Arquivo da tag: Pesquisa

Bebês choram à noite para… impedir noite romântica dos pais

Segundo estudo, filhos são ‘programados’ para monopolizar atenção dos pais e impedir que tenham forças para tentar outra gravidez

De acordo com autor da pesquisa, nascimento de irmãos mais novos em pouco tempo está ligado a aumento da mortalidade infantil

Bebês choram para impedir que pais tenham energia para tentar outra gravidez (foto: StockPhoto)

Bebês choram para impedir que pais tenham energia para tentar outra gravidez (foto: StockPhoto)

Publicado em O Globo

Pais com bebês pequenos ficam tão cansados que, quando estão na cama, sozinhos, só pensam em dormir. Isso não é novidade e acontece com casais de todas as classes sociais. A novidade é que os bebês fazem tudo de caso pensado. Segundo estudo americano, eles são “programados” para chorar à noite e deixar seus pais exaustos. O motivo? Eles não querem a concorrência de irmãozinhos mais novos.

A pesquisa da Universidade de Harvard afirma que a questão é biológica. O nascimento de um irmão mais novo em curto período de tempo está associado ao aumento da mortalidade infantil, especialmente em famílias com poucos recursos e em locais com surtos de doenças infecciosas.

De acordo com os cientistas, a amamentação durante a noite também é uma adaptação dos bebês na estratégia de não permitir a nova gravidez. Mulheres que dão de mamar de madrugada têm um período de infertilidade maior.

- Noites de vigília aumentam na segunda metade do primeiro ano de vida infantil e são mais comuns em bebês alimentados com leite materno – disse David Haig, biólogo evolucionista e autor do estudo, ao “Daily Mail”. – A seleção natural é preservada … o comportamento de crianças que suprimem a função ovariana das mães acontece pois elas se beneficiam com o atraso do próximo nascimento.

Haig afirma que, apesar de saberem os benefícios da amamentação, muitas mães desconhecem que o fato de dormirem pouco também pode ajudar:

- A fadiga materna pode ser vista como parte integrante da estratégia de uma criança para estender o intervalo entre nascimentos.

Segundo Siobhan Freegard, fundador de um dos maiores sites de paternidade da Inglaterra, é tudo um plano da Mãe Natureza.

- O espaçamento entre irmãos daria mais tempo para a mãe se recuperar do parto e também para a criança se tornar mais independente da amamentação, aumentando suas chances de sobrevivência. Por isso esta pesquisa faz todo o sentido – Analisou Freedard. – A última coisa que novas mães esgotadas querem é pensar em outra gravidez.

Quanto mais tempo no Facebook, mais as mulheres ficam inseguras com a aparência

Segundo estudo, fotos de conhecidos podem influenciar mais na impressão negativa do que as de celebridades

Pesquisaram acompanharam a relação de 881 estudantes do sexo feminino nos Estados Unidos com a rede social (foto: REUTERS/Dado Ruvic/File)

Pesquisaram acompanharam a relação de 881 estudantes do sexo feminino nos Estados Unidos com a rede social (foto: REUTERS/Dado Ruvic/File)

Publicado em O Globo

Passar muito tempo no Facebook olhando as fotos de amigos pode tornar as mulheres inseguras sobre sua imagem corporal, sugere uma nova pesquisa feita por especialistas do Reino Unido e dos Estados Unidos. Quanto mais elas estão expostas a “selfies” e outras imagens semelhantes em mídias sociais, maior é a comparação negativa. Ainda segundo o estudo, as fotos de amigos e conhecidos pode influenciar mais nessa avaliação do que a de celebridades.

O trabalho foi o primeiro a relacionar o tempo gasto em redes sociais à impressão de má aparência corporal. Os resultados apontam que os meios de comunicação são conhecidos por influenciar a forma como as pessoas se sentem sobre sua aparência. No entanto, pouco se sabia sobre o impacto das mídias sociais na autoimagem.

A pesquisa avaliou que as mulheres jovens são grandes usuárias de redes sociais e postam mais fotos próprias do que os homens. Para realizar a avaliação, os pesquisadores da universidade britânica de Strathclyde e das universidades americanas de Ohio e de Iowa pesquisaram 881 estudantes do sexo feminino. Elas responderam perguntas sobre uso Facebook, alimentação, regime, exercícios e imagem corporal.

Conclusões

As conclusões foram apresentadas em uma conferência em Seattle. Não foi encontrada nenhuma ligação entre as redes sociais e transtornos alimentares. No entanto, ficou clara a relação entre o tempo gasto em redes sociais e comparações negativas sobre imagem corporal.

- A atenção aos atributos físicos pode ser ainda mais perigosa nas mídias sociais que na mídia tradicional, pois os participantes são pessoas que conhecemos – descreveu a professora da Universidade de Strathclyde Petya Eckler.

Ela salientou que a imagem corporal é parte fundamental para a formação do nosso senso de identidade, não sendo apenas uma questão de vaidade pessoal.

- A preocupação com o peso e a forma é um fenômeno global e uma das principais características da cultura popular atual. O fascínio com celebridades, seus corpos, roupas e aparência aumentou a pressão que as pessoas normalmente sentem em relação à sua aparência – observou Petya.

Brasil tem 11 das 30 cidades mais violentas do mundo, diz ONU

Maceió está na quinta posição da lista da violência, seguida por Fortaleza, na sétima
Levantamento aponta 437 mil assassinatos em 2012; do total, 36% ocorreram nas Américas

280313cnnMarcelo Remigio, em O Globo

RIO – O Brasil tem 11 das 30 cidades mais violentas do mundo. Levantamento do Escritório sobre Drogas e Crime das Nações Unidas com base em assassinatos ocorridos no ano de 2012 aponta Maceió como a quinta cidade em homicídios por cada 100 mil habitantes. Fortaleza está na sétima posição e João Pessoa, em nono. A América Latina desbancou a África como a região mais violenta. Já Honduras é hoje o país com maior número de assassinatos por 100 mil habitantes. O índice registrado naquele país aponta para o que os pesquisadores chamam de “situação fora de controle”. O segundo país mais violento é a Venezuela, seguido por Belize e El Salvador.

De acordo com a pesquisa da ONU, foram assassinadas 437 mil pessoas em 2012, das quais 36% nas Américas, a maior parte na Central e na do Sul. O Brasil é o país com mais cidades na lista da violência, seguindo pelo México, com seis – ambos são os países mais populosos da América Latina. Venezuela e Colômbia têm três cidades e Honduras e Estados Unidos, duas. Além de Maceió, Fortaleza e João Pessoa, foram listadas pelo levantamento das Nações Unidas Natal (12ª posição); Salvador (13ª); Vitória (14ª); São Luís (15ª); Belém (23ª); Campina Grande (25ª); Goiânia (28ª); e Cuiabá (29ª).

Para os pesquisadores da ONU, o elevado índice de homicídios na América Latina está ligado ao crime organizado e à violência política, que persiste há décadas nos países latinoamericanos. A maior parte das mortes (66%) foram provocadas por armas de fogo. Os cartéis do narcotráfico mexicanos são citados como responsáveis pela violência também em Honduras, El Salvador e Guatemala, países que integram rotas de distribuição de drogas que têm como destino os Estados Unidos. Já na Venezuela, os assassinatos são atribuídos à violência urbana.

Taxas de homicídios acima de 20 por 100 mil habitantes são consideradas pelos especialistas como graves. Em Honduras, são 90,4 homicídios por 100 mil habitantes. Já na Venezuela, a taxa chega a 53,7; em Belize, 44,7; em El Salvador, 41,2; na Guatemala, 39,9; na África do Sul, 31; na Colômbia, 30,8; no Gabão, 28; no Brasil, 25,2; e no México, 21,5. Países em conflitos têm taxas inferiores às da América Latina, como Iraque, no Oriente Médio, onde o índice registrado é de oito para 100 mil habitantes.

As cidades mais violentas do mundo são: San Pedro Sula (Honduras), Caracas (Venezuela), Acapulco (México), Cali (Colômbia), Maceió; Distrito Central (Honduras), Fortaleza; Cidade da Guatemala (Guatemala), João Pessoas, Barquisimeto (Venezuela), Palmira (Colômbia), Natal, Salvador, Vitória, São Luís, Culiacán (México), Guayana (Venezuela), Torreón (México), Kingston (Jamaica), Cidade do Cabo (África do Sul), Chihuahua (México), Victoria (México), Belém, Detroit (Estados Unidos), Campina Grande, Nova Orleans (Estados Unidos), San Salvador (El Salvador), Goiânia, Cuiabá e Nuevo Laredo.

Taxa média de homicídios global é de 6,2 por 100 mil/hab

Segundo o estudo da ONU, cerca de 750 milhões de pessoas vivem em países com as maiores taxas de homicídio do mundo, o que significa que quase metade de todos os homicídios acontece nos países onde moram apenas 11% da população mundial. Europa, Ásia e Oceania, onde estão cerca de 3 bilhões de pessoas, as taxas de homicídios são consideradas relativamente baixas.

A taxa média de homicídios global é de 6,2 por 100 mil habitantes, mas o Sul da África e a América Central registraram mais de quatro vezes esse número, 30 e 26 vítimas por 100 mil habitantes, respectivamente, os números mais altos do mundo. Enquanto isso, com taxas cerca de cinco vezes menores do que a média global, Ásia Oriental, sul da Europa e Europa Ocidental registraram os níveis mais baixos de homicídio em 2012. Ainda de acordo com a pesquisa, os níveis de homicídios no norte da África, na África Oriental e em partes do sul da Ásia estão aumentando em meio à instabilidade social e política. Já a África do Sul apresenta tendência de queda das taxas de homicídio: os assassinatos caíram pela metade, de 64,5 por 100 mil habitantes em 1995 para 31 por 100 mil habitantes em 2012.

Os homicídios ligados ao crime organizado, gangues e facções representam 30% de todos os assassinatos da América, em comparação com menos de 1% na Ásia, Europa e Oceania. Ainda que picos de homicídio estejam muitas vezes ligados a este tipo de violência, a América tem níveis de homicídio cinco a oito vezes maiores do que a Europa e a Ásia desde a década de 1950, aponta a ONU.

Cerca de 80% das vítimas de homicídio são homens, assim como 95% dos autores dos crimes; 15% de todos os assassinatos resultam de violência doméstica e a maioria (70%) das vítimas domésticas são mulheres. Mais da metade das vítimas de homicídios têm menos de 30 anos de idade, com crianças menores de 15 anos de idade representando pouco mais de 8% de todos os homicídios.

ONU confirma dados sobre violência divulgados por ONG mexicana

A pesquisa da ONU confirma dados sobre violência apresentados em levantamento elaborado pela ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal AC divulgado em março deste ano. Segundo a pesquisa mexicana, o Brasil é o país com mais municípios no ranking: 16; e Maceió a quinta cidade mais violenta do mundo. O México aparece em segundo, com nove. Apenas sete cidades da lista não estão na América Latina: quatro dos Estados Unidos (Detroit, Nova Orleans, Baltimore e Saint Louis) e três da África do Sul.

O levantamento leva em conta a taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes no ano passado. De acordo com a ONG, foram levantados dados disponibilizados pelos governos em suas páginas na internet e consideradas só cidades com mais de 300 mil. Essa foi a quarta edição do ranking. Dos 16 municípios do Brasil no ranking das cidades mais violentas do mundo, seis vão receber jogos da Copa do Mundo: Fortaleza, Natal, Salvador, Manaus, Recife e Belo Horizonte.

As brasileiras da lista mexicana

Maceió (5ª colocada) – 79,76 homicídios por 100 mil habitantes; Fortaleza (7ª) – 72,81; João Pessoa (9ª) – 66,92; Natal (12ª) – 57,62; Salvador (13ª) – 57,51; Vitória (14ª) – 57,39; São Luís (15ª) – 57,04; Belém (16ª) – 48,23; Campina Grande (25ª) – 46; Goiânia (28ª) – 44,56; Cuiabá (29ª) – 43,95; Manaus (31ª) – 42,53; Recife (39ª) – 36,82; Macapá (40ª) – 36,59; Belo Horizonte (44ª) – 34,73 e Aracaju (46ª) – 33,36.

A internet vai acabar com a sua fé?

Reinaldo José Lopes, na Folha de S.Paulo

A popularização do uso da internet é uma das principais causas para a diminuição vertiginosa da religiosidade dos americanos dos anos 1990 para cá.

Ou ao menos é o que diz uma nova pesquisa, divulgada pela “Technology Review”, revista do MIT, e enviada para este escriba por Rafael Garcia, o homem mais gato do jornalismo científico brasileiro e autor do blog “Teoria de Tudo” nesta Folha, o qual, além de ser másculo, pai de família e grande repórter, também faz às vezes de meu pauteiro de quando em quando. Será que tem a ver mesmo?

Bem, vamos aos fatos. Primeiro, uma olhada rápida no gráfico abaixo.

religioTraduzindo rapidinho no texto mesmo (já que eu faltei da aula de Photoshop), o gráfico de cima mostra a evolução da porcentagem de usuários da web na população americana de 1990 a 2010. O de baixo mostra a porcentagem de pessoas “não afiliadas” — ou seja, que declaram não pertencer a nenhuma igreja ou grupo religioso específico.

Note bem: isso NÃO significa que quase 20% dos americanos eram ateus ou agnósticos em 2010. Significa, isso sim, que eles não se identificavam como pertencentes a nenhum grupo religioso em especial. Boa parte dessa galera provavelmente diria que acredita em Deus, ou até em Jesus.

Beleza, adiante então. Na pesquisa — que ainda não foi publicada, mas pode ser acessada publicamente no diretório online arXiv clicando aqui –, o cientista da computação Allen Downey, da Faculdade Olin de Engenharia (Massachusetts, EUA), usou dados demográficos americanos para tentar achar correlações entre vários fatores, entre eles o nível educacional, a criação religiosa no âmbito familiar e, claro, o uso da internet.

O que a pesquisa fez, portanto, foi basicamente usar métodos estatísticos para ver quais fatores variavam juntos — ou seja, a probabilidade de mudanças num deles estarem associadas a mudanças em outro.

O trabalho mostrou — o que, aliás, não é nada surpreendente — que há uma correlação entre ser criado numa família que segue determinada tradição religiosa e acabar seguindo essa religião quando adulto. Tanto que, como hoje há mais pessoas não recebendo esse tipo de criação nos EUA, isso parece ter influenciado o aumento de “não afiliados”. Do ponto de vista estatístico, esse fator responderia por 25% desse aumento (ou da queda no número de religiosos tradicionais, tanto faz).

Também houve um aumento do número de pessoas com formação universitária — de 17% nos anos 1980 para 27% nos anos 2000 –, o qual, estatisticamente, também poderia explicar 5% do aumento de “não afiliados”.

As mesmas técnicas estatísticas, porém, também indicam a correlação entre “desafiliação” religiosa e uso da internet, uma das variáveis que mais brutalmente mudou de 1990 para cá, como a gente está careca de saber. A variável explicaria 25% das alterações de “religioso” para “não afiliado”.

Beleza. Agora repetida comigo, bem devagar, o mantra mais importante já inventado desde “Auuuuum”, que é o seguinte: correlação não é causação. Correlação não é causação. Mais mil vezes, por favor.

Falando sério, esse mantra é importantíssimo porque o fato de duas coisas “co-variarem” (variarem juntas) muitas vezes não significa que uma seja a causa da outra. Pode haver uma terceira causa aí no meio. E é preciso achar um mecanismo conectando os dois fatores caso você queira mesmo provar que um causa o outro.

Allen Downey propõe que a internet permitiu que pessoas de meios religiosos mais fechados pudessem ter contato com pessoas e informações fora de seu círculo, facilitando que eles deixassem de lado sua visão tradicional sobre temas de fé. É bastante razoável, mas difícil de provar, e longe de estar provado, claro.

Um “experimento natural” interessante pode acontecer aqui mesmo no Brasil, aliás. Hoje, dependendo de como se faz a conta, temos entre um terço e metade da população usando internet, e apenas uns 8% — no máximo — de “não afiliados”. Conforme o uso da web se universaliza por aqui, como se deu nos EUA, vai ser interessante descobrir se a tese do pesquisador continua de pé.

Sexo é a chave para um casamento feliz

foto: flickr.com/paranormart

foto: flickr.com/paranormart

Carol Castro, na Superinteressante

Sexo é mesmo o termômetro do relacionamento. E é melhor praticá-lo do que dizer mil vezes “eu te amo” todo dia. É o que garante a ciência.

Pesquisadores da Universidade de Chicago entrevistaram 732 casais, entre 57 e 85 anos, para saber com que frequência faziam sexo. Descobriram que os casamentos mais felizes eram aqueles em que os casais ainda transavam bastante. E o relacionamento saudável ainda deixava os parceiros menos doentes.

“Os resultados sugerem que para proteger a qualidade do relacionamento, pode ser importante manter a vida sexual ativa, mesmo se problemas de saúde prejudicarem”, conclui a pesquisa.

Faz sentido, não?