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Cheia em Rondônia: a única coisa que a chuva não levou foi a fé

Pastor que faz trabalho humanitário relata drama das famílias

Casas de famílias ribeirinhas estão completamente debaixo d'água

Casas de famílias ribeirinhas estão completamente debaixo d’água

Louise Rodrigues, no Jornal do Brasil

Mais de 18 mil desabrigados, fome, doenças e pressa: esse é o quadro que muitas famílias do Estado de Rondônia têm enfrentado todos os dias diante da maior enchente da história na região. A ajuda só chega de avião ou de barco. Quando chega. Na parte alta das cidades, a água ainda não chegou, mas as populações ribeirinhas não escaparam da tragédia. O Rio Madeira subiu e levou embora casas, eletrodomésticos e a terra cultivada por famílias que vivem da agricultura, principalmente plantando banana e mandioca. A fome é aplacada com carne de peixe e, quando é possível encontrar, outros animais. A água contaminada causa doenças e as crianças e idosos são os que mais sofrem. O ribeirinho tem pressa para que a chuva chegue ao fim e ele possa reconstruir sua vida. A única coisa que a chuva não levou foi a fé.

Essa é a pior enchente da história de Rondônia, batendo o recorde de 1997. O Estado convive com a chuva há mais de um mês. Em meio a um quadro desolador, a população conta com a ajuda e solidariedade de quem pode contribuir. Motivado a reunir esforços em prol daqueles que perderam tudo, o pastor José Valamatos, que realiza trabalhos voluntários nessas comunidades, desabafa: “Estamos lutando para minimizar o sofrimento causado pela tragédia”.

Ajuda chega apenas de barco ou avião, estradas estão interditadas

Ajuda chega apenas de barco ou avião, estradas estão interditadas

Valamatos conta que recebeu 50 cestas básicas como doação de uma Igreja em Manaus. Os mantimentos chegaram de barco. “Ficamos muito felizes com a ajuda que recebemos e já distribuímos os alimentos. Só que, infelizmente, não dá para todos”. A alimentação dos atingidos pela chuva é um dos pontos que mais preocupam o pastor. “As pessoas estão comendo praticamente peixe, mas não é só de peixe que se sustenta uma alimentação adequada. Às vezes eles saem para caçar animais e a alimentação acaba sendo basicamente carne”. O grande problema é a escassez dos itens da cesta básica, principalmente, arroz, feijão, sal, açúcar, farinha e café. Valamatos também relata que faltam equipamentos capazes de levar o socorro para todos, deixando muitas famílias sem a ajuda necessária.

Outra preocupação do pastor é com o futuro das famílias que vivem à beira dos rios e igarapés. “Quando as águas baixarem, vai ser uma calamidade. Agora, eles podem pegar uma canoa e fugir para a cidade ou para lugares altos. Só que as águas vão baixar e tudo vai começar do zero: sem casa, sem móveis, sem nada. O solo não vai estar mais próprio para agricultura e o ribeirinho vai ficar praticamente um ano sem produzir sua subsistência”, justifica.

Muitos moradores perderam suas casas com a enchente

Muitos moradores perderam suas casas com a enchente

Ainda segundo Valamatos, as famílias conseguiram subir terras altas e agora aguardam a chuva baixar. Enquanto isso, devido às cheias, elas não podem se sustentar, uma vez que vivem da agricultura. “Essas pessoas perderam tudo, mas o tempo vai ajudar a recuperar o que foi levado”, diz o pastor. Valamatos contou que dez casas estão sendo construídas para abrigar as famílias que precisam. Seis já foram construídas. “Se nós pudermos ajudar de alguma forma, nós vamos ajudar”, afirma.

Além de tudo que já estão sofrendo, os ribeirinhos ainda têm mais uma questão para se preocuparem: a saúde. Devido à contaminação das águas, muitas pessoas, principalmente crianças, vêm apresentando quadros de diarreia, dores no corpo e na cabeça, além de otite, leptospirose, desnutrição e disenteria. “Estamos preocupados com a cólera. Embora ainda não tenham sido registrados casos, pessoas estão doentes e sem acesso total à higiene ou a cuidados”, conta Valamatos.

Para o pastor, a Defesa Civil e o governo do Estado de Rondônia estão conseguindo agir, dentro dos limites estipulados pela tragédia. “Trata-se de uma questão da natureza, uma calamidade ambiental. Não adianta culpar ninguém agora”, afirma Valamatos. No dia 15 de março, a presidente Dilma Rousseff sobrevoou as regiões atingidas pela chuva e mostrou-se preocupada. Na ocasião, a presidente declarou: “Estamos em um momento de fenômenos naturais bem sérios no Brasil. Vamos discuti-los sim”.

No município do Humaitá, onde está o pastor Valamatos, a ajuda chega com um pouco mais de facilidade, devido à localização estratégia entre Manaus e Porto Velho. Ainda assim, a situação é preocupante. Em localidades mais distantes, famílias inteiras estão isoladas, cercadas pela água, longe de suas casas e dependendo da chegada de mantimentos. Estradas estão interditadas, impedindo que caminhões prossigam levando água, alimentos e combustível. Os aviões muitas vezes não encontram lugares para pousar e os barcos, muitas vezes, precisam enfrentar a correnteza para chegarem ao destino final. Diante de um quadro cada vez mais desolador, o pastor Valamatos não perdeu a esperança: “É preciso ter fé”.

dica do Ailsom Heringer

Melhor impossível?

Os poucos jovens religiosos que conheço no meio que frequento costumam ser melhores alunos, mais atentos ao que se fala em sala de aula e menos inseguros com relação a temas como sexo, drogas e rock and roll

3basesLuiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

Você lembra do filme com Jack Nicholson chamado “Melhor É Impossível”? Há uma cena em que ele, um obsessivo-compulsivo (diríamos, um caso grave de TOC), de repente, saindo do analista, se dá conta: “E se melhor do que isso for impossível?”. Referia-se a seu quadro tenso, cheio de rituais obsessivos, mas rasgado por um esforço cotidiano de enfrentá-lo.

Pois bem, outro dia, em meio a uma aula com alunos de graduação, discutindo se é melhor ser religioso ou não, essa questão apareceu: “E se a vida não puder ser melhor do que isso?”. Ou: “E se uma vida melhor for impossível de se conseguir?”. Que vida é essa da qual falávamos? O que pensa um jovem de 20 anos acerca do que seja qualidade de vida?

A questão se apresentou quando ouvíamos uma menina, religiosa, dizer o quanto melhor era a qualidade de vida que se tinha vivendo dentro de uma comunidade religiosa. Melhores amizades, melhor namoro, meninos mais honestos, melhores férias, melhor convívio com os pais, enfim, melhor tudo que importa, apesar de nunca ser perfeito.

Os semiletrados pensam que jovens gostam de ser “livres”.

Risadas? Jovens querem famílias estáveis, casa com segurança, futuro garantido, um grupo para dizer que é seu, códigos que os definam de forma clara e distinta, enfim, de um quadro de referências que torne o mundo significativo e seu.

Quando encontram, aderem de forma muito mais direta do que pessoas com mais de 30. Estas já começam a entrar no desgaste cético que a vida impõe a todos nós. Da louça que lavamos, do sexo meia boca que fazemos à arte que cultivamos.

Basta ver o caráter dogmático do movimento estudantil pra ver esse tipo de adesão direta e sem medo dos jovens. Às vezes temo que mais atrapalhamos os jovens do que os ajudamos com o conjunto de exigências que fazemos a eles: sejam diferentes, mudem o mundo, rompam com tudo, inventem-se. Woodstock foi um surto do qual eles já se curaram, mas nós não.

Mas, de volta a: “E se a vida não puder ser melhor do que isso?”. O problema era: É melhor viver sem religião ou viver aceitando um código religioso claro?

E vejam: no dia a dia, os poucos jovens religiosos que conheço no meio que frequento costumam ser melhores alunos, mais atentos ao que se fala em sala de aula, menos inseguros com relação a temas como sexo, drogas e rock and roll, assim como também quando se fala de futuros relacionamentos. Enfim, parecem saber mais o que querem e serem menos permeáveis às modinhas bobas que existem por aí.

A conclusão parece ser que uma adesão a uma vida religiosa sem exageros de contenção de comportamento nutre mais esses meninos e meninas ao redor dos 20 anos do que a parafernália de teorias que a filosofia ou as ciências humanas produziram nos últimos séculos.

É como se as religiões tradicionais (como digo sempre, se você quiser uma religião, pegue uma com mais de mil anos…) carregassem uma sabedoria mais instalada, apesar de silenciosa, com relação ao que de fato eles precisam.

E se tivermos alcançado algum limite nas utopias propostas para a modernidade? E se o surto do século 18 pra cá tiver se esgotado como fórmula e chegarmos à conclusão que, como pequenos ajustes aqui e ali, pequenas correções de percurso (um cuidado com os recursos do meio ambiente, uma sensibilidade maior aos riscos de um materialismo extremado, maior longevidade, beijo gay na novela das nove), a vida se impõe em seu ritmo como sempre se impôs aos nossos ancestrais?

E se o velho ritmo de nascer, crescer, plantar, colher, reproduzir e morrer, com variações criadas pela Apple, for tudo o que temos? E se for justamente essa “perenidade do esforço” impermeável às modas de comportamento a realidade silenciosa da vida?

E se o Eclesiastes, livro que compõe o conjunto de quatro textos da Bíblia hebraica (que os cristãos chamam de Velho Testamento) conhecidos como Sabedoria Israelita (Provérbios, Eclesiastes, Livro de Jó e Cântico dos Cânticos) estiver certo, e não existir nada de novo sob o Sol? E se tudo for, como diz o sábio bíblico, vaidade e vento que passa?

Quem são os ‘encoxadores’ do metrô de SP

A lógica covarde que move esses assediadores pode ser comparada, segundo especialista, ao modus operandi dos pedófilos. Na internet, eles encontram seus pares, combinam os delitos e sentem-se legitimados a praticá-los

 

Além da superlotação, as mulheres têm que se preocupar com o ataque de depravados no metrô de São Paulo (foto: Tiago Chiaravalloti/Futura Press)

Além da superlotação, as mulheres têm que se preocupar com o ataque de depravados no metrô de São Paulo (foto: Tiago Chiaravalloti/Futura Press)

Eduardo Gonçalves, na Veja on-line

No dia 19 de março, por volta das 8h30 da manhã, a vendedora Adriana Barbosa, de 33 anos, enfrentava a dura rotina de ser arrastada pela multidão que disputa diariamente um lugar nos vagões da superlotada Estação Sé, em São Paulo. A Sé centraliza as linhas do sistema metroviário paulistano, com fluxo médio de 627.000 usuários por dia. Não bastasse a dificuldade para conseguir usar o trem, Adriana foi vítima de um estúpido assédio que virou rotina no cotidiano das mulheres paulistanas no metrô: um homem apalpou suas coxas e se insinuou sem rodeios. Desesperada, a vendedora gritou na plataforma: “Covarde, tarado!”. O suspeito, o engenheiro elétrico Eduardo Nascimento, de 26 anos, acelerou o passo para fugir, mas foi detido por agentes de segurança do metrô.

“Se ele saísse ileso, eu ficaria louca”, lembra a vendedora. Nascimento foi levado para a Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), da Polícia Civil, assinou um termo circunstanciado negando as acusações e foi liberado em seguida. Este é um dos 27 casos de abusos cometidos no sistema de transporte da capital paulista, que foram registrados pela polícia neste ano. Nas últimas semanas, episódios como esse ganharam espaço no noticiário quando Adilton Aquino dos Santos, de 24 anos, foi preso por tentar algo ainda mais asqueroso: fingindo estar armado com uma faca, obrigou a vítima a baixar as calças e ejaculou em suas pernas numa composição da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Ao perceberem o crime, passageiros do trem espancaram Santos até a chegada da polícia. Interrogado, ele contou ser frequentador de páginas na internet que estimulam o assédio contra mulheres nos vagões: são os autointitulados “Encoxadores”, que praticam e às vezes até filmam com celulares os abusos para depois divulgá-los nas redes sociais.

Um levantamento feito pela ONG Safernet, especializada no combate à violação dos direitos humanos na web, identificou 21 páginas de compartilhamento desse tipo de conteúdo. As investigações da Polícia Civil já rastrearam mais de cinquenta. “O número pode parecer pouco expressivo, mas em algumas páginas foram encontradas mais de quartenta vídeos de ‘encoxadas’, sendo que a maioria tinha mais de 35.000 visualizações”, disse o diretor da ONG, Thiago Tavares.

Pedofilia e psicopatia – Acostumado a receber denúncias de pedofilia na internet – que são encaminhadas à polícia –,  o diretor da ONG compara o modus operandi dos abusadores ao dos pedófilos. “Eles se comunicam com codinomes, escondem o rosto, trocam experiências em fóruns, como, por exemplo, o lugar e a hora mais propícia para cometer abusos, ou como filmar as partes íntimas de uma mulher sem ser pego, e até qual o equipamento mais apropriado”, diz Tavares.

Segundo ele, uma lógica torpe move os “encoxadores”, que encaram os abusos como “esporte”: vence quem fizer o vídeo mais ousado. “Na internet, eles encontram seus pares e sentem-se legitimados a praticar o delito”. Na última semana, um auxiliar de informática, de 24 anos, foi preso por agentes de segurança na Estação Sé filmando partes íntimas das passageiras por baixo de vestidos e saias. Em depoimento à polícia, ele disse que tinha “uma tara” em assistir os vídeos e exibi-los na internet. No seu celular, a polícia encontrou diversas gravações deploráveis.

Segundo psicólogos ouvidos pelo site de VEJA, os “encoxadores” possuem um distúrbio comportamental que beira a perversidade sexual, conhecida como frotteurismo – quando a pessoa sente prazer em esfregar os genitais em outra que esteja vestida.  “Ao fazê-lo, o indivíduo geralmente fantasia um relacionamento exclusivo e carinhos com a vítima. Entretanto, ele reconhece que, para evitar um possível processo legal, deve escapar à detecção após tocar sua vítima. A maior parte dos atos deste transtorno ocorre quando a pessoa está entre os 15 e os 25 anos de idade”, diz o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Segundo os dados registrados pela polícia, a idade dos detidos varia de 25 a 45 anos.

A professora de psicologia forense Maria de Fátima Franco dos Santos, da PUC Campinas, especializada em agressões contra mulheres, vai além: “O prazer deles reside em constranger e causar sofrimento às vítimas. São frios e calculistas, pois planejam os crimes com antecedência [na internet]. São sádicos, manipuladores, narcisistas e não sentem culpa”.

O ato, no entanto, é crime. Dos 27 detidos neste ano, dois estão presos – Aquino dos Santos, indiciado por estupro, e o pedreiro Silva Firmino da Silva, de 50 anos, acusado de violação sexual mediante fraude (que se difere do estupro por não haver consumação do ato sexual). Silva tocou a genitália de uma adolescente de 17 anos enquanto ela dormia num vagão da CPTM. Usando um vestido, ela acordou e chamou a segurança do metrô, que deteve Silva. Os outros abusadores foram fichados por “importunação ofensiva ao pudor”, cuja punição prevista é o pagamento de uma multa definida por um juiz, de acordo com a renda do acusado.

O delegado da Divisão Especial de Atendimento ao Turista (Deatur), Osvaldo Nico Gonçalves, disse que se sente incapaz de punir os abusadores com mais rigor, porque “a lei é fraca, e, por isso, eles voltam para rua”.

Trauma – Para as mulheres, os abusos podem ter efeitos traumáticos. Desde que foi abusada por um homem no metrô de São Paulo, há duas semanas, a estudante Amanda Sampaio de Barros, de 19 anos, afirma que embarca no coletivo pelo menos vinte minutos depois do horário que costumava porque tem medo de cruzar com seu agressor. “A sensação de passar por isso é uma das piores possíveis e das mais nojentas. Me senti suja, com o orgulho ferido, vontade de chorar e de matar o cara (sic). Ele não tinha esse direito!”, diz. Outra vítima dos abusadores, a estudante Camila Gregori, de 19 anos, faz de tudo para ficar próxima a mulheres quando o trem está muito lotado. “Eu comecei a ficar mais alerta, a fugir de homem no metrô. Se não der para ficar perto de alguma mulher, tento ficar encostada na parede, por mais desconfortável que seja”, afirma.

Desde que os casos vieram à tona, as autoridades passaram a tomar algumas medidas, como infiltrar agentes de segurança e policiais civis à paisana nas composições e redobrar a atenção no vídeomonitoramento das operações.

O chefe de segurança do Metrô de São Paulo, Rubens Menezes, afirmou que adotou procedimento especial para identificar os abusadores e tentar detê-los em flagrante. “Os seguranças descaracterizados tem um padrão de ação. Treinados em artes marciais, como os outros seguranças, eles são preparados para imobilizar o suspeito sem uso de munição letal. Muitas vezes, um agente do vídeomonitoramento informa a um infiltrado pelo rádio sobre algum suspeito. Este, então, passa a observá-lo e, se identificar desvio de conduta, executa a detenção”, diz Menezes.

A Secretaria Nacional de Política para as Mulheres do governo federal informou que lançará uma campanha para alertar sobre esse tipo de crime. Nesta semana, a presidente Dilma Rousseff usou sua conta no Twitter para se manifestar: “Venho pedir às vítimas que não se intimidem em denunciar. E às polícias que não se omitam em combater a prática”.

Desde que a Polícia Civil e o Metrô ampliaram a fiscalização e os flagrantes, sete páginas foram tiradas do ar pelo Google e pelo Facebook. Vinte e sete pessoas foram detidas. Tanto a polícia quanto o Metrô afirmam que número de denúncias aumentou consideravelmente nas últimas semanas. Chega a ser um alento num país onde 65% das pessoas afirmam concordar que mulheres merecem ser atacadas por usar roupas curtas, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Homem protesta contra a ação dos "encoxadores" no metrô de São Paulo (foto:  Fábio Vieira/Fotoarena)

Homem protesta contra a ação dos “encoxadores” no metrô de São Paulo (foto: Fábio Vieira/Fotoarena)

Cuidar da Mãe Terra e amar todos os seres

”Amar uma pessoa é dizer-lhe: tu não poderás morrer jamais” (G.Marcel)

Publicado por Leonardo Boff

O amor é a força maior existente no universo, nos seres vivos e nos humanos. Porque o amor é uma força de atração, de união e de transformação. Já o antigo mito grego o formulava com elegância: “Eros, o deus do amor, ergueu-se para criar a Terra. Antes, tudo era silêncio, desprovido e imóvel. Agora tudo é vida, alegria, movimento”. O amor é a expressão mais alta da vida que sempre irradia e pede cuidado, porque sem cuidado ela definha, adoece e morre.

Humberto Maturana, chileno, um dos expoentes maiores da biologia contemporânea, mostrou em seus estudos sobre a autopoiesis, vale dizer, sobre a auto-organização da matéria da qual resulta a vida, como o amor surge de dentro do processo evolucionário. Na natureza, afirma Maturana, se verificam dois tipos de conexões (ele chama de acoplamentos) dos seres com o meio e entre si: uma necessária, ligado à própria subsistência e outro espontânea, vinculado a relações gratuitas, por afinidades eletivas e por puro prazer, no fluir do próprio viver.

Quando esta última ocorre, mesmo em estágios primitivos da evolução há bilhões de anos, ai surge a primeira manifestação do amor como fenômeno cósmico e biológico. Na medida em que o universo se inflaciona e se complexifica, essa conexão espontânea e amorosa tende a incrementar-se. No nível humano, ganha força e se torna o móvel principal das ações humanas.

O amor se orienta sempre pelo outro. Significa uma aventura abraâmica, a de deixar a sua própria realidade e ir ao encontro do diferente e estabelecer uma relação de aliança, de amizade e de amor com ele.

O limite mais desastroso do paradigma ocidental tem a ver com o outro, pois o vê antes como obstáculo do que oportunidade de encontro. A estratégia foi e é esta: ou incorporá-lo, ou submete-lo ou eliminá-lo como fez com as culturas da África e da América Latina. Isso se aplica também para com a natureza. A relação não é de mútua pertença e de inclusão mas de exploração e de submetimento. Negando o outro, perde-se a chance da aliança, do diálogo e do mútuo aprendizado. Na cultura ocidental triunfou o paradigma da identidade com exclusão da diferença. Isso gerou arrogância e muita violência.

O outro goza de um privilégio: permite surgir o ethos que ama. Foi vivido pelo Jesus histórico e pelo paleocristianismo antes de se constituir em instituição com doutrinas e ritos. A ética cristã foi mais influenciada pelos mestres gregos do que pelo sermão da montanha e prática de Jesus. O paleocristianismo, ao contrário, dá absoluta centralidade ao amor ao outro que para Jesus, é idêntico ao amor a Deus.

O amor é tão central que quem tem o amor tem tudo. Ele testemunha esta sagrada convicção de que Deus é amor(1 Jo 4,8), o amor vem de Deus (1 Jo 4,7) e o amor não morrerá jamais (1Cor 13,8). E esse amor incondicional e universal inclui também o inimigo (Lc 6,35). O ethos que ama se expressa na lei áurea, presente em todas as tradições da humanidade: “ame o próximo como a ti mesmo”; “não faça ao outro o que não queres que te façam a ti”. O Papa Francisco resgatou o Jesus histórico: para ele é mais importante o amor e a misericórdia do que a doutrina e a disciplina.

Para o cristianismo, Deus mesmo se fez outro pela encarnação. Sem passar pelo outro, sem o outro mais outro que é o faminto, o pobre, o peregrino e o nu, não se pode encontrar Deus nem alcançar a plenitude da vida (Mt 25,31-46). Essa saída de si para o outro a fim de amá-lo nele mesmo, amá-lo sem retorno, de forma incondicional, funda o ethos o mais inclusivo possível, o mais humanizador que se possa imaginar. Esse amor é um movimento só, vai ao outro, a todas as coisas e a Deus.

No Ocidente foi Francisco de Assis quem melhor expressou essa ética amorosa e cordial. Ele unia as duas ecologias, a interior, integrando suas emoções e os desejos, e a exterior, se irmanando com todos os seres. Comenta Eloi Leclerc, um dos melhores pensadores franciscanos de nosso tempo, sobrevivente dos campos de extermínio nazista de Buchenwald:

“Em vez de enrijecer-se e fechar-se num soberbo isolamento, Francisco deixou-se despojar de tudo, fez-se pequenino, colocou-se, com grande humildade, no meio das criaturas. Próximo e irmão das mais humildes dentre elas. Confraternizou-se com a própria Terra, como seu húmus original, com suas raízes obscuras. E eis que a ‘nossa irmã e Mãe-Terra’ abriu diante de seus olhos maravilhados um caminho de uma irmandade sem limites, sem fronteiras. Uma irmandade que abrangia toda a criação. O humilde Francisco tornou-se o irmão do Sol, das estrelas, do vento, das nuvens, da água, do fogo e de tudo o que vive e até da morte”.

Esse é o resultado de um amor essencial que abraça todos os seres, vivos e inertes, com carinho, enternecimento e amor. O ethos que ama funda um novo sentido de viver. Amar o outro, seja o ser humano, seja cada representante da comunidade de vida, é dar-lhe razão de existir. Não há razão para existir. O existir é pura gratuidade. Amar o outro é querer que ele exista porque o amor torna o outro importante.”Amar uma pessoa é dizer-lhe: tu não poderás morrer jamais” (G.Marcel); “tu deves existir, tu não podes ir embora”.

Quando alguém ou alguma coisa se fazem importantes para o outro, nasce um valor que mobiliza todas as energias vitais. É por isso que quando alguém ama, rejuvenesce e tem a sensação de começar a vida de novo. O amor é fonte de suprema alegria.

Somente esse ethos que ama está à altura dos desafios face à Mãe Terra devastada e ameaçada em seu futuro. Esse amor nos poderá salvar a todos, porque abraça-os e faz dos distantes, próximos e dos próximos, irmãos e irmãs.

dica do Ronaldo Dos Santos Junior

Tatiele Polyana comete gafe e Faustão se irrita com ex-BBB

Publicado no Terra

Tatiele Polyana participou do Domingão do Faustão, neste domingo (30), e opinou sobre sua eliminação no BBB 14. Ao falar sobre os planos para o futuro, cometeu uma gafe que desagradou Fausto Silva. “Tenho recebido bastante propostas de trabalho. Vou trabalhar bastante. Mas, se nada der certo, viro bailarina”, disse.

“Mas você já está velha para isso. Para ser bailarina, precisa começar desde cedo. Olha, não é assim, não. As bailarinas tem que estudar bastante. Fala aí, Carol Nakamura, conta para ela”, disse. “É. Poxa, Poly! Eu tinha dito que gostava tanto de você. A gente estuda muito, ensaia muito. Para se formar, são nove anos”, disse. “Não, eu sei. Mas eu estudei. Fiz jazz e tal”, tentou consertar a moça.

Assim que Tatiele deixou o palco, ele disse: “ela pode estar nervosa, mas ser bailarina não é mole, não”, afirmou. Depois de apresentar um quadro de merchandasing, Faustão voltou no assunto, ainda inconformado.”Aí a outra vem aqui e fala das bailarinas. Elas dançam 4 horas e ensaiam 5 dias por semana”, completou.

Burrice

Durante sua participação, um rapaz da plateia questionou se Tatiele não se incomodou com a fama de “loira burra” com que ficou, devido aos seus constantes erros de português no reality show.

“Não me considero burra. É só o meu português que não é correto. Sou brincalhona, não tentei disfarçar. Uma hora as máscaras caem. Eu não ia dar uma de intelectual, se não sou. Se quiser me chamar de burra, que chame. Pra mim, indiferente”, disse.

faustaotatieledica do Weuller Rogerio