Arquivo da tag: prefeito

Igreja Renascer fecha apoio a Celso Russomanno

Ficheiro:Renascer13.jpg

Julianna Granjeia, no UOL

Após flertar com a candidatura à Prefeitura de São Paulo de José Serra (PSDB), a Igreja Renascer fechou apoio a Celso Russomanno, do PRB – partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus.

O apoio da igreja evangélica, comandada pelo apóstolo Estevam Hernandes e pela bispa Sônia, foi negociado pelo deputado estadual Campos Machado (PTB).

Machado se reuniu na semana passada com o deputado federal Marcelo Aguiar (PSD-SP), representante da igreja na bancada. O apoio foi formalizado nesta semana.

Em evento promovido pela FGV (Fundação Getulio Varga), na tarde desta quinta-feira (6), Russomanno afirmou que não comentaria mais sobre religião.

“A imprensa tem dado muita ênfase a isso. Minha campanha tem pessoas de todas religiões, inclusive ateus. Quem é católico vai ser perseguido agora? Quem é evangélico vai ser perseguido? São todos brasileiros, eleitores e cidadãos. Isso é perseguição à igreja, às pessoas, é um absurdo. Não estamos disputando cargo de papa, mas sim de prefeito”, afirmou o candidato hoje, durante conversa com alunos da faculdade.
Problemas na Justiça

Em junho deste ano, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou o arquivamento de uma ação penal contra fundadores da Igreja Renascer em Cristo, Estevam e Sonia Hernandes, que corria na Justiça Estadual de São Paulo por suposta prática de lavagem de dinheiro.

Eles eram acusados de comandarem uma organização criminosa que utilizava a estrutura religiosa e de empresas vinculadas à Igreja para lavar o dinheiro.

A denúncia afirmava que eles arrecadavam grande volumes de dinheiro dos fiéis, que eram “ludibriados” pelo casal.

Ainda de acordo com acusação, os recursos eram utilizados em proveito do casal e de terceiros, “desvirtuando as atividades eminentemente assistenciais e aplicando seguidos golpes”.

Estevam e Sonia chegaram a ser presos nos Estados Unidos, em 2007. Quando chegavam àquele país, eles declararam que não carregavam mais de US$ 10 mil, mas portavam US$ 56 mil.

No dia 22 agosto, a Justiça paulista condenou a Igreja Renascer em Cristo a pagar 50 salários mínimos (cerca de R$ 30 mil) de indenização a Matheus Ribeiro Nascimento, uma das vítimas do desabamento de um templo religioso na zona Sul de São Paulo, em 2009. Desde o ocorrido, a Igreja Renascer tem colecionado derrotas na Justiça.

A Justiça também estipulou que Luiz Flavio Vieira Jurity deveria ser indenizado, em R$ 51 mil, por ter sofrido um corte na cabeça e uma fratura no fêmur em virtude da queda do telhado do templo.

O desabamento do templo deixou nove mortos e mais de 100 feridos.

Após as polêmicas, o jogador do Real Madrid Kaká e sua esposa Caroline Celico deixaram de frequentar a igreja, em 2010.

foto: Wikipédia

Rua de São Paulo ‘some’ para beneficiar Igreja Mundial

Evandro Spinelli, na Folha de S.Paulo

Uma rua vai “sumir” para permitir a construção de um templo da Igreja Mundial do Poder de Deus em Santo Amaro, zona sul de São Paulo.

A rua está prevista desde 1988 no plano viário da região, mas nunca foi construída. No lugar, a Igreja Mundial está fazendo um templo.

Ontem, a Câmara Municipal aprovou em primeiro turno um projeto do prefeito Gilberto Kassab (PSD) que muda o planejamento viário para que a rua deixe de existir.

Isso dá segurança jurídica à Igreja Mundial de que não corre mais o risco de ter parte de seu templo desapropriado no futuro para o prolongamento de 135 metros da rua Bruges até a rua Benedito Fernandes, a meio quarteirão da marginal Pinheiros.

O projeto, caso seja aprovado em segundo turno -a votação está prevista para a próxima semana-, abre brecha para que a Secretaria da Habitação emita o alvará de construção do templo.

A obra, que já tem ao menos dois anos, está sendo feita sem licença da prefeitura por omissão da fiscalização.

Apenas um vereador votou contra o projeto ontem: Aurélio Miguel (PR). Foram 31 votos favoráveis. A bancada do PT, que estava na sessão, decidiu não votar.

Nos corredores da Câmara, o tema era tratado como “o projeto do José Olímpio”.

Olímpio (PP) era vereador até o ano passado, quando renunciou para assumir uma cadeira de deputado federal.

Líder da Igreja Mundial, ele votou em José Police Neto (PSD) para presidente da Câmara em 2010. Em troca, negociou com Kassab a liberação da obra da igreja.

A prefeitura não adotou nenhuma medida de fiscalização para impedir que a obra avançasse, mas a igreja ainda cobrava a regularização do empreendimento.

Ontem, vereadores governistas -inclusive do PSDB- apostavam que, com a aprovação do projeto e a iminente regularização da obra, o apóstolo Valdemiro Santiago, fundador da Igreja Mundial, vai anunciar o apoio a José Serra (PSDB), candidato de Kassab à prefeitura.

RUA DESNECESSÁRIA

Na justificativa do projeto encaminhada à Câmara, Kassab argumenta que não há mais necessidade do prolongamento da rua Bruges.

“As intervenções promovidas no sistema viário ao longo desses anos já atendem, de maneira satisfatória, as necessidades de tráfego na região”, diz um trecho da justificativa do projeto.

A mudança na lei, acrescenta a prefeitura, não causará prejuízo aos vizinhos, que têm acesso ao local pela rua Benedito Fernandes, evitará o gasto com uma rua desnecessária e permitirá a regularização da situação dos lotes afetados pela lei.

A Folha procurou a Igreja Mundial no início da noite de ontem, após a votação do projeto, mas não conseguiu contato com nenhum dirigente.

imagem: Diogo Shiraiwa/Editoria de Arte/Folhapress

dica do Leone Lacerda

Luta pelo voto dos religiosos desigual em Minas

Juliana Cipriani, no Estado de Minas

É “em nome de Jesus” que eles se dizem candidatos e deixam bem clara a ligação com a religião em seus nomes na urna. Nas 100 maiores cidades de Minas Gerais, 271 pastores evangélicos se apresentam pedindo o voto do eleitor para representá-los, não só nos cultos, mas também nas câmaras municipais. Nos mesmos municípios, há apenas sete candidatos identificados como padres da Igreja Católica, conforme a listagem da Justiça Eleitoral. A diferença gritante ocorre pela postura das duas instituições em relação à política: enquanto os evangélicos incentivam as candidaturas e os votos dos fiéis, os católicos proíbem a participação dos sacerdotes nas disputas.

Levantamento feito pelo Estado de Minas mostra que em 70% dessas cidades há candidatos pastores, enquanto há padres somente em sete: Uberlândia, Governador Valadares, Sete Lagoas, Pouso Alegre, Alfenas, Ponte Nova e Monte Carmelo – um em cada. Em Belo Horizonte há 16 candidatos pastores; em Governador Valadares, 11, e em Contagem, nove. O curioso é que, de acordo com o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de mineiros que se declaram católicos (13.802.790) é três vezes e meia maior do que aqueles (3.957.520) que disseram pertencer a religiões evangélicas.

Dos poucos padres candidatos, um está afastado da função. Conseguiu licença do Vaticano em 2004 por ter decidido se casar com a professora Sandra Maria, com quem teve uma filha. Ainda pode voltar ao ministério, mas a chance é mínima. Mesmo assim, Padre Gilson (PMDB), candidato em Ponte Nova, Zona da Mata, usa a profissão no nome de urna por ser assim que seus potenciais eleitores o conhecem. “Uso porque não perdi o sentido de ser padre, deixei só as funções, mas continuo trabalhando nas pastorais, com encontro de casais e sempre me chamam para fazer palestra. Tem gente que me pede bênção na rua até hoje”, justifica.

Para o padre licenciado, as restrições da Igreja Católica à participação política acabam minguando a representatividade dela. “Os evangélicos são livres nas suas decisões. Não ficam presos a uma estrutura maior de igreja. Parece que entendem melhor a importância da presença da Igreja no centro de poder”, avalia Padre Gilson. Outro que disputa uma vaga no Legislativo é Padre Paulo (PT), de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. Ordenado em 2000, disse ter conseguido licença de três meses do bispo dom Werner Siebenbrock para concorrer às eleições. Caso saia vencedor, não sabe se poderá continuar celebrando missas. “Só então vão decidir se posso continuar”, ressaltou.

Padre Paulo continua atuando em uma comunidade menor, mas garante não estar instrumentalizando o ofício. Ele segue o exemplo do colega de partido, deputado Padre João, que, segundo ele, encontrou brecha para poder continuar celebrando em locais menores. “O padre não deve se candidatar a não ser que a realidade exija e aqui (em Valadares) isso ocorre. Desenvolvo um trabalho social e penso que no Legislativo posso ampliá-lo”, afirmou. Sobre a possibilidade de a condição de padre lhe render votos, o candidato rebate: “Existe muita gente que não vota em mim justamente para não perder o padre”.

INCENTIVO
Na Igreja Evangélica, a participação nas disputas é mais do que liberada. A Igreja escolhe quem quer que a represente e indica seus candidatos. Os fiéis são estimulados a votar no escolhido da congregação. Candidato pela primeira vez nesta eleição, o Pastor Elson (DEM) concorre em Ribeirão das Neves como membro da Igreja Quadrangular. “A Igreja me lançou. Até pela circunstância que estamos vivendo, tomamos a iniciativa. As leis atrapalham não só a questão da educação, da família, mas dos princípios bíblicos. Na política, vamos ver o que podemos melhorar no município. Há uma expectativa nossa de contribuir mais com a situação do povo”, afirmou.

Pastor há 17 anos, Elson aguarda uma decisão da Igreja, mas acredita que vá se afastar dos cultos durante a campanha. Ainda que não se licencie, garante que vai obedecer à legislação eleitoral, não pedindo votos no templo. Mesmo assim, o pastor reconhece que leva alguma vantagem por seu trabalho. “Pelo fato de conhecer muitas pessoas. É como alguém que trabalha em uma ONG, creche ou um diretor de escola pública. De certa forma ele é reconhecido pelo trabalho que faz”, compara. Se eleito, diferentemente dos padres, está certo que continuará atuando como pastor.

O vereador de Belo Horizonte e pastor Henrique Braga (PSDB), que atua na Igreja Quadrangular do Barreiro, poderia ser inspiração para o candidato de Ribeirão das Neves. Atuando há 38 anos na igreja, ele está disputando a sétima eleição e continua o trabalho com os fiéis. “Só paro no período de campanha. Tenho um tempinho bom de trabalho, mas acho que a votação depende muito da postura de cada um. Tem gente que se falar que é evangélico vai perder voto porque, no poder, não dá aquele testemunho esperado”, afirmou.

Código canônico proíbe participação

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) preferiu não se pronunciar oficialmente sobre o assunto, já que cada bispo é responsável por sua região, mas encaminhou nota em que o arcebispo metropolitano de Natal, dom Jaime Vieira Rocha, se posiciona contrariamente à participação dos padres na política. Segundo o Código de Direito Canônico, que rege a Igreja Católica, os clérigos devem se abster de tudo o que não convém e são “proibidos de assumir cargos públicos que impliquem participação no exercício do poder civil”. Em outro trecho, a lei determina que os padres “não tenham parte ativa nos partidos políticos e na direção de associações sindicais”.

Procurado pela reportagem, o Conselho Nacional de Pastores do Brasil também não se manifestou. Autor de uma dissertação de mestrado na Faculdade Autônoma de Direito, defendida em 2010, sobre o discurso religioso e a política, o subsecretário de Estado de Relações Institucionais, Leonardo Portella – que, assim como o pai, o deputado federal Lincoln Portella (PR), integra a Igreja Mundial –, acredita que a participação da Igreja Evangélica seja mais tradicional do que a católica pela ausência de regras em sentido contrário. “As igrejas evangélicas já têm isso no seu dia a dia. Não há restrição, tornou-se aceitável, e eles usam os contatos em reuniões fora para difundir essas candidaturas”, afirmou.

Leonardo Portella nega que o fato de um pastor ser candidato seja uma espécie de trampolim para facilitar a eleição. “Não vejo dessa forma, mas o pastor geralmente está inserido nos problemas da comunidade local porque a Igreja tem o papel não só transformador de almas e vidas, mas da própria comunidade local. Ela tira gente da rua, das drogas, da prostituição. Ela acaba se envolvendo pelo fato de o pastor ser inserido nesse contexto”, argumentou.

charge: Newton Silva, no Jornal da Lapa

dica do Thiago Ferreira de Moraes

Proposta acaba com remuneração de vereadores em 90% dos municípios do país

Rodrigo Baptista, na Agência Senado

O fim do pagamento da remuneração de vereador em municípios com até 50 mil habitantes é o objetivo de proposta de emenda à Constituição (PEC) em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). De autoria do senador Cyro Miranda (PSDB-GO), o texto foi subscrito por outros 30 parlamentares. Se aprovada pelo Congresso Nacional, a proposição deverá atingir cerca de 90% das câmaras municipais do país.

Além disso, a PEC limita o total da despesa das câmaras de vereadores dessas cidades a no máximo 3,5% da arrecadação municipal.

“Estamos seguros de que sua adoção causará impactos positivos consideráveis, tendo em vista que 89,41% dos municípios brasileiros possuem até 50 mil habitantes. Dessa forma, pouco mais de 600 municípios brasileiros continuarão a remunerar seus vereadores”, argumenta o senador.

Com essa medida, acredita ele, os vereadores passarão a assumir o cargo eletivo “em razão de sua condição cívica, de sua honorabilidade ou de sua capacidade profissional”. Portanto, para o senador, serão selecionados candidatos comprometidos com a ética, o interesse público e o desenvolvimento local.

O senador avalia que a proposta, se aprovada, trará um impacto positivo para os cofres públicos dos pequenos municípios. Ele lembra que o número de vereadores no país pode superar a marca de 59 mil nas eleições de 2012. Quase sete mil a mais do que o número de eleitos para as câmaras municipais em 2008, o que representa, conforme assinala Cyro Miranda, “um aumento significativo nos gastos públicos municipais”.

Na justificativa da PEC, o senador também lembra que a própria Constituição Federal permite aos vereadores ocupantes de cargo público acumular outras funções no caso de compatibilidade de horários. Cyro Miranda ressalta ainda que, na maioria dos municípios, os vereadores reúnem-se duas ou três vezes por mês, o que viabiliza a manutenção de outras atividades profissionais por parte desses parlamentares.

A proposta, que tramita no Senado como PEC 35/12, aguarda a designação de relator na CCJ e, se aprovada pela comissão, segue para análise do Plenário.