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Show de insensibilidade: Manifestação de alguns internautas cristãos sobre a tragédia de Santa Maria provoca repulsa

boatchy (1)

A tragédia no município gaúcho de Santa Maria parou o país e comoveu o mundo. Uma onda de comoção inundou as redes sociais com mensagens de solidariedade. No entanto, algumas vozes cristãs se levantaram e as opiniões emitidas provocaram a revolta de muitos internautas.

Abaixo, outras manifestações de jovens cristãos que estão sendo amplamente divulgadas nas redes. Optei por omitir os nomes. #muitotriste

  • Sinceramente sobre a tragédia em Santa Maria soh tenho mt pena  dos familiares q agora ficam  cm a dor da perda e a saudade em seus coraçoes. E se aquelas pessoas q estavam na boate optassem por outro caminho (“JESUS”) a quantidade de mortos poderia não ser tão significativa.
  • o que seria de mim hoje se estivesse no mundo de pecado cheio de fantasias ilusoes,mais gracas a Deus to aqui pra falar pra todos que seu tivesse neste mundo eu seria um dos que moreram em santa maria… Sabe se Deus onde taria eu,morta? Viva? Com Deus viva!mais se estivesse com o mundo morta..
  • Lamentável, triste e trágico, (tragedia em santa maria) mas a realidade é que lugares onde é palco de pecados de imoralidade, bebedice dentre tantos outros, são lugares sem a proteção de Deus, pois ELE não pode habitar onde o pecado é presente e cortejado… Lembre-se sempre disso.
  • Que essa tragédia em santa maria no Rio Grande do Sul sirva de exemplo para as familias, a Biblia diz que o salario do pecado é a morte mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, o diabo roubou os sonhos de centenas de jovens, desperta jesus é o caminho.
  • Já fui do mundo vivendo nas baladas do mundo e graças a Deus renuncie tudo por amor a cristo e vou lutar pregando contra as baladas pois quando vamos em uma balada nosso anjo da guarda fica na porta e um demônio nós acompanha para dentro e se torna uma comunhão de demônios diz são joão maria vianey e olha oque Deu isso no rio grande do sul ” acorda juventude

dica da Fabiana Zardo e do Alexandre Melo Franco Bahia

Religião e alucinação

GALHO SECO

Ricardo Gondim

Tenho muita pena dos crédulos. Chego a chorar por mulheres e homens ingênuos; os de semblante triste que lotam as magníficas catedrais, na espera de promessas que nunca se cumprirão. Estou consciente de que não teria sucesso se tentasse alertá-los da armadilha que caíram. A grande maioria inconscientemente repete a lógica sinistra do “me engana que eu gosto”.

Se pudesse, eu diria a todos que não existe o mundo protegido dos sermões. Só no “País da Alice” é possível viver sem perigo de acidentes, sem possibilidade da frustração, sem contingência e sem risco.

Se pudesse, eu diria que não é verdade que “tudo vai dar certo”. Para muitos (cristãos, inclusive) a vida não “deu certo”. Alguns sucumbiram em campos de concentração, outros nunca saíram da miséria. Mulheres viram maridos agonizar sob tortura. Pais sofreram em cemitérios com a partida prematura dos filhos. Se pudesse, advertiria os simples de que vários filhos de Deus morreram sem nunca verem a promessa se cumprir.

Se pudesse, eu diria que só nos delírios messiânicos dos falsos sacerdotes acontecem milagres aos borbotões. A regularidade da vida requer realismo. Os tetraplégicos vão ter que esperar pelos milagres da medicina - quem sabe, um dia, os experimentos com células tronco consigam regenerar os tecidos nervosos que se partiram. Crianças com Síndrome de Down merecem ser amadas sem a pressão de “terem que ser curadas”. Os amputados não devem esperar que os membros cresçam de volta, mas que a cibernética invente próteses mais eficientes.

Se pudesse, eu diria que só os oportunistas menos escrupulosos prometem riqueza em nome de Deus. Em um país que remunera o capital acima do trabalho, os torneiros mecânicos, motoristas, cozinheiros, enfermeiras, pedreiros, professoras, terão dificuldade para pagar as despesas básicas da família. Mente quem reduz a religião a um processo mágico que garante ascensão social.

Se pudesse, eu diria que nem tudo tem um propósito. Denunciaria a morte de bebês na Unidade de Terapia Intensiva do hospital público como pecado; portanto, contrária à vontade de Deus. Não permitiria que os teólogos creditassem na conta da Providência o rio que virou esgoto, a floresta incendiada e as favelas que se acumulam na periferia das grandes cidades. Jamais deixaria que se tentasse explicar o acidente automobilístico causado pelo bêbado como uma “vontade permissiva de Deus”.

Se pudesse, eu pediria as pessoas que tentem viver uma espiritualidade menos alucinatória e mais “pé no chão”. Diria: não adianta querer dourar o mundo com desejos fantasiosos. Assim como o etíope não muda a cor da pele, não se altera a realidade, fechando os olhos e aguardando um paraíso de delícias.

Estou consciente de que não serei ouvido pela grande maioria. Resta-me continuar escrevendo, falando… Pode ser que uns poucos prestem atenção.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

imagem: internet