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Garoto negro mostra racismo na rede social Vine

Rashid Polo

publicado na INFO

Rashid Polo geralmente usa os sete segundos de vídeo no Vine para trivialidades. Ora reclama de professores, ora comenta como se sente ao ver a ex com outra pessoa, ora encena um suicídio no caso de ter de ouvir Happy, de Pharrel Williams, mais uma vez.

Mas também gosta de flagrar (e comentar) o racismo velado com o qual atendentes de lojas tratam rapazes negros como ele, de acordo com uma postagem do BuzzFeed. Basta entrar em um mercado ou uma loja de conveniência e lá está o funcionário, rondando-o para ver se o rapaz não furta algo.

“Ela está me seguindo pela loja o tempo to… Olha lá! Ela pensa que eu estou roubando!”

“Ela pensa que eu estou roubando! Ela pensa que eu estou roubando! Reparem.”

“Abaixa a bola, pobre!”: a intolerância social de 514 anos ainda resiste na “classe dominante” do Brasil

Thiago de Araújo, no Brasil Post

“Quem é você, minha filha? Abaixa a bola, pobre. Abaixa a bola, pobre!”.

“Você não tem o mínimo de discernimento, de visão, de cultura, de noção do que eu estou falando. Escuta aqui, ‘ralezinha’, eu estou falando a favor de todos”.

“Chama o gerente que eu quero ver quem vai encarar 40 anos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Quem é você, minha filha? Ei, abaixa a bola, pobre!”.

“Palmas para você também, ridícula, pobre. Eu não sou rica, sou consciente, o que você deveria ser, como pobre. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Porque eu sou classe dominante e fico revoltada. Você é uma idiota”.

Impossível não se espantar com os poucos mais de três minutos de um vídeo que circula nas redes sociais nas últimas horas, no qual constam as quatro passagens citadas acima e muitas outras, tão vexatórias, e ao mesmo tempo tão de acordo com o Brasil em que vivemos hoje. Assista abaixo:

Tudo aconteceu na noite desta quinta-feira (10), na creperia Crepelocks do Barra Shopping, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada ao Brasil Post pela assessoria do estabelecimento e do shopping nesta sexta-feira (11).

É lugar comum falar que no Brasil e em seus quase 200 milhões de habitantes reside uma confluência absurda de etnias que dão ao País um caráter singular dentre as demais nações. É resultado de 514 anos de história, desde o descobrimento, o que, por consequência, impõe uma série de desafios e barreiras a serem vencidas, sobretudo no campo social.

Nesta semana, a presidente Dilma Rousseff disse em entrevista à rede de TV americana CNN que “uma Argentina” foi inserida na classe média do País nos últimos anos – o que corresponde a 42 milhões de pessoas -, e que outras 36 milhões de pessoas deixaram o mais baixo nível da pobreza.

Alguém pode se perguntar: “qual é a desse cara? O que tudo isso aí tem a ver com o tal vídeo?”. Pois bem, posso dizer que até o momento, dia 11 de julho de 2014, 16h30, nenhuma das duas protagonistas do vídeo foi identificada. Mas nota-se que a mais exaltada, branca, tenta se impor diante da outra, mais calma, e mulata.

Há ainda uma forte resistência aos números alcançados nos últimos 15 anos no que diz respeito à inserção social – e aqui não há nenhum privilégio a esse ou aquele partido, esse não é o ponto central do debate. Há sim no Brasil quem ainda acredite que pobre é pobre porque quer, que a pobreza é fruto de “preguiça” e que programas assistenciais como o Bolsa Família ajudam a alimentar essa “raça”, como eu próprio já ouvi certa vez em uma conversa de metrô – a qual, diga-se, não me espantou.

Ora, em um momento intempestivo, eis que saltam da boca da mulher mais exaltada aqueles preconceitos mais odiosos e comuns dentre o que ela mesma define como “classe dominante”. O internauta André Bastos foi o primeiro a postar o vídeo em sua página no Facebook, e pediu que o material fosse compartilhado.

“E pra não bastar, no fim do vídeo ela tem uma atitude homofóbica para com meu amigo ao perceber que está sendo filmada. Compartilhe o máximo que puder para que algo seja feito, nem que seja fazer essa louca passar uma vergonha…”, escreveu.

andre bastos

O jornal O Globo trouxe mais detalhes do que se passou nesta confusão. “Eu não estava mais no local, mas minha gerente me ligou para pedir autorização para chamar a segurança. Segundo relatos dos funcionários, a cliente não consumiu nenhuma comida, somente bebida. Perguntei se tinha ocorrido algum problema com o serviço ou algum desentendimento com outro cliente, mas parece que ela ficou transtornada por um motivo bobo e apresentava estar fora de si”, afirmou à publicação a dona da Crepelocks, Ana Letícia.

O Brasil Post também entrou em contato com a assessoria de imprensa da Crepelocks. Em nota, a loja informa que “a discussão aconteceu entre duas clientes por motivos que a empresa desconhece” e que, “diante da alteração de uma das pessoas envolvidas, a gerente tentou intervir cordialmente pedindo que a mesma se retirasse do interior da loja”.

“Ao demonstrar que não sairia do estabelecimento e continuar com as agressões verbais a outros clientes, a Crepelocks chamou a segurança do shopping, para que profissionais capacitados e treinados pudessem resolver a situação. A Crepelocks rechaça qualquer tipo de discriminação e treina seus funcionários para tratar seus clientes com presteza e respeito sempre”, concluiu a nota da creperia. O Barra Shopping informou, também por meio da sua assessoria, que ofereceu o apoio da sua segurança durante a confusão, mas por ela ter se dado dentro de uma loja, nada além poderia ter sido realizado.

E qual é a conclusão disso tudo? Bem, por certo a jornalista e escritora Danuza Leão – aquela que, em 2012,  disse que Nova York não tinha mais graça, já que “até porteiro de prédio podia ir” – ainda possui muitos discípulos por aí. E também que o antropólogo pernambucano Gilberto Freyre, autor do clássico Casa-Grande & Senzala, já dizia com exatidão, ainda no início do século passado, algo adequado à atualidade: “o que houve no Brasil foi a degradação das raças atrasadas pelo domínio da adiantada”.

As coisas estão mudando, goste ou não a “classe dominante”.

Candidatura de pastor a deputado federal no Rio abre crise com cúpula do PSOL

urna-eletronica-mao-580x393Publicado em O Globo

Às vésperas das convenções partidárias, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) está em pé de guerra. Membros da sigla divergem a respeito da candidatura do pastor Jeferson Barros ao posto de deputado federal pelo Rio. O motivo da divergência seria sua ligação com a Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Quadros importantes do partido, como Jean Wyllys, Chico Alencar e Marcelo Freixo, se opõem ao pastor por considerá-lo distante dos princípios da legenda.

Para o pastor Jeferson e todo pré-candidato temos de verificar se o histórico se coaduna com o ideário do PSOL. Como ele passa a ser bancado e defendido por uma pessoa como o Malafaia, estranha ao partido as posições muito agressivas em relação a uma série de valores que o Psol cultua, e é claro que gera um enorme problema interno — declarou Chico Alencar, deputado federal pelo Rio.

O pastor, pivô da discórdia, é acusado de participar de marchas homofóbicas e de contribuir em eleições anteriores com campanhas de candidatos de direita. Jeferson, que pertence à Assembleia de Deus do Ministério Parque Anchieta, nega o envolvimento nessas atividades e afirma que está sendo vítima de preconceito devido a sua religião:

— Não tenho vínculo nenhum com Silas Malafaia. Existe um preconceito sim por eu ser pastor, estou sendo perseguido e sem direito de defesa, ninguém da direção do partido me chamou para ter uma conversa — declarou o pastor.

A polêmica chegou a ser polarizada entre Jean Wyllys e Jeferson. A informação que circulava era de que Jean, militante ativo da causa LGBT, chegou a ameaçar retirar sua candidatura caso o pastor conseguisse se lançar para as eleições. Entretanto, o boato foi desmentido pelo partido e pela assessoria do parlamentar. Em nota, a sigla afirmou que “nem o deputado Jean Wyllys nem qualquer outro parlamentar decidem quem pode ou não ser candidato: a decisão cabe ao diretório e à convenção partidária”, acrescentando ainda que “não existe qualquer questionamento do deputado Jean Wyllys com relação à possibilidade de que ‘um pastor’ seja candidato”. Jeferson também afirmou desconhecer que o parlamentar tenha tido esta postura.

A deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ), principal defensora da candidatura de Jeferson, endossou a fala do pastor contra a sigla e criticou duramente os deputados Chico Alencar e Marcelo Freixo.

— Sou surpreendida por uma nota assinada pelos medalhões do partido, de onde tiraram isso? Em nenhum momento nem Freixo , nem Alencar, nem a direção do partido ligaram para conversar sobre isso. Chega de ser julgada, condenada sem abrir a boca. Acabou o silêncio, se não tem fórum interno pra discutir isso tudo, vamos fazer publicamente — disse a parlamentar que, pertencente ao Coletivo PSOL do Povo, uma das correntes internas da legenda.

A nota mencionada por Janira, divulgada pela executiva estadual do PSOL, além de apontar a participação de Jeferson em marchas homofóbicas organizadas por Malafaia, alega que “o PSOL não é um partido de aluguel que possa ser usado por aqueles que a cada eleição mudam de partido, passando da esquerda para a direita e da direita para a esquerda como quem troca de roupa”. O pré-candidato já foi filiado ao PT, PCdoB e PRB.

A deputada acusou ainda Marcelo Freixo de orquestrar a ofensiva contra Jeferson:

— Nada acontece no PSOL do Rio sem que o Freixo decida se vai acontecer ou não — acusa.

Um dos principais nomes do partido, Marcelo Freixo rebateu a fala de Janira e ressaltou que o partido tem exemplos de que não carrega nenhum tipo de intolerância religiosa, como os vereadores e pastores Mozart Noronha, do Rio, e Henrique Vieira, de Niterói.

— Eu não estou vetando ninguém, só estou dizendo que ninguém pode ser candidato porque deseja ser, ou porque alguma candidata quer. Tentar levar o debate paro o lado religioso é apelar e fugir do que cabe à política. Sequer sou da direção do partido, não sou de nenhuma corrente política. Tenho muito respeito às instituições — defendeu Freixo.

Com tantas críticas da sigla em relação ao pivô de toda a discussão, questiona-se por que o partido permitiu a filiação de Jeferson. A resposta pessoal de Chico Alencar revela que o pré-candidato ingressou na legenda através de Janira Rocha. Segundo ele, a deputada filiou um grande número de pessoas quando liderou o diretório estadual:

— A deputada Janira Rocha, quando foi presidente do partido, levava fichas de filiação em quantidade. A gente não tem estrutura pra avaliar uma a uma, mas é claro que quando uma pessoa postula um patamar acima da simples filiação, se faz um pente fino.

A briga partidária deve se estender até o próximo sábado, quando os membros do partido se reúnem para uma pré-convenção do Diretório Estadual, no Rio. Janira Rocha e Jeferson Barros já entraram com um recurso no Conselho de Ética Nacional do PSOL para que aqueles que prestaram acusações contra o pastor apresentem provas. Sobre a defesa de seu posto como candidato, Jeferson é taxativo:

— Estou com medo de ser agredido, estarei lá no sábado e minha candidatura será apresentada. O que o meu coletivo decidir eu faço, irei à executiva nacional do partido e ao TSE.

Brasileiros monitoram racistas, machistas e homofóbicos na internet

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Publicado na BBC Brasil

“Todo dia tem racismo fresquinho no Twitter”, assegura o criador da página “Não sou racista, mas…” João Filho, 33. “Quem gosta de preto é chicote”, “Cada dia mais pegando nojo de preto” ou “Não tô nem aí, não gosto de preto mesmo, ainda mais gordo” são alguns dos comentários que comprovam sua tese.

João foi o primeiro brasileiro a compartilhar mensagens alheias na rede social para expor o preconceito de seus autores. O perfil, criado meses antes do “A minha empregada” (que chegou a repercutir no exterior nesta semana), foi o ponto de partida para o monitoramento de outras palavras-chave na rede — machismo, homofobia, transfobia e preconceito contra pessoas acima do peso são alguns deles.

“Eu procuro por comentários que ouço de forma recorrente no trabalho, no ambiente familiar, nas ruas”, diz João.

Segundo ele, frases como “serviço de preto”, “preto fede” e “neguinha favelada” são mais comuns do que se imagina e mostram que o conceito de “preconceito velado” atribuído aos brasileiros não se confirma na internet.

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“O que mais me impressiona é a quantidade de jovens que aparecem nas minhas buscas”, afirma. “Dizer que alguém tem ‘cara de empregada’ está na boca da criançada.”

São adolescentes entre 15 e 18 anos os principais responsáveis pelos comentários preconceituosos.

João tem um palpite: “É triste, mas não sei se é algo dessa geração. Esses comentários sempre foram comuns entre a classe média. Talvez porque jovens usem menos filtro na hora de destilar preconceito.”

Machismo

Inspirada na atitude de João, a estudante Gabriella Ramos, 21, resolveu monitorar e expor machistas na rede.

“Os que mais me chocaram até hoje foram os que continham piada com estupro e violência à mulher”, diz a jovem criadora do “Não sou machista”.

Ela dá exemplos. “Não é estupro. É sexo-surpresa”, escreveu um jovem de Manaus. “Não é estupro se ela usava blusa aparecendo a barriga”, afirmou um rapaz de São Paulo. “Se vocês acham minha namorada gostosa é porque não a viram pelada. Só não estupro porque não preciso”, disse outro, um brasileiro que mora na Califórnia.

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Diferente dos outros perfis, Gabriella costuma engatar longas discussões com seus adversários machistas.

“Não adianta se esconder atrás da liberdade de expressão para disseminar discurso de ódio”, ela explica. “O trabalho de exposição é algo importante, é uma denúncia que nós fazemos. Choca? Incomoda? É essa a intenção.”

Homo e transfobia

Com apenas 17 anos, o estudante Nicholas criou a página “Não sou transfóbico”.

A dinâmica é a mesma: ele pesquisa e compartilha mensagens de ódio contra travestis e transexuais. “Comecei nessa semana depois do ‘A minha empregada’. Eu vi o perfil e achei a ideia muito legal. Aí fui procurar algo do tipo sobre transfobia, porque eu sofro na pele, e nao achei nenhum”, conta.

Nicholas acredita que as pessoas tenham “menos filtro” na internet do que nas ruas.

“Como dizem algo online e acham que tem menos consequências que na vida real, todo mundo sai esculachando. Mas para mim isso não faz sentido: bizarrices ditas na internet são públicas e ficam registradas pra sempre.”

Outro perfil é dedicado exclusivamente à homofobia (o ódio contra gays e lésbicas).

Com a descrição “Não sou homofóbico. Tenho até amigos gays, mas…” o perfil já publicou mais de 700 mensagens agressivas contra homossexuais.

“As lésbicas são erotizadas por homens o tempo inteiro. Isso também é um tipo de violência”, alerta o autor.

Recentemente, ele compartilhou uma mensagem de maio do ano passado que dizia: “É lésbica mas quer virar hétero? Estupro corretivo é a correção”.

O autor respondeu, afirmando que a mensagem era antiga e que o retweet da página “Não sou homofóbico” era apenas para chamar atenção.

“Procê ver”, respondeu o autor. “As m**** que são faladas na internet não se perdem com o tempo. Melhor não falar da próxima vez, né? :)”

Gordinhos

Há dois meses, o perfil “Só faz gordice” passou a monitorar um tipo de preconceito pouco comentado no Brasil.

Ela compartilha frases como “Odeio ver gordas de legging” ou “Se as gordas que usam roupas justas pagassem multa por poluição visual, nós já não estávamos na crise à bastante tempo”.

Diferente dos outros autores, que buscam privacidade, a criadora de “Só faz gordice” publica fotos próprias, sem medo de ser feliz.

“Beijinho no ombro gordofóbicos! As banhas são MINHAS, mostro quando, se e pra quem EU QUISER!” era a legenda de uma das mais recentes.

Bonita em nome do Senhor: moda gospel aquece mercado bilionário

Na mesma velocidade em que cresce o rebanho cristão, multiplicam-se as lojas de vestuário evangélico

 A cantora Pamela e seu closet, recheado de roupas sofisticadas e comportadas: seu estilo é inspiração para uma legião de fãs evangélicas (foto:  Carlo Wrede / Agência O Dia)


A cantora Pamela e seu closet, recheado de roupas sofisticadas e comportadas: seu estilo é inspiração para uma legião de fãs evangélicas (foto: Carlo Wrede / Agência O Dia)

Maria Luisa Barros, em O Dia

Cafonas, feios e malvestidos. Se algum dia esses três adjetivos foram atribuídos aos evangélicos, definitivamente isso é coisa do passado. Estilosa, dentro de um casaco de oncinha e calça de couro, a cantora gospel Pamela Jardim, 31 anos, é um dos mais fiéis retratos de uma nova geração que quer estar divina sem parecer vulgar.

Na mesma velocidade em que cresce o rebanho cristão — 16 milhões de novos fiéis em 10 anos — multiplicam-se as lojas de vestuário evangélico. Blogueiras, sacoleiras, que compram no atacado artigos de grifes como a ‘Bela Loba’ e lojas virtuais tentam dar conta da demanda de quem não pode ir a São Paulo, centro de moda cristã.

Polo de compras no estado, a Rua Teresa, em Petrópolis, também se rendeu ao look chic crente, de olho num universo que movimenta R$ 15 bilhões por ano (entre produtos culturais e de consumo). Evangélicas chegam a gastar, em média, R$ 6 mil por mês com roupas e sapatos.

Na hora das compras, um olho na vitrine e outro na Bíblia. O livro sagrado respalda a vaidade: “A mulher de verdade cuida bem da aparência e dos que dela dependem”, diz o provérbio. Na Igreja ou no trabalho, as fiéis devem se vestir de acordo com a palavra de Deus. “Que Deus ponha em nossos corações a vontade de sermos fiéis a Ele e que possamos dar bom testemunho através do nosso vestir”, citou a blogueira Mari Raugust, no blog ‘Passarela Estreita’.

A regra, no caso, é que as mulheres de Deus são a atração, não as partes do seu corpo. É o que procura seguir a cantora Pamela. “Não uso roupas curtas e provocantes. As meninas da Igreja se inspiram em mim”, conta ela, que tem em seu closet marcas de luxo, como Chanel, Dior e Louis Vuitton.

O sucesso não a livrou do preconceito. “Uma vez, gostei de uma bolsa da Dior, mas a vendedora disse que custava R$ 5 mil e tinha que ser à vista. Minha tia, que estava comigo, pediu duas e pagamos no ato”, diz Pamela, que vendeu 400 mil cópias (o novo CD, ‘Tempo de Sorrir’, sai em agosto).

A empresária Liz Lanne, ex-cantora gospel, deixou os palcos para se dedicar ao mundo fashion depois de muito garimpar peças sofisticadas, mas recatadas. Abriu uma grife, a 7Liz, no Recreio, na Zona Oeste. “Antes, as pessoas tinham vergonha de ser evangélicas. A imagem era a pior possível. Hoje, é sinal de status”, diz.

Liz explica o que pode ser usado. “Não é colocar tudo justo, transparente e curto. Fica demais. A Igreja só quer que a gente esteja decentemente vestida”. Ela completa: “Não tem que ser feia só porque é crente. Temos o direito de sermos lindas e de usar as melhores roupas”.

‘Se a Igreja proíbe o que você gosta, vá para outra’

Na dúvida entre vestir o modelito preferido ou seguir as regras da Igreja, fique com a primeira. A dica é da blogueira evangélica Maanuh Scotá, que tem 270 mil visualizações por mês em sua página na internet, no ‘Blog da Maanuh’. “A pessoa tem que se sentir bem. Se a Igreja proíbe o que você gosta de usar, vá para outra”, aconselha Maanuh, 25 anos, que adora roupas coloridas e descoladas.

A blogueira, que é casada e não tem filhos, dita as tendências da moda gospel para suas fãs, a maioria adolescentes, que acompanham religiosamente seu “look do dia”. “Elas se identificam muito com o meu perfil: bonita sem ser vulgar”, diz a baiana, que frequenta os cultos da Igreja Maranata. O pastor libera o uso de calças compridas, mas Maanuh gosta mesmo é de saias rodadas. Todas as roupas e sapatos exibidos no blog são doados a ela por lojas de grifes.

O fotógrafo é o próprio marido, Diogo Scotá, 25 anos. É ele quem limita o tamanho da saia. “Quando está muito curta ele pede para trocar. O jeito é usar com meia por baixo, que fica legal”, ensina Maanuh, que vê como uma bênção o espaço virtual recém-conquistado. “Serviu para desmistificar a imagem de que o evangélico é cafona”, reconhece.

Outros dois blogs _‘Evangélicas Top’ e ‘Crente Chic’ _também dão sugestões para as princesas.

A VEZ DELES

Terno e gravata: indispensáveis

Elas não são as únicas a se preocupar com a aparência. Os homens também têm o seu estilo e gostam de estar na moda. O blog ‘Essas e Outras’ dá algumas dicas para acertar no visual. O estilo social é um dos mais usados pelos evangélicos. Terno, camisa e gravata são artigos indispensáveis.

Assim como para as mulheres, o que vale é a discrição. “Nada de camisas muito coloridas, gravatas estampadas demais. Nada como um pretinho básico ou um tom de cinza para dar seriedade à composição”, sugere.

Para os homens, não podem faltar no armário a calça e a camisa social. “Nesse caso, aposte em tons claros de camisas e sapatos sociais. Não é necessário usar gravatas, mas tome cuidado com a cor do cinto”. Com a chegada da estação mais fria do ano, os evangélicos ficam muito elegantes vestidos com blazers, suéteres e casacos.

Para os homens evangélicos que são adeptos de um visual mais básico, a dica é usar uma boa calça jeans, uma camiseta ou camisa polo; e nos pés, um sapatênis.

dica do Ailsom Heringer