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E por falar em “kit gay”…

E por falar em “kit gay”...

Paulo Nascimento, no Novos Diálogos

Já que o chamado “kit gay” — cujo nome técnico definido pelo Ministério da Educação havia sido Kit Anti-homofobia — voltou a ser assunto nas mídias do país, por causa da estapafúrdia ameaça de Silas Malafaia de “arrebentar em cima de Fernando Haddad” no segundo turno da disputa pela prefeitura de São Paulo, eu gostaria de trazer outra vez uma questão que considero respondida insuficientemente: se vivemos em um estado laico e não-confessional, como é possível que diretrizes religiosas possam interferir nas políticas públicas educacionais do país?

Uma tentativa de resposta que deve ser corrigida apresenta o argumento de que “o estado é laico, mas a nação é cristã”. Na verdade, o estado é laico, mas a nação é plural. A maioria cristã é uma realidade óbvia e inquestionável. Mas o reconhecimento dessa maioria não deveria ser utilizado como o fim do debate pela imposição da mesma. Isso não seria uma democracia, mas uma teocracia. O reconhecimento da maioria cristã deveria abrir a discussão de como é possível, em um regime democrático, conciliar os interesses da maioria com as demandas sociais de grupos minoritários, sem desprezar esses últimos; ou ainda, como atender à legitimidade das demandas sociais dos grupos minoritários sem atribuir-lhes privilégios sobre o todo. Em síntese, o reconhecimento da maioria cristã deveria abrir o debate acerca de como o estado laico poderia, em meio a interesses e demandas sociais tão diversas, garantir o direito de plena cidadania a todos.

A rigor, diretrizes religiosas não devem conduzir as dinâmicas estatais em arranjos laicos e não-confessionais. Todavia, isso não quer dizer que os atores religiosos estão impedidos de participar da arena política nacional nesses contextos. Enquanto cidadãos do país, e enquanto pertencentes ao enquadre multicultural que marca a sociedade, é legítimo que atores religiosos participem ativamente da condução política do país. Essa afirmação, entretanto, nos coloca diante da seguinte questão: como conciliar a presença e os interesses de atores religiosos na esfera público-política em um estado laico?

Alguns intelectuais, como Jürgen Habermas, por exemplo, defendem a ideia de que deve haver por parte de tais atores religiosos uma espécie de “tradução da linguagem” e dos interesses religiosos para uma linguagem política e secular. Habermas defende ainda que tais atores religiosos partam de alguns pressupostos cognitivos, que são basicamente dois: a aceitação da pluralidade cultural da nação, e a aceitação da neutralidade do estado em termos ideológicos. Portanto, os atores religiosos não estão vedados de participarem da arena público-política do país. A questão a ser pensada é como se dá tal participação. Dar contribuições específicas, direcionadas para problemas políticos e em linguagem secular, é muito diferente de conduzir o país empunhando um cetro cristão, ou qualquer outro cetro religioso.

Em outra oportunidade, já manifestamos nossa discordância da noção de “estado neutro”. No lugar dessa noção, propomos a ideia de um estado não-confessional. A laicidade dos estados modernos quer dizer que os mesmos deixaram de ser normatizados por valores religiosos. Contudo, isso não significa neutralidade. Perguntamo-nos: a partir de então, quem informa ideologicamente as ações dos estados modernos? Em nossa opinião, essa resposta deve apontar para duas instâncias principais: os saberes científicos e o direito. E aqui estaria o link para voltarmos a pensar no chamado “kit gay”, proposto à época pelo então Ministro da Educação Fernando Haddad.

A ideia de introduzir materiais educativos com pretensões anti-homofóbicas nas escolas públicas brasileiras se radica em dois elementos. Primeiro, no reconhecimento de que a educação sexual que se transmite na educação pública atualmente estaria vinculada a uma matriz cultural que é religiosa e cristã. O simples reconhecimento desse fato seria problemático para a educação oferecida por um estado laico e não-confessional. Segundo, a pressuposição de que a homofobia, que se expressa desde níveis mais cotidianos enquanto desqualificação, até níveis mais duros como os assassinatos motivados por questões de preconceito sexual, não são apenas problemas individuais, mas estruturais, que passam pela educação formal. A violência individual seria a ponta de um processo muito maior, que contemplaria também a educação formal.

Michel Foucault e Judith Butler são exemplos de autores que trabalham com a noção de matriz cultural. Em suas pesquisas, o Cristianismo tem lugar central enquanto matriz cultural presente na formação dos saberes científicos (médico, psicológico, psiquiátrico etc.), e também nas concepções de gênero que balizam grande parte das atuais relações sociais. A escola moderna tem sido um dos ambientes estratégicos mais eficazes para que tais saberes tornem-se forças normalizadoras, contribuindo com a naturalização das noções de normal e patológico, neste caso, no campo da sexualidade.

Uma vez que se reconhece o lugar da escola nas estratégias que normalizam e naturalizam concepções de gênero cuja matriz é religiosa e cristã, como não falar sobre isso na educação promovida por estados laicos e não-confessionais? Uma vez que se reconhecem os problemas ligados ao binarismo normal versus patológico relacionados à sexualidade, traduzidos na violência contra o “patológico” e a necessidade de sua eliminação, como não trazer essa discussão para a escola não-confessional? Uma vez que se reconhece que a homofobia, seja em nível simbólico ou concreto, não é apenas um problema de indivíduos, mas um problema sistêmico que envolve inclusive o tipo de educação sexual nas escolas e o silêncio delas acerca disso, como não levar para elas esta discussão?

A meu ver, a introdução de materiais educativos nas escolas públicas voltados para o combate à discriminação e à violência sexual, não pode ser reduzido à discussão de convicções dogmáticas sustentadas por grupos religiosos. Ela deveria ser pensada na perspectiva da “governamentalidade”. Com esse termo, Foucault falava acerca de uma nova arte política inaugurada na Modernidade, que tem a população como seu objeto. Essa governamentalidade tem por função regular da melhor maneira possível a relação entre pessoas e coisas, a fim de maximizar os efeitos produtivos de tal relação. Porém, mais do que isso, trata-se aqui de maximizar da melhor forma possível a relação entre pessoas e pessoas. E em minha opinião, a violência sexual – assim como a violência contra mulheres, crianças e idosos, o racismo etc., – é um tema da ordem da segurança pública que precisa ser trabalhado desde os primeiros anos da educação formal.

Portanto, é função dos estados modernos (laicos e não-confessionais), garantir os diferentes modos de existência humana, e zelar por sua plena cidadania. Também é sua função pôr em ação todos os meios possíveis que garantam a segurança de seus cidadãos. Esses meios não devem se reduzir aos dispositivos da repressão e das sanções penais, mas devem se estender aos dispositivos de prevenção que passam pela construção de uma cultura de paz. A escola, nesse sentido, continua sendo um lugar estratégico para tudo isso. As igrejas, quaisquer que sejam, deveriam aplaudir e se unir a tais iniciativas que corroboram o respeito às diferenças e a convivência pacífica entre as pessoas. Afinal, estas coisas lembram em muito os ideais daquele a quem uma parte das igrejas chamam de Senhor.

Paulo Nascimento é baiano de Muritiba, terra de Castro Alves. É casado com Patrícia Nascimento e sem filhos. Também é Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Nordeste (Feira de Santana-BA) e graduando em Psicologia pela Universidade Federal de Alagoas. Além disso, é pastor batista em Maceió e professor de Teologia Sistemática no Seminário Teológico Batista de Alagoas.

Homens vestidos de roxo fazem mais sucesso com as mulheres

Carol Castro, na Super Interessante

Numa pesquisa com 2 mil pessoas, entre homens e mulheres, uma marca de detergente britânica descobriu que a cor da roupa pode influenciar na hora de aceitar ou não um convite para sair com alguém. Mais de 60% da ala feminina contou aos pesquisadores que a roupa do pretendente é essencial para a decisão de investir ou não no cara. Depois disso aparecem ocorte de cabelo e o estilo dos sapatos.

E o roxo apareceu como a cor preferida delas: 36% topariam sair com um homem com camisa dessa cor. O preto ficou em segundo na preferência feminina. As cores menos amadas são azul e rosa.

Legal. Só não adianta muita coisa quando o cara, apesar de se vestir bem, se comporta como um boçal, né? De qualquer forma, conta para gente: qual cor de camiseta você mais gosta de ver em um homem?

Pastor faz bolo dentro da igreja, durante culto em MT

Publicado originalmente em O Divisor [via Top News]

O pastor Valter Stehlgens encontrou uma forma inusitada e criativa para explicar um versículo da Bíblia, durante o culto que ocorreu no domingo (21.10), na Igreja Batista do Buriti em Diamantino (180 km de Cuiabá). Ele resolveu fazer um bolo dentro da igreja, enquanto passava a mensagem, em forma de metáforas, que nenhum ingrediente tem mais valor do que o outro e cada um tem sua função.

Ao explicar o trecho bíblico de 1 Corintios 12:12 que diz: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também”; o pastor com o auxilio de sua esposa começou retirar ingredientes de trás do púlpito e preparar o bolo ao mesmo instante que pregava, comparando a receita com a igreja.

Cada ingrediente que era agregado vinha seguido de uma justificativa, enquanto os membros diziam o que era para ser adicionado na tigela, ele traçava um paralelo entre os itens e o ser humano.

“Tem gente que tem o coração igual ao ovo com casca, endurecido, que precisa ser quebrado. O fermento faz com que cresçamos; após juntar tudo que está na receita fica homogêneo, os ingredientes se unem e cada um executa a sua função”, explicou.

Depois do “culto gastronômico” chamou os fiéis para literalmente provar da pregação.

Valter Stehlgens fez uso de uma metodologia utilizada por Jesus Cristo que muitas vezes pregava de forma figurativa com preceitos morais, por meio de parábolas para ser compreendido por toda multidão.

dica do Rogério Moreira

Coruja vira centro de polêmica entre grafiteiros e evangélicos em Santos

Coruja em torre de observação na orla da praia de Santos vira assunto de polêmica (Foto: Reprodução/TV Tribuna)
Coruja em torre de observação na orla da praia de Santos vira assunto de polêmica (Foto: Reprodução)

Alexandre Lopes, no G1

Uma torre de 14 metros de altura está no centro de uma polêmica em Santos, no litoral de São Paulo. Após sete artistas da região se juntarem para grafitar o muro do local, no Emissário Submarino, representantes de uma igreja evangélica da cidade protestaram, afirmando que o trabalho servia como divulgação de uma seita dos Estados Unidos.

A polêmica começou com uma coruja desenhada no alto da torre. Segundo o pastor da igreja Bola de Neve, Eric Vianna, essa coruja é o símbolo do Bohemian Grove, uma seita que hospeda anualmente alguns dos homens mais poderosos do mundo, entre eles ex-presidentes dos Estados Unidos, artistas e políticos. O pastor acredita que, por o governo da cidade ser laico, o símbolo deveria ser exposto apenas em ambientes privados.

Segundo Vianna, a coruja, como animal, não é o problema. “Ela não passa de um símbolo de um animal. Eu não acho que a coruja vai demonizar a cidade. O que questiono é se houve a permissão para o grupo colocar o símbolo. O artista que desenhou a coruja já havia feito esse mesmo símbolo em outro local e colocado o nome da seita. Se ele desenhou a figura, eu posso escrever o logo da Bola de Neve no local também. Ou um símbolo de estrela, que representa o judaísmo. Ou até uma lua, do islamismo. Se fazemos apologia para uma seita, também podemos fazer para todas as outras seitas e religiões”, diz.

Caveira foi retirada de muro em Santos após polêmica
envolvendo igreja e artistas (Foto: Reprodução)

Um dos responsáveis pela arte no muro, Leandro Shesko, acredita que a igreja está querendo censurar o trabalho dos artistas. “Eles estão dizendo que estamos usando o símbolo de uma seita satânica. Não nos inspiramos no símbolo da seita. Eu já fiz um outro trabalho, onde interagi com a arte de um companheiro e completei o desenho de coruja de outro artista. Nisso, acabei fazendo alusão ao Bohemian Grove porque vi na internet e achei importante que os interessados se informem a respeito. Quando fiz o primeiro desenho não quis fazer propaganda. Apenas trouxe, por meio da arte de rua, um assunto exposto massivamente. Acho que isso tudo é um pouco de fanatismo”, critica.

A polêmica acabou se espalhando pelas redes sociais. Centenas de pessoas se reuniram em uma página para comentar o pedido do pastor, que quer a remoção da figura, e a atitude dos artistas, mostrando opiniões divididas. Segundo o pastor, várias pessoas entraram na página pessoal dele fazendo graves ameaças. “Estou andando escoltado. A minha integridade física foi colocada em risco. Recebi várias ameaças covardes pela internet. Chegaram a falar até que invadiriam a igreja. Virou uma situação de guerra, de gangue. A minha intenção foi sempre pacificar. Esses rapazes já frequentaram a igreja e não são meus inimigos”, comenta.

Segundo Leandro Shesko, o projeto foi aprovado por todos os responsáveis e por todas as secretarias da prefeitura relacionadas ao assunto. “Já estávamos com problemas com a igreja antes de iniciar o projeto. Havíamos desenhado uma caveira, mas a prefeitura pediu para apagarmos e resolvemos fazer algo com teor menos negativo. Resolvemos apagar antes das reclamações chegarem”, explica.

Em nota, a Prefeitura afirma que a imagem da coruja foi escolhida para compor o painel pintado na torre por ser considerada símbolo da sabedoria e uma das poucas aves que distinguem, a cor azul, que é a do mar. A Prefeitura de Santos assegura que a coruja não será removida do local.

Bohemian Grove
Localizado na Califórnia, o Bohemian Grove é um acampamento pertencente a um clube privado de homens. Os “sócios” do Bohemian são recrutados principalmente da elite política, econômica, artística e da mídia dos Estados Unidos. Desde a fundação da seita, o mascote é uma coruja, símbolo do conhecimento. Os ex-presidentes americanos Richard Nixon e Ronald Reagan são alguns dos mais famosos membros que participaram das reuniões secretas da seita.

dica do Thiago Bomfim