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Esqueça um pouco do celular e melhore suas relações

Está cada vez mais difícil perceber se a frequência do uso está passando dos limites (foto: Getty Images)

Está cada vez mais difícil perceber se a frequência do uso está passando dos limites (foto: Getty Images)

Marina Oliveira e Rita Trevisan, no UOL

Em 2013, um restaurante em Jerusalém criou uma promoção interessante: os donos do estabelecimento resolveram conceder descontos de 50% aos clientes que se dispusessem a desligar os celulares durante a permanência no local. O objetivo era permitir aos frequentadores uma experiência de degustação mais tranquila e prazerosa, sem interrupções.

No Brasil, alguns estabelecimentos têm adotado medidas semelhantes. Em São Paulo, um bar tradicional desenvolveu o copo off-line, que só fica de pé na mesa se estiver apoiado sobre um celular. Todas essas iniciativas vêm responder a novas necessidades, típicas de uma sociedade conectada, em que o número de pessoas que só saem de casa com o telefone móvel não para de crescer.

Para se ter uma ideia, fechamos o ano de 2013 com 271,10 milhões de linhas ativas de celular, segundo dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). “Desde 1998, quando ocorreu a privatização da antiga Telebrás, mais de 100 milhões de pessoas passaram a ter uma linha de telefone celular. O acesso se democratizou e ocorreu um processo importante de inclusão digital”, explica a antropóloga Sandra Rúbia da Silva, da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria).

O aparelho, que antes tinha como única função ampliar e agilizar a comunicação, hoje é, também, um computador de bolso. “O mundo da tecnologia se parece com um parque de diversões para adultos”, declara a psicóloga Rosa Maria Farah, coordenadora do NPPI (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática) da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). “Por conta dos aplicativos, os smartphones têm funções lúdicas, que carregam um aspecto de novidade e despertam a criança que vive dentro do usuário”, diz.

E quem se deixa envolver por tanta sedução dificilmente é capaz de perceber se a frequência do uso está passando dos limites e, mais ainda, de distinguir se aquela espiadinha no celular, que muitas vezes interrompe outras atividades importantes, acrescenta algo de relevante na vida pessoal. “O aparelho que tinha a função de aproximar as pessoas pode fazer com que o indivíduo diminua suas habilidades sociais”, explica a psicóloga Dora Sampaio Góes, do grupo de dependências tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo).

Além de ter dificuldade de viver o aqui e o agora, as pessoas que não desgrudam do smartphone se tornam menos disponíveis para interações. “Elas deixam de conversar com quem está do lado e até mesmo de conhecer pessoas novas. Podem nem notar direito quem é o garçom que as atende em um restaurante, por exemplo”, diz Dora.

Estar sozinho com os próprios pensamentos também se tornou um desafio. “Fala-se muito que a tecnologia interfere na relação com o outro, mas ela também influencia na relação do indivíduo consigo mesmo”, afirma Rosa Maria. “O tempo dedicado para se perder nas próprias ideias, sentimentos, refletir sobre o cotidiano está cada vez menor. E isso interfere no desenvolvimento pessoal, já que não encontramos espaço para avaliar ideias, posturas, valores e as expectativas de vida”, explica.

Ansiedade a mil

Por conta da alta velocidade que a tecnologia imprimiu na vida das pessoas, também não são raros os usuários que se tornam mais ansiosos, à medida que se apegam mais e mais aos seus celulares. “Você envia uma mensagem e espera que o outro responda na mesma hora. Se ele não responde, quer saber o motivo. Ou seja, além de agravar a ansiedade, esses contatos também podem aumentar a insegurança”, diz Dora.

O grande risco é acreditar que a vida externa precisa seguir o nosso ritmo interno, acelerado e instantâneo, assim como acontece com os aplicativos do celular. E, em decorrência disso, desenvolver a intolerância com a espera ou uma cobrança exagerada em relação a si mesmo. “A tentativa de atender a todas as demandas diminui o poder da nossa concentração. Então, não conseguimos mais nos concentrar em uma atividade por muito tempo”, afirma a psicóloga.

Assumindo o controle

Colocar a culpa na tecnologia “é uma bobagem”, diz Rosa Maria. Já que somos nós que temos que aprender a utilizar esses aparelhos, inerentes à vida contemporânea, com equilíbrio. “O problema não está em carregar o celular o tempo todo com você, mas, sim, em querer responder no mesmo momento a todas as demandas que ele lhe traz”, declara a especialista.

O mais importante, segundo Rosa, é dar atenção às prioridades. Quando se está na companhia de amigos, familiares ou parceiros, toda atenção deve ser dada às pessoas. O mesmo vale para momentos íntimos, quando se está no meio de uma refeição, no chuveiro ou tentando dormir.

Quem possui celular corporativo também precisa estabelecer seus próprios limites. “Se eu já trabalhei durante o dia, e estou em casa, tenho o direito de não responder a uma demanda profissional que não considero urgente. O segredo é ser capaz de avaliar o que é realmente importante em cada momento da vida”, diz a coordenadora do NPPI.

Há, ainda, outras boas estratégias que podem ajudar quem já está condicionado a mexer no aparelho o tempo todo. “O primeiro treino é, ao se envolver em uma atividade, como ler, estudar ou assistir a um filme, deixar o celular no silencioso e virado para baixo”, ensina Dora Sampaio Góes. Ela também explica que, ao adotarmos esse hábito regularmente, a ansiedade pode diminuir.

Também ajuda desabilitar todas as notificações de aplicativos, para não atiçar a curiosidade de olhar. “É você quem escolhe como utilizar o celular, e não o contrário”, diz a psicóloga.

5 maneiras incomuns de melhorar sua memória

Mudanças pequenas em seus hábitos podem fortalecer suas lembranças e garantir uma melhor performance no trabalho e em seus relacionamentos

foto: Flickr/ Creative Commons

foto: Flickr/ Creative Commons

Luciana Galastri, na Galileu

Você já esqueceu o nome de pessoas que conhece há muito tempo (enquanto estava conversando com elas)? Já esqueceu o nome de objetos e de lugares, mesmo que sejam óbvios (elevador? fita adesiva)? Sempre esquece o fim de piadas? Pois você não está sozinho. E todo mundo que tem memória ruim sabe como é desconfortável ter que perguntar para os colegas “qual é aquela palavra que usamos para descrever (insira alguma coisa aqui)?”. A dificuldade de lembrar torna nossas conversas frustrantes e o processo criativo mais frustrante ainda. Mas há maneiras de melhorar essa situação – e nem todas são “manjadas”.

Claro, prestar atenção em coisas importantes de forma “exclusiva”, sem se distrair com celular, com o barulho do vizinho ou com o cachorro funciona. Mas nem sempre é algo realista de se fazer. Portanto, listamos X maneiras incomuns de melhorar a sua memória – que, segundo a ciência, funcionam de verdade.

Tome nota – afinal, se você está lendo essa lista, pode precisar de registros mais fortes do que suas lembranças:

Durma bem Um bom período de sono é importantíssimo para consolidar as memórias do que você viveu durante o dia. Quem não consegue dormir bem não apenas tem mais problemas em lembrar do que passou como também tem mais chances de criar falsas memórias – “lembrar” de coisas que nunca aconteceram.

Tome café Muitos estudos relacionam a cafeína com a memória, mas a maioria não teve resultados considerados conclusivos. No entanto, há um estudo que provou que tomar uma pílula de cafeína imediatamente após aprender algo ajuda na fixação dos novos conhecimentos em sua mente. Então, após uma aula ou reunião, talvez valha apelar para o recurso. Ou, se você curte café, uma boa dica é deixar o cafezinho não para depois do almoço, mas para depois de reuniões importantes, ou logo pela manhã. Só não vale tomar café antes de dormir, certo? Já falamos que ficar muito tempo sem descansar corretamente pode prejudicar a sua memória.

Alecrim, alecrim dourado… Pesquisadores relacionam o aroma do alecrim com um aumento nas funções cognitivas, especialmente na recuperação de memórias. Se você já estava pensando em trazer uma plantinha para sua mesa, que tal um vaso de alecrim?

Mais azul na dieta Mirtilos (ou blueberries) não são tão comuns no Brasil. Mas talvez valha a pena incluir a frutinha em seus lanches – um estudo que acompanhou enfermeiras descobriu que aquelas que comiam mais mirtilos passavam a sentir a perda de memória natural da idade 2,5 anos depois do que aquelas que não tinham a fruta em suas dietas.

Medite Ao acalmar seu corpo e mente, você bloqueia influências externas e consegue se concentrar mais naquilo que importa – nos estudos, no trabalho, no que for.

Para 55% do país, Copa trará mais perdas do que ganhos, diz Datafolha

Descrença no legado do torneio é maior agora do que em junho, no auge dos protestos

Charge: Latuff

Charge: Latuff

Publicado na Folha de S.Paulo

Mais da metade da população brasileira acha que a Copa do Mundo trará mais prejuízos do que benefícios ao país, revelou pesquisa realizada pelo Datafolha.

Para 55% dos entrevistados, a competição trará mais prejuízos para a população em geral, contra 36% que falaram em maior benefício (9% não souberam responder a pergunta).

Em junho de 2013 havia equilíbrio: 44% afirmavam que o prejuízo seria maior, mas 48% dos brasileiros estavam mais otimistas e diziam que a Copa do Mundo traria mais benefícios.

O Datafolha também perguntou aos entrevistados sobre benefícios e prejuízos pessoais: 49% acham que terão mais prejuízos, contra 31% que falaram em benefício.

A pesquisa do ano passado ocorreu durante o período em que as manifestações populares se espalharam pelo Brasil e dois dias antes da final da Copa das Confederações, realizada dia 30 de junho e vencida pelo Brasil (3 a 0 contra a Espanha, no Maracanã), evento considerado teste para a Copa do Mundo.

“Mesmo agora, fora do clima dos protestos, essa crítica à realização da Copa cresceu. Esse é o resultado importante, já que anteriormente a população estava dividida”, disse Mauro Paulino, diretor geral do Datafolha.

“O brasileiro não é bobo. Mudou da água para o vinho o que foi prometido em 2007 [ano da eleição à sede]. Não se imaginava que teria tanto problema com orçamento, com redução brutal do investimento com mobilidade urbana, por exemplo. Não há legado”, disse Fernando Ferreira, diretor da Pluri Consultoria, especializada em marketing esportivo.

A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 3 de abril, em 162 municípios. Foram entrevistadas 2.637 pessoas, com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

APROVAÇÃO À COPA

Pela primeira vez, também de acordo com o Datafolha, o número de pessoas que apoiam a realização da Copa do Mundo no Brasil ficou abaixo dos 50%.

A pouco mais de dois meses para o início do evento, que terá o Brasil enfrentando a Croácia na partida inaugural, dia 12 de junho, em São Paulo, 48% dos entrevistados na pesquisa disseram ser a favor da realização da Copa do Mundo no Brasil.

Este número mostra tendência de queda desde 2008, quando foi realizada a primeira pesquisa, mas em relação à última, realizada em fevereiro, ficou dentro da margem de erro.

Em novembro de 2008, ano seguinte à confirmação brasileira como sede, os favoráveis ao Mundial eram 79%, número que foi caindo para 65% (em junho de 2013) e 52% (fevereiro de 2014).

Os que afirmaram nesta última pesquisa serem contra a realização da Copa foram 41%, também o maior número desde 2008, que foi de apenas 10% (veja os números detalhados acima).

“A população se empolgou inicialmente porque o Brasil realizaria a Copa novamente mais de 60 anos depois de 1950. Tudo mudou com o péssimo projeto executado. Foco nos estádios e falta de comunicação com a população minaram o projeto do governo”, avaliou o consultor esportivo Amir Somoggi.

Valesca Popozuda é chamada de grande pensadora e ‘Beijinho no Ombro’ vira questão de prova no DF

Enunciado pedia que os alunos completassem um trecho da música. Teste foi parar nas redes sociais e virou alvo de críticas e piadas. Secretaria de Educação diz que docente dará explicações nesta terça.

valescaPublicado por CBN

Uma questão da prova de filosofia de uma escola pública do Distrito Federal vem provocando polêmica. No teste para alunos do terceiro ano do Ensino Médio, o professor se refere à funkeira Valesca Popozuda como uma grande pensadora contemporânea e pede para os estudantes completarem um dos trechos da música ‘Beijinho no Ombro’. Surpreendidos com a questão, alguns alunos fotografaram a prova e a divulgaram nas redes sociais. A postagem já teve cerca de 2.500 compartilhamentos e 600 comentários. A maior parte considera afirmação do item inadequada. Para o professor da faculdade de educação da Universidade de Brasília, Cleiton Hércules, a questão é descabida.

“Não vejo nenhum problema em usar trechos de músicas ou poemas em provas. Por outro lado, eu faria algumas restrições ao chamar a funkeira de grande pensadora, já que esse tipo de título deve ser dado a pessoas que tenham dado alguma contribuição significativa à produção seja musical, teatral ou no campo acadêmico. Chamá-la de grande pensadora parece um exagero”, afirma Hércules.

Nos comentários nas redes sociais alguns alunos que fizeram a prova disseram acreditar que a questão foi incluída por brincadeira, para descontrair. Procurada, a Secretaria de Educação disse que não comentaria o caso e que o próprio  professor, Antonio Kubitscheck, falaria sobre a prova nesta terça-feira.

O Clipe da música “Beijinho no Ombro”, lançado há três meses, tem mais de 22 milhões de visualizações na internet. Em show na quinta-feira passada na capital, a funkeira prometeu que o próximo clipe será gravado em Brasília e terá cenas em frente ao Congresso Nacional.

dica do Ed Brito

Pelé alerta para caos em aeroportos e vê morte no Itaquerão como ‘normal’

Policiais Militares isolam área onde operário se acidentou em 29/3, na Arena Corinthians, em São Paulo (SP) (foto: Taba Benedicto/Futura Press)

Policiais Militares isolam área onde operário se acidentou em 29/3, na Arena Corinthians, em São Paulo (SP) (foto: Taba Benedicto/Futura Press)

Bruno Thadeu, no UOL

O ex-jogador Pelé disse nesta segunda-feira que sua maior preocupação quanto à Copa do Mundo de 2014 é com a situação dos aeroportos. O Rei do Futebol disse que a morte de um operário no Itaquerão foi algo “normal” em uma obra de estádio, após ser questionado pelos repórteres sobre o acidente que matou o trabalhador Fabio Hamilton Cruz, no fim do último mês de março.

“Isso é normal, pode acontecer, mas a minha maior preocupação é quanto à estrutura, os aeroportos, porque no Brasil sempre dá-se um jeitinho”, disse Pelé, que contou ter tido contato com os aeroportos brasileiros recentemente e classificou a situação como caótica.

“Voltei recentemente para o Brasil e o aeroporto está um caos. Essa é minha preocupação”, disse o Rei do Futebol, que fez mais críticas à preparação para o evento. “Infelizmente não foi feita uma boa organização. Eu participei de eventos quatro anos atrás, então dava tempo para arrumar, então não era para estar com essa preocupação”, concluiu Pelé.

No mês passado, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, revelou que aeroportos militares deverão ser usados durante a Copa do Mundo para evitar o ‘caos’.  ”Por exemplo, para as delegações. Se elas usarem os aeroportos militares, irão tirar uma pressão muito grande dos aeroportos (civis)”, disse à época o ministro.

Indagado sobre Neymar, o Rei do Futebol reforçou sua opinião de que a transferência para o Barcelona foi benéfica em termos de evolução profissional. Pelé considera que o atacante está caindo menos em campo.

“O Neymar tinha algumas dificuldades para jogar em pé quando jogava aqui [no Brasil]. Várias vezes conversei com ele sobre isso, dizendo que não precisava cair, não precisava cavar falta. Se falava muito sobre ‘cai-cai’. Achei que a ida dele ao Barcelona foi excelente. Ele cresceu e joga ao lado de grandes jogadores”, destacou Pelé.

Pelé estrelou nesta segunda lançamento de diamantes comemorativos aos seus mais de mil gols na carreira. O produto foi feito com fio de cabelo do ex-jogador, cujo carbono utilizado compõe a matéria prima do diamante.