Arquivo da tag: pior

30 Coisas bizarras que você nunca viu na Terra

Gabriel Pinotti, no SBTZ

1. Um avião atravessando a rua

31 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

2. Um carrossel de 117 metros de altura

31 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

3. Um buraco gigantesco tomado conta pela água

31 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

4. Um vulcão que deu origem a um lago

31 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

5. Um deserto florido

31 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

5. Balões sobre a Capadócia

31 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

6. Uma cidade toda tomada pela neblina

31 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

7. Uma floresta um tanto estranha

31 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

8. A cafeteria que divide 2 países

31 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

9. A maior ponte sobre a água do mundo

41 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

10. Uma estátua com um segredo

41 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

11.  A rodovia que atravessa uma árvore

41 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

12. Essa outra estátua

41 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

13. O maior congestionamento de carros do mundo

41 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

14. Acredite, o chão dessa loja é reto

41 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

15. A cidade com uma única pessoa

41 coisas bizarras que você nunca viu na Terra

Continue lendo

Site da “Agência Nacional de Autorregulação da Internet” entra no ar e sobram dúvidas

Esta semana finalmente entrou no ar o site de uma instituição que vem causando muita curiosidade da internet: a ANARNET, Agência Nacional da Autorregulação da Internet. 

foto: internet

foto: internet

Publicado no You Pix

Esta semana finalmente entrou no ar o site de uma instituição que vem causando muita curiosidade da internet: a ANARNET, Agência Nacional da Autorregulação da Internet. Infelizmente, pouca coisa foi explicada. Pior, o pouco que foi revelado só gerou mais dúvidas.

Há duas semanas, notícias sobre essa “agência” renderam muitas opiniões negativas, de desconfiança e suspeita. Repercutiu bastante a crítica de que a ANARNET #NãoNosRepresenta. Quem pegou mais leve disse que ela até era uma boa ideia, mas que parecia ambiciosa e poderia se perder na pretensão. Em uma pesquisa olhada em quase duas mil pessoas no Twitter, não encontrei ninguém batendo palmas.

Mas o que afinal de contas será essa ANARNET? Com o site oficial, era de se esperar que fossem dadas algumas respostas. Só que não.

O primeiro problema surge com o nome. Agência reguladora é um conceito de direito administrativo bem específico. No Brasil, todas agências foram criadas por lei e compõem o Estado. Daí que soa bem mal usar esse nome para uma associação privada.

A impressão é de uma usurpação marota (“se colar, colou”) ou de um total desconhecimento (“foi mal, não sabia”). Com boa vontade, pode-se até admitir que seria um caso de criatividade brasileira, de quem quer ajudar o país a resolver pela sociedade um problema que o governo está patinando para enfrentar com o Marco Civil da Internet.

Mas aí vem outro problema: quem é a ~sociedade~ que vai “autorregular” a internet?
Sim, porque a ~rede mundial de computadores~ não vai se autorregular. Regulação é para as pessoas que usam a Internet. E como são muitos os usos possíveis, as tretas são inevitáveis. A ideia da ANARNET seria resolver esses debates ali mesmo entre os envolvidos, sem recorrer ao Estado, sem leis, sem decisões judiciais.

Para isso ela iria produzir normas de autorregulamentação, que “poderão se materializar em contratos, convênios, eventos e parcerias” (XVIII) e que elas “vincularão apenas seus associados e aderentes” (XII). Quem é que vai produzir? Os associados, pelos associados e para os associados.

Então, se apenas associados precisam seguir as normas da ANARNET, e precisa pagar para participar, qual seria então a utilidade de se filiar a ANARNET, seja uma empresa ou uma pessoa? Permitir que, agindo como o CONAR, ela possa remover meus vídeos? Com que poder, se não está ligada ao Estado? Vai ter sanção econômica?

Está dito também que essas normas internas não representarão “qualquer direito de responsabilização civil ou criminal” (XIV). Como assim, Bial?! E se uma parceria entre associados violar direitos de um consumidor não associado? Não vale reclamar na Justiça? Pois a ANARNET se declara “imune a qualquer interferência estatal”. De novo: como assim!? Como ela pode se dizer IMUNE ao Estado? Se tiver desvio de verba, a polícia não poderia agir? Se houve uma lei sobre o assunto, ela não se aplica? Um decisão judicial não valeria?

Parece picuinha, mas se é pra confiar, não dá pra deixar passar barato. Ainda mais se o projeto é promover e executar a “regulação de todas as áreas e extensões em que a internet se operacionaliza”. Lendo assim, parece que eles vão cuidar até de regular o tamanho padrão dos rage faces. Desculpe, mas “todas as áreas” são muitas áreas quando o assunto é internet. E na verdade, o que não falta são autoridades para lidar com a regulação da web: CGI, ICANN, W3C, ITU. Onde entra a ANARNET nessa sopa (opa!) de letrinhas?

Fato é que o site está no ar. A missão e a visão que eles assumem parecem inofensivas e fazem algum sentido. Mas tem muito tempo que eu aprendi a não confiar em site em que não tem NENHUM NOME de pessoa física. A seção “quem somos” não diz quem eles são. A página da Diretoria não revela os diretores. O mesmo para o conselho superior e o conselho fiscal.

A conclusão é que tudo que sei sobre a ANARNET continua suspeito demais e secreto demais para merecer confiança. Se fosse um email na minha caixa de entrada, ia ficar junto com os convites para aumentar meu pênis e ajudar banqueiro nigeriano.

Ladrões de sonhos

marcel-duchamp-sad-young-man-in-a-train

Márcio Rosa, no Inquietações de um Aprendiz

Faz algum tempo, atendi um adolescente no meu trabalho. Vou chamá-lo pelo nome fictício de João. Ele estava ali porque tinha se envolvido com violência e criminalidade. Perguntei-lhe sobre sua vida, sua família, seus vícios e seu envolvimento com o crime.

Descobri que João jamais conheceu seu pai, sua mãe sustenta a casa trabalhando o dia inteiro, ela sai de casa um pouco antes de o dia amanhecer e volta na boca da noite. Com 16 anos, ele é o mais velho de cinco irmãos. Mesmo com essa idade, ainda cursa a 5ª série do ensino fundamental. Usa drogas desde os 12 anos, quando colegas da rua lhe ofereceram maconha de graça. Claro que o fornecimento gratuito durou pouco e logo ele teve que “dar um jeito” de conseguir o produto. Relatou que já foi preso umas cinco vezes. Quando lhe perguntei se ele sabia qual seria seu futuro se continuasse naquela vida, ele respondeu, resignado, que seria a penitenciária ou a morte.

Entretanto, o que me deixou mais chocado foi o que ele me respondeu quando lhe perguntei qual era o seu sonho, o que ele esperava da vida, quais eram suas aspirações. Ele me respondeu friamente: “Não tenho sonho nenhum, não senhor”. Eu achei que ele não tinha entendido a pergunta e insisti: “O que você espera da vida, qual é o seu sonho?”. Ele baixou o olhar, mirou no nada, expirou murchando os ombros e repetiu: “Não tenho sonho nenhum, não espero nada”. Fiquei perplexo. Aquela resposta foi como um soco no meu estômago. E o que é pior, não percebi, na resposta de João, nenhuma revolta. O que vi foi desalento, desencanto com a vida.

João, sem horizonte algum, não tem nada a perder e, sem nada a perder, pra ele tanto faz envolver-se com o crime, com as drogas ou arriscar a própria vida.

Como todo adolescente acima de 12 anos que pratica alguma conduta descrita como crime, ele foi responsabilizado pelo seu ato infracional e privado da liberdade numa instituição específica para adolescentes. Mas fico pensando que tipo de futuro terá João, uma alma desprovida de sonhos. Fico pensando sobre quem teria roubado os sonhos de João e concluo que todos nós somos os responsáveis. Quem tirou os sonhos de João foi uma conjuntura que envolve uma distribuição de renda injusta, falta de estrutura familiar, irresponsabilidade paterna, falta de educação na idade certa e de forma contínua, falta de perspectivas profissionais, e, principalmente, acesso fácil a drogas e álcool já na infância além de uma hipocrisia social que se nega a resolver tais problemas, preferindo jogá-los para debaixo do tapete.

Não tenho as soluções exatas para a vida de João, só sei que, sem antes garantir efetivamente todos os direitos fundamentais a ele, resgatar-lhe a dignidade, dar-lhe horizontes e devolver-lhe a capacidade de sonhar, de nada adiantará jogá-lo numa penitenciária como as que conhecemos no Brasil. Isso seria enterrar de vez a possibilidade de resgate desse jovem.

Além desse jovem, quantos milhares de Joões, Josés, Raimundos, Antônios e Marias estão também na mesma situação? Para punir o Estado e a sociedade são implacáveis e rigorosos, mas para garantir os direitos mais elementares são omissos.

Esse caso é uma das muitas razões pelas quais sou contra a redução da maioridade penal.

Cerca de 20 mil ratos “tomam” farol no centro de São Paulo

A intervenção urbana é uma das obras do artista Eduardo Srur, que apresenta a exposição Sonhos e Pesadelo.

Foto: Fernando Borges / Terra

Foto: Fernando Borges / Terra

Publicado originalmente no Terra

No Vale do Anhagabaú, no centro de São Paulo, 20 mil ratos “sobem” um farol de nove metros de altura. Os animais são de borracha e graxa, mas querem chamar a atenção para o submundo da capital paulista, que tem 11 milhões de pessoas e 165 milhões de ratos.

A intervenção urbana é uma das obras do artista Eduardo Srur, que apresenta a exposição Sonhos e Pesadelo. “A cidade é um lugar que pode transforma em realidade seu pior sonho ou melhor pesadelo”, explica Srur.

Outras duas intervenções chamam a atenção do público no centro da cidade. A obra Cataventos reúne esculturas gigantes que movimenta-se com a ação do vento e produzem energia eólica, criando um campo de força que desafia a paisagem da Cracolândia.

Na Estação Júlio Prestes, é possível ver a obra Bicicletas, em que 50 bicicletas estão suspensas a 7 metros de altura na frente do vitral do relógio da estação. O objetivo é chamar a atenção para a história e arquitetura do local.

A exposição começou no dia 15 de abril e pode ser vista até o dia 31 de maio.

Foto: Fernando Borges / Terra

Foto: Fernando Borges / Terra

Foto: Fernando Borges / Terra

Foto: Fernando Borges / Terra

Foto: Fernando Borges / Terra

Foto: Fernando Borges / Terra

Foto: Fernando Borges / Terra

Foto: Fernando Borges / Terra

 

 

 

 

Fé cega, faca amolada

imagem: Internet

imagem: Internet

“Novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu
vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos
conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” | João 13:34 e 35

Publicado por Carlos Bezerra Jr.

Quando Rosa Parks se negou a ceder seu lugar no ônibus a uma mulher branca, nos Estados Unidos dos anos 1950, havia um pastor ao seu lado para protestar contra segregação racial. Ele liderou esse movimento por anos. Enfrentou ameaças e ataques. Seu nome era Martin Luther King. E sua participação foi decisiva na luta contra a discriminação não só nos transportes, mas em toda a sociedade norte-americana. Foi assassinado brutalmente. Mas virou herói em seu país, e, hoje, não é possível falar de Direitos Humanos ou minorias sem citar sua enorme contribuição.

Esse movimento de mais de 60 anos atrás me lembra de que, quando a fé encontra a ação política profética, não precisa necessariamente se transformar em acusações, falso moralismo ou hipocrisia. Antes, pode ser traduzida em ação contra a injustiça, a favor da inclusão e pela paz. Infelizmente, porém, parece que o modelo capaz de combinar atuação pública relevante e cristianismo genuíno está sendo ignorado por alguns daqueles que resolveram se dizer porta-vozes da Igreja brasileira.

Tenho acompanhado com perplexidade – e, tenho de dizer, com constrangimento – o noticiário dos últimos dias. A conclusão é óbvia: a plataforma dos Direitos Humanos virou palanque predileto de um certo povo lá de Brasília… Usar tema dessa importância só pra se promover já não seria coisa boa. Porém, se ao menos estivessem batendo bumbo contra a corrupção, a violência e a injustiça vá lá… Mas não. O que estão fazendo é acentuar preconceitos e rancores, estimular a exclusão e o racismo, e defender a intolerância. E o pior: tudo isso em nome de Deus (e no meu e no seu nome também!).

É evidente que, num país democrático, ninguém pode impedir quem quer que seja de expressar suas opiniões, valores e crenças. E o princípio vale também para nós, evangélicos, que temos de ter liberdade para dizer o que pensamos. Não se combate intolerância com intolerância, nem fundamentalismo com mais fundamentalismo. Sem dúvida, repudio qualquer tentativa de cerceamento desse direito. Porém, não podemos nos esquecer de que Jesus veio a esse mundo com a missão de salvá-lo e não de acusá-lo.

Quem me conhece, sabe da minha militância de quase 20 anos pelos Direitos Humanos. Sabe de minha luta e da luta do grupo que represento para garantia de direitos aos pobres, aos injustiçados, aos mais fracos, aos escravizados… E, na semana que passou, fui ao microfone do plenário e me posicionei contra essa redução da agenda bíblica de transformação social a questões de sexualidade. No entanto, não protestei como ativista do tema: discursei como cristão.

Fui ao microfone e critiquei esse modelo de política e púlpito que explora questões étnicas ou de sexualidade em troca de lucro eleitoral (ou seja, voto). Mas, sobretudo, usei meu pronunciamento para pedir perdão. Sim, dirigi-me aos não-crentes, àqueles que não professam a mesma fé que eu e você, e pedi que nos perdoassem se, de alguma forma, o barulho que está sendo feito os estiver impedindo de entender a verdadeira mensagem de Jesus.

Há mais de dois mil versículos na Bíblia falando sobre o cuidado com os pobres e aproximadamente seis tratando sobre homossexualidade, por exemplo. No entanto, não se vê nenhum projeto para atender a quem sofre. Pergunto: Quantas vezes Jesus falou sobre homossexualidade? Respondo: Nenhuma… No topo da lista dos confrontados pelo Mestre estavam os homossexuais? Ou eram os hipócritas religiosos de Sua época? Por que, então, super explorar alguns temas de forte apelo eleitoral e desvalorizar outros, claramente enfatizados pela Bíblia e por Jesus? A quem interessa reduzir a essência amorosa e transformadora da mensagem de Jesus à agenda moralista? Será que esses que fecham os olhinhos diante das câmeras da imprensa, parecendo muito espirituais, não os mantêm bem abertos, fixos nos votos que podem tirar de todo esse teatro?

“Errais não conhecendo as Escrituras”, diz a Palavra. E o problema fica ainda mais agudo quando esse discurso sem amor ou sabedoria contamina algumas igrejas. Aí, é mesmo como na velha música: fé cega, faca amolada. Crentes sinceros têm aderido a essa ideologia esdrúxula, sem saber que estão assumindo uma agenda que nada tem a ver com os reais desejos do coração do Pai.

Atenção, caro leitor. Não estou propondo que essa ou aquela prática seja, agora, legitimada. Há questões que são específicas da Igreja. E outras que são de Estado. Não apoio aqueles que tratam a nós, evangélicos, como ignorantes. Minha fé e minha consciência cristã não estão alinhadas a esses que querem impor no grito sua condição como regra. Defendo que respeitem a nós, evangélicos, com o mesmo respeito que têm exigido.

Porém, o que acontece é, no meio de todo esse barulho, a ideia de cristianismo transmitida está errada. O testemunho público está ruim. Pesquisa recente, realizada pelo Barna Group, nos Estados Unidos, questionou jovens não-cristãos sobre sua percepção sobre os cristãos. O resultado? Para eles, a principal característica dos crentes é a de ser anti-homossexual. Triste conclusão a de que cristãos estejam se tornando mais conhecidos pelo que são contra do que pelo que são a favor. Vale a reflexão. Essa com certeza não era a impressão que as pessoas tinham ao encontrar Jesus ou os irmãos da primeira Igreja.

Perde-se tempo com posições discussão de modos e costumes, quando uma agenda cristã contemporânea, biblicamente fundamentada, conduzida com honestidade e humildade, poderia diminuir a violência, lutar por melhores condições de saúde, erradicar a pobreza e a escravidão moderna, cuidar da Criação, fortalecer as famílias, promover o respeito à sacralidade da vida humana e sua dignidade intrínseca – bem ao contrário dos absurdos que temos visto.

A esses pastores ou políticos que se autodenominam defensores dos evangélicos, lembro que a Igreja já tem em Cristo o seu maior e suficiente defensor. As vozes cristãs que mais foram ouvidas e mais transformaram a história da Humanidade não foram essas que se apressam em julgar e condenar. Foram aquelas que pregaram e viveram a essência da mensagem de Jesus: o amor, a paz, a justiça, o perdão, a tolerância, a não violência, a defesa dos mais frágeis, a vida com integridade. Foram vozes que se levantaram contra o racismo e a hipocrisia religiosa. Salve Mandela, salve Desmond Tutu, salve Martin Luther King, Bonhoeffer, Wilberforce, Jaime Wright, Robinson Cavalcanti! Com esses, estou alinhado, hoje e sempre.

CARLOS BEZERRA JR., é pastor, médico e deputado estadual. É líder do PSDB na Assembleia Legislativa-SP e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos do Estado de São Paulo. Autor da lei que criou o Programa Mãe Paulistana e da nova lei paulista contra o trabalho escravo. Acredita que a missão do cristão na política seja a definida pelo texto de Salmo 82, nos versículos três e quatro: “Vocês estão aqui para defender os indefesos, para assegurar que os prejudicados tenham uma chance de justiça. O trabalho de vocês é proteger os fracos, perseguir os que os exploram”.