Bíblia obrigatória em bibliotecas e escolas

Projetos de lei pedem inclusão do livro nos acervos de instituições públicas do país, contrariando preceito constitucional do Estado laico

A Bíblia Sagrada aparece em destaque em uma prateleira da Biblioteca Parque Estadual, no Rio de Janeiro: obrigatoriedade questionada (foto: Adriana Lorete)
A Bíblia Sagrada aparece em destaque em uma prateleira da Biblioteca Parque Estadual, no Rio de Janeiro: obrigatoriedade questionada (foto: Adriana Lorete)

Leonardo Vieira, em O Globo

RIO – Bibliotecas públicas de todo o país estão mais próximas de serem obrigadas a manter pelo menos uma Bíblia disponível aos leitores. Em mais um avanço da bancada evangélica no Congresso Nacional, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 16/2009 que inclui o livro religioso nos acervos entrou na pauta de votações da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. De lá, ele vai a plenário, de onde pode sair para a sanção da presidente Dilma Rousseff, caso aprovado. Mas este é apenas mais um exemplo dos projetos semelhantes propostos Brasil afora que visam incluir por força de lei o livro em acervos de bibliotecas e escolas públicas.

A principal acusação contra iniciativas dessa natureza seria a de atentado contra o Estado laico, garantido pela Constituição federal. Embora no preâmbulo os constituintes de 1988 digam que promulgam a Carta Magna “sob a proteção de Deus”, o artigo 5º do texto garante a liberdade religiosa como direito fundamental. Já o artigo 220 confere o caráter opcional de aulas de religião em escolas públicas, determinando que o “ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”.

Mas as normas constitucionais não são levadas em conta pelos legisladores. Desde 2011, por exemplo, bibliotecas públicas em todo o estado do Rio são obrigadas a terem ao menos uma bíblia, sujeitas a multa de até R$ 4.260 em caso de descumprimento reincidente.

Em São Gonçalo, todas as escolas públicas e privadas, além de bibliotecas, devem disponibilizar a Bíblia “em local de destaque” desde janeiro deste ano. Caso as unidades públicas ainda não possuam suas cópias, a lei determina que o poder público efetuará a compra com “dotações orçamentárias próprias, ou suplementares, se necessário”.

O mesmo “espírito da lei” também baixou em Recife, Manaus e Fortaleza, onde vereadores propuseram que a Bíblia não só constasse de bibliotecas, mas também de escolas da rede municipal. Na capital cearense, o texto foi proposto em junho deste ano pelo vereador Mairton Félix. Na justificativa, o parlamentar também alega que o livro religioso serviria para estudo acadêmico, embora ele mesmo tenha postado no Facebook estar “muito feliz que as crianças vão conhecer a palavra de Deus”.

Não é bem assim. No município de Engenheiro Paulo de Frontin (RJ), um estudante judeu do 9º ano de uma escola municipal foi obrigado a rezar a oração católica do Pai-nosso. O caso revoltou os pais, que foram prestar queixa na delegacia. A prática da reza, aliás, chegou a virar lei orgânica do município de Ilhéus, mas a Justiça baiana acatou a Ação Direta de Inconstitucionalidade do Ministério Público da Bahia e suspendeu a norma em 2012.

E em um país onde o sincretismo religioso é uma das suas identidades, projetos como esses acabam revoltando representantes de outras religiões. Foi o caso de Ivanir dos Santos, babalorixá e interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. Segundo ele, a iniciativa peca ao privilegiar apenas uma confissão religiosa, em detrimento das demais religiões do povo brasileiro:

— O livro que é considerado sagrado para qualquer segmento deve estar numa biblioteca, não só Bíblia. Torá, Alcorão (também devem estar lá). Isso ninguém pode ser contra. Mas outra coisa é um grupo religioso apresentar projeto de lei que privilegia apenas a sua corrente. Se uma pessoa no Legislativo apenas advoga para seu segmento religioso, imagina o que ela faria no Executivo?

Apesar de não ser novidade na pauta dos legisladores, esta é a primeira vez que um texto dessa natureza chega tão próximo de ser aprovado em nível federal. O PLC, proposto há cinco anos pelo deputado Filipe Pereira (PSC-RJ), já foi aprovado na Câmara sem alterações. Segundo Pereira, a intenção do PLC não é privilegiar uma única confissão religiosa, já que, segundo ele, a Bíblia não é um livro religioso.

— Nossa preocupação é a manutenção, porque muitas estão com estado físico deteriorado. A Bíblia não é um livro religioso, já que faculdades de filosofia, história e sociologia também consultam. Não é apenas uma leitura religiosa. É universal, é o livro mais lido em todo o mundo.

O Brasil possui 6.060 bibliotecas públicas, distribuídas em 5.453 municípios. O Censo do IBGE/2010 mostrou 123 milhões que se declaram católicos, mas os praticantes são apenas 5%. A pesquisa também levantou a existência de 42,5 milhões de evangélicos.

Para a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não seria necessário que a presença de Bíblias em bibliotecas fosse exigida por lei. Segundo o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, o ideal seria que todos os acervos já contassem não só com o livro cristão, mas também com obras representativas de outras religiões:

— A Bíblia é um instrumento de pesquisa, de cultura e um caminho de vida. Toda boa biblioteca tem que ter os livros mais importantes, com ou sem lei. E não só a Bíblia, mas também livros de outras religiões, como o Islã e o budismo.

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Servos já não, amigos sim!

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Caio Fábio

Foi assim que Jesus disse que deseja que O vejamos, e que assim, Nele, nos percebêssemos.

Claro que o Evangelho que é Jesus e Jesus que é o Evangelho – pois a Boa Nova é Jesus e Jesus é a Boa Nova – nos ensina a viver e caminhar neste mundo de cardos e abrolhos.

No entanto, o Alvo de Tudo é muito claro!

Deus quer amizade, intimidade, unidade nossa Nele e uns com os outros, e com o todo de tudo o que Ele chama Vida!

Após dizer que nos chama de amigos e não de servos, e também tendo antes definido que os amigos Dele são os que entendem os mandamentos com a alegria da obediência impulsionada pelo bem que o caminhar em fé mediante o amor produz…

Ele concluiu, na chamada Oração Sacerdotal, que o desejo Dele era que víssemos a glória do amor Dele no Pai, e que também nos tornássemos parte disso, numa fusão misteriosa que Ele definiu apenas como…– EU NELES, TU EM MIM E ELES EM NÓS!

Esta é a minha e sua vocação de ser!

O resto é a confusão que turva a visão simples do chamado para nos fundirmos no amor de Deus, em Sua amizade, e em Sua glória, que é nos amarmos Nele eternamente!

fonte: site do Caio Fábio

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Ivan Lins é homenageado com nome em muro da fama no ‘templo’ dos Beatles

Ivan Lins posa em frente ao muro do Cavern Club em Liverpool
Ivan Lins posa em frente ao muro do Cavern Club em Liverpool

Publicado na Folha de S.Paulo

Ivan Lins é o mais novo integrante do seleto grupo de homenageados no muro da fama do lendário Cavern Club, local onde os Beatles foram descobertos, há meio século, em Liverpool.

O músico visita pela primeira vez a cidade do noroeste da Inglaterra para participar do International Beatleweek, festival que reúne grupos e fãs de cerca de 40 países.

Dono de oito estatuetas do Grammy, o músico carioca garante que a homenagem na terra natal dos Beatles é uma das mais importantes de sua longa e consagrada carreira.

“É algo muito forte para mim, provavelmente o prêmio mais significativo de todos os grandes prêmios que recebi na vida. Sinto que agora estou ao lado dos meus ídolos nesta parede, músicos importantíssimos como Elton John, Rod Stewart e os próprios Beatles”, confessa Ivan Lins à agência de notícias Efe.

Na edição deste ano do Beatleweek, que começou na última quinta-feira (21) e vai até a terça-feira (26), o pianista brasileiro fará sete apresentações, sempre acompanhado do veterano grupo capixaba Clube Big Beatles, que comemora a 20ª participação seguida no principal festival do planeta em homenagem à obra de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.

“Ivan é um dos nomes mais importantes da história da nossa música e é, sem dúvidas, o artista brasileiro mais reconhecido no exterior. Tê-lo ao nosso lado aqui em Liverpool é comemorar da melhor maneira possível os 20 anos do Big Beatles neste festival”, diz Edu Henning, percussionista e fundador da banda capixaba.

Na quinta, o músico carioca subiu pela primeira vez no lendário palco do Cavern Club, na abertura do International Beatleweek. No repertório, estiveram os clássicos “Yesterday”, “Something”, “Eleanor Rigby”, “Let it Be”, “The Long and Winding Road”, “Imagine”, “Here, There and Everywhere” e “The Fool on the Hill”. Antes de retornar ao Brasil, ele fará outros dois shows no local, no sábado e na segunda.

Ivan Lins se tornou o segundo brasileiro a ter seu nome gravado no muro. O primeiro foi o guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura, que esteve no International Beatleweek em 2011 e 2012, também ao lado do Clube Big Beatles. Junto a eles estão alguns dos mais importantes ícones da música mundial, como os Rolling Stones, The Who, Chuck Berry e Queen.

“O que mais me encanta é o fato de não ser um prêmio cercado pela pompa, com transmissão de TV para milhões de pessoas. Ele se parece muito com o meu modo de ser, simples e emotivo. É um reconhecimento da minha alma musical, das minhas influências, do meu carinho e da minha dedicação à música que eu faço, que, como no caso dos Beatles, tem o propósito de levar felicidade para as pessoas, tentar chamar a atenção para a realidade e tentar transformar o mundo num lugar melhor”, conclui Ivan Lins, imortalizado em um dos mais importantes templos da música.

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Deputado propõe criação de Museu Cristão em São Paulo

Primeira tenda da Cruzada Nacional de Evangelização, no Cambuci, nos anos 1950
Primeira tenda da Cruzada Nacional de Evangelização, no Cambuci, nos anos 1950

Anna Virginia Balloussier, na Folha de S.Paulo

“Jesus Cristo é o mesmo – hontem, hoje e eternamente.”

A grafia de “ontem” com a letra “h” mudou faz tempos. Os evangélicos brasileiros também passaram por várias transformações após a Cruzada Nacional de Evangelização, que juntou centenas de fiéis sob uma lona na avenida Francisco Matarazzo, zona oeste paulistana, em 1953.

Levantado por dois missionários americanos, o “circo gospel” ajudou a renovar o pentecostalismo no país, com louvores à base de guitarra e conceitos como “cura divina”, aquela que promete fazer andar um cadeirante.

A foto que captura esse “hontem” compõe o acervo do Museu Cristão Brasileiro.

O projeto deu seu primeiro passo para sair do papel, com o lançamento do “primeiro tijolo simbólico” nesta quarta (20), na Assembleia Legislativa de São Paulo. O primeiro piloto da obra tem 10 mil m² (equivalente ao Masp) e capacidade para 1.500 pessoas.

Quatro pilastras gregas sustentam a entrada. No topo, uma cruz. Na fachada, duas Menorás -candelabro judaico comumente visto em igrejas evangélicas como a Universal do Reino de Deus e a Renascer em Cristo. Sobre a porta, a inscrição: “A Deus toda honra e toda glória”.

O deputado estadual Fernando Capez (PSDB-SP), “padrinho” da proposta, diz que correrá atrás de patrocinadores e de recursos da Secretaria da Cultura paulista.

Segundo Capez, o foco do museu seria “histórico e cultural”, e não religioso. “O Estado é laico, não posso mandar dinheiro para a igreja, mas posso me associar a entidades religiosas”, diz.

“Não vai ter culto no museu”, afirma Luciana Mazza, idealizadora do projeto ao lado do também jornalista Marcelo Rebello, seu marido.

O casal pretende recorrer a leis de incentivo fiscal como a Rouanet, do governo federal, para financiar o projeto (ainda não orçado). Eles também estão à frente do Salão Internacional Gospel, uma feira de negócios marcada para setembro, em São Paulo.

Ainda sem endereço, o museu seria particular e sem finalidade lucrativa, diz Capez, que se define como “um cristão que apoia o movimento evangélico” e frequenta igrejas como a Bola de Neve e “aquela que a MC Anitta vai”.

Já Luciana afirma que haverá cobrança “social” para entrar, “com preços bem acessíveis a todos”.

POLÊMICAS

Está nos planos uma seção dedicada a declarações polêmicas de líderes. Entre as pérolas, o dia em que o cantor gospel Thalles Roberto (ex-Jota Quest) mandou a mulherada “segurar a periquita”. Em outra ocasião, um reverendo causou um tsunami no meio evangélico ao chamar um pastor de “bundão”.

Outra mostra reunirá notícias insólitas do universo religioso. A curadoria já selecionou algumas, como a do pastor que simulou “cheirar” a Bíblia no convite para o culto “Quarta Louca por Jesus” e a da pastora e cantora Ana Paula Valadão, que imitou uma leoa no palco e foi criticada pelo “excesso” por fãs.

Para outra ala, uma exposição com os nomes mais curiosos de igrejas. Alguns: Assembleia de Deus Pavio que Fumega, Pentecostal Cristã Ore com Moderação, A Serpente de Moisés Aquela que Engoliu as Outras e Associação Fiel Até Debaixo D’Água.

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Lembra deles? Simony e Fofão voltam aos palcos após 30 anos

6jq7pvy2hc12da3qeso9vnwuspublicado no iG

Na noite dessa quarta-feira (20), Simony reuniu famosos na gravação do DVD em comemoração aos seus 30 anos de carreira “Caixinha de Música” , no Teatro Anhembi Morumbi, em São Paulo. A cantora ainda reviveu a parceria com o personagem que participava da “Turma do Balão Mágico” na década de 1980. Aois 8 anos, a artista já se apresentava ao lado do boneco.

Outro parceiro da mesma época, Jair Oliveira, o Jairzinho, também relembrou a dupla com Simony durante o show. Além dele, o cantor Belo fez questão de marcar presença.

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