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Os homens preferem, sim, as ‘boazinhas’, diz estudo

Sensibilidade pode ser determinante para garantir segundo encontro, mas mulheres não associam masculinidade a esta característica

Já algumas mulheres percebem um homem sensível como vulnerável e menos dominante

Já algumas mulheres percebem um homem sensível como vulnerável e menos dominante

Publicado em O Globo

A primeira saída com o potencial parceiro pode ser tanto traumática quanto promissora, e determinante para o destino da relação. Um estudo publicado no “Personality and Social Psychology Bulletin” constatou que uma das iniciais e necessárias “faíscas” para garantir o segundo encontro pode ser a sensibilidade às necessidades do parceiro. Isto é, as “boazinhas” são tidas pelos homens como mais atraentes, apontou a pesquisa. E o contrário também ocorre?

Pesquisadores do Centro Interdisciplinar Herzliya da Universidade de Rochester e da Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign, EUA colaboraram em três estudos para observar as percepções de receptividade das pessoas. O quesito “sensível às minhas necessidades” aparecia como prioridade para muitos na hora de encontrar uma companhia – isso aumentaria a atração pelo outro. Vale ressaltar que, para o estudo, uma pessoa receptiva é aquela que apoia as necessidades e os objetivos do outro.

- O desejo sexual prospera com a crescente intimidade, e ser receptivo é uma das melhores maneiras de incutir essa sensação ao longo do tempo – explica o principal autor do estudo, Gurit Birnbaum, que ressalta, no entanto, que um primeiro encontro não é medidor fiel dessa característica, já que um potencial parceiro receptivo pode transmitir significados opostos para diferentes pessoas.

No primeiro estudo, os pesquisadores testaram se a sensibilidade às necessidades do parceiro era uma característica feminina ou masculina, para descobrir se homens e mulheres consideravam essa característica sexualmente desejável numa pessoa do sexo oposto.

Homens que consideraram as parceiras mais receptivas também as classificaram como mais femininas e mais atraentes. Já para as mulheres, a associação entre a receptividade e a masculinidade do parceiro não foi significativa, pelo contrário: foi negativamente associada com a atração pelo parceiro.

Para o segundo estudo, os pesquisadores pediram para que os participantes interagissem com um indivíduo sensível ou insensível do sexo oposto após verem a foto do mesmo (a foto dada para cada participante foi igual). Eles interagiram on-line e discutiram detalhes sobre um atual problema em sua vida. A sensibilidade do indivíduo virtual às necessidades do outro foi manipulada a partir do teor da resposta que davam, como por exemplo, “você deve ter passado por um momento muito difícil”, como uma reação atenciosa, versus “não parece tão ruim para mim”, como uma resposta pouco sensível.

Os homens que interagiram com a reação atenciosa da mulher a consideraram mais feminina ou mais sexualmente atraente. As percepções femininas aparentemente não foram afetadas pela receptividade e refletiram tendências conflitantes entre as diferentes mulheres.

- Algumas mulheres interpretaram a receptividade de forma negativa e se sentiram desconfortáveis; outras perceberam a resposta sensível como atenciosa e, portanto, como desejável em um parceiro para um longo relacionamento – elabora Birnbaum.

O terceiro e último estudo colocou em prova a possibilidade de a receptividade estimular mecanismos motivacionais para os homens que buscam tanto um relacionamento sexual rápido, quanto um relacionamento duradouro. A sensibilidade de uma parceira levou os homens a considerá-la mais feminina, e, consequentemente, mais sexualmente atraente. A excitação sexual intensa, no entanto, estava ligada ao aumento da atração pelo outro e ao maior desejo de desenvolver um longo relacionamento.

O estudo ajuda a explicar por que os homens acham as mulheres sensíveis às suas necessidades mais atraentes, mas não revela os mecanismos que regulam o desejo das mulheres por novas companhias. Nesse sentido, as mulheres não percebem um homem sensível como menos masculino, mas mesmo assim, também não acham um homem sensível mais atraente.

Maioria das pessoas tem dificuldade de ficar a sós com seus pensamentos, diz estudo

O gerente Mateus Escudero, 33, não gosta de ficar sozinho e não lembra qual foi a ultima vez que ficou completamente sozinho em seu apartamento. Fabio Braga/Folhapress

O gerente Mateus Escudero, 33, não gosta de ficar sozinho e não lembra qual foi a ultima vez que ficou completamente sozinho em seu apartamento. Fabio Braga/Folhapress

Juliana Vines, na Folha de S.Paulo

Você prefere ficar sozinho, sem nada para fazer, ou levar pequenos choques? A pergunta pode parecer absurda, mas, de acordo com uma pesquisa publicada neste mês na revista científica “Science”, muita gente prefere levar choques a enfrentar alguns minutos a sós com os próprios pensamentos.

O resultado do estudo, que envolveu 220 voluntários em 11 testes, surpreendeu até seu coordenador, o psicólogo Timothy Wilson, da Universidade da Virgínia (EUA).

“Antes do estudo, pensei que éramos capazes de usar nossos cérebros para gerar pensamentos agradáveis, recuperar lembranças felizes. Mas não foi assim”, disse ele à Folha.

Quando desafiadas a ficar de seis a 15 minutos sem companhia (nem mesmo do celular), 57% das pessoas afirmaram ter dificuldades para se concentrar, 89% disseram que a mente vagou e 49% não gostaram da experiência. Em outro teste, 67% dos homens e 25% das mulheres preferiram levar choques a ficar sós.

“Parece que há uma dificuldade para se distrair com a própria mente. Suspeito que a popularização da tecnologia e dos smartphones é ao mesmo tempo um sintoma e uma causa dessa dificuldade. Hoje temos menos oportunidade para refletir e desfrutar dos nossos pensamentos”, complementa Wilson.

O gerente Mateus Escudero, 33, não gosta de ficar sozinho e não lembra qual foi a ultima vez que ficou completamente sozinho em seu apartamento
O gerente Mateus Escudero, 33, não gosta de ficar sozinho e não lembra qual foi a ultima vez que ficou completamente sozinho em seu apartamento

Para Mateus Escudero, 33, gerente no mercado financeiro, oportunidade não falta, mas vontade sim.

“Moro sozinho, mas não gosto de ficar só. Chego em casa e já ligo a televisão para ter um barulho, então pego o celular e procuro alguém para conversar”, diz.

De acordo com a psicóloga Lívia Godinho Nery Gomes, professora da Universidade Federal de Sergipe, a onipresença da tecnologia soma-se a outro fenômeno, que também ajuda a deixar os momentos reflexivos mais raros: a necessidade de estar sempre disponível.

“Há um apelo muito grande para estar em rede, compartilhar. Quem está de fora sente que está perdendo alguma coisa.”

SEM PENSAR

Para o psicólogo Roberto Novaes de Sá, professor da UFF (Universidade Federal Fluminense), a tecnologia pode até criar mais obstáculos para quem quer ficar só com os próprios pensamentos, mas o fato é que isso nunca foi fácil para a maioria das pessoas.

“Nossa noção de realidade, de estabilidade e segurança é construída socialmente, através das relações com os outros e das ocupações. Quando não estamos inseridos em alguma atividade há um sentimento de não realização, fragilidade e angústia”, afirma.

Segundo a pesquisa, esse sentimento parece afetar mais os homens do que as mulheres, o que não surpreende o sociólogo português José Machado Pais, autor de “Nos Rastos da Solidão” (sem edição no Brasil).

“Homens gostam menos de ficar sós e tendem mais à solidão. As mulheres são mais comunicativas, muitas delas não têm dificuldades em falar ‘sozinhas’. A solidão surge quando não há capacidade de comunicação com os outros ou consigo. O estar só não significa estar em solidão se você está de bem consigo mesmo.”

Mateus concorda que os homens têm mais dificuldades para lidar com a solidão. “Eu já cheguei a ficar mais de três anos em um relacionamento que não era bom porque pensava: ‘Se for para ficar sozinho, melhor ir levando’”, afirma.

A última vez que ele ficou sozinho de verdade, até sem a companhia da TV, foi durante uma noite de insônia. “Tentei não fazer nada, mas comecei a pensar em problemas e piorou. Só consegui dormir quando liguei um filme”, conta.

Não gostar do rumo dos pensamentos é uma das hipóteses levantadas pelos autores do estudo para explicar seus achados.

“É como se a mente nos dominasse e fôssemos absorvidos pelas ideias”, diz a neurocientista Elisa Kozasa, pesquisadora do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein. Para ela, a reflexão só é benéfica para a saúde mental se tiver um método e um objetivo, como na meditação.

Já para a psicóloga Luci Helena Baraldo Mansur, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, tentar ficar só sem se sentir sozinho é fundamental.

“O tempo do silêncio e da quietude é um tempo que conduz à criatividade e não a esse vazio tão temido. É quando podemos ouvir nossa voz interior”, afirma.

Amigos são realmente família, de acordo com estudo genético

friends

Publicado no Hype Science

De acordo com James Fowler, professor de genética médica e ciência política na Universidade da Califórnia (EUA) e coautor do estudo, ao olhar todo o genoma humano, ele descobriu que, de uma maneira geral, é bastante parecido entre amigos. “Nós temos mais DNA em comum com as pessoas que escolhemos como amigos do que com estranhos em uma mesma população”, esclarece.
Que demais, não é?

Detalhes do estudo

O estudo que revela a semelhança genética entre amigos de verdade parte de uma análise de todo o genoma de quase 1,5 milhões de marcadores de variação genética, e se baseia em dados do Framingham Heart Study. O conjunto de dados de Framingham é o maior disponível até o momento, e os autores estão cientes de que ele contém um nível de detalhamento genético e informações sobre quem é amigo de quem.

Para conduzir a pesquisa, os cientistas se concentraram em temas únicos e nada menos que 1.932 pares de comparação de amigos sem grau de parentesco contra pares de estranhos também sem parentesco. As mesmas pessoas, que não eram nem parentes nem cônjuges, foram utilizadas em ambos os tipos de amostras. A única coisa que difere entre os participantes é a sua relação social.
Os resultados não são, segundo os pesquisadores, um artefato de tendência das pessoas de fazerem amizade com pessoas de etnias semelhantes. Os dados de Framingham são dominados por pessoas de origem europeia. Embora isto seja um problema para alguns pesquisadores, pode ser vantajoso para esse estudo em questão, pois todos os sujeitos, amigos ou não, foram geneticamente desenhados a partir da mesma população. Os pesquisadores também controlaram os dados por ascendência, usando as técnicas mais conservadoras atualmente disponíveis.
A observação proposta por esse estudo vai além do que você esperaria encontrar entre as pessoas de herança genética compartilhada. Segundo Fowler, o coautor do estudo, os resultados encontrados são uma “rede de ancestralidade”.

Quão geneticamente similares são os amigos de verdade?

Os pesquisadores encontraram que os amigos de verdade, aqueles amigos do coração, os irmãos que a gente escolhe, têm semelhanças genéticas que equivalem a um grau de parentesco semelhante ao de primos de quarto grau, ou pessoas que têm o mesmo tataravô. Em outras palavras, isso se traduz em cerca de 1% de nossos genes.

Achou pouco?

1% pode realmente parecer pouco, mas, para os geneticistas, esse é um número realmente MUITO significativo. Ainda mais se você pensar que a maioria das pessoas nem sequer sabem quem são seus primos de quarto grau. De certa forma, dá o que pensar. Pense: eu mesma não sei quem são meus primos de quarto grau, mas, por uma acaso do destino, escolhi me relacionar com pessoas que muito bem poderia ter esse grau de parentesco comigo. Essas pessoas poderiam ser da minha família de verdade, sem eu saber disso.

Nível de amizade

No estudo, os pesquisadores também desenvolveram uma escala que chamaram de “nível de amizade”, que eles podem usar para prever as chances de pessoas serem amigas mais ou menos no mesmo nível de confiança que atualmente os cientistas usam para prever as chances de uma pessoa ser obesa ou ter esquizofrenia. Palmas para eles!

Amigos com benefícios

Atributos compartilhados entre amigos ou “parentesco funcional” pode conferir uma variedade de vantagens evolutivas. Algo do tipo se o seu amigo está com frio quando você faz uma fogueira, você dois se beneficiam do fogo. Esse também é o caso de alguns traços que só funcionam se o seu amigo também o tiver. Fowler exemplifica: “O primeiro mutante a falar precisava de alguém para falar com ele. Essa capacidade seria inútil se não houvesse ninguém para compartilhá-la”. Esses tipos de traços em pessoas são uma espécie de efeito de se viver em sociedade.

Porque você e seus amigos não ficam doentes ao mesmo tempo

Além das semelhanças “macro”, os pesquisadores também olharam para um conjunto de genes focados. Assim, eles descobriram uma coisa inusitada: eles acham que os amigos são mais semelhantes em genes que afetam o sentido do olfato.
O oposto vale para os genes que controlam a imunidade.

Ou seja, os amigos são relativamente mais desiguais em sua proteção genética contra várias doenças. A descoberta apoia o que as pessoas têm encontrado recentemente em relação a seus pares. E há uma vantagem evolutiva bastante simples para isso: ter conexões com pessoas que são capazes de resistir a diferentes patógenos reduz sua propagação interpessoal. Mas como é que vamos selecionar as pessoas para este benefício da imunidade? O mecanismo ainda permanece obscuro.

A questão da semelhança entre genes olfativos também segue aberta a debates e precisa de mais pesquisa para que conclusões sejam tiradas. Mas, até o momento, os cientistas supõem que a explicação pode estar no fato de que o nosso sentido de cheiro, quando semelhante, pode nos atrair a ambientes semelhantes. Sendo assim, não é difícil imaginar que pessoas que gostam de café, por exemplo, frequentem lugares com cheiro de café e lá encontrem pessoas que tenham o mesmo gosto – ainda que essa seleção não esteja no plano da consciência.
Cientistas observam também que, provavelmente, existem vários mecanismos que operam de forma paralela, nos guiando para escolher amigos geneticamente similares.

“With a Little Help From Our Friends”

Talvez o resultado mais intrigante do estudo seja que os genes que eram mais semelhantes entre amigos parecem estar evoluindo mais rapidamente do que outros genes. Fowler e sua equipe dizem que isso pode ajudar a explicar por que a evolução humana parece ter acelerado nos últimos 30 mil anos, e sugerem que o próprio ambiente social é uma força evolutiva.
Portanto, fica a melhor dica de todos os tempos: mantenha os amigos por perto. [Phys]

95% dos turistas que vieram para a Copa querem voltar

Estrangeiros permaneceram em média 13 dias no país

Publicado na Época Negócios

Turistas assistem a jogo da Copa do Mundo em São Paulo (foto: Agência EFE)

Turistas assistem a jogo da Copa do Mundo em São Paulo (foto: Agência EFE)

A Copa do Mundo atraiu para o Brasil turistas de 203 nacionalidades, a maioria deles (61%) nunca havia estado no país. As informações fazem parte de um balanço elaborado pelo Ministério do Turismo, em pesquisa na qual 92,3% afirmaram que vieram ao país em função da Copa e 95% declararam intenção de retornar.

Foram ouvidos até o momento 6,6 mil turistas em aeroportos e fronteiras terrestres – o levantamento continua até o dia 23 de julho. O tempo de permanência média no país do turistas estrangeiros foi 13 dias, passando por 378 cidades.

Os brasileiros que circularam pelo país durante a Copa foi superior a 3 milhões, sendo São Paulo o principal Estado emissor de turistas nacionais, como 858.825, seguido por Rio de Janeiro (260.527) e Minas Gerais (220.021).

O Ministério também informou que a hospitalidade e a gastronomia foram os itens mais bem avaliados pelos estrangeiros, com 98% e 93%, respectivamente. A pesquisa ouviu também a opinião da imprensa internacional, que apontou como item mais bem avaliado os atrativos turísticos brasileiros (98,4% de aprovação), além da vida noturna e informações turísticas (96,2%).

Aeroportos
A movimentação nos 21 aeroportos que atenderam demandas da Copa do Mundo de Futebol foi de 16,7 milhões de passageiros, entre 10 de junho e 13 de julho, de acordo com a Secretaria de Aviação Civil. O aeroporto que mais recebeu passageiros (3,81 milhões) foi o de Guarulhos, em São Paulo. Já o aeroporto do Galeão registrou no período 1,8 milhão de passageiros. A lista apresentada pela SAC segue com Brasília (1,66 milhão), Congonhas (1,31 milhão) e Confins (1,1 milhão). O balanço também revela que o índice médio de atrasos acima de 30 minutos foi de 7,03%.