Facebook: 22 fatos e estatísticas que as marcas precisam conhecer

publicado na proXXima

O Facebook fechou mais um trimestre com estatísticas impressionantes. O aumento de 247% nos preços de anúncios, por exemplo, e a introdução de grupos dentro do aplicativo da rede social são algumas das novidades.

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Confira abaixo 22 fatos e estatísticas da plataforma:

1. US$3.2 bilhões em receita total nos últimos 3 meses
2. A receita publicitária aumentou em 64% a cada ano
3. 1 bilhão de visualização de vídeos por dia em setembro
4. 8,3 mil funcionários, 40% a mais em relação ao ano passado
5. 1,5 milhão de anunciantes
6. US$766 milhões em fluxo de caixa livre no terceiro trimestre
7. 64% dos usuários mensais ativos acessam a rede social diariamente
8. 1,35 bilhão de pessoas acessam mensalmente
9. 703 milhões utilizam a versão mobile todos os dias (40% a mais que em 2013)
10. 700 milhões de pessoas utilizam os grupos do Facebook todo mês
11. WhatsApp tem 600 milhões de usuários ativos mensais, caminhando para 1 bilhão
12. 3 vilhões de links foram criados com o Facebook applink
13. Os preços dos anúncios aumentaram 247% devido à melhor qualidade
14. Impressões publicitárias totais diminuíram 56% no último ano
15. O volume de pagamento proveniente de games sofreu queda de 2% ao ano
16. Instagram tem 200 milhões de usuários, com a meta de atingir 1 bilhão
17. Usuários médio do Instagram gastam 21 minutos por dia no aplicativo
18. 1,12 bilhão de pessoas utilizam o Facebook mobile mensalmente, o que corresponde a um aumento de 250 milhões em relação ao ano passado.
19. O mobile representa 66% da receita publicitária. Em 2013, a porcentagem era de 49%
20. Usuários respondem 20% mais rápido no aplicativo do Facebook messenger em comparação ao Facebook messenger nativo
21. 864 milhões de usuários ativos diários. No segundo trimestre deste ano, o número era de 829 milhões
22. 1 bilhão de engajamentos, semanalmente, entre figuras públicas e seus fãs.

O que esses números significam?

1. Crie conteúdo relevante de qualidade
Com o surgimento de ferramentas que ajudam a criar conteúdo mais rápido, a concorrência por um espaço no feed de notícias do Facebook só vai aumentar. Por isso, para conquistar altas taxas de engajamento, as marcas devem investir em histórias personalizadas e experiências para os fãs.

2. Os anúncios do Facebook devem ser mais eficientes
Os preços dos anúncios aumentara em 247%! Isso significa que as empresas deverão saber mais sobre seus consumidores caso queiram gerar um ROI positivo com anúncios na rede social. Uma estratégia simples, mas eficiente, é coletar o e-mail dos fãs da marca no Facebook e resegmentá-los atualizando seus e-mails na plataforma de publicidade da rede social.

O que vem em seguida?

1. Facebook vai levar grupos para dentro do seu aplicativo no ano que vem
Mark Zuckerberg já afirmou seu interesse no mobile, além de declarar que os esforços do Facebook em conectar o mundo, atingindo 1 bilhão de usuários por aplicativo, é um marco crítico para iniciar a monetização.

2. Facebook não vai desenvolver sua própria plataforma de pagamento
Apesar das especulações, o Facebook não vai desenvolver uma plataforma de pagamento e pretende, em vez disso, criar uma experiência de pagamento na plataforma.
3. A missão do Facebook é conectar o mundo
Em 3 anos, o Facebook pretende aumentar e servir sua comunidade atual de 864 milhões de usuários ativos. Em 5 anos, a rede social vai focar no Messenger, WhatsApp, search e Instagram para que atinjam 1 bilhão de usuários. Já os planos a longo prazo – 10 anos -, incluem conectar a população mundial com o projeto Internet.org e criar a próxima geração de plataformas computacionais com o Oculus Rift.

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Por Dilma Rousseff, Silvio Santos mantém Sheherazade ‘calada’

A jornalista Rachel Sheherazade durante a maratona televisiva Teleton, no último sábado (8) foto: Artur Igrecias/SBT
A jornalista Rachel Sheherazade durante a maratona televisiva Teleton, no último sábado (8) foto: Artur Igrecias/SBT

Daniel Castro, no Notícias da TV

Proibida de opinar nos SBT Brasil desde abril, após dizer que achava “compreensível” a ação de um grupo de “justiceiros”, a jornalista Rachel Sheherazade vai continuar calada. Desta vez, quem a proibiu de voltar a fazer comentários foi o próprio dono do SBT, Silvio Santos. Ela também não terá um programa debates, como se falou em maio, quando renovou contrato com o SBT. A emissora tomou a medida para não se desgastar com a presidente reeleita, Dilma Rousseff.

Angustiada com a demora para voltar a opinar, o que deveria ocorrer durante a Copa do Mundo, Sheherazade procurou Silvio Santos no último dia 28, dois dias após o segundo turno. Ela foi até o salão do cabeleireiro Jassa, em São Paulo, frequentado pelo apresentador. Argumentou com o “patrão” que, agora que já tinham passado as eleições, não haveria risco de problemas legais com suas opiniões.

Sheherazade ouviu um eloquente “não”. “Se o Aécio [Neves] tivesse vencido, tudo bem. Mas como a Dilma ganhou, é melhor você continuar calada”, respondeu Silvio Santos, segundo uma testemunha. A jornalista, que foi contratada em 2011 justamente por causa de suas opiniões na afiliada da Paraíba, continuará sendo apenas apresentadora do SBT Brasil.

O comportamento de Rachel Sheherazaede durante a campanha eleitoral desagradou a cúpula do SBT. Nas redes sociais, ela fez campanha abertamente para Aécio Neves. Com Dilma, chegou a ser agressiva. Após debate no SBT em que a presidente passou mal ao dar entrevista, ela reproduziu no Twitter trecho de uma coluna da revista Veja: “Pressionada por Aécio no debate do SBT, Dilma perde o rumo no meio da entrevista e culpa a pressão”.

Para executivos do SBT, o comportamento de Rachel não é compatível com uma apresentadora de telejornal da emissora, muito menos para uma apresentadora e articulista. Isso, segundo uma fonte, pesou na decisão de Silvio Santos de mantê-la “calada”. Sem espaço para opinar no SBT, Sheherazade está fechando contrato com a rádio Jovem Pan, emissora em que já trabalham Reinaldo Azevedo, Joseval Peixoto e José Nêumanne Pinto.

O “não” de Silvio Santos e a vitória de Dilma Rousseff não foram os únicos contratempos de Rachel Sheherazade na virada do mês. No último dia 30, a polícia do Rio de Janeiro prendeu oito jovens por associação com o tráfico de drogas. Entre eles, estavam os “justiceiros” que em janeiro amarraram a um poste um jovem acusado de cometer furtos na região do Aterro do Flamengo, ação que Sheherazade considerou “compreensível”. O comentário lhe custou a liberdade de opinar no SBT e um processo do Ministério Público em que a emissora pode ser obrigada a se retratar.

 

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Motorista atropela 15 pessoas em saída de igreja e foge

Mãe com bebê no colo foi atingida; suspeita é de alta velocidade e motorista fugiu

Publicado no R7

Um carro atropelou 15 pessoas que saíam de uma igreja, na noite de domingo (9), na zona norte de São Paulo. O motorista fugiu sem prestar socorro. A suspeita é de que o veículo estava em alta velocidade. Um bebê de cinco meses estava no coloca da mãe que foi atingida.

Todas as vítimas estavam saindo de uma igreja quando foram atingidas na calçada. O casal dono de um carro preto, que estava estacionado, e os três filhos foram atingidos. Uma das crianças tem cinco meses, como conta a parente das vítimas, Suzimara Vieira Martins.

— Ela tem cinco meses. Imagina uma criança no colo da mãe, um impacto desses, ir parar longe. Só está viva por Deus.

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O pastor da igreja, a mulher dele e a filha de seis anos também ficaram feridos. Oito vítimas foram socorridas pelos bombeiros e pelo Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência). Testemunhas disseram que outras sete vítimas foram levadas por moradores a hospitais da região. Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), as marcas no asfalto mostram que o carro andou cerca de 40 metros antes de parar o que sugerer que o veículo estaria em alta velocidade.

A velocidade exata do carro na hora do atropelamento vai ser apontada pela perícia. A avemida Roland Garros, na Vila Medeiros, tem tráfego em dois sentidos de direção.

A velocidade máxima permitida é de 50 km/h. O motorista do carro que provocou o acidente quebrou o vidro traseiro para fugir junto com a mulher que estava com ele.

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‘Temos de educar nossas crianças para uma democracia melhor’

Nome forte do grupo de Marina Silva, a educadora Neca Setubal afirma que a participação social nas eleições foi grande, porém, é preciso melhorar o nível

Neca Setubal: educação é a única forma de tornar a democracia mais participativa (Reprodução/Facebook)
Neca Setubal: educação é a única forma de tornar a democracia mais participativa (Reprodução/Facebook)

Talita Fernandes, na Veja on-line

Coordenadora do programa de governo de Marina Silva na disputa pelo Palácio do Planalto, a educadora Maria Alice Setubal, mais conhecida por Neca, promete continuar empenhada no campo político após o fim das eleições. Em entrevista ao site de VEJA, ela disse que a prioridade é retomar, junto com Marina, o projeto de criação da Rede Sustentabilidade, partido idealizado pela ex-senadora que não conseguiu aprovação da Justiça Eleitoral para ser criado. Alvo de fortes ataques da campanha de Dilma Rousseff por ser uma das herdeiras do banco Itaú, Neca defende ainda a melhora da educação no país. Segundo a educadora, apesar dos investimentos, houve retrocesso na área nos últimos quatro anos. Neca argumenta que é preciso pensar numa “nova escola” que, entre outras coisas, estimule a qualificação do debate político. Depois de uma campanha marcada por ataques, a aliada de Marina avalia que, embora tenha havido forte participação popular no processo eleitoral, isso se deu “com baixíssima qualidade. Neca evitou falar sobre questões econômicas, mas fez críticas ao governo de Dilma Rousseff, classificando de incoerentes as primeiras ações do governo após a reeleição. “Era previsível que muito do que a Dilma criticava em nossa campanha, ela iria fazer. Mas o que acho mais inacreditável é que, depois de três dias de reeleita, os juros já subiram”, afirma. Leia trechos da entrevista.

A senhora ganhou bastante destaque na campanha de Marina Silva, tanto por ter coordenado o programa de governo do PSB quanto por ter sido alvo de ataques do PT. Como pretende atuar na política a partir de agora?
Eu pretendo continuar dentro da esfera política, mas não dentro do sistema político propriamente dito. Permanecerei com a Marina e com o grupo no campo socioambiental. Vamos pensar em como vamos agir, pois ainda estamos discutindo e amadurecendo uma proposta com passos concretos. Mas, sem dúvida, num primeiro momento, e isso é consenso, vamos retomar a institucionalização oficial da Rede. Esse é o ponto principal. Vamos canalizar nossas energias nessa direção. Depois, temos de pensar qual o timing exato de entrar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a revalidação da Rede.

Quais são seus projetos para melhorar o futuro da educação no país?
Esse tema é alvo de muitas discussões que venho tendo com pessoas e partidos. Tivemos um retrocesso na educação nesses quatro anos e os indicadores mostram isso. Como país, nós não alcançamos as metas, mesmo sendo elas bastante brandas. Nós estamos muito atrasados. Eu tenho a convicção de que a educação tem de ter um olhar suprapartidário. Nós já amadurecemos, temos um Plano Nacional de Educação, ainda que com problemas, mas ele aponta para uma direção. O problema é que muito dessa direção se dá olhando para o retrovisor, para o que não fizemos. Nós temos de olhar para frente, resolver muitos desses problemas pensando na Nova Escola. Temos que pensar em uma escola mais aberta à comunidade, uma escola que repense o seu currículo. Nós temos que educar nossas crianças para uma democracia melhor, mais participativa. Essa campanha foi um exemplo de participação de baixíssima qualidade. Muito participativa, mas de baixíssima qualidade. Nós fizemos uma participação do “nós contra eles” dos dois lados. Houve pouquíssima discussão de país, do que se quer para o país, de programa, de ideias. Temos um papel fundamental que é olhar para frente e saber qualificar esse debate.

De que forma a educação pode ajudar na melhora do processo político e eleitoral?
O que precisa ser debatido é qual o papel do Executivo, do Legislativo, do Judiciário. Qual é a visão de país, o que significam as propostas. É preciso que haja um foco na leitura, na discussão de texto, na argumentação. A educação tem de ter um papel muito forte na questão da diversidade, do respeito aos direitos humanos, das diferenças, dos grupos. Tudo isso passa pela educação, tanto dentro das escolas, quanto fora, como em centros culturais, museus e teatros. Precisamos de um trabalho do respeito ao outro. Além disso, a educação tem de atuar na sustentabilidade. São três eixos para se trabalhar na escola. São três pontos que personificam o “olhar para frente”.

Um dos principais ataques da campanha do PT contra Marina Silva foi em relação a propostas econômicas, entre elas, a de independência do Banco Central. Além disso, a senhora foi criticada por ser de uma família de banqueiros. Como vê os sinais que Dilma tem dado para a economia? 
Era previsível que Dilma fizesse muito do que criticava na nossa campanha. Mas, o mais inacreditável é que depois de três dias de reeleita, os juros já subiram. Outra coisa impressionante é ter na lista dos possíveis ocupantes do Ministério da Fazenda duas pessoas do mercado financeiro. Uma delas é o Trabuco (Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco), que parece que não aceitou, e o Henrique Meirelles. Ambos são representantes do setor financeiro. O Trabuco é presidente de um dos maiores bancos privados do país e o Henrique Meirelles veio de um banco internacional. Acho que são as incongruências do PT. Durante a campanha, eles falaram uma coisa. Agora, tudo mudou. Independentemente de esses nomes serem ótimos, já que são pessoas reconhecidamente competentes, não sei como ela vai conduzir a política econômica e evitar a recessão.

Qual o maior legado dessas eleições, que foram tão apertadas e contaram com fatores tão inesperados?
O fato de a sociedade ter despertado para a participação é um ganho. Agora, resta ver se o governo e as oposições conseguem direcionar essa disposição para uma participação mais propositiva, mais afirmativa do que esta guerra de dois lados. Esse é um potencial possível de ser desenvolvido e aprofundado pela sociedade. Esse é um ponto importante. Outro é pensar que a oposição do país tem de achar seu papel. Não basta aparecer na época das eleições. Esse papel ficou muito fragilizado nesses anos de governo do PT. O PT tinha uma posição de oposição por oposição. E acho que daremos um salto se conseguirmos construir um campo de oposição responsável.

Em 2010, Marina entregou uma carta a Dilma apresentando pontos que considerava importantes. Haverá alguma sinalização parecida agora?
Em 2010 era outro o contexto. A Marina apresentou para a Dilma e para o Serra, que eram então candidatos, uma lista com os pontos que eram parte do nosso programa. A Dilma assinou esses pontos se comprometendo com eles. Porém, não cumpriu. Em 2014, a Marina não quis repetir isso justamente por não ter tido efetividade (nas eleições passadas). O apoio dela ao Aécio estava condicionado aos compromissos programáticos. Se ele tivesse sido eleito, seria outra história, pois ela estaria acompanhando o desenvolvimento desses outros compromissos. Não é o caso da Dilma. Por isso nosso primeiro passo será a Rede. Nós temos de pensar no que queremos e, dentro da Rede, nos fortalecermos como oposição. Nós não queremos ser engolidos ou identificados diretamente com o PSDB, embora o partido possa ser um parceiro. Mas o PSDB tem o seu campo, tem as suas ideologias, tem os seus filiados e a Rede tem um outro campo de atuação;

Em que aspectos a proposta da Rede Sustentabilidade, de participação popular, se aproxima do decreto 8.243/2014, alvo de fortes críticas e um dos primeiros reveses tomados por Dilma na volta do Congresso?
A Marina afirmou, no passado, que concordava com a concepção (do projeto), no sentido da maior participação. Na verdade, muito do que está neste decreto da presidente são conselhos que já existem, mas que precisam ser retomados. O que nós discutimos é que muitos desses conselhos estão desarticulados ou aparelhados. Além disso, falar de uma maior participação da sociedade por meio de um decreto já é uma coisa estranha. Isso vai um pouco de cima para baixo, é contra o conceito (de participação). Outra discordância é quanto à forma de preencher esses conselhos que, como está proposto, fica muito na mão do governo. Então, a gente discorda da forma, embora concorde com a ideia de maior participação.

Como fica a relação do PSB e da Rede?
A Marina já disse que deve deixar a sigla para se dedicar à criação da Rede. Mas não conversamos ainda sobre isso. Não sei quando será essa saída do PSB. Ela ainda está e deve continuar na sigla até a Rede existir. Mas como será essa saída está em aberto. Eu acho que a gente tem que determinar os campos também. No segundo turno, foi uma aliança. Agora, cada um tem o seu espaço. Cada partido vai ter que se rever. Está se falando muito em fusões de partido. Acho que tudo isso vai ficar mais claro no início do ano. Sobre a relação da Marina com o PSB, nesse momento ela continua. A Marina sempre falou desde 2010 e repetiu em 2014 que não faz sentido ser oposição por oposição. A oposição tem de ser, como o termo usado pelo PSB, “responsável”.  Se acreditarmos que está correto um projeto do governo, nós vamos apoiá-lo.

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Aécio Neves: ‘Para a direita não adianta me empurrar que eu não vou’

Senador tucano reafirma que não irá abdicar do papel de oposição e que PT enfrentará “oposição conectada com a sociedade”

Aécio diz que vai ser oposição vigilante e fiscalizadora para que os escândalos não sejam “varridos para debaixo do tapete (foto: O Globo / Pablo Jacob)
Aécio diz que vai ser oposição vigilante e fiscalizadora para que os escândalos não sejam “varridos para debaixo do tapete (foto: O Globo / Pablo Jacob)

Maria Lima, Lydia Medeiros e Silvia Fonseca, em O Globo

Aécio Neves chega caminhando sozinho pela rua. Vem do pediatra e entra na casa do amigo onde daria entrevista, em Ipanema, contando que os filhos gêmeos, nascidos prematuros, engordaram. Diz que depois de olhar tanto no olho da adversária que o derrotou na campanha mais acirrada da História não abdicará de seu papel de fazer oposição. Admite erros. Mas diz que, pela primeira vez, o PT enfrentará uma “oposição conectada com a sociedade, e isso os assusta”.

Como o senhor viu a entrevista da presidente Dilma, que chamou de lorota o corte de ministérios e de ideia maluca sua proposta de choque de gestão?

A candidata Dilma estaria muito envergonhada da presidente Dilma. Para a candidata, aumentar juros era tirar comida da mesa dos pobres. Três dias depois da eleição, o BC aumentou os juros. Para a candidata, não havia inflação. A presidente agora admite que há e que é preciso controlá-la. A candidata dizia que as contas públicas estavam em ordem, e descobrimos que tivemos um setembro com o pior resultado da história. A candidata dizia que cumpriria o superávit fiscal, e agora se prepara para pedir a revisão da meta de 1,9%. Estamos assistindo ao maior estelionato eleitoral da História. O choque de gestão, que incomoda tanto o PT, nada mais é do que gastar menos com o Estado e mais com as políticas fins. É o contrário do que o PT pratica. O próximo mandato, que se inicia, já começa envelhecido. A presidente não se acha no dever de sequer sinalizar como será a política econômica. E é curioso vermos a presidente correndo desesperada atrás de um banqueiro para a Fazenda. Eu hoje chego na minha casa, coloco a cabeça no travesseiro e durmo com a consciência muito tranquila. Fiz uma campanha falando a verdade, não fugi dos temas áridos, sinalizei na direção da política econômica que achava correta. Não sei se a candidata eleita pode fazer o mesmo.

A oposição também não está envelhecida?

A oposição sai extremamente revigorada da eleição. A campanha teve duas marcas muito fortes. A primeira, protagonizada pelo PT e pela candidata que venceu: a utilização sem limites da máquina pública, do terrorismo eleitoral, aterrorizando beneficiários do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida. Inúmeras regiões ouviram durante meses, isso sim uma grande lorota, que, se o 45 ganhasse, seriam desfiliados dos programas. Infelizmente, essa é uma marca perversa. Mas há uma outra, extraordinária, que é um combustível para construir essa nova oposição. O Brasil acordou, foi às ruas. Minha candidatura passou a ser um movimento. Nosso e desafio é manter vivo esse sentimento de mudança, por ética.

Como atuar de forma diferente?

Pela primeira vez, o PT governará com uma oposição conectada com a sociedade. O sentimento pós-eleição foi quase como se tivéssemos ganhado. E os primeiros movimentos da presidente são de desperdiçar a oportunidade de renovar, de admitir equívocos, mudar rumos. Ela começa com o mesmo roteiro: reúne partidos para discutir um projeto de reforma política ou uma agenda de crescimento? Não! Reúnem-se em torno da divisão de ministérios, de nacos de poder. As pessoas não se sentam para ouvir da presidente: “Quero o apoio para um grande projeto de país.” Era o que eu faria. A grande pergunta dos brasileiros será: para que novo mandato se não há projeto novo de país? Para continuar distribuindo cargos e espaço de poder para as pessoas fazerem negócios? A presidente corre o risco de começar o mandato com sentimento de fim de festa.

O PSDB fará um “governo paralelo”?

Vamos constituir dez grupos, de dez áreas específicas, para acompanhar as ações do governo. Comparar compromissos de campanha com o que acontece em cada área. Queremos subsidiar nossos companheiros, lideranças da sociedade, vereadores, governadores, parlamentares.

Isso não reforça o discurso de que vocês precisam desmontar o palanque?

Chega a ser risível ouvir o PT falar que é hora de descer do palanque. O PT, sempre que perdeu, nunca desceu. E quando venceu também não desceu. E quem paga a conta são os brasileiros. Cumprimentei a presidente pela vitória. Agora vou cumprir o papel que me foi determinado por praticamente metade da população. Vamos ser oposição vigilante, fiscalizadora, e não vamos deixar que varram para debaixo do tapete, como querem fazer, esses gravíssimos escândalos que estão aí.

Mas não houve acordo na CPI da Petrobras para blindar políticos, com apoio do PSDB?

Quero dizer de forma peremptória e definitiva: vamos às últimas consequências nessas investigações, não importa a quem atinjam. Até pelo nível de insegurança de setores da base do governo, o que pode estar vindo por aí é algo muito, mas muito grave. Não depende mais apenas da ação do Congresso ou da Justiça no país, porque essa organização criminosa que, segundo a PF, se institucionalizou na Petrobras, tem ramificações fora do Brasil. E outros países estão agindo. Nosso papel é não permitir, do ponto de vista político, tentativas de limitação das investigações. Se alguém pensou em algum acordo, e no caso do deputado Carlos Sampaio ele foi ingenuamente levado a isso, será corrigido.

A desconstrução marcou a campanha. Como enfrentar isso em 2018?

O marketing petista deseduca a população porque não permite o debate. Será que vai dar certo sempre? Queremos transformar o Bolsa Família em política de Estado para que saia dessa perversa agenda eleitoral. Apresentamos o projeto, e agora ficou claro porque o PT votou contra. O PT prefere ter um programa para manipular as vésperas das eleições, como se fosse uma bondade. Há uma manipulação vergonhosa de instituições como Ipea e IBGE. A presidente usou o marketing de que tinha tirado não sei quantos milhões da miséria já sabendo que a miséria aumentara. Mais um estelionato. Setembro foi o pior mês do século em geração de emprego. Há 20 milhões de jovens sem ensino fundamental e médio. Nossa educação, comparativamente a nossos vizinhos, é péssima. E o governo acha que política social é o Bolsa Família. Não. Tem que ser saúde, educação de qualidade e geração de emprego para incorporar essas pessoas ao mercado formal.

Como o PSDB se manterá unido com uma disputa interna que se anuncia para 2018?

Antecipar uma divisão no PSDB hoje é uma bobagem. Não tenho obsessão em ser candidato a presidente. O que há hoje é um PSDB, ao lado de outras forças, conectado a setores da sociedade com os quais não estávamos vinculados. Esse é o grande fato novo. Lá na frente, o candidato será aquele que tiver melhores condições de vencer.

Há uma nova direita indo às ruas e pedindo a volta dos militares. Como fazer com que o PSDB não se confunda com esse movimento?

Com nosso DNA. Sou filho da democracia. O que houve foi a utilização de movimentos da sociedade por uma minoria nostálgica que nada tem a ver conosco e com nossa história. A agenda conservadora, antidemocrática, totalitária, é a do PT. Esse documento do PT, lançado depois das eleições, é muito grave. Fala no cerceamento da liberdade da imprensa, de um projeto hegemônico de país, sem alternância de poder. Fala de uma democracia direta que, de alguma forma, suplantaria ou diminuiria a participação do Congresso na definição das políticas públicas. Teve um momento na campanha do meu avô Tancredo, em 1984, que pregaram uns cartazes em Brasília com o símbolo do comunismo. Era um movimento da direita mais radical para dizer que ele era comunista. Tancredo disse: “Olha, para a esquerda não adianta me empurrar que eu não vou.” Ele era um homem de centro. E, agora, eu digo: “Para a direita não adianta me empurrar que eu não vou”.

E os erros na campanha? Faltou conexão com minorias, movimentos de base?

Faltaram poucos votos que não conseguimos por falta de estrutura. Nas eleições municipais teremos candidatos com capilaridade em segmentos muito mais amplos. Em dezembro, reuniremos a Executiva com esse foco. Faremos ampla campanha, uma semana de filiação no Brasil. Com gente nas ruas, sindicatos, universidades. Estarei em Maceió, numa grande teleconferência, para sinalizar que o Nordeste sempre será prioridade para o PSDB. As pessoas estão procurando saber como participar, como se filiar. Isso nunca acontecera. Voltamos a ser depositários da confiança de parcela importante da sociedade que nunca fez política e está querendo fazer.

Quais foram os erros em Minas? É consenso que o senhor perdeu porque foi derrotado lá.

Ainda estou tentando entender. Meus adversários tiveram ação organizada muito forte nas regiões mais pobres de Minas. Temos imagens de deputados com megafones dizendo: “Aécio vai acabar com o Bolsa Família”. Os Correios não levavam nosso material, e não estávamos atentos. Houve talvez certa negligência do nosso pessoal. E nossa candidatura estadual também não foi bem. No segundo turno, a força do governador eleito acabou sendo um contraponto forte. Ninguém é invencível. Eu não sou infalível. É do jogo político. Souberam ser mais competentes do que nós. A responsabilidade é minha mesmo. Vamos recuperar esse espaço. Lançar candidato a prefeito em Belo Horizonte, onde ganhamos por 60% a 30%, e em todas a grandes cidades.

E a derrota no Rio?

Eu ter tido 45% dos votos no Rio foi um ato de heroísmo. Os dois candidatos do segundo turno estavam com Dilma. E ainda espalharam jornais apócrifos me colocando como inimigo do Rio.

A aliança de oposição será mantida?

É bom que a oposição tenha várias caras. É um erro estratégico, além de gesto de absoluta arrogância, achar que sou o líder das oposições. Não sou. Somos um conjunto de pessoas credenciadas para falar em nome de uma parcela importante da população. Sou cioso da autonomia do Congresso. Mas gostaria de ver alguma forma essa aliança reeditada na eleição para a presidência da Câmara. Quem sabe num gesto em direção do PSB. A mim agradaria, mas é uma decisão que será tomada com absoluta autonomia pelos deputados.

O senhor sempre repete a frase de Tancredo que ser presidente, mais do que projeto, é destino. Ainda concorda?

Não é obsessão, como jamais foi. Sou hoje um homem de bem com a vida, conheci um Brasil novo, vibrante, com esperança. Não é frase de efeito. Vi coisas de emocionar. Gente que via esperança em mim. E isso é muito sério.

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