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São Paulo vai adotar a “bolsa crack” para dependentes químicos

Programa está em fase de finalização no governo paulista e prevê auxílio de R$ 1.000 mensais a famílias de viciados

Usuários de crack são recolhidos, voluntariamente, nas ruas de São Paulo por uma organização que tem convênio com o Governo do Estado (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Usuários de crack são recolhidos, voluntariamente, nas ruas de São Paulo por uma organização que tem convênio com o Governo do Estado (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Alberto Bombig, na Época

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), está prestes a concluir um novo pacote de medidas para combater a violência e o avanço das drogas no Estado. Entre as principais medidas estará a transferência direta de dinheiro para famílias de dependentes de crack e o incremento de 6.500 policiais no patrulhamento das ruas.

A ação de combate às drogas será semelhante à adotada pelo governo tucano de Minas Gerais, o Cartão Aliança pela Vida. A iniciativa está sendo chamada dentro do próprio governo paulista de “bolsa crack” ou “cartão crack” porque a transferência de renda deverá ser feita por meio de um cartão similar aos utilizados no sistema bancário. O cartão tornará disponível a quantia de R$ 1.000 mensais para as famílias dos dependentes (em Minas o valor é de R$ 900). No total, até 10 mil famílias poderão ser beneficiadas em São Paulo.

Os detalhes finais do programa estão sendo preparados pela Secretaria de Desenvolvimento Social, comandada por Rodrigo Garcia. Como contrapartida, o dinheiro terá de ser utilizado pelas famílias em ações que envolvam e complementem o tratamento dos dependentes.

Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha e divulgada na semana passada mostrou que 45% dos paulistanos apontam o envolvimento de jovens da família com tóxicos como seu maior medo, seguido do temor da violência urbana. No começo deste ano, o governo paulista deu início à internação compulsória dos viciados em crack, que também foi respaldada pela população conforme outra pesquisa. O “cartão crack” será, segundo o Palácio dos Bandeirantes, uma medida complementar ao programa de internação. Ambos devem fazer parte do “atendimento diferenciado aos dependentes químicos”, uma das bandeiras do governador.

No final do ano passado, a prefeitura do Rio de Janeiro também anunciou o lançamento da ajuda financeira a dependentes, mas a iniciativa até agora não foi colocada em prática.

Policiamento

No âmbito do combate à violência, o pacote, também a ser anunciado nos próximos dias, vai colocar nas ruas cerca de 6.500 policiais a mais – 5.000 da Polícia Militar e 1.500 da Polícia Civil. O modelo a ser utilizado para o aumento do efetivo no patrulhamento será o da Operação Delegada, que já existe e prevê parcerias do Estado com as prefeituras e ficou conhecido como “bico legalizado” porque permite aos PMs desempenharem funções de atribuição do município nos dias de folgas.

A ideia em curso no Palácio dos Bandeirantes é criar uma Operação Delegada em que o próprio Estado pague para os policiais trabalharem em suas horas de folga sem precisar da parceria com as prefeituras.

dica do Guilherme Massuia

Estudo garante que dinheiro traz felicidade

Ilustração: Studio Instant Press

Ilustração: Studio Instant Press

Publicado por AFP [via UOL]

O dinheiro traz felicidade e ter mais dinheiro deixa as pessoas mais felizes, independentemente de já terem o suficiente para se manter, garantem cientistas especializados em economia.

Embora o vínculo entre dinheiro e bem-estar não surpreenda, o novo estudo contradiz pesquisas anteriores que sugeriram que este efeito diminuía acima de um certo nível de renda, que permite às pessoas atenderem às suas necessidades básicas.

Os economistas da Universidade de Michigan Betsey Stevenson e Justin Wolfers afirmam em seu artigo, pulicado na edição de maio do periódico ‘American Economic Review, Papers and Proceedings’, que não há evidências de um ponto “de satisfação” na equação dinheiro-felicidade.

“Não encontramos evidências de um ponto de satisfação”, escreveram.

“O vínculo entre renda e bem-estar que encontramos quando examinamos apenas os pobres é semelhante àquele encontrado quando examinamos apenas os ricos”, destacaram.

Eles descobriram que o vínculo é válido “ao se fazer comparações cruzadas entre países ricos e pobres assim como ao se fazer comparações entre pessoas ricas e pobres de um país”.

O estudo é o mais recente de um campo que rende muita discussão e parece contradizer uma teoria denominada “Paradoxo de Easterlin”, desenvolvida em 1974 por Richard Easterlin, que está na Universidade do Sul da Califórnia.

A pesquisa de Easterlin, baseada em consultas feitas no Japão, sugeria um pequeno ou nenhum aumento na felicidade nacional apesar do milagre econômico que o país viveu após a Segunda Guerra Mundial.

Estudos posteriores apontaram para uma renda anual nos Estados Unidos de US$ 75.000 e em países pobres numa faixa entre US$ 8.000 e US$ 25.000, além da qual o dinheiro não impactaria mais o bem-estar.

Mas Stevenson e Wolfers afirmaram que a pesquisa demonstrou que o Paradoxo de Easterlin e teorias similares simplesmente estão equivocadas.

“Se houver um ponto de satisfação, ainda não o alcançamos”, afirmaram.

“Nós não encontramos evidências de uma quebra significativa, tanto na relação felicidade-renda, quanto na relação satisfação-renda, mesmo com rendas anuais acima do meio milhão de dólares”, acrescentaram.

Stevenson e Wolfers usaram dados de três diferentes estudos cruzados entre países, incluindo a consulta Pew Global Attitudes, a pesquisa Gallup World Poll e o International Social Survey Program.

“Eles demonstram uma clara relação entre o nível médio de bem estar em um país com sua renda média”, escreveram.

“Enquanto os ganhos com a renda ficam mais lentos à medida que os países enriquecem, eles nunca desaparecem. Dobrar a renda de um país tem o mesmo impacto no bem estar de seus cidadãos, independente do ponto inicial”, emendaram.

Stevenson e Wolfers, que também é um membro não residente da Brookings Institution, têm feito estudos nesta área há anos e a última pesquisa sustenta suas conclusões de um estudo de 2008.

“Enquanto à ideia de que há algum nível crítico de renda além do qual a renda não impacta mais o bem-estar (…) trata-se de algo em desacordo com os dados”, concluíram.

Ser obeso aos 20 anos duplica o risco de morrer antes dos 55

Publicado originalmente no UOL

Jovens obesos apresentam risco oito vezes maior de ter diabetes e quatro vezes maior de ter um coágulo sanguíneo fatal em relação a quem tem peso normal

Jovens obesos apresentam risco oito vezes maior de ter diabetes e quatro vezes maior de ter um coágulo sanguíneo fatal em relação a quem tem peso normal

Jovens que estão obesos aos 20 e poucos anos têm um risco significativamente maior de ter doenças graves e não chegar aos 55 anos de idade. É o que mostra um estudo publicado nesta terça-feira (30) pelo British Medical Journal Open.

Há muito se sabe que a obesidade durante a fase adulta aumenta o risco de ter diabetes e doenças cardiovasculares mais tarde, mas até agora não estava claro se o excesso de peso adquirido já na juventude poderia elevar ainda mais essa propensão.

Pesquisadores rastrearam a saúde de 6.500 dinamarqueses do sexo masculino que estavam com 22 anos em 1955. Os jovens que participaram da pesquisa tinham passado por exames para o serviço militar, portanto os pesquisadores puderam analisar dados como peso, condições físicas e psicológicas.

A maioria, ou 83%, estava com o peso considerado normal (ou seja, com Índice de Massa Corporal entre 18,5 e 25). Mas 97 dos jovens (ou 1,5%) apresentavam obesidade (Índice de Massa Corporal de 30 ou mais). Aos 55 anos, quase a metade havia sofrido patologias diversas (como diabetes, hipertensão, trombose, ou infartos), ou havia morrido.

Os resultados indicam que jovens obesos apresentam risco oito vezes maior de ter diabetes em relação aos indivíduos com peso normal, e quatro vezes maior de sofrer tromboembolismo (coágulo sanguíneo que pode levar à morte). Além disso, eles têm duas vezes mais propensão a ter pressão alta, sofrer um ataque cardíaco ou morrer.

Cada unidade a mais no Índice de Massa Corporal representa um risco 5% maior de ataque cardíaco, 10% maior de pressão alta e tromboembolismo, e 20% maior de diabetes, de acordo com a pesquisa.

“A morbidade e a mortalidade relacionadas à obesidade vão colocar uma carga sem precedentes sobre os sistemas de saúde em todo o mundo nas próximas décadas”, concluem os autores.

Casamento feliz engorda e divórcio emagrece, diz estudo

Falta de motivação para buscar novos parceiros influencia no ganho de peso (Foto: Getty Images)

Falta de motivação para buscar novos parceiros influencia no ganho de peso (Foto: Getty Images)

Publicado originalmente no Terra

Uma pesquisa com 320 recém-casados descobriu que quanto mais felizes eram, mais peso ganhavam. A falta da motivação para encontrar um novo parceiro também contribui para os quilos a mais, de acordo com o estudo que foi feito em quatro anos. As informações são do site Female First.

A psicóloga Andrea Meltzer, que liderou o estudo, disse: “em média, os cônjuges que estavam mais satisfeitos com o casamento ganharam mais peso ao longo do tempo”. “Em contraste, casais que estavam menos satisfeitos em suas relações tendem a ganhar menos peso ao longo do casamento”, comparou.

Aqueles que ficaram juntos tendem a engordar, enquanto o divórcio foi associado com perda de peso.