Vereadora segura calcinha durante discurso contra violência da mulher

Ela disse que comentário de colega incita a violência.
Vereador diz que Lucimara quer aparecer na mídia.

Vereadora do PCdoB usa tribuna para destacar violência contra a mulher (foto: Acrisio Siqueira/CMA)
Vereadora do PCdoB usa tribuna para destacar violência contra a mulher (foto: Acrisio Siqueira/CMA)

Publicado no G1

Em sessão realizada nesta terça-feira (25) na Câmara dos Vereadores de Aracaju, o Dia Internacional de Combate à Violência Contra Mulher, foi destaque no discurso da vereadora Lucimara Passos, (PCdoB).

Com uma calcinha nas mãos, ela falou sobre os dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que revelam que uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou sexual, e que cerca de 120 milhões de meninas já foram submetidas a sexo forçado, e 133 milhões de mulheres já sofreram alguma mutilação genital.

Parte da sua fala na tribuna se referiu aos comentários feitos pelo vereador Agamenon Sobra (PP) na semana passada sobre uma mulher cujo casamento foi cancelamento por ela está sem calcinha. Na ocasião, o parlamentar teria dito que mulher merecia ter sido surrada.

“O foco do meu discurso não era exibir uma calcinha. Isso foi feito para chamar à atenção contra as atitudes de preconceito relacionados a mulher. Como a realizada pelo vereador Agamenon. Atitude essa que ajuda a promover o preconceito contras às mulheres que não seguem um determinado padrão de comportamento”.

“Isso vai contra toda uma luta de anos, que travamos para nos libertar da opressão masculina. Não tem como calar diante de uma pessoa que tem acesso a Tribuna da Câmara e a imprensa para fazer esse tipo de comentário”, desabafou.

O vereador falou sobre o pronunciamento de Lucimara Passos através de uma nota enviada a equipe do G1 por sua assessoria. “Apareço na mídia com frequência buscando soluções para os problemas do povo de Aracaju, já a vereadora busca em mim uma maneira de estar na mídia, ela quer Ibope. Para mim esse assunto está encerrado, tenho outros temas mais importantes a discutir”.

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Empatia é quase amor

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Gregorio Duvivier, na Folha de S.Paulo

“Não existe racismo no Brasil. O machismo acabou. Homofobia não é mais um problema.” Quem nunca ouviu isso que atire o primeiro livro de Ali Kamel. Essas declarações, partem, invariavelmente, do opressor -daquele que tem tudo para ser tachado de racista, machista e homofóbico. Difícil ver um negro dizer que nunca sofreu racismo, ou que tem saudades do politicamente incorreto, da época em que faziam “piada de crioulo” na televisão.

Sou homem, branco, heterossexual, cisgênero -nunca sofri nenhum tipo de preconceito. Faço parte do pequeno grupo de pessoas que ganha mais e manda mais. Quando saio de uma loja e o alarme apita, o vendedor já vem pedindo desculpas: “Pode passar, senhor, o alarme deve estar quebrado”. Faço parte dessa minoria privilegiada que não é revistada, achacada, assediada, estuprada.

Qual é o papel do opressor na luta do oprimido? Não faço a menor ideia -mas a discussão me fascina. Suspeito de que a palavra-chave seja empatia. Sentir dor pela dor do outro é o que nos faz humanos -também é o que nos faz ser chamados de hipócritas, demagogos, esquerda-caviar. Humanidade é um crime imperdoável.

Recentemente, fui capa da “TPM” numa matéria excelente sobre a urgência de se discutir o aborto. Virei, para a maioria da população, um assassino de fetos. Apanhei como um petista no Leblon -normal, já imaginava que fosse acontecer (acho até que estou começando a gostar). O que não imaginava era que seria visto como um tucano na praça Roosevelt. Uma ala do feminismo me acusou de estar querendo “roubar protagonismo”.

Explico-me, portanto: não me interessa qualquer tipo de protagonismo -nem na arte, nem na vida. Sempre preferi papéis menores, ao abrigo dos tomates podres e das manchetes raivosas. Uma das razões que me fez topar a matéria foi justamente a coadjuvância: eram três capas, e nas outras duas figurariam mulheres: Alessandra Negrini e Leandra Leal.

Fiz essa capa porque tenho empatia pelas mulheres que não podem optar pelo aborto, mas sei que não sou a grande vítima da proibição (embora eu acredite que toda a sociedade é vítima da proibição). Apoiar uma causa não significa protagonizá-la, mas investi-la de protagonismo. Se há um protagonista, é a própria causa.

E que fique claro que não sou porta-voz de ninguém. Recomendo, para quem se interessar sobre o assunto, que leia Judith Butler, Chimamanda Ngozie Adichie, Aline Valek, Djamila Ribeiro, Clara Averbuck, Laerte, Nathalie Vassallo, Sofia Favero.

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Câmara de Sertãozinho decreta dia em “Homenagem à Consciência Branca”

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Publicado na Folha de S.Paulo

O presidente da Câmara de Sertãozinho (a 333 km de São Paulo), Rogério Magrini dos Santos (PTB), decretou ponto facultativo nesta sexta-feira (21) em “Homenagem à Consciência Branca”.

A medida foi tomada no mesmo decreto que validou ponto facultativo para o Legislativo local pelo Dia da Consciência Negra, comemorado na quinta-feira (20).

A “homenagem” gerou polêmica e críticas de instituições que combatem o preconceito. Vereadores ouvidos pela Folha criticaram a medida e ameaçam até abrir uma comissão processante para apurar o caso.

O presidente da Câmara, que foi eleito vereador com o apelido de “Zezinho Atrapalhado”, não foi encontrado pela Folha nesta sexta-feira e sábado (22) para comentar o assunto.

Segundo os colegas de Santos, ele criou o decreto sem o aval do restante do Legislativo. Os vereadores querem derrubar a medida criada por ele.

“Ele fez uma reunião na segunda-feira (17) porque queria decretar ponto facultativo pelo Dia da Consciência Negra, mas fomos contra porque não há lei municipal aqui”, disse o vereador Agnaldo Bonfim de Souza (PSDB).

“Fomos surpreendidos ao chegar na Câmara na quinta e ver que ele havia decretado dois pontos facultativos”, disse o vereador Silvio Blancacco (PSDB).

O presidente da ONG Cabeça Di Nego de Sertãozinho, Luís Honório, disse que o movimento negro da cidade irá realizar um protesto na Câmara nesta segunda-feira (24) contra o decreto.

“Por uma questão histórica, este decreto é um absurdo e um ato de preconceito”, afirmou Honório.

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No Ceará, agentes de trânsito recebem carta com teor racista

Mulher resgatou carro e, no dia seguinte, entregou mensagem, diz Detran.
Carta faz menção a servidor como ‘da cor da noite'; fiscais registraram BO.

Publicado no G1

O Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran-CE) recebeu uma carta com ofensas, xingamentos e trechos de teor racista dirigida a servidores que participaram de uma operação de reboque. De acordo com o Detran, uma mulher que foi resgatar um carro rebocado, voltou ao órgão, no dia seguinte ao resgate, e entregou a carta à secretária do departamento de fiscalização.

O carro foi rebocado em 11 de novembro por estar em uma vaga de táxi, na Rua Marcos Macedo. Os servidores registraram Boletim de Ocorrência. A mulher cujo nome aparece como sendo da autora da mensagem negou por telefone ter escrito o material.

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De acordo com o Detran-CE, a mulher entregou três cartas, uma para o diretor do órgão e outras duas para os dois agentes. A mensagem menciona os dois servidores e ainda um terceiro homem, o motorista do reboque. O texto e a indicação de autoria que aparece no fim da carta estão digitados.

Na carta, ela diz que os dois rebocaram o carro injustamente e que o veículo foi danificado pelos agentes. Afirma ainda que o carro foi ”roubado” pelos agentes. “Sou a senhora proprietária do carro que vocês ‘roubaram’ ontem, pela manhã, na Rua Marcos Macêdo. Estavam lá parados 4 carros, mas vocês acharam de só levar rebocado o meu. Um carro 0 KM, com apenas 10 dias de uso, sem nenhum arranhão, sequer que fosse, do tamanho de uma unha. E vocês colocaram na avaliação (está apensa a esta) que tinha arranhões, amassados e pneu cortado”, escreveu. A carta não traz assinatura, mas tem mensagem e nome da motorista digitados.

Racismo

Em outro momento ela diz: “Seus desgraçados, excomungados, amaldiçoados: que o diabo, o satanás, o senhor das trevas acompanhe vocês a partir de agora”. “Agora vou me referir ao cor da noite sem estrelas, o que estava dirigindo o carro do reboque: hoje tu vive como gente, convivendo com gente, por causa da maldita princesa Isabel”, diz a carta.

Um dos servidores ao qual a carta foi dirigida, Eduardo Soares, disse em entrevista ao G1 que lamenta o caso. Segundo ele, os agentes fizeram apenas o seu dever. “Entendemos a raiva por ter o carro rebocado. Realmente é chato você chegar ao local e não ver mais o seu veículo. No entanto, eu lamentei o teor das palavas escritas por ela na carta. Fiquei muito triste e não esperava esse tipo de agressão”, afirmou Soares.

O Detran-CE informou que orientou os dois funcionários a fazer um Boletim de Ocorrência e acrescentou que setor jurídico vai analisar o caso. “O setor jurídico orientou os dois funcionários a fazer um Boletim de Ocorrência. E ao mesmo tempo dar entrada ao protocolo solicitando providências neste sentido. Vamos trabalhar para que os dois agentes sejam protegidos”, informou o órgão de trânsito.
Ainda conforme o servidor, ele e o amigo de trabalho já acionaram o departamento jurídico do Detran-CE que prometeu tomar providências. “No outro dia, nós fizemos um Boletim de Ocorrência. Agora é esperar o que vai acontecer. Espero que a Justiça seja feita”, afirmou Soares.

Em entrevista por telefone, a mulher, que se diz servidora pública, negou a autoria da carta. “Tem a minha assinatura? Não. Então não fui eu. Não tem assinatura. Isso significa que não há provas materiais. Então, eu nego. Qualquer pessoa pode escrever qualquer coisa e entregar com o nome de qualquer pessoa”, disse.

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O dia em que o ódio bateu recorde

No dia seguinte à reeleição de Dilma Rousseff, o Brasil registrou o maior número de denúncias de páginas na web com manifestações de ódio e discriminação dos últimos nove anos.

Publicado em O Povo

Em um único dia de 2014, o número de páginas na internet denunciadas por manifestação de ódio e discriminação nas redes sociais, especialmente contra nordestinos, foi superior ao total de denúncias realizadas ao longo de todo o ano passado. Em 27 de outubro, dia seguinte à divulgação do resultado da eleição presidencial, o canal de denúncias da SaferNet Brasil registrou 10.376 ocorrências envolvendo 6.909 páginas. Durante todo o ano de 2013, a SaferNet Brasil recebeu 8.328 denúncias do tipo.

Os números do dia seguinte à reeleição de Dilma Rousseff (PT) constituem um recorde isolado de denúncias recebidas em um único dia no País, de acordo com Thiago Tavares Nunes de Oliveira, presidente da SaferNet Brasil, uma associação civil de direito privado, referência nacional no enfrentamento aos crimes e violações aos Direitos Humanos na Internet.

“Levando-se em consideração uma série histórica de indicadores com início em janeiro de 2006, quando o canal de denúncias da SaferNet Brasil passou a funcionar, este é o recorde absoluto dos últimos nove anos”, ressaltou Thiago, em entrevista ao O POVO, por email.

O pico de denúncias atingido no dia 27 já se sinalizava na véspera, duranta a apuração dos votos. No dia 26 de outubro foram denunciadas 305 novas páginas criadas supostamente para promover o ódio e a discriminação, especialmente contra nordestinos. Este número representa um aumento de 662,5% em relação ao mesmo dia de 2013, e um crescimento de 342,03% em relação ao primeiro turno das eleições.

Analisar de perto esses números e compará-los com índices anteriores não deixa dúvidas sobre suas motivações. Até as 20 horas do dia 26, período em que os resultados das urnas começaram a ser divulgados, a SaferNet havia registrado apenas 35 denúncias envolvendo 28 páginas distintas. Somente no intervalo entre as 20 horas e 23h59min o número de registros chegou a 386 denúncias referentes a 277 novas páginas.

O tsunami de ódio e discriminação nas redes sociais não foi interrompido de pronto. Pelo contrário, ganhou sobrevida nos dias seguintes e foi aos poucos perdendo vigor. Ao todo, no período de 26 a 31 de outubro foram registradas 16.556 denúncias sobre 10.430 páginas.

Depois do topo atingido no dia 27 com 10.376 denúncias, os registros chegaram a 3.594 no dia seguinte; baixaram para 1006 no dia 29 e ficaram em 596 no dia 30.

Em 2010

Esta foi a segunda eleição presidencial no Brasil realizada após a massificação das redes sociais. Em 2010, o Orkut e Twitter eram as mais populares.

“Nesse ano, a SaferNet Brasil recebeu e processou um total de 4.319 denúncias anônimas contra 911 links diferentes apenas no dia 1º de novembro de 2010 (dia seguinte à divulgação do resultado final das eleições, em 31 de outubro de 2010), quando os nordestinos também foram alvo de discriminação nas redes sociais (vide caso Mayara Petruso, estudante de direito condenada pela Justiça Federal por postar mensagens de incitação ao ódio contra os nordestinos no Twitter)”, lembra Thiago.

“Quando comparamos o dia 27 de outubro de 2014 com 01 de novembro de 2010 temos um aumento de 140,24% no número de denúncias registradas e um aumento ainda maior, de 658,4%, no número de páginas denunciadas”, completa.

“Até as 20 horas do dia 26 de outubro, a SaferNet havia registrado apenas 35 denúncias”

“Somente no intervalo entre as 20 horas e 23h59min, do mesmo dia, o número de registros chegou a 386″

10.376 denúncias distintas com manifestações de ódio e discriminação nas redes sociais foram registradas no dia 27 de outubro, sendo 8.321 envolvendo 5.960 links do Facebook e 1436 denúncias contra 587

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