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Juliana Paes vai defender o candomblé em programa da Globo

(foto: Gabo Morales/Folhapress)

(foto: Gabo Morales/Folhapress)

Publicado no F5

Juliana Paes, 34, é uma das estrelas da Globo que vão dar a cara no programa “Sagrado”.

A atração da emissora pretende retratar a diversidade religiosa do Brasil e mostrar aspectos culturais das religiões que existem no país.

A protagonista de “Gabriela” foi escolhida para falar sobre o candomblé por ter afinidade com a religião.

Também participam, entre outros, o ator Eriberto Leão, 40, tratando do catolicismo, e a atriz Mayana Neiva, 29, discutindo a umbanda.

Haverá ainda programas sobre igrejas protestantes, espiritismo, islamismo, budismo e judaísmo, entre outras.

O programa, que estreia nova temporada na segunda-feira (29), é exibido de segunda a sexta em compactos de dois minutos por volta das 4h45 da manhã e, aos domingos a partir das 5h45, em um compacto apresentado por Ana Maria Braga, 64.

‘Somos tão jovens’ tem Renato Russo ‘real’ e texto artificial

Thiago Mendonça faz boa caracterização, mas diálogos são esquemáticos. Amizade em Brasília e descoberta de homossexualidade são mostradas.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Por Rodrigo Ortega, no G1

A juventude de Renato Russo antes da fama na Legião Urbana é retratada com boa atuação de Thiago Mendonça, mesmo com os diálogos forçados e o roteiro esquemático do início de “Somos tão jovens”. Com 1h45 de duração, o filme estreia no dia 3 de maio nos cinemas brasileiros.

O filme dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, de “A rainha diaba” (1973) e “Gatão de meia idade” (2006), demora a engrenar, iniciado com uma apresentação pouco natural da descoberta do punk rock por jovens de Brasília no fim dos anos 70 e a formação do Aborto Elétrico, primeiro grupo de Renato.

Algumas cenas fazem pouco para envolver o espectador no drama do personagem e servem mais como um documento repetido sobre Renato Russo. O protagonista conversa com um colega sobre os Sex Pistols, como em uma tentativa de explicar didaticamente a influência da banda. As discussões com os pais sobre o futuro do filho e a situação do país ou o “nós vamos dominar o mundo” gritado aos companheiros do Aborto Elétrico também são pouco envolventes.

Renato (Thiago Mendonça) e Aninha (Laila Zaid) Foto: Divulgação

Renato (Thiago Mendonça) e Aninha (Laila Zaid) Foto: Divulgação

O filme engrena a partir de sua metade. A relação com Aninha, interpretada por Laila Zaid, também em boa atuação, se complica e passa a ser um dos dilemas centrais. O rompimento com Fê Lemos (hoje baterista do Capital Inicial) no Aborto Elétrico e a descoberta da homossexualidade de Renato Russo (com destaque para o episódio em que ele pede para ficar com Flávio Lemos, hoje baixista do Capital) reforçam o drama.

Thiago Mendonça também vai bem nas cenas em que canta as músicas de Renato Russo. A produção do filme diz que voz foi captada ao vivo nas gravações, sem uso posterior de estúdio para os vocais. No início do longa, os momentos musicais são superiores aos diálogos. No final, finalmente consegue-se integrar bem o drama da história à interpretação das músicas.

O fato de o próprio Renato Russo ter sido conhecido por trejeitos teatrais faz com que o tom empostado do filme não comprometa a caracterização de Thiago Mendonça. O ator, cujo papel anterior mais conhecido no cinema foi como o cantor Luciano em “2 filhos de Francisco” (2005), às vezes tem tom filosófico e em outras puxa para a ironia o jeito formal de falar, assim como o cantor fazia em entrevistas e shows.

Ibsen Perucci interpreta Dinho Ouro Preto em 'Somos tão jovens' (Foto: Divulgação)

Ibsen Perucci interpreta Dinho Ouro Preto em
‘Somos tão jovens’ (Foto: Divulgação)

Outras figuras que se tornariam conhecidas na música brasileira são retratadas, como Dinho Ouro Preto e Herbert Vianna. A ajuda de Herbert – interpretado de modo caricatural, mas engraçado – para o início da Legião, ao gravar “Química” e fazer o contato entre Renato e o então jornalista Hermano Vianna, seu irmão, é breve, porém importante na história.

Nicolau Villa-Lobos, filho de Dado, guitarrista da Legião, interpreta o pai em participação rápida. Isso acontece porque “Somos tão jovens” mostra apenas o início da história do grupo mais famoso de Renato, ainda uma década antes da morte do cantor, por complicações causadas pela Aids, em outubro de 1996.

Mais Legião no cinema em 2013
Além de “Somos tão jovens”, outro filme inspirado em Renato Russo entra em cartaz em maio no Brasil. Inspirado no hit homônimo da Legião Urbana, “Faroeste caboclo” – que estreia no dia 30 – tem Ísis Valverde no papel de Maria Lúcia e Fabrício Boliveira como João do Santo Cristo, personagens da letra do compositor. A direção é do estreante em longa René Sampaio.

Filmagem de 'Somos tão jovens' (Foto: Divulgação)

Filmagem de ‘Somos tão jovens’ (Foto: Divulgação)

Record ataca a Globo em reportagem criticando cunho religioso de ‘Salve Jorge’ e ‘O Canto da Sereia’

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Fernando Oliveira, no Na TV

Depois de abordar a briga entre fãs do desenho “Pica Pau” e o diretor do “TV Xuxa” e perder a mão exibindo uma entrevista de cunho sensacionalista com Guilherme de Pádua, mais uma vez a Record usou o espaço do “Domingo Espetacular” para atacar a Globo. No último domingo (13) foi levada ao ar uma reportagem que condenava a rival por abordar aspectos religiosos que desagradam grupos evangélicos na minissérie “O Canto da Sereia” e “Salve Jorge”.

Como justificativa, a matéria usou a campanha feita por um pastor contra a história baseada no livro homônimo de Nelson Motta exibida na semana passada. Segundo ele, a minissérie faria apologia à bissexualidade – a protagonista, vivida por Isis Valverde, tinha um romance com a personagem de Camila Morgado – e à umbanda, ao citar a figura de Iemanjá. O candomblé, aliás, também foi o alvo de uma antropóloga, que, em depoimento, “acusou” a novela de fazer referência a Ogum em seu título. Não só houve menosprezo de outra religião como a emissora acabou por dar voz a uma parcela pequena – e extremista -, que propõe boicote à sua concorrente direta.

A mesma reportagem mostrou ainda a insatisfação de alguns pastores com o “Festival Promessas”, promovido pela Globo com cantores evangélicos. Nesse caso, a acusação é de golpe de marketing. A julgar pelo material exibido, a Globo estaria errada, portanto, não só ao dar voz a religiões fora do cristianismo quanto aos próprios evangélicos. Difícil entender. A produção da Record chegou até mesmo a enviar à rival um questionamento que considerou pertinente: se ela pretende exibir uma novela cuja protagonista seja evangélica. Curiosamente, nenhuma mocinha de “Balacobaco”, “Máscaras”, “Caminhos do Coração” ou qualquer outra produção da emissora professou seu credo ardorosamente. Em resposta, a Globo afirmou que sua programação é laica, ou seja, não segue nenhuma religião.

A Constituição Brasileira prevê que o Estado seja laico. Não há crime em professar uma fé diferente seja ela católica, evangélica, espírita ou umbandista. Ao permitir que grupos como este que propôs o boicote ganhem voz, a Record acaba por estimular uma briga desnecessária e alimentar, ainda que não queira, discursos de ódio. Um episódio lamentável. Há que se ter cuidado e fazer melhor uso do bom jornalismo.

dica do Thiago Ferreira

Os “ses” do casamento em Caná

Ariovaldo Ramos

Foi num casamento em Caná, um lugar da Galiléia, que devia ser muito parecida com as favelas de hoje, que Jesus fez o primeiro milagre registrado, e, cujo único propósito foi fazer um casal feliz.

E, para isso, muitas lacunas tiveram de ser preenchidas, lacunas que chamo de os “ses” do casamento em Caná.

E se no casamento em Caná…

Jesus não tivesse sido convidado?

A vida transcorreria, mas restrita ao plano (a), sem lugar para alternativas, porque a lei da impossibilidade só pode ser vencida pelo milagre!

E se no casamento em Caná…

Jesus nao tivesse aceito ao convite?

A festa teria acabado mais cedo e em tom de frustração.

Jesus ter aceito o convite foi o que tornou a festa especial, porque onde Jesus está tudo pode recomeçar, e é a vida e não a morte que passa a dar a palavra final. Que bom que Jesus aceita convite para ir a casamentos, mesmo que já tenham sido celebrados, ele vai, e a alegria é retomada. Que bom que há convites que Jesus aceita! Aliás, a gente só deveria participar de situações e locais, em que Jesus pudesse ser convidado a participar.

E se no casamento em Caná…

Maria não fosse até Jesus?

Jesus, provavelmente, só o saberia quando todos o soubessem e, ainda que interferisse, não poderia fazer muito em relação ao vexame a que os noivos seriam expostos.

O ato de Maria poupou os noivos da provável exposição pública, intercessão tem de ser assim, para abençoar e não para expor.

E se no casamento em Caná…

Jesus não fosse movido pela graça?

Ainda não era o tempo de Jesus se expor ao seu povo, e nem era tempo de Maria ver o seu sacrifício explicado.
Mas Jesus levou em conta a angústia dos noivos,
e o que Jesus não podia fazer por meio da lei o pode por meio da graça.
Tudo deve ser levado a Jesus, porque ele conta com as infindas possibilidades da graça.

E se no casamento em Caná…

Jesus nao achasse festa importante?

Jesus fez um milagre para a festa não acabar, e para poupar os noivos do vexame; ainda bem que o bem estar dos noivos era precioso para o Cristo, ainda bem que a glória do Deus passa pela realização humana, porque o bom criador se alegra com a alegria de suas criaturas.

E se no casamento em Caná…

Maria não fosse respeitada pelos vizinhos?

José, pai adotivo de Jesus cuidou muito bem de Maria, de modo que ao invés de permanecer sob o estigma de pecadora, por ter engravidado antes do casamento, ainda que por milagre de Deus, tornou-se respeitada pelos vizinhos, o que lhe deu autoridade para orientar os garçons.
Que papel admirável José desempenhou! A gente protege alguém quando faz a sua dignidade ser preservada.

E se no casamento em Caná…

Maria não soubesse de Jesus?

Maria só pode dizer o que disse aos garçons, 1º porque sabia do poder dado a Jesus, talvez, já o tivesse visto em ação, e, também, porque sabia do amor de Jesus pelas pessoas. Saber do Cristo é saber de suas possibilidades por causa da bondade de seu caráter. por isso vale a pena orar!

E se no casamento em Caná…

Os garçons não atendessem a Jesus?

A obediência dos garçons ofereceu a matéria prima para o milagre. O que Jesus lhes pediu era sem sentido, as pessoas já tinham lavado as mãos para comer, não havia mais necessidade de água.
Eles, certamente, não compreendiam a razão para encher as talhas, mas Jesus sabia que milagre estava realizando.
Atender a Jesus é sempre participar de um milagre, para além da nossa compreensão.

E se no casamento em Caná…

Jesus não tivesse agido como salvador?

Jesus poderia ter feito qualquer gesto para transformar a água em vinho, mas não o fez, se o fizesse teria exposto aos noivos, mas Jesus não veio para esmagar a cana quebrada, mas para restaurá-la. O importante para Jesus não era que as pessoas soubessem do seu poder, mas que os noivos soubessem do seu amor – colocou os noivos antes do ministério, ele estava ali para beneficiá-los, não para beneficiar-se de sua situação e carência; e assim devem ser os seu seguidores: gente que faz tudo para salvar, curar, abençoar e proteger o outro.

E se no casamento em Caná…

O mestre sala nao tivesse feito o comentário sobre o vinho?

Talvez, mesmo que viéssemos a saber do milagre, não saberíamos da sua intensidade, demonstrada pela qualidade do vinho – que nos dá conta de que Jesus vai muito além de nossa capacidade de pedir ou de pensar – essa é a função do testemunho – transmitir o resultado do amor de Deus.

Que bom que João, o evangelista registrou esse milagre, para sabermos quantas pessoas e trabalho o Deus mobilizou para, tão somente, fazer um casal feliz. Joao está certo: Deus é amor.

fonte: Facebook

imagem: Internet

Autores de paródias de Dilma Rousseff querem audiência com ela

Jeferson Monteiro, da página “Dilma Bolada”, Gustavo Mendes, do “Casseta & Planeta Vai Fundo” e Renato Terra, da revista “Piauí” (Foto Ana Branco)

Jeferson Monteiro, da página “Dilma Bolada”, Gustavo Mendes, do “Casseta & Planeta Vai Fundo” e Renato Terra, da revista “Piauí” (Foto Ana Branco)

Marina Cohen, no O Globo

“Presidenta, meu Bolsa Família ainda não bateu esse mês.” “Dona Dilma, o prefeito da minha cidade comprou um carro novo. Acho que tem desvio de verba aí.” Dezenas de reclamações e pedidos desse tipo chegam, todo dia, à caixa de e-mails do estudante Jeferson Monteiro. Carioca de 22 anos, ele é o cidadão por trás da página Dilma Bolada, no Facebook, e do perfil @diImabr, no Twitter. De tanto encarnar a presidente com muito humor — e um bocado de exagero —, Jef, como prefere ser chamado, acaba sendo confundido com a própria Dilma Rousseff.

— Muita gente acha que é a Dilma escrevendo, mas faço questão de responder, explicando que é só uma personagem ficcional e linkando à seção “Fale com a presidenta”, do site do Planalto — diz o criador de uma Dilma de ego estratosférico, que adora bordões como “Êta, presidenta maravilhosa!”.

Juntamente com a Dilma Bolada, que tem mais de 200 mil fãs na web, incluindo as “curtidas” no Facebook e os seguidores no Twitter, outras paródias da presidente fazem muito sucesso. O humorista Gustavo Mendes, por exemplo, fez tanto barulho com seus vídeos no YouTube que sua personagem, hoje, tem um quadro no “Casseta & Planeta Vai Fundo”, da TV Globo. Já a Dilminha, protagonista da coluna “Diário da Dilma”, escrita pelo jornalista Renato Terra e publicada mensalmente na revista “Piauí”, é motivo de comentários até nos corredores do Planalto.

Essas três “Dilmas” — a Bolada, a do “Casseta” e a Dilminha — se encontraram pela primeira vez, na sede do GLOBO, onde conversaram sobre a tarefa de encarnar a presidente. Papo vai, papo vem, os criadores das personagens se deram conta de que suas personagens têm um elemento em comum: a surpreendente doçura da terceira mulher mais poderosa do mundo, segundo a revista “Forbes”. Entre uma bronca no ministro da Fazenda, Guido Mantega, e um pito no povo brasileiro, a Dilma de Gustavo Mendes faz o tipo “mãezona”. A Dilma Bolada não perde uma chance de exibir seu lado de diva da moda. Já no diário de Renato Terra, Dilminha se divide entre os grandes dilemas nacionais e dúvidas como o esmalte que vai usar nas unhas.

— Dilma é muito sisuda e séria, então, colocá-la em situações de menininha, comprando maquiagem ou se apaixonando, é o que torna a paródia engraçada — comenta Renato, que tem uma pilha de revistas “Capricho” e “Atrevida” em cima da mesa de trabalho, para usar como fontes de pesquisa.

Para o comediante Gustavo Mendes, parte da popularidade da presidente se deve à qualidade das paródias. E não é só ele que acha isso. Em artigo publicado em agosto, o “The New York Times” enfatizou que o trabalho de humoristas brasileiros como Gustavo Mendes contribui para a grande aceitação popular do governo Dilma:

— Nós humanizamos a figura técnica e, muitas vezes, antipática da presidente. Ajudamos a transformá-la em alguém que o povo brasileiro ama.

Preferindo se manter apartidários, os três cérebros por trás das paródias apenas afirmam que têm “um carinho” pela chefe de estado, e que o compromisso é com o humor, não com o governo ou com a oposição.

— A intenção é fazer graça, e o que tem de mais engraçado na Dilma é essa mistura de mãe, avó, política e zagueira de futebol. Ela poderia tanto governar um país quanto bater a laje na sua casa — define Gustavo.

Durante a conversa, as “Dilmas” ainda combinaram de tentar marcar uma audiência com sua musa inspiradora.

— Será que ela gosta das nossas paródias? Eu gostaria muito de saber o que ela pensa — questiona Renato.

A revista entrou em contato com a assessoria da Presidência da República para tirar a dúvida, mas até o fechamento não houve resposta. Renato, Gustavo e Jeferson prometem fazer uma campanha pela realização do encontro com a mineira de Belo Horizonte.

“Temos a mesma cara de bolacha”

Hoje famosas e com ambições tão grandes quanto um encontro com a presidente, as paródias de Dilma começaram modestas, ainda em 2010. Antes de ser um quadro no “Casseta & Planeta Vai Fundo”, a interpretação de Gustavo Mendes era veiculada só na web. A personagem nasceu a partir de outra que o ator mineiro já costumava interpretar: Margarida Salomão, candidata à prefeitura de Juiz de Fora, cidade onde o comediante nasceu e foi criado. Só foi preciso ajustar um trejeito ou outro. Assim que fez o vídeo de teste, o humorista notou que a versão daria certo.

— Fazer o quê? Eu sou parecido com a Dilma, né? Nós dois temos essa cara de bolacha. E o sotaque mineiro também ajuda — pondera Gustavo.

A característica mais forte da Dilmandona Rousseff, retratada pelo humorista, é o estilo briguento. As broncas bem-humoradas respingam em todos os ministérios e também no povo brasileiro. Mas Gustavo nem liga para quem acha que sua Dilma é feroz demais.

— Uma senhorinha com a bolsa debaixo do braço esperando o ônibus no ponto é tudo o que a Dilma não é. Ela é uma mulher forte, que sofreu com a ditadura — defende-se, respondendo a críticas de quem acha que a personagem passa uma imagem negativa da presidente. — Muito pelo contrário. Nas paródias, ela é muito carismática. A militância tem que nos amar.

Após 89 apresentações de seu espetáculo de stand-up comedy “Mais que Dilmais” em 2012, Gustavo reconhece que grande parte do seu sucesso vem da paródia de Dilma. Mas o ator avisa que o personagem não deve continuar na TV em 2013, já que “Casseta & Planeta Vai Fundo” não terá nova temporada.

— Ainda estou estudando o que vou fazer na Rede Globo no ano que vem. Já cansei da personagem da Dilma e tenho vontade de partir para outras ideias, mas não vou deixar a presidenta morrer. Ela vai voltar à internet — garante o comediante.

Passando para o papel, o “Diário da Dilma” é inspirado numa coluna de humor semelhante sobre a ex-primeira dama francesa Carla Bruni, que costumava ser publicada no jornal francês de humor “Le Canard Enchaîné”. A ideia partiu do então editor da revista “Piauí”, Mario Sergio Conti, mas é Renato Terra que, todo mês, passa dois dias imerso no noticiário nacional e em revistas adolescentes para compor o diário da personagem Dilminha de acordo com a agenda cumprida pela presidente na vida real.

Entre um compromisso oficial e outro, a Dilma criada por Renato se preocupa bastante com o seu visual nas fotos publicadas pela imprensa e sonha acordada com seu príncipe encantado, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão.

— O universo da Dilma é tão rico justamente porque ele é muito fechado. Esse mistério todo permite que a gente se sinta livre para criar em cima dele — justifica Renato. — Por isso, as paródias são extremamente autorais. Não são imitações da presidente, mas personagens criados a partir dela.

O cargo de “ghost-writer não oficial” de Dilma caiu como uma luva em Renato. Depois de dois anos escrevendo o diário, o jornalista, responsável também pelo blog de humor “Piauí Herald”, muitas vezes se pega lendo o jornal pelos olhos da Dilminha.

— Uma vez, minha mulher comentou com alguém que eu escrevo o “Diário da Dilma”. A pessoa respondeu: “Nossa, adoro a coluna! Mas achava que o tal Renato fosse gay.”

Além das revistas teen e dos notíciários, muitas informações de bastidores servem de material para Renato:

— Muita gente nem imagina. Há histórias ali que parecem brincadeira, mas são informações exclusivas que eu recebo.

Assim como a personagem Dilminha, a presidente real pediu mesmo a Selton Mello um DVD com os episódios da primeira temporada do seriado “Sessão de terapia”, ao receber o ator, que dirige o programa, no Palácio do Planalto, em março.

Já o comediante Gustavo Mendes garante que as flores favoritas da chefe de governo são orquídeas, e que a estadista passou um pito na comitiva presidencial durante a viagem a Nova York, em setembro deste ano. E teria proibido os integrantes de seu séquito de voltar para casa cheios de bugigangas.

“Se fosse como Hebe Camargo, não imporia respeito”

No início de sua carreira “vestindo a saia” de Dilma, Gustavo mantinha contato com a militância do PT para conseguir informações exclusivas. Foi assim que descobriu que, segundo ele, a presidenta nutriria uma antipatia pelo ex-ministro José Dirceu.

— Hoje, não preciso me esforçar tanto. As fofocas caem no meu colo — comenta o humorista, que passou a devorar o noticiário político depois que se tornou intéprete da governante petista.

Quando não está na faculdade estudando administração ou no seu estágio, na produtora Bananeira Filmes, Jeferson Monteiro, morador de Mesquita, na Baixada Fluminense, diverte os internautas encarnando uma versão “bolada” da presidenta. Hoje, metade da rotina do criador da página “Dilma Bolada” no Facebook e do perfil @diImabr (o “L” é, na verdade, um “I” maiúsculo) do Twitter é dedicado a criar declarações.

A governante imaginada por Jef tem um cachorrinho chamado Boladinho, gosta de se arrumar para as ocasiões de festa e se sente uma diva soberana. Ela também não cansa de ressaltar que o Brasil é um país rico.

— Uma vez, o marqueteiro do PT, João Santana, disse que a Dilma era uma rainha no trono. E é exatamente assim que eu a vejo — define o jovem.

Jef, porém, acredita que Dilma é bem diferente na realidade:

— Ela deve ser simpática, mas sem dar muita liberdade. Afinal, precisa agir de acordo com seu cargo. Se fosse fofinha como a Hebe Camargo, não imporia respeito.

Apesar de haver muitas empresas loucas para anunciar nas páginas virtuais da Dilma Bolada, Jef não pretende usar a sua glamurosa presidente como garota-propaganda. Ele recebeu até proposta de “uma pessoa ligada a um partido político” para comprar os direitos autorais de sua criação.

— A Dilma não está à venda — afirma.

Mesmo sem gerar dinheiro diretamente, os perfis da chefona já renderam ao estudante um emprego. Ele foi contratado para gerenciar as redes sociais na Bananeira Filmes graças à fama na internet. Mas, para o estudante, a maior retribuição de seu empenho é encontrar “dilmetes” que entram para valer no universo criado por ele.

— Me realizo quando as pessoas pedem para ouvir mais histórias sobre a empregada doméstica do Planalto, a Marcela (Temer, mulher do vice-presidente, Michel Temer), ou perguntam como estão as emas criadas pela presidenta no quintal. Os brasileiros que moram fora do país são os que mais se entregam à brincadeira — conta o rapaz, que também tem fãs latino-americanos. — Recebi um recado de alguém dizendo que tinha depressão, e que sua única alegria era acompanhar os posts da Dilma Bolada. Saber que posso levar felicidade para as pessoas é demais.

Diferentemente de Gustavo Mendes, Jef não pretende largar sua Dilma Bolada tão cedo. Em janeiro, ele estreia um blog, com textos maiores, contando aventuras inéditas da presidente no poder. Caso a nova plataforma seja um sucesso, virá por aí um livro, com outras histórias:

— Mesmo dividindo a minha vida com a Dilma Bolada, ainda chamo essa atividade de lazer. Acima de tudo, me divirto.