Fazer o bem sem olhar a quem

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publicado no IdeaFixa

Lilian Weber tem 99 anos de idade e passou os últimos anos fazendo um vestido por dia para garotinhas africanas.
Essa criatura altruísta do Iowa (EUA) costura os vestidinhos para a Little Dresses For Africa, uma uma organização cristã que os distribui para crianças carentes na África.

Ela tem como objetivo fazer 1000 vestidos antes do seu aniversário de 100 anos – já fez 840. Lilian diz que conseguiria fazer até dois no mesmo dia, mas prefere se dedicar a tornar cada peça única e com muita personalidade

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Candidato do PSDB quer kit macho em escola e chama PT de “partido do demo”

Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Matheus Sathler (PSDB-DF): "eixo liberal-conservador"
Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Matheus Sathler (PSDB-DF): “eixo liberal-conservador”

Vinícius Segalla, no UOL

O advogado Matheus Sathler, candidato do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) pelo Distrito Federal a uma vaga na Câmara dos Deputados, tem chamado a atenção e se tornado alvo de polêmica em Brasília e nas redes sociais.

Os motivos são suas bandeiras, plataformas eleitorais, atos e promessas de campanha. Entre suas propostas caso seja eleito, está a luta pela criação do que ele chama de “Kit Macho” e Kit Fêmea”, que seriam cartilhas para serem distribuídas nas escolas para “ensinar homem a gostar de mulher e mulher a gostar de homem”.

De acordo com o candidato, o kit serviria para neutralizar as ações que são desenvolvidas pelo programa federal “Brasil Sem Homofobia”, que estaria ensinando o homossexualismo às crianças brasileiras.

Em entrevista ao UOL, Sathler disse que não gostaria que fosse feita uma reportagem com foco apenas na proposta dos kits macho e fêmea, já que possui uma série de propostas e ideias inovadoras para “livrar a família brasileira de sua total destruição, como vem tentando fazer o PT (Partido dos Trabalhadores), que é o partido de Satanás”. O candidato fez também uma denúncia, a de que existiria um “propinoduto gay” dentro do governo federal.

Após a entrevista com candidato tucano, a reportagem do UOL entrou em contato com o diretório do PSDB do Distrito Federal, para conhecer o posicionamento do partido em relação às ideias de Matheus Sathler.

Leia, abaixo, o que diz Eduardo Jorge Caldas Pereira, presidente do PSDB-DF, sobre o assunto, e, depois, os principais trechos da entrevista com o candidato.

UOL – O partido concorda com os posicionamentos do candidato Matheus Sathler?

Eduardo Jorge Caldas Pereira – O partido não concorda e já expressou isso diretamente a ele.

UOL – O que o partido pensa sobre a proposta de criação do “kit macho” e do “kit fêmea”?

E.J.C.P. – O partido é radicalmente contra essa ideia.

UOL – Se o partido é contrário aos entendimentos do candidato, qual é a lógica em mantê-lo entre seus quadros e de promover a sua candidatura?

E.J.C.P. – Um partido politico não precisa concordar com todas as crenças de todos os seus filiados. O que deve ser exigido é o cumprimento do programa partidário. O candidato, ao pleitear a vaga, se comprometeu a seguir o programa do PSDB. Quando esse assunto foi ventilado pela primeira vez – já depois de escolhido como candidato – e ele manifestou sua opinião, foi chamado pelo presidente do partido e se comprometeu a seguir a orientação partidária. O partido não dará guarida à posição do candidato.
Entrevista com o candidato a deputado federal Matheus Sathler (PSDB-DF)

UOL – O senhor registrou em cartório o compromisso de doar 50% de seu salário como deputado, caso seja eleito, a entidades que tratam crianças que são vítimas de pedofilia homossexual. Há entidades assim específicas?

Matheus Sathler – Veja, eu não gostaria que a matéria ficasse restrita a este foco. Antes, gostaria de dizer que desde o ano de 2008 eu venho denunciando a existência de uma máfia gay dentro do governo federal, que vem desviando recursos públicos da área da Saúde para militantes LGBT (sigla para Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros).

UOL – De que forma são feitos esses desvios?

M.S. – Por meio do Programa Nacional de DST/Aids, que é controlado por militantes gays. Eles utilizam dinheiro público para participar de congressos internacionais onde homens fazem sexo com homens. O governo envia gente para essas excursões gays sob a justificativa de que são congressos de combate à Aids, fazendo a farra com o dinheiro público. Desde 2011, eu denuncio também o desvio de dinheiro público para ONGs gays, através de convênios geridos pelo CNCD/LGBT (Conselho Nacional de Combate a Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).

UOL – Mas qual é a ilegalidade existente nesses convênios?

M.S. – Eles são criados de uma forma ilícita, abrigando somente entidades LGBT, não abrindo participação para as pessoas de bem. Então, foi criado esse propinoduto… espere, vamos ver, vamos dar um nome forte, para pegar o nome mesmo… (pausa) propinoduto LGBT.

UOL – Recentemente, o senhor também foi à polícia denunciar que estava recebendo ameaças e xingamentos em virtude de suas opiniões…

M.S. – Sim, ameaças de morte! Estou denunciando há uma semana. Eles (homossexuais) são os mais intolerantes. O pastor Silas Malafaia (líder do ministério Vitória em Cristo, ligado à Assembleia de Deus) falou recentemente disso que eu também estou sofrendo, essa perseguição do povo gay, via aparelhos do Estado criados para perseguir, contrariar a liberdade de expressão e usar os idiotas úteis para acabar com a espiritualidade e com a família.

UOL – Como se dá essa perseguição?

M.S. – Eles praticam fanatismo, demonizam o PSDB e outros partidos, é parecido com o discurso e os métodos de Adolf Hitler. Criaram um inimigo comum, tentam controlar as palavras. Já não se pode mais falar “homossexualismo”, agora é “homossexualidade”. Não pode dizer “dupla de homens”, é um “casal”. Presidente tem que ser presidenta. Tentam controlar a fala da população, isso é um método ligado ao comunismo histórico, ao stalinismo, e Hitler era nacional-socialista, não era de extrema direita, isso é mentira, ele tinha acordo com a União Soviética, que depois foi quebrado por interesses, não por ideologia. O nome do partido nazista era nacional-socialista.

UOL – Agora podemos voltar ao assunto da sua promessa registrada em cartório de doar metade de seu salário a entidades que cuidam de crianças que são vítimas de pedofilia gay? 

M.S. – É um compromisso ao qual eu chamo atenção pela causa altruísta. Eu vou dar o dinheiro para creches, instituições cristãs que já ajudam na recuperação de crianças vítimas de pedofilia, qualquer tipo de pedofilia. Mas eu quero ajudar especificamente as vítimas de pedófilos gays, potencializar o uso da doação nesse sentido. O dinheiro é meu, eu tenho direito. Não podem querer controlar até o que eu faço com o meu dinheiro.

UOL – Entre as suas bandeiras está também a criação dos chamados “kit macho” e “kit fêmea”. Pode explicar do que se trata?

M.S. – Esse programa já está bem explicado em minha página na internet e em vídeos que coloquei no Youtube. O “kit macho” é para educar o menino a ser fiel à esposa, não ser violento, ser o líder da casa, não abandonar o lar, não ser apegado a bebidas e drogas, e, principalmente, a gostar somente de mulher.

UOL – E o “kit fêmea”?

M.S. – O “kit fêmea” é para instruir a mulher a ser feminina, dócil, boa dona de casa, boa mãe, apegada aos filhos e apegada ao marido.

UOL – O senhor é contra a mulher trabalhar fora de casa?

M.S. – Não, não. Não sou contra a mulher trabalhar fora, mas não posso falar da família dos outros. Na minha casa,  a minha esposa abriu mão da sua carreira em nome de tomar conta do lar. Eu sustento minha esposa e ela me sustenta no auxílio que eu preciso. Porque o problema social da família está ligado à estrutura familiar, porque o PT quer destruir a família.

UOL – O PT tem por objetivo destruir a família?

M.S. – Mas sem a menor dúvida! O PT é o partido de Satanás, pode escrever assim mesmo, para dar uma chamada meio forte. Você pode colocar que eu represento a ala mais ortodoxa no sentido liberal-econômico no PSDB. Que eu defendo a extinção do termo superavit primário, para defendermos um superavit nominal, com o pagamento total das dívida interna e externa, e não só dos juros da dívida. Diferentemente do PT e do Lula, que defendem o calote da dívida interna e externa. Eles são caloteiros, nós não somos caloteiros.

UOL – Quais outras teses o senhor defende para que se diga que o senhor é da ala mais ortodoxa do partido?

M.S. - Defendo a redução da carga tributária, tenho um plano de redução da carga na medida de um ponto percentual do PIB por ano, durante 30 anos, até que tenhamos uma das menores cargas tributárias do mundo. Proponho também uma privatização cooperativista do SUS (Sistema Único de Saúde) e do sistema educacional. Ou seja, os professores vão tomar a frente da educação pública. No começo, vai haver repasse de verbas para as cooperativas, o que vai ser reduzido gradualmente na medida que a carga tributária for sendo reduzida e eles puderem conduzir seus negócios por conta própria.

Também defendo a substituição do Bolsa-Família pelo Bolsa-Empresário, onde quem recebe o benefício atual poderá trocá-lo por acesso a microcrédito, cursos de empreendedorismo etc. Assim, todos poderão andar pelas próprias pernas, e não mais depender do Estado. Assim, se uma mulher que recebe o Bolsa-Família terá condição de montar o seu ateliê, seu salão de manicure, ou o que ela quiser, é o livre-empreendedorismo.

UOL - O senhor partilha dessas ideias com algum grupo político ou pessoas com posicionamentos semelhantes? Há peças de sua campanha ao lado do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ)…

M.S. – Minha relação é muito boa com o Pastor Silas Malafaia, com o deputado Pastor Marcos [sic] Feliciano (PSC-SP) e com o Padre Paulo Ricardo (da ala conservadora da Igreja Católica). Também têm entrado em contato comigo o Reinaldo Azevedo e o Rodrigo Constantino (ambos colunistas e blogueiros da revista Veja). Nós, os liberais-conservadores, temos nos articulado, sim.

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Com entrada de Marina, Dilma fica mais longe do apoio evangélico

Candidatura da presidenciável do PSB passa a atrair lideranças do grupo que representa 20% do eleitorado. Presidente-candidata é quem mais tende a perder

A candidata à Presidência Marina Silva (PSB) faz no Recife seus primeiros atos de campanha (foto: Carlos Ezequiel Vannoni/AG. JCM/Fotoarena /Folhapress)
A candidata à Presidência Marina Silva (PSB) faz no Recife seus primeiros atos de campanha (foto: Carlos Ezequiel Vannoni/AG. JCM/Fotoarena /Folhapress)

Publicado na Veja on-line

A entrada de Marina Silva (PSB) como candidata à Presidência da República está redesenhando o cenário eleitoral entre os evangélicos, grupo que representa 20% do eleitorado. Devota da Assembleia de Deus, Marina passou a atrair o apoio de líderes evangélicos antes alinhados com o Pastor Everaldo (PSC), quarto colocado nas pesquisas. No novo contexto, quem mais tende a perder apoio das lideranças evangélicas é a presidente Dilma Rousseff.

Com templos em cerca de 500 municípios brasileiros, a Igreja Fonte da Vida é comandada pelo Apóstolo César Augusto, que integrou um grupo de apoio a Dilma em 2010. “O quadro mudou muito. As nossas expectativas não foram supridas. Houve um desgaste com relação ao governo do PT”, afirmou o apóstolo, que dava como praticamente certo o apoio ao Pastor Everaldo até a morte do ex-governador Eduardo Campos, então candidato à Presidência pelo PSB, em um acidente aéreo no dia 13. “Eu represento dois milhões de pessoas e, dos líderes que tenho contato, a tendência é que talvez 80% migrem para a Marina”, avaliou.

No coro contra Dilma, destaca-se Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Ex-aliado de Lula, ele se diz perseguido pelo governo petista desde que pediu a prisão dos condenados no processo do mensalão em um evento religioso, há dois anos, em Brasília. O pastor, que apoiou José Serra em 2010, também afirma ter outros motivos para fazer propaganda contra Dilma. “O PT pensa que nós somos otários e não estamos monitorando o que eles estão fazendo. Tudo que é lixo moral, o PT apoia”, criticou, ao dizer que boa parte da legenda é a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em guerra contra Dilma, Malafaia vai fazer campanha para Pastor Everaldo, mas diz que recebeu bem a entrada da ex-ministra do Meio Ambiente na disputa. “Se a Marina for para o segundo turno contra Dilma, eu vou de cabeça com Marina”, afirmou.

Em 2010, Dilma conseguiu o apoio de grande parte dos líderes religiosos após fechar um acordo em que se comprometia a não trabalhar pessoalmente no avanço de temas como aborto e casamento gay, que ficariam a cargo do Congresso. Neste ano, ainda não houve uma definição oficial no programa da candidata a respeito de temas desse tipo. Mas, nem mesmo a presença da presidente em eventos e templos religiosos tem dado retorno.

No início do mês, ela esteve em uma igreja em São Paulo da Assembleia de Deus, maior congregação evangélica do país, com mais de 12 milhões de fiéis. Entretanto, o presidente da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil, Bispo Manoel Ferreira, que recepcionou Dilma no encontro e participou de sua coordenação de campanha em 2010, está com Pastor Everaldo e será uma das atrações da propaganda eleitoral do candidato.

Uma semana antes, Dilma participara da inauguração do Templo de Salomão em São Paulo, ao lado do chefe da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, que foi um de seus aliados nas últimas eleições. A igreja informou que vai se abster de apoiar qualquer partido e seus respectivos candidatos. Entre os líderes ouvidos, o único que ainda não tem posição definida é Robson Rodovalho. O bispo comanda a Sara Nossa Terra, que tem mais de 1.000 igrejas espalhadas em todos os estados do país. Em 2010, ele apoiou Dilma Rousseff, mas agora diz estar desapontado com o partido da presidente.

“O PT perdeu muita credibilidade com os parceiros, não só os religiosos. Uma pessoa (Dilma) faz um acordo, e os outros (membros do partido) não assinam embaixo”, criticou. Sobre a presença de Marina na disputa, Rodovalho disse que será bom para os evangélicos se houver “um bom diálogo com ela”. Com forte atuação na região Norte, o apóstolo Renê Terra Nova, do Ministério Internacional da Restauração, vai manter a linha adotada nas últimas eleições, quando apoiou Marina Silva. Por sua vez, o chefe da Igreja do Evangelho Quadrangular, Mário de Oliveira, que apoiou Dilma em 2010, agora faz campanha com Pastor Everaldo e diz que vai “indicar o voto aos fiéis”.

(Com Estadão Conteúdo)

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Por que a religião não é saída?

O budismo light vai bem com vinho branco no calor. Nas redes sociais, a religião combina com Coca Zero

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Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

Por que a religião não é mais uma saída? Afirmei há algumas semanas nesta coluna (“O Impasse Conservador”, de 11 de agosto) que a religião não era mais saída. Muitos leitores me perguntaram o que eu queria dizer com isso.

No contexto do pensamento conservador é muito comum associar tradições religiosas à defesa do hábito como instrumento contra os excessos do “racionalismo político” herdeiro da Revolução Francesa e sua “engenharia social”.

Muitos conservadores (mas, evidentemente, não todos) são religiosos ou defendem uma adesão religiosa de alguma forma. Entendem que a vida pautada por alguma tradição religiosa responde a uma necessidade profunda do ser humano e que, portanto, o anticlericalismo iluminista francês atrapalha o homem quando o faz pensar que a religião seria atraso de vida ou coisa de gente estúpida ou ignorante.

Voltaire, por exemplo, típico iluminista do século 18 francês, via a religião como uma superstição das trevas. A crítica de Voltaire se aplicaria bem ao caso do Estado Islâmico no Iraque e seus horrores como cortar cabeças e clitóris.

Sei que muitas pessoas inteligentes são religiosas e que não se pode afirmar definitivamente nada sobre a existência de figuras como o Deus israelita, que o cristianismo abraçou na figura de Cristo. Vejo muitas das tradições religiosas do mundo como grandes exemplos de sabedoria. Nem tudo é o Estado Islâmico em religião.

Como dizia Chesterton, autor inglês do início do século 20, não há problema em deixar de acreditar em Deus; o problema é que normalmente passa-se a acreditar em qualquer bobagem como história, política, ciência, ou, pior, em si mesmo, como forma de salvação. Eu acho que não há salvação para o homem.

Existe também a literatura mística que descreve experiências diretas de Deus e que é marcada por grandes transformações na vida dessas pessoas, muitas vezes de modo enriquecedor. Sou um leitor apaixonado dessa tradição.

Mas, então, por que digo que a religião não é saída? Antes de tudo para mim, pessoalmente. Não nasci com o órgão da fé, como dizia o filósofo Cioran no século 20. Mas, de modo mais amplo, entendo que as religiões no mundo contemporâneo ou se acomodam aos ditames da sociedade de mercado e viram mais ou menos produtos dela (e acabam ficando meio inócuas), ou entram em choque com o mundo contemporâneo e caem na tentação fundamentalista.

Existem tipos de religião. Um deles é a “nova era”, forma de espiritualidade ao portador, com alto poder de consumo e baixíssimo comprometimento, do tipo “budismo light”. Vai bem com vinho branco no calor. Também há o tipo de religião nas redes sociais –vai bem com Coca Zero.

Outro é a adesão “dura”, que muitos chamam de fundamentalismos. Podem ter viés político, como no Oriente Médio, ou os católicos comunistas da América Latina (que reclamam do capitalismo e viram MST), ou moral, como no caso dos evangélicos. Ou mesmo os católicos “praticantes”.

Há também os sensíveis e cultos, que podem deixar qualquer ateu chocado com como são mais inteligentes do que os ateus militantes (um tipo basicamente chato).

Há também os que creem em “transes”, do kardecismo doutrinário, meio sem graça, aos cultos afro-brasileiros, mais interessantes e “coloridos”. Claro, há também os conversos às religiões orientais, que, na maioria das vezes, têm baixo comprometimento ou viram monges de adesão “dura”.

Há também os que entendem que as religiões falam todas a mesma coisa: amor, generosidade, compreensão. A ideia é boa, mas não é verdade. Na prática, as religiões não falam a mesma coisa. Por exemplo, um judeu e um cristão podem concordar sobre como a guerra é ruim, mas é melhor que não discutam sobre se Jesus é ou não o messias.

No mundo contemporâneo, uma religião, para ser bem-comportada, tem que se submeter à lógica do Estado democrático laico, como diria John Stuart Mill no início do século 19. Por isso, deve “baixar a bola” e entrar na competição do “mercado de sentido da vida” e jamais questionar a sociedade laica. Se o fizer, cai na tentação fundamentalista. Um beco sem saída.

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Criador do kit macho muda de tática depois de advertência do partido

Matheus Sathler, candidato a deputado federal pelo PSDB, é convencido pela sigla a retirar proposta de cartilha que ensina homem a gostar só de mulher. Mas, segundo ele, o discurso vai continuar a ser feito na campanha de rua

Sathler em campanha: propostas a "favor da família" vão deixar a televisão e o rádio, mas continuam nas ruas
Sathler em campanha: propostas a “favor da família” vão deixar a televisão e o rádio, mas continuam nas ruas

Almiro Marcos, no Correio Braziliense

Um dia depois de aparecer no horário eleitoral gratuito no rádio e na tevê propondo a criação do kit macho — para ensinar homem a gostar somente de mulher — e de causar reações contrárias e a favor da posição, o candidato a deputado federal Matheus Sathler (PSDB) disse que não se arrepende. “É a minha opinião e continuo pensando assim. Menino gostar de menino é antinatural”, resumiu. Enquadrado pelo partido, ele pretende começar a falar sobre temas menos polêmicos nas propagandas. “Também defendo a redução na carga tributária e nos gastos públicos”, acrescentou. O PSDB do Distrito Federal decidiu determinar a retirada do material do ar. Um candidato do PSol, ativista gay, entrou com uma representação contra o tucano no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Nas redes sociais, as opiniões foram exaltadas e divergentes. O tucano evangélico foi atacado por ativistas e chamado de homofóbico, preconceituoso e gayzista, mas também foi parabenizado pela iniciativa. Até as 19 horas de ontem, o post com a reportagem sobre o assunto, na página do Correio Braziliense em uma rede social, tinha mais de 500 compartilhamentos e milhares de curtidas e comentários.

A propaganda polêmica foi ao ar duas vezes na televisão (tarde e noite) e duas vezes no rádio (manhã e tarde) na última quinta-feira. Nela, Matheus Sathler fala da distribuição de cartilhas contrárias ao homossexualismo e a favor do que ele considera normal (homem gostar de mulher). O PSDB chegou a afirmar que o material não tinha sido divulgado, mas depois admitiu a publicidade. De acordo com o partido, não houve tempo para que a produtora fizesse a substituição, mas que a propaganda não voltaria a ser exibida até que a situação fosse discutida entre a direção partidária e o candidato.

Ontem, enquanto fazia uma caminhada pelo Recanto das Emas à tarde, Matheus Sathler recebeu uma ligação do presidente da legenda no DF, Eduardo Jorge. “Ele não chegou a me censurar. Apenas pediu que eu passe a apresentar outras propostas no horário eleitoral. Concordei com isso, pois tenho outros pontos a debater. Mas a minha posição a favor da família continuará a ser mostrada na minha campanha de rua. Não tenho nada a me esconder e nem por que me envergonhar ou temer.”

dica do Gerson Caceres

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