Proposta acaba com remuneração de vereadores em 90% dos municípios do país

Rodrigo Baptista, na Agência Senado

O fim do pagamento da remuneração de vereador em municípios com até 50 mil habitantes é o objetivo de proposta de emenda à Constituição (PEC) em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). De autoria do senador Cyro Miranda (PSDB-GO), o texto foi subscrito por outros 30 parlamentares. Se aprovada pelo Congresso Nacional, a proposição deverá atingir cerca de 90% das câmaras municipais do país.

Além disso, a PEC limita o total da despesa das câmaras de vereadores dessas cidades a no máximo 3,5% da arrecadação municipal.

“Estamos seguros de que sua adoção causará impactos positivos consideráveis, tendo em vista que 89,41% dos municípios brasileiros possuem até 50 mil habitantes. Dessa forma, pouco mais de 600 municípios brasileiros continuarão a remunerar seus vereadores”, argumenta o senador.

Com essa medida, acredita ele, os vereadores passarão a assumir o cargo eletivo “em razão de sua condição cívica, de sua honorabilidade ou de sua capacidade profissional”. Portanto, para o senador, serão selecionados candidatos comprometidos com a ética, o interesse público e o desenvolvimento local.

O senador avalia que a proposta, se aprovada, trará um impacto positivo para os cofres públicos dos pequenos municípios. Ele lembra que o número de vereadores no país pode superar a marca de 59 mil nas eleições de 2012. Quase sete mil a mais do que o número de eleitos para as câmaras municipais em 2008, o que representa, conforme assinala Cyro Miranda, “um aumento significativo nos gastos públicos municipais”.

Na justificativa da PEC, o senador também lembra que a própria Constituição Federal permite aos vereadores ocupantes de cargo público acumular outras funções no caso de compatibilidade de horários. Cyro Miranda ressalta ainda que, na maioria dos municípios, os vereadores reúnem-se duas ou três vezes por mês, o que viabiliza a manutenção de outras atividades profissionais por parte desses parlamentares.

A proposta, que tramita no Senado como PEC 35/12, aguarda a designação de relator na CCJ e, se aprovada pela comissão, segue para análise do Plenário.

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Moedas em homenagem à Olimpíada entram em circulação hoje

Começam a circular nesta segunda-feira (13) as moedas comemorativas de R$ 1 e R$ 5 em homenagem à entrega da bandeira olímpica ao Brasil, e aos jogos olímpicos e paraolímpicos que acontecerão no país em 2016.

Moedas comemorativas de R$ 5, que serão feitas em prata

publicado originalmente na Folha de S. Paulo

As moedas de R$ 1 são bimetálicas, como as atuais, com a inscrição 2012 na face principal e a ilustração da bandeira olímpica no verso, entre as inscrições “Entrega da bandeira olímpica” e “Londres 2012 – Rio 2016″, bem como a logomarca oficial dos Jogos no Rio.

Serão cunhadas 2.016.000 unidades, a circular normalmente por meio da rede bancária, além de um lote em embalagens especiais para colecionadores, cujo preço será R$ 9,5.

As moedas de R$ 5 serão apenas comemorativas, feitas em prata, e com tiragem inicial de 5.000 peças, podendo chegar no máximo a 20 mil. Também terão a ilustração da bandeira e do logotipo carioca de um dos lados. No outro lado, uma ilustração faz alusão à Tower Bridge, ponte símbolo de Londres, e ao corcovado, no Rio.

As moedas de R$ 5 serão vendidas por R$ 195, para colecionadores, em guichês e representantes regionais do Banco Central.

Moedas de R$ 1, que serão cunhadas com o símbolo da bandeira olímpica e a logomarca brasileira

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Dias Tóffoli, ministro do STF, agride Ricardo Noblat com palavrões e baixarias

Publicado originalmente no Blog do Noblat

Acabo de sair de uma festa em Brasília. Na chegada e na saída cumprimentei José Antônio Dias Tóffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Há pouco, quando passava pelo portão da casa para pegar meu carro e vir embora, senti-me atraído por palavrões ditos pelo ministro em voz alta, quase aos berros.

Voltei e fiquei num ponto do terraço da casa de onde dava para ouvir com clareza o que ele dizia.

Tóffoli referia-se a mim.

Reproduzo algumas coisas que ele disse (não necessariamente nessa ordem) e que guardei de memória:

– Esse rapaz é um canalha, um filho da puta.

Repetiu “filho da puta” pelo menos cinco vezes. E foi adiante:

– Ele só fala mal de mim. Quero que ele se foda. Eu me preparei muito mais do que ele para chegar a ministro do Supremo.

Acrescentou:

– Em Marília não é assim.

Foi em Marília, interior de São Paulo, que o ministro nasceu em novembro de 1967.

Por mais de cinco minutos, alternou os insultos que me dirigiu sem saber que eu o escutava:

– Filho da puta, canalha.

Depois disse:

– O Zé Dirceu escreve no blog dele. Pois outro dia, esse canalha o criticou. Não gostei de tê-lo encontrado aqui. Não gostei.

Arrematou:

– Chupa! Minha pica é doce. Ele que chupe minha pica.

Imagino – mas apenas imagino – que o ataque de fúria do ministro deve ter sido desatado por um comentário que fiz recentemente sobre a participação dele no julgamento do mensalão. Segue o comentário.


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dica do Moisés Gomes

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Tempo, tempo

Caetano Veloso

Marina Silva

A política chega ao “miolo do vulcão” e seus agentes parecem o avesso de Midas: aspiram produzir os grandes relatos da história, mas tudo o que tocam, como ironizou Peter Sloterdijk, resulta algo “involuntariamente pequeno”.

O julgamento, na mais elevada corte, de uma denúncia de corrupção, conhecida como mensalão, em vez de firmar os pesos na balança da Justiça mais parece atiçar a fogueira das vaidades e reforçar os vícios que lhe deram origem.

Uma CPI que deveria punir a continuidade renitente dos esquemas criminosos no Estado e estancar a cachoeira da corrupção vira um show de vergonhas. Ali, os que têm algo a dizer ficam em silêncio e os que não têm gritam.

Uma campanha eleitoral se arrasta nas ruas e se anuncia na TV desconhecendo as cidades e seus problemas para focar-se na disputa de poder, com alianças, discursos e marketing que lembram uma liquidação no comércio varejista.

Tudo o que minha geração batizou de “velha política” mostra sua capacidade de agarrar-se nas estruturas materiais e mentais e dali contaminar todo o organismo do país.

Assim, se uma lei de proteção às florestas pode ser desfigurada para servir ao setor mais retrógado do ruralismo, o passo seguinte é constranger a sociedade e os ambientalistas a largarem seus princípios e propostas e aderirem ao “mal menor”, a versão negociada do retrocesso, como se os ecossistemas funcionassem por acordos políticos.

E há quem especule com o destino do Movimento Nova Política, visto na ótica do poder como uma “articulação para criar um novo partido”, como se nesse ambiente de política “em tempos do cólera” não caibam mais ideais sinceros.

Como em uma fita moebios, onde não se distingue dentro e fora, qualquer ação ou palavra é interpretada como parte do jogo, dar ou negar apoio a candidatos, ocupar espaço, afirmar-se na disputa.

A esperança se guarda e se renova na imprevisibilidade de nós mesmos, pois para além de nossas narrativas diminutas há sempre a grandiosidade dos muitos Brasis que habitamos e dos muitos que nos habitam.

Uma porção generosa criativa e livre completa seus 70 anos de vida mantendo a alegria e a esperança da juventude.

Caetano e uma geração inteira, de Gil e Milton e Chico e tantos brasileiros que promoveram um ideal de conhecimento ético e estético que não pode se perder, não vai se perder nem diminuir.

A grandeza da alma brasileira, os valores cantados pela nossa exuberante diversidade cultural, todos os tesouros da nossa terra e mais as dádivas que recebemos do céu são as verdades tropicais em que nos afirmaremos para superar, na radical critica de Walter Benjamin, as ‘experiências de pobrezas’ desse nosso tempo, tempo, tempo. Compositor do destino?

fonte: Folha de S.Paulo

foto: Kevin Winter/Getty Images/AFP

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Evangélico e saído do teatro experimental, Daniel Rocha torce para que Roni seja gay

 O ator Daniel Rocha, o Roni de “Avenida Brasil” Foto: Leonardo Aversa
O ator Daniel Rocha, o Roni de “Avenida Brasil”

Natalia Castro, em O Globo

Dia desses, Daniel Rocha assistia a um show da banda Trio Ternura, do amigo Thiago Martins, quando foi parado por um rapaz. Empolgado, o garoto tratou de agradecer ao ator por ter mudado a sua perspectiva de vida.

— Ele me disse que graças ao Roni e ao Leandro havia se descoberto apaixonado pelo melhor amigo. Agradeceu muito e eu falei: ‘De nada’, ué? Que bom, né? — relembra.

Desde o início de “Avenida Brasil”, Daniel, ou melhor, Roni, vem instigando os telespectadores com questões relacionadas à sua sexualidade. Se antes o filho de Diógenes (Otávio Augusto) mostrava-se confuso e introspectivo — talvez medroso —, aos poucos seus interesses vão sendo delineados pelo autor da novela, João Emanuel Carneiro. Ao mesmo tempo que mantém o casamento com Suelen (Isis Valverde), já não consegue esconder o ciúme ao ver Leandro (Thiago Martins) com Beverly (Luana Martau). Semana passada, pareceu tentar abrir o jogo com o amigo, sem sucesso. Nos próximos capítulos, vai convidar o moço para morar em sua casa.

— Eu não sei o que o João Emanuel pretende fazer. Mas, para mim, como ator, é bem mais interessante que Roni fique com Leandro. E se rolar o beijo gay, faço, por que não? Sem problemas. Sou ator — argumenta ele, que procura fazer um “trabalho em camadas”. — Acho interessante o ator trabalhar assim, sem saber se é ou não é. Porque o ser humano não é uma coisa só. Você nunca é aquilo, é muito mais. Dostoiévski puro — filosofa, citando o escritor russo.

Mas é verdade que a química com Isis e o jeito fofo do personagem acabaram por aflorar o desejo na mulherada. Roni, afinal, parece saber, sem querer, o que as mulheres querem.

— Ele é sensível e carismático, e toda mulher quer um cara assim do lado. Quando ele olha para a Suelen, olha mesmo — teoriza Daniel.

E numa época em que os galãs mornos e as mocinhas perfeitas cedem a preferência do público aos vilões, Roni vai na contramão. É educado, simpático, leal, caridoso, bom profissional e, para completar, um craque no futebol.

— Em nenhum momento da novela ele expôs algum defeito. Muito pelo contrário. Vem construindo relações muito bonitas. A história dele é apaixonante — pondera o ator.

Melhor para Daniel que, em seu primeiro trabalho na TV, tem procurado colocar em prática todas as lições que absorveu em quatro anos no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), grupo experimental de São Paulo comandado pelo tarimbado Antunes Filho. A saída da trupe, causada por diferenças com o próprio diretor, aconteceu uma semana antes do convite para a novela.

— O Antunes tem 84 anos, eu, 21. Ele veio de um tempo em que se ganhava dinheiro com o teatro. Eu cheguei numa época em que tudo já foi montado e remontado um milhão de vezes. Ainda não o encontrei, mas espero que ele entenda meu lado — diz.

A insatisfação com os rumos de sua carreira quase levou o rapaz para a Austrália, onde pretendia cursar Gastronomia e se aperfeiçoar nas artes cênicas. Mas o convite para a novela o fez repensar.

— Ser artista no Brasil é quase impossível. Você estuda, estuda e vai fazer o teste com gente sem preparo, porque hoje qualquer um tem o registro para atuar. Qualquer pessoa é ator, poucos são artistas. E você começa a se revoltar. No Brasil não tem uma boa escola técnica de formação como há na Inglaterra. O brasileiro é bom ator porque se joga — indigna-se, ainda se acostumando ao vídeo. — Eu me acho um canastra (risos). Mas tenho ouvido muitos bons conselhos do Otávio e do Thiago. Tento não comprometer.

E, de fato, os cincos meses no ar vêm lhe dando um tipo de reconhecimento que a experiência nos palcos não trouxe. São convites para desfiles, festas e presenças por todo o país. Aos 21 anos, solteiro — “muito solteiro”, ele frisa —, Daniel revela que, por enquanto, tem tirado casquinhas do assédio. Casamento só lá pelos 32 anos, “com alguma bonitinha para pegar na mão e subir no altar”. Também pretende adotar uma criança. Frequentador da noite ao lado dos colegas de elenco Bruno Gissoni e Ronny Kriwat, ele explica que só sai quando não tem gravações no dia seguinte. Senão, prefere jogar videogame.

— Não sou certinho como o Roni, sou bagunceiro e desorganizado. Mas não bebo e não fumo — frisa.

A disciplina, ele conta, veio dos anos de boxe, atividade que praticou dos 13 aos 17 anos. Começou porque sofria bullying no colégio por ser mirrado e não curtir futebol, apesar de o pai ser um flamenguista fanático (“Lá em casa, se bobear, a capa do sofá é a bandeira do Flamengo”). Parou por causa do teatro. Mesmo assim, enche a boca para contar que tem 20 vitórias e apenas uma derrota no currículo.

— Não dava para chegar nos ensaios com o pé quebrado, o supercílio rasgado. Fui diminuindo o ritmo até parar. Meus pais gostaram da minha ida para o meio artístico. Nenhuma mãe gosta de ver o filho arrebentado, né?

Além da luta, hoje mantida como hobby, Daniel estudou violino por dez anos. Chegou até a fazer aulas num conservatório. A escolha do instrumento veio, de certa forma, por influência do pai.

— Fui criado na igreja, meu pai sempre gostou de que eu e meu irmão (Thiago, de 24 anos) fizéssemos atividades culturais. Eu tinha 5 anos, doido para ir ao McDonald’s, e era levado para a Sala São Paulo para assistir a concertos. Vi alguém tocando violino e gostei. Meu irmão toca sax — explica ele, evangélico da Assembleia de Deus, igreja da qual o pai é pastor. — Creio numa coisa, tenho fé nisso, mas não misturo com a profissão . Tenho cabeça aberta. O que tiver que fazer, eu faço — ressalta.

Apesar de ter nascido na capital paulista, Daniel vem de família carioca. O pai se mudou para lá na época da faculdade. Mas manteve a casa em Cabo Frio, onde o ator costumava passar férias.

— Eu adoro surfar, ir à praia, malhar — enumera ele, que está fazendo um trabalho para perder o carregado sotaque paulistano: — Quero dar uma neutralizada. E aposto que em dois anos no Rio, já vou falar como um carioca.

Quando a novela terminar, em outubro, Daniel pretende retornar às raízes teatrais. Mas ficar longe da TV, ele avisa, nem pensar. Quer fazer o máximo possível de personagens. De preferência, um atrás do outro. Assim mesmo, sem tempo para descansar a imagem.

— Eu quero emendar. Nego tem que se virar, é assim. No CPT eu tinha meses para compor um personagem, aí o Antunes dizia que estava ruim e tinha que refazê-lo em um dia. O barato é esse — empolga-se.

Apesar do status de ator do horário nobre, Daniel conta que ainda tem muito daquele ator experimental que foi um dia. Por sugestão de Antunes, vê o máximo de filmes que pode, sempre em busca de referências. É do tipo que gosta de passar horas discutindo o cinema tailandês, o japonês, o francês, o inglês… E acha que o Brasil deve seguir na trilha do argentino. Mas a fase chata, ele garante, já passou.

— Com 19 anos, ninguém me aturava. Tudo era ruim. Mas a gente aprende que sempre existe um lado positivo, embora eu continue não curtindo blockbuster americano — lembra.

A ida para a televisão também amoleceu o coração dos amigos mais radicais do teatro:

— Eles são contra novela, mas me ligam para dar opiniões sobre a minha atuação e para dizer que o João Emanuel está mandando bem.

foto: Leonardo Aversa

dica do Ronaldo

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