSB colocar como líder alguém que está apenas de passagem na legenda. No entanto, devido ao curto tempo até o pleito, não me parece razoável tentar lançar outro nome. O PSB caiu no colo de Marina Silva”, afirma o documento.

Para o economista, também é preciso ponderar se Marina aceitaria assumir o lugar de Campos, uma vez que existem muitas divergências entre os grupos que apoiavam o candidato e sua vice:

“Temos que ponderar se ela vai aceitar a aliança costurada por Eduardo. Sabemos que há posições muito distintas entre o PSB e o Rede, principalmente no tocante ao meio ambiente. A candidata Marina Silva é uma pessoa, como sabemos, de firmes convicções e não será uma escolha trivial para ela assumir a estratégia que Eduardo e o PSB costuraram nos últimos meses.

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