Arquivo da tag: Prado

Mulheres aprendem a ‘desmunhecar’ em curso para ‘atrair partidão’

A psicóloga e cupido Eliete de Medeiros, em seu escritório em São Paulo (foto: Avener Prado/Folhapress)

A psicóloga e cupido Eliete de Medeiros, em seu escritório em São Paulo (foto: Avener Prado/Folhapress)

Marianne Piemonte, na Folha de S.Paulo

Uma manhã cinza de sábado em São Paulo é um convite à preguiça, a um livro e àquela esticada na cama.

Mas só pode se dar a esse luxo quem não quiser se tornar “magnética” para conquistar um partidão, promessa do treinamento intensivo oferecido pela agência de relacionamentos Eclipse Love.

Dezenove mulheres a R$ 1.000 por cabecinha estavam lá, em uma sala da avenida Paulista, diante de um “powerpoint” que anunciava mudar suas vidas. Eram secretárias, arquitetas e psicólogas com idades entre 30 e 60 anos.

A criadora do programa, a psicóloga Eliete Amélia de Medeiros, 47, há 15 anos trabalha unindo casais e há dois abriu uma agência. Ela diz ser a primeira “heart hunter” (caçadora de corações) e chega a cobrar R$ 12 mil pelos seus serviços, que, segundo afirma, têm êxito de até 70%. Atualmente, diz, 2.500 pessoas contam com seu auxílio para ter sorte no amor.

SUTIÃ DA DISCÓRDIA

Na abertura do curso, Eliete explica que, como a Lua, as mulheres têm fases e é preciso respeitá-las. Pelo menos uma vez por mês, a mulher deve tomar um banho mais demorado e tirar um dia para apenas ingerir líquidos, cuidados que, avisa, se perderam com o tempo.

Após esse breve prólogo, dá-se início a um capítulo sobre etiqueta. Na tela está uma imagem de um sutiã em chamas. A professora diz: “Não foi nossa culpa que elas fizeram isso, mas precisamos resgatar a feminilidade e a tolerância se quisermos relacionamentos duradouros”.

Nessa aula, as mulheres aprendem que não devem falar com o garçom durante um jantar romântico; que homens reparam se a pedicure está em dia e que é proibido comer muito em um primeiro encontro.

Para a psicóloga Ana Letícia Pereira, 30, o capítulo foi bastante proveitoso. Ela acredita que perdeu um partidão por ter feito um pedido diretamente para o garçom durante um jantar. “Demonstrei ser independente demais.”

O que se fala à mesa também é importante: nada de tagarelar sobre trabalho. “Deixe esse assunto para eles, que já se sentem muito inferiorizados”, ensina.

Um dos slides mostra que 50% das pessoas não querem parceiros acima do peso. A própria Eliete costuma rejeitar gordos em sua agência. “Sou carinhosa e assertiva, digo que se ela emagrecer aumentará seu leque de oportunidades”, explica. Mas há gordos magnéticos, não?, a reportagem pergunta. “Não é o que dizem as pesquisas.”

Depois de um breve curso de maquiagem –porque cara lavada é sinal de desleixo–, Eliete volta com um guia prático do magnestismo. Todas as participantes estão com caneta em punho.

A primeira regra é a pontualidade. “Qual o problema em deixar um pretendente com uma Mercedes esperando na porta da sua casa por 15 minutos?” “Todos”, responde a plateia. São Paulo é uma cidade perigosa, além de ser sinal de falta de respeito, segundo as participantes.

Outro item elementar é o salto alto. “Sei que rasteirinhas e sapatilhas estão na moda, mas para atrair devemos usar salto”, diz Eliete. Ela mesma não descansou um segundo do seu salto 12.

FORÇA NO REQUEBRADO

As magnéticas são maleáveis, “batem cabelo” (jogo de cabeça para os lados), quebram os pulsos (sim, desmunhecar) e movem os quadris enquanto conversam.

Quem quer relacionamentos duradouros não deve transar na primeira noite, e o homem é quem paga o primeiro jantar. Mas a magnética também pode ser ousada e ligar no dia seguinte para agradecer o passeio, diz a professora, que informa estar há um ano e meio com um novo amor, após o divórcio.

Por volta das 15h acontece o segundo momento leve do curso, com dicas de como se vestir. Lembra a regra do salto? Então, ela vale também para praia ou piscina. “Como você não usa sapato nessas ocasiões, deve andar na ponta dos pés. Além de chamar atenção e olhares, gordurinhas e celulites ficam disfarçadas”, afirma Eliete. Nesse instante, ela demonstra como deve é esse andar. As alunas a seguem com o pescoço.

Para finalizar, a mestra pede que as mulheres fechem os olhos: vai começar uma técnica de relaxamento que, de quebra, promete aumentar a (estava faltando esta palavra) autoestima. Elas têm de visualizar uma “cena positiva” com o homem dos sonhos e guardar esse retrato. Depois, devem pensar numa pessoa muito especial, alguém que amem acima de tudo. Nessa hora, Eliete toca o ombro de cada uma, sinal para que abram os olhos. Um espelho está diante delas. Algumas não resistem e choram.

A bancária Milena Jorge, 35, do interior de São Paulo, foi uma. Depois de 14 anos de namoro, três de casamento e um bebê de um ano, descobriu a traição do marido em uma mensagem no celular.

Há cinco meses separada, resolveu acelerar a volta por cima. O caminho mais breve foi a agência e o curso.

“Sou caseira, não conseguiria me expor nas baladas. Tenho filho, por isso preciso de alguém que faça a primeira triagem. Vai que me deparo com um ladrão?” Se o curso fez diferença na vida dela? Absolutamente.

Naquele mesmo sábado, ela foi a um “happy hour” promovido pela agência. Conheceu um rapaz e colocou seu magnetismo à prova. Ela não era o perfil que o cara buscava –ele queria mulher sem filhos. Mas o rapaz não resistiu. No próximo fim de semana, Milena receberá o pretendente em sua cidade.

Eliete programa a versão do curso para homens no próximo semestre, com dicas de culinária, dança e enologia.

dica do Sidnei Carvalho de Souza

Por que a barriga ronca quando estamos com fome?

preview_html_3b0679f6

publicado na Mundo Estranho

Porque o ar e os líquidos do aparelho digestivo se misturam quando bate a fome, produzindo esse barulho esquisito – e, vamos admitir, bem constrangedor em certas situações. “Nessa hora, o corpo já se prepara para receber a comida: a boca produz saliva, as paredes do estômago se movimentam e passam a fabricar o suco gástrico. Se o alimento demora a chegar, o ar que entra precisa se acomodar às secreções da digestão, provocando os roncos da barriga. Pode ser desagradável, mas é uma reação natural”, afirma o gastroenterologista Joaquim Prado de Moraes, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Entretanto, o barulho não surge apenas quando estamos com fome, podendo aparecer também durante a digestão. “Quando nos alimentamos, ingerimos ar com a bebida e a comida. Ao passar pelo tubo digestivo, o ar se junta aos líquidos e causa o ronco”, diz outro gastroenterologista, Décio Chinzon, também do Hospital das Clínicas.

O pior é que a sinfonia estomacal pode ser ouvida em alto e bom som, pois, quando o estômago se contrai, as paredes do abdômen funcionam como uma espécie de amplificador. Para quem tem horário definido para comer, essas contrações acontecem sempre antes das refeições. Já para as pessoas que nunca se alimentam na mesma hora, o ronco pode aparecer após cinco a oito horas de jejum.

Para 47% dos leitores, sucessor de Bento 16 deveria ser um brasileiro

O cardeal brasileiro, João Braz de Aviz, que está entre os possíveis sucessores de Bento 16 / Tony Gentile - Reuters

O cardeal brasileiro, João Braz de Aviz, que está entre os possíveis sucessores de Bento 16 / Tony Gentile – Reuters

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo

A maioria dos leitores da Folha acredita que o próximo a suceder ao papa Bento 16, que anunciou sua renúncia na segunda-feira (11), deveria ser um cardeal brasileiro.

Com 47% dos votos, os leitores afirmam que a vaga deve ser preenchida por um brasileiro, enquanto 22% preferem ver um cardeal africano como o líder da Igreja Católica.

Um papa italiano foi a opção de 11% dos leitores. Empatados com 6% das preferências estão um cardeal latino-americano (mas não brasileiro) e um europeu (mas não italiano). Um cardeal da América do Norte foi a escolha de 5% dos leitores e, em último lugar, 3% dos leitores optaram por um cardeal asiático.

No total, 2.781 pessoas participaram da enquete promovida pelo Painel do Leitor.

O cardeal d. Odilo Pedro Scherer, que também é cotado para vaga de papa / Avener Prado - Folhapress

O cardeal d. Odilo Pedro Scherer, que também é cotado para vaga de papa / Avener Prado – Folhapress

Apesar da preferência da maioria dos leitores, a possibilidade da vaga ser ocupada por um candidato vindo de fora da Europa é escassa, porque há forte resistência da máquina administrativa da igreja. No entanto, ela existe. Pelo menos essa é a opinião do vaticanista americano Kevin Eckstrom.

Embora não existam candidatos oficiais, há cardeais e bispos mencionados com mais frequência como possíveis sucessores. Entre eles estão os brasileiros João Braz de Aviz, 65, e Odilo Pedro Scherer, 63. De Gana, na África, o mais cotado é Peter Turkson, 64.

Em abril de 2005, logo após a morte do papa João Paulo 2º, o mais cotado para assumir sua vaga, segundo a empresa britânica de apostas Paddy Power, era o cardeal italiano Dionigi Tettamanzi, arcebispo de Milão, atualmente com 78 anos.

Ainda segundo a bolsa britânica, na época, o brasileiro d. Cláudio Hummes estava em quinto lugar na preferência dos apostadores, empatado com o italiano Angelo Scola e com o austríaco Christoph Schönbom.

De joelhos, Cachoeira beija os pés de Andressa após se casar em Goiás

Casamento Cachoeira e Andressa em Goiás (Foto: Carolina Simiema/ G1)Andressa e Cachoeira após se casarem na noite desta sexta-feira (Foto: Carolina Simiema/ G1)

Publicado originalmente no G1

O contraventor Carlinhos Cachoeira se casou com a companheira, a empresária Andressa Mendonça, na noite desta sexta-feira (28), no condomínio de luxo onde o casal mora, em Goiânia. Após a cerimônia, o casal saiu da residência para conversar com os jornalistas, quando o bicheiro se ajoelhou e beijou os pés da mulher (veja vídeo).

“Estou repetindo uma cena que fiz durante o casamento. Este foi o pior ano da minha vida, mas vocês não sabem a força que essa mulher tem”, disse. As imagens são do cinegrafista da TV Anhanguera Hebert Bruno.

O casamento foi restrito a cerca de 50 familiares e amigos mais próximos. A imprensa não foi autorizada a acompanhar a cerimônia. “Estamos muito felizes”, afirmou Andressa, que se casou com um vestido branco, de manga longa, de renda com pedrarias.

O cartorário Antônio do Prado conduziu o casamento civil, que durou cerca de 15 minutos. “Foi tudo tranquilo, na própria casa deles. Tinham poucos convidados”, contou aos jornalistas, ao deixar o local por volta das 20h50.

Em seguida, aconteceu a bênção religiosa, comandada pelo pastor Vitor Hugo Queiroz, da igreja evangélica que Andressa frequenta. Os convidados começaram a chegar por volta das 19h40. Poucos minutos depois, já havia fila de carros na portaria de visitantes do condomínio, na região sul da capital.

Inicialmente, o casamento aconteceria no último dia 22, mas foi adiado. Segundo um amigo do casal, que preferiu não se identificar, o cartório cancelou o casamento porque o edital de proclamas não foi publicado a tempo. O G1 entrou em contato com o cartório, que disse que não se pronunciaria sobre o assunto.

Cachoeira prometeu se casar com a companheira, ainda em dezembro deste ano, após receber alta médica no dia 30 de novembro. Ele esteve internado por cinco dias no Instituto de Neurologia de Goiânia com diarreia, náuseas, insônia e estresse.

A primeira vez que Cachoeira falou publicamente sobre se casar com a mulhere oficializar a relação foi em 25 de julho deste ano, durante uma das audiências do processo Monte Carlo na Justiça Federal em Goiânia. Ele havia prometido se casar com ela no primeiro dia em que estivesse fora da prisão. A declaração foi dada na frente do Juiz Alderico Rocha Santos, dos réus, dos advogados e dos presentes à sessão.

Andressa Mendonça tem dois filhos, um de 4 e outro de 6 anos, com o ex-marido, Wilder Pedro de Morais (DEM-GO), que assumiu a vaga do senador cassado Demóstenes Torres (Sem partido-GO).

Além dos dois filhos de Andressa, Cachoeira também tem outros três filhos – dois meninos de 14 e 9 anos e uma menina de 6 – com a ex-mulher, Andréa Aprígio.

Hugo Queiroz é pastor da Igreja Evangélica Videira, de Anápolis. De acordo com o Diário da Manhã, Cachoeira se converteu após ter sido preso.

Por que sentir nojo é importante – e como isso afeta a nossa percepção

Crédito da foto: flickr.com/vipez

Ana Carolina Prado, no Como as pessoas funcionam

A capacidade de sentir nojo tem um papel importante para nossa própria saúde: ela nos leva a evitar coisas sujas que poderiam provocar doenças ou até nos matar. Afinal, imagine como seria se não tivéssemos nenhum pudor em comer coisas que caíram no chão imundo ou, sei lá, lamber maçanetas de banheiro (até existe gente que curte, mas é um caso à parte).

No entanto, um estudo recente sugere que, além de nos fazer evitar a sujeira, o nojo também nos ajuda a identificá-la melhor. Expliquemos. De acordo com muitas pesquisas, temos a tendência de associar o branco à limpeza – o que explica por que várias culturas dão tanto valor a ter dentes brancos e preferem pias e vasos sanitários de cores claras para o banheiro.

Levando isso em conta, o pesquisador em psicologia Gary Sherman, da Universidade de Harvard, realizou três estudos cujos resultados sugerem que o nojo não só motiva as pessoas a criar ou manter ambientes limpos, mas também pode levá-las a ter uma visão bem mais apurada para detectar variações de cor que poderiam denunciar pequenas sujeiras.

Para isso, Sherman e seus colegas testaram a habilidade de voluntários para detectar variações de cor em uma escala de tons de cinza. Em um primeiro estudo, 123 estudantes universitários analisaram conjuntos com quatro retângulos cada um – e, em todos eles, um dos retângulos era ligeiramente mais escuro ou mais claro que os outros. Os participantes tiveram, então, de indicar qual era o elemento diferente. No fim, a maioria achou mais fácil identificar quando o retângulo era mais escuro.

Depois de completar a tarefa, eles responderam um questionário que mediu a sua sensibilidade geral para o nojo. Resultado: as pessoas que sentiam nojo com mais facilidade apresentaram melhor desempenho na hora de identificar o triângulo levemente mais escuro.

Esses achados foram confirmados em um segundo estudo, mostrando que os estudantes que relataram sensibilidade maior ao nojo eram melhores em distinguir um número em tom claro escondido contra um fundo de um tom quase idêntico.

No terceiro estudo, os participantes viram uma apresentação de slides de imagens projetadas para provocar nojo (como baratas, lixo) ou medo (um revólver, alguém com uma cara muito brava). Em seguida, eles tiveram de completar outra tarefa que envolvia perceber variações sutis de cores. Resultado: induzir o nojo nas pessoas mais sensíveis aumentou significativamente a sua capacidade de percepção de tons. O mesmo nao aconteceu com a indução de medo, nem com aqueles que não sentiam nojo facilmente (o que faz sentido, já que as imagens não funcionaram tão bem para eles).

“Está muito claro que essa influência [a do nojo] promove o aumento da percepção”, concluem os pesquisadores. E isso, é claro, também vai nos ajudar a detectar e evitar os germes, toxinas e outras contaminações.

O trabalho está na publicação Psychological Science.