Por Dilma Rousseff, Silvio Santos mantém Sheherazade ‘calada’

A jornalista Rachel Sheherazade durante a maratona televisiva Teleton, no último sábado (8) foto: Artur Igrecias/SBT
A jornalista Rachel Sheherazade durante a maratona televisiva Teleton, no último sábado (8) foto: Artur Igrecias/SBT

Daniel Castro, no Notícias da TV

Proibida de opinar nos SBT Brasil desde abril, após dizer que achava “compreensível” a ação de um grupo de “justiceiros”, a jornalista Rachel Sheherazade vai continuar calada. Desta vez, quem a proibiu de voltar a fazer comentários foi o próprio dono do SBT, Silvio Santos. Ela também não terá um programa debates, como se falou em maio, quando renovou contrato com o SBT. A emissora tomou a medida para não se desgastar com a presidente reeleita, Dilma Rousseff.

Angustiada com a demora para voltar a opinar, o que deveria ocorrer durante a Copa do Mundo, Sheherazade procurou Silvio Santos no último dia 28, dois dias após o segundo turno. Ela foi até o salão do cabeleireiro Jassa, em São Paulo, frequentado pelo apresentador. Argumentou com o “patrão” que, agora que já tinham passado as eleições, não haveria risco de problemas legais com suas opiniões.

Sheherazade ouviu um eloquente “não”. “Se o Aécio [Neves] tivesse vencido, tudo bem. Mas como a Dilma ganhou, é melhor você continuar calada”, respondeu Silvio Santos, segundo uma testemunha. A jornalista, que foi contratada em 2011 justamente por causa de suas opiniões na afiliada da Paraíba, continuará sendo apenas apresentadora do SBT Brasil.

O comportamento de Rachel Sheherazaede durante a campanha eleitoral desagradou a cúpula do SBT. Nas redes sociais, ela fez campanha abertamente para Aécio Neves. Com Dilma, chegou a ser agressiva. Após debate no SBT em que a presidente passou mal ao dar entrevista, ela reproduziu no Twitter trecho de uma coluna da revista Veja: “Pressionada por Aécio no debate do SBT, Dilma perde o rumo no meio da entrevista e culpa a pressão”.

Para executivos do SBT, o comportamento de Rachel não é compatível com uma apresentadora de telejornal da emissora, muito menos para uma apresentadora e articulista. Isso, segundo uma fonte, pesou na decisão de Silvio Santos de mantê-la “calada”. Sem espaço para opinar no SBT, Sheherazade está fechando contrato com a rádio Jovem Pan, emissora em que já trabalham Reinaldo Azevedo, Joseval Peixoto e José Nêumanne Pinto.

O “não” de Silvio Santos e a vitória de Dilma Rousseff não foram os únicos contratempos de Rachel Sheherazade na virada do mês. No último dia 30, a polícia do Rio de Janeiro prendeu oito jovens por associação com o tráfico de drogas. Entre eles, estavam os “justiceiros” que em janeiro amarraram a um poste um jovem acusado de cometer furtos na região do Aterro do Flamengo, ação que Sheherazade considerou “compreensível”. O comentário lhe custou a liberdade de opinar no SBT e um processo do Ministério Público em que a emissora pode ser obrigada a se retratar.

 

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Agente de trânsito terá que indenizar magistrado em R$ 5 mil por dizer que ‘juiz não é Deus’

Juiz João Carlos de Souza Correa (foto: Márcio Alves / Agência O Globo)
Juiz João Carlos de Souza Correa (foto: Márcio Alves / Agência O Globo)

Publicado no Extra

A 36ª Vara Cível do Rio de Janeiro condenou uma agente de trânsito da Operação Lei Seca a pagar R$ 5 mil de indenização ao juiz João Carlos de Souza Correa, do 18º Juizado Especial Criminal, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Em 2011, ao flagrar o magistrado dirigindo um veículo sem placas identificadoras e sem a Carteira Nacional de Habilitação, a funcionária teria afirmado que o veículo deveria ser apreendido. Ele, que voltava de um plantão noturno, se identificou e ouviu da policial que “juiz não é Deus”.

A decisão foi publicada no dia 31 de outubro. De acordo com o processo, a ré agiu de forma “irônica” e com falta de respeito ao magistrado. Ele então teria dado voz de prisão por desacato à agente, que teria desconsiderado a ação e retornado à tenda da operação. O juiz apresentou queixa em uma delegacia.

O processo foi impetrado pela agente, que exigia indenização do juiz, alegando que ele tentou receber tratamento diferenciado por causa da função do cargo. A juíza responsável, Mirella Letízia, considerou, no entanto, que a policial perdeu a razão ao ironizar uma autoridade pública e reverteu a ação, condenando a agente a pagar a indenização.

Houve apelação da decisão, mas a 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a decisão de primeira instância.

“Em defesa da própria função pública que desempenha, nada mais restou ao magistrado, a não ser determinar a prisão da recorrente, que desafiou a própria magistratura e tudo o que ela representa”, disse o acórdão.

O EXTRA tentou falar com o juiz João Carlos de Souza Correa através do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, mas não conseguiu contato.

Reincidente

João Carlos de Souza Correa já havia se envolvido em uma confusão, com um policial rodoviário, em 2009, quando foi parado em Rio Bonito. Além do excesso de velocidade, chamou a atenção dos agentes um giroflex azul (luz de emergência giratória, usada por carros da polícia, por exemplo) no teto. Assim como no caso da agente da Lei Seca, ele também deu voz de prisão ao policial que fez a abordagem.

Segundo o policial rodoviário Anderson Caldeira, que comentou o caso em 2011, logo que desceu do veículo, o magistrado, aos berros, disse que era juiz de direito:

— Ele relutou muito em se identificar e em nenhum momento parou de gritar e me ameaçar, dizendo que me colocaria na rua, que a minha carreira no serviço público estava acabada etc.

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Iraniana é condenada a prisão por tentar ver jogo de vôlei

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Publicado no Terra

Uma iraniana que também tem a cidadania britânica, detida em Teerã depois de uma tentativa de assistir uma partida de vôlei masculino, foi condenada a um ano de prisão, anunciou o advogado de defesa.

Ghoncheh Ghavami, 25 anos, foi detida em junho em um ginásio de Teerã, quando estava em um grupo de mulheres que desejavam assistir a uma partida da Liga Mundial entre Irã e Itália.

A jovem foi liberada após algumas horas, mas alguns dias depois voltou a ser detida. O julgamento aconteceu no mês passado.

“Segundo a sentença, ela foi condenada a um ano de prisão”, afirmou o advogado Alizadeh Tabatabaie, citado pela imprensa iraniana.

O advogado destacou que, como a cliente não tem antecedentes, uma redução de pena é possível.

As autoridades iranianas afirmaram que Ghavami foi detida não por tentar assistir uma partida de vôlei masculino, e sim por razões de segurança. A jovem passou 126 dias detida na famosa prisão de Evin em Teerã.

Todas as mulheres, inclusive as jornalistas credenciadas, foram impedidas de assistir ao jogo de vôlei masculino entre Irã e Itália no ginásio Azadi de Teerã.

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Sergio Moro, o juiz na mira dos acusados do petrolão

Os envolvidos no escândalo que desviou bilhões da Petrobras se movimentam para impedir o avanço das investigações. O alvo principal é o magistrado responsável pelo processo

INDEPENDENTE - Sergio Moro: o trabalho do juiz provocou protestos da presidente Dilma Rousseff, que reclamou da realização de interrogatórios durante a campanha eleitoral (foto: VEJA)
INDEPENDENTE – Sergio Moro: o trabalho do juiz provocou protestos da presidente Dilma Rousseff, que reclamou da realização de interrogatórios durante a campanha eleitoral (foto: VEJA)

Daniel Pereira e Robson Bonin, na Veja

A história recente do Brasil tem algumas lições para o juiz federal Sérgio Fernando Moro.

Relator do processo do mensalão, o ex-ministro Joaquim Barbosa recebeu do PT a alcunha de traidor e foi atacado, de forma impiedosa, antes mesmo de decretar a prisão da cúpula do partido. Autor do pedido de condenação no caso, o então procurador-geral Roberto Gurgel foi transformado por petistas e asseclas em personagem de uma CPI, sendo ameaçado, inclusive, com um processo de impeachment. Os dois resistiram, e o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os mensaleiros. Descrita como “ponto fora da curva”, a decisão, em vez de atenuar, agravou uma lógica perversa — quanto maior o esquema de corrupção, maior o peso de certas forças para engavetá-lo. Moro agora é quem carrega as responsabildades que foram de Barbosa e Gurgel. Ele está na mira dos interesses contrariados.

Nascido em Maringá, no norte do Paraná, Moro é um dos maiores especialistas do país na área de lavagem de dinheiro. Obstinado pelo trabalho e discreto a ponto de a maioria de seus colegas desconhecerem detalhes de sua vida pessoal, como a profissão da esposa (advogada) e a quantidade de filhos (dois). Aos 43 anos de idade e dezoito de profissão, Moro é um daqueles juízes intocáveis, incorruptíveis, com uma carreira cujos feitos passados explicam seu comportamento no presente e prenunciam um futuro brilhante.

Moro conduziu o caso Banestado, que resultou na condenação de 97 pessoas de diversas maneiras responsáveis pelo sumiço de 28 bilhões de reais. Na Operação Farol da Colina, decretou a prisão temporária de 103 suspeitos de evasão de divisas, sonegação, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro – entre eles, um certo Alberto Youssef.

No ano passado, um processo sob a responsabilidade de Moro resultou no maior leilão de bens de um traficante já realizado no Brasil. Foram arrecadados 13,7 milhões de reais em imóveis que pertenciam ao mexicano Lucio Rueda Bustos, preso em 2006. Com sólida formação acadêmica, coroada por um período de dois anos de estudos na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Moro também atuou como auxiliar da ministra do STF Rosa Weber no processo mensalão. Com frequência, suas teses eram citadas por colegas dela nos debates em plenário.

Um roteirista de filme diria que o destino preparou o juiz Sérgio Moro para seu atual desafio – a Operação Lava Jato, que começou localmente em Curitiba, avançou por quase duas dezenas de estados e foi subindo, subindo na hierarquia política do Brasil até chegar a inimaginável situação de ter um ex-presidente e a atual ocupante do cargo citadas por um peixe grande caído na rede.

Moro começou investigando uma rede de doleiros acusados de lavagem de dinheiro, mas enredou em um esquema de corrupção na Petrobras armado durante os governos do PT com o objetivo financiar campanhas políticas e, de quebra, enriquecer bandidos do colarinho branco. Lula teve o Mensalão. Dilma agora tem o Petrolão.

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Pedófilo relata tentativas de tratar a doença e o medo do descontrole

G1 teve acesso a depoimento exclusivo em que homem fala do transtorno.
Especialistas comentam a falta de tratamentos que podem evitar crimes.

Ilustrações de Mariana Leme
Ilustrações de Mariana Leme

Giovana Sanchez e Bruno Machado, no G1

Como foi a reação quando o senhor contou para a sua esposa?
– Nossa, ela ficou arrasada. Na hora, ela não falou nada. Ela não teve palavras. Eu consegui conversar com ela na semana seguinte, já na prisão.
– O senhor tem alguma religião? Procurou ou já tinha?
– Eu já tinha, eu já era evangélico. Ajuda não tinha pedido para ninguém. É muito difícil pedir ajuda. Se eu falasse “eu sou ladrão” era mais fácil. Pedófilo não, porque o pedófilo já é estigmatizado mesmo. É um criminoso. Não é um doente, é um criminoso.

Marcos* tem 52 anos, dois filhos adolescentes, uma esposa e um emprego. Ele também tem culpa – a culpa de quem cometeu um crime e teve que ir para a cadeia para perceber que precisava de ajuda. A culpa de quem tem uma doença que é associada quase automaticamente a um crime: pedofilia, termo médico para o desejo sexual por crianças.

Com a voz trêmula, Marcos agradece a Deus por ter a família perto. No depoimento obtido com exclusividade pelo G1, ele fala do medo de não conseguir se controlar, “de virar um pervertido”. O impulso começou na adolescência. “Eu achava que era normal para todas as pessoas.” Há cerca de dez anos, Marcos passou a acessar mais a internet e tudo piorou. “Fiquei um viciado nesse tipo de site. Como eu posso dizer? Eu virei um visitante, comecei a colecionar figurinhas. Comecei a ver vídeos de sexo envolvendo crianças.”

Rastreado pela Polícia Federal, Marcos foi preso em flagrante por ter vídeos de pedofilia em seu computador. Segundo dados da PF fornecidos pela ONG SaferNet Brasil, de 1999 a 2013 ocorreram 333 prisões por esse delito. Só no ano passado, foram 860 inquéritos e 134 prisões em flagrante por posse ou consumo de pornografia infantil.

Marcos ficou na cadeia por pouco mais de um ano – a pena por esse crime vai de 1 a 4 anos de prisão. Ao ser solto, procurou ajuda. “Era muito constrangedor. Nas primeiras sessões, até para falar com o médico era muito difícil”. Hoje ele toma quatro tipos de medicação (antidepressivos em geral), além de fazer acompanhamento psiquiátrico.

“Foi muito importante, tanto o tratamento ambulatorial quanto o psicológico. Eu era compulsivo, assistia aos vídeos compulsivamente, masturbação compulsiva também. Acabou tudo isso”, explica ele.

O desejo sexual por crianças é catalogado nos manuais médicos como uma doença da família das parafilias – transtornos de preferência sexual que incluem, por exemplo, incapacidade de consentir com o ato e humilhação do parceiro. A pedofilia afeta menos de 1% dos homens e entre 0,2% e 0,3% das mulheres – assim haveria algo como 997 mil homens e até 311 mil mulheres no Brasil. A doença é diagnosticada a partir dos 16 anos em pessoas que apresentam frequentes ou intensas fantasias, atividades ou práticas sexuais com crianças ou jovens menores de 13 anos.

O imaginário social geralmente toma todo agressor de crianças por pedófilo. Mas, segundo os médicos, nem todo pedófilo é agressor de crianças, e nem todo agressor de crianças é pedófilo.

Há dez anos, o psiquiatra Danilo Baltieri fez uma pesquisa para seu doutorado com agressores sexuais de crianças em uma penitenciária de São Paulo. De todos, 20% eram pedófilos diagnosticados. Segundo a literatura internacional, a porcentagem de transtornos mentais entre agressores sexuais de crianças pode variar de 30% a 60%. “Esses 20% [de pedófilos] estavam lá sem tratamento, sem abordagem, nada”, diz o psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina do ABC, que comanda o único centro que atende especificamente parafilias de forma voluntária e gratuita no Brasil.

“Não é um transtorno de fácil diagnóstico. É difícil, não basta uma única consulta”, explica.  O tratamento é feito inicialmente com psicoterapia em grupo de um tipo específico: a cognitivo-comportamental, com foco no comportamento “sexualmente desviado” do paciente.

No ambulatório do ABC, Baltieri atende de forma gratuita 20 pedófilos – 19 homens e 1 mulher. Alguns já foram presos por abusar de crianças ou por consumir pornografia infantil – e há quem não tenha cometido crimes. “Muitos indivíduos com pedofilia de fato não atuam, eles apenas fantasiam sexualmente e às vezes até se casam com mulheres. […] A pedofilia não é crime, a pedofilia é uma doença. O que é crime é estupro de vulnerável, é o ato. Alguns indivíduos com a doença atuam contra a criança e são criminosos. […] Existe a tendência a dizer ‘pedofilia é crime, denuncie’. Isso é um absurdo total que só prejudica os pacientes que precisam de tratamento”, explica Baltieri, que trata pedófilos há 15 anos.

A ideia de que o pedófilo é um doente e precisa passar por tratamento é compartilhada pela dona de casa Débora*, de 29 anos, do interior de SP. No final de julho, ela estranhou o fato de sua filha de nove anos ter recebido um convite de amizade no Facebook de um jovem que pedia para ela instalar um aplicativo de mensagens temporárias.

“Monitorei, tirei ela do Facebook e fiquei falando com ele como se fosse a minha filha. E ele se manifestou. Ele perguntava se eu já conhecia sobre sexo, se queria aprender, que ele queria fazer. Mandava fotos dos órgãos. Aí eu insistia em falar que era uma criança, porque tinha que caracterizar pedofilia, e ele falava que não tinha problema, porque já tinha visto todas as fotos e gostava dela assim mesmo. Foi aí que eu fiz todos os boletins de ocorrência e fui atrás da Polícia Federal”, afirmou ela em entrevista ao G1.

A mãe descobriu que o homem é um ex-aluno da escola da filha, em Piracicaba (SP), de 18 anos. Ela entrou em contato com a mãe dele e marcou um encontro com os dois. “Foi um encontro triste pra mim, a mãe dele estava ali, junto, muito desesperada, sem conseguir acreditar no que acontecia. Eu vendo o sofrimento daquela mãe, eu sendo mãe também, eu sofri muito”, disse Débora. “Ele precisa de tratamento. Porque ele não vai mudar da noite pro dia.”

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