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Presos por arrastar mulher, dois PMs já responderam por homicídio

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Os filhos gêmeos de Cláudia, Pablo e Pâmela, choram durante o velório. Parentes e amigos pediram justiça quando o caixão desceu Márcia Foletto / Agência O Globo

Publicado em O Globo

Os subtenentes Rodney Miguel Arcanjo e Adir Serrano Machado, que estavam à frente da patrulha que arrastou por 250 metros o corpo da auxiliar de serviços gerais Cláudia da Silva Ferreira, baleada na manhã do último domingo no Morro da Congonha, em Madureira, já responderam a inquéritos por homicídio. Os dois oficiais e o sargento Alex Sandro da Silva, que também estava no veículo policial, foram presos disciplinarmente nesta segunda-feira por determinação do comando da PM.

Os três PMs transportaram Cláudia na caçamba de uma Blazer. No trajeto para o hospital, o porta-malas abriu e parte do corpo ficou para fora, sendo arrastada por um trecho da Avenida Edgard Romero, em Madureira. A cena foi registrada em celular por um carro que seguia atrás, e o vídeo foi divulgado no site do jornal “Extra”. Menos de 24 horas após o episódio, os dois subtenentes e o sargento foram levados ao Batalhão Prisional. O trio será investigado pela Polícia Civil, que apura a morte de Cláudia, e responderá a Inquérito Policial Militar (IPM). O subtenente Rodney respondeu a dois processos por homicídio quando estava no batalhão de Magé, na Baixada Fluminense. Adir Machado também foi processado por homicídio, mas o inquérito foi arquivado em 2005. A PM não informou há quanto tempo eles estão na corporação.

Cláudia foi enterrada no início da tarde deesta segunda-feira no Cemitério de Irajá. Cerca de 200 pessoas acompanharam a cerimônia e, no momento do sepultamento, pediram justiça. Sobre o caixão, foi colocada a camisa do uniforme de trabalho dela. Emocionados, amigos e parentes protestaram durante a descida do caixão. Com aplausos e gritos de “Ô ô ô, mataram o morador”. No atestado de óbito, consta como a causa da morte “laceração cardíaca e pulmonar de ferimento transfixante do tórax por ação perfurocortante”. O laudo da perícia também apontou que a tranca da caçamba da patrulha não apresentava defeito, conforme um dos PMs alegou em depoimento.

Sem a presença de autoridades

Para o viúvo, Alexandre Fernandes da Silva, Cláudia foi vítima de execução. Segundo ele, que foi ao enterro com os quatro filhos, os policiais teriam atirado nela de propósito. Ele disse que não houve troca de tiros com os bandidos.

— Os policiais se amedrontaram com R$ 6 e um copo de café, que era o que ela tinha nas mãos. Todo mundo viu que não houve tiroteio. Se tivesse troca de tiros, ela teria sido baleada na frente e atrás.

O irmão de Cláudia, Júlio César Silva Ferreira, de 42 anos, disse que a família deverá processar o Estado pela forma com que os policiais socorreram a vítima. Segundo ele, Cláudia foi baleada quando saía de casa para comprar pão e mortadela. As notas de R$ 2 que estavam na mão dela foram entregues à família pelo hospital.

— O socorro foi completamente equivocado. É difícil explicar o que estou sentindo hoje. Aconteceu com ela e amanhã será com outro. Só muda a comunidade, e a PM chega atirando e matando o trabalhador. Ela foi jogada no carro de qualquer maneira — disse Júlio César. — Foi uma execução malsucedida. Depois disseram na delegacia que eram quatro armas, mas isso é mentira. Ela levou três tiros de curta distância. Isso é uma execução. Não queremos que fique impune. Senão ela será só mais um Amarildo.

Nenhuma autoridade pública foi ao velório de Cláudia. A família informou que, até ontem à tarde, ninguém do governo do estado havia entrado em contato para falar sobre o caso. Em nota, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame disse repudiar a conduta dos PMs.

Depois do enterro, cerca de 150 pessoas fizeram um protesto, fechando a Edgard Romero em ambos os sentidos. Eles queimaram móveis velhos, pneus e lixo. Os manifestantes ainda levavam uma faixa que dizia: “A PM matou mais um morador de uma favela do Rio de Janeiro”.

Novo vídeo mostra que mulher foi arrastada por pelo menos 350 metros

Paolla Serra, no Extra

A auxiliar de serviços gerais Claudia Ferreira da Silva, de 38 anos, já estava sendo arrastada por pelo menos cem metros antes de um cinegrafista amador ter filmado a viatura da PM com o porta-malas aberto com Claudia pendurada no para-choque por um pedaço de roupa. Em novo vídeo obtido pelo EXTRA (clique aqui para ver), fica comprovado que a vítima andou desta forma por pelo menos 350 metros, na Estrada Intendente Magalhães, na Zona Norte. Três militares do 9º BPM (Rocha Miranda) estão presos e serão levados, depois de prestarem depoimento, para Bangu 8.

A câmera que flagra as imagens está em uma concessionária. No vídeo, a viatura passa em alta velocidade, com a mulher já pendurada no porta-malas. No final da gravação, é possível ver um rastro de sangue na pista. Ontem, mais de 100 pessoas acompanharam o enterro do corpo da auxiliar, no Cemitério de Irajá.

— Colocaram ela na mala igual cachorro. Mataram a minha mãe no meio do caminho — emocionou-se uma das filhas, Thais Silva, de 18 anos.

— Nem o pior traficante do mundo merecia um tratamento desses. Se eles arrastassem mais um pouco, só aparecia o osso dela — desabafou o marido de Claudia, o vigia Alexandre Fernandes.

Quando foi chamado para ver o corpo da esposa, anteontem, Alexandre não entendeu a quantidade de hematomas. Já no Hospital Carlos Chagas, após ter recebido a notícia de que a auxiliar de serviços gerais não resistiu aos ferimentos, ele identificou uma série de arranhões espalhados pelo corpo da vítima.

Segundo o vigia, os funcionários do Hospital Carlos Chagas só informaram da morte de Claudia após os PMs terem saído da unidade. Quando chegou ao hospital, ele foi informado apenas de que a esposa estava internada no CTI. Ela, entretanto, já chegou morta ao local. Alexandre reclama ainda da insistência dos PMs em afirmarem que houve uma troca de tiros antes da moradora ser alvejada. Segundo ele, todos os vizinhos afirmam que nenhum tiro foi trocado.

— Os policiais se amedrontaram com seis reais e um copo de café, que era o que ela tinha nas mãos. Todo mundo viu que não houve tiroteio. Tanto que a comunidade desceu na mesma hora para protestar. Se tivesse troca de tiros, ela teria sido alvejada na frente e atrás — explicou.

Por meio de nota, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que repudia a conduta dos policiais. Os sub-tenentes Adir Serrano Machado e Rodney Miguel Archanjo, e o sargento Alex Sandro da Silva Alves foram autuados pela 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar pelo artigo 324 do Código Penal Militar (deixar, no exercício de função, de observar lei, regulamento ou instrução, dando causa direta à prática de ato prejudicial à administração militar).

Claudia morreu com dois tiros durante tiroteio entre PMs e bandidos (foto: Luiz Ackermann)

Claudia morreu com dois tiros durante tiroteio entre PMs e bandidos (foto: Luiz Ackermann)

Pastores e impostores são investigados e presos por crimes que vão de estelionato a estupro

Religião é usada para ficar acima de qualquer suspeita

 ‘Missionária’ Maria de Fátima Silva, 58, pegou 16 anos de cadeia (foto:  Diário do Vale / Andressa Paganini)


‘Missionária’ Maria de Fátima Silva, 58, pegou 16 anos de cadeia (foto: Diário do Vale / Andressa Paganini)

Francisco Edson Alves, em O Dia

Lobos em pele de cordeiros. Recentes prisões de pastores ou falsos líderes religiosos alertaram a polícia e as congregações oficiais para criminosos que usam igrejas de diferentes denominações como fachada para cometer crimes. Em sete meses, pelo menos três homens foram presos, acusados de estupro, roubos, receptação e estelionato, usando a Bíblia para acobertar ações no estado. Outros suspeitos são investigados.

O delegado da 93ª DP (Volta Redonda), Antônio da Luz Furtado, diz já ter perdido a conta do número de pessoas que usam esse tipo de artifício. Recentemente, a polícia prendeu Edílson Ferreira de Sá, que comandava o rebanho de fiéis da Igreja Assembleia de Deus do Ministério Casa Família, em Volta Redonda, no Sul Fluminense.

 Pastor Reginaldo Sena dos Santos, condenado a 78 anos de prisão (foto:  Diário do Vale / Andressa Paganini)


Pastor Reginaldo Sena dos Santos, condenado a 78 anos de prisão (foto: Diário do Vale / Andressa Paganini)

No dia seguinte, fiéis acordaram estarrecidos com a notícia: foram encontrados na casa do pastor equipamentos avaliados em R$ 3 milhões, roubados de um estaleiro. O que mais surpreendeu, no entanto, foi a constatação de que o ‘religioso’ tinha uma ficha criminal robusta: 14 passagens pela polícia por crimes diversos, incluindo roubo, receptação e estelionato.

Com experiência na investigação de casos semelhantes, o delegado Antônio Furtado está criando uma cartilha com cuidados que as pessoas devem tomar para evitar cair na lábia de falsos líderes religiosos. “Indivíduos inescrupulosos estudam oratória e até psicologia para ganhar a confiança das vítimas e lesá-las”, ressalta o policial.

 Em meados de 2012, uma força-tarefa da polícia e do Ministério Público prendeu 10 pessoas, entre elas, um pastor de igreja da Zona Oeste (foto:  Osvaldo Praddo / Agência O Dia)


Em meados de 2012, uma força-tarefa da polícia e do Ministério Público prendeu 10 pessoas, entre elas, um pastor de igreja da Zona Oeste (foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia)

As dicas do delegado poderiam ter evitado, por exemplo, o abuso sexual de 14 meninas também em Volta Redonda. Pelo crime, o pastor Reginaldo Sena dos Santos, de 59 anos, conhecido como Ungido, e que estava fundando uma igreja no bairro Retiro, foi condenado a 78 anos de prisão. Para agir, ele contava com a ‘missionária’ Maria de Fátima Costa da Silva, 58 anos, condenada a 16 de cadeia.

No dia 7 de janeiro, o pastor Salvador Moreira, 49, foi preso em São João da Barra, no litoral norte fluminense, por estuprar sua enteada de 7 anos. Na casa dele foram encontrados vídeos pornográficos. Em agosto de 2013, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, outro pastor, de 33 anos, foi para atrás das grades pelo estupro de uma criança de 12 anos na própria igreja. Em todos os casos, os suspeitos negam os crimes.

 Marcos Pereira foi condenado a 15 anos de prisão por estupro. Ele nega acusação (foto:  Alexandre Brum / Agência O Dia)


Marcos Pereira foi condenado a 15 anos de prisão por estupro. Ele nega acusação (foto: Alexandre Brum / Agência O Dia)

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Casal cristão pentecostal, que acreditava na cura pela fé, é preso após dois de seus filhos morrerem

casal cristão preso

Publicado no Independent

Apesar da morte do filho de 2 anos, Kent, de pneumonia não tratada em 2009, o casal Herbert e Catherine Schaible desafiaram uma ordem judicial para obter tratamento médico para seus outros filhos.

No caso mais recente, o filho de 7 meses também morreu de pneumonia porque eles não o levaram ao hospital.

“Minhas crenças religiosas são que você deve orar, e não tem que usar remédio. Mas se isso é contra a lei, então qualquer sentença que você me der, eu vou aceitar “, disse Catherine Schaible , 44, ao juiz do caso.

O casal é membro da First Century Gospel Church, no nordeste do estado da Filadélfia. Ambos dão aula na escola da igreja.

Especialistas dizem que cerca de 12 crianças morrem nos EUA por ano, em casos semelhantes.

O pastor do casal, Nelson Clark, culpou os pais pela morte de Kent. Segundo ele, a morte foi provocada por “falha espiritual” na vida deles. Ele também insistiu que ambos nunca deveriam procurar tratamento médico, mesmo que outro filho estivesse morrendo.

Três vereadores evangélicos substituem os que foram presos em Caruaru (PE)

Jaelcio Tenório é conhecido por promover o ‘Chama Viva’, evento gospel durante o São João de Caruaru (foto: Vladimir Barreto/Ascom CMC)

Jaelcio Tenório é conhecido por promover o ‘Chama Viva’, evento gospel durante o São João de Caruaru (foto: Vladimir Barreto/Ascom CMC)

Jénerson Alves de Oliveira, especial para o Pavablog

Após dez vereadores terem sido presos em Caruaru, na manhã da quarta-feira (18), a posse dos suplentes ocorreu nesta quinta-feira (19). Eles participaram da sessão ordinária na mesma noite em que foram empossados.

A suspensão do cargo público de vereança dos dez parlamentares presos foi decisão do juiz Francisco Assis de Morais Júnior, da 4ª Vara Criminal. Vale salientar que essa foi a última reunião do ano, pois o recesso parlamentar inicia no dia 20 de dezembro e segue até 2 de fevereiro.

Mesmo assim, o vereador Joel da Gráfica (DEM), que teve 1.958 votos nas eleições do ano passado, assumiu no lugar de Eduardo Cantarelli (SDD). Na vaga de Evandro Silva (PMDB) ficou Rosimery da Apodec (DEM), que teve 1.349 votos; na de Cecílio Pedro (PTB) ficou Manoel Alecrim (PSD), que contou com 3.284 sufrágios; na de Jadiel Nascimento (PROS) assumiu Rodrigues da Ceaca (PPS), o qual teve 1.452 votos; na vacância de Louro do Juá (SDD) assumiu Nino do Rap (DEM), que teve 1.440 votos; na de Val (DEM) ficou Duda do Vassoural (DEM), que teve 2.020 votos; na vaga de Val da Rendeiras (PROS) assumiu Jaelcio Tenório (PRB), que teve 1.287 votos; na vaga de Neto (PMN) ficou Tenente Tibúrcio (PMN), que teve 1.390 votos e, por fim, no lugar de Sivaldo Oliveira (PP), quem assumiu foi o Pastor Carlos Santos (PRB), o qual contou com 1.413 sufrágios no pleito municipal de 2012.

Desta nova relação, são ligados ao movimento evangélico o Pastor Carlos Santos, Jaelcio Tenório e Manoel Alecrim. Entre os vereadores que foram detidos durante a semana, Jadiel Nascimento, Sivaldo Oliveira e Neto são evangélicos.