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Em defesa das almas indígenas

Missões evangélicas, acusadas de proselitismo contra indígenas, usam Comissão de Direitos Humanos para pressionar governo e ter acesso as aldeias

Felipe Milanez, na CartaCapital

Ronaldo Lidório, "coordenador de pesquisa" do Departamento de Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Missões (AMTB), prega em encontro evangélico. Ele disse que são necessários mais 500 missionários para traduzir a bíblia para todas as linguas indígenas do Brasil.

Ronaldo Lidório, “coordenador de pesquisa” do Departamento de Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Missões (AMTB), prega em encontro evangélico. Ele disse que são necessários mais 500 missionários para traduzir a bíblia para todas as linguas indígenas do Brasil.

Nesta quarta-feira 11, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara vai debater o tema da liberdade das almas indígenas. Uma discussão um tanto surpreendente para o Legislativo. O tema é “atuação de instituições religiosas entre os povos indígenas”

Quem propôs o debate é o pastor evangélico Eurico, deputado pelo PSB de Pernambuco. Segundo ele, “entidades governamentais têm impedido a continuidade do trabalho de missões religiosas, especialmente as católicas e evangélicas, nas comunidades indígenas.”

Marcos Feliciano, o polêmico pastor conhecido por declarações homofóbicas e racistas, capo da Comissão, topou, como era de se esperar. Foi convencido pela justificativa de que: “Cabe a esta comissão debater a melhor forma de participação dessas instituições religiosas em detrimento do que permite a legislação brasileira sobre o tema”.

Convidaram a presidenta da Funai, o secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado a Igreja Católica, e também o pastor Ronaldo Lidório, “coordenador de pesquisa” do Departamento de Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Missões (AMTB), e o pastor Henrique Terena, indígena que é o presidente do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (Conplei). A AMTB e o Conplei, no caso, representam as agências missionários históricas que querem evangelizar os povos indígenas.

É difícil que o debate esclareça alguma coisa a não ser expor a aliança, nem sempre eficaz, entre missionários evangélicos de igrejas históricas, como presbiterianos e metodistas, com os congressistas neopentecostais. As vítimas, no entanto, são evidentes: as sociedades indígenas e, claro, a humanidade como um todo.

O que está em discussão na Comissão (de “direitos humanos”?) é a conquista das almas indígenas. A determinação bíblica, na crença destes missionários, consta no Evangelho Segundo Marcos. Ele conta que Jesus teria lhe dito para ir a todo lugar e pregar o evangelho para todas as “criaturas”. E quem não for convertido será condenado. É a teoria do pecado original. Os evangélicos históricos querem ter acesso livre para praticar o proselitismo religioso e tentar converter indígenas a partir da metodologia das missões: enviar missionários até os “confins do mundo”, como dizem, para traduzir a bíblia, pregar, converter e construir igrejas entre todos os povos do mundo. E usam os meios de que dispõe para pressionar o governo.

Na visão combativa dessas “missões”, todo empecilho à evangelização deve ser enfrentado. Como o presidente da New Tribes Mission (que integra a AMTB de Lidório), Edward Luz, me disse em um congresso: “Se [o governo] proíbe pregar o evangelho, está proibindo a liberdade da adoração; proíbe o autor do evangelho, o senhor Jesus; e proibiu a Bíblia, proibiu o Deus criador. E nós partimos para um confronto”.

As missões foram expulsas das terras indígenas pela Funai em 1991, durante a gestão de Sidnei Possuelo. Haviam acusações de diversos tipos, como genocídio, escravidão, exploração sexual, e uma conturbada séries de relações com o Estado, principalmente monopolizando o acesso a saúde e a educação, no que decorria um problema fundamental: as missões visam evangelizar os índios, e num estado laico, isso não pode ser permitido.

Desde então, a retórica missionária para buscar alguma legitimidade passou a ser maquiar ou disfarçar o desejo proselitista, a conversão, forçada ou não, a ferro e a fogo ou só na conversa.

A questão do Estado laico no Brasil é urgente e merece extrema atenção. Proteger as sociedades indígenas do ataque religioso não se trata de ações de governo, mas de princípio da Constituição Federal, inscrito no artigo 4, inciso III, de garantir a “autodeterminação dos povos”. E no artigo 5, inciso VI, a proteção aos “locais de culto”, ou seja, os territórios indígenas: é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

A retórica missionária protestante prega uma suposta “liberdade de escolha”. Nessa concepção, a possibilidade de escolha se daria, em forma hipotética, é claro, a partir da apresentação das religiões disponíveis. Como se todas as religiões que foram criadas pela humanidade ao longo dos últimos 10 mil anos estivessem em um cardápio. Como não estão, “oferecem” o protestantismo.

Esse argumento desenvolve a determinação bíblica de Marcos de que todos devem seguir a doutrina cristã. Os indígenas, após a leitura da bíblia na sua língua, deveriam tomar a decisão de ser cristão, ou de negar ser cristão. No Brasil, são mais de 180 línguas.

Ser cristão, ou não ser no sentido de negar a ser, é a suposta “liberdade”.

É evidente que se trata de uma falácia retórica que serve, apenas, para justificar o proselitismo. Isso reflete a vontade de impor uma única visão religiosa possível para todos os humanos do planeta. Quem estiver de fora, deve arder no inferno, seja na vida, seja após a morte.

Qual a gravidade disso?

Primeiro, a atuação das missões é etnocida. Provoca o etnocídio entre as sociedades indígenas onde atuam. Segundo o antropólogo francês Pierre Clastres: “O etnocídio, portanto, é a destruição sistemática de modos de vida e de pensamento de pessoas diferentes daquelas que conduzem a empresa da destruição. Em suma, o genocídio assassina os povos em seus corpos e o etnocídio os mata em seu espírito.”

Depois, o genocídio em si mesmo, a morte total e completa de um povo, o extermínio. Isso aconteceu, conforme denuncia da Funai, entre o povo Zoé no final da década de 1980, por atuação da New Tribes.

Também, o trabalho escravo, quando índios são escravizados para construir templos, pistas de avião, trabalhos domésticos para os missionários – acusações recorrentes entre as agências missionárias. Por exemplo, essa foi uma das justificativas dos Yawanawa, no Acre, para a expulsão da New Tribes de seu território.

Entre outros fatos, igualmente terríveis, como a perversa associação entre missões e o Estado no passado, como o uso do acesso a medicamentos para trocar aspirina e remédios pela conversão. É o que aconteceu, por exemplo, entre os Karajá, na Ilha do Bananal.

A atuação da missão Jovens com Uma Missão – Jocum –, como mostrei há alguns anos aqui na CartaCapital, provocou uma onda de suicídios entre os suruwahá, além da acusação de outro diversos crimes na aldeia – e loucuras, como a de trazer um xamã maori, da Nova Zelândia, para realizar um ritual de exorcismo no meio da Amazônia. Foram expulsos da aldeia pela Funai, sob determinação do Ministério Público Federal do Amazonas, acusados de uma série de crimes que foram compilados em um relatório da Funai, como publiquei.

A corrida pelas almas indígenas visa abastecer um verdadeiro mercado de almas, a custa do etnocídio, conforme reportagem na revista RollingStone publicada em dezembro de 2011.

O valor das almas no mercado das missões evangélicas pode variar muito. As mais caras e valiosas são a de pequenos povos que falam línguas isoladas ou ainda sem gramática traduzida. Nesses casos, o esforço é grande para traduzir a bíblia, e cada alma recebe mais investimentos da agência missionária para ser conquistada.

Os índios considerados “isolados”, que vivem em “isolamento voluntário”, ou então, apenas livres na floresta sem querer se aproximar das sociedades que os cercam, são o grande objeto de cobiça. E nesse caso, como são mais vulneráveis a epidemias, é maior o risco de um genocídio. Como a New Tribes Mission é acusada de praticar com os Zoé.

Nessa disputa de almas, há valores envolvidos. Há dinheiro, poder, controle de territórios, de mercados. A ética protestante, escreveu Max Weber no início do século, pode contribuir para o avanço do capitalismo. No caso das agências missionárias que tentam conquistar almas selvagens (“selvagem” no sentido de Levy-Strauss), as vinculações com capitalistas chegam a ser diabólicas, para fazermos uma analogia maldosa.

Exemplo: foram financiados por Rockfeller no pós-guerra. O milionário americano esperava encontrar petróleo nessa busca cristã por almas. E conseguiu, no Equador. As missões chegaram antes da exploração, converteram, “civilizaram”, e contribuíram para fulminar a resistência que os indígenas tinham aos planos petroleiros em suas terras.

Na região de Santarém, onde missionários da New Tribes Mission haviam sido expulsos dos Zoé, alianças inescrupulosas foram feitas para arregimentar almas ribeirinhas, de castanheiros, quilombolas, e fortalecer a religião entre os way-way e utilizar os way-way como mensageiros da fé. Os agentes missionários em Santarém passaram a ser contratados por madeireiros e sojeiros em disputa territorial contra os povos indígenas (relação parecida aconteceu com os garimpeiros no Amapá, outro exemplo). Em razão de problemas éticos, um deles, o antropólogo Edward M. Luz, filho do presidente da New Tribes Mission (de mesmo nome, Edward Luz, citado acima), foi expulso da Associação Brasileira de Antropologia. Em nota: “A ABA esclarece que o Sr. Edward Luz foi expulso do seu quadro de associados em reunião realizada em Brasilia, no dia 11 de janeiro de 2013. Não corrobora e não considera justas as manifestações deste senhor.” Luz publicou um texto no qual dizia: “não fui expulso da ABA. Pedi para sair ao constatar total compromisso e submissão da ABA ao Movimento Indígena”.

Algumas acusações contra Luz, que faz parte do mesmo grupo da AMTB e da Unievangélica, de Anapolis, constam num relatório feito pelo antropólogo Leandro Mahalem que podem ser acessado nesse link.

A Comissão de Direitos Humanos, a cada dia, segue misturando religião com Estado, rasgando a laicidade, e promovendo violência contra as minorias. Os missionários tentam pressionar o governo para que possam pregar o evangelho nas aldeias, promovendo assim o proselitismo religioso. Querem pregar de forma aberta, pois escondido já o fazem. É o caso, por exemplo, de uma professora  municipal, também missionária entre os arawete, na região de Altamira. Ela utiliza o serviço público para praticar o proselitismo. A Funai regional em Altamira abriu processo para a sua expulsão da aldeia. Será que esse caso, que merece investigação, vai ser debatido na Comissão?

dica do Alex Fajardo

Petista é acusado de trazer senador boliviano escondido na cueca

Para amenizar a crise diplomática, Dilma importou 400 lhamas bolivianas

Para amenizar a crise diplomática, Dilma importou 400 lhamas bolivianas

Publicado impagavelmente no the i-Piauí Herald

CORUMBÁ – Um peruano que vivia na Bolívia foi detido ontem ao tentar entrar no país com um senador boliviano escondido na cueca. Identificado apenas como “Petista”, o homem calvo de estatura mediana dirigia um Opala Diplomata modelo 86 quando foi abordado por agentes similares aos policiais do DOI-CODI. “Não sou cubano”, defendeu-se Petista, antes de ser vaiado.

Ciente da necessidade de colocar panos quentes na crise diplomática entre Brasil e Bolívia, a presidenta Dilma Rousseff prometeu levar, na garupa de sua moto, o senador Pinto Molina de volta. “Trago a pessoa refugiada de volta em sete dias”, garantiu a Evo Morales, enquanto mascava uma folha de coca.

No final da tarde, de volta ao Senado boliviano, Pinto Molina prometeu colocar em prática o que aprendeu no Brasil. “Até el final del miês, terey duas concessiones de TV, siete jornales locales e empregaré mis parentes en la compania boliviana de petroleo”, discursou.

Eli Vieira: Neste país temos evangélicos e evangélicos

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Eli Vieira, no Facebook

Neste país temos evangélicos e evangélicos. Temos Ricardo Gondim e Caio Fábio, humanistas, que engrandecem o espaço não só religioso como também o espaço secular. Com esses, nós, humanistas seculares, temos enorme prazer de compartilhar uma cultura, um país, uma política.

E também temos os outros. Temos corruptos condenados como Bispa Sonia, temos pessoas que já fizeram declarações preconceituosas sobre homossexuais piores que o discurso da Ku Klux Klan sobre os negros, como Mara Maravilha.

Observem, atentamente, qual desses grupos o governo Dilma Rousseff resolveu favorecer com um encontro no Palácio do Planato. O segundo.

No encontro com representantes LGBT, nenhuma palavra foi dita sobre a famosa frase da presidenta, que seu governo não faz “propaganda de opção sexual”, quando ela vetou um kit anti-homofobia direcionado especificamente às escolas com maior incidência de agressão homofóbica, em 2011. Iniciativa reivindicada pela bancada teocrática, que teria usado o antigo ministro chefe da Casa Civil como material de chantagem para obter o veto.

Nenhuma palavra será dita, também, sobre os esforços da atual ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para investir dinheiro público em “fazendinhas” com “tratamento” de vício químico baseado apenas em fé, sem qualquer base médica ou científica. Ou seja, subvenção de religião, a mesma proibida pelo artigo 19 da Constituição da República. O mesmo tipo de instituição mantida pelo pastor Marcos Pereira, preso acusado de estupro e de uso da instituição de “tratamento” de viciados para fins não idôneos.

É bom para o país ter evangélicos, porque é bom para o país ser religiosamente diverso, com espaço para todas as crenças, inclusive o ateísmo. Mas não é bom para o país que dinheiro público seja usado para ferir a separação entre poder público e secular e instituições religiosas. Não é bom para o país ter uma bancada teocrática que não está no Congresso para trabalhar pelo bem comum, mas para trabalhar em proselitismo e vetos a direitos fundamentais, incluindo os reprodutivos. Não é bom para o país que a Presidência da República receba de braços abertos uma pessoa que roubou dinheiro do dízimo e outra pessoa que disse que 10% da humanidade é aberração.

Minha avó presbiteriana tinha na sala um quadro que resumia sua visão cristã sobre como se deve viver a vida. O quadro era uma visão de águia de dois caminhos, um largo, colorido, populoso; e outro estreito, com poucos, discreto. O primeiro era o caminho da perdição, o segundo era o caminho da salvação.

Quando vejo líderes populares chamando a multidão contra minorias, lucrando enormemente no processo, fazendo “marchas para Jesus” num populismo demagógico incansável, lembro do caminho largo do quadro da minha avó. Quando vejo Ricardo Gondim e Caio Fábio, bem menos conhecidos, menos lucrativos à TV e menos favorecidos pelo suposto poder laico do governo, penso no caminho estreito, impopular e esquecido.

Não mais acredito em Deus. No entanto, acredito menos ainda que o governo Dilma tenha boa fé para com direitos humanos ou o mínimo respeito pela inteligência dos evangélicos que tentam agradar afagando a bancada teocrática e agora recebendo figuras verdadeiramente demoníacas, selecionando o lado mais perverso na população evangélica, e ignorando seus membros mais esclarecidos e sábios.

Não se esqueçam que Dilma permitiu a Edir Macedo se tornar um banqueiro, comprar metade do banco Renner sem satisfazer os pré-requisitos das regras do Banco Central, e inclusive o classificando como “investidor estrangeiro”.

Se o inferno não será a resposta por essas escolhas, que ao menos o karma político um dia venha.

Eli Vieira, biólogo geneticista e ex-presidente da LiHS

dica do Marcelo Ferreira

Aluno de medicina terá de trabalhar dois anos no SUS para se formar, anuncia governo; curso de medicina terá oito anos

Presidenta Dilma Rousseff durante a cerimônia de Lançamento do Pacto Nacional pela Saúde - Mais Hospitais e Unidades de Saúde, Mais Médicos e Mais Formação. (foto: Presidência da República)

Presidenta Dilma Rousseff durante a cerimônia de Lançamento do Pacto Nacional pela Saúde – Mais Hospitais e Unidades de Saúde, Mais Médicos e Mais Formação. (foto: Presidência da República)

Fernanda Calgaro, no UOL

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou nesta segunda-feira (8) que alunos de medicina que ingressarem nos cursos a partir de janeiro de 2015 serão obrigados a trabalhar os dois anos no SUS (Sistema Único de Saúde) para se formarem. O tempo do curso de medicina subirá de seis para oito anos também a partir de 2015.

As medidas foram anunciadas junto com o  Programa Mais Médicos, pacote de ações do governo federal para ampliar e descentralizar a oferta de médicos no país. O programa será criado por medida provisória assinada hoje pela presidente Dilma Rousseff e que será enviada ao Congresso Nacional.

Em pronunciamento feito na tarde desta segunda (8) em Brasília, Mercadante afirmou também que serão criadas 3.615 vagas em medicina nas universidades federais até 2017 –1.815 nos cursos já existentes e 1.800 em novos cursos, que serão criados em 60 municípios que não dispõem de cursos de medicina –atualmente, os cursos estão distribuídos em 57 municípios.
O ministro anunciou também medidas para que as universidades particulares ampliem as vagas nos próximos quatro anos. A meta do governo é criar 11.447 novas vagas em medicina até 2017, somando as vagas públicas e particulares. O governo também irá contratar 3.154 docentes e 1.882 técnicos-administrativos para as universidades federais.

Segundo o governo federal, a quantidade de vagas disponíveis só será conhecida a partir da demanda apresentada pelos municípios. Todas as prefeituras poderão se inscrever no programa, mas o foco será em 1.582 áreas consideradas prioritárias, incluindo 1.290 municípios de alta vulnerabilidade social, 201 cidades de regiões metropolitanas, 66 cidades com mais de 80 mil habitantes de baixa receita pública per capita e 25 distritos de saúde indígena.

Os municípios que receberem esses médicos precisarão oferecer moradia e alimentação aos profissionais.

Estrangeiros

Para selecionar os profissionais, serão lançados três editais: um para atração de médicos, outro para adesão dos municípios interessados em recebe-los, e um último para escolher as instituições supervisoras.

No caso dos médicos, poderão participar médicos formados no Brasil e também no exterior, que só serão chamados a ocupar as vagas que não tiverem sido preenchidas por brasileiros.

Só poderão participar médicos estrangeiros com conhecimento de língua portuguesa, com autorização para exercer medicina no seu país de origem e que forem de países onde a proporção de médicos para cada grupo de mil habitantes for superior à brasileira, hoje de 1,8 médicos para mil habitantes.

Todos os médicos estrangeiros passarão por um curso de especialização em Atenção Básica e serão acompanhados por uma instituição de ensino.  Eles ficarão isentos de participar do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas (Revalida) e terão apenas registro temporário, para trabalhar no Brasil por período máximo de três anos e nos municípios para os quais forem designados. Os profissionais serão supervisionados por médicos brasileiros.

Com o registro temporário, os médicos estrangeiros não receberão a validação do seu diploma, o que daria a eles o direito de atuar em qualquer parte do país.

Educação

A partir de janeiro de 2015, todos os alunos que ingressarem nos cursos de medicina, tanto em faculdades públicas ou privadas, terão que trabalhar dois anos no SUS. Nesse período, eles continuarão vinculados à faculdade e receberão bolsa custeada pelo governo federal. Durante esses dois anos, os estudantes receberão uma autorização provisória para exercício da medicina. Só depois da aprovação nessa etapa é que a autorização será convertida em inscrição plena no Conselho Regional de Medicina.

Esse segundo ciclo de formação fará parte do curso convencional de medicina e poderá ser aproveitado como uma das etapas da residência ou pós-graduação caso o profissional opte por uma especialização no ramo da atenção básica.

Esse modelo é inspirado em países como Inglaterra e Suécia, onde os estudantes passam por um período de treinamento com registro provisório para só depois exercer a profissão com o registro definitivo.

Os dois anos de treinamento no SUS não eliminarão o internato realizado no quinto e no sexto anos do curso de medicina, período em que os estudantes passam por diversas áreas da saúde. De acordo com informações do governo, a diferença é que, ao atuar no SUS, irão assumir gradativamente mais responsabilidades, “exercendo de fato procedimentos médicos em UBS e urgência e emergência”.

No mês passado, já haviam sido anunciadas 12 mil novas vagas de residência médica até 2017. Dessas, 4.000 serão abertas até 2015. Com a alteração no currículo de medicina, o governo espera que entrem na atenção básica 20,5 mil médicos em 2021.

Quadro da saúde pública

O gargalo da saúde pública do Brasil não se limita à quantidade de médicos: há problemas de distribuição e fixação dos profissionais, de infraestrutura e de financiamento. Os dados mais recentes, divulgados em fevereiro deste ano, mostram que o país tem dois médicos a cada mil habitantes (o dado do Ministério da Saúde é um pouco diferente: 1,83 médico para cada mil). A média mundial é de 1,4.

O Ministério da Saúde pretende alcançar 2,5 médicos para cada mil pessoas – índice similar ao da Inglaterra, que tem 2,7. E, para suprir o déficit, quer trazer estrangeiros para atuar em áreas distantes e nas periferias sem a necessidade de revalidação do diploma, com um contrato temporário de até três anos e salário de R$ 10 mil. Segundo o governo, para atingir essa meta, o país teria de ter mais 168.424 médicos.

Porém, a proposta do governo Dilma Rousseff de recorrer a profissionais do exterior para suprir a falta de médicos no sistema de saúde nacional foi recebida com mais resistência por parte de organizações da categoria e se tornou alvo de manifestações em várias partes do país.

À parte aos protestos da classe médica, o governo federal vai abrir cerca de 10 mil vagas para médicos para atuação exclusiva na atenção básica em periferias de grandes cidades, municípios de interior e no Norte e Nordeste do país. O salário deles deve ficar em torno de R$ 10 mil. A carga horária e outros detalhes serão anunciados nesta tarde presidenta Dilma Rousseff, no lançamento do Programa Mais Médicos.

Grupo evangélico participa de reunião da presidenta Dilma Rousseff com lideranças de movimentos juvenis

Rede FALE participa de reunião da presidência com lideranças de movimentos juvenis

Representantes presentes na reunião no Palácio do Planalto (foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Representantes presentes na reunião no Palácio do
Planalto (foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

título original: Dilma Rousseff recebe movimentos juvenis

Publicado no Blog do Fale

Na manhã do dia 28 de junho de 2013 a presidenta da Republica, Dilma Rousseff, recebeu no palácio do Planalto 25 lideranças juvenis dos mais diversos setores (juventudes do campo, trabalhadores urbanos, redes, comunicadores, mulheres, estudantes, religiosos e outros). Diante dos diversos protestos ocorridos nas últimas semanas, o governo intencionou realizar algumas escutas, para que sua compreensão dos acontecimentos pudesse estar não só mais próxima da realidade, mas também das agendas que vem das ruas.

A presidenta se colocou numa postura de diálogo e entende esse momento como uma oportunidade de ampliar direitos, percebendo que uma atitude conservadora não nos ajuda a avançar. Dilma defendeu, na questão da Reforma Política, que fosse realizado o plebiscito, e que as questões principais reclamadas pela população nas ruas fossem a base para esta discussão.

As demandas apresentadas pelos movimentos ali presentes, abarcaram a amplitude de vozes vinda das ruas, defendendo a luta do transporte público, que deve ser encarado como direito e não como serviço, bem como maiores investimentos (financeiro e político) em educação, saúde, trabalho decente, reforma agrária, direitos humanos, reforma política e tributária. Alessandro Melchior, presidente do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), ressaltou a necessidade de maiores investimentos e institucionalização das políticas de juventude no país, bem como canais permanentes de diálogo direto da presidência com as diversas juventudes, para que estes não ocorram apenas em momentos de crise.

Ainda foi anunciado pelo CONJUVE a elaboração de um relatório dos abusos cometidos pelas forças policiais na repressão as manifestações em todo o Brasil, que será apresentado aos estados da federação bem como a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Morgana Boostel, secretária executiva da Rede FALE aponta que “percebemos avanços no processo de diálogo, mas o calor das ruas precisa continuar e apontar novos caminhos. Precisamos continuar exercendo nossa voz profética diante das autoridades, para que alcancemos avanços na garantia e implementação de direitos, em especial pelos que mais sofrem.”

Nessa mesma oportunidade a Rede FALE entregou à presidenta Dilma Rousseff uma carta subscrita por mais de 100 lideranças religiosas que são contrárias a aprovação da PL 7663/2010 (carta disponível aqui). Este projeto versa sobre a política de drogas, propondo a institucionalização da internação compulsória, criminalização dos usuários entre outros pontos. Entregou também uma carta pastoral sobre a ocupação do complexo de favelas da Maré, no Rio de Janeiro (veja o documento aqui), realizada de forma arbitrária pela força policial, que conduziu a morte de 13 pessoas na operação.

Morgana Boostel explicando a presidenta Dilma Rousseff o conteúdo das cartas apresentadas (foto: Roberto Stuckert) Filho/PR

Morgana Boostel explicando a presidenta Dilma Rousseff
o conteúdo das cartas apresentadas (foto: Roberto Stuckert) Filho/PR

dica do Fabio Martelozzo Mendes