Arquivo da tag: protestantes

Quando dois homens se casam…

casamento-gay-1José Barbosa Jr.,  no  Crer é também pensar

No sábado passado fui a um casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Pensei em escrever um texto onde descreveria o casamento e só no final daria essa informação. Mas serei “legal” com você, leitor. Se quiser parar de ler por aqui, facilito a sua decisão, pois falarei sobre um casamento homoafetivo. Se seu preconceito não lhe permite avançar, esta é a hora de parar a leitura.

Voltando à narrativa, vamos ao casamento…

Fui convidado por um dos noivos, Bruno, primo de minha mulher… recebemos o convite com alegria, pois só o fato de ser convidado já nos era honroso. Sim, senti-me honrado de ser convidado para este evento.

Chegamos ao local da cerimônia/jantar, e a primeira alegria e surpresa foi ver a casa repleta de familiares dos noivos. Geralmente são os que mais recriminam e abandonam aqueles que assumem sua orientação afetiva e, as pesquisas apontam, são a causa de muitos suicídios entre estes. Não foi o caso! As famílias estavam todas lá, para alegria dos noivos, e para minha alegria também.

Havia também outros amigos homossexuais. Discretos, ocupavam suas mesas sem nenhum problema e sem olhares constrangedores. Vi um novo mundo possível! Um ambiente onde héteros e homoafetivos compartilham dos mesmos direitos, espaços e olhares. Todos amigáveis. Todos repletos de respeito mútuo.

Chegou a hora da “cerimônia”, e aqui a coisa tomou ares ainda mais admiráveis.

Pais, avós e amigos deram “testemunhos” sobre os noivos. Uma nota: a família de um dos noivos era de tradição cristã/protestante. E os testemunhos me emocionaram. Tocaram fundo.

Um dos pais disse: “Estes meninos são homens de verdade. Venceram preconceitos e assumiram, contra tudo e todos, seu amor e desejo de compartilharem a vida.”

Outro pai afirmou: “Meu filho me ensinou o que é amor. Só agora, depois de velho, estou aprendendo o que é amor, respeito, dignidade.”

Aliás, as palavras que mais ouvi, acerca dos noivos, foram “integridade”, “dignidade”, “respeito”, “amor”, “bons filhos” e “amigos”.

Mas, o grande momento, foi quando a avó de um dos noivos, cristã, fez uso da palavra para a “benção das alianças”. Afirmou, para espanto de qualquer resquício de homofobia ou estranheza que houvesse ali, que via a mão de Deus sobre a vida dos dois. Realçou o carinho e o amor que um nutem pelo outro, e que isso só pode vir de Deus. Mais uma vez falou da integridade do neto e o quanto sua família celebrava aquele momento.

Meus olhos marejaram… a Ellen (minha mulher) já estava aos prantos. Ao redor um clima de festa e celebração por um amor que se “oficializava”.

Sim, eu estava num casamento.

Não, eu não estava num casamento “gay”. Repito: eu estava num casamento! Ali estavam duas pessoas, dois seres humanos jurando amor, respeito e fidelidade um ao outro. Ali estavam duas pessoas, dignas, honradas, projetando uma vida a dois.

Como posso eu condenar tal juramento? Como posso dizer que esse amor é pervertido?

Não posso! Não quero! Não o farei! Não tenho esse direito!

Meu desejo é que Bruno e Júlio sejam felizes. Minha oração é que o amor jurado seja vivido sempre! Minha torcida é que a vida deles, juntos, seja motivo de alegria para a família, amigos e quaisquer pessoas que os cerquem. Que a integridade e a dignidade desse relacionamento sejam celebrados por todos aqueles que amam a vida e a dignidade humana.

Parabéns, Bruno e Júlio! Vocês quebraram preconceitos! Vocês enterraram, de uma vez por todas, os meus preconceitos pessoais! Vocês me ensinaram…

Sejam felizes!

dica da Karen Souza

Templos de diferentes religiões abrem as portas para peregrinos na JMJ

Centro de umbanda e igreja evangélica se cadastraram para receber jovens.
Líderes dizem que convivência pode reforçar a tolerância religiosa.

diferentes-religiões-hospedam-peregrinos-JMJ

Publicado no G1

Centros de umbanda, clubes judaicos, igrejas evangélicas e anglicanas serão alguns dos locais que vão hospedar peregrinos que vem ao Rio de Janeiro, na Jornada Mundial da Juventude. Os líderes das entidades garantem que as diferentes concepções de crença não vão provocar atritos, mas sim reforçar o diálogo e a tolerância entre as diversas religiões. Até a primeira semana de julho, mais de 300 mil pessoas já estavam inscritas para participar do evento, que acontece entre 23 e 28 de julho.

Com o altar que inclui a imagem de Jesus Cristo, rodeada de estátuas de santos e pretos velhos, a sala principal da Casa Irmandade Batuíra e Pai Miguel das Almas, em Anchieta, no Subúrbio, será, por uma semana, a morada de 10 jovens. O coordenador do espaço, o ex-seminarista Sebastião Mauro de Sá, 62 anos, acredita que não haverá preconceito.

“Eu vou acolher independente da religião, não tem diferenciação. O peregrino vem com o objetivo dele, de ver o papa e participar de uma ação. Eu, no meu espaço, vou abrigar apenas, não vou discutir religião”, diz Sebastião, que frequentou o Seminário São José por oito anos, até seguir o candomblé.

Sincretismo religioso
O Centro Cultural Afro Ojuobá Axé, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, vai receber 70 jovens. A diretora da instituição, Luana Guimarães, conta que o sincretismo religioso faz parte do local. “Aqui oferecemos aulas de dança, capoeira, e temos frequentadores de várias religiões, como evangélicos, católicos e candomblecistas”, conta a baiana, uma das fundadoras do bloco Ilê Ayê.

O pastor Silas Esteves, da igreja evangélica Palavra Viva, vai receber uma família italiana no loteamento mantido pela congregação, em Niterói, na Região Metropolitana. Esteves, que também é professor de teologia da Shiloh University, nos Estados Unidos, acredita que o discurso do Papa no Brasil terá como tema a união.

“Na imaturidade, as diferenças causam distanciamento, mas as diferenças precisam causar a unidade. Cada parte diferente compõe o mesmo corpo. Somos diferentes, temos aspectos doutrináveis distintos, a forma de orar diferente, mas um mesmo corpo, o de Cristo”, conclui o pastor, acrescentando que fez jejum durante o conclave que elegeu Francisco para o pontificado.

Estrangeiros
Seguidores da Igreja Anglicana também vão hospedar peregrinos em suas casas, de acordo com o bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, dom Philadelpho Oliveira. No dia 24, o bispo, junto com outras lideranças anglicanas, vai participar de um evento com o Papa. Se tiver oportunidade de conversar com Francisco, ele pediria diálogo com as classes discriminadas e menos favorecidas.

“Gostaria que ele olhasse com carinho para os jovens marginalizados, que trabalhasse junto na questão da tolerância com os diferentes. Me parece que ele [o papa] é uma pessoa que caminha para essa direção”, comenta dom Philadelpho, que recebeu pedidos de hospedagem de jovens da Austrália, Canadá e Estados Unidos.

O presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro, Jayme Salomão, afirma que os clubes da entidade podem receber atividades culturais e esportivas durante o período da Jornada. “Esse é o momento de integrar. Acho que o Brasil tem totais condições de fazer um evento que vai ter repercussão no mundo todo. Estamos buscando um futuro mais promissor, e que ele seja acompanhado de paz e harmonia”, observa Salomão.

A Irmã Graça Maria, diretora executiva do setor de hospedagem, explica que todos os lugares inscritos para receber peregrinos são vistoriados antes por uma equipe da JMJ, além de ter o aval da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesge). “É um evento que estamos investindo na juventude, no nosso país, no mundo. Temos que unir forças, acolhemos todas as ofertas “, conclui a freira.

“Precisamos chegar à presidência da República”, diz Marco Feliciano aos fieis gaúchos

Google Imagens

Google Imagens

Publicado originalmente no Sul 21

Em discreta passagem pelo Rio Grande do Sul, para fugir dos holofotes da imprensa e da mira dos protestantes, o deputado federal Marco Feliciano (PSC – SP) participou do 5º Congresso Internacional de Missões, em Sapucaia do Sul. Aos fieis, introduziu argumentos políticos enquanto contava sua história e lia trechos bíblicos. O principal foco do discurso foi o ataque aos homossexuais, dos quais para ‘combater’ seria necessário, segundo ele, que pessoas como ele alcançassem o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Presidência da República.

“Na França, permitiram o casamento gay e hoje perderam essa luta. Por isso estou lá na Câmara Federal e precisamos chegar no Supremo Tribunal Federal. Precisamos chegar à Presidência da República, ao comando dos estados, prefeituras e câmara de vereadores”, disse no evento organizado pela Associação Missionária e Evangelística Luz das Nações. E falou que o início do processo de tomada de poder pelos evangélicos, chamado por ele de ‘avivamento do país, deveria começar pelo Rio Grande do Sul, já que os gaúchos “preservam suas raízes”.

Por 90 minutos, o atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal fez a plateia chorar, gritar, aplaudir e ovacioná-lo. Os fieis também contribuíram com doações em dinheiro, cheque e cartão de crédito. “É a semente. Em 2014, quando voltar, vou reservar dez minutos para ouvir testemunhos de quem está dando a semente hoje. Se não tiver resolvido seus problemas financeiros, se a semente de hoje não tiver se multiplicado em casa própria, carro, emprego ou seja lá qual for a sua necessidade, desisto de ser pastor”, disse Feliciano.

Juliana Paes vai defender o candomblé em programa da Globo

(foto: Gabo Morales/Folhapress)

(foto: Gabo Morales/Folhapress)

Publicado no F5

Juliana Paes, 34, é uma das estrelas da Globo que vão dar a cara no programa “Sagrado”.

A atração da emissora pretende retratar a diversidade religiosa do Brasil e mostrar aspectos culturais das religiões que existem no país.

A protagonista de “Gabriela” foi escolhida para falar sobre o candomblé por ter afinidade com a religião.

Também participam, entre outros, o ator Eriberto Leão, 40, tratando do catolicismo, e a atriz Mayana Neiva, 29, discutindo a umbanda.

Haverá ainda programas sobre igrejas protestantes, espiritismo, islamismo, budismo e judaísmo, entre outras.

O programa, que estreia nova temporada na segunda-feira (29), é exibido de segunda a sexta em compactos de dois minutos por volta das 4h45 da manhã e, aos domingos a partir das 5h45, em um compacto apresentado por Ana Maria Braga, 64.

Dilma foge de polêmica para manter paz com evangélicos

Natuza Nery, na Folha de S.Paulo

A presidente Dilma Rousseff pretende manter intocadas as legislações sobre aborto e casamento gay, como prometeu em 2010. Mas o governo também não quer se vincular à pauta dos evangélicos, que considera conservadora. No Palácio do Planalto, a tônica na relação com as denominações pentecostais e neopentecostais é uma só: manter uma “união estável”.

De olho nessa estabilidade, Dilma mandou sua equipe tomar distância da polêmica em torno do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Marco Feliciano (PSC-SP). Críticas, se forem inevitáveis, devem ser feitas ao deputado e pastor, jamais aos evangélicos.

Durante os dois primeiros anos de governo Dilma, a relação do Planalto com as igrejas evangélicas e católica tem sido pulverizada e distante. O diálogo é melhor com as denominações protestantes tradicionais, como luterana, metodista e presbiteriana.

Nas pentecostais, caso da Assembleia de Deus (12,3 milhões de fiéis em 2010), e neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus (1,8 milhão), a relação é mais difícil e vista por setores do Executivo como mais utilitarista.

Embora com um rebanho muito menor, a Universal conquistou o Ministério da Pesca em 2012. Motivo: ajudar o PT na eleição municipal. Titular da pasta, Marcelo Crivella tem sido um dos interlocutores, ao lado do colega Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República), responsável formal pela ponte entre Planalto e igrejas em geral.

A nomeação despertou o interesse de outras denominações. Há algumas semanas, a Assembleia de Deus tentou emplacar um fiel congressista do PR no Ministério dos Transportes. Dilma, porém, optou por outro nome do partido, o ex-governador baiano César Borges.
No legislativo, a bancada evangélica costuma se unir em torno de temas caros à religião, como casamento gay e aborto. Atrai, com isso, alas católicas e congressistas de linha mais conservadora.

Também há outra pauta comum, mas de reivindicação individual: a cobrança por patrocínio público para eventos gospel, concessões de rádio e televisão e pedidos de mais propaganda oficial nos veículos evangélicos.

Nas demais demandas, como cargos, a negociação segue a liturgia tradicional dos deputados e senadores da base do governo, o varejo.

Um dos principais expoentes da bancada evangélica é o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), embora seja da Sara Nossa Terra, muito menor que as outras igrejas.

Em 2010, ele foi um dos que ajudou Dilma a desarmar boatos de que a petista liberaria, se eleita, o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, discussão explorada à época por seu adversário tucano, José Serra.

Dilma já se posicionou a favor da descriminalização do aborto, mas mudou de ideia na campanha eleitoral.

O Palácio do Planalto espera que os dois temas não sejam centrais na disputa por 2014, o que diminuiria o peso das demandas evangélicas na corrida eleitoral.

Entre os líderes com maior interlocução com o Planalto estão Manuel Ferreira e Paulo Freire, ambos da Assembleia de Deus, e o próprio Marcelo Crivella.

13104331