Parceiro sexual de 5% dos jovens foi conhecido na internet, diz pesquisa

Entre os pais, 1% sabe que os filhos conheceram os namorados na internet.
Estudo do Portal Educacional ouviu 4 mil jovens entre 13 e 16 anos.

Brasileira acessa a internet em Garça (SP) (foto: Reprodução/TV TEM)
Brasileira acessa a internet em Garça (SP) (foto: Reprodução/TV TEM)

Helton Simões Gomes, no G1

Conversas iniciadas na internet foram o atalho para jovens brasileiros abrirem sua vida íntima a pessoas até então desconhecidas que se tornaram parceiros sexuais, de acordo com a edição 2014 da pesquisa “Este Jovem Brasileiro”, realizada pelo Portal Educacional e obtida com exclusividade pelo G1. Entre os jovens ouvidos, 5% disseram já ter feito sexo com pessoas conhecidas pela internet. Nem todos os contatos nascidos na internet, porém, terminam na cama, mas não são raras as relações que pulam do mundo virtual para o real: 11% dos adolescentes entrevistados já namoraram com alguém conhecido na internet. O mais comum, porém, é não passar de alguns beijinhos, coisa que 22% dos jovens disseram já ter ocorrido. Enquanto isso, os pais nem suspeitam: pouco mais de 1% sabe que os “ficantes” ou namorados dos filhos foram conhecidos na internet.

Para traçar o perfil sobre o comportamento dos jovens na internet, a pesquisa ouviu 4 mil estudantes de 13 a 16 anos, 300 pais e 60 professores de 36 escolas particulares em 14 estados brasileiros. Eles responderam às perguntas de forma anônima por meio de um formulário on-line entre 5 de maio e 27 de junho deste ano. O estudo foi feito em parceria com o psiquiatra Jairo Bouer.

As novas amizades virtuais geralmente são apresentadas por amigos, surgem nas redes sociais ou são feitas por meio de aplicativos para celular. Segundo a pesquisa, no entanto, 60% dos jovens não confiam nas pessoas conhecidas assim. Mas há os que confiam. Dos 4 mil jovens, 600 já abriram a webcam de seus computadores para completos desconhecidos. Quando encontram pessoas conhecidas pela internet, possuem estratégias para garantir a segurança: marcam em algum lugar público ou levam um amigo a tiracolo.

‘Stalkear’ pode

A internet é parte importante da vida desses adolescentes. A pesquisa aponta que 85% dos jovens passam ao menos duas horas conectados. A preponderância da internet na vida deles faz dela uma ferramenta para que construam seus relacionamentos. Isso porque pouco mais da metade dos jovens recorreram à rede para pesquisar a vida de potenciais “ficantes” ou namorados.

Mas também usam para miná-los. Entre os adolescentes que já estão comprometidos, mais de 40% não acha que paquerar na rede seja problema. Três em cada dez tiveram que discutir a relação com amigos ou namorados devido a alguma postagem em redes sociais.

Mentindo a idade

Estudantes em escola de Piracicaba (foto: Fernanda Zanetti/ G1 Piracicaba)
Estudantes em escola de Piracicaba (foto:
Fernanda Zanetti/ G1 Piracicaba)

Apesar de os pais não estarem a par do que os filhos fazem na rede, não quer dizer que não monitorarem as ações dos adolescentes de algum tipo. O problema é que quando controlam o acesso à rede, a tentativa não é aceita por um terço dos jovens. O controle ao acesso não é respeitado mesmo quando exercido pelos próprios serviços. Mais de 90% entraram em redes sociais antes dos 12 anos – a idade mínima permitida no Facebook, por exemplo, é de 13 anos. Como fizeram isso? Simples: 86% admitiram ter mentido a idade.

Quando os pais impõem alguma restrição, os jovens surgem com meios para driblar métodos de controle. Para 63% deles, é mais fácil evitar a vigilância paternal com o uso de tablets e smartphones. Quando querem privacidade, são esses os aparelhos usados por um a cada quatro jovens. Identificado como um aparelho pessoal, os celulares não são controlados pelos pais de 80% dos jovens.

A conexão frequente dos jovens causa atritos dentro de casa. Quatro a cada cinco pais dizem ter problemas com os filhos pelo uso exagerado da internet. E tem motivos para se preocupar: quase um terço dos jovens já compartilhou dados pessoais na rede, como telefone, endereço ou documentos. A maioria deles (65%), porém, sabe que o rastro digital pode ser usado para avaliá-los futuramente. Saber que expor informações pessoais pode prejudicá-los no futuro, mas, mesmo assim ir adiante, ocorre porque os jovens sofrem um apagão quando usam o celular. Um terço dos adolescentes diz que não pensam muito antes de postar pelo celular.

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Depressão é principal doença da adolescência

Jovem de 16 anos que luta contra a depressão Fabio Seixo
Jovem de 16 anos que luta contra a depressão Fabio Seixo

Muitos jovens ficam sem diagnóstico, pois sinais se parecem com problemas típicos da idade, dizem especialistas

Flavia Milhorance, em O Globo

“Fico muito triste de repente. Para aliviar essa tristeza, cortava a pele, me queimava, me mordia. Fiz isso várias vezes”. O relato é de uma jovem de 16 anos, a caçula da família. Ela vive uma rotina difícil, com pai alcoólatra, além de mãe e irmã mais velha dependentes de drogas. No colégio, a delicada situação familiar serve de motivo para o bullying, o que a levou a se isolar na biblioteca durante o recreio. Diz não ter amigos. Passa o intervalo lendo, gosta de romances como os de John Green, mas não consegue se concentrar, e seu rendimento escolar caiu.

O psiquiatra que a atende na Santa Casa de Misericórdia do Rio, Gabriel Landsberg, conta que ela sofre de depressão e ansiedade. Embora seu ambiente desestruturado colabore, as crises depressivas são comuns nesta fase. Um novo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) revela que esta é a principal causa de doença entre jovens de 10 a 19 anos. O tratamento precoce é a melhor forma de prevenir problemas graves no futuro, não apenas de adolescente, mas de adultos, e por isso foi tema de mais uma edição da série Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar, na Casa do Saber O GLOBO.

- A automutilação não ocorreu para chamar atenção nem foi, de fato, uma tentativa de suicídio. É que a dor física era mais suportável do que a emocional – explica Landsberg ao falar sobre a menina. – Há muitos adolescentes sem diagnóstico porque não pedem ajuda. Os pais acham que os sinais são típicos da idade.

Uma dor que permanece oculta

Isolamento, irritabilidade, rebeldia, melancolia. Características consideradas típicas da adolescência podem ser indícios de uma depressão. A psicanalista Sara Kislanov, palestrante dos Encontros, acrescenta que o jovem passa por modificações hormonais, está em busca de uma identidade e tem a perda de idealizações, por exemplo do corpo ideal, que podem se transformar em conflitos mais sérios.

- É um momento muito sofrido, de muitas perdas, que provavelmente contribui para o aumento do índice de depressão – afirma.

Há pouco mais de um ano, Vinícius Brandão teve a doença. Mudou-se de cidade, ficou desempregado, tinha saudade da vida anterior. Sentia-se sozinho e isolava-se cada vez mais. Conseguiu sair desse ciclo vicioso com a ajuda médica.

- Na terapia acabei descobrindo que tive depressão desde bem novo. Era tímido, gordinho, me sentia excluído, sofria muito bullying – comenta o jovem, que hoje planeja realizar um documentário sobre a doença. – Descobri que há muita desinformação sobre o tema, muitos acham que é uma frescura.

Chefe da psiquiatria infantil da Santa Casa, Fábio Barbirato destaca que 12% dos jovens de 12 a 18 anos sofrem de depressão, enquanto esse índice não chega a 10% entre adultos. Além disso, 77% dos adultos com depressão tinham histórico de sintomas também na infância ou adolescência.

- Há riscos graves de uma depressão não tratada, entre eles, evasão escolar, abuso de álcool e até suicídio, a terceira maior causa de morte entre adolescentes – exemplificou o psiquiatra que está reestruturando o ambulatório da Santa Casa para receber até 80 crianças e jovens com depressão. – A doença pode ser grave, mas às vezes é vista como um mal menor.

No Brasil, 21% dos jovens entre14 e 25 anos têm sintomas indicativos de depressão. Entre as mulheres, a proporção é de 28%, segundo dados do 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

- Notamos ainda que o álcool estava relacionado ou ocorria ao mesmo tempo em que o jovem contava que se sentia deprimido ou pensava em atos suicidas – ressalta Ilana Pinsky, professora da Unifesp e uma das coordenadoras do estudo, que ainda explica: – O álcool é um depressor do sistema nervoso central, além de estimular atos impulsivos.

Além do abuso do álcool, outro fator que preocupa quando o tema é depressão ou ansiedade é o uso de medicamentos. Não à toa, a FDA (agência de remédios nos EUA) e o Instituto de Saúde Mental do país pedem maior cuidado na prescrição de adolescentes. Na verdade, o alerta deve ser geral, defendem especialistas. O uso de antidepressivos e ansiolíticos é recomendado para casos específicos e pode causar dependência. Mesmo assim, uma legião de pessoas parece não se importar com os riscos.

Medicamento para quem precisa

Para se ter uma ideia, na comparação entre abril de 2010 e abril de 2014, a venda do popular ansiolítico Rivotril cresceu 25% (de 40,3 mil unidades para 50,3 mil), segundo levantamento feito pelo IMS Health a pedido do GLOBO. Isso torna o país o segundo maior consumidor desse medicamento no mundo. Além disso, a venda de antidepressivos cresceu 7% na comparação entre abril deste ano e de 2013; e atingiu o montante de R$ 2,2 bilhões só em abril passado.

- O tratamento da depressão não se restringe à prescrição de remédios. Eles têm efeitos colaterais sérios, e digo sempre que a cura não pode ser pior que a doença – afirmou o psiquiatra Marco Antonio Alves Brasil, palestrante dos Encontros.

O psiquiatra, assim como Ilana Pinsky, admite que há casos em que os remédios de fato ajudam. É o que também busca lembrar Karen Terahata, de 38 anos, diagnosticada com depressão e síndrome do pânico. Ela hoje mantém o blog “Sem Transtorno” para esclarecer “pontos negros” sobre essas doenças. E o uso de medicamentos é um dos principais:

- Um dos meus objetivos com o blog é quebrar preconceitos, entre eles o da medicação. Claro que nem todos devem usá-la, mas eu mesma resistia ao uso pelos medos criados na sociedade: de que causam dependência, são a falsa pílula da felicidade, e por aí vai. Hoje tenho uma qualidade de vida que não tinha.

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Maconha poderá ser tão importante quanto a penicilina

Aprovações de uso medicinal da erva são só o começo da longa lista de aplicações da droga, diz pesquisador pioneiro da maconha

cannabis

Monique de Oliveira, na Folha de S.Paulo

O Estado de Nova York tornou-se, no início deste mês, o 21º nos Estados Unidos a permitir o consumo da maconha para fins medicinais. Também em janeiro, a França aprovou o Sativex, medicamento à base de seu princípio ativo para tratar sintomas da esclerose múltipla.

Antes, o Estado do Colorado, nos EUA, liberou sem restrições o consumo da droga. Sem falar no Uruguai que, no fim de 2013, permitiu que qualquer cidadão maior de 18 anos cultive a maconha para consumo pessoal.

Loucura? Não é o que vozes históricas a favor da liberação da erva pensam. E uma das que mais fizeram coro não só para o uso médico da Cannabis mas para o fim de qualquer lei proibitiva foi o psiquiatra Lester Grinspoon, 86, autor de um dos primeiros artigos a desmistificar os males da maconha, “Marihuana”, publicado em dezembro de 1969, na revista “Scientific American”. No texto, ele condena a proibição da droga.

Grinspoon também é autor de duas obras fundamentais para qualquer um que se interessa pelo tema.

Professor-assistente emérito do departamento de psiquiatria da Escola Médica de Harvard e membro do conselho administrativo da Organização para Reforma das Leis da Maconha nos Estados Unidos, o médico está longe de abandonar seu empenho para a aprovação da erva.

Ele ainda grita para que descobertas feitas nos 1960 sejam conhecidas –como o fato de, segundo ele, a Cannabis ser o remédio menos tóxico já registrado na literatura médica com potencial terapêutico para uma infinidade de doenças.

Segundo ele, quando cientistas começarem a testar diferentes formulações dos subprodutos da maconha, novas aplicações devem surgir. “Ela será a maravilha do nosso tempo, como foi a penicilina no passado”, diz.

Grinspoon falou à Folha por Skype.

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Folha – Nos 21 Estados americanos onde o uso medicinal da maconha é permitido, os pacientes de fato têm acesso à droga?
Lester Grinspoon – Depende. Na Califórnia, onde a erva é aprovada para esse fim desde 1996, ela pode ser prescrita até para dor nas costas. Mas a maioria dos Estados é muito restritiva. Em Nova Jersey, essa deliberação ainda não saiu do papel.

Por que isso acontece?
Pelo pequeno número de enfermidades para as quais ela é indicada e pela ausência de prescrição.
Minha posição é que o uso medicinal da maconha só será colocado em prática com a aprovação irrestrita. Ou seja, se qualquer um acima de 21 anos puder usar.
Nenhum Estado colocaria entre suas indicações, por exemplo, o tratamento da tensão pré-menstrual –como bem fazia a rainha Vitória, na Inglaterra, no século 19– ou de soluços. Eu descobri sozinho que a maconha alivia náuseas.

Historicamente, a maconha já foi usada para disenteria, alívio da dor de cabeça, da febre, como antidepressivo, anticonvulsivante e para crises de asma e enxaqueca. Essas aplicações se demonstraram eficazes?
Muitas delas. A maconha é o tratamento por excelência da dor de cabeça.

Até para asma? Um dos malefícios já registrados da maconha é justamente sobre o aparelho respiratório.
A asma tem uma dualidade porque, se [a maconha for] fumada, irrita a traqueia e isso obviamente não é interessante para um asmático.
Mas, uma vez no organismo, ela não tem efeito deletério sobre o pulmão –pelo contrário, atua como um relaxante muscular. A traqueia tem esses músculos pequenos que, quando relaxados, ficam mais abertos e facilitam a respiração.

O senhor confirma estudos que relacionaram a maconha com a esquizofrenia?
A esquizofrenia tem um forte componente genético e conta com prevalência de apenas 1% da população mundial. É impossível que seja causada pela maconha.

A droga pode ser usada por pessoas com histórico de doença psiquiátrica?
A erva tem ação antidepressiva e pode ser uma aliada na depressão moderada, além de eficaz no transtorno bipolar na fase de mania. Outra aplicação seria na versão adulta do deficit de atenção.
Mas não posso afirmar que todos responderiam à erva. Tivemos muitos obstáculos para a realização de estudos clínicos. O caminho é longo para romper com esse atraso.

A maconha causa danos à memória?
Conheço pessoas que usam a erva há muitos anos. Eu mesmo uso há 40 anos. Posso dizer que se causasse problemas de memória a essa altura eu já saberia.
De qualquer forma, a literatura médica e a experiência mostram que essa perda de memória é temporária, no auge do “barato”.
E eu a classificaria como uma distração. Esse é mito mais famoso sobre o seu uso. Então, a resposta para a sua pergunta é não.

Como começou a usar? E por qual motivo?
Eu era um conservador. Em 1967, era comum o uso da droga em festas e eu era o primeiro a dizer: “Não, isso faz mal à saúde”. Comecei a questionar as minhas afirmações sobre a droga. Percebi que eu, um médico, assim como todas as outras pessoas, estava acreditando cegamente no que era dito sem o necessário fundamento.
Primeiro eu fui à biblioteca de Harvard e comecei a tentar encontrar qual era a base científica para a proibição da maconha. Fiquei estupefato, tive epifanias ao ler todos os estudos: “Meu Deus, sofri uma lavagem cerebral, assim como todas as outras pessoas nesse país”.
Em 1973, comecei a fumar, para não ser criticado, já que era um defensor. Não parei desde então.

O senhor tem controle sobre a dose que usa? Chegou a estabelecer alguma frequência?
Uso à noite, quando é hora de relaxar. Mas para algumas pessoas e alguns casos eu aconselho dar um trago e não dar outro em seguida –esperar dois minutos e sentir o efeito. Para aliviar a dor de cabeça, por exemplo, eu preciso repetir esse procedimento cinco vezes.

No livro “Marihuana: The Forbidden Medicine”, há uma seção que estabelece uma relação entre o uso de maconha e o envelhecimento. A erva o ajuda a lidar melhor com o avanço da idade?
Eu tenho gastroparesia [demora para passagem do alimento pelo estômago] por complicações da diabetes, e isso me dá episódios terríveis de náusea. Então, eu carrego um pouco da erva no meu bolso porque, se num restaurante eu tenho uma crise, eu uso [mastigo] e consigo relaxar e continuar a comer.
O efeito antidepressivo da maconha também ajuda, além de sua ação analgésica e anti-inflamatória.

Há diferentes moléculas na Cannabis com diferentes funções? Seria possível isolá-las para que umas fossem mais ou menos potentes que outras e, com isso, sofisticar sua composição química para diminuir efeitos psicoativos ou fabricar diferentes medicamentos?
As moléculas da Cannabis são chamadas de canabinoides. O tetrahidrocanabinol (THC), o mais estudado, é basicamente responsável pelo “barato”. Agora, nos últimos anos, estamos estudando o canabidiol (CBD), que não dá barato e, na verdade, atua contra ele, além de ter um poderoso efeito terapêutico.

Já temos medicamentos à base de CBD?
Há uma erva, chamada Charlotte’s Web, com grandes quantidades de CBD. Ela é muito útil para o tratamento da síndrome de Dravet, uma forma de epilepsia comum na infância causadora de centenas de convulsões por dia. O cérebro dessas crianças nem se desenvolve. Quando administrado o CBD, o número de convulsões passa de 300 diárias para cerca de três. Isso é incrível e ainda não há nenhum efeito psicoativo, pelas baixas dosagens de THC.

Na semana passada, foi aprovado na França o Sativex, indicado para o alívio de sintomas da esclerose múltipla. Também o dronabinol é um medicamento clássico para o alívio dos efeitos colaterais da quimioterapia. Acredita que esses medicamentos são mais eficazes que a erva?
O Sativex não é um bom medicamento. Sua composição química é de metade THC e metade CBD. Então não tem muita sofisticação do ponto de vista da proporção entre as moléculas. Mas o principal problema é o fato de ser administrado em pequenas gotículas –o que demora para fazer efeito. E se você está com sintomas e espasmos agudos, certamente não quer que demore tanto pra passar.
O dronabinol é puro THC. Não possui os demais canabinoides presentes na maconha igualmente terapêuticos. A erva, assim, ainda é o melhor remédio.

A maconha tem potencial para oferecer benefícios para mais doenças?
Quando a ciência começar a manipular frações moleculares e mexer com o CBD, certamente teremos mais surpresas quanto aos benefícios da Cannabis. Ela será a maravilha do nosso tempo, como foi a penicilina no passado.

Não tem nenhuma restrição quanto ao uso da erva?
Em jovens com o cérebro em formação. Não há estudos que analisem os efeitos da droga em menores de 22 anos. No mais, o uso é livre para quem gosta.

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Quer ser mais inteligente? Corra!

Fazer exercícios aeróbicos regularmente pode ser uma das melhores maneiras de turbinar o QI, a memória e lutar contra o envelhecimento do cérebro, mostram estudos

(Foto: Renato Faccini)
(Ilustração: Renato Faccini)

Christie Aschwanden, na New Scientist [via Galileu]

Quem achou que ia cochilar na palestra do psiquiatra John Ratey ficou decepcionado. Ele fez seu público, composto por 1.100 dos principais educadores do mundo, exercitar-se ali mesmo. “Corremos sem sair do lugar por 20 segundos, depois descansamos 10 segundos e então repetimos isso mais quatro vezes”, diz. Parece um começo estranho para a apresentação de um professor da Escola de Medicina de Harvard numa conferência sobre educação. Mas Ratey sabia que esse “aquecimento” jogaria a seu favor: todos ficariam mais atentos e talvez até guardassem melhor o que estavam prestes a ouvir. Na verdade, foi um início perfeito para uma palestra sobre como usar nossos corpos para melhorar nossas mentes.

A ideia de que os exercícios físicos reduzem o risco de doenças cardíacas, de certos tipos de câncer e até previnem contra diabetes tipo II é bem aceita entre os cientistas. Só que estudos mostram que os exercícios também podem turbinar a mente. Não estamos falando apenas daquele bem-estar vago sugerido por ditados como “mente sã, corpo são”. O que Ratey e outros pesquisadores estão descobrindo é que a atividade física tem profunda influência em uma série de capacidades cognitivas que definem seu QI.

Os primeiros estudos a sugerir essa ligação vêm dos anos 1960, mas foi na década de 1990 que Fred Gage, geneticista do Salk Institute (EUA), descobriu que fazer exercícios parecia estimular o crescimento de novos neurônios em camundongos. Na mesma época, o psicólogo Arthur Krame, da Universidade de Illinois, publicou um artigo na revista Nature demonstrando que adultos antes sedentários, ao seguir um plano de exercícios de seis meses, melhoravam o desempenho em testes mentais que exigiam controle executivo. Esse controle é o tipo de concentração que nos ajuda a alternar tarefas sem cometer erros, fundamental para a inteligência.

Desde então, várias pesquisas confirmam e aprofundam esses resultados. Boa parte examina idosos, cujas habilidades mentais tendem a decair com o passar dos anos. Um grande estudo da Universidade de Munique, por exemplo, acompanhou 4.000 idosos durante dois anos. Aqueles que raramente faziam atividades físicas tiveram mais do que o dobro de chance de sofrer algum comprometimento cognitivo se comparados aos que faziam jardinagem, natação ou ciclismo algumas vezes por semana. Outro grande estudo publicado no periódico The Lancet, que seguiu um grupo de quase 1.500 pessoas durante 20 anos, mostrou que esses efeitos podem ser duradouros. Os indivíduos que se exercitavam pelo menos duas vezes por semana já adultos tinham menos chance de desenvolver demência quando passavam dos 60 anos. Os resultados são um alerta para os preguiçosos: formar hábitos saudáveis hoje pode atrasar o declínio mental décadas no futuro.

Pesquisas com jovens são mais raras, mas há evidências de que as atividades físicas fortalecem a saúde cerebral em todas as fases. Uma delas analisou crianças de 5 a 14 anos em escolas públicas na cidade de Nova York. Em testes cognitivos, os 5% de alunos que estavam mais em forma tiveram notas 36% superiores que o grupo menos em forma. Outro levantamento sobre registros de condicionamento físico de 1,2 milhão de homens que se alistaram nas forças armadas da Suécia entre 1950 e 1976 chegou a uma conclusão semelhante. A pesquisa, que seguiu os dados dos jovens dos 15 aos 18 anos, indicou correlação entre boa forma física na adolescência e o melhor desempenho em testes de inteligência e habilidades cognitivas aos 18 anos.

TER O HÁBITO DE SE EXERCITAR HOJE PODE ATRASAR O DECLÍNIO MENTAL E PREVENIR A DEMÊNCIA DÉCADAS NO FUTURO (Ilustração: Renato Faccini)
TER O HÁBITO DE SE EXERCITAR HOJE PODE ATRASAR O DECLÍNIO MENTAL E PREVENIR A DEMÊNCIA DÉCADAS NO FUTURO (Ilustração: Renato Faccini)

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Animal de estimação pode deixar dono mais feliz, otimista e ativo

Saiba qual o melhor bicho para cada tipo de pessoa e família.
Cães, gatos e outros mascotes ajudam pressão, hiperatividade e depressão.

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Publicado no Bem Estar

Ter um animal de estimação em casa pode ser melhor do que remédio e terapia juntos. Isso porque um cão, gato ou outro bichinho mais exótico – como aves, peixes, tartarugas e escargôs – é capaz de deixar o dono mais feliz, otimista, ativo e menos solitário.

Além disso, os animais domésticos podem fazer bem para o coração (pressão arterial e circulação sanguínea), sistema imunológico, hiperatividade, depressão, postura e alergias.

O psiquiatra Daniel Barros e a veterinária Silvia Ricci explicaram os benefícios de ter um bichinho como companheiro diário e qual é o mais indicado para cada tipo de dono e família. Em alguns casos, até animais de grande porte podem ajudar, como cavalos e botos.

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Sua saúde x do animal
Animais seguem os donos em vários aspectos: costumam saber quando a pessoa está triste ou feliz e podem ser os melhores companheiros. Mas é importante saber que a saúde deles também é determinante para a sua.

Um animal com a saúde debilitada, por exemplo, pode ser incapaz de desempenhar as funções de convívio social, vínculo afetivo e companhia que você espera. Ele pode, ainda, se tornar arredio e ficar estressado. Por isso, pelo bem da sua saúde, mantenha seu animal sempre bem.

Veja abaixo o animal mais indicado para cada tipo de dono:

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Dicas para benefício mútuo
1 – Seja tolerante com seu animal e ensine-o a ser tolerante com o seu carinho
2 – Não abra exceções se criar uma regra na educação dele
3 – Cuidado com a bronca: prefira usar reforços positivos, como elogios, recompensas com biscoitos, etc
4 – Conheça a espécie. Isso pode ajudar a você agradar mais ao seu animal
5 – Mantenha as vacinas do seu bichinho em dia

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