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“Desculpem, mas 7 a 1 nem nós poderíamos prever”, diz produtor dos Simpsons

Acompanhado de uma projeção de Homer Simpson, o roteirista e produtor Matt Groening falou sobre a próxima temporada da animação (foto: Ethan Miller/AFP)

Acompanhado de uma projeção de Homer Simpson, o roteirista e produtor Matt Groening falou sobre a próxima temporada da animação (foto: Ethan Miller/AFP)

James Cimino, no UOL

Os criadores e roteiristas de “Os Simpsons” comentaram neste sábado (26) de Comic-Con, em San Diego, sobre a derrota do Brasil para a Alemanha, “prevista” em um episódio especial sobre a Copa do Mundo no desenho.

A primeira coisa que disseram, quando a reportagem do UOL questionou como eles sabiam do resulto, foi: “Sentimos muito, mas foi pura coincidência.”

Al Jean, produtor e roteirista da série, completou: “Desculpem, mas um resultado de 7 a 1 nem nós poderíamos prever. De qualquer forma, boa sorte ao Brasil na próxima. É um ótimo país.”

Durante a conversa com fãs, o painel mostrou as novidades da próxima temporada, como um crossover com “Futurama”, chamado “Simpsorama”, e o anúncio que um do personagens irá morrer em 28 de setembro.

Stanley Kubrick

Os produtores prepararam ainda um episódio especial em homenagem aos filmes de Stanley Kubrick, chamado “A Clockwork Yellow” que mostra Moe e Homer em cenas do filme “Laranja Mecânica”.

Em certo momento, usando as roupas dos personagens do filme, eles invadem a mansão do senhor Burns e se deparam com uma orgia,  como a do filme “De Olhos Bem Fechados”. Também há referências a “Nascido para Matar”, “2001: Uma Odisseia no Espaço” e “Barry Lyndon”.

Ao fim da apresentação, um holograma de Homer conversa com o criador da série, Matt Groening, e faz piada sobre a Comic Con. “Aquele evento que acontece em Las Vegas, certo? Já sei tudo o que vão perguntar e tenho as respostas. Springfield não é um Estado e não sei por que somos amarelos. Um abraço e, antes que esse evento acabe, vocês já estarão na próxima fila.”

New York Times: Templo evangélico de R$ 680 mi no Brasil faz Cristo no Rio parecer ‘penduricalho’

Fiéis da Igreja Universal observam templo de R$ 680 milhões em São Paulo (foto: Daniel Kfouri/The New York Times)

Fiéis da Igreja Universal observam templo de R$ 680 milhões em São Paulo (foto: Daniel Kfouri/The New York Times)

Simon Romero, no The New York Times

Ele ocupa toda uma quadra desta abundante megacidade: uma versão com 10 mil lugares do Templo de Salomão.

Elevando-se em destaque contra os prédios próximos repletos de pichações, ele acena com paredes monumentais de pedras importadas de Israel e as bandeiras das dezenas de países onde sua proprietária, a Igreja Universal do Reino de Deus, está nutrindo seu império cristão evangélico.

Um heliponto permitirá a Edir Macedo, o magnata de mídia de 69 anos que fundou a Igreja Universal em uma funerária do Rio de Janeiro, em 1977, vir para os sermões. O vasto complexo de 11 andares conta com outros floreios, como um oásis de oliveiras semelhante ao jardim do Getsêmani, perto de Jerusalém, e mais de 30 colunas se erguendo aos céus.

“A Igreja Universal não poupou gastos”, disse Rogério Araújo, o arquiteto do projeto, que deverá ser inaugurado na quinta-feira (31) no bairro do Brás, em São Paulo (SP). Em uma visita ao local, acrescentou, “nós buscamos construir um colosso, algo que faria as pessoas pararem e observar, e foi o que entregamos”.

A réplica do Templo de Salomão, que levou quatro anos para ser construída a um custo de cerca de US$ 305 milhões (R$ 680 milhões), mostra o grande crescimento das seitas evangélicas no Brasil. Apesar deste país de 200 milhões de habitantes ainda ter mais católicos romanos do que qualquer outro país, o número de evangélicos no Brasil saltou de 15% da população, em 2000, para 22% em 2010, segundo números do censo.

Grandes igrejas evangélicas, particularmente instituições pentecostais como a Igreja Universal, também estão exercendo maior poder político por todo o Brasil, refletido na considerável bancada evangélica no Congresso e nos esforços de candidatos de todo o espectro político para atrair os eleitores evangélicos na eleição presidencial deste ano.

A presidente esquerdista do Brasil, Dilma Rousseff, deverá estar presente aqui na inauguração do templo, ressaltando o apoio que sua coalizão de governo recebe de um bloco de líderes evangélicos conservadores, incluindo o sobrinho de Macedo, Marcelo Crivella, um pastor da Igreja Universal e cantor gospel que, até recentemente, era ministro da Pesca.

O templo será uma das maiores estruturas religiosas do Brasil, fazendo o famoso Cristo Redentor do Rio, que em comparação tem a metade do tamanho, parecer um penduricalho

O templo será uma das maiores estruturas religiosas do Brasil, fazendo o famoso Cristo Redentor do Rio, que em comparação tem a metade do tamanho, parecer um penduricalho

Jato privado e passaporte diplomático

Ninguém mudou tanto a paisagem religiosa do Brasil quanto Macedo. Um televangelista e fundador da Igreja, Macedo agora viaja em jato privado com passaporte diplomático especial (um privilégio também concedido no Brasil às altas autoridades do Vaticano), expondo a teologia da prosperidade e elementos pentecostais como exorcismo e cura pela fé.

Com uma fortuna pessoal estimada em US$ 1,2 bilhão, Macedo saiu da obscuridade por meio de seu controle da Rede Record, uma das maiores redes de televisão do Brasil,  e de sua expansão agressiva da Igreja Universal, durante a qual enfrentou acusações de corrupção, incluindo evasão fiscal e lavagem de dinheiro.

Macedo ficou preso por 11 dias em 1992, sob acusação de charlatanismo e fraude. Ele rechaçou com sucesso outras investigações criminais, incluindo alegações dos promotores de que ele e outros líderes da Igreja desviaram doações dos fiéis para enriquecerem a si mesmos. No ano passado, ele cultivou uma aparência um tanto de mago, deixando crescer uma longa barba grisalha, além de ocasionalmente vestir o que parece ser um solidéu, semelhante aos usados por muitos judeus praticantes.

A réplica do Templo de Salomão inclui várias menorás dentro da estrutura, onde os sermões serão feitos, além de uma grande menorá perto da entrada, que lembra o existente diante do Knesset, o Legislativo de Israel. A bandeira de Israel também está hasteada nas proximidades, ao lado das da Igreja Universal, Brasil e Estados Unidos, entre dezenas de outros países.

“Há apenas uma fé bíblica; é impossível dissociar o cristianismo de suas raízes judaicas”, disse Cássia Duarte, uma porta-voz da Igreja Universal. Ela enfatizou que Macedo foi absolvido de uma série de alegações de corrupção, fortalecendo a “pregação do evangelho” da Igreja.

Os estudiosos dizem que a promoção do simbolismo judaico da Igreja Universal em sua réplica do Templo de Salomão deriva de sua busca por legitimidade histórica, em uma Igreja que tem apenas 37 anos. O Templo de Salomão original teria sido construído na Jerusalém antiga pelo rei Salomão por volta de 1000 a.C. e destruído cerca de quatro séculos depois, em um sítio liderado por um rei babilônio.

“Macedo foi um pioneiro na utilização dos símbolos e rituais ligados ao Velho Testamento e judaísmo como elementos centrais na criação de uma Igreja capaz de conquistar corações e mentes”, disse Rodrigo Franklin de Souza, um especialista em história bíblica da Universidade Mackenzie, em São Paulo.

Cristo no Rio tem metade do tamanho

Até o momento, os líderes da comunidade judaica do Brasil adotaram uma postura relaxada diante do novo Templo de Salomão. “Por um lado, há a forma favorável com a qual a cultura e história judaicas são tratadas na estrutura”, disse Nilton Bonder, um rabino brasileiro cujos textos com temas espirituais são amplamente publicados. “Por outro lado, há o aspecto bizarro das dimensões do projeto e do marketing agressivo.”

O templo será uma das maiores estruturas religiosas do Brasil, fazendo o famoso Cristo Redentor do Rio de Janeiro, que tem apenas a metade do tamanho, parecer um penduricalho em comparação.

“O templo monumental será um símbolo poderoso tanto do Brasil, como epicentro do pentecostalismo global, quanto da Igreja Universal, como principal congregação desafiando a Igreja Católica no Brasil”, disse R. Andrew Chesnut, um especialista em religiões latino-americanas da Virginia Commonwealth University.

O projeto já conta com apoio entre alguns fiéis da Igreja Universal. “Eu fico empolgada só de ver o templo em uma foto”, disse Mauricea dos Santos Ribeiro, 72 anos, uma bancária aposentada que frequenta uma das igrejas da seita no Rio de Janeiro. Ela disse que um grupo de sua congregação planeja viajar para cá para ver o templo. “Eu estou contando os dias até nossa ida.”

Se o novo Templo de Salomão visa atrair nova atenção para a Igreja Universal, a estratégia está funcionando.

Os transeuntes param diante dele dia e noite. Alguns tiram fotos com seus celulares. Muitos olham com espanto, expressando suas reações em uma calçada lotada onde vigias, descritos como “Guardiões do Templo” em seus uniformes, patrulham a entrada.

“O templo é enorme, lindo, mas também ostentoso demais”, disse Solange Barbosa de Nascimento, uma costureira de 58 anos, que é fiel de outra Igreja evangélica brasileira chamada Paz e Amor, em uma manhã recente. “Eu me pergunto se não poderiam ter gasto todo esse dinheiro de outra forma, como cuidando dos pobres.”

Os homens preferem, sim, as ‘boazinhas’, diz estudo

Sensibilidade pode ser determinante para garantir segundo encontro, mas mulheres não associam masculinidade a esta característica

Já algumas mulheres percebem um homem sensível como vulnerável e menos dominante

Já algumas mulheres percebem um homem sensível como vulnerável e menos dominante

Publicado em O Globo

A primeira saída com o potencial parceiro pode ser tanto traumática quanto promissora, e determinante para o destino da relação. Um estudo publicado no “Personality and Social Psychology Bulletin” constatou que uma das iniciais e necessárias “faíscas” para garantir o segundo encontro pode ser a sensibilidade às necessidades do parceiro. Isto é, as “boazinhas” são tidas pelos homens como mais atraentes, apontou a pesquisa. E o contrário também ocorre?

Pesquisadores do Centro Interdisciplinar Herzliya da Universidade de Rochester e da Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign, EUA colaboraram em três estudos para observar as percepções de receptividade das pessoas. O quesito “sensível às minhas necessidades” aparecia como prioridade para muitos na hora de encontrar uma companhia – isso aumentaria a atração pelo outro. Vale ressaltar que, para o estudo, uma pessoa receptiva é aquela que apoia as necessidades e os objetivos do outro.

- O desejo sexual prospera com a crescente intimidade, e ser receptivo é uma das melhores maneiras de incutir essa sensação ao longo do tempo – explica o principal autor do estudo, Gurit Birnbaum, que ressalta, no entanto, que um primeiro encontro não é medidor fiel dessa característica, já que um potencial parceiro receptivo pode transmitir significados opostos para diferentes pessoas.

No primeiro estudo, os pesquisadores testaram se a sensibilidade às necessidades do parceiro era uma característica feminina ou masculina, para descobrir se homens e mulheres consideravam essa característica sexualmente desejável numa pessoa do sexo oposto.

Homens que consideraram as parceiras mais receptivas também as classificaram como mais femininas e mais atraentes. Já para as mulheres, a associação entre a receptividade e a masculinidade do parceiro não foi significativa, pelo contrário: foi negativamente associada com a atração pelo parceiro.

Para o segundo estudo, os pesquisadores pediram para que os participantes interagissem com um indivíduo sensível ou insensível do sexo oposto após verem a foto do mesmo (a foto dada para cada participante foi igual). Eles interagiram on-line e discutiram detalhes sobre um atual problema em sua vida. A sensibilidade do indivíduo virtual às necessidades do outro foi manipulada a partir do teor da resposta que davam, como por exemplo, “você deve ter passado por um momento muito difícil”, como uma reação atenciosa, versus “não parece tão ruim para mim”, como uma resposta pouco sensível.

Os homens que interagiram com a reação atenciosa da mulher a consideraram mais feminina ou mais sexualmente atraente. As percepções femininas aparentemente não foram afetadas pela receptividade e refletiram tendências conflitantes entre as diferentes mulheres.

- Algumas mulheres interpretaram a receptividade de forma negativa e se sentiram desconfortáveis; outras perceberam a resposta sensível como atenciosa e, portanto, como desejável em um parceiro para um longo relacionamento – elabora Birnbaum.

O terceiro e último estudo colocou em prova a possibilidade de a receptividade estimular mecanismos motivacionais para os homens que buscam tanto um relacionamento sexual rápido, quanto um relacionamento duradouro. A sensibilidade de uma parceira levou os homens a considerá-la mais feminina, e, consequentemente, mais sexualmente atraente. A excitação sexual intensa, no entanto, estava ligada ao aumento da atração pelo outro e ao maior desejo de desenvolver um longo relacionamento.

O estudo ajuda a explicar por que os homens acham as mulheres sensíveis às suas necessidades mais atraentes, mas não revela os mecanismos que regulam o desejo das mulheres por novas companhias. Nesse sentido, as mulheres não percebem um homem sensível como menos masculino, mas mesmo assim, também não acham um homem sensível mais atraente.

Em crise, Valdemiro Santiago atrasa pagamento e deixa Rede TV!

O apóstolo Valdemiro Santiago abraça fiéis em culto da Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo (foto: Eduardo Pinto/IMPD)

O apóstolo Valdemiro Santiago abraça fiéis em culto da Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo (foto: Eduardo Pinto/IMPD)

Daniel Castro e Paulo Pacheco, no Notícias da TV

Sufocada pela Igreja Universal e perdendo fiéis, a Igreja Mundial do Poder de Deus está deixando a Rede TV!. Após atrasar o pagamento de R$ 6 milhões mensais pelo aluguel de horários da emissora, o apóstolo Valdemiro Santiago devolveu nesta sexta-feira (25) o espaço que ocupava na parabólica da emissora. Ele continua nas manhãs de domingo, mas a tendência é perder esse horário também.

Desde o ano passado, Valdemiro Santiago está sendo “expulso” gradativamente da TV por seu rival, Edir Macedo, dono da Record e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, que tomou as 23 horas que a Igreja Mundial ocupava na Rede 21, do Grupo Bandeirantes, e na CNT. Macedo também pegou horários de Santiago na Rede TV! e na Band.

Santigo chegou a ocupar, no ano passado, 1.600 horas por mês na TV. Neste ano, chegou a ter menos de 60. Nesta semana, passou a ocupar 22 horas do canal 32 UHF, antigo MTV Brasil, vendido para o Grupo Spring.

Segundo fontes nas igrejas, como consequência da redução do espaço na TV, Valdemiro Santiago está perdendo fiéis para Edir Macedo e dinheiro para bancar os horários nas emissoras. 

Em dezembro, a Rede TV! negociou com Santiago o aluguel de metade do espaço na parabólica, presente em cerca de 20 milhões de lares no país. Para isso, a emissora comprimiu seu sinal no satélite StarOne C2, reduzindo a qualidade. Os telespectadores se queixaram da péssima imagem. 

Na Rede TV!, Santiago vinha atrasando sistematicamente os pagamentos, e a emissora, neste mês, reajustou valores e estipulou multas pesadas por atraso. O apóstolo optou por deixar o espaço na parabólica e investir na MTV.

A Igreja Universal tende a ocupar os espaços de Santiago na Rede TV! nas manhãs de domingo. Em seus programas, a igreja que tem investido em testemunhos de pessoas que saíram de Mundial, visando tomar ainda mais fiéis de Santiago.

 

Pelas barbas do bispo

Edir Macedo discursa na abertura do templo para bispos e pastores (reprodução)

Edir Macedo discursa na abertura do templo para bispos e pastores (reprodução)

Anna Virginia Balloussier, no Religiosamente

Para “seculares”, como evangélicos chamam quem tem outra ou nenhuma fé, o Templo de Salomão sempre foi uma caixinha de surpresas. Ou melhor, uma caixona para 10 mil fiéis, com 52 metros de altura (equivalente a um prédio de 18 andares), 105 de largura (duas vezes a Catedral da Sé) e 121 de comprimento (maior que o Maracanã).

Em junho, a mídia “secular” foi avisada de que não poderia fotografar ou filmar, nem agora nem nunca, o interior da nova obra da Igreja Universal do Reino de Deus.

Por meses a fio, acompanhei as obras do Templo de Salomão. Qualquer um podia: elas eram transmitidas em tempo real, 24 horas por dia, pela internet.

Mas só a fachada. Saber o que se passa lá dentro, onde as lentes não chegam, são outros quinhentos.

Mesmo após a abertura, quem sacar uma câmera –tanto faz se profissional ou “vale-selfie” de celular– estará “desviando do objetivo único da visita, de contemplar, meditar, orar a Deus e ouvir Sua Palavra, e ainda distraindo outros visitantes”, segundo o departamento de comunicação da Universal.

Ver com os próprios olhos também não é para todos, já que a entrada é controlada e, até segunda ordem, barrada à imprensa.

Nesta quinta (24), a igreja convocou alguns veículos de comunicação para falar sobre o projeto iniciado em 2010. Éramos cerca de 15 jornalistas, contando dois colegas de fora (da espanhola Efe e da inglesa Reuters).

Para responder nossas perguntas, dois assessores de imprensa, o pastor Miguel Lacerda, que falaria sobre a parte “espiritual”, e o arquiteto “secular” Rogério Silva de Araújo, há 16 anos cuidando de construções da igreja –antes, projetou uma fábrica da Volkswagen em Resende (RJ) e outra da Brahma na capital fluminense.

Obreiros tomam chuva enquanto esperam para entrar no templo (foto: Carlos Cecconello/Folhapress)

Obreiros tomam chuva enquanto esperam para entrar no templo (foto: Carlos Cecconello/Folhapress)

Por onde começar?

Na próxima quinta (31), acontece a inauguração oficial da réplica “made in Brás” que a Universal fez para a construção bíblica destruída duas vezes em Jerusalém, a última 1944 anos atrás.

Espera-se uma longa fila de autoridades no dia (a Universal não divulgou quem). A presidente Dilma Rousseff já confirmou presença.

O templo, que tem isenção de IPTU (o que é de praxe para qualquer igreja do país), vai restringir o acesso a convidados. A imprensa assistirá a tudo por um telão do lado de fora, numa espécie de “curral”.

Imagens internas, portanto, só as fornecidas pela Record, emissora que o bispo Macedo comanda desde 1989. Uma questão de organização, diz a Universal, ou flashes ricocheteando pelo recinto podem ficar ao Deus dará.

Jornalistas não poderão circular também pela parte externa no espaço, onde a Universal montou o Tabernáculo (simulação da tenda que judeus liderados por Moisés usavam como centro de oração) e fincou 12 oliveiras trazidas do Uruguai. Comuns em Israel, essas árvores dão azeitona, que gera azeite, mencionado na Bíblia como sinal do Espírito Santo.

Não misture água e azeite: fiéis poderão, sim, conhecer o templo. Só não quando bem entenderem, ao menos por ora.

Por tempo indeterminado (na coletiva falou-se em “semanas”, alguns pastores dizem 2015), entrar lá exigirá credencial. E só consegue uma quem embarcar nas caravanas da Universal, pagando por ônibus de turismo contratados pela igreja. Para agosto, está difícil descolar passagem. Quase tudo esgotado. Sair do centro de São Paulo custa R$ 45.

Escrevi sobre essas regras de acesso, bem como a implantação de detectores de metais nas portas e o veto a tablets, celulares, camisas de time, decotes e bonés, na semana passada.

A BARBA DO BISPO

A inauguração está sendo feita em parcelas –se você passar pela avenida Celso Garcia qualquer dia à tarde, verá centenas de obreiros (nome para os ajudantes do pastor) esperando a hora dos portões abrirem, com o uniforme azul-marinho da Universal.

Alguns ambulantes também cercam o aspirante a novo cartão-postal religioso de São Paulo, que não terá nenhum tipo de comércio, nem para venda de comida, de acordo com a assessoria. Fiel da Universal, João vendia camisas em inglês dando “welcome” ao “extraordinary” e prometia versões do tipo “Templo de Salomão: eu fui!” em “italiano, espanhol, francês e angolano”. Ontem, acabou perdendo boa parte do material para uma batida policial, o “rapa”.

Um barbado Edir Macedo, com quipá na cabeça, abriu o primeiro dia de pregação no sábado passado, 19 de julho, com deferências a Deus, “o todo-poderoso de Israel”.

No dia 14 de janeiro, estreou o novo visual no Instagram, em foto na qual sua mulher, Ester, cortava suas unhas com um alicate.

Em vídeo gravado em 2013 e publicado em abril no YouTube, Macedo anuncia o compromisso de não aparar os pelos faciais.

“Não vou fazer mais a barba, até a inauguração. Alguns bispos também estão fazendo isso. Você vai ver a cara da gente estranha.”

Durante a mesma pregação, ele pede “uma oferta especial extra” dos fiéis para o templo, então 55% concluída. E lista os custos.

Iluminação, R$ 22 milhões. R$ 2.200 por cada uma das 10 mil cadeiras. Pelas pedras israelenses usadas no Brás, 30 milhões. “Nós estamos fazendo tudo do melhor.”

SEM DILMA

O bispo diz que o templo não pode ser feito “por pessoas que nada tem com a nossa fé”. Por isso, não quer patrocínio de qualquer governo, municipal, estadual ou federal.

“Não vou pedir ajuda a Dilma. Não vou pedir. Se eu chegar lá, Dilma, eu sei que o Banco do Brasil tem verba para esse tipo de coisa. Mas a gente tem que botar lá na porta: Banco do Brasil. Eu não quero isso.”

A contribuição abrirá caminhos, diz o bispo. “Deus vai abençoar sua vida economicamente. Nós estamos com esse propósito. Vocês têm que ser ricos, prósperos.”

Na reunião desta quinta, os assessores da Universal estimaram o custo do templo em R$ 680 milhões, 100% bancado com doações.

QUERO SER GRANDE

O quarteto que conversou com a imprensa desmentiu boatos (como o de que Edir Macedo teria mandado construir um túmulo para ele no local) e divulgou números grandiosos.

São, no total, 100 mil m² de área construída, o equivalente a dois parques Trianon.

E haja saco de cimento –mais precisamente 145 mil. Calcula-se 2.600 toneladas de ferro gastas na réplica.

Com “tecnologia alemã produzida na Itália e desenvolvida em Portugal”, a iluminação da fachada reproduz a “cor amarelada do entardecer” em Jerusalém.

Eles importaram 40 mil m² de pedras de Hebron, cidade de Israel, que seriam do mesmo tipo encontrado no Muro das Lamentações –o último vestígio do segundo templo de Jerusalém. Foi lá que Jesus derrubou a mesa de cambistas e vociferou contra quem fazia da “casa de oração” um “covil de salteadores”, segundo a narrativa bíblica.

A versão paulistana não terá nenhum dos símbolos clássicos da Universal, como o letreiro “Jesus Cristo é o Senhor”. As portas estarão abertas para qualquer um: evangélico, católico, espírita, muçulmano etc.

Uma exceção: no pátio, uma bandeira com o símbolo da igreja, uma pomba branca dentro de um coração vermelho. A mensagem, segundo o pastor Miguel, é: “Aberto a todos, mas construído pela Igreja Universal”.

Ao lado, flâmulas do Brasil e de Israel. Mais atrás, uma bandeira para cada um dos países em que a Universal atua hoje (“mais de cem”).

A suntuosidade do Templo de Salomão, afirma o pastor Miguel, tem um objetivo: fazer com o que o visitante saia de lá inspirado. E pense com a Universal: “Poxa, é grande. Quero que minha vida seja assim”.