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Estudante é apedrejado até a morte por ser ‘emo’

Fernando Moreira, no Page not Found

Mais de 90 estudantes apedrejaram até a morte em Bagdá (Iraque) um outro aluno considerado “emo”.

Os jovens extremistas reagiram contra a vítima depois que a Polícia Moral do país emitiu nota no site do Ministério do Interior condenando o “fenômeno emo” entre os jovens iraquianos, noticiou o “Daily Mail”.

“O fenômeno Emo, ou culto ao diabo, está sendo acompanhado pela Polícia Moral, que tem a aprovação para eliminá-lo o quanto antes, já que ele está afetando de forma nociva a sociedade e se tornando um perigo. Eles usam roupas estranhas e apertadas e tem fotos com caveiras. E também usam anéis no nariz e na língua, e fazem outras atividades estranhas”, escreveu a polícia, dando combustível ao radicalimso religioso.

A denúncia foi feita por um grupo ativista. O nome da vítima não foi revelado.

O deputado Safiyyah al-Suhail afirmou que, recentemente, “alguns estudantes foram presos por usarem jeans americano ou por terem corte de cabelo ocidentalizado”.

Só a poesia pode salvar o mundo

Ricardo Gondim

Tem dias que acordo com a beleza tentando escapulir de dentro do meu peito. Não encontro meios de permitir que ela vaze. Um universo de boas palavras se revolve nas minhas entranhas. Tento poetar me fazendo amigo dos sonetos. Sei que a cadência das frases feitas em verso pode me socorrer. A beleza da poesia alivia como uma aragem fresca. A asfixia convulsiva da angústia não resiste a graça avassaladora de um poema.

Mas sou incompetente para o verso metrificado. Resta-me deixar os dedos à vontade. E eles bailam na prosa. Bordo pensamentos numa sintaxe pouco alinhada. Redijo como o menino que precisa mostrar-se na redação. É jeito de desabafar.

Sento-me à mesa para distribuir uma eucaristia. Minha sede de viver vira o pão sem fermento. Não reflito sobre os escombros da morte, mas, na esperança da aurora.

Na primeira linha, parto com o anseio de ver-me livre de algemas. Grilhões que apertam os pulsos me estimulam. Encarno na tarefa. Não importo se sou artesão atrapalhado; talvez pensador transversal; quem sabe amante repreensível. Minha escrita sou eu se trago dos porões da alma a força que energizou a minha inspiração. Escrevo para me construir livre se faço das palavras o libelo da delicadeza. No final, minha canhota me enreda. Ladeio os que dão a cara a bater contra a intolerância, o preconceito, a discriminação. Como diz Sostenes Lima: “Escrever é dançar com a angústia para distraí-la; é conversar em silêncio com a vozes que nos ensinaram a falar”.

Escrevo em busca da beleza trágica do saltério bíblico: na contradição de esperar e odiar, amar e desdenhar. Quero, diante do absurdo da vida, celebrar prados verdejantes e constelações coriscantes.  Quero, no vale da sombra da morte, dizer: eu creio. Quero, na angústia de sentir o pé inimigo no pescoço, ter os olhos serenos.

Escrevo em busca da beleza apaixonada dos boêmios: na celebração do amor essencial. Quero cantar à musa anônima, que encanta os amantes. Quero nunca perder um olhar de terno. Quero não deixar a sensibilidade escoar no ralo da eficiência. Quero emocionar-me com o amor romântico, e tantas vezes inconsequente, dos jovens. Quero ambientes intimistas, pouco iluminados, plenos de insinuações. Quero o imaginário sem aspereza.

Escrevo em busca da beleza persuasiva dos pensadores: na difícil tarefa de repensar, tensionar ideias, provocar reflexão. Quero mergulhar nos compêndios que desalojam o obscurantismo. Quero debulhar, com lentidão, as espigas que nascem do trigal filosófico. Que belo sonho: sentar em tertúlias.

Escrevo em busca da beleza criadora dos romancistas: na feliz aventura de viajar a mundos fantásticos. Quero ver-me na pele de protagonistas que ousam desafiar demônios, encarar exércitos, sonhar com cidades submersas e, sofrer, sobretudo sofrer. Só eles conseguem ensinar o que é viver e morrer por mãos alheias.

Escrevo em busca da beleza solidária dos santos: no desprendimento de amar sem considerar o galardão. Quero celebrar a vida dos Franciscos de Assis, dos Nelsons Mandela. Na direção do próximo, eles andaram as milhas que jamais tive coragem de encarar. Quero aprender o segredo de não ter a vida por preciosa, como Oscar Romero, mártir de uma morte anunciada. Quero chegar ao fim da existência sem o bolor que noto na pele de quem se acovarda diante do mal.

Dou razão a Vinicius de Moraes: “Só a poesia pode salvar o mundo de amanhã”. Os poetas são vigias. Eles guardam as muralhas da cidade; são arautos do divino. De seu alarido frágil vem uma certeza: o mal ainda não se mostrou forte o suficiente para arrancar a Imago Dei do coração de homens e mulheres. Do alto da torre, tirania e opressão tomam conhecimento: o brado da vida pertence aos que amam o Bem. A beleza que tenta sair do meu peito é compromisso transubstanciado em palavras.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

imagem: A Bacia das Almas

Universidade de Curitiba barra TCC voltado à inclusão de pessoas com deficiência

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Rafael Bonfim, na Gazeta do Povo

Nesse mês uma aluna do último ano de Administração me procurou para conversar sobre o seu trabalho de conclusão de curso. Ela teve a ideia de desenvolver o projeto de um bar completamente preparado para receber pessoas com deficiência e que use desse preparo como diferencial para atrair a clientela. O projeto foi barrado e impedido de continuar, pelos seguintes motivos:

• O empreendimento não teria mercado. Pessoas com deficiência não frequentam casas noturnas, bares e afins.

• As pessoas com deficiência não dispõem de recursos financeiros para usufruir desse serviço.

• As pessoas sem deficiência se sentiriam desconfortáveis em um estabelecimento voltado para deficientes.

Alguém mais, além de mim e dessa aluna, discorda completamente disso?

O bar iria contar com rampas de acesso, cardápios em braile, um profissional com domínio de Libras, banheiros adaptados e as mesas seriam dispostas visando a boa circulação de cadeira de rodas. Era nesse conjunto de medidas que a aluna estava apostando para apresentar um negócio inovador, requisito pontuado pela orientação.

Além disso, a aluna trabalharia com a norma NBR-9050, da ABNT, que estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade.

É espantoso ver que uma postura como essa está dentro de uma universidade, sendo transmitida para futuros administradores. Dizer que deficiente não sai. Afirmar que um projeto que visa inclusão é uma perda de tempo. Reafirmar preconceitos.

Que tal olhar o projeto como algo sim inovador, que visa atender uma clientela ainda não contemplada? Se a pessoa com deficiência não freqüenta estabelecimentos noturnos, por se sentir mal acolhida, podemos propor um espaço que mude esse conceito, não podemos?

Eu debati recentemente aqui no blog o aumento do número de pessoas com deficiência no Brasil, tendo duas referências principais: o IBGE e o DPVAT. De acordo com o Censo do IBGE 2010, o Brasil tem hoje cerca de 45 milhões de pessoas que apresentam algum tipo de deficiência. Em 2000 esse grupo chegava 24,5 milhões.

Casos de invalidez permanente, entre pessoas vítimas de acidentes de trânsito se multiplicaram por quase cinco entre 2005 e 2010, passando de 31 mil para 152 mil por ano. E esse número não parou de aumentar. Até setembro de 2011, já eram 166 mil casos, segundo o DPVAT, seguro obrigatório pago por proprietários de automóveis. Os dados revelam que a maioria dos acidentados (mais de 70% dos casos em 2011) usava moto e está em plena idade economicamente ativa, entre 18 e 44 anos.

O dado mais pontual que eu encontrei em relação ao poder econômico de pessoas com deficiência veio da Reatech, a segunda maior feira de acessibilidade e reabilitação do mundo, que acontece anualmente em São Paulo.

A expectativa de movimentação de recursos na última edição foi de R$ 550 milhões em negócios, só durante a Feira. Ainda de acordo com a Reatech, o setor de produtos e serviços para reabilitação movimenta cerca de R$ 1,5 bilhão no País, ao ano, sendo R$ 200 milhões só com vendas de cadeiras de rodas e R$ 800 milhões em automóveis e adaptações veiculares.

Público para o empreendimento existe sim e dinheiro também. Temos bares em diferentes bairros, para diferentes classes, com diferentes preços. E tem bolso para tudo também.

Desenvolver um bar que fosse modelo em adaptação e atendimento à pessoa com deficiência tem a ver com cumprimento de normas técnicas, com sustentabilidade (uma vez que ele contempla o pilar social e o pilar cultural), apresenta oportunidades legais de marketing e comunicação com o público e agregaria valor ao bairro e à cidade. É um ótimo exercício e poderia perfeitamente ser aceito.

Mas não, ao invés disso, o profissional que tem como função fomentar ideias para o futuro foi conservador e tolheu uma proposta diferente, vinda de uma estudante com vontade de quebrar um paradigma, de arriscar.

Você, empreendedor, o que achou dessa proposta?

Os 10 filmes mais caros da história

Taylor Kitsch e Lynn Collins e cena do filme John Carter, de Andrew Stanton
Taylor Kitsch e Lynn Collins e cena do filme “John Carter”, de Andrew Stanton

Publicado originalmente no iG

Adaptação do clássico da ficção científica “Uma Princesa de Marte”, de Edgar Rice Burroughs, o filme de ação especial “John Carter: Entre Dois Mundos” é, ao lado de “Os Vingadores”, a grande aposta do estúdio Disney em 2012.

Primeira produção com atores dirigida por Andrew Stanton, responsável pelas animações “Procurando Nemo” (2003) e “WALL-E” (2008), “John Carter” custou R$ 450 milhões (US$ 250 milhões). Esse número coloca o longa na décima posição entre os mais caros da história do cinema. Veja a lista abaixo, com valores ajustados pela inflação.

1º: “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo” (2007) e “Cleópatra” (1963)
O terceiro episódio da franquia “Piratas do Caribe” e o clássico “Cleópatra” brigam pelo título de filme mais caro. A indefinição acontece devido à imprecisão do valor de custo do blockbuster estrelado por Elizabeth Taylor. Com a inflação, o orçamento de “Cleópatra” varia entre US$ 330 e US$ 340 milhões. Já “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo” teve custo de US$ 336 milhões.

O enorme gasto de ambas as produções está relacionado à construção de cenários de época, além de centenas de figurinos. No caso da aventura do capitão Jack Sparrow, os efeitos visuais também tomaram boa parte do custo de produção.

3º: “Titanic” (1997)
Um dos grandes vencedores do Oscar, o romance histórico “Titanic” teve orçamento de US$ 290 milhões. Esse custo se deu em parte à minuciosa pesquisa do diretor James Cameron, que um ano antes promoveu expedições submarinas aos destroços do navio, utilizadas na construção de uma réplica em 90% de seu tamanho real.

4º: “Homem-Aranha 3″ (2007)
Nem o orçamento de US$ 289 milhões salvou o terceiro “Homem-Aranha” de receber críticas negativas. Apesar de empregar boa parte do dinheiro em cenas de ação e efeitos especiais, as divergências criativas entre o diretor Sam Raimi e o produtor Avi Arad prejudicaram o resultado final da produção. Mas mesmo assim o longa ultrapassou os US$ 800 milhões em bilheterias.

5º: “Enrolados” (2010)
A 50º animação da Disney adapta o famoso conto de fadas “Rapunzel”, inserindo na história da jovem com os longos cabelos um ladrão galã e um cavalo obstinado por capturá-lo. Com custo total de US$ 277 milhões, é a animação mais cara da história.

6º: “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” (2009)
Sexto filme da franquia do bruxo Harry Potter, “O Enigma do Príncipe” traça um dos capítulos mais tensos da luta entre o jovem e seu inimigo Voldemort. O orçamento de US$ 271 milhões divide-se entre a criação de novos cenários (como o orfanato onde cresceu o personagem Tom Riddle), os efeitos especiais (como os que resultaram nos temidos inferi) e as filmagens em IMAX 3D.

7º: “Waterworld – O Segredo das Águas” (1995)
Esta ficção apocalíptica narra a história de sobreviventes após o derretimento das calotas polares, que cobriu a Terra com água. Com o custo ajustado de US$ 262 milhões, o longa estrelado por Kevin Costner não decolar nas bilheterias e é considerado um dos grandes fracassos da história de Hollywood.

8º: “Piratas do Caribe: O Baú da Morte” (2006)
O segundo filme da série “Piratas do Caribe” retrata a tentativa do capitão Jack Sparrow de escapar da dívida cobrada pelo amaldiçoado Davy Jones. Boa parte dos US$ 259 milhões do orçamento foi empregada tanto na construção de navios quanto nos efeitos especiais da tripulação do Holandês Voador, que são misturas de homens com criaturas marinhas.

9º: “Avatar” (2009)
Com custo de US$ 257 milhões, “Avatar” coloca novamente o cineasta James Cameron na lista dos filmes mais caros. Amparado quase que totalmente por efeitos especiais, o longa utilizou câmeras desenvolvidas especialmente para sua produção, para melhor utilização do 3D e captura de movimento de atores detalhista.

10º: “John Carter” (2012)
Entre os fatores que colaboram para os gastos de US$ 250 milhões de “John Carter: Entre Dois Mundos”, estão as filmagens no deserto de Utah, que pedem apoio logístico, e a utilização de computação gráfica para a criação de cenários e raças alienígenas que compõem a história -conheça todas aqui.

Fotografias com nus

Benjamin Júnior, no Obvious

Andreas Smetana fez as fotografias dos nus dispostos em grupos; depois Electric Art fez os retoques digitais e juntou-as como peças de um puzzle. E o resultado final foi…

 Andreas Smetana
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O rosto da atleta australiana Cathy Freeman foi recriado pelo fotógrafo Andreas Smetana para um programa da SBS-TV intitulado Who do you think you are. Para o representar, Smetana não se limitou a fotografá-la; escolheu um processo muito mais complexo: fotografou grupos de pessoas nuas dispostas de tal modo que formassem partes do rosto da atleta – boca, nariz, olhos, etc. A tarefa foi difícil e imensa. Mas a de reunir todos estes grupos de imagens, montá-las como peças de um puzzle e retocá-las digitalmente não lhe ficou atrás. Para isso foi escolhida a Electric Art.

Electric Art é um estúdio de criação de efeitos visuais e pós-produção de imagem sediado em Sidney, na Austrália. O trabalho da EA é integralmente dirigido para a vertente comercial (campanhas publicitárias, etc. ) e muito variado mas a sua especialidade são os retoques. Foi por este motivo que Andreas Smetana a escolheu para fazer a montagem e tratamento digital das suas fotografias. Smetana é um fotógrafo austríaco a trabalhar há vários anos na Austrália. É considerado internacionalmente como um dos grandes profissionais da fotografia publicitária, a quem as grandes marcas recorrem frequentemente.

É espantoso como todos estes corpos nus, aglomerados, colocados na posição correcta e com uma iluminação adequada, se transformam no fim no rosto de Cathy Freeman. Afinal, a imagem da atleta foi o início de todo este trabalho

 Andreas Smetana

 Andreas Smetana

 Andreas Smetana