Arquivo da tag: protestantes

Juliana Paes vai defender o candomblé em programa da Globo

(foto: Gabo Morales/Folhapress)

(foto: Gabo Morales/Folhapress)

Publicado no F5

Juliana Paes, 34, é uma das estrelas da Globo que vão dar a cara no programa “Sagrado”.

A atração da emissora pretende retratar a diversidade religiosa do Brasil e mostrar aspectos culturais das religiões que existem no país.

A protagonista de “Gabriela” foi escolhida para falar sobre o candomblé por ter afinidade com a religião.

Também participam, entre outros, o ator Eriberto Leão, 40, tratando do catolicismo, e a atriz Mayana Neiva, 29, discutindo a umbanda.

Haverá ainda programas sobre igrejas protestantes, espiritismo, islamismo, budismo e judaísmo, entre outras.

O programa, que estreia nova temporada na segunda-feira (29), é exibido de segunda a sexta em compactos de dois minutos por volta das 4h45 da manhã e, aos domingos a partir das 5h45, em um compacto apresentado por Ana Maria Braga, 64.

Dilma foge de polêmica para manter paz com evangélicos

Natuza Nery, na Folha de S.Paulo

A presidente Dilma Rousseff pretende manter intocadas as legislações sobre aborto e casamento gay, como prometeu em 2010. Mas o governo também não quer se vincular à pauta dos evangélicos, que considera conservadora. No Palácio do Planalto, a tônica na relação com as denominações pentecostais e neopentecostais é uma só: manter uma “união estável”.

De olho nessa estabilidade, Dilma mandou sua equipe tomar distância da polêmica em torno do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Marco Feliciano (PSC-SP). Críticas, se forem inevitáveis, devem ser feitas ao deputado e pastor, jamais aos evangélicos.

Durante os dois primeiros anos de governo Dilma, a relação do Planalto com as igrejas evangélicas e católica tem sido pulverizada e distante. O diálogo é melhor com as denominações protestantes tradicionais, como luterana, metodista e presbiteriana.

Nas pentecostais, caso da Assembleia de Deus (12,3 milhões de fiéis em 2010), e neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus (1,8 milhão), a relação é mais difícil e vista por setores do Executivo como mais utilitarista.

Embora com um rebanho muito menor, a Universal conquistou o Ministério da Pesca em 2012. Motivo: ajudar o PT na eleição municipal. Titular da pasta, Marcelo Crivella tem sido um dos interlocutores, ao lado do colega Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República), responsável formal pela ponte entre Planalto e igrejas em geral.

A nomeação despertou o interesse de outras denominações. Há algumas semanas, a Assembleia de Deus tentou emplacar um fiel congressista do PR no Ministério dos Transportes. Dilma, porém, optou por outro nome do partido, o ex-governador baiano César Borges.
No legislativo, a bancada evangélica costuma se unir em torno de temas caros à religião, como casamento gay e aborto. Atrai, com isso, alas católicas e congressistas de linha mais conservadora.

Também há outra pauta comum, mas de reivindicação individual: a cobrança por patrocínio público para eventos gospel, concessões de rádio e televisão e pedidos de mais propaganda oficial nos veículos evangélicos.

Nas demais demandas, como cargos, a negociação segue a liturgia tradicional dos deputados e senadores da base do governo, o varejo.

Um dos principais expoentes da bancada evangélica é o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), embora seja da Sara Nossa Terra, muito menor que as outras igrejas.

Em 2010, ele foi um dos que ajudou Dilma a desarmar boatos de que a petista liberaria, se eleita, o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, discussão explorada à época por seu adversário tucano, José Serra.

Dilma já se posicionou a favor da descriminalização do aborto, mas mudou de ideia na campanha eleitoral.

O Palácio do Planalto espera que os dois temas não sejam centrais na disputa por 2014, o que diminuiria o peso das demandas evangélicas na corrida eleitoral.

Entre os líderes com maior interlocução com o Planalto estão Manuel Ferreira e Paulo Freire, ambos da Assembleia de Deus, e o próprio Marcelo Crivella.

13104331

Padre holandês publicará fotos de fieis que abandonarem a igreja

católico, 450

Publicado originalmente no Terra

Um padre holandês está disposto a publicar os nomes e as fotos das pessoas de sua paróquia que anunciaram oficialmente sua intenção de abandonar a Igreja católica em protesto contra a oposição do Vaticano ao casamento gay para convencê-las a não fazer isso, anunciou nesta terça-feira.

“É uma grande paróquia e não conheço todo mundo. Publicar as fotos me diz que alguém que conhecer o fiel poderá tentar convencê-lo a continuar na Igreja”, afirmou o padre Harm Schilder.

Muitos católicos holandeses ficaram surpresos com as declarações do Papa, em 21 de dezembro passado, e com seu pedido para que se lute contra o casamento gay. A Holanda foi o primeiro país do mundo, em abril de 2001, a autorizar o casamento homossexual. ”Não se trata de apontar com o dedo ninguém, de envergonhar ninguém”, enfatizou Schilder.

Para serem retirados dos registros da paróquia e da Igreja católica, estas pessoas devem enviar uma carta ao sacerdote, acompanhada de cópias de documentos de identidade oficiais. São estas fotos que o padre pretende utilizar, colocando-as nos corredores da igreja.

Harm Schilder já é conhecido pela imprensa holandesa: em 2010, a justiça o proibiu de tocar os sinos de sua igreja às 7h15 durante a semana, pois a prefeitura estabeleceu um limite de 80 decibeis antes das 7h30. Segudo Schilder, o direito de convocar a oração faz parte da liberdade de religião.

Segundo dados oficiais, 28% holandeses se declaram católicos, 18% protestantes e 44% sem religião.

foto: Reuters

dica do João Marcos

Sou crente, aleluia, e o Egito é a Bahia

Nelson Oliveira, no Vice

Há mais de 30 anos, algumas colinas de Salvador começaram a ganhar um movimento curioso. As dunas de bairros praianos como Itapuã e Stella Maris começaram a ser ocupadas por pessoas que vestiam muito mais que um sumário traje de banho. Mortalhas e longas saias, no caso das mulheres, e trajes sociais, às vezes com direito a terno, para os homens. As dunas de Salvador se tornaram um oratório a céu aberto para muitos evangélicos.

Houve um tempo em que falar de Egito na Bahia era coisa de música de carnaval composta por Carlinhos Brown. Hoje, artigo vintage no Circuito Barra-Ondina, a busca pelos mistérios egípcios é dos protestantes, que veem as dunas como uma metáfora para o Monte Sinai, local em que Moisés viu um arbusto em chamas que falava, recebeu de Deus as palavras dos Dez Mandamentos e toda aquela psicodelia.

Mesmo longe de possuir os 2288 metros de altura do monte histórico, as dunas de Salvador viraram um verdadeiro local de peregrinação de grupos de crentes – desculpa, mas eles mesmos se chamam assim, então nem vem procurar confusão, valeu? – nos últimos anos. Os frequentadores aparecem em qualquer horário do dia, mas, sobretudo à noite. Eles gostam de ir ao local porque se sentem mais próximos de Deus. Estar no topo das dunas remete a um momento de paz de espírito, reflexão e deslocamento da realidade. Afinal, Deus é uma viagem.

Antes, a prática era individual e agora se organizou: grupos de igrejas de regiões muito distantes das dunas e até mesmo de outras cidades baianas fretam micro-ônibus para realizarem cultos no local, que é considerado perigoso por ser ermo e não possuir qualquer iluminação. Nas sextas-feiras, as dunas chegam a receber mais de 200 crentes orando em voz alta, em português ou na chamada “língua dos anjos”, com direito a pastores realizando conversões e exorcismos. Outros, que geralmente vão sozinhos, ficam compenetrados, de quatro e com a cabeça na areia, entre os braços, ou queimam papeis com pedidos de graças.

Curioso para saber o que acontecia lá, fui fotografar os momentos de oração nas dunas. Foi divertido. Eu e meu flash acabamos ungidos por um pastor, que, assim como outros religiosos, perceberam as luzes do equipamento, mas não se deram conta inicialmente que estavam sendo fotografados. Outro grupo, mas atento, foi direto: “Vamos fazer uma foto, gente. Vai para os Estados Unidos. Vai para o Facebook!”. Bom, de alguma forma, sim.

dica do João Marcos

Eu sou a mosca


x
Rayssa Gon, no Bule Voador

Ha umas semanas, estava voltando da faculdade, e um menino me parou na calçada. Ele Deveria ter uns 10 ou 11 anos e vinha da igreja pentecostal do outro lado da rua. Me estendeu um folheto dizendo “moça, moça”. No começo eu não entendi nada, mas peguei o papel. Então ele disse: “jesus te ama”. Essa tal igreja abriu faz uns 5 anos na esquina da minha rua, embaixo de um salão de cabeleireiro.

No ano passado, uma sede da mundial abriu praticamento do lado dela. Acho que é uma característica do cristianismo  se espalhar com a mesma força e rapidez com que se divide em novas e diferentes linhagens. Até que em determinado momento uma dessas linhagens consegue se impor, suprime as outras e se mantem hegemônica por um tempo. Aí depois de um tempo novas seitas cristãs surgem, ganham força, se espalham, e uma delas se destaca, passa a abafar as outras, etc etc.

Esse é um jeito de entender o cristianismo primitivo x cristianismo romano há dois mil anos. Ou a igreja católica x protestantismo nos séculos XV e XVI. E é como eu, particularmente, entendo o que se passa hoje entre a igreja mundial e as outras neo-pentecostais, notadamente a universal do reino de deus. A sede da mundial não faz tanto barulho, ainda. Já a outra, a menorzinha, coitada, toda vez que passo na frente tem alguem se esgoelando ali dentro. Clássico duelo rottweiler x pinscher: as cores são as mesmas.

As crianças costumam ficar amontoadas, brincando, na frente desses templos, enquanto seus pais acompanham o sermão. Até que se inicia o êxtase coletivo e os adultos começam a agir de forma estranha. Então as crianças param de brincar e observam tudo de forma meio fascinada (meio aterrorizada?). Se você nunca viu essas cenas, não perca a oportunidade: pegue o primeiro ônibus que te leve à periferia da sua cidade e confira com seus próprios olhos. Veja o crescente número de igrejas evangélicas e note o que acontece a um país com uma economia aquecida e em pleno desenvolvimento mas que se esqueceu de cuidar da educação.

Com relação ao menino do panfleto, a minha primeira reação foi dizer: “Jesus não existe, criança”. De fato, eu cheguei a dizer um “Jes…” mas hesitei. Pensei que seria algo meio forte para se dizer a uma criança. Como quando fui abordada por um rapaz entregando panfletos a caminho do trabalho, uns 10 dias atrás. “Muito cedo para dizer coisas fortes” pensei comigo mesma, 7:15 da manhã depois de decidir não falar o “Não acredito em Deus, obrigada” que pensara num primeiro momento.

Mas os pregadores não acham que uma criança de 11 anos é muito nova para sair pelas ruas entregando panfletos. Dois cliques no Youtube e vocês podem ver qualquer vídeo com crentes gritando a plenos pulmões em ”línguas estranhas” pulando e se sacudindo na presença de pequenos que devem ter pensado, naquela hora, o que p**** era aquilo porque, bem, é o que eu pensaria.

O rapaz não achou que sete da matina seria muito cedo para entregar papeis sobre o inferno e as melhores formas de evitar sua eterna estadia lá. Então, eu decidi que falarei das proximas vezes “qual é a minha”. Não discutirei, nem debaterei. Mas direi: “Obrigada, mas não acredito em deus” ou “Agradeço, mas deus não existe, moço” (mais dramático, hã?). Pode parecer pouco, ou mesmo bobo, mas num Estado cada vez menos laico – com a atual presidenta rifando ministérios – minha atitude me parece o mínimo a ser feito. O que falei anteriormente sobre o “ciclo do cristianismo” é só uma das formas de compreender e interpretar acontecimentos históricos. Não significa que o “ciclo” não possa ser quebrado. Se não pudesse, países mais desenvolvidos e melhor educados não seriam mais seculares.

Eu escolhi ser a mosca impertinente que não pegará mansamente qualquer coisa oferecida. Por mais que cem pessoas peguem o maldito papel – no melhor estilo “ok, eu pego e você me deixa em paz” – pretendo ser, daqui em diante, a “estraga-prazeres”, o assunto a ser comentado na igreja no fim do dia (“Hoje uma menina não quis pegar o panfleto, irmãos! E ainda disse que deus não existe! Que absurdo! Como ela ousou?”). Convido vocês a fazerem o mesmo , se quiserem. Convido a todos a não-colaborarem. Convido você a mostrar que ousadia pode ser, assim como moralidade, uma qualidade de crentes e ateus.