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Torcedor que quebrou TV ganha projetor

Ação nas redes sociais desenvolvida pela agência Casa para o MagazineLuiza.com interage com paranaense que quebrou a TV após jogo Brasil e Chile

publicado no Meio & Mensagem

Um dos episódios domésticos ocorridos durante a Copa do Mundo que mais repercutiu até agora rendeu ação de oportunidade do MagazineLuiza.com. A agência Casa, que cuida da presença do anunciante nas redes sociais, resolveu promover uma interação entre a personagem virtual e porta-voz da marca, Lu, e o torcedor paranaense Rafael Gambarim.

Ele ficou famoso nas redes sociais após viralização de um vídeo caseiro postado por uma tia, que mostra o nervosismo de Rafael durante a disputa de pênaltis entre Brasil e Chile. Após uma defesa de Julio César, ainda antes do final da partida, ele comemora, eufórico, mas resolve dar um murro na TV quando a tela mostra um jogador chileno. Assim, acabou quebrando o aparelho.

Em pouco tempo, o vídeo ganhou milhares de compartilhamentos no Facebook e WhatsApp e inúmeras cópias no YouTube. Rafael se transformou em uma dessas personalidades instantâneas, e deu até entrevista para a mídia estrangeira.

Apesar da fama, ele precisara repor a TV antes da partida de Brasil e Colômbia, nessa sexta 4. Ou ver seu vídeo ser mencionado no Twitter oficial do Magazine Luiza, ele respondeu dizendo que seus amigos gostariam de amarrá-lo para que não quebrasse nada no próximo jogo. Foi aí que a personagem Lu o presenteou com um projetor multimídia, que não corre o risco de ser quebrado caso Rafael resolva repetir o gesto. “No telão a partida vai ficar chique. Só espero que o Brasil ganhe o jogo no tempo regular para não ter o nervosismo dos pênaltis”, diz Rafael.

Nesta sexta 4, durante o jogo Brasil e Colômbia, Rafael terá seus batimentos cardíacos monitorados para um bolão nos perfis oficiais da rede varejista nas redes sociais. Se alguém acertar qual será o pico de batimentos, a loja promete liberar uma oferta especial para todos.

Veja abaixo a conversa entre a personagem virtual Lu, do Magazine Luiza, e o torcedor Rafael Gambarim. E, mais abaixo, o vídeo que deu origem à ação de oportunidade.

Somente Imagem

 

Torcedores usam xingamentos racistas para criticar Zúñiga

Zúñiga e a falta que tirou Neymar da Copa (foto: AP)

Zúñiga e a falta que tirou Neymar da Copa (foto: AP)

Publicado no Extra

A vida do lateral Camilo Zúñiga, jogador colombiano responsável pela falta que provocou a lesão em Neymar, não está sendo fácil. Logo após o jogo, suas contas em redes sociais receberam uma enxurrada de críticas e xingamentos de torcedores da seleção brasileira. Boa parte das mensagens destinadas ao jogador são de conteúdo racista. No Twitter, a palavra mais usada para se referir a Zúñiga foi ‘macaco’, em uma clara tentativa de ofender e diminuir o jogador.

“Aquele macaco daquele jogador colombiano merece sofrer pro resto da vida dele”, escreveu uma usuária. “Tudo um bando de macaco esses jogador da colômbia”, compartilhou outra.

z1z2Até para pedir uma punição ao jogador, foi usado conteúdo racista. “Espero que esse macaco da Colômbia sofra uma punição”. “Copa sem Neymar. Raiva desse macaco da Colômbia”, escreveram outros dois brasileiros.

z3Apesar do racismo de boa parte da torcida brasileira, rapidamente o comportamento preconceituoso também começou a receber críticas. Usuários lembraram o caso do jogador Daniel Alves, atingido por bananas durante um jogo pelo Barcelona, que resultou na campanha #somostodosmacacos, uma ação brasileira para pedir o fim do racismo nos estádios.

No início da partida entre Brasil e Colômbia, um anúncio da campanha #SayNoToRacism (#DigaNãoAoracismo) foi lido pelos capitães das duas seleções, Thiago Silva e Mario Yepes.

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Chico Buarque e a cultura humanista cristã

chicocapaRicardo Gondim

Vários artistas e intelectuais escreveram sobre a vida e obra de Chico Buarque de Holanda nos seus 60 anos de idade. - Chico Buarque do Brasil - Editora Garamond – Edições Biblioteca Nacional. Entre as análises, interessei-me pelo capítulo de Leonardo Boff –  Chico Buarque e a cultura humanista cristã. Transcrevo alguns parágrafos:

O cristianismo é mais que uma confissão religiosa, encarnada em muitas igrejas. É principalmente uma força cultural que desborda das confissões e segue uma via secular, marcando a cultura ocidental, incompreensível sem a seiva cristã que corre por suas veias.

Esta expressão cultural e secular do cristianismo talvez seja a contribuição maior e mais perene que a utopia e o sonho do Nazareno legaram à humanidade.

Seria, entretanto, um erro histórico e pretensão descabida pensar que o cristianismo seja a única fonte modeladora deste humanismo. Presentes nele estão a filosofia e o teatro gregos, o direito e organização político-militar romana, o espírito inovador da Renascença, a liberdade reivindicada pelos formuladores do paradigma da ciência moderna com Galilei, Newton e Copérnico, a tradição emancipatória da Revolução Francesa e a reflexão moderna filosófica, psicanalítica e cosmológica.

A sacralidade e a inviolabilidade de cada pessoa, subjacente a toda luta pelos direitos humanos, têm sua razão derradeira na crença de que todos, por humílimos que sejam, são filhos de Deus. Foi por aí que Gandhi fundava a dignidade dos párias e condenava todo tipo de violência: ‘não se pode fazer isso, com um filho e filha de Deus’.

O fato de sentirmos em nós um desejo infinito que não encontra no mundo nenhum objeto que lhe seja adequado, como tão bem vem insinuado em algumas letras das músicas de Chico (a função do tormento em sua produção), encontra seu fundamento ontológico no falto de que somos seres de transcendência, abertos aos outros, ao mundo, ao Todo e, no termo, ao Grande Outro. Por isso, sentimo-nos um projeto infinito, que nenhuma religião, nenhuma ideologia, nenhuma ciência, nenhum Estado ou configuração social pode realizá-lo adequadamente, permitindo-nos repousar.

Partindo dessa percepção é que o filósofo Immanuel Kant afirmava insistentemente em sua ética que o ser humano é sempre um fim em si mesmo e jamais um meio para qualquer outra coisa. (o grifo é meu).

Terminei o capítulo de Boff impressionado com o reconhecimento de um cristão pela grandeza humana de alguém que não se declara religioso. Lembrei da música Geni e o Zepelin. A letra transborda uma percepção extraordinária da grandeza da prostituta que “dava” para os desvalidos, mas sentiu asco de deitar com o comandante do Zepelin gigante. Apesar de demonizada e apedrejada, Geni era uma linda mulher. É preciso um coração terno para notar as lindas mulheres que perambulam nos arredores da vida. (A música, aqui)

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo – Mudei de idéia
– Quando vi nesta cidade
– Tanto horror e iniquidade
– Resolvi tudo explodir
– Mas posso evitar o drama
– Se aquela formosa dama
– Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
– e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni.

Antes que os guardiões da reta moralidade se organizem para criticar Leonardo Boff ou Chico, preciso mencionar a Raabe bíblica. Os espias que invadiriam Jericó procuraram refúgio (eufemismo) na casa de luzes vermelhas. Josué pagou? Quanto? Nunca saberemos. Depois, a empreitada de invadir a cidade dependeu da lealdade de Raabe. Algo aconteceu. A estória sugere que um dos valentes foi para a cama com ela, que se amaram tanto que depois se casaram.

Jesus advertiu: as Genis e as Raabes entrarão no Reino antes dos religiosos. Me irmano ao frei Leonardo Boff, e sem medo também digo: Chico, sua sensibilidade humana me toca mais do que muitas afirmações da religiosidade institucional.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

Estudo fotográfico registra o que as pessoas comem ao redor do mundo

Projeto é dos fotojornalistas Peter Menzel e Faith D’Alusion

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publicado no Brasinstorm9

Uma das principais expressões culturais de um povo – ou um país – está na culinária. É por meio do cardápio dos habitantes de um lugar que conseguimos entender muito sobre sua história, localização geográfica, hábitos, etc. Foi partindo deste princípio que os fotojornalistas Peter Menzel e Faith D’Alusion decidiram fazer um estudo fotográfico registrando o que as pessoas comem ao redor do mundo. O resultado está no livro What I Eat: Around the World in 80 Diets.

A dupla percorreu 30 países em três anos, pedindo que as pessoas retratadas mostrassem o que elas geralmente comem ao longo de um dia, falando um pouco de sua cultura e outras informações que ajudem a entender sua cultura.

O livro pode ser adquirido pela Amazon, mas mostramos algumas das imagens abaixo.

eat australia

eat brasil

eat canada

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eat china

eat china1

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eat egito

eat equador

eat espanha

eat eua

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eat iemen

eat india

eat venezuela

Dez conceitos científicos que as pessoas deveriam parar de usar do jeito errado

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publicado no Giz Modo

Muitos conceitos saíram do mundo da ciência e passaram a fazer parte da linguagem do dia a dia — e, infelizmente, eles quase sempre são usadas de maneira incorreta. Nós pedimos a um grupo de cientistas para listarem quais são os termos científicos que mais são usados do jeito errado. Aqui estão dez deles.

1. Prova

O físico Sean Carroll diz:

Eu diria que “prova” é o conceito mais incompreendido da história da ciência. Ele tem uma definição técnica (a demonstração lógica de que certas conclusões decorrem de certas suposições) que está em forte desacordo com a maneira como o termo é usado em conversas casuais, que está mais próxima do simples “forte evidência de alguma coisa”. Há uma incompatibilidade entre o que os cientistas dizem e o que as pessoas ouvem, porque os cientistas tendem a ter a definição de prova em mente. E, por definição, a ciência nunca prova coisa nenhuma! Então quando nos perguntam “Qual é a prova científica de que nós evoluímos de outras espécies?” ou “Nós podemos realmente provar que as mudanças climáticas são causadas por atividades humanas?” nós tentamos desenvolver uma explicação em vez de simplesmente dizer “Sim, nós podemos provar”. O fato de que a ciência nunca prova nada realmente, mas simplesmente cria cada vez mais teorias confiáveis e abrangentes sobre o mundo — teorias essas que sempre podem ser atualizadas e melhoradas — é um dos aspectos-chave que explicam porque a ciência é tão bem-sucedida.

2. Teoria

O astrofísico Dave Goldberg tem uma teoria sobre a palavra teoria:

Os membros do público geral (junto com as pessoas que brandem machados ideológicos) ouvem a palavra “teoria” e a equalizam com “ideia” ou “suposição”. Teorias científicas são sistemas completos de ideias que podem ser testadas e que são potencialmente refutáveis, seja por evidências ou por um experimento que alguém poderia fazer. As melhores teorias (entre as quais eu incluo a daRelatividade Especial, a da Mecânica Quântica e a da Evolução) resistiram a cem anos — ou mais — de desafios, tanto de pessoas que queriam se provar mais espertas do que Einstein como daqueles que não gostam de desafios metafísicos porque eles não se encaixam em suas visões de mundo. Por fim, teorias são maleáveis, mas não infinitamente. Teorias podem ser incompletas ou terem detalhes errados sem que todo o conceito caia por terra. A Teoria da Evolução foi sendo adaptada ao longo dos anos, mas não a ponto de ficar irreconhecível. O problema com a frase “é só uma teoria” é que ela implica que uma teoria científica real é algo pequeno — e não é.

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3. Incerteza Quântica e Estranheza Quântica

Goldberg acrescenta que duas ideias têm sido mais mal interpretadas e vilipendiadas que quaisquer outros conceitos: a Incerteza Quântica e a Estranheza Quântica (também chamada de comportamento não-local ou entrelaçamento quântico). Isso acontece quando as pessoas se apropriam de conceitos da Física com intenções espirituais ou New Age:

As pessoas criam falácias que são exploradas por um certo tipo de espiritualistas e gurus da autoajuda, que podem ser resumidas por aquela abominação chamada“Quem somos nós?” (o filme cujo título original é “What the Bleep Do We Know?”). Todo mundo sabe que o ponto central da mecânica quântica é a questão da medida. Um observador que tentar medir a posição ou o momentum ou a energia causa “o colapso da função de onda”, que entra em colapso de modo não determinista. (Na verdade, um dos meus primeiros artigos foi sobre “Quão esperto você precisa ser para causar o colapso de uma função de onda?”). Mas só porque o universo não é determinista, isso não significa que você está no controle dele. É incrível (e assustador) o modo como em certos círculos pensantes a Incerteza Quântica e a Estranheza Quântica sempre aparecem ligadas à ideia de alma, de que seres humanos controlam o universo ou a qualquer outra pseudociência. No fim das contas, somos feitos de partículas quânticas (prótons, nêutrons, elétrons) e somos parte do universo quântico. Claro que isso é legal, mas apenas no sentido de que a física é muito legal.

4. Aprendido versus inato

A bióloga evolutiva Marlene Zuk diz:

Um dos usos errados de que eu mais gosto é a ideia de os comportamentos serem “aprendidos versus inatos” ou qualquer uma das outras versões desse erro. A primeira pergunta que eu frequentemente recebo quando eu falo sobre comportamento é sobre o que é “genético” e o que não é, e isso é um erro porque TODOS as características SEMPRE são o resultado de uma junção das contribuições dos genes e do ambiente. Só a diferença entre as características, e não a característica em si, pode ser tida como genética ou aprendida — por exemplo: se você tem gêmeos idênticos criados em ambientes diferentes e eles fazem alguma coisa de forma diferente (como falar línguas diferentes), então a diferença é aprendida. Mas falar francês ou italiano ou qualquer outra língua não é, por si mesmo, algo totalmente aprendido, porque, no final das contas, obviamente que a criatura precisa ter um determinado background genético para ser capaz de falar.

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5. Natural

O especialista em Biologia Sintética Terry Johnson está cansado de ver as pessoas entendendo o significado dessa palavra do jeito errado:

“Natural” é uma palavra que vem sido usada em tantos contextos e com tantos significados diferentes que se tornou praticamente impossível analisar essa questão. Seu uso mais básico, que distingue os fenômenos que só existem por causa da humanidade de fenômenos que não precisam dela para acontecerem, pressupõe que os seres humanos estão fora da natureza e que nossas obras não são naturais quando comparadas às obras de, digamos, castores ou abelhas.

Quando estamos falando de comida, “natural” é uma definição ainda mais escorregadia. A palavra tem significados diferentes em países diferentes e, nos EUA, a FDA simplesmente desistiu de tentar definir “comida natural” (principalmente em favor do termo “orgânico”, outra palavra de significado nebuloso). No Canadá, eu poderia comercializar milho como “natural” se eu evitar a adição ou a subtração de várias coisas antes de vendê-lo, mas o próprio milho já é o resultado de milhares de anos de seleção feita por humanos, de uma planta que não existiria sem a intervenção humana.

6. Gene

Johnson tem uma preocupação ainda maior com a maneira como a palavra gene é usada:

Foram necessários 25 cientistas trabalhando por dois dias para que chegássemos a uma definição: “uma região localizável de sequência genômica, correspondente a uma unidade de herança, que é associada a regiões reguladoras, regiões transcritas e/ou outras regiões de sequências funcionais”. Isso significa que um gene é uma pedacinho do DNA para o qual nós podemos apontar e dizer “aquilo faz alguma coisa, ou regula a realização de alguma coisa”. A definição é bem flexível e pode ser reelaborada; pouco tempo atrás nós pensávamos que grande parte do nosso DNA não servia para nada. Nós o chamávamos de “DNA lixo”, mas estamos descobrindo que muito desse lixo tem funções que não são óbvias.

Normalmente, a palavra “gene” é usada do jeito errado quando vem seguida da palavra “para”. Há dois problemas aqui. Todos nós temos genes para hemoglobina, mas nem todos temos anemia falciforme. Pessoas diferentes têm versões diferentes do gene da hemoglobina e essas versões se chamam alelos. Existem alelos de hemoglobina que são associados à anemia falciforme e outros que não são. Então, um gene se refere a uma família de alelos e apenas alguns membros dessa família estão associados a doenças e desordens — isso se estiverem. O gene não é o problema — acredite, você não viveria muito tempo sem hemoglobina –, embora uma determinada versão da hemoglobina possa ser problemática.

O que mais me preocupa é a popularização da ideia de que quando uma variação genética está relacionada a alguma coisa, ela se torne “o gene para” aquela coisa. Esta linguagem acaba sugerindo que “esse gene causa uma doença cardíaca”, quando na realidade, em geral, o correto seria dizer “pessoas que têm este alelo parecem ter uma incidência ligeiramente maior de doenças cardíacas, mas nós não sabemos qual o motivo disso e talvez haja vantagens que compensem essa característica desse alelo, mas nós ainda não as descobrimos porque simplesmente não estávamos procurando por elas”.

7. Estatisticamente significante

O matemático Jordan Ellenberg quer deixar o registro correto sobre esse conceito:

“Estatisticamente significante” é uma daquelas frases que os cientistas gostariam de pegar de volta e renomear. “Significante” sugere importância; mas o teste de significância estatística, criado pelo estatístico britânico R.A. Fisher, não mede a importância ou o tamanho de um efeito; ele apenas aponta a existência desse efeito, mostra que somos capazes de percebê-lo, usando nossas ferramentas estatísticas mais afiadas. “Estatisticamente perceptível” ou “estatisticamente discernível” seriam expressões muito melhores.

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8. Sobrevivência do mais apto

A paleoecologista Jacquelyn Gill diz que as pessoas não compreendem um dos princípios mais básicos da Teoria da Evolução.

No topo da minha lista está “sobrevivência do mais apto”. Em primeiro lugar, essas não são palavras de Darwin; em segundo lugar as pessoas não compreendem direito o que significa “mais apto”. Também há muita confusão sobre o conceito de evolução no geral, incluindo a persistente ideia de que a evolução é progressiva e direcional (ou mesmo algo deliberado da parte dos organismos; as pessoas simplesmente não pegam a ideia de seleção natural), ou a ideia de que todas as características devem ser adaptativas (seleção sexual existe! Mutações aleatórias também!).

Mais apto não significa mais forte nem mais inteligente. Significa simplesmente um organismo que se encaixa melhor em seu ambiente, o que pode significar qualquer coisa, desde “menor” ou “mais escorregadio” até “mais venenoso” ou “mais capaz de viver sem água por semanas”. Além disso, as criaturas nem sempre evoluem de maneira que nós possamos explicar as adaptações. O caminho evolucionário delas tem mais a ver com mutações aleatórias ou traços que sejam atraentes para outros membros daquela espécie.

9. Escalas de tempo geológico

Gill, cujo trabalho gira em torno de ambientes do Pleistoceno que existiram 15.000 anos atrás, diz que ela fica desanimada com quão pouco as pessoas parecem entender sobre as escalas de tempo da Terra:

Uma questão com a qual eu sempre me deparo é a de que o público simplesmente não entende as escalas geológicas. Tudo que é pré-histórico acaba comprimido na cabeça das pessoas e eles pensam que 20.000 anos atrás nós tínhamos espécies drasticamente diferentes (não) ou dinossauros (não, não, não). Claro que não ajuda o fato de que os dinossauros de brinquedo quase sempre são vendidos no mesmo pacote que homens das cavernas e mamutes.

10. Orgânico

A entomologista Gwen Pearson diz que há toda uma constelação de termos que vêm junto com a palavra “orgânico”, como “livre de produtos químicos” e “natural”. E ela está cansada de ver como as pessoas não compreendem esses termos:

Estou menos preocupada com a forma como esses termos são tecnicamente incorretos [uma vez que toda] comida é orgânica, por conter carbono etc. [Minha preocupação é] a maneira como essas palavras são usadas para deixar de lado ou minimizar as diferenças reais entre comida e processos industriais.

As coisas podem ser naturais e “orgânicas”, mas ainda assim muito perigosas.

As coisas podem ser “sintéticas” e manufaturadas, mas seguras. E algumas vezes essas coisas artificiais são escolhas melhores. Se você estiver tomando insulina, é bem provável que ela seja feita com bactérias geneticamente modificadas. E ela salva vidas.