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Museu de Israel expõe pela primeira vez pedra atribuída ao anjo Gabriel

Narrador se identifica como o arcanjo em inscrição do século 1° a.C.
Peça é tida como mais importante achado arqueológico desde anos 1950

Foto: reprodução

Foto: reprodução

Publicado originalmente no G1

Museu de Israel, em Jerusalém, expõe ao público pela primeira vez a Pedra da Revelação do Anjo Gabriel, considerado o mais importante achado arqueológico na região desde a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, nas décadas de 1940 e 1950.

A peça é o objeto central da exposição “Eu sou Gabriel” e abordará a figura desse arcanjo nos primeiros anos do judaísmo rabínico, do cristianismo e do islamismo. A exposição foi inaugurada no dia 1° deste mês e vai até fevereiro do próximo ano. A inscrição, do século 1° antes e Cristo, foi descoberta em 2007 na região do Mar Morto.

Ela havia sido adquirida por um colecionador suíço que declarou tê-la comprado em Londres, de um antiquário jordaniano.

A 'pedra do anjo' (Foto: Ministério do Turismo de Israel)

A ‘pedra do anjo’ (Foto: Ministério
do Turismo de Israel)

De acordo com pesquisadores, a peça procederia da margem leste do Mar Morto, na Jordânia.

Escrita em tinta sobre pedra, o texto de 87 linhas em hebraico está em primeira pessoa e o narrador identifica-se como o Anjo Gabriel. Aparentemente, trata-se de uma conversa do arcanjo com um profeta.

A exposição exibirá outros manuscritos raros, como cópias antigas da Bíblia e fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto e do Codex de Damasco do século 13.

Feliciano receberá o dobro de votos em 2014, prevê Silas Malafaia

Nelson Barros Neto, na Folha de S.Paulo

O pastor Silas Malafaia aposta: “Se o [Marco] Feliciano tiver menos de 400 mil votos na próxima eleição, eu estou mudando de nome”.

Em 2010, quando se elegeu deputado federal pela primeira vez, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara obteve 212 mil votos.

Sob o rótulo de racista e homofóbico, ele é alvo de protestos na internet e no Congresso. “Quero agradecer ao movimento gay. Quanto mais tempo perderem com o Feliciano, maior será a bancada evangélica em 2014″, diz Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

“Essa coisa vai despertar o sentimento do evangélico de ter representantes na Câmara dos Deputados, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais. Vai nos ajudar”, diz o presidente do PSC da Bahia, Eliel Santana.

Fundador da Catedral do Avivamento, Feliciano tem frequentado telejornais, talk shows e humorísticos da TV.

PODER DA FAMA

“Ele vai arrebentar [nas próximas eleições]“, diz o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). O militar da reserva puxa a fila de políticos do “baixo clero” que ganharam projeção em meio a controvérsias e converteram a fama em mais votos, embora sob aparente rejeição geral.

Bolsonaro reconhece que ficou conhecido graças a declarações consideradas homofóbicas e de apoio à ditadura. Saltou de 100 mil votos, em 2006, para 121 mil, em 2010, e emplacou os filhos na Câmara e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) foi outro que colheu notoriedade após uma declaração polêmica. Em 2009, ficou conhecido ao dizer que se “lixava para a opinião pública”, em referência ao trabalho como relator do caso de Edmar Moreira, o “deputado do castelo”, no Conselho de Ética da Câmara.

Segundo o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, o discurso de Feliciano atinge preocupações de parte da população. “Entre os brasileiros, 14% se posicionam na extrema direita. As aparições na imprensa dão esse efeito de conferir notoriedade a ele.”

Para o cientista político Marco Aurélio Nogueira, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), “isso do ‘não me representa’ [slogan anti-Feliciano] não existe. Alguém se sente representado pelo Feliciano, pelo Bolsonaro e por quem quer que seja”.

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Corregedoria da Câmara de SP engaveta processo contra Aurélio Miguel

Luiz Carlos Murauskas /Folhapress

Luiz Carlos Murauskas /Folhapress

Evandro Spinelli, na Folha de S.Paulo

A Corregedoria da Câmara Municipal engavetou o processo contra o vereador Aurélio Miguel (PR), acusado de corrupção.

O Ministério Público tem documentos –cópias de e-mails e notas fiscais– e depoimentos de ex-executivos do grupo multinacional Brookfield que apontam que Miguel recebeu propina para fazer vistas grossas a irregularidades em shoppings da companhia e não citá-los no relatório da CPI do IPTU, que ele presidia.

Milton Leite (DEM), relator do processo na Corregedoria, ignorou os indícios e pediu o engavetamento do caso.

Roberto Trípoli (PV), Alfredinho (PT), Paulo Frange (PTB) e Mário Covas Neto (PSDB) foram favoráveis. Apenas José Police Neto (PSD) foi favorável à continuação das investigações.

O corregedor-geral, Rubens Calvo (PMDB), não votou. Ele se recusou, inclusive, a aceitar um pedido de Police Neto para requisitar ao Ministério Público cópias das provas já reunidas pelos promotores.

O engavetamento já era esperado. Milton Leite, o relator indicado por Rubens Calvo, é aliado político de Miguel. Leite é representante, na Corregedoria, do bloco parlamentar DEM-PR.

DENÚNCIAS

As denúncias contra Aurélio tiveram início em junho do ano passado, quando a Folha revelou que uma ex-executiva de empresa que administra shoppings acusava Miguel de receber propina para livrar o grupo de denúncias.

O patrimônio de Miguel foi de R$ 1,4 milhão (valores corrigidos) declarados em 2004 –quando se elegeu pela primeira vez– para R$ 25 milhões só em imóveis em 2012.

Miguel nega ter recebido propina, diz ter como justificar seu patrimônio e afirma que é vítima de perseguição.

Vereador de SC doa salário e defende política do “voluntariado”

Vereador Cezar Cim (PP) decidiu doar salários por acreditar que atuação política deve ser gesto voluntário não remunerado

Vereador Cezar Cim (PP) decidiu doar salários por acreditar que atuação política deve ser gesto voluntário não remunerado

Jaime Batista da Silva, no Terra

Vereador eleito em Blumenau, Santa Catarina, nas últimas eleições, o advogado Cezar Cim (PP) resolveu servir de exemplo ao projeto que defende, e doou seu salário a entidades filantrópicas. Ele pretende continuar com a prática por tempo indeterminado.

Procurador da Justiça aposentado, Cim tem como fonte de renda um escritório de advocacia, e as aulas de direito do consumidor e processo penal que leciona na Furb, além da aposentadoria. O vereador defende que a atuação política deve ser voluntária e, por isso, não remunerada.

”Ninguém é obrigado a se candidatar a um cargo político, você é candidato porque quer. Acredito que esse trabalho tenha que ser voluntário”, defende ele, que teve o voluntariado como uma das plataformas que o elegeu pela primeira vez vereador em 2012, com 2.736 votos.

Em janeiro, todo o salário – no valor líquido de R$ 6.180,00 – foi dividido entre sete instituições filantrópicas e ao partido a que está filiado. A ideia é que a cada mês novas entidades sejam ajudadas. “Quero ampliar a lista de instituições, mesmo que com valores menores. Temos que buscar as mais humildes, as do morro, para as quais qualquer R$ 200 fazem diferença”, afirma. “Não quero elitizar as doações, dando dinheiro às entidades maiores, que já são conhecidas. Quero ajudar aquelas de quem ninguém se lembra”.

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Após a primeira doação, o vereador discursou no plenário, anunciando a medida, e publicou as doações em seu perfil no Facebook. Para as próximas, Cim estuda uma forma de evitar que a divulgação da ação ganhe um tom populista. “O anúncio das doações dá um cunho populista à ideia, e não é essa a proposta. A relação das instituições beneficiadas pelas doações ficará disponível a quem tiver interesse, e talvez eu poste no Facebook. Mas não pretendo fazer anúncios das doações no plenário. Diz o ditado que o que a mão direita dá, a mão esquerda não precisa ficar sabendo”.

A doação do salário já era uma ideia anterior à campanha. “Já tinha isso em mente antes de me eleger, mas só verbalizei depois de eleito, senão seria demagogia”, afirma. “Com essas doações, eu abro duas frentes: uma é aumentar a credibilidade do vereador. É impressionante como os vereadores são mal vistos pela população. São verdadeiros sacos de pancada. Temos que separar o joio do trigo. Nem todos são maus políticos”, defende.

O segundo objetivo é dar força ao projeto. “Quero tentar mobilizar a sociedade para que se faça um abaixo-assinado. A sociedade reclama de seus políticos, mas não participa”. Um dos grandes entraves da ideia defendida por Cezar Cim é a sua inconstitucionalidade, já que a remuneração a vereadores está prevista pela Constituição Federal. ​

Apesar do interesse em fazer das doações um ato frequente em sua gestão, o vereador preferiu não se comprometer a doar todos os salários. “Prefiro dizer que o prazo é indeterminado. Pode surgir algum problema no meio do caminho que me faça rever”.

O vereador afirma ter encontrado nos dois filhos e nos sócios do escritório o apoio para a tomada de decisão. “É muito gostoso ter um filho te ensinando, servindo de conselheiro. Eles trabalham comigo, e me apoiaram na decisão”. A recepção, na opinião dele, foi muito positiva. “O conceito que a população tem do político é sofrível, e com razão. Mas eles vão começar a perceber que nem todo político é joio. Tem trigo também”, filosofa.

Para ele, a atitude também é uma forma de retribuição à sociedade. “É uma forma de agradecer por tudo o que tive. Sou de São João Batista, e fui o único da região, na minha geração, que teve oportunidade de estudar. É uma maneira de retribuir à sociedade por tudo que ela me deu”, conclui.

Ex-judoca Aurélio Miguel aumentou bens em R$ 23,6 milhões após virar vereador em SP

Rogério Pagnan e Evandro Spinelli, na Folha de S.Paulo

130451146O campeão olímpico Aurélio Miguel multiplicou seu patrimônio desde que assumiu o cargo de vereador em São Paulo, em 2005, pelo PR.

Quando foi candidato a vereador pela primeira vez, em 2004, Miguel declarava ter, entre outros bens, quatro imóveis –um patrimônio, segundo ele, de R$ 870 mil (R$ 1,4 milhão em valores corrigidos pela inflação).

Já em 2012, passou, segundo o Ministério Público, a ter 25 imóveis registrados em nome dele ou de suas empresas. Os imóveis estão estimados em R$ 25 milhões –a avaliação é feita com base no valor do metro quadrado da região.

Nessa conta, não entram outros bens, como uma lancha e ao menos 17 carros, como uma Cherokee 2012 e um Opel, 1951.

O crescimento mais expressivo do patrimônio do parlamentar ocorreu a partir dos anos de 2008 e 2009, época em que presidiu a CPI do IPTU na Câmara Municipal. Miguel, segundo investigações do Ministério Público, é acusado de cobrar propina de shoppings ligados ao grupo Brookfield para omitir irregularidades no relatório final da CPI. Ele nega as acusações.

Segundo depoimentos dados ao Ministério Público, ele teria recebido o pagamento em dinheiro vivo, entregue em carro-forte. Testemunhas dizem que as propinas chegavam a R$ 640 mil.

Ao menos oito imóveis adquiridos por Miguel após essa data foram pagos em dinheiro vivo, segundo documentos obtidos pela Folha em cartórios.

Como vereador, seu salário era de R$ 9.288 até 2012 –neste ano, passou a R$ 15.031.

Miguel afirma que o crescimento de seu patrimônio se deve a herança e compra e venda de imóveis.

DECLARAÇÕES

Em seu nome, o ex-judoca tem 12 imóveis que valem cerca de R$ 11,7 milhões. Apenas seis deles foram declarados à Justiça Eleitoral em 2012.

Nessa declaração, ele omitiu quatro terrenos que possui em Ilhabela, no litoral norte, uma casa no Jardim América (zona oeste) e uma casa no Morumbi, onde mora. Todos em seu nome.

Já à Receita Federal, ele declarou esses 12 imóveis, além de suas duas empresas: Aurélio Miguel Administração de Bens e Inter Sports.

Essas duas empresas têm outros 13 imóveis, adquiridos a partir de 2008, avaliados em mais de R$ 12,7 milhões.

Entre os imóveis de suas empresas há quatro casas no Morumbi avaliadas em cerca de R$ 5,3 milhões e quatro terrenos em Cotia.

Perícia feita a pedido do Ministério Público aponta que os 12 imóveis em nome do vereador são compatíveis com sua renda. Mas o parlamentar não conseguiu explicar aos promotores como adquiriu os outros 13 imóveis em nome das empresas.

Por isso, ele passou a ser investigado pelo Gaeco (grupo do Ministério Público especializado em crime organizado) por lavagem de dinheiro.

Miguel começou a ser investigado em junho de 2012 pela Promotoria após Daniela Gonzalez, ex-executiva da BGE, empresa do grupo Brookfield, relatar à Folha o pagamento de propina a ele e a Hussain Aref Saab, ex-diretor da prefeitura, para obter alvarás para shoppings.