Cão adotado acompanha velório de idosa que recuperava presos no RS

Cachorro adotado pela idosa acompanhou velório da dona em Porto Alegre (Foto: Paulo Ledur/RBS TV)
Cachorro adotado pela idosa acompanhou velório da dona em Porto Alegre (Foto: Paulo Ledur/RBS TV)

Publicado no G1

Não foi só a tristeza de amigos e familiares que chamou a atenção durante o velório da assistente social Maria Ribeiro da Silva Tavares, de 102 anos, que há mais de sete décadas prestava apoio para a ressocialização de detentos do regime semiaberto em Porto Alegre. No funeral, o cachorro adotado pela idosa, Milke, de 5 anos, permaneceu a maior parte do tempo ao lado do caixão, encolhido no carpete.

A voluntária morreu no domingo (21). Ela apresentava problemas respiratórios e estava internada há uma semana no Hospital Ernesto Dornelles.

O cão foi abandonado na porta da entidade quando era filhote. A predisposição inata em ajudar de Maria Tavares não falhou: ela acolheu o cãozinho. Ele passou a ser o companheiro inseparável da idosa nos últimos anos. Agora, o animal ficará sob os cuidados dos ex-detentos.
No bairro Teresópolis, Zona Sul de Porto Alegre, fundou o Patronato Lima Drummond foi fundada em 1942, onde prestava ações voltadas à recuperação dos detentos. Atualmente, Maria também estava sob os cuidados de detentos. O sepultamento está previsto para a manhã desta segunda-feira (22) no Cemitério Jardim da Paz.

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Defensoria quer proibir que presos do Rio sejam obrigados a tomar laxante

Marcelo Sperandio, na Época Online

Os presidiários do Rio de Janeiro são obrigados a passar por scanner corporal. Quando o exame mostra que os presos engoliram drogas para traficar dentro da cadeia, eles são obrigados a tomar laxante para expeli-las.

A Defensoria Pública quer acabar com esse expediente. Diz que o tratamento viola o direito à privacidade e que a medicação forçada é ilegal. O governo afirma que age para preservar a saúde dos detentos. O caso tramita na Justiça fluminense.

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Presos por arrastar mulher, dois PMs já responderam por homicídio

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Os filhos gêmeos de Cláudia, Pablo e Pâmela, choram durante o velório. Parentes e amigos pediram justiça quando o caixão desceu Márcia Foletto / Agência O Globo

Publicado em O Globo

Os subtenentes Rodney Miguel Arcanjo e Adir Serrano Machado, que estavam à frente da patrulha que arrastou por 250 metros o corpo da auxiliar de serviços gerais Cláudia da Silva Ferreira, baleada na manhã do último domingo no Morro da Congonha, em Madureira, já responderam a inquéritos por homicídio. Os dois oficiais e o sargento Alex Sandro da Silva, que também estava no veículo policial, foram presos disciplinarmente nesta segunda-feira por determinação do comando da PM.

Os três PMs transportaram Cláudia na caçamba de uma Blazer. No trajeto para o hospital, o porta-malas abriu e parte do corpo ficou para fora, sendo arrastada por um trecho da Avenida Edgard Romero, em Madureira. A cena foi registrada em celular por um carro que seguia atrás, e o vídeo foi divulgado no site do jornal “Extra”. Menos de 24 horas após o episódio, os dois subtenentes e o sargento foram levados ao Batalhão Prisional. O trio será investigado pela Polícia Civil, que apura a morte de Cláudia, e responderá a Inquérito Policial Militar (IPM). O subtenente Rodney respondeu a dois processos por homicídio quando estava no batalhão de Magé, na Baixada Fluminense. Adir Machado também foi processado por homicídio, mas o inquérito foi arquivado em 2005. A PM não informou há quanto tempo eles estão na corporação.

Cláudia foi enterrada no início da tarde deesta segunda-feira no Cemitério de Irajá. Cerca de 200 pessoas acompanharam a cerimônia e, no momento do sepultamento, pediram justiça. Sobre o caixão, foi colocada a camisa do uniforme de trabalho dela. Emocionados, amigos e parentes protestaram durante a descida do caixão. Com aplausos e gritos de “Ô ô ô, mataram o morador”. No atestado de óbito, consta como a causa da morte “laceração cardíaca e pulmonar de ferimento transfixante do tórax por ação perfurocortante”. O laudo da perícia também apontou que a tranca da caçamba da patrulha não apresentava defeito, conforme um dos PMs alegou em depoimento.

Sem a presença de autoridades

Para o viúvo, Alexandre Fernandes da Silva, Cláudia foi vítima de execução. Segundo ele, que foi ao enterro com os quatro filhos, os policiais teriam atirado nela de propósito. Ele disse que não houve troca de tiros com os bandidos.

— Os policiais se amedrontaram com R$ 6 e um copo de café, que era o que ela tinha nas mãos. Todo mundo viu que não houve tiroteio. Se tivesse troca de tiros, ela teria sido baleada na frente e atrás.

O irmão de Cláudia, Júlio César Silva Ferreira, de 42 anos, disse que a família deverá processar o Estado pela forma com que os policiais socorreram a vítima. Segundo ele, Cláudia foi baleada quando saía de casa para comprar pão e mortadela. As notas de R$ 2 que estavam na mão dela foram entregues à família pelo hospital.

— O socorro foi completamente equivocado. É difícil explicar o que estou sentindo hoje. Aconteceu com ela e amanhã será com outro. Só muda a comunidade, e a PM chega atirando e matando o trabalhador. Ela foi jogada no carro de qualquer maneira — disse Júlio César. — Foi uma execução malsucedida. Depois disseram na delegacia que eram quatro armas, mas isso é mentira. Ela levou três tiros de curta distância. Isso é uma execução. Não queremos que fique impune. Senão ela será só mais um Amarildo.

Nenhuma autoridade pública foi ao velório de Cláudia. A família informou que, até ontem à tarde, ninguém do governo do estado havia entrado em contato para falar sobre o caso. Em nota, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame disse repudiar a conduta dos PMs.

Depois do enterro, cerca de 150 pessoas fizeram um protesto, fechando a Edgard Romero em ambos os sentidos. Eles queimaram móveis velhos, pneus e lixo. Os manifestantes ainda levavam uma faixa que dizia: “A PM matou mais um morador de uma favela do Rio de Janeiro”.

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Novo vídeo mostra que mulher foi arrastada por pelo menos 350 metros

Paolla Serra, no Extra

A auxiliar de serviços gerais Claudia Ferreira da Silva, de 38 anos, já estava sendo arrastada por pelo menos cem metros antes de um cinegrafista amador ter filmado a viatura da PM com o porta-malas aberto com Claudia pendurada no para-choque por um pedaço de roupa. Em novo vídeo obtido pelo EXTRA (clique aqui para ver), fica comprovado que a vítima andou desta forma por pelo menos 350 metros, na Estrada Intendente Magalhães, na Zona Norte. Três militares do 9º BPM (Rocha Miranda) estão presos e serão levados, depois de prestarem depoimento, para Bangu 8.

A câmera que flagra as imagens está em uma concessionária. No vídeo, a viatura passa em alta velocidade, com a mulher já pendurada no porta-malas. No final da gravação, é possível ver um rastro de sangue na pista. Ontem, mais de 100 pessoas acompanharam o enterro do corpo da auxiliar, no Cemitério de Irajá.

— Colocaram ela na mala igual cachorro. Mataram a minha mãe no meio do caminho — emocionou-se uma das filhas, Thais Silva, de 18 anos.

— Nem o pior traficante do mundo merecia um tratamento desses. Se eles arrastassem mais um pouco, só aparecia o osso dela — desabafou o marido de Claudia, o vigia Alexandre Fernandes.

Quando foi chamado para ver o corpo da esposa, anteontem, Alexandre não entendeu a quantidade de hematomas. Já no Hospital Carlos Chagas, após ter recebido a notícia de que a auxiliar de serviços gerais não resistiu aos ferimentos, ele identificou uma série de arranhões espalhados pelo corpo da vítima.

Segundo o vigia, os funcionários do Hospital Carlos Chagas só informaram da morte de Claudia após os PMs terem saído da unidade. Quando chegou ao hospital, ele foi informado apenas de que a esposa estava internada no CTI. Ela, entretanto, já chegou morta ao local. Alexandre reclama ainda da insistência dos PMs em afirmarem que houve uma troca de tiros antes da moradora ser alvejada. Segundo ele, todos os vizinhos afirmam que nenhum tiro foi trocado.

— Os policiais se amedrontaram com seis reais e um copo de café, que era o que ela tinha nas mãos. Todo mundo viu que não houve tiroteio. Tanto que a comunidade desceu na mesma hora para protestar. Se tivesse troca de tiros, ela teria sido alvejada na frente e atrás — explicou.

Por meio de nota, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que repudia a conduta dos policiais. Os sub-tenentes Adir Serrano Machado e Rodney Miguel Archanjo, e o sargento Alex Sandro da Silva Alves foram autuados pela 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar pelo artigo 324 do Código Penal Militar (deixar, no exercício de função, de observar lei, regulamento ou instrução, dando causa direta à prática de ato prejudicial à administração militar).

Claudia morreu com dois tiros durante tiroteio entre PMs e bandidos (foto: Luiz Ackermann)
Claudia morreu com dois tiros durante tiroteio entre PMs e bandidos (foto: Luiz Ackermann)

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