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Publicidade: viral brasileiro é o mais visto de todos os tempos

Publicado originalmente no Terra

O vídeo da campanha “Dove Beleza Real Sketches” foi o viral (vídeo que se propaga pela internet) mais visto de todos os tempos, com 114 milhões de visualizações no YouTube em 35 dias, de acordo com informações da agência brasileira Ogilvy, responsável pela propaganda.

A campanha, que apresenta duas imagens feitas por um desenhista profissional que faz retratos falados para a polícia americana, mostra que as mulheres em geral se caracterizam de uma forma mais feia do que são vistas por outras pessoas. O vídeo foi visto em 25 idiomas em 33 canais do YouTube.

Segundo informações da assessoria de imprensa da agência, a campanha foi totalmente concebida no Brasil para a Dove global e, por isso, o vídeo original foi feito em inglês. A propaganda foi gravada na cidade americana de São Francisco, com moradores locais.

O anúncio da Dove bateu o anteriormente mais visto – os bebês da Evian, com 111 milhões de visualizações. “No momento em que o vídeo foi enviado para a página do YouTube rapidamente começou a ganhar força em todo o mundo com homens, mulheres, a mídia e até mesmo de outras marcas que compartilham o filme”, disse Fernando Machado, vice-presidente da empresa em comunicado. “A campanha provocou uma reação emocional em milhões de pessoas e os inspirou a compartilhar a mensagem positiva com os outros”, completa.

Tornado em Oklahoma: John Piper, Papa Francisco e a ateia

No início de 2012, John Piper cunhou uma frase que circulou bastante nas redes sociais: “Uma das maiores utilidades do Twitter e do Facebook será provar no Último Dia que a falta de oração não era por falta de tempo”. O conferencista e escritor costuma usar as redes para espalhar suas convicções e também para alfinetar gente cujo pensamento é diferente dos seus, como no caso do celebérrimo “farewell Rob Bell”.

Com quase 500 mil seguidores no Twitter, Piper deu uma bola fora no microblog após o tornado que devastou Oklahoma. Em vez de consolar as famílias, ele tuitou um trecho do primeiro capítulo do livro de Jó: “Seus filhos e suas filhas estavam num banquete, comendo e bebendo vinho, quando, de repente, um vento muito forte atingiu a casa, que desabou, e todos morreram”.

tuitejpA repercussão foi tão negativa que ele apagou o tuíte e tentou se explicar (em vão) em outro post. Um pouco mais à frente nas Escrituras, texto bíblico adverte: “A palavra proferida no tempo certo é como frutas de ouro incrustadas numa escultura de prata” (Provérbios 25.11 -NVI). #dica

Postura bem diferente teve o Papa Francisco. Ele também usou o Twitter, no entanto o fez para manifestar solidariedade às pessoas atingidas pelo tornado: “Uno-me a dor das famílias que perderam seus entes queridos, muitos deles crianças, no tornado em Oklahoma. Oremos por eles”, escreveu o Papa em sua mensagem em inglês e espanhol.

papa

Um âncora da CNN também protagonizou um momento constrangedor durante a cobertura da tragédia. No final da entrevista com uma sobrevivente da cidade de Moore, Wolf Blitzer perguntou se ela agradecia a Deus pela decisão correta tomada numa fração de segundo e que a livrou junto com a filhinha de 19 meses. Meio sem graça, Rebecca Vitsmun respondeu que era ateia. E completou: “Nós estamos aqui, e eu não culpo ninguém por agradecer ao Senhor”. Pano rápido.

dica do Nelson Costa Jr.

Juiz de paz do Pará pede demissão para não celebrar casamento LGBT

Nomeado para o cargo há sete anos, José Gregório Bento, 75 anos, há mais de quatro décadas é pastor da Igreja Assembleia de Deus.

Juiz de paz José Gregório prefere se demitir a celebrar casamento gay em Redenção, no Pará. (Foto: João Lúcio/Arquivo pessoal)

Juiz de paz José Gregório prefere se demitir a
celebrar casamento gay em Redenção, no Pará. (Foto: João Lúcio/Arquivo pessoal)

Publicado originalmente no G1

O juiz de paz do Cartório do Único Ofício de Redenção, sudeste do Pará, pediu demissão do cargo após decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que obriga os cartórios a realizarem casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ele alega que “o casamento homoafetivo fere os princípios celestiais”.

Nomeado para o cargo há sete anos, José Gregório Bento, 75 anos, há mais de quatro décadas é pastor da Igreja Assembleia de Deus, e trabalha como voluntário no cartório civil da cidade, fazendo conciliações e celebrando casamentos.

Segundo o pastor, ele protocolou a demissão porque se recusa a obedecer a decisão CNJ, publicada no último dia 14 de maio, que obriga os cartórios de todo o país a celebrar o casamento civil e converter a união estável homoafetiva em casamento.

“Deus não admite isso. Ele acabou com Sodoma por causa desse tipo de comportamento”, declarou José Gregório. “Acho essa decisão horrível. Ela rompe com a constituição dos homens, mas não vai conseguir atingir a constituição celestial”, completa.

Segundo Gregório, ele recebeu a notificação de que não poderia se recusar a fazer casamentos homoafetivos nesta segunda-feira (20) mas afirmou que, desde a publicação da decisão da Justiça, já havia tomado a decisão de abrir mão do cargo. “Não há lei dos homens que me obrigue a fazer aquilo que contrarie os meus princípios”, alega. “Existe ai uma provocação para um grande tumulto no nosso país. Deus fez o homem e a mulher para a procriação, para reproduzir. Não sei onde vai chegar isso”, questiona.

O pastor afirma ainda que solicitou a demissão ao titular do cartório, Isaulino Pereira dos Santos Júnior, mas que o tabelião pediu que ele permanecesse no cargo. “Ele me pediu para eu ficar e disse que caso alguém solicitasse o pedido de casamento homoafetivo, outro juiz de paz seria chamado para realizá-lo. Mas aqui, graças a Deus,  ainda não chegou ninguém pedindo o casamento homoafetivo”.

Cartório nega discriminação
Procurado pelo G1, o titular do cartório civil de Redenção negou a versão do pastor. “De fato, ele pediu afastamento do cargo na quarta-feira passada (15), alegando que iria mudar de cidade para cuidar da esposa que estaria internada na UTI de Goiânia, mas não falou nada sobre se recusar a fazer casamentos entre pessoas do mesmo sexo”, alegou Isaulino.

Ainda de acordo com o titular do cartório, caso o pastor tivesse pedido exoneração porque não aceita o casamento homoafetivo, ele seria imediatamente afastado do cargo. “Eu iria acatar o afastamento, porque não pode haver discriminação. Caso ele queira sair por esse motivo, eu vou solicitar imediatamente ao juiz da comarca outro juiz de paz”, afirma Santos Júnior, que garante ainda que o pastor não entregou ao cartório nenhuma solicitação oficial de demissão do cargo.

Segundo o presidente da Associação dos Magistrados do Pará (Amepa), Heyder Ferreira, o juiz de paz pode pedir demissão se discordar de uma decisão do CNJ. “Se ele continuar no cargo, é obrigado a cumprir a determinação, mas por ser voluntário, não podemos impor. O cartorário, em compensação, é obrigado a cumprir a determinação”, explica.

De acordo com o último levantamento realizado pelo IBGE, no Censo 2010, 1.782 pessoas declararam viver em casamento entre pessoas do mesmo sexo no Pará.

Metade das pessoas checa e-mails na cama antes de dormir, diz estudo britânico

Segundo a consultora Katie Toll, da Future Foundation, os dados obtidos indicam que as pessoas não encaram mais a hora de dormir como um tempo para relaxar.

Na faixa etária entre 16 e 24 anos, 87% dos entrevistados afirmaram acessar a internet momentos antes de dormir

Na faixa etária entre 16 e 24 anos, 87% dos entrevistados afirmaram acessar a internet momentos antes de dormir

Publicado originalmente no UOL

Uma pesquisa feita com adultos entre 16 e 34 anos no Reino Unido revela que metade deles admite checar e-mails em seus smartphones, tablets e notebooks enquanto estão na cama, pouco antes de dormir. Entre as pessoas que admitiram ter o hábito noturno, uma em cada dez disse fazer isso todos os dias.

Ainda de acordo com esse estudo feito pela consultoria Future Foundation, quanto mais jovens são as pessoas, mais “viciadas” ficam em se manter conectadas. Na faixa etária entre 16 e 24 anos, 87% afirmaram acessar a internet momentos antes de dormir. O estudo revelou também que sete entre dez dos entrevistados nunca desligam seus celulares.

Segundo a consultora Katie Toll, da Future Foundation, os dados obtidos indicam que as pessoas não encaram mais a hora de dormir como um tempo para relaxar. “É uma hora para se conectar por múltiplos dispositivos”, diz.

O problema, prossegue Katie, é a fusão cada vez maior entre trabalho e vida pessoal, com a tecnologia ajudando a acabar com o limite entre os dois. Com isso, a consultora analisa que será necessário aos governos a criação de leis para coibir a prática e que as empresas passem a oferecer horários de trabalho mais flexíveis.

Conheça a história do homem que viveu por 6 anos achando ser uma galinha

Após viver seis anos em um galinheiro em um vilarejo no interior de Fiji, o órfão Sujit Kumar foi adotado pela australiana Elizabeth Clayton

Sujit passou muitos anos sem ver outras pessoas Foto: thehappyhometrust.com / Divulgação

Sujit passou muitos anos sem ver outras pessoas
Foto: thehappyhometrust.com / Divulgação

Liz Lacerda, no Terra

Em um remoto vilarejo no interior de Fiji, o arquipélago composto por mais de 300 ilhas no Pacífico sul, um menino cresceu com as galinhas. Sujit Kumar perdeu os pais ainda criança. A mãe cometeu suicídio e o pai foi assassinado logo depois. Sem saber o que fazer com o menino, os avós colocaram o garoto no galinheiro, no andar debaixo da casa. Lá, ele viveu por seis anos.

O menino dormia no poleiro, se alimentava com as galinhas e aprendeu a andar e a se comunicar como os animais. Sujit Kumar nunca foi ensinado a falar, mas sabe cacarejar. Ele sacode a cabeça e cisca como os galináceos. Durante toda sua vida, pegou a comida com a boca em formato de bico ou as pontas dos dedos unidas, tentando imitar os bichos ao “bicar” os alimentos.

Sujit Kumar, o garoto-galinha, e Elizabeth Clayton, a australiana que o adotou Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

Sujit Kumar, o garoto-galinha, e Elizabeth Clayton, a australiana que o adotou
Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

Sujik Kumar não tinha contato com o mundo exterior. Sua família e seus amigos eram as aves com quem conviveu até ser removido pelo poder público, aos 8 anos de idade. Era para ser a salvação do menino, mas a mudança se transformou em outro triste capítulo de sua história. No final dos anos 70, Fiji não tinha orfanato.

Sem chances de ser adotado por causa do seu comportamento, Sujit foi colocado em um asilo de idosos. Ele praticamente não havia visto gente durante a maior parte da vida; então, muitas vezes, se tornava agressivo. Por isso, ficou os 22 anos seguintes preso à cama, amarrado com lençóis. As cicatrizes ainda estão bem claras em volta de sua cintura. Sujit passou o final da infância, a adolescência e grande parte da vida adulta dentro do quarto. Era ali que comia e fazia suas necessidades.

Elizabeth diz que o seu maior sonho é que Sujit consiga falar Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

Elizabeth diz que o seu maior sonho é que Sujit consiga falar
Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

No final de 2002, a visita de um grupo do Rotary Clube seria o começo de uma nova vida para o “garoto-galinha”, como ficou conhecido pela comunidade. Elizabeth Clayton fazia parte da comitiva que foi doar mesas de plástico para a instituição. A australiana era uma empresária de sucesso, que fez fortuna fabricando e exportando móveis em Fiji, para onde tinha se mudado há dez anos. Poucos meses antes do encontro com Sujit, ela ficou viúva. O marido Roger Buick morreu tentando escalar o monte Everest.

Vida nova
Elizabeth nunca esquece o primeiro momento em que viu o rapaz. “Ele estava tão debilitado e mal-tratado. Apanhou no rosto e tinha os dedos inchados, além dos dentes e o nariz quebrados. Quando o vi, eu não sabia se era uma criança ou um homem. Sua aparência era decrépita. A barba estava longa e as pessoas pensavam que ele era selvagem”, recorda. Naquele momento, ela tomou a decisão que mudaria também seu próprio destino. “Eu vi um brilho nos olhos dele. Não podia simplesmente virar minhas costas”, declarou.

As frequentes visitas ao asilo aumentaram o vínculo entre os dois, até que Elizabeth decidiu levar o garoto para morar com ela. Precisou de muito amor e paciência para superar a fase inicial. “Ele ‘bicava’ a parede e coisas assim. Sujit também não conseguia dormir na cama; então, se levantava e se empoleirava na cadeira, por exemplo”, conta.

Da mesma forma, o rapaz usaria o vaso sanitário. Algumas vezes, o comportamento era violento. “Ele me mordia, me arranhava e me empurrava. Meu maior sonho é que ele seja independente nos seus hábitos pessoais. Assim, conseguirá escovar seus dentes, ir sozinho ao banheiro e até se barbear. Meu maior sonho, na verdade, é que ele consiga falar”, diz.

Para se dedicar totalmente a Sujit, Elizabeth vendeu o negócio e viajou com o garoto para a Austrália, onde consultou diversos especialistas: fonoaudiólogos, patologistas, professores de educação especial, neurologistas. Sujit Kumar sofre de epilepsia.  

“Por causa das crises, os familiares pensaram que era um espírito demoníaco e daí quiseram se livrar dele. Lá (em Fiji), as pessoas pensam que o espírito do mal é a causa dos problemas da família”, explica. “Ele era muito selvagem quando criança. Você não pode controlá-lo, porque ele tem problemas mentais, quero dizer, epilepsia. Ele não entende nada, não pode falar”, conta o primo Bob Kumar.

Casa Feliz
A dedicação de Elizabeth ao garoto recebeu críticas e enfrentou resistências. O irmão da australiana chegou a dizer que era uma “perda de tempo, porque Sujit é animalesco e não vai melhorar”. Já  governo de Fiji tirou o rapaz da casa dela. “Eles não me deram nenhuma explicação. Fiquei devastada e chorei muito. Eles não perceberam a importância do nosso vínculo. Tinha que lutar por ele e acabei nos tribunais”, recorda. No dia do julgamento, Sujit correu para os braços dela e o juiz acabou concedendo a custódia.

Elizabeth teve de lutar nos tribunais para ficar com Sujit Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

Elizabeth teve de lutar nos tribunais para ficar com Sujit
Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

A história da australiana ajuda a explicar tamanha devoção. Ela era casada, mas nunca viveu na mesma casa com o marido. Eles tinham um acordo em relação à filha. A mãe cuidaria da menina até os 12 anos de idade e Roger Buick assumiria a menina dos 12 aos 18 anos. Quando acabou o prazo, Elizabeth se mudou para Fiji.

“Ela era bem moderna para aquela época. Não lembro da minha mãe cozinhando, por exemplo. Essas atividades mundanas de cuidar de marido e crianças ou fazer uma refeição à mesa juntos definitivamente não faziam parte da mentalidade da minha mãe”, afirma a filha, Tiffany Wills. “Minha ida a Fiji tirou muito do meu tempo com Tiffany. Se eu me arrependo de uma coisa na vida, é não acompanhá-la durante sua adolescência”, lamenta a mãe.

Elizabeth também foi abusada quando pequena. “Acho que é por isso que ela tem um coração enorme para crianças vulneráveis”, analisa Tiffany. “Aquilo me fez mais corajosa. Não hesito em enfrentar os predadores de crianças. Essa é uma das razões pelas quais faço o que faço: alguma coisa boa deve vir de algo que não foi agradável para mim”, acrescenta. 

Com cerca de 40 anos (já que ninguém tem certeza absoluta da verdadeira idade do rapaz), Sujit ainda não consegue falar, mas já se comunica através de gestos. Quando quer água, ele pega um copo; quando quer passear, ele pega a chave do carro. De vez em quando, Sujit ainda sacode a cabeça, cisca ou pega a comida com as pontas dos dedos, mas está aprendendo. Ele já caminha quase normalmente e circula entre as pessoas sem medo. 

Elizabeth investiu o dinheiro da venda da empresa na criação de um lar para crianças. Hoje, a australiana recolhe meninas e meninos nas ruas de Fiji e vive com eles no local chamado “Happy House” (Casa Feliz). Sujik Kumar mora lá também.