Racismo de torcedora choca amigos negros. Família ‘foge’ de Porto Alegre

Casa onde mora Patrícia Moreira, que praticou por atos racistas contra Aranha (foto: Marinho Saldanha/UOL)
Casa onde mora Patrícia Moreira, que praticou por atos racistas contra Aranha (foto: Marinho Saldanha/UOL)

Marinho Saldanha, no UOL

Patrícia Moreira era, até a última quinta-feira, mais uma torcedora do Grêmio que mora no bairro Passo das Pedras, zona norte de Porto Alegre. Com 23 anos, a loira jamais tinha dado qualquer indício do motivo pelo qual se tornaria nacionalmente conhecida: atos racistas. Tinha uma vida tranquila, trabalhava prestando serviço à Brigada Militar, com amigos negros e brancos. Até ser flagrada, aos gritos, chamando o goleiro Aranha de ‘macaco’, no duelo com o Santos pela Copa do Brasil. Hoje, sua casa está fechada, a família ‘fugiu’ da capital gaúcha, e os mais próximos se dizem chocados.

Mas o perfil de Patrícia desenhado pelos vizinhos e amigos em nada remete a jovem que vociferava contra Aranha. Os gritos de ‘macaco’, ‘macaco’, ‘macaco’, evidentes pelas imagens das câmeras da ESPN, vistas repetidamente no Brasil inteiro, jamais foram direcionados, por exemplo, a seu Pedro, vizinho que mora na casa da frente. A residência amarela, de madeira, da filha, esconde a casa de material construída nos fundos. Local em que Patrícia já esteve, amigavelmente, rodeada por amigos cujo tom da pele é idêntico ao do goleiro do Santos.

“Fiquei chocado [ao ver as imagens], no início não quis acreditar que era ela. Mas vendo que era, eu fiquei muito triste. Ela não é assim. Nunca foi. Conheço desde criança”, disse o senhor de 63 anos, que há 60 reside no local. “Comigo nunca teve nenhuma atitude racista. É minha vizinha da frente. Nos cumprimentamos, conversamos, nunca foi aquela da televisão”, completou.

Na casa da família, mais uma vez o destino prega uma peça em Patrícia. O vermelho, cor do arquirrival gremista, Internacional, está estampado. E o clube colorado também foi alvo de atos discriminatórios da jovem. Em foto publicada nas redes sociais, já deletadas rapidamente, ela aparecia segurando um macaco de pelúcia, que vestia a camisa do Inter. E na foto, segurando o macaco, ela fazia cara de nojo.

“Eu conheço a Patrícia sim. Ela nunca teve nenhuma atitude racista comigo ou com qualquer pessoa da minha família. É muito amiga do meu filho. Se conhecem há anos. Já veio aqui em casa”, disse Miguel Chaves, também negro, vizinho de Patrícia. “Nunca imaginamos aquilo”, completou.

Assustada pela repercussão do caso, a família de Patrícia optou por fechar a casa. Segundo relataram vizinhos, estão fora de Porto Alegre para ‘fugir’ de qualquer contato com a imprensa, mas retornarão para o depoimento. Chamada a prestar esclarecimentos, ela só falará na presença de um advogado, mas estará na 4ª Delegacia de Polícia na segunda-feira, tentando justificar os atos.

Os relatos de depredação da casa da moça são confusos. Entre os populares, ninguém viu o local ser apedrejado, não há registro policial ou mesmo marcas nas paredes. “Eu vi algumas pedras, mas não sei. Não vi atirarem”, contou um vizinho que solicitou anonimato. “É uma covardia o que estão fazendo com ela. Estão colocando como se ela fosse um monstro. Não é verdade. Ninguém aqui em casa vai falar nada. Estamos do lado dela”, completou.

O bairro, a rua, a vizinhança de Patrícia é, como todo o país, a cara da miscigenação. Brancos, negros, mulatos, índios, pardos, toda etnia possível está presente no local, onde dividem espaço casas de classe média com barracos bastante pobres.

Nenhuma voz se levantou lá contra Patrícia. Amigos negros, são muitos. Todos surpresos, tristes, mas ao mesmo tempo buscando mostrar que ela não é aquela da imagem. “Ela foi pelo momento, no embalo dos outros”, finalizou Pedro.

Após confrontarem as imagens do sistema de câmeras da Arena com Patrícia e mais um acusado, a polícia gaúcha poderá abrir inquérito, que prevê julgamento da jovem. A pena para injúria racial vai de 1 a 3 anos de reclusão.

E antes disso as repercussões na vida pessoal já foram fortes. Xingada na internet, ela deletou todos perfis em redes sociais. Foi afastada do emprego como prestadora de serviço ao Centro Médico Odontológico da Brigada Militar. E carregará para sempre o peso do ocorrido naquela noite. Doeu em Aranha, envergonhou os gremistas, mas certamente não passou em branco na vida de Patrícia.

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Igreja publica cartilha com dicas de moda para orientar evangélicos

Larissa Oliveira aposta em terno e salto para levantar a produção (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
Larissa Oliveira aposta em terno e salto para levantar a produção (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

Pedro Diniz, na Folha de S.Paulo

“Minha mãe quase me levou para a Febem. Eu usava drogas, namorava um traficante e sempre estava com roupas muito curtas, vulgares. Hoje o Espírito Santo me toca quando me visto.”

Esse é o testemunho que Ana Carolina Xavier, 18, dá quando quer evangelizar as amigas que não entendem seu look atual: uma blusa branca abotoada até o colo e uma calça jeans que pouco delineia o corpo.

Com peças apropriadas “para adorar a Deus”, ela frequenta o Templo de Salomão, espaço de proporções faraônicas para 10 mil pessoas construído pela Igreja Universal, aberto há um mês no Brás, zona leste de SP.

Como a maioria das 33 pessoas entrevistadas pela Folha na saída de três encontros religiosos no templo, Ana Carolina não lê revistas de moda. Mas está atenta às instruções de sites evangélicos e às de Flavia Francellino, uma jovem repórter de comportamento do jornal institucional da igreja, a “Folha Universal”.

“Esqueça legging”, “observe se algo está marcando” e “não se maquie como se fosse para a São Paulo Fashion Week” estão entre as recomendações de Flavia, que publicou neste mês um texto chamado “O que vestir para ir ao Templo de Salomão”, reproduzido nas redes sociais. Ela não quis dar entrevista para esta reportagem.

“Me vestia como uma qualquer, com shorts curtos para chamar a atenção”, conta a auxiliar de enfermagem Tatiane Cardoso, 34.

“Perdi meu amor antes de entrar para a igreja porque usava tudo de forma vulgar. Hoje, se for para usar renda, que seja com uma blusa por baixo”, diz a manicure e cabeleireira Aline de Jesus, 24.

VIRTUOSA ELEGANTE

As fieis afirmam que, independentemente da roupa, a mulher tem de estar “virtuosa”. Isto é, “andar na moda, elegante, mas não mostrar tanto o corpo num lugar que é para você se reportar a Deus”, explica a secretária curitibana Fernanda Martins, 21.

Ela, que usava um vestido estampado em tons de azul, diz escolher também as roupas do namorado, o eletricista Felipe José, 24. O casal se conheceu num programa de reuniões da igreja para aproximar jovens.

“Gosto de vesti-lo no estilo esporte fino”, conta ela, enquanto ele, tímido, concorda com tudo. “Mas tem que estar com todos os botões fechados, né? Não gosto se ele sai com a camisa aberta.”

À RISCA

Por meio de sua assessoria, a Igreja Universal afirma que não há regras de vestimenta para frequentar o Templo de Salomão e que as informações publicadas são pontos de vista dos profissionais do jornal.

A diarista Maria Helena Soares, 43, porém, gosta de seguir à risca as orientações dos pastores para não usar “regatas, bermudas, maquiagem pesada e bonés dentro do Templo.” Ela usava uma saia até os pés combinada com blusa lilás e cachecol.

Dona de casa, Cleide Santos, 55, diz que “Deus vem mudando a visão do povo, evangelizando o mundo e fazendo as pessoas perceberem que o que importa é o caráter e a integridade. Amém?”.

Dicas de moda da ‘Folha Universal’

  • Jeans são megaconfortáveis, mas para esta ocasião não devem sair do armário
  • Estampas chamativas, como animal print, devem ficar aposentadas
  • Esqueça legging, faça isso um mantra na sua vida
  • Blusas transparentes usadas com segunda peça por baixo propõem um visual contemporâneo
  • Saia mídi [na altura do joelho] deixa a composição para lá de elegante, enquanto a combinação com pantalona a deixa despretensiosa

Leia depoimentos de fieis sobre moda no blog Peça Única.

Jenifer Almeida usa meia grossa para não mostrar as pernas (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
Jenifer Almeida usa meia grossa para não mostrar as pernas (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
Maria Helena Soares arremata a saia longa com um cachecol (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
Maria Helena Soares arremata a saia longa com um cachecol (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
Felipe e Fernanda Martins em looks escolhidos por ela (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
Felipe e Fernanda Martins em looks escolhidos por ela (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
A cabeleireira Fabrícia Almeida, 25 (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
A cabeleireira Fabrícia Almeida, 25 (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

 

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Viver e vencer

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Ricardo Gondim

Por algum motivo, o filme “Casa de Areia” não me sai da cabeça. Sua mensagem de rara beleza me inquieta.

A trama se desenrola em 1910. O português Vasco (Ruy Guerra) convence a esposa grávida, Áurea, (Fernanda Torres) a sair em busca do sonho de buscar vida nova em um lugar ermo, possivelmente próspero. Áurea traz a mãe, Dona Maria (Fernanda Montenegro).

O sonho se transforma em pesadelo. Após longa e cansativa viagem junto a uma caravana, os três descobrem que a terra ficava em um lugar muito inóspito, rodeado de areia por todos os lados. Viver ali seria um peso. Com poucas chances de reverter as condições, a família teve de lutar para apenas sobreviver.

Áurea quer desistir. Procura voltar para o lugar de onde vieram. Vasco insiste em ficar e constrói uma casa. Depois de serem abandonados pelos demais integrantes da caravana, Vasco morre em um acidente. Áurea e Dona Maria ficam sozinhas, obrigadas a enfrentar constantes tempestades de areia.

As duas partem em busca de ajuda. Encontram Massu (Seu Jorge), um homem que nunca saíra dali para conhecer outra realidade. Massu passa a ser protetor e provedor. O negro Massu se torna assim o responsável pelo enraizamento das duas mulheres na terra. Ele ajuda, inclusive, a frágil estabilidade (emocional, inclusive) das mulheres. Áurea gasta dias alimentando o antigo desejo de escapar da hostilidade do lugar. Ela anseia partir de qualquer jeito. Sonha com a vida antiga. Os anos se arrastam. Ela não consegue. As tentativas de ir embora são frustradas. Em cada plano de escape, acontece um imprevisto e os planos são abortados.

O filme consolida a ideia de que não possuímos controle absoluto sobre os rumos da nossa vida. Muitas vezes, por mais que tentemos não nos antecipamos a incidentes. Não conseguimos dar a grande guinada na vida que desejamos ou idealizamos. Quase sempre nos vemos impotentes para contornar imprevistos: desastres, doenças, frustrações. Basta um instante crucial e sonhos são adiados – ou se perdem para sempre.

Homens e mulheres lutam para se convencer de que são capitães de suas próprias histórias. Mas tal onipotência é falsa. A sensação de comando só anestesia a angústia universal que nos acomete. Ninguém é dono do seu nariz. Chico Buarque constatou em Roda Viva:

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá.

Eclesiastes, o ácido existencialista bíblico, também afirmou:

Percebi ainda outra coisa debaixo do sol: os velozes nem sempre vencem a corrida; os fortes nem sempre triunfam na guerra; os sábios nem sempre têm comida; os prudentes nem sempre são ricos; os instruídos nem sempre têm prestígio; pois o tempo e o acaso afetam a todos. Além do mais, ninguém sabe quando virá a sua hora: Assim como os peixes são apanhados numa rede fatal e os pássaros são pegos numa armadilha também os homens são enredados pelos tempos da desgraça que caem inesperadamente sobre eles. (Eclesiastes 9.11-12).

A realidade da vida é bruta. O devir se impõe com força. Os esforços de controlar o futuro são inúteis. Ninguém consegue dominar todas as variáveis da existência. Os acontecimentos não estão presos em uma engrenagem justa e precisa. A noção aristotélica da vida encadeada em causas que produzem efeitos numa sucessão infinita, não passa de fatalismo. Nossa existência não se arrasta em bitolas simétricas, por isso, não temos controle total sobre ela. A vida se dá com um grau de liberdade que possibilita, inclusive, acidentes. O Eclesiastes avisa que o tempo e o acaso afeta a todos. Tanto alegrias como frustrações se dão no espaço da imprevisibilidade.

Viver não consiste no esforço para controlar aquilo que os filósofos chamam de contingência. Somos desafiados a encontrar sentido e nos construir humanos apesar do imponderável. Se bailamos como um lençol que o vaivém indomável da bruma agita, podemos achar beleza nesse movimento. Vivemos para aprender que trilhas e encruzilhadas que todos enfrentam, apesar de inéditas, são fascinantes. Cada pessoa precisa de beleza para abrir seu próprio caminho nessa estrada virgem.

Qualquer surpresa pode acontecer a cada instante. O improvável espreita a todos como um caçador. Se há momentos em que colhemos o que semeamos, chegam também ocasiões em que a vida atola em areais insólitos. Às vezes é preciso remar por mera teimosia, e insistir sem levar em conta os ventos contrários. O porto seguro de nossos desejos pode estar perto e, o mesmo tempo, infinitamente distante. Quem sabe nossos filhos consigam sair do areal.

Viver é resistir.
Viver é teimar.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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Padre exorcista polonês diz receber SMS do demônio

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publicado no Vi na internet

O padre Marian Rajchel, da cidade polonesa de Jaroslaw, está tendo problemas inusitados com a tecnologia: o religioso está recebendo mensagens de texto malcriadas de ninguém menos que o demônio. Tudo começou quando o padre realizou um exorcismo em uma adolescente e o procedimento não foi bem sucedido. Desde então, o exorcista recebe SMS no celular da garota enviados por Satanás, segundo ele.

Em entrevista ao jornal inglês Daily Mail, Rajchel afirma: “O autor dessas mensagens é um espírito mau”. Muitas vezes, os donos de telefones celulares nem têm noção de estarem sendo usados desse modo. No entanto, isso é muito claro nesse caso, disse o padre ao site do jornal inglês. De acordo com ele, o demônio não faz cerimônia em usar as novas tecnologias para assediar as pessoas.

Veja o conteúdo de uma das mensagens recebidas pelo padre polonês: “Ela não vai sair deste inferno. Ela é minha e qualquer um que rezar por ela vai morrer”. Rajchel respondeu que rezaria pela garota e obteve outra resposta malcriada: “Cale a boca, pregador. Você não pode salvar a si mesmo. Idiota. Seu patético e velho pregador”. E aí, você já recebeu algum SMS maligno?

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70 anos depois, mulher recebe cartas de amor enviadas por marinheiro durante a II Guerra Mundial

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publicado no Hypeness

Em tempos de Whatsapp e outros dispositivos de mensagens instantâneas, escutar histórias como essa é sensacional: Dorothy Bartos, aos 85 anos, acaba de receber cartas de seu amigo e admirador secreto quase 70 anos após o término da Segunda Guerra Mundial.

Já fazia duas semanas que algumas cartas dirigidas a Dorothy Bartos chegaram na casa de Martha Rodriguez, em Chicago. As cartas eram de um marinheiro da base da Marinha de San Diego, datadas de 1945, perto do fim da guerra.

O jornal Chicago Tribune informou sobre as cartas na esperança de conseguir rastrear seu destinatário, e não demorou muito para conseguir. O filho de Dorothy, Bartos Carlberg, confirmou toda a história e contou ao jornal que a mãe havia vivido no endereço que hoje é de Martha.

Martha fez questão de entregar as cartas para Dorothy, que hoje tem 85 anos de idade e vive agora em um asilo em Whitewater, no estado de Wisconsin. Ela era uma adolescente na época, que trocava cartas com Al Fragakis, que havia conhecido em Chicago, antes de ele ir para o exército a serviço.

Ao escutar o que a carta que dizia – “apesar de tudo, você foi a ultima garota com quem eu saí e eu estava de certa forma discutindo comigo mesmo por não ter nem se quer tentado te beijar” -Dorothy responde com uma piada e diz: “nós éramos amigos, não estávamos dando uns pegas ou qualquer outra coisa”.

Veja o vídeo dessa história que, afinal, era de amizade:

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