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Site dos EUA se assusta com preços da Apple no Brasil: “impensáveis”

Em nova reportagem, Business Insider diz que valores de produtos da empresa no país são “insanamente altos” e tenta encontrar motivos para isso.

publicado no Macworld

Depois da Bloomberg, agora é a vez de outro respeitado veículo dos EUA se espantar com os altos preços praticados pela Apple no Brasil. Em reportagem publicada na última quinta-feira, 10/4, o site de economia e negócios Business Insider afirma que os valores dos produtos da “maçã” em nosso país são “impensáveis” e “insanamente altos”.

Como exemplo, a BI cita o iPhone 5S, cujo modelo de 64GB sai por 3.600 reais por aqui, sendo o mais caro do mundo. Nos EUA, o produto desbloqueado sai por 849 dólares, cerca de metade do preço no Brasil.

Para fazer a reportagem, a Business Insider diz ter visitado uma loja iPlace localizada no Shopping Bourbon, em São Paulo, notando que ninguém comprou um iPhone ou iMac enquanto a reportagem esteve no local, mas destaca que “a loja parece receber bastante movimento de consumidores”.

Entre as supostas razões para preços tão altos da Apple no Brasil, o site destaca algumas, como políticas protecionistas, histórico de alta inflação, moeda supervalorizda, e sistema de impostos disfuncional.

Ao final da reportagem, a BI cita diversos outros exemplos de produtos da Apple que custam cerca de duas vezes mais no Brasil em relação aos EUA – a lista inclui iMac, Apple TV, iPad Mini e até os fonos de ouvido Earbuds.

 

 

“Tinha que ser preto mesmo!” e a nossa ignorância diária

Leonardo Sakamoto, no Blog do Sakamoto

Tinha que ser preto mesmo!

Preto quando não faz na entrada faz na saída.

Sabe quando preto toma laranjada? Quando rola briga na feira.

Amor, fecha rápido o vidro que tá vindo um escurinho mal encarado.

Olha, meu filho, não sou preconceituoso, não. Até tenho amigos negros.

Ouviu aquele batuque? É um terreiro de macumba. Logo aqui na nossa rua! Mas o João Vítor vai dar um jeito nisso, ele conhece uma pessoa na subprefeitura que vai tirar essa gente daí. Essas coisas do diabo me dão arrepios.

Eu adoro o Brasil porque é um país onde não existe racismo como nos Estados Unidos. Aqui, brancos e negros vivem em harmonia. Todos com as mesmas oportunidades e desfrutando dos mesmos direitos.

Se eu deixaria minha filha casar-se com um negro? Claro! Se ela conhecer um, poderá sem sombra de dúvida.

Tá tão difícil encontrar uma empregada decente ultimamente. Ainda bem que achei a Maria. Ela é de cor, mas super honesta.

Quilombolas são pessoas indolentes. Erra o governo ao mantê-los naquele estado de selvageria.
 A terra poderia estar sendo usada para produzir algo, sabe? Ainda mais com tanta gente vivendo apertada em favelas! É o Brasil…

Vê se me entende que eu vou explicar uma vez só. A política de cotas é perigosa e ruim para os próprios negros, pois passarão a se sentir discriminados na sociedade – fato que não ocorre hoje.

É aquele ali, ó. Sim, o “moreninho”.

Meu filho não vai fazer um projeto de escola sobre coisas da África. A gente é evangélico e queremos que ele leia a bíblia e não esses satanismos como… como…como era o nome daquele livro mesmo que a professora passou? Sim! Macunaíma.

Cotas ameaçam o princípio de que todos são iguais perante a lei, o que temos conseguido cumprir, apesar das adversidades.

Ele é um exemplo. É negro e, mesmo assim, virou ministro do Supremo Tribunal Federal sem ajuda de ninguém.

No 20 de novembro, quando se rememora a morte de Zumbi dos Palmares, é celebrado o Dia da Consciência Negra em várias cidades do país. Um momento de reflexão e de resistência sobre os frutos da escravidão, de um 13 de maio incompleto (que significou mais uma mudança na metodologia de exploração da força de trabalho do que uma abolição de fato), sentido no dia a dia. Dia que deveria ser aproveitado por todos aqueles que têm seus direitos fundamentais rasgados para uma análise mais profunda do que têm feito para sair da condição de gado.

Alguns vão dizer que o tema é repetido neste blog. Mas era preciso.

Porque a nossa idiotice não tem limites. E a ignorância é um lugar quentinho.

imagem: Grupo Escolar

dica do Sergio Luiz