PF faz operação contra uso do brasão da República por evangélicos

Publicado originalmente no Terra

A Polícia Federal (PF) deflagrou na última segunda-feira, em Belo Horizonte (MG), a Operação Carteira Santa, com o objetivo de coibir a prática do uso indevido dos símbolos da República Federativa do Brasil.

Uma entidade evangélica confeccionava carteiras contendo o brasão da República e os dizeres “autoridade eclesiástica”, para vários integrantes de igrejas da capital mineira.

Foram apreendidas mais de 300 carteiras e dois envolvidos foram encaminhados para a Superintendência da PF em Belo Horizonte, para prestar esclarecimentos. Se indiciados, eles podem ser condenados a até seis anos de prisão.

dica do Obadias de Deus

como sempre, a área de comentários está uma zorra total… sem a valéria e a janete.

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Deputado-pastor elabora emenda liberando R$ 250 mil para sua igreja

Paulo Roberto Lopes, no Paulopes

O deputado distrital Benedito Domingos (foto), do PP, elaborou uma emenda liberando R$ 250 mil a título de “apoio à atividade cultural da Comadt”. O Jornal de Brasília procurou saber o que quer dizer essa sigla e descobriu que se trata da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil, da qual faz parte a Assembleia de Deus Ministério de Madureira. Domingos é pastor-presidente de um templo dessa denominação em Taguatinga Norte, no Distrito Federal.

O deputado negou que tivesse apresentado a emenda e afirmou ser vítima de uma campanha de difamação, mas o jornal teve acesso a um documento que prova a ilegalidade. Domingos não poderia ser o autor de uma emenda cujo beneficiado é ele próprio, mesmo que indiretamente.

Caso seja liberado pelo governo, o dinheiro não será aplicado em “atividades culturais”, mas na construção em Taguatinga de um novo templo cujo valor total está estimado em R$ 3 milhões. Só este ano, as emendas do deputado-pastor têm direito de alocarem o montante de R$ 12 milhões.

O Ministério Público do Distrito Federal já está acusando Domingos de outras irregularidades: formação de quadrilha, fraude em licitação e corrupção passiva. De acordo com inquérito policial, entre 2007 e 2010 ele favoreceu empresas de sua família com verbas da comemoração do Carnaval e do Natal.

Com informação do Jornal de Brasília e da Transparência Brasil.

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Jornalismo nota zero

Renato Rovai, na Revista Forum

Este vídeo do Brasil Urgente, da Band, da Bahia, é um exemplo de jornalismo pra lá de esgoto. Uma repórter loirinha, com rabinho de cavalo à la Feiticeria, coloca um jovem negro, com hematoma aparente de uma agressão recente, numa situação absolutamente constrangedora. Julga-o antes da Justiça, humilha-o por conta de sua ignorância em relação aos seus direitos e ao procedimento a se realizar num exame de corpo delito e acha isso tudo muito engraçado.

Assista ao vídeo e veja se este blogueiro está exagerando.

Trata-se de uma caso que exige uma ação urgente por parte da sociedade civil.
É preciso que se mova uma ação contra a concessionária pública que dá voz a uma repórter irresponsável como essa. Isso mesmo, irresponsável. Estou à disposição da Justiça para me defender em relação ao termo utilizado. A propósito, a concessionária é a Band.

É preciso que entidades de Direitos Humanos e da questão negra também se posicionem.

Também é urgente que entidades como o Sindicato dos Jornalistas da Bahia a Fenaj reajam a essa barbaridade.

Assistam ao vídeo, vocês vão entender minha indignação.

A dica do vídeo me foi dado pelo Fabrício Ramos pelo Facebook.

Atualizando (00:30 da terça-feira): O nome da repórter é Mirella Cunha, como já registrado em muitos comentários. O apresentador do programa para o qual ela trabalha é Uziel Bueno. Mas, em última medida, a Band é a responsável final por essa bárbarie jornalística.

Quanto ao fato de eu ter registrado o loirismo da repórter e a negritude do acusado, pareceu-me importante lembrar que somos um país com enormes desigualdades sociais e raciais. E que o fato de esse garoto ser preto e pobre é o que permite tal atendando aos seus direitos mais elementares. Dúvido que um loiro rico seria tratado dessa mesma forma pela “corajosa” jornalista.

criaram no facebook uma página de protesto contra a jornalista. o vídeo já teve + de 340 mil cliques.

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Até Deus duvida

Tetraplégica termina a maratona de Londres

Rodolfo Lucena, na Folha de S.Paulo

Quando eu era pequeno, minha mãe às vezes exclamava, assombrada com a capacidade da filharada de fazer bagunça: “Essa turminha faz coisas que até Deus duvida!”.

Nada sei a respeito das divindades, mas conheço milagres realizados pela mágica da maratona, inspiradora de ações que podem fazer o mais incréu dos céticos se transformar em fiel fervoroso da capacidade humana de superação e renascimento.

Uma paralítica caminha por dias, a desmaiada se levanta e corre, o sujeito com diarreia prossegue para buscar a glória olímpica. São histórias que ajudam a colocar em perspectiva os incômodos nossos de cada dia.

Claire Lomas era uma amazona de sucesso até que um dia caiu do cavalo. Quando acordou, estava paralítica e supostamente nunca mais iria sair da cama, talvez no máximo circular montada em uma cadeira de rodas.

Os médicos não conheciam a bravura daquela garota. Depois de um período em que quase perdeu para o desânimo e a depressão, resolveu lutar. Transformou-se em uma guerreira da fisioterapia e também remodelou sua vida amorosa -esqueceu o namorado perdido e encontrou pela internet um novo amigo, hoje seu marido, pai de sua filha que está também dando os primeiros passos.

Com ele, fez aventuras, como andar de carrinho de neve. Com o apoio dele e de muito mais gente, experimentou usar um traje especial, computadorizado, para tentar andar. Treinou, forcejou e, enfiada em suas calças robóticas, andou metro por metro a maratona de Londres, que completou em 16 dias.

No mesmo asfalto londrino, uma corredora que sofre de epilepsia enfrentou 20 ataques, mas não desistiu de ir até o final. A cada vez, Simone Clarke, de 39 anos, chegava a ficar inconsciente por 30 segundos. Uma amiga não a deixava cair e cuidava para que não se machucasse.

Quando voltava a si, prosseguia. Os ataques não eram surpresa, mas nunca tinham vindo em tal quantidade -durante os treinos mais longos, chegava a sofrer duas crises; na vida normal, tem cerca de quatro por dia. “Apesar de tudo, eu continuava de pé. Pensei: ‘Rale-se! Eu vou até o fim'”. Dito e feito: terminou em seis horas e meia.

Já Paulo Roberto de Almeida Paula precisou de um terço desse tempo para se qualificar como um dos representantes do Brasil na maratona olímpica. Mas também teve de apertar os dentes para seguir na maratona de Barcelona: uma terrível diarreia o acompanhou desde o quilômetro 15 até a chegada.

Claire, Simone e Paulo ajudam a forjar a mítica da maratona. E nós todos, cada qual de seu jeito, a vivemos todos os dias a cada passo que constrói nossas vidas.

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Autora defende cura pela fé: é uma questão relevante para os cientistas

Ligia Hougland, no Terra

Apesar de o número de evangélicos, carismáticos e cristãos de outras denominações que procuram e acreditam no poder da cura de doenças e invalidez por meio de preces aumentar, cientistas do mundo inteiro permanecem céticos e se recusam a investigar o fenômeno. Recentemente, uma professora americana com doutorado em estudos religiosos da Universidade de Indiana, Candy Gunther Brown, lançou o livro Testing Prayer: Science and Healing (Testando a prece: Ciência e Cura, em tradução livre) que, ao relatar casos de sucesso da aplicação de orações no tratamento de doentes e demonstrar como o método de cura pela prece é usado por diferentes culturas, espera convencer pesquisadores a deixar de lado o preconceito e estudar esse campo tradicionalmente visto com suspeita pela ciência. Em entrevista exclusiva ao Terra, Brown falou sobre a implementação do sobrenatural para melhorar a saúde pública e conta ter testemunhado – e comprovado – casos de cura pela oração.

Terra: Por que cientistas, que precisam lutar para conseguir financiamento para estudos convencionais e fundamentais para a descoberta de novos tratamentos médicos, deveriam se dedicar a estudar algo polêmico e difícil de ser determinado como o poder das orações na cura de problemas de saúde?
Brown: A verdade é que as pessoas rezam pela cura e isso pode ter um efeito sobre a saúde delas. Não importa se os efeitos da prece são positivos ou negativos, é preciso descobrir se rezar pela cura de problemas de saúde faz diferença para que possamos proteger a saúde pública.

Terra: Mas provar que a oração pode ou não ser eficaz para o tratamento de doenças não seria algo impossível de ser constatado visto seu caráter subjetivo e sujeito a interpretações pessoais? Não seria como, por exemplo, tentar provar ou desprovar a existência de unicórnios? Nunca alguém provou ter visto essas criaturas mágicas, mas cientificamente, isso não é prova suficiente de que unicórnios não existem e algumas pessoas ainda podem acreditar que eles existem.
Brown: O exemplo dos unicórnios não tem importância, pois a existência ou não deles não tem consequências para o mundo real. Mas cura pela oração tem consequências para o mundo real. Assim como pessoas que usam outros métodos para tentar aprimorar a saúde, seja pelo meio da medicina, de curandeiros ou de outros tipos de práticas ou alternativas. Portanto, essa é uma questão relevante para os cientistas preocupados com a melhora da saúde pública.

Terra: Atualmente, a ciência parece mais ou menos aberta ao sobrernatural?
Brown: Depende do lugar. A ciência provavelmente está mais aberta ao sobrenatural no Brasil do que nos Estados Unidos. Mas mesmo nos EUA, as pesquisas sugerem que até 73% dos médicos acreditam que algum tipo de cura acontece por meio de causas sobrenaturais ou miraculosas. Na maior parte da história e na maioria das culturas sempre houve uma expectativa de que existe uma relação entre o sobrenatural e o natural. Mas, por volta do Período do Iluminismo até o século passado, houve uma menor crença no sobrenatural, particularmente no mundo ocidental. No entanto, acredito que estamos voltando a ter uma maior abertura em relação ao sobrenatural, conforme as pessoas concluem que a ciência não oferece todas as explicações para o que acontece no mundo. Mesmo com os melhores tratamentos médicos nem todos os problemas de saúde podem ser curados e não existe possibilidade de encontrar cura para eles no futuro próximo.

Terra: Culturas diferentes rezam de modo diferente?
Brown: Esse é o caso até mesmo em regiões diferentes de um mesmo país, mas também existe um tipo de cultura cristã global, com grupos que atuam em diversos países. Um dos grupos que estudei foi o grupo americano Global Awakening (Despertar Global) que visita o Brasil diversas vezes a cada ano e participa de uma rede com um grande número de igrejas e denominações brasileiras. Parte do que esse grupo faz é compartilhar práticas religiosas. Assim, as práticas brasileiras influenciam o modo pelo qual os americanos rezam pela cura de doenças e vice-versa. Um exemplo dessa troca é que os americanos adotaram parte da expectativa que os brasileiros têm com respeito ao sobrenatural, enquanto que os brasileiros adotaram maneiras mais democráticas de rezar pela cura. No passado, muitas igrejas brasileiras tinha um pastor ou um líder que fazia a maior parte das orações pela cura, mas cada vez mais acontece que todos os membros de uma congregação reza pedirem pela cura de algum problema de saúde.

Terra: A senhora já viu alguém ser curado pela reza no Brasil?
Brown: Essa é sempre uma pergunta difícil de ser respondida. Eu certamente encontrei pessoas que acreditavam ter sido curadas. Um caso interessante aconteceu em Imperatriz, no Maranhão. Uma mulher contou que, dois anos antes, ela pesava apenas cerca de 38 kg e cuspia sangue, pois era vítima de câncer do tórax. Os médicos a consideraram uma causa perdida, depois que fizeram tudo que podiam por ela e a mandaram para casa para morrer. Ela foi a uma sessão do Global Awakening como um último esforço. As pessoas rezaram por ela por algumas horas e, naquele mesmo momento, ela começou a se sentir melhor e forte o suficiente para levantar e cantar. Ela ainda está bem e trabalha como radialista. Também encontrei pessoas que tinham problemas de visão ou audição e que haviam sido curadas.

Terra: Esses casos de cura foram comprovados?
Brown: Na minha pesquisa eu não apenas confiei no que as pessoas diziam ter acontecido, mas também usei testes clínicos. Contei com uma equipe que realizou testes com audiometro e de visão em Moçambique e no Brasil, comprovando melhoras na audição e na visão das pessoas que acreditavam ter sido curadas. Essas pessoas tinham realmente melhorado por causa das orações, e a melhora delas era tão grande que fomos capazes de atingir um significado estatístico padrão, sugerindo que isso não era apenas uma coincidência e que o efeito era real.

Terra: A oração pela cura funciona em qualquer tipo de religião?
Brown: Estudamos especificamente a oração cristã. Mas há diversos estudos realizados nos EUA que sugerem que outros tipos de práticas religiosas não geram os mesmos efeitos. Não sei se já foram realizados estudos com umbanda e camdomblé ou outras práticas usadas no Brasil. Não acho que podemos pressupor que um tipo de prática religiosa é tão bom quanto outro.

Terra: Muitos dizem que, se rezar realmente funcionasse, todos os campeonatos brasileiros de futebol terminariam em empate. O que a senhora tem a dizer sobre esse argumento?
Brown: Argumentos semelhantes são feitos nos EUA, e já foram realizados estudos sobre rezas que as pessoas fazem à distância para alguém que nunca encontraram, que imagino se enquadrar no exemplo do futebol. Mas algo acontece em encontros pessoais que dá um elemento social à reza e parece fazer uma diferença em como as pessoas rezam, o que dizem, no que acreditam. Parece que são observados mais resultados em rezas com contato pessoal. Não precisa ser um grupo grande de pessoas. Muitos exemplos que tenho incluem situações bem privadas, sem música alta nem demonstrações de emoção.

Terra: Os grupos que promovem a cura pela reza não estariam explorando pessoas desprivilegiadas e sem instrução e, por isso, são tão populares em países pobres?
Brown: Muitas dos representantes desses grupos também são pobres. A explicação para o cristianismo estar crescendo nos países em desenvolvimento é que muitas pessoas estão rezando pela cura de condições de saúde e acreditam estar sendo curadas.

Terra: A senhora recomendaria que as pessoas procurassem a cura de seus problemas de saúde pela oração?
Brown: Todos nós queremos tornar a saúde pública o melhor possível e apoiar o que é bom para a saúde como um todo. O que estou buscando pode ser empircamente demonstado como maneiras eficazes de buscar a cura para problemas de saúde. Particularmente nos países onde os recursos médicos são limitados, faz sentido buscar métodos que não exijam esses tipos convencionais de tratamentos médicos.

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