Foto que parodia imagem do filme E.T. não é Photoshop

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Publicado na Revista Galileu

Essa foto, claramente inspirada na imagem clássica do filme E.T., não é uma montagem. Antes de qualquer coisa, vamos lembrar do original, aqui embaixo:

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A história da foto genial começou com um clique do fotógrafo suíço Philipp Schmidli, que tirou a foto aqui embaixo, com a silhueta de um ciclista na frente de uma lua gigantesca:

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A imagem, que ficou famosa, levantou comentários sobre a semelhança com a foto do pôster de E.T. Philipp esclareceu que não teve a intenção de parodiar a foto, mas já que levantaram a bola, ele cortaria: a ideia, agora, era tentar tirar uma foto como a do clássico de Steven Spielberg.

Do mesmo lugar em que fez o clique anterior, quatro semanas depois da primeira imagem, o fotógrafo recrutou três ciclistas para ‘modelar’ na foto e até instalou uma cestinha com um bicho de pelúcia dentro:

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Usando uma lente especial, ele se comunicava a distância com os ciclistas e teve poucos minutos até que a lua de “descolasse” do horizonte. O resultado é a foto no começo do post. Um telejornal suíço fez uma matéria sobre a produção da foto:

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Eli Vieira: ‘A imagem que a ATEA criou dos ateus me envergonha’

Eli Vieira, no Facebook1

Quando eu achava que a ‪#‎ATEA‬ não poderia descer mais ainda o nível, eles zoam uma garota que perdeu o filho depois de uma cirurgia. Eles acharam engraçado que a garota estava com fé em Deus que o filho fosse sobreviver, o que infelizmente não aconteceu.

A pessoa que fez essa piada está tão cega de fanatismo pelo ateísmo que está mais interessada em tripudiar sobre o “fracasso” das orações da jovem mãe do que em respeitar seus ferimentos psicológicos da enorme dor que é perder um filho. Talvez uma dor que um ateu cissexual, homem, heterossexual e de classe média jamais experimentará na vida dele. Uma dor que, para enfrentar na vida, é preciso muito mais coragem que a “coragem” de afrontar uma sociedade majoritariamente teístas com chistes hereges de baixa criatividade e péssima qualidade, e escondendo a cara por trás de uma instituição cujo presidente tem a pachorra de louvar o proselitismo ao melhor estilo infantil “se eles podem eu quero também”, ignorando se o que eles “podem” é certo ou errado, desejável ou indesejável, de consequências positivas ou negativas.

A quem interessar possa: acompanhei essa tal de ATEA desde antes de sua fundação. De seus bastidores e representantes conheço bastante, também. Comecei esse hobby de comentarista público falando do meu ateísmo, que hoje é um detalhe quase irrelevante do meu humanismo secular.

Não tenho nada com essa associação, mantenho distância, não quero ser confundido com ela, nem quero que ela se arvore de prerrogativas de falar por ateus humanistas como eu. Sua página no Facebook é uma vergonha, sua atuação positiva é eclipsada por esta atuação negativa constante, e a imagem que a ATEA criou dos ateus me entristece, me envergonha, me revolta e me enoja. Não quero mais que os administradores da página da ATEA republiquem qualquer coisa minha por lá. Até já roubaram imagem que criei sem dar o crédito, fazendo alterações. Pessoas que convidam a associação para mesas redondas e iniciativas de tolerância religiosa precisam estar informadas da conivência da associação com a intolerância religiosa em seu veículo de mídia mais influente.

P. S.: Para quem quiser ver o crime descrito neste post: não vou repostar aqui, está no Bule Voador.

dica do Sidnei Carvalho de Souza

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Toda oração é linda

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Genetom Moraes Neto, no Facebook

Toda demonstração coletiva de fé é comovente. A passagem do Papa Francisco pelas ruas do Rio certamente terá cenas bonitas.

Independentemente de qualquer coisa, a opção do Papa pelo despojamento e por uma simplicidade franciscana já criou uma imagem simpática a ele – desde o primeiro dia.

Eu me lembro de duas cenas marcantes. Nunca me esqueci da aparição sorridente do recém-eleito Papa João Paulo I na sacada do Vaticano. Um onda de simpatia se espalhou em questão de horas pelo planeta ( hoje, seria em questão de segundos ). Trinta e três dias depois, ele estava morto.

E aquela imagem de João Paulo II se contorcendo em dores e tentando abençoar a multidão, numa janela da Praça de São Pedro ?

O citadíssimo Nélson Rodrigues escreveu uma vez: “Toda oração é linda. Duas mãos postas são sempre tocantes, ainda que rezem pelo vampiro de Dusseldorf”.

Disse tudo, em dezessete palavras.

Para ser sincero: minha fé é aérea. Quando estou em terra firme, sou devastado por dúvidas. Quando me aproximo do aeroporto, começo a me converter. Durante as turbulências, minha fé explode, fervorosa. Nestes momentos, comparado comigo, o Papa não passa de um reles ateu. De volta à terra firme, no entanto, meus embates teológicos comigo mesmo se reiniciam, ferozes. Um dia, se resolverão.

Sempre achei os ateus extremamente pretensiosos, porque se julgam donos de um conhecimento capaz de negar algo obviamente superior a todos nós : a força inexplicada que move a máquina do mundo. Que maquinação é esta que incendeia protóns, elétrons, átomos, energias ? Ninguém conseguiu até hoje produzir uma explicação indiscutível.

Os crentes também não me convencem, porque, na esperança de um dia serem salvos, passaram a acreditar cegamente em impossibilidades físicas e em dogmas cientificamente desmontáveis ( se não fosse assim, aliás, não seriam dogmas ) .

E o silêncio dos céus ? Numa bela passagem do livro O Nariz do Morto, o grande escritor ( católico ) Antônio Carlos Vilaça pediu às estátuas e aos crucifixos: “Falai !” :

“Ó paredes, dizei-me. “Eu quero a estrela da manhã !”. Dizei-me o endereço dela. Ó sala capitular, ó claustros, ó antifonários com iluminuras, ó sinos brônzeos, estatuazinhas , capitéis, afrescos, casulas, pesadas estalas, pedras, faces, madeiras e ouro, tapetes, cálices, relicários , retábulos e móveis, crucifixos e virgens, falai ! Um sussurro que nos chegue. Que monólogo é este, dia e noite entretido ? Sombras, sombras, sussurrai-me, segredai-me. Todo esse passado, esse peso, essa pátina, pureza, pecado”.

Por fim : por menor que seja, a fé é, sempre, uma vitória pessoal contra o silêncio. Quando demonstrada coletivamente, como acontecerá nos próximos dias no Brasil, jamais deixa de ser tocante.

A casa é sua, Francisco !

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Muçulmana vira guitarrista de banda de heavy metal em São Paulo

Neta de alemães católicos, Gisele Marie se converteu ao Islã em 2009.
Coberta pelo niqab, ela ensaia 6 horas por dia para lançar CD.

Gisele Marie em sua casa, ensaiando em sua guitarra customizada (Foto: Giovana Sanchez/G1)
Gisele Marie em sua casa, ensaiando em sua guitarra customizada (Foto: Giovana Sanchez/G1)

Giovana Sanchez, no G1

“Isso é muito confortável, nunca mais na vida vou usar calça!”, diz Gisele Marie Rocha ao mostrar com os braços abertos a largura de seu niqab, “vestido” muçulmano que deixa apenas os olhos aparecendo. “Eu coloco a bolsa aqui dentro e o ladrão nem vê”, brinca a paulistana de 42 anos, enquanto ajeita as partes do véu. Gisele diz que se encontrou no Islã, religião para a qual se converteu em 2009. Mas, muito antes disso, outra paixão a arrebatou: o heavy metal.

“Minha família inteira toca, nasci cercada de instrumentos. Comecei a estudar música no conservatório, com o piano clássico, e toco também bateria. O heavy metal surgiu quando meus irmãos e primos começaram a ouvir”, conta Gisele.

No ano passado, ela foi convidada por amigos para ser guitarrista de uma banda de rock pesado – uma nova composição da antiga Spectrus, formada por seus irmãos na década de 1980 e que terminou em 2001. “Quando me convidaram eu disse: ‘tudo bem, mas minha condição para qualquer coisa na vida é ser muçulmana. E uma munaqaba [mulher que veste o niqab]. Vou tocar assim’. E eles gostaram da ideia. [...] A banda é um caldo de religiões: tem umbandista, espírita, católico e muçulmana.”

Nova formação da Spectrus (da esquerda): Danilo Paulus (vocal), Yago Magalhães (bateria), Gisele Marie (guitarra) e Edu Melo (baixo) (Foto: Divulgação)
Nova formação da Spectrus (da esquerda): Danilo
Paulus (vocal), Yago Magalhães (bateria), Gisele
Marie (guitarra) e Edu Melo (baixo) (Foto: Divulgação)

Agora Gisele levou a atividade para o lado profissional – antes ela chegou a trabalhar como musicista, em estúdio, e com promoção de eventos e marketing, mas ainda não era muçulmana. Após a conversão, ela foi estagiária de psicologia. “Foi sempre super tranquilo, nunca tive muito problemas com isto, mas depois, quando eu entrei para a banda, estava procurando emprego e não encontrei. Preconceito religioso no mercado de trabalho é algo que toda mulher muçulmana enfrenta no Brasil, mesmo as que usam apenas o véu de cabeça, o hijab.”

Atualmente ela ensaia seis horas por dia para a gravação do CD, com previsão de lançamento para setembro. “Tem irmãs [muçulmanas] que vão aos ensaios, inclusive um sheik egípcio me pediu para avisar quando tiver show”, conta ela sobre a reação da comunidade muçulmana à sua nova profissão.

“Em todo ajuntamento humano sempre existem os extremistas, pessoas fanáticas. No Islã há os wahabistas e salafistas e eles me detestam. [...] Para eles, até sorrir é pecado. Não há um consenso sobre a música dentro do Islã, e quando não há consenso, você segue o que tem a ver com você. Existem aqueles que dizem que música é pecado e existem aqueles que dizem que pecado é dizer que música é pecado. Eu sigo a orientação de que música é uma coisa natural, faz parte da minha vida e não é pecado.”

Gisele Marie com sua identidade islâmica, expedida por uma mesquita em São Paulo (Foto: Giovana Sanchez/G1)
Gisele Marie com sua identidade islâmica,
expedida por uma mesquita em
São Paulo (Foto: Giovana Sanchez/G1)

Da bruxaria para o Islã
“A primeira vez que minha mãe me olhou vestida assim ela disse: ‘você está muito bonita!'”. Gisele conta que a família, de advogados descendentes de alemães católicos, apoiou sua conversão. “Na verdade minha mãe não gostava da minha religião anterior. Eu era uma bruxa.”

Gisele foi da religião Wicca por seis anos. “Na verdade, o que me move [na busca religiosa] é a paixão pela vida e a necessidade de ser eu mesma”. Após perder o pai, de quem era muito próxima, em 2009, ela encontrou um site que ensinava árabe. “Em dois meses eu comecei a ler em árabe. Aí achei um site que disponibilizava o Alcorão na íntegra. Comecei a ler e o resultado está aqui. Mudou a minha vida, nunca tinha lido nada tão simples e profundo.”

Dois meses depois de se converter, ela começou a usar o niqab. “Foi uma decisão muito consciente, muito pensada. Comecei porque estava ajudando uma amiga que tinha acabado de voltar do Egito e queria usar o niqab, mas estava tímida. Como eu estudei psicologia, me propus a ajudá-la a vencer o medo. Começamos a fazer pequenos passeios pelas redondezas [ela mora no bairro de Santana] e eu comecei a me sentir muito bem.”

Gisele explica que, para ela, o niqab representa uma lembrança constante de Alá (Deus muçulmano). “É uma marca muito específica de que eu sou uma mulher religiosa. E me fez ser um pouco mais reflexiva, exigiu de mim uma maior compreensão ao meu redor. É um exercício de diálogo com o mundo.”

A primeira coisa que fez quando decidiu usar o niqab foi contar para as quatro filhas que tem. “Elas sempre são as primeiras a saber da minha vida”. Gisele é solteira pela lei brasileira, mas foi casada, pela lei islâmica, com um libanês que tinha, além dela, outra mulher.

Gisele conta que aprendeu a se expressar apenas com os seus grandes olhos verdes. Ela diz que já sofreu preconceito (uma vez um homem puxou seu véu e ela chamou a polícia), mas que há uma curiosidade muito grande e positiva em relação à religião. “Não consigo ficar na rua sem falar com alguém. É muito raro eu sair de casa e nenhuma pessoa me parar para falar ou tirar foto. Eu passei da linha do preconceito e virei atração turística.”

Segundo ela, a primeira vez que a banda foi ensaiar num estúdio, pessoas começaram a entrar na sala e tirar fotos. “Fiquei muito assustada com aquilo”. Mas Gisele diz que tocar de niqab é normal. “Estou tão acostumada a usar que acho que hoje faço até alpinismo usando o niqab e não vou nem reparar. A grande diferença está no olhar da outra pessoa.”

Polka: uma guitarra especial
Gisele tem ao todo quatro guitarras, compradas ao longo da vida. Mas uma delas é preferida. Preta de bolinhas rosa, a flying V chamada Polka foi confeccionada exclusivamente para ela. “Foi inspirada na guitarra do meu guitarrista preferido, Randy Rhoads [que já tocou com Ozzy Osbourne e Quiet Riot]. Ele tinha uma preta com bolinhas brancas”.

Polka tem o corpo e o braço feitos em mogno, a escala de jacarandá e marcações da escala em “gravatinhas borboleta fofas de madrepérola”. É com ela que Gisele vai subir ao palco para tocar com a Spectrus. “Não vejo a hora de ver as pessoas enlouquecerem com a nossa música.”

dica da Anamaria Modesto Vieira

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