“Cadeia não tem como me segurar”, diz pastor acusado de estupros no Rio de Janeiro

Publicado no UOL

“A cadeia não tem como me segurar”, disse o pastor Marcos Pereira, direto do presídio do complexo de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro, durante uma entrevista exclusiva ao repórter Roberto Cabrini, exibida na noite desta segunda-feira (2), no jornal “SBT Brasil”. A defesa do religioso, acusado de estuprar mulheres de sua própria igreja, alega conspiração.

“Não me sinto preso. Me sinto um homem que está fazendo a vontade de Deus. Se fui conduzindo para um presídio, vou continuar fazendo o mesmo trabalho que faço”, disse o pastor, que acrescentou: “Na hora que a trombeta tocar, o céu se abrir no Oriente e no Ocidente e um homem de branco descer, eu vou desaparecer.”

Além das acusações de estupro, Pereira é investigado por envolvimento com o tráfico, lavagem de dinheiro e participação em homicídio. As investigações sobre o pastor começaram há pouco mais de um ano, a partir de acusações que o coordenador da ONG AfroReggae, José Júnior, fez sobre o suposto envolvimento de Pereira com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Na entrevista, o pastou voltou a negar todas as acusações e chegou a dizer que nunca teve qualquer relação –mesmo que consensual– com qualquer fiel. A defesa completou a afirmação de Pereira e disse que as vítimas teriam sido coagidas a prestar depoimento contra o religioso.

E quanto ao comando dos ataques contra a sede da ONG AfroReggae, no Complexo do Alemão (RJ) –que foi atribuído a ele pelo titular da Dcod (Delegacia de Combate às Drogas), Márcio Mendonça Dubugras–, Pereira também negou. “José Junior me acusa desde 2012, sem prova e sem conteúdo.”

dica do Sidnei Carvalho de Souza

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‘Esperamos que o povo brasileiro nos respeite’, diz médica cubana

Profissionais cubanos do Mais Médicos chegaram a Brasília neste sábado.
Com outros estrangeiros, eles passarão por treinamento de 3 semanas.

Médicos cubanos desembarcam em Brasília neste sábado. (foto: Alexandro Martello/G1)
Médicos cubanos desembarcam em Brasília neste sábado. (foto: Alexandro Martello/G1)

Alexandro Martello, no Bem Estar

Chegaram a Brasília, na noite deste sábado (24), 176 médicos cubanos que vão trabalhar no Brasil pelo programa Mais Médicos. Os profissionais, contratados através de um acordo entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), fazem parte do grupo de 206 cubanos que chegaram no Recife no início da tarde.

Os cinco médicos cubanos que concederam entrevista adotaram um discurso conciliador, disseram que estão no país para trabalhar junto com os profissionais brasileiros, para ajudar à população e avaliaram que o dinheiro não é o mais importante, ficando este em segundo plano.

A médica cubana Jaiceo Pereira, de 32 anos, afirmou que, apesar da idade, tem muita experiência em medicina: desde o quarto ano de formação já trabalha com as famílias de Cuba. “Esperamos toda a ajuda e o apoio de vocês e esperamos que o povo brasileiro nos respeite como respeitamos toda a população. Somente queremos ajudar e apoiar, dar saúde a todas aquelas pessoas que não têm acesso aos serviços médicos”, disse.

Já o médico Oscar Gonzales Martinez, especialista em saúde da família, afirmou que esse trabalho vai estreitar os laços de cooperação. “Queremos trabalhar com os colegas médicos brasileiros.” Sobre as críticas das entidades médicas brasileiras, Martinez afirmou que todas as novidades estão sujeitas a críticas. “Compreendemos isso. Para nós, isso não é importante. O importante é o trabalho junto com o povo brasileiro.”

O médico Alexander Del Toro, que também desembarcou em Brasília, disse estar contente com a vinda para o Brasil. “Não viemos para competir, viemos para trabalhar juntos. Esperamos apoio de todo o povo brasileiro. Desse apoio, necessitamos. Viemos com o coração aberto para vocês, lembrem-se só disso.”

O profissional Angel Lemes Domingues disse ter expectativas muito grandes de oferecer ao povo brasileiro uma boa saúde. “Sem saúde, não tem outra coisa. Só saude é o que faz que a gente fique no máximo de nossa vida. Não importa dinheiro, não importa outra coisa se a gente não tem saúde (…) A gente vem ao Brasil trabalhar junto com os médicos e todos profissionais de saúde do país. Trabalhar junto também com a comunidade do Brasil”, declarou.

Rodolfo Garcia, médico cubano com 26 anos de experiência profissional, disse que a expectativa dos cubanos é fundamentalmente atender à carência das regiões do Brasil que não têm médicos. “Por meio da Opas, soubemos que há muitos municipios carentes de médicos no Brasil. Viemos com muita vontade de trabalhar e fazer as coisas bem. Cuba é um país pobre, que não tem muitos recursos naturais. Mas temos muitos recursos humanos, muitos médicos especialistas que estão com disposição de vir trabalhar junto com vocês”, afirmou.

Manifestações
A chegada dos médicos cubanos a Brasília foi acompanhada por manifestações favoráveis e contrárias. Cerca 25 pessoas entoaram gritos de ordem, como: “Brasil, Cuba, América Central, a luta socialista é internacional”, ou “Cuba sim, yankees não. Vivam Fidel e a revolução” e também “Cubano, amigo, o Brasil está contigo”.

Por outro lado, também houve manifestações contrárias, como a da professora de português Sandra Gomes, do Espírito Santo, que pediu oportunidade para os jovens brasileiros que desejam se formar em medicina. “Os médicos cubanos podem ser um paliativo, mas a solução é formar os nossos jovens. Formar o pessoal do próprio local onde tem carência de médicos”, opinou.

Médicos cubanos chegaram no início da noite deste sábado em Brasília. (foto: Alexandro Martello/G1)
Médicos cubanos chegaram no início da noite deste sábado em Brasília. (foto: Alexandro Martello/G1)

‘Módulo de avaliação’
Nas primeiras três semanas no Brasil, os cubanos participam do chamado “módulo de avaliação”, que inclui um treinamento sobre o sistema de saúde pública brasileiro e língua portuguesa. Também estão nessa preparação os estrangeiros e brasileiros formados no exterior que se inscreveram no programa – na última sexta, estrangeiros chegaram em vários estados do país .

Está prevista para este domingo (25) a chegada de outro grupo de médicos, com 194 profissionais, que também fará escalas em Fortaleza (CE) e no Recife antes de chegar em Salvador (BA).

De acordo com o Ministério da Saúde, esses profissionais serão encaminhados para 701 municípios que não foram selecionados por nenhum médico brasileiro ou estrangeiro, dentro do programa Mais Médicos. O atendimento à população nas unidades básicas de saúde está previsto para começar no dia 16 de setembro.

Apesar de o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) ter afirmado que só emitirá registro para os estrangeiros que se submeterem às provas de revalidação do diploma, conforme regra nacional em vigor, o Ministério da Saúde assegura que esses médicos terão autorização especial para trabalhar por três anos exclusivamente nos serviços de atenção básica para o qual forem destacados.

O Ministério da Saúde informou ainda que esses médicos cubanos já participaram de outras missões internacionais. Todos são especializados em medicina da família e a maioria (84%) tem mais de 16 anos de experiência em medicina.

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Liderado por Marco Feliciano, grupo de deputados vai ao ministro da Justiça pedir por pastor Marcos Pereira

pastor-marcos-pereira-crime-20090902-13-size-598Lauro Jardim, na Veja on-line

Liderados por Marco Feliciano, um grupo de dezessete deputados, boa parte deles evangélicos, conseguiu uma brecha na agenda de José Eduardo Cardozo na semana passada para defender o pastor Marcos Pereira da Silva, preso há três meses sob a acusação de estuprar fieis no Rio de Janeiro.

A bancada criticou a polícia fluminense por falta de isenção e pediu a federalização das investigações. Ouviram um ‘não’ do ministro da Justiça.

Além de Feliciano, eis os nomes dos deputados que defendem o pastor: Pastor Eurico, Francisco Floriano, Adrian Mussi, João Campos, Alexandre Santos, Washington Reis, Jair Bolsonaro, Roberto Lucena, José Olimpio, Leonardo Quintão, Zequinha Marinho, Eduardo da Fonte, Costa Ferreira, Anthony Garotinho, Fernando Jordão, Arolde de Oliveira e Aureo Lídio Moreira Ribeiro.

dica do Israel Anderson

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José Júnior: “Marcos Pereira é uma das maiores mentes criminosas do Rio de Janeiro”

Segundo José Júnior, há risco de inocentes serem mortos

José Júnior, coordenador do AfroReggae, dentro de pousada incendiada da entidade no Complexo do Alemão em 31/07 (foto: Pablo Jacob / O Globo)
José Júnior, coordenador do AfroReggae, dentro de pousada incendiada da entidade no Complexo do Alemão em 31/07 (foto: Pablo Jacob / O Globo)

título original: ‘A situação está muito difícil’, diz fundador do AfroReggae

Elenilce Bottari, em O Globo

RIO – Reconhecido pelo papel de mediador de conflitos, o fundador do AfroReggae, José Júnior, nunca se viu na situação de refém da violência, nem foi ameaçado de morte por chefes do tráfico, com quem sempre negociou a saída de jovens do crime. Mas ele garante que, depois de denunciar o pastor Marcos Pereira (que está preso sob a acusação de estupro), de quem se tornou desafeto, a situação mudou. E, como ele mesmo diz, usando a linguagem do morro: “o bagulho é sério”.

Desde a decisão de reabrir a unidade no Alemão, houve duas novas ocorrências. O risco de um atentado nessas unidades persiste?

Sim, essas unidades ainda estão ameaçadas. E só tende a piorar. Existe o risco de pessoas inocentes serem mortas. E essa é a nossa maior preocupação no momento: preservar vidas. Eles deram oito tiros de fuzil na fachada da pousada (do AfroReggae no Alemão), na noite de terça-feira, na véspera da reabertura, e na quinta atiraram contra a unidade da Vila Cruzeiro. Acredito que essa retaliação vai continuar. Eu tenho recebido informações de autoridades e de moradores da comunidade falando sobre a pretensão de atentarem contra a minha vida.

O AfroReggae vai manter a agenda de crescimento nessas comunidades?

O AfroReggae só cresce. A tendência é ampliar, não por isso, mas porque já estava no planejamento. Espaços para manifestações culturais, tanto em artes cênicas, quanto em artes plásticas e fomento digital. Nós temos a pousada, que vamos inaugurar. A situação está muito difícil, mas acreditamos que esses atentados são parte de um processo de intimidação, já que, pela primeira vez, uma instituição não aceita acatar ordens do narcotráfico.

Uma das bandeiras da ONG é intermediar conflitos em comunidades. Como fica a situação dos coordenadores, que também são ex-traficantes?

Muitos correm risco de vida. Muitos estão receosos, mas nenhum deles pediu afastamento.

E tem alguém neste momento intermediando por eles ou pela permanência da ONG?

Deus. Só Deus. Apesar de atuar negociando com facções rivais, isso nunca tinha acontecido conosco. Mas, desde que denunciamos o pastor Marcos Pereira, as coisas estão difíceis. O que está acontecendo só demonstra que o que nós falamos sobre ele há um ano e meio é a verdade. Ele é uma das maiores mentes criminosas do Rio de Janeiro.

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Beira-Mar deu a ordem de ataque à sede do AfroReggae: ‘Salve para Juninho’

Fernandinho Beira-Mar está na mesma unidade (foto: Guilherme Pinto)
Fernandinho Beira-Mar está na mesma unidade (foto: Guilherme Pinto)

 

Carolina Heringer, no Extra

O suposto acordo entre Luiz Fernando da Costa, Fernandinho Beira-Mar, e Marcio dos Santos Nepomuceno, Marcinho VP, para que as sedes do AfroReggae fossem atacadas, saiu de uma conversa entre os dois, gravada com autorização judicial, na própria penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, onde a dupla cumpre pena. No diálogo, autorizado pela direção da unidade, Beira-Mar diz para Marcinho VP dar um “salve para Juninho (José Junior, coordenador da ONG)”. Desde a última quinta-feira, eles estão isolados como punição pela suspeita de participação nos ataques à sede da entidade, nos últimos dias 16 e 30.

De acordo com o advogado Wellington Corrêa, Beira-Mar está há oito meses num regime diferenciado, no qual qualquer contato, tanto com advogados quanto com familiares, é monitorado com microfones. No regime, Beira-mar não se comunica com outros presos, mas pediu autorização para conversar com VP, o que foi autorizado.

— Foi uma interpretação mal feita do diretor (do presídio) da conversa entre os dois. O Luiz Fernando não tem nada a ver com o Alemão, nem com o pastor Marcos (Pereira). Ele é ateu — argumenta Corrêa.

Procurado, o diretor da penitenciária de Catanduvas, o policial federal Fabrício Bordignon, disse que não falaria sobre o assunto. A assessoria de imprensa do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) informou que os dois traficantes vão ficar em “isolamento preventivo” por dez dias, período no qual continuará sendo apurado se eles tiveram participação nos ataques no Complexo do Alemão.

Fora do estado

— Além de se comunicarem entre si, as ordens ainda são repassadas para fora dos presídios. Isso que precisar ser repensado. Este caso só mostra a necessidade de mantê-los fora do estado. Imagina o que eles fariam se ainda estivessem no Rio de Janeiro, em seu berço criminoso — questiona o promotor André Guilherme de Freitas, da área de execuções penais do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Nome de VP apareceu em represálias

O nome de Marcinho VP já havia sido envolvido nas represálias sofridas pelo coordenador da ONG, José Júnior. Ele disse, ao anunciar que o AfroReggae deixaria o Complexo do Alemão, no último dia 19, que a ordem para os ataques teria partido do pastor Marcos Pereira (preso acusado de estupro) e levado à comunidade pelas irmãs do traficante, que ocupam importantes cargos na Assembleia de Deus dos Últimos Dias, igreja do religioso.

Em pouco mais de duas semanas, sedes do AfroReggae nos Complexos do Alemão e da Penha foram atacadas três vezes. No dia 16 de julho, uma pousada da ONG no Alemão foi incendiada. Duas semanas depois, no dia 30, a sede da entidade foi alvejada por tiros de fuzil. O episódio aconteceu horas antes da reinauguração do núcleo, que havia sido fechado no dia 21, após Júnior alegar que havia sido ameaçado pelo tráfico para encerrar as atividades. O último ataque foi na noite de quinta-feira, dessa vez na Vila Cruzeiro. A sede também foi alvo de disparos.

Já no fim de maio, antes do início de uma corrida organizada pela ONG nas comunidades, traficantes atiraram contra policiais militares, que reagiram, dando início a uma troca de tiros. A Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), em conjunto com a 22ª DP (Penha) está investigando o s episódios.

— Percebe-se que a facção (que domina o Alemão) está insatisfeita com a atuação do AfroReggae por lá. Só não sabemos o porquê. E é fato que tudo só passou a acontecer após a prisão do pastor Marcos (no início de maio)— avalia o delegado Marcio Mendonça, da Dcod.

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