“Marina na Presidência é a vez das pessoas pobres e sofridas do país”, diz viúva de Chico Mendes

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Altino Machado, no Blog da Amazônia

Ilzamar Mendes, viúva do líder sindical e ambientalista Chico Mendes, assassinado em Xapuri (AC), em dezembro de 1988, acompanhou o debate dos presidenciáveis na Band e gostou quando Marina Silva, candidata do PSB, citou o seringueiro ao expor seu conceito de elite.

Marina foi questionada pelo candidato Levy Fidelix (PRTB) se governará a favor do agronegócio, por manter relações próximas com o empresário Guilherme Leal, candidato a vice em sua chapa no pleito de 2010, e com Neca Setúbal, coordenadora do programa de governo da ex-senadora acreana.

- Não tenho preconceito contra a condição social de nenhuma pessoa. Quero combater essa visão de apartar o Brasil, de que temos que combater as elites. O Guilherme faz parte da elite, mas os ianomâmis também. A Neca é parte da elite, mas o Chico Mendes também é parte da elite. Essa visão tacanha de ter que combater a elite deve ser combatida. Eu quero governar unindo o Brasil, e não apartando o Brasil. Pessoas honestas e competentes temos em todos os lugares – respondeu Marina.

Segundo Izamar, “Marina citou Chico Mendes como elite, do jeito dele: elite de coragem, de homem simples, determinado, de ideias”.

- Foi isso o que eu entendi. Ficaria surpresa se ela falasse diferente.

Acreana do seringal Bagaço, alfabetizada aos 16 anos, Marina Silva coloca o Acre de vez no mapa do Brasil e pode ser a primeira presidente negra, nascida na Amazônia. A viúva disse que, caso Marina seja eleita, Chico Mendes “estará presente nas atitudes e no caráter dela”.

- Se ela chegar à Presidência, é a vez das pessoas pobres e sofridas do país, de olhar a saúde e a educação com mais carinho.

Veja a entrevista com Ilzamar Mendes:

Você acompanhou o debate dos presidenciáveis?

Claro, né? Gostei muito quando a Marina citou Chico Mendes como elite, do jeito dele: elite de coragem, de homem simples, determinado, de ideias. Foi isso o que eu entendi. Ficaria surpresa se ela falasse diferente. A Marina é uma das únicas pessoas que não mudam o seu estilo de falar, de ver a política de forma diferente. Acho que os ideais do Chico ainda existem no jeito de Marina querer governar o país olhando para os mais pobres, para as questões sociais que dificultam a vida do povo. Hoje a gente vê que a política nacional é mais para os ricos e muito pouco ou quase nada para os pobres.

Depois que Chico Mendes morreu, muitos se declaram amigos dele sem que tenham sido. Marina era mesmo amiga dele?

Eu só quero falar da Marina. Quando casei com Chico Mendes, ela era a segunda pessoa em minha casa. Marina, desde quando casei, era uma pessoa presente quase todos os dias em nossa casa. Era a pessoa que estava lado a lado com Chico. O Chico tinha Marina como uma irmã a quem ele confidenciava certas coisas que confidenciava comigo. A confiança que ele tinha na Marina era muito grande. Aliás, o Chico confiava plenamente em duas pessoas: na Marina e no Binho Marques (ex-governador do Acre). Essas foram duas pessoas importantes na vida do Chico.

Acha que Marina ainda será alvo de ataques durante a campanha?

Não tenho a menor dúvida. Ainda bem que a Marina tem Deus no coração. Ainda bem que a Marina é uma mulher de fé.  Vão atacá-la pelo fato de Marina ser a opção dos pobres, por ser o que existe de diferente na política, com uma visão nova capaz de melhorar a vida de milhões e milhões de brasileiros.

Qual a sua expectativa em relação à Marina?

Se ela chegar à Presidência, é a vez das pessoas pobres e sofridas do país, de olhar a saúde e a educação com mais carinho.

Tem alguma crítica a fazer à Marina ou à campanha dela?

Quem sou eu para fazer isso. A Marina é inteligente demais e sabe com certeza como agir e seguir na trajetória dela. Ninguém consegue fazer a cabeça da Marina. Ela é uma pessoa, assim como o Chico Mendes, que tem um dom de berço. Ela já nasceu com um dom. Com certeza, sendo eleita presidente, vai ouvir nossas reivindicações. Para nós, acreanos, com muita humildade, é motivo de orgulho ter na Presidência da República uma acreana nascida no seringal Bagaço, negra, que foi alfabetizada aos 16 anos. Durante o debate na Band eu fiquei pensando nisso e fiquei emocionada em ver ela se sair tão bem entre aqueles leões. Só mesmo a Marina, que é uma pessoa de fé, honesta e que traz um dom de berço.

E o Chico Mendes?

Com certeza, o Chico, lá em cima, está dando uma ajudinha. Aproveito para mandar um recado para Marina: ela pode confiar, que agora é a vez do Chico Mendes ajudá-la, afinal ela é responsável por dar continuidade a essa luta tão importante em defesa do meio ambiente. Caso Marina seja eleita, tenho certeza de que Chico estará presente nas atitudes e no caráter dela.

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Anão grava documentário com câmera escondida para mostrar o preconceito que sofre diariamente

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publicado no Hypeness

Tudo o que é diferente chama a atenção, mas quando se trata de pessoas, é preciso saber o limite da curiosidade. O norte-americano Jonathan Novick tem 22 anos e possui um tipo de nanismo, o que faz com que ele seja muito menor do que qualquer outra pessoa. Sim, ele é um anão. E embora chame a atenção das pessoas no dia a dia, passa por situações que não são nada agradáveis.

Para mostrar como é a vida de um anão, Jonathan Novick, que atualmente mora em Nova York, usou uma pequena câmera acoplada ao corpo, que o permitiu gravar momentos de seu dia e como as pessoas o tratam. No vídeo, é possível ver diversas pessoas o xingando, dando risadas e até mesmo tirando fotos, como se ele fosse algum tipo de aberração.

Além de ter a chance de ver o mundo como alguém que tem nanismo, o vídeo traz palavras tocantes de Novick. “A próxima vez que você encontrar alguém diferente de você, pense sobre como é seu dia a dia. Pense sobre todos os eventos que o levaram até lá e pense sobre seu dia – e sobre qual parte de seu dia você gostaria de estar”.

Dá uma olhada nos registros de Novick no vídeo abaixo:

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Vídeos com ofensas a candomblé e umbanda se multiplicam na internet

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Devoção atacada: na imagem, adepta da umbanda acende vela em reverância a orixás. Culto às entidades africanas é associado ao demônio em vídeos na web – Domingos Peixoto / Agência O Globo

Publicado em O Globo

O roteiro é quase sempre o mesmo: numa igreja lotada de fiéis, o pastor informa que há ali uma alma atormentada. O anúncio é seguido pela entrada de um homem em espasmos, agarrado por um grupo de funcionários do templo. Ele se apresenta como Exu e responde a uma série de perguntas feitas por outro homem, que se identifica como pastor. Diz que quer destruir a vida do incorporado, frequentador de terreiros de candomblé. Mas admite ser fraco e acaba subjugado pela força divina.

A cena se repete em milhares de vídeos encontrados na internet. “Macumbeiro desafia pastor e se converte a Jesus”, “Expulsando 500 demônios e arrancando a macumba” e “Testemunho de ex-macumbeiro” são os títulos de alguns deles. Ainda que tenham sido removidos os filmetes ofensivos que deram início à controvérsia envolvendo o juiz da 17ª Vara de Fazenda Federal do Rio de Janeiro Eugênio Rosa de Araújo – que afirmou que candomblé e umbanda não se configuram como religiões -, insultos parecidos continuam a proliferar na rede.

- A internet tem sido usada de forma deliberada. As pessoas acham que a rede é terra de ninguém, então, atualmente, esse é um dos principais meios de disseminação das ofensas – afirma o delegado Henrique Pessoa, designado pela Polícia Civil para acompanhar os casos de intolerância religiosa no Rio. – Esse tipo de ação tem dificultado muito o trabalho de conter a discriminação. Há sites com insultos hospedados no exterior. E, mesmo quando os vídeos são retirados, pouco tempo depois, outros são colocados no ar.

ma busca rápida no YouTube indica as proporções do problema. A combinação dos termos “candomblé” e “demônio” resulta em 7.290 ocorrências. “Umbanda” e “Lúcifer”, em 4.610. Já a expressão “Ex-pai de santo” está associada a 13.600 vídeos da plataforma. Além de rituais de exorcismo, o material encontrado na web mostra um festival de ofensas às religiões de matriz africana, associadas erroneamente ao demônio. Em um deles, um pastor diz que uma mulher incorporada por Iansã – orixá das tempestades e ventanias na mitologia do candomblé – faz sexo com o diabo. Outro mostra a viagem de um pastor que vai à Bahia com a missão de desenterrar um despacho. Em um terceiro, um religioso diz que um jovem que “vive no homossexualismo” está incorporado por Lúcifer, mas agora fará “um pacto com Deus”.

A polêmica sentença do juiz do Rio se referia a 15 vídeos com conteúdo similar. Um deles mostrava uma “ex-macumbeira” relatando sua conversão a uma religião neopentecostal. Em outro, é exibida uma “entrevista com o encosto”. Havia ainda a apresentação de um “jovem ex-pai de santo manifestando um demônio na hora da reconciliação”. A ação que levou à retirada do material foi movida em fevereiro pela Associação Nacional de Mídia Afro (ANMA). O grupo pedia ao Ministério Público Federal que acionasse a Justiça para solicitar ao Google, proprietário do YouTube, a remoção dos filmetes, postados por pastores ou representantes de igrejas evangélicas. Depois de despertar a ira de adeptos do candomblé e da umbanda, Eugênio Rosa de Araújo reviu os fundamentos da sentença e admitiu o erro. Em junho, uma decisão liminar da 2ª Região da Justiça Federal determinou a retirada dos vídeos do ar.

PASTOR: ‘A IGREJA OFERECE A PORTA DE LIBERTAÇÃO’

Diretor da Associação dos Pastores e Ministros Evangélicos do Brasil, Carlos de Oliveira diz que as cerimônias mostradas pelos vídeos são usuais em igrejas evangélicas neopentecostais e que o ritos não configuram desrespeito às religiões afro-brasileiras.

- Vivemos em um país democrático, e o lindo do país democrático é liberdade de religião. Há pessoas que adoram Satã. Elas sabem que o diabo sai pra fazer coisas ruins, mas resolvem adorá-lo. Mas nós consideramos que alguns personagens da religião africana não fazem o bem. Se a pessoa quer continuar com aquele ser, tudo bem. Mas, se procura ajuda, a igreja evangélica oferece a porta de libertação. O que não significa que o candomblé não tenha legitimidade de existir – opina o pastor da Assembleia de Deus.

Já o Google explica que não exerce censura prévia dos conteúdos do YouTube. Quando usuários do site sinalizam vídeos que podem violar diretrizes, a equipe revê o material para avaliar se deve removê-lo. “Não cabe aos responsáveis por plataformas digitais o papel de balancear direitos fundamentais, como liberdade de expressão e liberdade religiosa, para determinar quais conteúdos devem ou não ser removidos. Tal papel é exclusivo do Poder Judiciário. Se houver uma ordem judicial determinando a retirada do conteúdo, o Google irá cumpri-la”, acrescenta a empresa.

A importância da ação do Estado no controle da discriminação religiosa é destacada pelo advogado Hédio Silva Junior, que representou a ANMA no caso dos vídeos retirados do ar:

- O Brasil tem uma sociedade diversa do ponto de vista cultural e religioso. Em um contexto como esse, o Estado tem o papel de fomentar a convivência pacífica e garantir que todas as religiões sejam respeitadas – afirma o advogado. – Entendo que o país precisa de uma lei que discipline a liberdade de crença, que faria com que grupos minoritários se sentissem mais protegidos. O que o ocorre hoje é que as religiões chamadas majoritárias, sobretudo as que preservam uma proximidade com Estado, têm também suas decisões mais respeitadas.

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“Abaixa a bola, pobre!”: a intolerância social de 514 anos ainda resiste na “classe dominante” do Brasil

Thiago de Araújo, no Brasil Post

“Quem é você, minha filha? Abaixa a bola, pobre. Abaixa a bola, pobre!”.

“Você não tem o mínimo de discernimento, de visão, de cultura, de noção do que eu estou falando. Escuta aqui, ‘ralezinha’, eu estou falando a favor de todos”.

“Chama o gerente que eu quero ver quem vai encarar 40 anos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Quem é você, minha filha? Ei, abaixa a bola, pobre!”.

“Palmas para você também, ridícula, pobre. Eu não sou rica, sou consciente, o que você deveria ser, como pobre. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Porque eu sou classe dominante e fico revoltada. Você é uma idiota”.

Impossível não se espantar com os poucos mais de três minutos de um vídeo que circula nas redes sociais nas últimas horas, no qual constam as quatro passagens citadas acima e muitas outras, tão vexatórias, e ao mesmo tempo tão de acordo com o Brasil em que vivemos hoje. Assista abaixo:

Tudo aconteceu na noite desta quinta-feira (10), na creperia Crepelocks do Barra Shopping, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada ao Brasil Post pela assessoria do estabelecimento e do shopping nesta sexta-feira (11).

É lugar comum falar que no Brasil e em seus quase 200 milhões de habitantes reside uma confluência absurda de etnias que dão ao País um caráter singular dentre as demais nações. É resultado de 514 anos de história, desde o descobrimento, o que, por consequência, impõe uma série de desafios e barreiras a serem vencidas, sobretudo no campo social.

Nesta semana, a presidente Dilma Rousseff disse em entrevista à rede de TV americana CNN que “uma Argentina” foi inserida na classe média do País nos últimos anos – o que corresponde a 42 milhões de pessoas -, e que outras 36 milhões de pessoas deixaram o mais baixo nível da pobreza.

Alguém pode se perguntar: “qual é a desse cara? O que tudo isso aí tem a ver com o tal vídeo?”. Pois bem, posso dizer que até o momento, dia 11 de julho de 2014, 16h30, nenhuma das duas protagonistas do vídeo foi identificada. Mas nota-se que a mais exaltada, branca, tenta se impor diante da outra, mais calma, e mulata.

Há ainda uma forte resistência aos números alcançados nos últimos 15 anos no que diz respeito à inserção social – e aqui não há nenhum privilégio a esse ou aquele partido, esse não é o ponto central do debate. Há sim no Brasil quem ainda acredite que pobre é pobre porque quer, que a pobreza é fruto de “preguiça” e que programas assistenciais como o Bolsa Família ajudam a alimentar essa “raça”, como eu próprio já ouvi certa vez em uma conversa de metrô – a qual, diga-se, não me espantou.

Ora, em um momento intempestivo, eis que saltam da boca da mulher mais exaltada aqueles preconceitos mais odiosos e comuns dentre o que ela mesma define como “classe dominante”. O internauta André Bastos foi o primeiro a postar o vídeo em sua página no Facebook, e pediu que o material fosse compartilhado.

“E pra não bastar, no fim do vídeo ela tem uma atitude homofóbica para com meu amigo ao perceber que está sendo filmada. Compartilhe o máximo que puder para que algo seja feito, nem que seja fazer essa louca passar uma vergonha…”, escreveu.

andre bastos

O jornal O Globo trouxe mais detalhes do que se passou nesta confusão. “Eu não estava mais no local, mas minha gerente me ligou para pedir autorização para chamar a segurança. Segundo relatos dos funcionários, a cliente não consumiu nenhuma comida, somente bebida. Perguntei se tinha ocorrido algum problema com o serviço ou algum desentendimento com outro cliente, mas parece que ela ficou transtornada por um motivo bobo e apresentava estar fora de si”, afirmou à publicação a dona da Crepelocks, Ana Letícia.

O Brasil Post também entrou em contato com a assessoria de imprensa da Crepelocks. Em nota, a loja informa que “a discussão aconteceu entre duas clientes por motivos que a empresa desconhece” e que, “diante da alteração de uma das pessoas envolvidas, a gerente tentou intervir cordialmente pedindo que a mesma se retirasse do interior da loja”.

“Ao demonstrar que não sairia do estabelecimento e continuar com as agressões verbais a outros clientes, a Crepelocks chamou a segurança do shopping, para que profissionais capacitados e treinados pudessem resolver a situação. A Crepelocks rechaça qualquer tipo de discriminação e treina seus funcionários para tratar seus clientes com presteza e respeito sempre”, concluiu a nota da creperia. O Barra Shopping informou, também por meio da sua assessoria, que ofereceu o apoio da sua segurança durante a confusão, mas por ela ter se dado dentro de uma loja, nada além poderia ter sido realizado.

E qual é a conclusão disso tudo? Bem, por certo a jornalista e escritora Danuza Leão – aquela que, em 2012,  disse que Nova York não tinha mais graça, já que “até porteiro de prédio podia ir” – ainda possui muitos discípulos por aí. E também que o antropólogo pernambucano Gilberto Freyre, autor do clássico Casa-Grande & Senzala, já dizia com exatidão, ainda no início do século passado, algo adequado à atualidade: “o que houve no Brasil foi a degradação das raças atrasadas pelo domínio da adiantada”.

As coisas estão mudando, goste ou não a “classe dominante”.

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Candidatura de pastor a deputado federal no Rio abre crise com cúpula do PSOL

urna-eletronica-mao-580x393Publicado em O Globo

Às vésperas das convenções partidárias, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) está em pé de guerra. Membros da sigla divergem a respeito da candidatura do pastor Jeferson Barros ao posto de deputado federal pelo Rio. O motivo da divergência seria sua ligação com a Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Quadros importantes do partido, como Jean Wyllys, Chico Alencar e Marcelo Freixo, se opõem ao pastor por considerá-lo distante dos princípios da legenda.

Para o pastor Jeferson e todo pré-candidato temos de verificar se o histórico se coaduna com o ideário do PSOL. Como ele passa a ser bancado e defendido por uma pessoa como o Malafaia, estranha ao partido as posições muito agressivas em relação a uma série de valores que o Psol cultua, e é claro que gera um enorme problema interno — declarou Chico Alencar, deputado federal pelo Rio.

O pastor, pivô da discórdia, é acusado de participar de marchas homofóbicas e de contribuir em eleições anteriores com campanhas de candidatos de direita. Jeferson, que pertence à Assembleia de Deus do Ministério Parque Anchieta, nega o envolvimento nessas atividades e afirma que está sendo vítima de preconceito devido a sua religião:

— Não tenho vínculo nenhum com Silas Malafaia. Existe um preconceito sim por eu ser pastor, estou sendo perseguido e sem direito de defesa, ninguém da direção do partido me chamou para ter uma conversa — declarou o pastor.

A polêmica chegou a ser polarizada entre Jean Wyllys e Jeferson. A informação que circulava era de que Jean, militante ativo da causa LGBT, chegou a ameaçar retirar sua candidatura caso o pastor conseguisse se lançar para as eleições. Entretanto, o boato foi desmentido pelo partido e pela assessoria do parlamentar. Em nota, a sigla afirmou que “nem o deputado Jean Wyllys nem qualquer outro parlamentar decidem quem pode ou não ser candidato: a decisão cabe ao diretório e à convenção partidária”, acrescentando ainda que “não existe qualquer questionamento do deputado Jean Wyllys com relação à possibilidade de que ‘um pastor’ seja candidato”. Jeferson também afirmou desconhecer que o parlamentar tenha tido esta postura.

A deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ), principal defensora da candidatura de Jeferson, endossou a fala do pastor contra a sigla e criticou duramente os deputados Chico Alencar e Marcelo Freixo.

— Sou surpreendida por uma nota assinada pelos medalhões do partido, de onde tiraram isso? Em nenhum momento nem Freixo , nem Alencar, nem a direção do partido ligaram para conversar sobre isso. Chega de ser julgada, condenada sem abrir a boca. Acabou o silêncio, se não tem fórum interno pra discutir isso tudo, vamos fazer publicamente — disse a parlamentar que, pertencente ao Coletivo PSOL do Povo, uma das correntes internas da legenda.

A nota mencionada por Janira, divulgada pela executiva estadual do PSOL, além de apontar a participação de Jeferson em marchas homofóbicas organizadas por Malafaia, alega que “o PSOL não é um partido de aluguel que possa ser usado por aqueles que a cada eleição mudam de partido, passando da esquerda para a direita e da direita para a esquerda como quem troca de roupa”. O pré-candidato já foi filiado ao PT, PCdoB e PRB.

A deputada acusou ainda Marcelo Freixo de orquestrar a ofensiva contra Jeferson:

— Nada acontece no PSOL do Rio sem que o Freixo decida se vai acontecer ou não — acusa.

Um dos principais nomes do partido, Marcelo Freixo rebateu a fala de Janira e ressaltou que o partido tem exemplos de que não carrega nenhum tipo de intolerância religiosa, como os vereadores e pastores Mozart Noronha, do Rio, e Henrique Vieira, de Niterói.

— Eu não estou vetando ninguém, só estou dizendo que ninguém pode ser candidato porque deseja ser, ou porque alguma candidata quer. Tentar levar o debate paro o lado religioso é apelar e fugir do que cabe à política. Sequer sou da direção do partido, não sou de nenhuma corrente política. Tenho muito respeito às instituições — defendeu Freixo.

Com tantas críticas da sigla em relação ao pivô de toda a discussão, questiona-se por que o partido permitiu a filiação de Jeferson. A resposta pessoal de Chico Alencar revela que o pré-candidato ingressou na legenda através de Janira Rocha. Segundo ele, a deputada filiou um grande número de pessoas quando liderou o diretório estadual:

— A deputada Janira Rocha, quando foi presidente do partido, levava fichas de filiação em quantidade. A gente não tem estrutura pra avaliar uma a uma, mas é claro que quando uma pessoa postula um patamar acima da simples filiação, se faz um pente fino.

A briga partidária deve se estender até o próximo sábado, quando os membros do partido se reúnem para uma pré-convenção do Diretório Estadual, no Rio. Janira Rocha e Jeferson Barros já entraram com um recurso no Conselho de Ética Nacional do PSOL para que aqueles que prestaram acusações contra o pastor apresentem provas. Sobre a defesa de seu posto como candidato, Jeferson é taxativo:

— Estou com medo de ser agredido, estarei lá no sábado e minha candidatura será apresentada. O que o meu coletivo decidir eu faço, irei à executiva nacional do partido e ao TSE.

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