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Um mapa das contradições na Bíblia

mapa-inconsistencias-biblia-838x502Cesar Grossmann, no HypeScience

A Bíblia moderna, adotada pela maioria das religiões cristãs, é uma coleção de livros escritos por diversos autores no período entre o século 8 aC e o século 1 dC. O cânon moderno compreende 45 livros no Antigo Testamento (no caso do adotado pela Igreja Católica, o adotado pelas igrejas protestantes tem menos livros), e 27 livros no Novo Testamento, reunindo o trabalho atribuído a cerca de 40 autores (existem mais autores ocultos, considerando o que o estudo do texto permite deduzir).

Tendo sido escrito por tantos autores diferentes e por um período de tempo tão longo, é natural que ocorram incoerências e inconsistências no texto bíblico. E é exatamente disto que trata o site BibViz – das contradições bíblicas.

Compilado a partir de coleções de contradições dos sites Skeptic’s Annotated Bible Contradictions (SAB), Infidels e EvilBible, o BibViz apresenta 63.779 referências cruzadas de diferentes versículos incoerentes entre si, como versículos dizendo que Deus pode fazer qualquer coisa, e passagens em que ele não consegue vencer habitantes de um vale porque eles tinham carruagens de ferro.

Além das contradições, também alguns temas polêmicos estão anotados, como afirmações cientificamente absurdas ou historicamente incorretas, por exemplo, em Levíticos 11:5-6, que afirma que coelhos e lebres são ruminantes. Entre estas coletâneas, estão as passagens que apresentam personagens bíblicos praticando crueldade e violência, misoginia, preconceito contra homossexuais, e outros assuntos que interessam mais do que quantos homens exatamente os capitães de Davi mataram (300 segundo as Crônicas 11:11, 800 segundo 2 Samuel 23:8).

As fontes para as contradições bíblicas são todas de sites ateus. Sites cristãos normalmente negam ou minimizam as contradições, mesmo considerando que existem compilações de inconsistências feitas por teólogos cristãos, como o estudioso Bruce Manning Metzger, que trabalhou na Sociedade Bíblica Americana e Sociedades Bíblicas Unidas.

BibleNetworksmallO site BibViz também fala sobre uma distância moral e ética que há entre o nosso século e o tempo em que foram escritos os textos bíblicos, uma época em que o genocídio, a misoginia, a violência contra mulheres, a intolerância religiosa, a intolerância contra homossexuais e a escravidão eram encarados como moralmente aceitáveis – em alguns casos eram até mesmo incentivados -, enquanto hoje são considerados crimes hediondos.

Para quem for navegar pelo BibViz, é interessante notar que ele é anglo-cêntrico, ou seja, utiliza traduções da Bíblia para o inglês, como a versão “King James”. Estão excluídos, portanto, alguns livros que são exclusivos da Igreja Católica, além de alguns versículos estarem traduzidos diferentes, como o Levíticos 11:20, que na tradução Kingt James fala em “four-legged fowls” (que poderia ser traduzido para o português como “aves de quatro patas” – morcegos?) e na tradução do padre Almeida, usada no Brasil, fala de “insetos com quatro patas” (que é uma coisa que não existe). [Friendly Atheist, BibViz]

Prefeito gaúcho se desculpa por falar de “infestação de baianos e goianos”

Após repercussão negativa da declaração, prefeito do município de Carlos Barbosa diz que não quis ofender ninguém ao afirmar que a chegada de pessoas da Bahia e de Goiás levaria “fome” à cidade

Edson Sardinha, no Congresso em Foco

Francisco Xavier: "Estou muito abalado pela proporção que teve uma fala 'atrapalhada', mas sem má fé"

Francisco Xavier: “Estou muito abalado pela proporção que teve uma fala ‘atrapalhada’, mas sem má fé”

O prefeito do município gaúcho de Carlos Barbosa, Francisco Xavier da Silva (PDT), desculpou-se, nesta terça-feira (15), por ter declarado que “uma infestação de baianos e goianos” poderia levar “fome” à cidade, de 27 mil habitantes. A frase foi dita pelo pedetista no último dia 31, ao comentar por que era cauteloso na divulgação de uma pesquisa que apontava Carlos Barbosa como o município com melhor indicador socioeconômico do Rio Grande do Sul.  Após a repercussão negativa do caso, o prefeito disse que está “muito abalado” e que foi mal interpretado ao dar uma declaração “infeliz”.

“É importante dizer que, para vir pra cá, precisa ter profissão, estudo. Que o custo de vida aqui não é barato. Me parece que as pessoas que fizeram a mudança aqui eram baianos e goianos… não queremos isso para o município. Se vier uma infestação aqui de baianos e goianos, vai começar a ter fome, vão ter que invadir algum lugar “, disse o prefeito, de acordo com matéria publicada pelo jornal Contexto, de Carlos Barbosa, no último dia 5.

A declaração do prefeito gaúcho, dada em um festival do queijo, provocou reações em Goiás e na Bahia, onde foi destacada em redes sociais e nos jornais. O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) cobrou no Twitter um pedido de desculpas do pedetista. “Tenho certeza que os gaúchos estão envergonhados com o prefeito”, escreveu o parlamentar goiano. “Goiás recebe muito bem os gaúchos, baianos, gente de qualquer outro estado. Eles ajudam o nosso estado a crescer, a se desenvolver!”, acrescentou.

“Forte apreço”

Na nota divulgada hoje, Francisco Xavier disse que tem “forte apreço pelo povo de qualquer lugar do Brasil, especialmente aos baianos e goianos, citados equivocadamente e de forma infeliz” por ele. Pela quarta vez à frente do município, o prefeito disse que não houve maldade em seu discurso e que não quis ofender ninguém.

“O que quis dizer é que se as pessoas quiserem vir pra cá, podem vir que serão bem recebidas. Minhas colocações foram na intenção de expor que as pessoas venham com condições de se manter, com qualificação, para facilitar a conquista de um emprego, para que vivam com dignidade, porque o custo de vida é muito alto aqui. Não posso concordar em ver qualquer cidadão passando necessidades, me dói muito isso”, escreveu.

Veja a íntegra da nota do pedido de desculpas do prefeito:

“Peço desculpas pelo ocorrido. Nunca houve maldade em meu discurso e não foi intenção ofender qualquer cidadão, de qualquer lugar do país. O que quis dizer é que se as pessoas quiserem vir pra cá, podem vir que serão bem recebidas. Minhas colocações foram na intenção de expor que as pessoas venham com condições de se manter, com qualificação, para facilitar a conquista de um emprego, para que vivam com dignidade, porque o custo de vida é muito alto aqui. Não posso concordar em ver qualquer cidadão passando necessidades, me dói muito isso. Eu sei o que é passar por dificuldades. Paguei aluguel por 21 anos antes de conseguir financiar minha casa. Me entristece ver algumas famílias que vem pra cá em condições de vulnerabilidade social, passando enormes dificuldades. Isso que eu gostaria de evitar, o sofrimento destas pessoas. O Município tenta ajudar o máximo possível, mas temos nossas limitações, e nunca conseguimos auxiliar o suficiente. Como de costume, minhas falas são sempre espontâneas, nunca faço uso de discursos escritos. Estou muito abalado pela proporção que teve uma fala “atrapalhada”, mas sem má fé. Humildemente reafirmo em público minhas escusas pelo ocorrido e manifesto meu forte apreço pelo povo de qualquer lugar do Brasil, especialmente aos baianos e goianos, citados equivocadamente e de forma infeliz por mim”.

Veja a declaração dada pelo prefeito, segundo o jornal Contexto:

 

“O que falar de uma cidade como a nossa, que não tem desemprego, limpa, que tem atendido uma série de necessidades básicas? Não temos favela, invasão, gente morando embaixo de lona, de madeirite. Mas temos que ter cuidado ao falar sobre isto. Se colocarmos que aqui só tem coisas boas, as pessoas pensam: ‘vou para lá!’ Botam a mudança em um caminhão, e vamos ver todas as coisas que não queremos. É importante dizer que, para vir pra cá, precisa ter profissão, estudo. Que o custo de vida aqui não é barato. Me parece que as pessoas que fizeram a mudança aqui eram baianos e goianos… não queremos isso para o município. Se vier uma infestação aqui de baianos e goianos, vai começar a ter fome, vão ter que invadir algum lugar… e passamos a ter problemas no futuro e quem sabe a nossa tranquilidade e qualidade de vida comecem a cair”.

Guloseima pode ajudar a evitar briga conjugal, segundo pesquisa

Baixos níveis de glicose no sangue tornam as pessoas mais irritáveis.
Em estudo, casal podia espetar alfinete em boneco representando cônjuge.

Publicado no G1

Foto divulgada mostra boneco de vodu para 'todos os propósitos'; em estudo, casal podia espetar alfinete em boneco representando cônjuge (foto: AP Photo/Jo McCulty, Ohio State University)

Foto divulgada mostra boneco de vodu para ‘todos os propósitos’; em estudo, casal podia espetar alfinete em boneco representando cônjuge (foto: AP Photo/Jo McCulty, Ohio State University)

Uma barra de chocolate ou outro doce pode aplacar mais do que a fome. Pode prevenir também grandes brigas entre maridos e mulheres, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (14) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Isso porque o nível baixo de açúcar no sangue pode tornar as pessoas irritáveis. De acordo com o pesquisador Brad Bushman, da Universidade do Estado de Ohio, esse fator pode deixar as pessoas em um estado que mistura raiva e fome.

“Precisamos de glicose para ter auto-controle”, diz Bushman, principal autor do estudo. “A raiva é a emoção que as pessoas mais têm dificuldade de controlar.”

Os pesquisadores avaliaram 107 casais por três semanas. A cada noite, eles mediam seus níveis de glicose no sangue e pediam para cada participante espetar alfinetes em um boneco de vodu representando o cônjuge. Isso indicava os níveis de agressividade.

Eles descobriram que, quanto mais baixos os níveis de açúcar no sangue, mais alfinetes eram espetados no boneco. As pessoas com os níveis mais baixos de glicose usaram o dobro de alfinetes em comparação àquelas com os níveis mais altos de glicose, de acordo com os pesquisadores.

O estudo também constatou que os cônjuges geralmente não estavam com raiva uns dos outros. Em cerca de 70% das vezes, as pessoas não espetavam nenhum alfinete no boneco, diz o co-autor do estudo, Richard Pond Jr, da Universidade da Carolina do Norte em Wilmington. A média de todo o estudo foi de um pouco mais de um alfinete por noite por pessoa.

Três pessoas colocaram todos os 51 alfinetes disponíveis de uma só vez – e uma pessoa fez isso duas vezes – segundo Pond. Segundo Bushman, há uma boa razão física para ligar o ato de comer às emoções: o cérebro, que representa apenas 2% de todo o peso corporal, consome 20% de nossas calorias.

Os pesquisadores dizem que comer uma barra de chocolate pode ser uma boa ideia se o casal está prestes a discutir um assunto delicado, mas que frutas e vegetais são uma estratégia melhor para manter os níveis de glicose a longo prazo.

Outras opiniões
Especialistas não envolvidos no estudo têm opiniões divergentes sobre a pesquisa. Chris Beedie, que ensina psicologia na Universidade Aberystwyth, no Reino Unido, disse pensar que o método do estudo é falho. Uma melhor estratégia seria dar aos participantes níveis altos de glicose em algumas ocasiões e nível baixo de glicose em outras, pra ver se isso faria alguma diferença na ocorrência de atos reais de agressão.

Mas Julie Schumacher, que estuda psicologia e violência doméstica na Universidade do Mississippi, afirma que o estudo foi bem planejado e que é razoável concluir que “níveis baixos de glicose podem ser um fator que contribui para a violência íntima entre parceiros”.

Ainda assim, tanto ela quanto Beedie acreditam que não é possível interpretar os resultados com os bonecos como indicadores de risco de agressão física contra o parceiro.

Uma curiosidade sobre o projeto é que Bushman recebeu uma ligação da companhia que administra seu cartão de crédito para ter certeza de que era ele mesmo que gastou US$ 5 mil para comprar mais de 200 bonecos de vodu.

‘Feminismo não é uma guerra entre homens e mulheres’

Naomi

Nana Queiroz, no BrasilPost

Naomi Wolf é uma das maiores pensadoras vivas da terceira onda do feminismo. No sábado, tive um delicioso (e polêmico) encontro com ela, no qual ela me falou de uma visão de feminismo em que cabem homens e mulheres. Vejam a nossa conversa.

Você acredita que existam roupas vulgares?
Nós vivemos em um mundo mergulhado na pornografia e em que o corpo da mulher está em todo canto. Mas ninguém tolera que as mulheres ganhem o poder sobre o próprio corpo e digam: “Meu corpo não é erótico, ele é o que eu quiser que ele seja!”

Sou uma libertária, cresci em São Francisco! Era muito comum que homens gays andassem com calças de couro e furos atrás que deixavam seus bumbuns totalmente expostos. Não era nenhum fator de desestabilização social, eles não incomodavam ninguém, apenas expressavam sua moda. Ninguém nunca disse que isso era uma desculpa para abusar sexualmente deles. As pessoas deviam ser livres para se vestir como quisessem. Claro, há limites, como não fazer sexo na frente de crianças ou ver pornografia com elas. Mas, com o mínimo de bom-senso, é possível ter uma liberdade imensa ao se vestir.

Você acredita na existência de homens feministas?
Claro, fui criada por um e casei com outro. Como não poderia haver homens feministas? Se acredita no tipo de feminismo em que acredito — que é apenas uma extensão lógica da democracia, ou seja, todos merecem os mesmos direitos –, não é uma coisa de gênero, só inclui prestar atenção à situação especial da mulher e se importar com seu bem-estar e equidade.

Você tem algumas críticas à segunda onda do feminismo…
Primeiro, tenho que celebrá-las. A segunda onda do feminismo foi a que mais trouxe conquistas para as mulheres na história de nossa espécie – e em muito pouco tempo. Só temos mulheres presidentes hoje graças a elas.

Mas já criticou a visão que elas têm dos homens.
Sim. Todo movimento precisa de críticas para crescer, principalmente, porque os tempos mudam. As feministas da segunda onda acreditavam que o feminismo era uma oposição aos homens. Eu rejeito isso. Feminismo é uma questão humana, não é uma guerra entre homens e mulheres. Às vezes, também criam imagens de mulheres como anjos inocentes e homens como bestas predadoras. Essa ideologia foi inventada no século 19 e é muito perigosa. Essa visão vitimiza as mulheres e está afastando os homens; eles sentem que não há um lugar para eles nessa luta.

É possível ser de direita e ser feminista?
Sim. Você pode ser militar e ser feminista, pode ser a favor do livre mercado ou empresária e ser feminista. A mídia quer que acreditemos que o feminismo é uma linda festa de verão em que todas temos que ser grandes amigas. Feminismo não é uma festa. O feminismo também não dita regras sobre suas visões políticas. Temos que amadurecer e entender o que é “afiliação parcial”. Isso é uma estratégia para trabalhar o que o grupo tem em comum e deixar de fora questões que não cabem ao tema. Depois, fora do grupo, podem brigar à vontade sobre as outras questões.

 

Jornalista dinamarquês se decepciona com Fortaleza e desiste de cobrir Copa

Mikkel Jensen desistiu da Copa do Mundo no Brasil

Mikkel Jensen desistiu da Copa do Mundo no Brasil

Hayanne Narlla, na Tribuna do Ceará [via UOL]

Até aonde você iria por um sonho? O jornalista dinamarquês Mikkel Jensen desejava cobrir a Copa do Mundo no Brasil, o “país do futebol”. Preparou-se bem: estudou português, pesquisou sobre o país e veio para cá em setembro de 2013.

Em meio a uma onda de críticas e análises de fora sobre os problemas sociais do Brasil, Mikkel quis registrar a realidade daqui e divulgar depois. A missão era, além de mostrar o lado belo, conhecer o ruim do país que sediará a Copa do Mundo. Tendo em vista isso, entrevistou várias crianças que moram em comunidades ou nas ruas.

Em março de 2014, ele veio para Fortaleza, a cidade-sede mais violenta, com base em estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao conhecer a realidade local, o jornalista se decepcionou. “Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo – e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar”.

Descobriu a corrupção, a remoção de pessoas, o fechamento de projetos sociais nas comunidades. E ainda fez acusações sérias. “Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo à noite em área com muitos turistas”.

Desistiu das belas praias e do sol o ano inteiro. Voltou para a Dinamarca na segunda-feira (14). O medo foi notícia em seu país, tendo grande repercussão. Acredita que somente com educação e respeito é que as coisas vão mudar. “Assim, talvez, em 20 anos [os ricos] não precisem colocar vidro à prova de balas nas janelas”. E para Fortaleza, ou para o Brasil, talvez não volte mais. Quem sabe?

Confira na íntegra o depoimento:

A Copa – uma grande ilusão preparada para os gringos

Quase dois anos e meio atrás eu estava sonhando em cobrir a Copa do Mundo no Brasil. O melhor esporte do mundo em um país maravilhoso. Eu fiz um plano e fui estudar no Brasil, aprendi português e estava preparado para voltar.

Voltei em setembro de 2013. O sonho seria cumprido. Mas hoje, dois meses antes da festa da Copa, eu decidi que não vou continuar aqui. O sonho se transformou em um pesadelo.

Durante cinco meses fiquei documentando as consequências da Copa. Existem várias: remoções, forças armadas e PMs nas comunidades, corrupção, projetos sociais fechando. Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo – e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar.

Em março, eu estive em Fortaleza para conhecer a cidade mais violenta a receber um jogo de Copa do Mundo até hoje. Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua, e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo à noite em área com muitos turistas. Por quê? Para deixar a cidade limpa para os gringos e a imprensa internacional? Por causa de mim?

Em Fortaleza eu encontrei com Allison, 13 anos, que vive nas ruas da cidade. Um cara com uma vida muito difícil. Ele não tinha nada – só um pacote de amendoins. Quando nos encontramos ele me ofereceu tudo o que tinha, ou seja, os amendoins. Esse cara, que não tem nada, ofereceu a única coisa de valor que tinha para um gringo que carregava equipamentos de filmagem no valor de R$ 10.000 e um Master Card no bolso. Inacreditável.

Mas a vida dele está em perigo por causa de pessoas como eu. Ele corre o risco de se tornar a próxima vítima da limpeza que acontece na cidade de Fortaleza.

Eu não posso cobrir esse evento depois de saber que o preço da Copa não só é o mais alto da história em reais – também é um preço que eu estou convencido incluindo vidas das crianças.

Hoje, vou voltar para Dinamarca e não voltarei para o Brasil. Minha presença só está contribuindo para um desagradável show do Brasil. Um show, que eu dois anos e meio atrás estava sonhando em participar, mas hoje eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para criticar e focar no preço real da Copa do Mundo do Brasil.

Alguém quer dois ingressos para França x Equador no dia 25 de junho?

Mikkel Jensen – Jornalista independente da Dinamarca

O Tribuna do Ceará entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para comentar acerca da possível “matança” comentada pelo jornalista dinamarquês, mas até a publicação desta matéria não foi enviada a resposta.

(*) A pedido de Mikkel, este artigo foi publicado com o jornalista já na Dinamarca