Facebook terá botão “Refazer amizade”

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Publicado impagavelmente no Sensacionalista

Passado o longo período eleitoral que causou o fim de amizades e separação de familiares, o Facebook resolveu dar uma mão no processo de pacificação e resolveu implementar o botão “Refazer amizade”.

A empresa fez um levantamento e percebeu que o clima de guerra entre amigos poderia fazer com que menos pessoas acessassem a rede social, provocando perda de faturamento.

A ideia é recuperar as amizades que foram bloqueadas por excesso de petralhagem ou overdose de coxismo. O usuário clicará no botão e enviará um convite para o ex-amigo. Quem receber o convite para refazer a amizade poderá responder com um “sim” ou com o bocão “socar”.

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A Igreja Universal e o custo da megalomania

Publicado em O Globo

A porta está sempre aberta àqueles interessados em conhecer a principal igreja neopentecostal do Brasil. Pode-se chegar praticamente a qualquer hora para ouvir uma palavra de incentivo. Os cultos acontecem cinco ou até seis vezes por dia em templos hoje espaçosos e confortáveis – frutos do rápido crescimento desde sua criação, em 1977, até o fim dos anos 1980, quando sua expansão chegou a atingir 2.600% em uma década. Hoje, são 757 locais de culto somente no Estado do Rio. A Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) conquistou milhões de pessoas e, na Terra, transformou-se em um império celestial, econômico, midiático. E político.

Embora oficialmente independente e composto por políticos de diferentes origens, o Partido Republicano Brasileiro (PRB), criado há apenas nove anos, tem sua liderança e base majoritariamente formadas por integrantes da Iurd. De oito deputados federais eleitos em 2010, passou para 21 nesta eleição e, no Rio, a legenda está a poucos passos do paraíso: tem chances reais de conquistar uma inédita cadeira no Poder Executivo e eleger governador o senador Marcelo Crivella, bispo licenciado da igreja.

Os dois lados se esforçam para dissociar publicamente suas ligações. Mas a chegada surpreendente de Crivella ao segundo turno deixou em evidência a denominação que é alvo de controvérsias no próprio meio evangélico pela adoção de táticas mercantilistas extremas. Os interessados em se aventurar pela instituição fundada pelo bispo Edir Macedo, um ex-adepto de religiões de matriz africana, devem saber que a programação é temática, conforme o dia da semana. Às segundas-feiras ocorrem as “reuniões da prosperidade” para atrair a bonança. Todas as terças, na “sessão do descarrego”, é dada ao fiel a oportunidade de exorcizar os demônios que lhe travam o sucesso na vida. As quintas são dedicadas à “terapia do amor”, e aos domingos, “o encontro com Deus” fortalece os vínculos familiares.

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A entrada da Catedral da Fé em Del Castilho: Igreja Universal vê seus megatemplos mais vazios – Guito Moreto / O Globo

SOLUÇÕES IMEDIATAS E EVANGELIZAÇÃO ELETRÔNICA

A Iurd tem duas estratégias centrais para atrair fiéis. Uma é a oferta de soluções mágicas e imediatas para problemas pontuais do cotidiano. A outra, a evangelização eletrônica. Programas de rádio e TV são usados para falar às massas, transmitir conversões e testemunhos, capazes de tornar plausível à doutrina da igreja. Trata-se de difundir a ideia de que há uma guerra cósmica entre Deus e o diabo na qual estão todos envolvidos – e somente através do sacrifício as bênçãos serão recebidas. Afinal, lá, ao contrário de outras religiões, como o catolicismo e até o judaísmo, a salvação é oferecida ao fiel ainda nesta vida e não em um desconhecido mundo vindouro.

Nos últimos anos, a Iurd também trava uma batalha por mais espaços no rádio e na TV. Além da Record, a igreja transmite sua programação religiosa na TV aberta em canais como Bandeirantes, RedeTV! e CNT – esta última, inclusive, é investigada pelo Ministério Público por arrendar 22 horas diárias de sua grade em algumas praças, 92% da programação, à Universal, contrariando as regras de concessão da Anatel. Nessa batalha pelas telas, a aposta iurdiana é oferecer pagamentos mais generosos para retirar do ar outras denominações evangélicas. Entrar em mais lares e conquistar novos adeptos.

– A estratégia de TV é basicamente dizer ‘vá ao templo’. Não se pede dinheiro na TV, ao contrário de outras igrejas. O objetivo é levar ao templo, e lá, a história é outra. As redes sociais, muito bem usadas, são importantes para atingir novos públicos, como a classe média e os jovens – conta o especialista em Comunicação Religiosa da UFRJ Eduardo Refkalefsky.

Segundo ele, a história da Universal pode ser dividida em dois momentos. No início, posicionava-se contra as religiões de matriz africana de olho nas classes mais baixas. Com a proliferação de templos concorrentes, criados por pastores dissidentes, a Iurd se viu obrigada a ampliar a base de fiéis. Passou a investir também na classe média e a relaxar alguns códigos conservadores de conduta, como a vestimenta. E essa mudança teve impacto direto nos cultos.

– A Universal passou a trabalhar em oposição à Igreja Católica, a fazer cultos voltados à classe média, promover encontros com empresários. Quando lidava com classes mais baixas, o foco era exorcismo e cura. Agora, é na prosperidade. A Universal encontrou um nicho, aproveitando a ascensão da classe C. Antes, captava recursos com muita gente em uma estratégia de massa. Hoje, consegue também de pessoas com mais recursos – avalia o professor.

Dinheiro, aliás, é um ponto-chave. Por isso, a doutrina centrada unicamente na chamada Teologia da Prosperidade é criticada até por outras vertentes evangélicas. Pesquisas acadêmicas indicam que a estrutura interna da Iurd assemelha-se à empresarial. A ascensão depende de resultados: o pastor que arrecada mais é promovido a um templo maior. Inicia-se na hierarquia eclesiástica como obreiro, um voluntário. Depois, pode ser promovido a diácono, uma espécie de intermediário entre o obreiro e o pastor.

– Em vez de falar das próprias qualidades, eles apontam os defeitos dos adversários, que seriam a umbanda, o candomblé e o catolicismo – explica Refkalefsky.

CENSO: RETRAÇÃO DE 10,8% NO NÚMERO DE FIÉIS

A organização estrutural é incontestável. Mas, na contramão de toda a influência política ascendente, é justamente nos altares onde a Iurd vem perdendo fôlego. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento da igreja desacelerou, em parte, devido à proliferação de novas denominações neopentecostais. Se os dados do Censo de 2010 indicam que a população evangélica cresceu de 15,4% para 22,2%, chegando a 42,3 milhões de brasileiros, os números revelam, ainda, que a Universal assistiu a uma retração de 10,8% em seu rebanho, passando de 2.101.884 para 1.873.243 adeptos num período de dez anos. Pesquisadores como Ricardo Mariano, do Departamento de Sociologia da USP, alertam que esses números absolutos podem ser enganosos, mas revelam uma tendência:

– Desconfio dos dados do Censo 2010. No resultado, apareceram 9,2 milhões de evangélicos sem vínculo congregacional porque no formulário só há uma pergunta: ‘qual a sua religião?’. Não consta a pergunta ‘de que igreja?’. Ou seja, se a pessoa respondeu apenas ‘evangélico’, não há como saber a que congregação ela pertence. Trata-se de uma falha do próprio Censo. A Iurd certamente teve uma redução de seu crescimento, mas isso não significa regressão em termos do número absoluto de fiéis – alerta ele.

A desaceleração evidencia um dos pontos fracos da entidade: projetos megalomaníacos dificultam a tarefa de fidelizar adeptos. A Iurd é uma reunião de superlativos. Seus templos têm decoração simples, mas exalam imponência pelo tamanho. Normalmente, são construídos para abrigar de muitas centenas a milhares de fiéis. E tanta grandeza tem um preço. Apesar de conseguir atrair as massas, esses megaespaços são pouco acolhedores, dificultam a criação de um senso comunitário. Nessas construções gigantes, não é tão fácil se aproximar, estabelecer elos sociais e produzir amizades que extrapolem os limites do culto.

– Há uma clientela flutuante muito grande por causa da pregação eletrônica. Como são muitas pessoas chegando, você não sabe quem está sentado do seu lado. É comum, por exemplo, quando o pastor convoca as pessoas a irem ao altar, dizer ‘tragam seus pertences’ porque acontecem muitos furtos. Por um lado, isso dá uma liberdade muito grande a quem chega, mas, por outro, não estabelece vínculos comunitários. É como entrar numa megaloja de departamento em um shopping center. Você entra e o vendedor não vai perguntar se precisa de ajuda – compara Mariano.

A inclinação da Universal para empreitadas gigantescas também se traduz em um projeto de inserção na vida política e na mídia. A expansão nessas áreas desencadeou, na opinião do antropólogo Ari Pedro Oro, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), um movimento similar ao das chamadas igrejas-clone, congregações neopentecostais como a Igreja Mundial do Poder de Deus, fundada pelo ex-bispo da Iurd Valdemiro Santiago, e a Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R.Soares.

– O modelo que a Universal implantou produziu um mimetismo de conduta. Muitas igrejas perceberam que poderiam usar os mesmos métodos para obter sucesso na política e marcar presença na mídia, com rádios e compra de espaços na televisão. Por isso mesmo, o campo evangélico apresentou-se como força política na última década. E não apenas pelo crescimento do número de fiéis, mas também pelo aumento de sua importância enquanto eleitores, ainda que os evangélicos formem um grupo heterogêneo – analisa Oro.

No mês passado, a Assembleia de Deus começou a coletar assinaturas para criar seu próprio partido. E o fenômeno de segmentação política baseada em correntes do meio evangélico, reconhecido pelo conservadorismo, já divide pesquisadores. Trata-se, afinal, do voto de um bloco heterogêneo, mas que representa quase um quarto da população brasileira – cerca de 50 milhões de pessoas.

– O problema da Universal é ter um partido político por trás dela. Isso contradiz o ideário republicano de separação entre Estado e religião. Uma coisa é um partido de orientação cristã, outra é um partido que representa uma igreja. Eu não diria que é o fim dos tempos, mas outras igrejas podem fazer o mesmo. É um fenômeno crescente. Eles poderão bloquear qualquer legislação de orientação liberal – adverte Ricardo Mariano, com uma ressalva: – Boa parte dos evangélicos discorda dos objetivos políticos de suas denominações. É importante lembrar que os fiéis não têm nenhum objetivo escuso.

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A Iurd está presente em mais de 174 países. As maiores bases são Argentina, EUA, Portugal, África do Sul, Japão, e mais recentemente, Moçambique – Arte

O cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diverge e diz que é cedo para alarmismos diante da influência política da Iurd. Ele cita países europeus, por exemplo, como a Alemanha, onde partidos de orientação cristã, como a CDU da chanceler federal Angela Merkel, são perfeitamente legais e aceitáveis.

– A Constituição estipula que partidos políticos não incitem ódio e racismo. Esses partidos mais conservadores não necessariamente defendem princípios religiosos. Ter a ideologia de uma igreja por trás de uma legenda é a mesma coisa que ter um sindicato por trás de outra. Não há como impedir. É o eleitor quem vai fazer suas escolhas. Acho, agora, que essa é uma questão marginal para a democracia brasileira – pondera.

Controvérsias à parte, a expansão da Iurd para instâncias de poder, além de sua internacionalização, é considerada um divisor de águas no cenário nacional, como define Oro:

– A Universal ampliou a concepção de igreja e religião, abriu tentáculos para esferas que antes não eram atingidas pelas congregações. As igrejas sempre se organizaram enquanto templo e assistência social. Mas esta igreja que se organiza de forma empresarial, que busca se expandir além das fronteiras, que se insere na política de forma pensada, com estudo de capital político entre os fiéis, isso tudo é próprio da Universal, ainda que haja dissidentes e concorrentes.

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Alckmin ataca ONU por crítica sobre falta de água em São Paulo

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Publicado no UOL

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, enviou um duro ofício ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cobrando que a entidade corrija suas conclusões sobre a crise da água no Estado.

O estopim foi a visita da portuguesa Catarina de Albuquerque, relatora especial para água e saneamento, a São Paulo, em agosto último. Ela afirmou que a crise era responsabilidade do governo estadual e apontou falta de investimentos.

O ofício de Alckmin obtido pelo Blog foi enviado a Ban Ki-moon em 9.set.2014 e ainda não havia sido divulgado. O tucano usa a proximidade da Cúpula do Clima, promovida pela ONU em Nova York em 23.set.2014, para fustigar as conclusões de Catarina. Alckmin diz que a relatora incorreu em “erros factuais” e fez uso político do tema ao conceder entrevistas às vésperas da eleição estadual, violando o código de conduta da ONU.

Ao concluir o texto, o governador adota um tom acima do usual em comunicações diplomáticas. Ele afirma que se a ONU não retificar as informações prestadas por Catarina de Albuquerque, ele ficaria em dúvida sobre a habilidade da organização para realizar a Cúpula do Clima e demonstrar “propriedade, criatividade e liderança” sobre o tema. Dá a entender que não participaria do evento que estava prestes a ser realizado.

Uma semana antes, o secretário da Casa Civil de Alckmin, Saulo de Castro, também enviara uma carta ao Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, reclamando das conclusões da relatora.

Catarina de Albuquerque é professora visitante das universidades de Braga e Coimbra, em Portugal. Os relatores especiais da ONU estão vinculados ao Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, mas têm atuação independente. São nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para mandatos de 3 anos, renováveis por igual período.

Quatro pontos da visita de Catarina incomodaram o Palácio dos Bandeirantes: 1) o momento político de disputa eleitoral; 2) a visita ter sido feita em caráter não oficial; 3) o fato de Catarina não ter procurado a Sabesp (a última vez que ela havia feito isso fora em dezembro de 2013); e 4) as acusações de falta de investimento em obras de captação de água.

Alckmin também questionou afirmação feita por Catarina em entrevista de que as perdas de água estavam “quase em 40%” quando, no Estado de São Paulo, a perda é de 31,2%. Ocorre que o jornal já havia publicado uma correção no dia seguinte, informando que, por erro de edição, a entrevista deu a entender que a taxa se referia à média paulista, quando na realidade se referia à média do país.

O governo paulista, por meio de nota, informou que Alckmin de fato não compareceu à Cúpula do Clima, em Nova York, mas sua ausência não teve relação com o entrevero sobre a crise hídrica. Na data da cúpula, Alckmin comandou solenidade no Palácio dos Bandeirantes para assinar um financiamento de R$ 2,3 bilhões para obras em rodovias estaduais. O governo também informa que ainda não recebeu uma resposta oficial de Ban Ki-moon ao ofício.

Eleição presidencial

A crise no fornecimento de água em São Paulo chegou ao epicentro da campanha presidencial na última semana de campanha. A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, dedicou metade dos 10 minutos de sua propaganda eleitoral de domingo (19.out.2014) ao tema. Em resposta, Aécio Neves, candidato do PSDB ao Planalto, disse na 2ª feira (20.out.2014) que o governo federal não contribuiu para solucionar a questão.

Dilma e sua equipe tentam tirar proveito político da crise. Após o primeiro turno das eleições, as emissoras de TV começaram a cobrir o assunto com mais intensidade e moradores de todos os Estados agora acompanham a falta de água em São Paulo.

No programa de domingo, Dilma não cita Alckmin diretamente, mas diz se solidarizar com os paulistas e critica o “modelo de gestão tucana” que o “adversário [Aécio] defende e representa”.

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Ultrapassagem de Dilma no Datafolha potencializa supremacia do marketing

O candidato à Presidência do PSDB, Aécio Neves, foi levantado por eleitores em comemoração por estar no segundo turno das eleições 2014, durante encontro com trabalhadores da construção civil,(foto:  Marcos Alves/ Agência O Globo)
O candidato à Presidência do PSDB, Aécio Neves, foi levantado por eleitores em comemoração por estar no segundo turno das eleições 2014, durante encontro com trabalhadores da construção civil,(foto: Marcos Alves/ Agência O Globo)

Josias de Souza, no UOL

Vivemos atrás do significado maior de qualquer coisa que resuma uma época, seja a propagação do vírus Ebola ou a conversão da água do volume morto do Cantareira em drink-ostentação. Os brasileiros do futuro talvez elejam 2014 como um ano histórico. Dirão que foi o ano em que a política ingressou de vez na Idade Mídia, tornando-se um mero ramo da publicidade.

O Datafolha mais recente, divulgado na noite desta segunda-feira (20), reforça a sensação de que o principal fenômeno político da atual sucessão presidencial tem sido, até o momento, o triunfo da ideologia da desconstrução. Depois de triturar Marina Silva, expurgando-a do segundo turno, a usina de demolição em que se converteu o comitê de Dilma Rousseff passa no moedor a imagem de Aécio Neves.

O quadro ainda é de empate estatístico. Mas inverteram-se as posições. Nas duas primeiras sondagens do segundo turno, Aécio aparecia à frente de Dilma: 51% a 49%. Agora, é a petista quem ostenta a superioridade numérica: 52% a 48%.

Aécio não desabou como Marina. Porém, a campanha de Dilma, a mais marquetada da temporada, vai transformando-o, devagarinho,  numa paçoca em que se misturam a apelação do bafômetro à merecida cobrança por atos como a construção do agora célebre aeroporto de Cláudio. Tudo isso recoberto com um creme demofóbico que gruda no candidato tucano as pechas de ameaça aos mais pobres e amigo dos muito ricos. Nessa caricatura de segundo turno, Armínio Fraga faz o papel de Neca Setúbal.

Os efeitos são eloquentes. A taxa de rejeição de Aécio ficou maior que a de Dilma: 40% a 39%. Há 12 dias, diziam que jamais votariam no tucano 34% dos eleitores. Rejeitavam a petista 43%. Há mais e pior: Aécio derrete em pedaços do mapa onde sua candidatura parecia mais sólida. Por exemplo: Em 9 de outubro, ele ostentava uma vantagem de 21 pontos sobre Dilma no Sudeste. Hoje, a diferença é de nove pontos.

Não é só: inverteram-se as curvas de preferência eleitoral no estratégico grupo da dita classe média emergente. Nesse nicho, que responde por pouco mais de um terço dos votos em disputa, Aécio prevalecia sobre Dilma na semana passada por 52% a 48%. Agora, é ela quem está na dianteira: 53% a 47%.

Esse naco naco do eleitorado é composto de gente que progrediu nos últimos anos, sobretudo na Era Lula. São pessoas que atingiram o ensino médio e embolsam até cinco salários mínimos mensais. Em tese, são suscetíveis ao discurso petista da mudança “com segurança” não como “um tiro no escuro”.

O jogo continua aberto. Há um derradeiro debate pela frente, na tevê Globo. Mas seja qual for o resultado, 2014 consolida-se como o ano da verdadeira nova política, essa que é 100% feita de publicidade. A sucessão parece um teatro de bonecos japonês.

Chama-se bunraku. Nele, os bonecos são manipulados por pessoas vestidas de preto contra um fundo escuro. A plateia vê os manipuladores. Mas finge que eles não estão lá. No caso da eleição brasileira, o homem de preto é João Santana.

Antigamente, o candidato era um pretensioso que invadia a programação do horário nobre da tevê para fazer merchandising do próprio umbigo. Hoje, a melhor candidatura é a que se ocupa de apontar defeitos nos umbigos alheios.

Há um déficit de discussão sobre o que está por vir depois da posse. Mas quem se importa?

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TSE proíbe reprise de propaganda de Dilma que cita aeroporto de Cláudio

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publicado no Brasil Post

Um dia após decidir adotar uma postura mais rígida em relação às propagandas dos candidatos a Presidência da República, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu na noite desta sexta-feira (17) uma liminar para suspender uma propaganda da campanha da presidente Dilma Rousseff (PT).

A candidatura de Aécio Neves havia questionado o programa que foi ao ar ontem, por ter a honra dele ofendida pela adversária. O programa exibido ontem, portanto, não pode ser reprisado no horário eleitoral até o julgamento do mérito da questão pelo TSE.

Na peça da campanha da petista, o narrador afirma: “Compare. Enquanto Dilma modernizou aeroportos para o Brasil receber 203 milhões de passageiros ao ano, Aécio só fez dois em Minas. Um deles, na fazenda que era da própria família e a chave ficava nas mãos de seu tio. Na dúvida em quem votar, é melhor comparar.”

A defesa de Aécio sustenta que a propaganda adversária leva o eleitor a crer que o tucano “estaria fazendo uso de bem público para favorecer sua família”. Segundo ela, tal indução é equivocada, uma vez que é notório que o “terreno (foi) desapropriado em favor da coletividade”.

Em sua decisão, o ministro Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, relator do processo, citou o fato de que, na noite de quinta-feira (16), o TSE mudou o entendimento para evitar ataques durante os programas na TV e no rádio.

“O horário eleitoral foi concebido pelo legislador e é regiamente pago com o esforço do contribuinte (nada tem de gratuito, a não ser para o candidato!), não para ser um locus de ataques e ofensas recíprocas, de índole pessoal, mas sim para a divulgação e discussão de ideias e de planos políticos, lastreados no interesse público e balizados pela ética, pelo decoro e pela urbanidade”, afirmou o magistrado.

Para o ministro, ainda que seja válida a primeira parte da propaganda, em que a campanha de Dilma fala da modernização dos aeroportos, não se pode dizer o mesmo da segunda, quando fala do adversário. Ele disse que a forma como foi concebida a peça “denota ofensa de caráter pessoal que, potencializada, pode ensejar, em tese, até mesmo a caracterização de crime”.

“Dizer que o candidato adversário só fez dois aeroportos, um deles na fazenda da própria família, e que as chaves ficam nas mãos do seu tio não me parece crítica inserida no espectro de incidência de um debate servil à democracia, nos novos moldes interpretativos fixados pelo Tribunal Superior Eleitoral para o segundo turno das Eleições Presidenciais de 2014″, concluiu o ministro, ao determinar a paralisação imediata do programa.

Um dos advogados da campanha de Aécio, Flávio Costa, afirmou nesta sexta-feira que a mudança de orientação do TSE “deixa ainda todos em estado de atenção”. “Qual será a interpretação e o caminho das decisões é uma história a ser contada”, afirmou.

De acordo com Costa, a campanha não deixou de recorrer ao TSE “em um dia sequer” no segundo turno. Só no dia de hoje, a campanha do tucano levou duas representações à Corte eleitoral para suspender trechos da propaganda de Dilma.

Segundo ele, uma das representações é referente a relação entre o candidato Aécio Neves e o teste do bafômetro. A segunda é contra o reprise de trecho de debate eleitoral do primeiro turno veiculado na Rede Globo que mostra a então candidata Marina Silva debatendo com o tucano.

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