Evangélicos podem decidir segundo turno

Dados da pesquisa Ibope indicam que o grupo, com 22% do eleitorado, tem o dobro da preferência pela ex-senadora. Entre católicos, Dilma e Marina empatam

NA DISPUTA PELOS EVANGÉLICOS - Marina e Dilma se cumprimentam em debate da Rede Bandeirantes (foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)
NA DISPUTA PELOS EVANGÉLICOS – Marina e Dilma se cumprimentam em debate da Rede Bandeirantes (foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

título original: Voto evangélico seria decisivo para eleger Marina no 2º turno

Publicado na Veja on-line

Pesquisa Ibope divulgada na terça-feira confirmou um cenário temido pelo PT desde a consolidação da candidatura de Marina Silva (PSB) à Presidência: de acordo com o levantamento, a presidente Dilma Rousseff (PT) seria derrotada por Marina por 45% a 36% em um eventual segundo turno entre as candidatas. Nesse cenário, o voto decisivo para permitir a Marina subir a rampa do Planalto seria o dos eleitores evangélicos.

Ainda segundo a pesquisa, há empate técnico entre Marina e Dilma entre os católicos: 42% a 40%, respectivamente, na simulação de segundo turno. A diferença de dois pontos porcentuais está dentro da margem de erro. Ou seja, apesar de serem o maior contingente do eleitorado (63%), os católicos teriam impacto quase insignificante no resultado da eleição, pois dilmistas católicos anulariam marinistas da mesma fé.

O voto decisivo seria dos evangélicos. Com 22% do eleitorado, eles têm praticamente o dobro de preferência por Marina. Na média, 53% dos eleitores pentecostais, de missão e de outras denominações evangélicas declaram voto na candidata do PSB, ante apenas 27% que dizem preferir a atual presidente. Os 15% de eleitores que não são católicos nem evangélicos (ateus, agnósticos, outras religiões) também pendem mais para o lado de Marina. Mas, além de terem um peso menor, a distância que separa Dilma da sua principal adversária é menor entre eles: 27% a 45%. É um grupo heterogêneo e, entre eles, não há líderes com a influência de pastores e bispos entre os evangélicos.

Não é novidade a preferência do eleitorado evangélico por Marina. Na corrida eleitoral de 2010, Dilma enfrentou resistência entre o segmento evangélico em decorrência de controvérsias sobre sua posição em relação à legalização do aborto. Na ocasião, a maior parte dos eleitores que abandonaram Dilma no primeiro tuno migrou para Marina, dobrando seu eleitorado na reta final. A petista só conseguiu o apoio de grande parte dos líderes religiosos após fechar um acordo em que se comprometia a não trabalhar pessoalmente no avanço de temas como aborto e casamento gay, que ficariam a cargo do Congresso.

O eleitor evangélico sempre desconfiou da presidente. Em maio, uma nova onda tomou a internet quando o governo Dilma regulamentou a execução de abortos autorizados pela lei (casos de estupro, por exemplo) na rede de hospitais públicos do SUS. A reação foi tão grande que o governo voltou atrás. A intenção de voto em Dilma entre os evangélicos cai desde então. Era 39% em maio, é 27% agora. Entre os católicos, no mesmo período, a intenção de voto na presidente oscilou muito menos, de 42% para 39%.

Já a entrada de Marina na corrida eleitoral provocou uma revolução no eleitorado evangélico. No começo de agosto, Eduardo Campos, então candidato do PSB, tinha 8% de intenções de voto entre eleitores dessa fé – a mesma taxa do Pastor Everaldo (PSC). Marina já entrou com 37%, abrindo uma vantagem de 10 pontos sobre Dilma. O impacto foi tão grande que pulverizou as intenções de voto no até então mais notável candidato evangélico. O pastor caiu de 3% para 1% no eleitorado total, e de 8% para 3% entre evangélicos. Everaldo é líder religioso e tem o apoio de outros pastores, como Silas Malafaia.

Em nenhum outro segmento do eleitorado Marina tem uma vantagem tão grande sobre Dilma do que entre os evangélicos. Nem entre os jovens, nem no Sudeste, nem entre os mais escolarizados, nem entre os mais ricos. Isso não significa que a maioria dos eleitores de Marina seja evangélica – tem 56% de católicos. Mas Marina está abaixo da média nesse segmento, e fica sete pontos acima entre os evangélicos.

A candidata do PSB trocou a Igreja Católica pela Assembleia de Deus em 1997. Ela costuma evitar a mistura religião e política no seu discurso, mas às vezes derrapa. Questionada no Jornal Nacional sobre seu fraco desempenho eleitoral no Estado de origem, o Acre, Marina disse: “Ninguém é profeta em sua própria terra”, frase atribuída a Jesus na Bíblia.

(Com Estadão Conteúdo)

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Confira 15 práticas de corrupção cotidianas

Publicado em O Globo

A campanha eleitoral já começou. Nesse período, corrupção é tema frequente nos embates entre os candidatos e nas conversas dos brasileiros. A prática, porém, extrapola o campo político. Conheça exemplos lembrados pelo cientista político Alexandre Gouveia que mostram o quanto atitudes corriqueiras se enquadram nesse ato.

Não dar nota fiscal

1notafiscal

Vender ou comprar produtos falsificados e/ou contrabandeados

A Receita Federal apreendeu mais de 200 mil bolas falsificadas em Santos

Não declarar produtos comprados no exterior, evitando o recolhimento de impostos

3imposto

Não declarar rendimentos extras no Imposto de Renda

4impostorenda

Usar o vale refeição para fazer compras no supermercado

5mercado

Estacionar veículos, utilizar filas prioritárias e assentos destinados exclusivamente para idosos e deficientes

6idosos

Vender seu voto ou trocá-lo por algum benefício pessoal, como emprego, material de construção, cesta básica, etc.

7voto

Na escola, dar uma olhada na resposta do colega (a famosa “Cola”)

8cola

Andar com o veículo pelo acostamento

9acostamento

Evitar uma multa oferecendo dinheiro ao policial

10multa

Furar fila

11filas

Fazer ligação ilegal de serviços como TV a Cabo, Energia Elétrica, etc.

12gato

Apresentar atestado médico falso 

2011031677137

Falsificar carteirinha de estudante para obter descontos e benefícios

14carteirinha

Bater o ponto de trabalho para o amigo

15ponto

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O Brasil sob a chibata

Carlos Bezerra Jr, na Folha de S. Paulo

Aproveitando a euforia em torno da Copa do Mundo, o Congresso Nacional tenta empurrar goela abaixo do país um projeto de lei que pode destruir os avanços brasileiros na luta contra o trabalho escravo.

Em uma única manobra, se pretende relaxar a tipificação de trabalho escravo no Brasil e destruir a Lista Suja do Trabalho Escravo, um dos principais mecanismos de luta contra esse crime.

A emenda constitucional nº 81/2014 foi aprovada depois de mais de uma década de tramitação. Ela estabelece a expropriação sem indenização de imóveis urbanos e rurais nos quais se explore trabalho escravo. Nesses casos, o imóvel será destinado a projetos de reforma agrária e habitação.

Poderia ser um avanço, não fosse o “tapetão”. A emenda só entra em vigor com a regulamentação, que será dada pelo projeto de lei nº 432/2013 do Senado, a ser apreciado nesta terça-feira (8) pela comissão que trata da regulamentação de dispositivos da Constituição Federal e de consolidação de legislação.

Isso só será necessário pois, segundo os parlamentares, o Código Penal define o crime de “redução à condição análoga à de escravo”, mas não o trabalho escravo. Não passa de um jogo malicioso de palavras.

A exploração do trabalho escravo é um crime tipificado de forma objetiva em leis conhecidas e largamente aceitas pelos tribunais brasileiros. A legislação leva em conta um conjunto de situações: servidão por dívidas, restrição da locomoção, trabalhos forçados, jornada exaustiva e condições degradantes de trabalho.

O que se pretende com o projeto de lei nº 432/2013 é demolir a construção jurídica que tornou o Brasil um exemplo mundial no combate ao trabalho escravo, reconhecido pela Organização das Nações Unidas e pela Organização Internacional do Trabalho. Apenas condições medievais de exploração de pessoas se configurariam como trabalho escravo e os culpados teriam apoio legal para manter tudo em segredo.

Para se ter uma ideia, nem o exemplo clássico da escravidão moderna, a servidão por dívidas, seria automaticamente alvo de punição. Precisaria antes ficar provada a impossibilidade de fuga do trabalhador. Sem ameaça, coação, restrição de locomoção ou impedimento de acesso a transporte, não haveria trabalho escravo.

Passariam a ser punidas apenas ações típicas da violência criminal e deixaria de ser levada em conta a violência social causada pela falta de opção que leva alguém a trocar a própria dignidade pela sobrevivência sob o jugo de quem é capaz de tratar pessoas como objetos. Ganhariam os réus em milhares de processos.

O projeto também pretende proibir que, antes do trânsito em julgado, sejam inscritos em qualquer cadastro público as partes em processo de trabalho escravo. Sairiam imediatamente vencedores na Justiça todos aqueles que, depois de um flagrante, tentam contestar a Lista Suja do Trabalho Escravo, aniquilando uma das mais importantes armas na luta contra esse crime.

É importante reforçar que a escravidão moderna se caracteriza legalmente como um conjunto probatório e não há nenhuma legitimidade nos argumentos simplistas de que haveria autuações por questões como colchão fino demais nos alojamentos ou bebedouro inadequado, por exemplo. O fiscal registra todas as infrações, da mais grave à mais leve.

Não podemos permitir que, numa manobra sorrateira, contando que a Copa do Mundo e o recesso parlamentar mobilizem as atenções, o Congresso Nacional coloque sob as solas dos sapatos do poder econômico conceitos fundamentais da nossa Constituição: a dignidade humana e o valor social do trabalho.

CARLOS BEZERRA JR., 46, deputado estadual (PSDB-SP), é presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Trabalho Escravo na Assembleia Legislativa de São Paulo e autor da lei paulista contra a escravidão

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Dr. Rey vira sensação em bastidor do PSC

Anna Virginia Balloussier, na Folha de S.Paulo

O deputado Marco Feliciano congela o sorriso para o selfie. “Olha como vai sair na reportagem: os dois maiores héteros e o homem que toca todas as mulheres”, diz na convenção nacional do Partido Social Cristão, o PSC, que tomou a Assembleia Legislativa de São Paulo com bandeiras nas cores verde e branca e o logotipo cristão do peixe.

Ele abraça o colega Jair Bolsonaro e Dr. Rey, aspirante à sua primeira vaga na Câmara dos Deputados. A foto é tirada a pedido da repórter, com o celular dela, pelo cirurgião plástico conhecido por “Dr. Hollywood”, reality show que acompanha sua vida em Beverly Hills.

Candidato à reeleição, Feliciano avalia estar muito bem acompanhado nesta manhã de sábado, 14 de junho. “Uau, temos uma estrela hollywoodiana! Isso dá um upgrade no partido. Nós temos aí um Bolsonaro em São Paulo. O filho do Jair Bolsonaro é candidato pelo partido.”

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A “defesa da família” é o mínimo denominador comum entre o ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos e dois neófitos na política, Dr. Rey e Eduardo Bolsonaro, policial federal formado em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e caçula do polêmico deputado do PP-RJ.

O trio é candidato a engrossar a bancada de deputados federais do “único partido que não tem vergonha de falar de Deus”, como define o cirurgião plástico, sacando uma bandeirinha do Brasil do bolso do terno preto de risca de giz.

Lá fora, um caminhão de som toca “Hotel California”. Fazendo as vezes de cabo eleitoral, garotas de cabelo escovado, calça preta justa e salto alto vestem a camisa com o nome de Dr. Rey e o de Maria Melilo, campeã do “Big Brother Brasil” em 2011 se filiou ao PSC após superar um câncer no fígado provavelmente causado pelo uso de anabolizantes. Segundo sua assessoria, ela deve concorrer a deputada estadual.

Hoje, a legenda tem 12 congressistas na Câmara dos Deputados, como Feliciano (SP) e Ratinho Jr. (PR), e um senador, Eduardo Amorim (SE).

Para 2014, a sigla lança um candidato à Presidência. Everaldo Dias Pereira, o Pastor Everaldo, da Assembleia de Deus (Ministério Madureira), sobe no palanque, pede “um copinho d’água para molhar o bico” e deságua uma enxurrada de críticas ao atual governo, “ausente, omisso e incompetente”.

“A minha mãe se chama Dilma, mas é uma santa mulher”, diz o presidenciável, “nascido literalmente na igreja”, sobre a mulher que o deu à luz no dia 22 de fevereiro de 1956, após sentir as dores do parto num culto evangélico. Em 2010, o PSC estava na coligação que elegeu Dilma Rousseff (PT).

Pastor Everaldo aparece como terceiro colocado em pesquisa Datafolha feita no começo de junho, com 4% das intenções de voto -tecnicamente empatado com Eduardo Campos (PSB), que ficou com 7% na sondagem. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o candidato do PSC pode estar com 6%, e o ex-governador de Pernambuco, com 5%.

Em entrevista à Folha, o cientista político Fernando Abrucio comparou a ascensão do pastor à de Enéas Carneiro em 1994, presidenciável de direita que aproveitava seus poucos segundos de propaganda na TV para bater na mesa e exclamar: “Meu nome é Enéas”. “Ele [pode] ser um fenômeno como o Enéas [que acabou em terceiro lugar].”

Everaldo rechaça o paralelo. “Com todo o carinho e respeito, até o biotipo é diferente.” Também se incomoda como rótulo de nanico. “Ninguém chama o PV, o PC do B assim, e somos maiores do que eles.”

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Psol lança candidatura de Luciana Genro à presidência com propostas polêmicas

luciana

Mariana Haubert, na Folha de S.Paulo

Por unanimidade, o Psol oficializou neste domingo (22) a candidatura da ex-deputada Luciana Genro (RS) à Presidência da República nas eleições de outubro. Como vice, foi indicado Jorge Paes, membro do diretório paulista.

Como principais propostas de governo, Luciana afirma querer realizar uma ampla auditoria da dívida pública e uma reforma no sistema tributário brasileiro. Ela pretende ainda, levar para o debate eleitoral temas considerados polêmicos e por isso evitados pelos principais candidatos à Presidência. Luciana irá defender a descriminalização da maconha, a garantia dos direitos LGBT e a legalização do aborto como política pública de saúde.

“Eles não tem coragem de apresentar propostas concretas [...] Vamos demonstrar a insatisfação da juventude que foi às ruas com o sistema que vamos confrontar”, afirmou ao final da convenção do partido, realizada neste fim de semana em Brasília.

Evocando as manifestações de junho de 2013, Luciana afirma que os governos não atenderam às demandas apresentadas pelos manifestantes, como a melhora da saúde, da educação e do transporte público. “Temos a tarefa de apresentar nossas propostas de acordo com as jornadas de junho”, disse. Questionada se seria “a voz das ruas”, disse que isso seria muita “pretensão”.

“Seria muita pretensão dizer que somos a voz dessas manifestações, mas nós queremos dar voz para essas demandas que vieram das ruas no ano passado. São demandas que vêm do povo, da classe trabalhadora e que não foram atendidas pelos governantes”, disse.

Apesar de apoiar as manifestações, Luciana criticou os atos de vandalismo que continuam a ocorrer durante diversos protestos. “Nós não compartilhamos deste método porque ele afasta o povo das ruas. Afasta as pessoas e gera uma repressão policial na maior parte das vezes exagerada e a criminalização dos movimentos sociais”, disse.

A candidata afirmou ainda que as três principais candidaturas à Presidência – a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), a eleição do senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-governador Eduardo Campos (PSB) – não representam nenhum tipo de mudança.

“Embora diferentes, esses projetos não são antagônicos. São projetos burgueses que o PSDB representa com seu reacionário e retrocesso ao neoliberalismo puro, é o projeto do continuísmo representado pelo PT, é o projeto que fica no meio do caminho, do Eduardo Campos, que não sabe se quer continuar com o que está aí ou se quer retroceder ainda mais”, disse.

Luciana Genro, 43, foi duas vezes deputada estadual no Rio Grande do Sul e deputada federal também por dois mandatos. Ela é filha do governador gaúcho, Tarso Genro (PT), e está impedida de concorrer a cargos públicos no Estado devido ao parentesco.

O nome de Luciana foi referendado por 61 membros do diretório nacional e 27 representantes de diretórios estaduais do partido. Seu nome ganhou força dentro do partido após a desistência do senador Randolfe Rodrigues (AP) na semana passada.

AUSÊNCIAS

Randolfe Rodrigues não participou da convenção nacional. Ontem, ele explicou à Folha que estava no Amapá cuidando de assuntos regionais. Apesar de afirmar não guardar nenhuma mágoa do partido por não ter conseguido viabilizar a sua candidatura à presidência, Randolfe criticou a forma como a sigla anunciou a sua desistência.

A cúpula do Psol divulgou uma nota na sexta-feira (13) informando sobra a saída do senador da disputa. No entanto, segundo Randolfe, havia um acordo para que o anúncio fosse feito por ele em uma carta na semana seguinte. “O modus operandi do partido não foi muito educado. Achei que faltou elegância”, disse.

“Minha candidatura não unificou a esquerda e não barrou a ofensiva conservadora. Por isso decidi sair. Me senti como o Vicente Del Bosque [técnico da seleção espanhola, eliminada na primeira fase da Copa do Mundo] depois de duas derrotas. Quando um técnico perde, coloca o cargo à disposição e foi isso que eu fiz”, disse.

Luciana minimizou a desistência do colega e afirmou que o partido está unido para enfrentar a disputa eleitoral. Durante a convenção, a ex-deputada convocou a militância para sair às ruas e fazer a sua propaganda já que o partido conta com apenas 50 segundos na propaganda de rádio e televisão. “Não temos dinheiro das grandes empresas e nem temos tempo de propaganda, mas temos uma militância que faz campanha por ideal”, disse.

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