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Câmara de Vereadores do Rio vai gastar R$ 3,5 milhões em selos

Para alguns vereadores, benefício não faz sentido, em plena era do e-mail - Marco Antônio Cavalcanti/24-9-2008

Para alguns vereadores, benefício não faz sentido, em plena era do e-mail – Marco Antônio Cavalcanti/24-9-2008

Publicado no O Globo

Nada menos do que R$ 3.571.200 é quanto a Câmara do Rio pretende gastar nos próximos 12 meses para manter um benefício no mínimo polêmico para os seus 51 vereadores. No fim do mês passado — mais precisamente no dia 29 de agosto —, foi publicado no Diário Oficial mais um contrato, celebrado no dia 31 de julho, com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), para o fornecimento de selos para os membros do Legislativo municipal. Com isso, cada gabinete mantém por mais um ano o direito a quatro mil unidades por mês. E o detalhe: a administração da Casa admite a falta de controle: “Quanto ao uso efetivo, após a entrega do produto, a responsabilidade é de cada vereador”, informou, através de sua assessoria de imprensa.

Pilhas acumuladas em gabinetes

A cota faz com que muitos vereadores acumulem pilhas e mais pilhas dentro de seus gabinetes. Um dos exemplos é o do vereador Paulo Messina (PV), membro da Comissão de Educação e Cultura da Casa. Ele conta que em alguns meses, graças a um projeto de pesquisa que fez com pais de alunos de algumas escolas municipais, até conseguiu usar parte de seus selos. Mas, ainda assim, calcula ter cerca de 20 mil sobrando, sem uso.

— Realmente, não entendo por que ainda existe uma quantidade fixa todo mês. Foi algo que eu usei porque, nas cartas da pesquisa que eu fiz nas escolas, já deixava o envelope selado para facilitar a vida dos pais na hora da resposta. Mas o ideal seria prestarmos conta daquilo que efetivamente utilizamos — argumentou Messina.

Ao mesmo tempo que admite a falta de controle sobre o uso, a Câmara argumenta que as sobras dos quatro mil de cada gabinete seriam abatidas da cota do mês seguinte. Mas, na prática, isso parece não acontecer. Os vereadores do PSOL Paulo Pinheiro, Eliomar Coelho e Renato Cinco dizem que também acumulam milhares de selos não usados.

— É algo que não faz sentido no tempo em que estamos, do e-mail, do Facebook… É um dinheiro que poderia ser investido, por exemplo, em mais computadores — comentou Paulo Pinheiro.

A falta de controle sobre o uso dos selos parece ser algo que vem se perpetuando sem que ninguém pense efetivamente em mudar as regras. E pode até estar gerando um mercado paralelo na Casa. Atual segundo suplente do PV na Câmara e vereador na última Legislatura por dois anos, substituindo Aspásia Camargo, Dr. Edison da Creatinina disse que, ao final de seu mandato, pediu à direção da Casa para devolver milhares de selos não utilizados. Mas contou que, antes disso, chegou a receber ofertas pelo material:

— Consegui devolver o equivalente a R$ 35 mil, mas, nos dois anos em que estive na Casa, pude ver que havia pelo menos uma pessoa que passava pelos gabinetes distribuindo panfletos para comprar o que não era utilizado. Hoje em dia, com a internet, essa cota de quatro mil é algo que não faz o menor sentido.

Ao todo, são 204 mil selos por mês para os gabinetes. Mas a Câmara não para por aí: ainda são disponibilizadas mensalmente outras 11 mil unidades para a Mesa Diretora, a Secretaria da Mesa e para os setores de administração e de processamento legislativo. As 22 comissões permanentes recebem, cada uma, mil selos por mês. Lideranças e blocos partidários têm direito a um total de sete mil. Já a Diretoria Geral fica com quatro mil.

Cota é defendida apesar do alto custo

Os altos gastos com os selos também têm os seus defensores na Câmara. Apesar de ser um amante declarado da internet, em sua estreia como vereador o ex-prefeito Cesar Maia afirmou que o benefício está sendo muito útil. Segundo ele, até agora já foram enviadas 3.900 cartas para prestação de contas do seu mandato.

“Selo é uma tradição parlamentar para correspondência com os eleitores. Todos os parlamentos têm, nos três níveis, há muitas décadas. O e-mail substitui (a correspondência) no dia a dia. Mas a carta enviada para o eleitor em sua casa tem sempre um impacto diferenciado. Angela Merkel (atual chanceler alemã), na eleição de 2009, enviava cartas manuscritas, e isso foi um sucesso de marketing politico”, afirmou Cesar, por e-mail.

Com cerca de 24 mil votos nas últimas eleições, Leonel Brizola Neto (PDT) disse que considera a cota por gabinete “até pequena”:

— No meu caso, seria impossível me comunicar com o eleitor pela internet. Meu eleitor tem um perfil mais humilde. E, para falar a verdade, o brasileiro ainda gosta de receber uma cartinha, por se sentir importante. No meu aniversário, por exemplo, costumo receber uma carta do governador Sérgio Cabral, de quem sou adversário, e, por algum tempo, mesmo que pequeno, até simpatizo com ele.

Vereador de primeiro mandato, o jovem Marcelo Queiroz (PP), que recentemente assumiu uma vaga de titular na CPI dos Ônibus, também se mostrou defensor dos selos:

— Eu tenho várias formas de me comunicar com o eleitor. Uso rede social e correspondência. Sou a favor da cota de selos. É importante levar em conta que, ao contrário do Congresso Nacional, os vereadores não têm verba de representação de gabinete que possa ser usada inclusive para gastar com correio.

Outras despesas também geram polêmica

A polêmica em torno dos gastos no Legislativo já se tornou rotina no estado. A própria Câmara de Vereadores do Rio viveu uma crise quando tentou renovar sua frota em março de 2011: uma compra de 51 automóveis Jetta, no valor de R$ 3,5 milhões. Depois da pressão popular e de uma série de reportagens do GLOBO, os vereadores fizeram uma reunião a portas fechadas e decidiram pelo cancelamento da compra dos veículos.

Na época, irritado com o impacto negativo na opinião pública, o presidente da Câmara, Jorge Felippe (PMDB), disse que a compra havia sido discutida e aprovada durante uma reunião com 46 vereadores. Apenas cinco, de acordo com ele, manifestaram-se contrários à medida desde o início: Teresa Bergher (PSDB), Leonel Brizola Neto (PDT), Eliomar Coelho (PSOL), Paulo Pinheiro (PPS) e Andrea Gouvêa Vieira (PSDB). Com a repercussão, outros também passaram a questionar a compra, e alguns rejeitaram os novos veículos.

Depois de um pedido da Câmara, a própria montadora Volkswagen decidiu devolver os recursos aos cofres públicos. Em nota, ela informou que atendia à solicitação da Câmara “em caráter excepcional e sustentada em parâmetros legais”. Os Jettas que foram negociados na época eram do modelo 2012, com quatro airbags, bancos de couro, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, bicombustível, com motor 2.0 e direção hidráulica, entre outras características.

Em março deste ano, O GLOBO mostrou que a Alerj assinou um contrato de R$ 43,2 mil por um ano para que o presidente da Casa, deputado Paulo Melo (PMDB), tenha à sua disposição duas máquinas que oferecem café expresso, carioca, com leite, chocolate, capuccino ou capuccino com chocolate. Somente a colocação dos quatro últimos tipos de bebida no serviço resultou num acréscimo de R$ 10,8 mil nas despesas, na comparação com os equipamentos que têm apenas o simples cafezinho.

À época, Melo se indignou com as críticas. “Por que o Poder Legislativo não pode ter as coisas? Por quê?”, perguntou, num discurso em plenário.

Festa no Rio de Janeiro toca batidão evangélico e proíbe a saliência

funk

Publicado no Extra

No sábado à noite a galera se arruma, reúne os amigos e vai para um lugar com luzes e um DJ mandando ver na pista, com batidas de pop, funk e hip hop. À primeira vista parece uma festa qualquer, mas na Gospel Night o público se diverte e louva Deus.

A noitada “100% evangélica” rola hoje, no Mello Tênis Clube, na Vila da Penha, e é indicada até pela cantora Perlla. A festa tem tudo o que as outras têm, menos bebida, cigarro e pegação.

Aliás, para que ninguém perca a linha, não há espaços escuros e ainda tem a Operação Desgrude, para separar aqueles casais mais saidinhos.

— Nem namorado pode ficar se beijando. A Operação Desgrude é um grupo que fica rodando pelo salão para não deixar ninguém se agarrar ou passar do limite dançando. Às vezes a gente usa até um extintor — conta o DJ Marcelo Araújo, o criador e organizador do evento.

Vista de fora, a Gospel Night parece uma festa como as outras. E até engana os desavisados:

— Pensam que é uma loucura, mas é diferente. Mesmo assim curtem.

Na primeira edição, em 1998, não foi ninguém. Hoje é um sucesso que já chegou a outros estados, como Bahia, Minas Gerais e Paraná. No Rio, acontece quatro vezes por ano, juntando até 4 mil pessoas em cada festa.

— Por que não fazer algo tranquilo e com decência? Eu sabia que podia usar o dom que Deus tinha me dado em favor daquilo que eu acreditava — conta o DJ.

A iniciativa conquistou a cantora Perlla, que tocou na última edição da Gospel Night:

— Foi uma satisfação muito grande. O mais especial é que os jovens se alegram, dançam a noite toda sem estar sob o efeito de álcool ou drogas. A presença de Deus já basta para ficarem felizes. É legal!

No palco de 360 graus, uma mega estrutura com luzes e telas de led dão o clima que empolga a galera. Mas tudo é desligado, lá pelo meio da noite, para todos ouvirem a Palavra.

— Tem tido uma média de 50 pessoas por noite que decidem aceitar Jesus — diz o DJ.

PF-AM apreende imagens de pedofilia com indígenas na Missão Novas Tribos do Brasil

Missionário norte-americano que atuava no AM foi preso em maio pelo crime.
Operação, deflagrada em Manaus e Acre, prendeu também um designer.

Diversas mídias com conteúdo pornográfico foram apreendidas (Foto: Polícia Federal/Divulgação)

Diversas mídias com conteúdo pornográfico foram apreendidas (Foto: Polícia Federal/Divulgação)

Publicado no G1

Imagens de pornografia infantil foram apreendidas em computadores na sede da ONG ‘Missão Novas Tribos do Brasil’ em Manaus, nesta quinta-feira (12), durante a Operação Ímpio, deflagrada pela Polícia Federal. De acordo com a investigação, um missionário norte-americano da organização, que evangeliza tribos indígenas no país, aparece em fotos e vídeos abusando sexualmente de crianças possivelmente indígenas. Ele foi preso em Orlando, nos Estados Unidos, em maio deste ano. Ao todo, foram cumpridos 18 mandados, sendo 11 de busca e apreensão e sete de conduções coercitivas, em Manaus e Cruzeiro do Sul, no Acre.

Coordenador da operação contou detalhes da operação (Foto: Romulo de Sousa/G1 AM)

Coordenador da operação contou detalhes da operação (Foto: Romulo de Sousa/G1 AM)

A operação foi feita em parceria com a agência norte-americana U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE). Segundo a PF, ao ser detido pela ICE no aeroporto de Orlando, o missionário portava um notebook com imagens de pedofilia. Ele, ainda de acordo com a PF, admitiu ter molestado, pelo menos, quatro menores de idade, na faixa etária de 12 anos, possivelmente indígenas, e confessou também ter fotografado as crianças.

Em Manaus, foram apreendidas mais imagens. “Constatamos que havia material pornográfico em computadores da instituição. O missionário, inclusive, admitiu ter protagonizado vídeos”, explicou o superintendente em exercício da Polícia Federal, delegado Dércio Carvalheda.

A Polícia Federal destacou que a investigação constatou o envolvimento de somente um membro da ONG no caso. “É importante ressaltar que só um dos membros da ONG estava envolvido com os crimes, tanto que outros membros colaboraram com a investigação e se mostravam surpresos, durante a investigação, com a prisão do missionário”, afirmou o coordenador da operação, delegado Rafael Caldeiras.

Além da sede da ONG, a operação da PF também combateu outros casos de pedofilia infantil no Amazonas e no Acre. Um designer de 40 anos foi preso, em Manaus, em flagrante, com uma grande quantidade de imagens de crianças e adolescentes com teor pornográfico, segundo a Polícia Federal. Além dele, outras seis pessoas foram detidas, mas liberadas após prestarem depoimento.

O G1 contatou a sede da ONG ‘Missão Novas Tribos do Brasil’ em Manaus e em Goiás, mas não obteve resposta. Segundo o site da instituição, a organização atua há 59 anos no Brasil “servindo a causa missionária, formada de crentes dedicados cujo objetivo é alcançar grupos minoritários com o Evangelho de Cristo, e prestar assistência ‘integral’ nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento comunitário”.

Folha de S.Paulo repete o Dr. Mentira para atacar “Mais Médicos”. E é pega em flagrante.

folhacoxinha2Fernando Brito, no Tijolaço

A tolice da matéria de ontem da Folha, que a gente apontou aqui, era só uma amostra do péssimo jornalismo que ela resolveu fazer contra o “Mais Médicos”.

Anuncia que as prefeituras vão demitir seus médicos para fazer economia, colocando no lugar um profissional do “Mais Médicos”.

Isso é, sem meias-palavras, mentira.

E a Folha saberia – se é que não sabe – que, ao demitir um médico das suas unidades básicas de saúde, uma prefeitura perde os recursos que o Ministério já paga para que ela lhe custeie o salário, encargos e demais despesas.

Mas a Folha não foi sequer ouvir o Ministério da Saúde antes de abrir manchete.

Pegou boatos recolhidos por três funcionários em Manaus, Fortaleza e Recife, com a ajuda dos CRMs locais – duvido e faço pouco que os repórteres tenham viajado centenas de quilômetros pela selva e pelo sertão-  juntou tudo em São Paulo, bateu no liquidificador e fez uma peça digna de qualquer jornaleco sensacionalista.

A prova da mentira deliberada está aqui, neste vídeo, gravado diante dos repórteres da Folha, no dia 14, onde o ministro Alexandre Padilha explica que as prefeituras que fizerem isso perderão dinheiro, em lugar de ganhar.

A mesma informação pode ser lida aqui, na página do MS.

A Folha não precisava, aliás, nem ter ouvido o Ministério. Bastava que fizesse o que eu fiz, buscar no Google.

Mas não fez e, dessa forma, igualou-se ao espertalhão de Goiânia que quis justificar a sua demissão como uma “invasão dos cubanos”.

Certamente, entre as quase quatro mil prefeituras do país inscritas no “Mais Médicos” haverá demissão de algum profissional. Porque não aparece para trabalhar, porque brigou com alguém, porque, simplesmente, resolveu que não quer mais aquilo. Como acontece com qualquer profissão.

Transformar isso num problema do programa é simples desonestidade e sensacionalismo barato.

Barato, não, caro, porque desqualifica uma iniciativa que é importantíssima para a saúde e a vida de milhões de brasileiros pobres.

Daqui a pouco, estará rodando na internet este “escândalos”, movidos pelas reproduções de “coxinhas” e “anonimous” factóides de classe média, que, além de não terem capacidade de compadecer-se com a situação do povo pobre, não têm capacidade para raciocinar e verificar informações, exatamente como fez a Folha.

Se nesse país houvesse coragem para enfrentar e justiça para proteger a verdade, amanhã a Folha estaria sendo obrigada a publicar um desmentido de primeira página, em letras garrafais como as que usa para mentir.

Mas – e olhe lá – gaguejará “esclarecimentos” amanhã e sua ombudswoman, uma pessoa reconhecidamente gentil, escreverá “ai, que coisa feia, pessoal…”.